terça-feira, julho 20, 2010
Amazônia: nova campanha para internacionalização
BRASIL
Amazônia: nova campanha para internacionalização
Carlos Chagas
Aproveitam-se os eternos abutres do Hemisfério Norte para voltar à velha cantilena de constituir-se a Amazônia em patrimônio da Humanidade, devendo ser administrada por um poder internacional, sobreposto aos governos dos países amazônicos. Editorial do New York Times acaba de funcionar como toque de corneta capaz de arregimentar as variadas tropas de assalto.
Vinte anos atrás incrementou-se a blitz institucionalizada por governos dos países ricos, de Al Gore, nos Estados Unidos, para quem o Brasil não detinha a soberania da floresta, a François Mitterand, da França, Felipe Gonzales, da Espanha, Mikail Gorbachev, da então União Soviética, Margareth Tatcher e John Major, da Inglaterra, entre outros.
Quando de sua primeira campanha, George W. Bush chegou a sugerir que os países com grandes dívidas externas viessem a saldá-las com florestas, coisa equivalente a perdoar os países do Norte da África e do Oriente Médio, que só tem desertos.
Naqueles idos a campanha beirava os limites entre o ridículo e o hilariante, porque para fazer a cabeça da infância e da juventude, preparando-as para integrar as forças invasoras, até o Batman, o Super-Homem, a Mulher Maravilha e outros cretinos fantasiados levavam suas aventuras à Amazônia, onde se tornavam defensores de índios vermelhos e de cientistas lourinhos, combatendo fazendeiros e policiais brasileiras desenhados como se fossem bandidos mexicanos, de vastos bigodes e barrigas avantajadas.
Depois, nos anos noventa, a estratégia mudou. Deixou-se de falar, ainda que não de preparar, corpos de exército americanos especializados em guerra na selva. Preferiram mandar batalhões precursores formados por montes de ONGS com cientistas, religiosos e universitários empenhados em transformar tribus indígenas brasileiras em nações independentes, iniciativa que vem de vento em popa até hoje e que logo redundará num reconhecimento fajuto de reservas indígenas como países “libertados”.
Devemos preparar-nos para uma nova etapa, com a participação da quinta-coluna brasileira, composta por ingênuos e por malandros que dão a impressão de recrudescerem na tentativa de afastar nosso governo da questão. Terá sido por mera coincidência que os Estados Unidos anunciaram a criação da Quarta Esquadra de sua Marinha de Guerra, destinada a patrulhar o Atlântico Sul, reunindo até porta-aviões e submarinos nucleares?
Do nosso lado, bem que fazemos o possível, aparentemente pouco. Não faz muito que uma comissão de coronéis do Exército Nacional, chefiados por dois generais, passaram meses no Vietnã, buscando receber lições de como um país pobre pode vencer a superpotência mais bem armada do planeta, quando a guerra se trava na floresta. Do general Andrada Serpa, no passado, ao ex-ministro Zenildo Lucena, aos generais Lessa, Santa Rosa e Cláudio Figueiredo, até o general Augusto Heleno e o coronel Gélio Fregapani, agora, a filosofia tem sido coerente.
Nossos guerreiros transformam-se em guerrilheiros. Poderão não sustentar por quinze minutos um conflito convencional, com toda a parafernália eletrônica do adversário concentrada nas cidades, mas estarão em condições de repetir a máxima do hoje venerando general Giap: “entrar, eles entram, mas sair, só derrotados”.
Em suma, pode vir coisa por aí, para a qual deveremos estar preparados. Claro que não através da pueril sugestão de transformar soldados em guarda-caças ou guardas florestais. Os povos da Amazônia rejeitaram, na década de setenta, colaborar com a guerrilha estabelecida em Xambioá, mas, desta vez, numa só voz, formarão o coro capaz de fornecer base para uma ação militar nacional.
Para aqueles que julgam estes comentários meros devaneios paranóicos, é bom alertar: por muito menos transformaram o Afeganistão e o Iraque em campo de batalha, onde, aliás, estão longe de sair vitoriosos, apesar de enfrentarem o deserto e não a selva, mil vezes mais complicada…
Trailer Dzi Croquettes
Trailer para o documentário "Dzi Croquettes", de Raphael Alvarez e Tatiana Issa, distribuído pela Imovision. Breve nos cinemas
Aproveitamento econômico da microbiologia
Aproveitamento econômico da microbiologia
Wanderley de Souza, Jornal do Brasil
00:03 - 20/07/2010
Aproveitamento econômico da microbiologia
Aproveitamento econômico da microbiologia
Wanderley de Souza, Jornal do Brasil
00:03 - 20/07/2010
Exército convoca mais de dois mil homens para ação
OPERAÇÃO AMAZÔNIA
Exército convoca mais de dois mil homens para ação
O Ministério da Defesa, por meio do Exército Brasileiro (EB), realiza em Roraima, entre os dias 13 e 24 de setembro, uma operação militar complexa, denominada Operação Amazônia, envolvendo efetivos de todo o Brasil. Mais de dois mil homens atuarão nos municípios do Sul do Estado.
Além da participação de todas as unidades de Boa Vista, será convocada ainda uma Companhia de Fuzileiros com base no pessoal da reserva. Para isso, a Brigada encaminhou cartas a todos os militares da reserva, que estejam na condição nos últimos cinco anos, e que queiram fazer parte da Cia de Fuzileiros. A Companhia deve ser composta por 140 militares aproximadamente.
Os contatos devem ser feitos até o final da semana que vem. Posteriormente será feita uma seleção que deve acontecer até o inicio do exercício. Segundo o comandante do 7º Batalhão de Infantaria de Selva (BIS), Coronel Guerra, durante o exercício, serão verificados sistemas de logística e operacional das tropas.
Durante a Operação os militares convocados realizarão um breve treinamento, receberão fardamento, alimentados e receberão dois terços do pagamento equivalente aos cargos para os quais forem convocados. As atividades serão desempenhadas do dia 8 e 24 de setembro.
Os interessados podem obter outras informações sobre o assunto, na Seção Mobilizadora da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, através do telefone 4009-9241 ou do e-mail mobilizar.selva@gmail.com.
Poema para Iludir a Vida - Fernando Namora
Poema para Iludir a Vida - Fernando Namora
Tudo na vida está em esquecer o dia que passa.
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
[portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
[o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.
Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"
Não importa que hoje seja qualquer coisa triste,
um cedro, areias, raízes,
ou asa de anjo
caída num paul.
O navio que passou além da barra
já não lembra a barra.
Tu o olhas nas estranhas águas que ele há-de sulcar
e nas estranhas gentes que o esperam em estranhos
[portos.
Hoje corre-te um rio dos olhos
e dos olhos arrancas limos e morcegos.
Ah, mas a tua vitória está em saber que não é hoje
[o fim
e que há certezas, firmes e belas,
que nem os olhos vesgos
podem negar.
Hoje é o dia de amanhã.
Fernando Namora, in "Mar de Sargaços"
BB não pode cobrar tarifa pelo serviço de TED
TRANSFERÊNCIA GRATUITA
BB não pode cobrar tarifa pelo serviço de TED
POR LILIAN MATSUURA
A 24ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu o Banco do Brasil, que comprou o Banco Nossa Caixa, de cobrar tarifa pelo serviço de Transferência Eletrônica Disponível (TED) em todo os estado de São Paulo. Há três meses, o Banco Central mudou as regras para que a TED possa ser feita a partir de R$ 3 mil. Cabe recurso da decisão.
A decisão, desta segunda-feira (19/7), se deu por maioria de votos, na câmara composta pelos desembargadores Alexandre Lazzarini, Carlos Abrão e Theodureto Camargo. De acordo com a Câmara, há uma disparidade muito grande na cobrança do serviço, dependendo da instituição financeira. A tarifa pode variar de R$ 7,80 a R$ 100. Há ainda a informação de que nos últimos dois anos o valor das tarifas cobradas pelos banco no país aumentou, em média, 300%.
A Ação Civil Pública foi ajuizada pela Associação Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor (Anadec) contra o banco.
Tarifa sobre o cheque
Em junho de 2007, o Banco Itaú foi proibido pela 42ª Vara Cível de São Paulo de cobrar por cheques acima de R$ 5 mil, que seria uma forma de transferir o dinheiro sem ter de pagar pelo serviço de TED oferecido pelos bancos. Na ação, a Anadec argumentou que não existe lei que imponha aos consumidores a obrigação de usar exclusivamente o serviço de TED para fazer a transferência. “Seria uma ingerência na vida pessoal, no patrimônio dos cidadãos, nas manifestações de vontades e na essência de diversos negócios jurídicos, como compras com cheque pré-datado, que é uma prática nacional profundamente enraizada”, alegou.
A associação sustentou, ainda, que não existe lei que “ampare a cobrança de taxas ou tarifas, dos correntistas que optem pela emissão de cheques em valor igual ou superior a R$ 5 mil”. Com a atitude, o banco “está incidindo em ofensa ao Código de Defesa do Consumidor, que por sua vez traz regra cristalina sobre a devolução de valores cobrados indevidamente”.
O artigo do CDC citado pela Anadec é o de número 42. De acordo com a regra, “o consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável”.
A primeira instância paulista acolheu os argumentos. “De fato, quando se instituiu o sistema de pagamento por via eletrônica, calcado na segurança, na realidade, na rapidez e na própria eficiência do sistema, não ficou preso em camisa de força o consumidor, haja vista mera faculdade e não obrigação para as operações a ele inerentes”, reconheceu a primeira instância.
Apelação 991.09.042247-4 (antigo 7.402.485-2)
Dispara demanda mundial por aviões israelenses militares não tripulados
Dispara demanda mundial por aviões israelenses militares não tripulados
Ana Carbajosa - Aeroporto Ben Gurion (Tel-Aviv, Israel)
Um grupo de técnicos espanhóis assiste à dissecação das tripas de um avião não tripulado em um hangar da Indústria Aeroespacial Israelense (IAI), a empresa pública que lidera o mercado europeu da guerra teleguiada. Estudam o cabeamento do Searcher, o avião sem piloto que a Espanha voa no Afeganistão, forrado de sensores. Pode voar de dia até 15 horas seguidas e gravar o que acontece ao nível do solo, quase sem fazer ruído. Também pode filmar de noite com o sensor térmico, que distingue a temperatura de um corpo humano da de um edifício.
Até 47 países compram aviões não tripulados (UAV na sigla em inglês) dos israelenses, que viram a demanda mundial se multiplicar. A maioria desses aparelhos acaba voando nos céus afegãos, onde o trânsito desses grandes insetos com controle remoto é cada vez mais intenso. Com um faturamento próximo dos 400 milhões de euros e 15% de crescimento anual nos pedidos, nesta minicidade aeroespacial israelense está claro que na guerra do futuro os pilotos serão quase dispensáveis.
"Há 15 anos era preciso convencer os compradores. Hoje todos os países vêm claramente a importância dos 'drones' nas guerras do Iraque e do Afeganistão. É de longe o setor que mais cresce, comparado com helicópteros e outros aparelhos que fabricamos", afirma Avi Pansky, da divisão Malat, especializada nesses equipamentos. Ele acrescenta que este ano já tem contratos equivalentes ao ano e meio anterior.
No caso do exército americano, a paixão pelos teleguiados fez que em dois anos o número destes tenha crescido de algumas centenas para os 6 mil atuais, segundo a "Aviation Week". Inclusive a Turquia, cuja relação com Israel atravessa suas horas mais tensas, devido à morte de nove ativistas durante a abordagem à flotilha da liberdade em maio passado, bate às portas da aeronáutica israelense para comprar aviões não tripulados com os quais sobrevoa os territórios curdos.
Já compraram dez drones no valor de 140 milhões de euros. A última entrega - quatro Heron - está prevista para o mês que vem. Peter Singer, autor do livro "Wired for War" [Eletrônica para a guerra], que explica como a robótica está mudando as guerras, aponta que a proliferação de UAVs representa um dilema político para países como a Turquia, que desejariam reduzir sua dependência de outros países. "Por isso o Reino Unido, a China e a Turquia já trabalham na fabricação de suas próprias versões. O que vemos agora é só o princípio de uma grande mudança na aviação mundial", explica por telefone de Washington esse especialista em assuntos de defesa do Instituto Brookings.
O que se vê nessa fábrica israelense é o esqueleto. Que depois os drones sejam dotados de armamento é algo que depende da demanda do país comprador, e um tema muito delicado. Os ataques do ar são um assunto tão opaco nos EUA quanto em Israel, os dois países que competem em seu desenvolvimento e que, apesar de se tratar de um segredo aberto, mantêm certa ambiguidade na hora de reconhecer o emprego de aviões não tripulados para disparar e matar. No Ministério da Defesa espanhol explicam que o Searcher que usam no Afeganistão são utilizados só para inspecionar o território, e não para disparar.
"O país mais prolífico em assassinatos seletivos hoje são os EUA, que fundamentalmente utilizam drones em seus ataques. Cerca de 40 países têm a tecnologia e alguns já a têm e estão desenvolvendo a capacidade de disparar mísseis desses aparelhos", afirma Philip Alston, relator da ONU sobre execuções extrajudiciais em um relatório publicado em junho passado. Ele cita a Rússia, Turquia, China, Índia, Irã, Reino Unido e França entre os países que têm ou logo terão mísseis em seus aviões teleguiados.
Parte dos assassinatos seletivos israelenses é executada com UAVs, segundo Alston. Israel não confirma nem desmente, mas admite a fabricação dos Harop, que explodem sozinhos em vez de lançar mísseis; é o chamado drone suicida. Em geral, os americanos preferem fabricar seus aparelhos em vez de importá-los. Os Hunter, de desenho israelense, constituem uma exceção. São os que lançam as chamadas bombas inteligentes, embora haja muitas dúvidas sobre a inteligência desses e de outros explosivos que são lançados por UAVs.
O relator da ONU afirma que "centenas de pessoas", incluindo civis, morreram em operações realizadas pela CIA e alerta sobre o perigo da mentalidade Playstation que pode ser gerada por esse tipo de aparelhos, manejados com um simples comando de algum escritório a milhares de quilômetros do campo de batalha.
A assepsia que cerca as mortes à distância, além disso, as torna mais digeríveis para a opinião pública. Ao menos a julgar pelo aumento desses ataques pelos EUA desde que Barack Obama ocupa a Casa Branca, sem que tenham provocado grandes protestos, afirma Jane Mayer em um extenso artigo na "New Yorker" intitulado "A guerra do predador".
A variedade desses aparelhos com ou sem licença para matar é enorme. Esta macroempresa israelense fabrica desde o diminuto olho de pássaro, que pode ser levantado com uma mão, até a joia da coroa da indústria israelense: o Heron HP, lançado recentemente. Este mede 27 metros de envergadura, o que o transforma em um dos maiores do mundo, e pode voar até 30 horas ininterruptas. Faz muito pouco ruído e voa a grande altitude, o que lhe permite abarcar uma grande superfície ao tirar imagens. Por suas características poderia voar de Israel até o país arqui-inimigo, o Irã. Os israelenses o testaram em Gaza em várias ocasiões, também durante a operação Chumbo Fundido.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
A inusitada esperança de Javier Giraldo
A inusitada esperança de Javier Giraldo
Maria Clara Bingemer, Jornal do Brasil
RIO - Quando o padre Javier Giraldo, homem sereno e de ideias claras, fala da tragédia que o acompanha há mais de 30 anos, o auditório estremece, em silêncio. Desde meados dos anos 90, ele compartilha a sorte de várias famílias, a maioria parentes e amigos de 342 vítimas dos narcotraficantes na zona de Trujillo, na Colômbia. Agricultores expropriados de tudo que possuíam ou ameaçados de espoliação e morte em meio à guerra entre paramilitares e guerrilheiros passaram a ter na voz calma e firme do sacerdote seu único apoio.
Ancorados neste apoio, resistiram à força bruta que queria expulsá-los de suas terras. Constituíram um grupo que denominaram Comunidade de Paz e anunciaram a decisão num Domingo de Ramos, em 1997. Não esperavam que a reação do Exército fosse tão brutal. Os mortos e os desabrigados se multiplicaram. Padre Giraldo e outros três religiosos decidiram ficar. Ajudaram os agricultores a identificar os assassinos e os denunciaram. Há vários que hoje respondem a processo e aguardam sentença.
A represália não se fez esperar. Padre Giraldo foi ameaçado de morte muitas vezes. Recentemente, as ameaças recrudesceram. O ministro do Interior e da Justiça da Colômbia, Fabio Valencia, ofereceu-lhe custódia dentro do Programa de Proteção dos Direitos Humanos. O jesuíta polidamente recusou em carta sucinta e respeitosa. Com impressionante coerência explica que não encontra qualquer lógica em “ser protegido pelas mesmas instituições que perpetraram violações graves dos direitos humanos”, e considera que as vítimas “correm muitíssimos mais riscos do que eu, e por isso eu não me sentiria tranquilo se eu sou protegido, e não elas, que são o motivo real dos meus riscos”.
A coragem de padre Giraldo encontra sua raiz e sustento em espaço diferente daquele onde normalmente se apoiam as seguranças humanas. Após uma conferência durante a qual descrevera a situação do povo e a total falta de perspectiva de reversão a médio e longo prazos, foi acusado de deixar as pessoas sem esperança.
Isso o levou a reelaborar sua concepção de esperança. Ela não se assenta sobre os dois suportes habituais que a fazem subsistir: o êxito e a recompensa. Segundo padre Giraldo, tais situações não se coadunam com o Evangelho. A verdadeira esperança é a que emerge do fracasso.
Padre Giraldo aprendeu isso com os agricultores, que a cada massacre tornam-se mais firmes em sua luta. E também, evidentemente, com o Evangelho. A esperança cristã é filha não de um sucesso, mas de um retumbante fracasso: a morte de Jesus de Nazaré, sobre quem repousavam as expectativas messiânicas de um povo oprimido e sofredor.
Sua ressurreição foi a palavra definitiva que permitiu superar esse fracasso com o sentimento de que, por pior que seja a situação vivida, Deus é maior do que ela e faz brotar a vida ali onde só há morte e impossibilidade.
Por isso, padre Giraldo não tem medo da morte. Por isso igualmente mata de medo seus perseguidores, que não cessam de brandir sobre ele ameaças que só reforçam sua fé e seu compromisso com o povo ao qual é solidário de maneira irreversível.
Maria Clara Lucchetti Bingemer é autora de Simone Weil: a força e a fraqueza do amor (Editora Rocco).
00:03 - 20/07/2010
segunda-feira, julho 19, 2010
Portugal busca crescimento em antiga colônia
Portugal busca crescimento em antiga colônia
Raphael Minder - Lisboa (Portugal) 19/07/2010
Antonio Cunha Vaz, junto com sua mãe e sua irmão, fizeram parte de um êxodo em massa de portugueses de Angola em 1975, quando o país africano conquistou a independência antes de cair numa devastadora guerra civil.
No ano passado, entretanto, 37% dos US$ 28 milhões dos rendimentos de sua consultoria de relações públicas homônima, localizada em Lisboa, vieram de Angola, de um escritório que ele abriu em Luanda, capital do país, em 2008.
Portugal, uma das economias problemáticas da Europa, está cada vez mais colocando suas esperanças de recuperação em Angola, uma antiga colônia que se estabeleceu como uma das economias mais fortes da África subsaariana – graças ao petróleo e aos diamantes. A mudança vem à medida que a concorrência está ficando mais acirrada no Brasil, outra ex-colônia em crescimento econômico, e à medida que os tradicionais parceiros comerciais de Portugal na Europa, liderados pela Espanha, lutam com uma montanha de dívidas e com o desemprego crescente.
Angola já se tornou o maior mercado para as exportações de Portugal fora da Europa, respondendo por 7% das exportações no ano passado, em comparação com 1% em 2000. O maquinário e o desenvolvimento industrial lideram a lista, junto com alimentos, bebidas e metais.
Talvez até mais espetacular do que o fluxo do comércio tenha sido a chegada de uma nova geração de portugueses para trabalhar em Angola, uma tendência que deve crescer à medida que mais companhias portuguesas transferem suas operações para lá e Angola avança com planos de incentivo aos investimentos como a abertura da bolsa de valores local. No ano passado, 23.787 portugueses se mudaram para Angola em comparação com apenas 156 portugueses em 2006.
Confirmando a importância cada vez maior de Angola, o presidente de Portugal Aníbal Cavaco Silva deve fazer sua primeira viagem a Luanda no domingo, liderando uma delegação de cerca de 80 executivos portugueses para uma visita de uma semana.
Mas os portugueses não são os únicos com os olhos em Angola. A China esteve recentemente à frente do ressurgimento econômico de Angola, tentando garantir acesso aos recursos naturais do país em troca de ajudar a construir estradas e outras obras de infraestruturas destruídas durante três décadas de guerra.
Embora as companhias portuguesas não tenham a mira de longo alcance para competir com os chineses e outros investidores mais fortes, a língua em comum, aliada com as ligações culturais, pode dar aos portugueses uma vantagem.
Os portugueses já apostaram em antigas colônias para ajudar a compensar a redução de rendimentos no país, principalmente no Brasil. Um exemplo disso foram os esforços recentes que o governo de Lisboa fez para evitar que a Telefônica da Espanha tomasse o controle de uma empresa brasileira parceira da Portugal Telecom – embora uma oferta tenha sido aprovada pelos acionistas da Portugal Telecom( Foto de seu prédio).
José Sócrates, primeiro-ministro português, disse na época que ter uma presença no lucrativo mercado brasileiro era “estratégico e fundamental para o desenvolvimento da Portugal Telecom.”
Ainda assim, a visão geral entre os analistas é que o Brasil é grande e suficientemente avançado para atingir o crescimento por conta própria. Além disso, as companhias portuguesas têm tido um investimento irregular no país. Por exemplo, empresas portuguesas fizeram incursões ambiciosas no Brasil nos anos 90, e acabaram encontrando problemas de desvalorização da moeda e forte concorrência interna.
“O mercado brasileiro sempre esteve no nosso radar, mas fizemos várias tentativas lá e nem sempre fomos bem sucedidos”, disse Cristina Casalinho, economista-chefe do BPI, um banco português. “No passado nós testemunhamos algum progresso na relação comercial como Brasil, mas não tenho certeza se é o começo de uma tendência. Na verdade, tenho um certo ceticismo em relação ao Brasil, enquanto que em Angola é algo que deve continuar, e os investimentos diretos em Angola gradualmente substituirão as exportações como parte mais importante do relacionamento.”
No ano passado, Ricardo Gorjão, gerente de projetos da CPI, uma companhia portuguesa que produz software para bancos e outras indústrias de serviço, gastou dois terços de seu tempo em Angola, onde os bancos estão construindo uma rede nacional praticamente do zero, depois de inicialmente restringir suas operações a Luanda. “Estamos atravessando uma enorme recessão em Portugal, onde o setor bancário teve um desenvolvimento surpreendente, então faz mais sentido transferir nossos negócios para Angola”, disse ele por telefone de Luanda.
Embora a vida na capital de Angola possa ser “dura, perigosa e cara” em comparação com Lisboa, “quando você vê o desemprego que existe em Portugal, acho que mais pessoas ficarão disponíveis para mudar para cá por um bom emprego.”
A situação sombria da economia portuguesa foi ressaltada na terça-feira quando a agência Moody's baixou a classificação da dívida do país em dois pontos, de A1 para Aa2. A Moody's justificou sua decisão, que segue as quedas recentes na classificação de outras agências, alegando poucas perspectivas de crescimento, assim como uma previsão de que “a força financeira do governo português continuará diminuindo a médio prazo.”
O Banco Mundial, por sua vez, aumentou recentemente sua previsão de crescimento para Angola em 2010 de 7.5% para 8,5%.
Ainda assim, analistas enfatizam que a corrupção em Angola, aliada com a burocracia excessiva, são sérios obstáculos para os investidores estrangeiros. O país ficou em 162º lugar numa lista de 180 países no índice de percepções sobre corrupção compilado pela Transparência Internacional.
Com sua economia em crescimento e lucros excepcionais com o petróleo, Angola também se transformou num dos principais investidores estrangeiros em Portugal, encabeçados por familiares e conselheiros próximos a José Eduardo dos Santos, que governou Angola como presidente desde 1979. Eles investiram em bens como plantações de oliveiras e vinhedos no norte de Portugal até ações das principais companhias portuguesas.
O Santoro, um grupo financeiro controlado pro Isabel dos Santos, filha do presidente, tem uma fatia de 9,7% da BPI. A Sonangol, companhia de petróleo estatal, investiu em outro grande banco português, o Millennium Bcp, e também adquiriu uma parte da Galp, a companhia energética portuguesa.
Mas fora as ambições da elite governante de Angola, outro motivo para esperar que os laços se estendam é que os angolanos estão liderando um contingente cada vez maior de estudantes africanos que cursam universidades em Portugal.
Esdon Martins, um angolano de 25 anos que lidera uma associação de estudantes na Universidade Autônoma de Lisboa, estima que seus compatriotas respondam por quase um quinto dos alunos este ano. Depois de estudar Direito, ele planeja voltar para casa. “Estudar aqui é ótimo, mas as verdadeiras oportunidades para colocar o que eu aprendi na prática e fazer algo interessante como abrir um negócio estão na África”, diz ele. “Não somos só nós que pensamos isso, mas os estudantes portugueses daqui agora me pedem para ajudá-los a encontrar um emprego em Angola.”
Tradução: Eloise De Vylder
Assinar:
Postagens (Atom)








