domingo, outubro 03, 2010

Maria Bethânia - Apesar de Você Maravilhas da Música Popular Brasileira

Reflexões do Dia: sobre a liberdade de imprensa

“A liberdade não foi conquistada apenas para os que ‘informam corretamente’, mas também para os que, na opinião desse ou daquele presidente da República, não informam tão corretamente assim. Se um jornal quiser assumir uma postura militante, de cabo eleitoral histérico, e, mais, se quiser não declarar que faz as vezes de cabo eleitoral, o problema é desse jornal, que se arrisca a perder credibilidade. O problema é dele, só dele, não é do governo (...) Não cabe ao Executivo, ao Legislativo ou ao Judiciário definir o que é ‘informação correta’. Isso é prerrogativa do cidadão e da sociedade. Que setores da sociedade protestem contra esse ou aquele jornal faz parte da vida democrática. Às vezes, é bom. Pode ser profilático. Agora, que o governo emule, patrocine ou encoraje esses movimentos é no mínimo temerário”.
Em artigo no jornal O Estado de S. Paulo, o colunista Eugênio Bucci

Zope, para Charge Online


Democracias turbulentas

Democracias turbulentas
Caso equatoriano revela a fragilidade institucional que atinge países da América do Sul
Fernando Eichenberg e Mariana Timóteo da Costa – O Globo
 Duzentos anos depois do início de sua independência — a maioria, inclusive, comemorando o bicentenário este ano — países da América do Sul ainda demonstram dificuldades em consolidar sua democracia por meio do fortalecimento de instituições locais.
O caso mais recente, o do Equador, em que o presidente Rafael Correa ameaçou dissolver o Congresso após seu governo mergulhar numa crise, mostra, segundo especialistas, que o processo ainda pode ser longo.
Desde a redemocratização, em 1979, o Equador mostra-se muito volátil politicamente, situação agravada com o forte peso que os militares exercem na política. Tanto que os rumores de golpe contra Correa, na semana passada, só foram descartados quando o chefe das Forças Armadas foi à imprensa declarar que apoiava o presidente. Ao lado do Equador, em maior ou menor grau, podem-se incluir Bolívia, Venezuela, Argentina, Colômbia e Peru na lista de países em que o poder central (o Executivo) desempenha um papel “autoritário e de interrupção sistemática — ou tentativa de — do funcionamento das instituições, o que acaba esvaziando o processo democrático”, acredita Antônio Celso Alves Pereira, professor de Direito Internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
— Com o fim da mais recente era das ditaduras (em 1983 caiu a última, a argentina), havia uma esperança de que a situação melhorasse. Houve avanços, mas também retrocessos: o Correa e o (venezuelano) Hugo Chávez, por exemplo, subiram ao poder prometendo reformas importantes, mas seus governos acabaram aderindo a um personalismo que os tornou antidemocráticos — avalia Simón Consalvi, ex-chanceler venezuelano e analista político.
Outro caso, lembra Pereira, é o drama do novo peronismo na Argentina”.
— Ninguém encontra uma saída para a Argentina, cujo casal Kirchner se alterna no poder e coloca, toda hora, instituições como a Justiça e a liberdade de expressão à prova. Faz parte da loucura argentina ir às ruas manifestar contra os abusos às instituições, mas, ao mesmo tempo, escolher governantes autoritários pelo voto — lembra o jurista.
Educação e partidos na raiz do problema
Interamericano, centro de estudos de relações entre os EUA e a América Latina e o Caribe, com sede em Washington, tem uma tese: os países mais estáveis antes do processo de redemocratização são também os mais estáveis agora. Ele cita Equador ou Bolívia como países que tradicionalmente nunca foram capazes de implantar e consolidar um sistema político com habilidade para poder administrar e resolver seus diferentes problemas nacionais. A Argentina , segundo ele, também é um caso problemático.
A mulher e o marido (Cristina e Néstor Kirchner) governando o país como eles fazem, isso sugere um certo grau de desordem política, não? — questiona. — E isso vem de anos.
Segundo Antônio Celso Alves Pereira, a questão da democracia frágil pode ser relacionada a várias causas: ausência de estruturas partidárias fortes e divergentes entre si que estimulem o debate e o recrutamento político; economia instável; oligarquias ainda instaladas sem interesse em ver seus países progredirem; e debilidade do sistema educacional, que deixa uma fatia significativa do povo “sem instrução nem capacidade de bem eleger seus governantes”.
Simon Consalvi vê a situação de Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina como as piores. Se bem que faz ressalvas quanto ao presidente boliviano, Evo Morales, que, apesar de flertar com o autoritarismo e a vontade de perpetuar-se no poder, pela primeira vez “deu ao povo uma voz”.
— A Constituição da Bolívia, ao contrário da equatoriana e da venezuela, precisava mesmo ser reescrita.
Morales está refundando o país e isso é louvável — concorda Pereira.
Peter Hakim lembra que os países de maior fragilidade política são, ao mesmo tempo, os que têm os presidentes mais populistas.
— Onde há instituições fracas, as pessoas querem um líder para resolver os seus problemas e os do país.
Michael Shifter, professor de Política Latino-Americana na Universidade Georgetown, de Washington, lembra que é difícil fazer generalizações sobre o processo de democratização não apenas na América do Sul, mas na América Latina como um todo. Porém, a crise equatoriana, segundo ele, expõe e revela esses profundos problemas de governança democrática.
— E a questão econômica também é um fator importante para isso. Vide o caso equatoriano, cuja crise institucional piora quando a economia vai mal. Os casos do Peru e da Colômbia, países que vêm atraindo investimentos estrangeiros, também estão melhores institucionalmente. Uma coisa está muito ligada a outra — acredita.
O Peru — depois do desastroso primeiro governo de Alan García e, depois, de Alberto Fujimori, que deu um autogolpe e fechou o Congresso — vive uma fase de recuperação institucional que começou no governo de Alejandro Toledo e, agora, na volta de Alan García, cuja segunda gestão têm características bem diferentes da primeira.
O resultado é que o país deve crescer mais de 6,5 % este ano, um dos maiores índices da região.
A Colômbia, cuja tradição desde a época colonial era prestigiar, pelo menos mais do que os vizinhos, as suas instituições, também mostra-se recuperada das tentativas recentes de Álvaro Uribe de passar por cima das decisões da Justiça — tentando, entre outros desvios, mudar as leis para concorrer a um inusitado terceiro mandato. Mas o país ainda enfrenta desafios como a punição de políticos envolvidos com os paramilitares e casos como as escutas telefônicas, que respingaram no governo.
Segundo Shifter, alguns países resistem melhor do que outros a pressões e conseguem desenvolver melhor seus órgãos legislativos e jurídicos.
— No Brasil, no Chile ou no Uruguai se pode notar um certo grau de previsibilidade, em que se buscam políticas mais estáveis e instituições de governo mais fortes.
Ao mesmo tempo, o analista americano aponta casos de maior hibridez, como o do México, em que avanços políticos coabitam com a emergência da violência provocada pelos cartéis de drogas em regiões do país, um obstáculo para o processo democrático.
— Penso que é preciso recortar o continente e analisar separadamente cada caso.
Mas uma coisa é certa: os riscos para a democracia ainda são grandes na região.
Os analistas, no entanto, concordam num ponto. Há uma menor tolerância, em toda região, a golpes de Estado.
Na semana passada, o próprio ministro Celso Amorim justificou os rápidos movimentos da Chancelaria brasileira e das de outros países da região em relação à crise no Equador como uma tentativa de “não cair em uma situação como a de Honduras”. No ano passado, a demora dos governos locais em reagirem ao golpe contra Manuel Zelaya foi determinante para que o presidente, eleito, nunca mais conseguisse voltar ao poder.
— Mas, mesmo nesses casos, há uma contradição típica da cultura política latina: alertar tanto para um golpe que não era golpe, como ocorreu com Rafael Correa no Equador na semana passada, pode acabar fortalecendo internamente e exaltando um presidente extremamente autoritário.
Não sei se foi bom o Brasil, a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenarem um golpe que não houve — polemiza Consalvi.
Para o analista, há ainda uma outra contradição — e, na linha de frente, o Brasil que, ao mesmo tempo em que condena qualquer tentativa de golpe, mostra-se permissivos com regimes que abusam da Justiça, dos tribunais eleitorais e não promovem a liberdade de expressão, como o de Chávez.

Dilma e Serra beberam da mesma fonte econômica

Dilma e Serra beberam da mesma fonte econômica
Lourival Sant’Anna - O ESTADO DE S. PAULO
Ambos são influenciados por Keynes, que rejeita juros altos e câmbio valorizado e defende desenvolvimento induzido pelo Estado
"É a economia, estúpido." A frase de um estrategista de Bill Clinton na eleição presidencial de 1992 aplica-se ao Brasil de 2010. A sensação geral de melhoria socioeconômica explica em grande medida a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a aceitação de Dilma Rousseff. Entretanto, os três principais candidatos à Presidência não debatem temas econômicos.
Por motivos distintos. Marina Silva visivelmente não se interessa por essa área do conhecimento. Dilma Rousseff e José Serra dedicaram toda a carreira acadêmica e grande parte da vida profissional a ela. Seu pensamento econômico foi moldado nas mesmas fôrmas. A economia os une em vez de os diferenciar. E isso não é bom quando se tenta provar que se é melhor que o outro para governar um país.
A matriz do pensamento econômico de Dilma e de Serra é o inglês John Maynard Keynes. Seus críticos dizem que Keynes se preocupava mais com o crescimento econômico, induzido por um Estado gastador, do que com o controle da inflação e da dívida. Essa visão o rotula como "desenvolvimentista", em oposição aos "monetaristas". Já os seus seguidores dizem que Keynes se preocupava com a contenção dos déficits e da dívida, como premissa para manter o juro baixo e o câmbio não valorizado, e para o Estado fazer investimentos indutores do desenvolvimento sem gerar inflação.
Depois de se graduar em economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Dilma fez os créditos de mestrado no fim dos anos 1970 e de doutorado no fim dos anos 1990, ambos inconclusos, na Universidade Estadual de Campinas. "A ênfase da Unicamp em macroeconomia era claramente keynesiana", recorda Luiz Gonzaga Belluzzo, que foi professor de Dilma naquela universidade.
Serra entrou em contato com a obra de Keynes na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e na escola de economia da Universidade do Chile, onde se exilou em 1965, depois de ter feito engenharia civil na Universidade de São Paulo. Keynes era base dos estudos sobre desenvolvimento na América do Sul. A abordagem dominante era a teoria da dependência, que tinha Fernando Henrique Cardoso entre seus expoentes. A teoria transpunha para as relações internacionais a noção marxista de divisão social entre capital e trabalho: havia um centro desenvolvido e uma periferia dependente de sua demanda por produtos primários.
Serra conta que "acompanhou de perto" a elaboração de Dependência e Desenvolvimento na América Latina, que Fernando Henrique escreveu com o italiano Enzo Faletto em 1969. Mais tarde, em 1978, já no Instituto de Estudos Avançados de Princeton (EUA), Fernando Henrique e Serra escreveriam a quatro mãos o paper As Desventuras da Dialética da Dependência, demolidora crítica ao brasileiro Ruy Mauro Marini, também cepalino, que acreditava que a superexploração do trabalho na periferia conduziria fatalmente à estagnação econômica e, dela, à revolução socialista.
"Éramos todos cepalinos e, portanto, réprobos, num momento da vida brasileira e latino-americana em que a vitória do pensamento conservador e tecnocrático parecia definitiva", escreveu Belluzzo no prefácio de O Capitalismo Tardio, publicado em 1982 por João Manuel Cardoso de Mello, seu colega na Unicamp. No livro, Mello reconhece a importância das teses de Fernando Henrique e de Faletto, mas considera haver distorções causadas pela periodização histórica, que deixaria de lado especificidades de cada país.
Mello foi orientador de Dilma no doutorado e um dos principais responsáveis pela contratação de Serra como professor na Unicamp, em 1978. Ele ameaçou tornar pública a resistência do então coordenador de institutos, o físico Sérgio Porto, que não queria mais um esquerdista na economia. Sua mulher, a também economista Liana Aureliano, é amiga há 40 anos de Serra.
Como bons keynesianos, Dilma e Serra opõem-se à política de juro alto e câmbio valorizado, sobre a qual se apoia a estabilidade monetária no Brasil desde a introdução do Plano Real, em 1994, numa continuidade que atravessa dois mandatos de Fernando Henrique e outros dois de Lula.
Em 1997, quando era economista da Fundação de Economia e Estatística, em Porto Alegre, Dilma redigiu o estudo Política Monetária e Sistema Financeiro: a elevação das taxas de juros e a concentração bancária, em que advertia para os riscos da política monetária, que expunha o Brasil a movimentos especulativos como os que tinham sacudido o México e os Tigres Asiáticos. Na época, Serra já havia perdido o cargo de ministro do Planejamento, que exercera entre 1995 e 1996, por pensar como Dilma. Dez anos depois, já como ministra de Minas e Energia de Lula, Dilma atacou, em entrevista ao Estado, o esforço de superávit primário combinado com o juro alto, que, segundo ela, era "rudimentar" e equivalia a "enxugar gelo".
"Os dois são ótimos economistas, quanto a isso não tem com que se preocupar", atesta Maria da Conceição Tavares, professora de Dilma na Unicamp e de Serra na Cepal, com quem escreveu em 1970 o artigo Para Além da Estagnação. "O problema é que governar um país não depende só de economia." Ela apoia Dilma.

AROEIRA


Gênio geni

Gênio geni
José Miguel Wisnik – O Globo
Neymar é de certo modo o primeiro jogador na História do futebol que já existia antes de existir
Já se falou muito, não sei se o suficiente, sobre a celeuma Neymar. Seria bom retomar a breve e agitada história dele até aqui, desde antes da celeuma.
Não se pode esquecer que Neymar é de certo modo o primeiro jogador na História do futebol que já existia antes de existir. Desde 2005, mais ou menos, já se sabia que o Santos preparava um garoto de 13 anos para a sua esperada estreia. Os garotos geniais são cevados hoje muito cedo para o mercado futebolístico futuro, comprometidos com clubes, representantes, empresários que correm cada vez mais desenfreadamente para os nascedouros lucrativos. Muitos acabam sendo retalhados por direitos percentuais pertencentes a vários interessados, e só lateralmente aos clubes.
Neymar foi para a Espanha e só não ficou no Real Madrid por um acidente, porque não quis. Quando estreou no Santos, aos 17 anos, em maio de 2009, no meio do segundo tempo do jogo contra o Oeste de Itápolis, a sua entrada em campo já foi recebida no Pacaembu como uma consagração antecipada. O frisson antecedia o primeiro toque na bola. Mas não demorou para que ele correspondesse à expectativa ao receber um passe pela direita, aplicar um drible inusitado no adversário que se apresentou para dar o combate e cruzar uma bola cheia de efeito na forquilha.
A quina da trave, a bola que não entrou, a dúvida sobre se aquilo era um cruzamento ou um chute a gol, tudo isso me pareceu menos importante, na hora, do que o tom relaxado do drible, de quem joga sem esforço, a movimentação esperta e a clareza precoce dos espaços do campo. Foi ness e m o m e n t o que o Santos começou quase instantanea mente a deixar de ser um time tedioso e a desenhar o que aconteceria um ano depois. A experiência me diz que um jogador diferenciado prefigura de imediato o que vai ser, como um poeta, que a gente identifique por um único verso. Mesmo que isso demore depois a se realizar efetivamente. Na ocasião, gostei de ler na coluna do Tostão que a sua primeira impressão de Neymar foi semelhante à que teve de Zico e de Romário.
Sempre lembrando, no entanto, que um craque virtual só se torna um craque efetivo se cruzar as mais extremas vicissitudes e se suar, dizia Tostão, o corpo e a alma.
Como se sabe, as atenções que Neymar foi despertando com a eclosão do time do Santos, ao lado de Ganso e depois de Robinho, fizeram com que ele passasse a ser mais marcado e mais visado, em todos os sentidos. A encenar faltas recebidas, várias vezes, mas recebendo-as na verdade muito mais do que encenando, e logo de adversários que se alternavam em aplicá-las para fugir dos cartões.
Estratégias especiais de marcação e um cerco mais direto e maciço em campo são de praxe nesses casos. Mas há outras marcações mais insidiosas que se agregam, além da perseguição citada.
Uma delas é a da mitificação em tempo real pela qual passam os acontecimentos na “cultura contemporânea”.
Me refiro, por exemplo, ao fato de que o primeiro gol de Neymar, uma semana depois da sua estreia, já foi noticiado no ato como histórico, já antevisto como se a posteriori, como se já o olhássemos do ângulo teleológico de uma futura somatória de todos os seus feitos. É ou não é uma inversão perversa? A fetichização está inscrita na raiz do acontecimento, e os acontecimentos passam a ser devedores dessa mesma fetichização cega que passa a cercar cada passo do jogador. Junto com ela vem a crítica e a suspeita de que tudo não passa de uma armação mercadológica, excessiva, projetada em cima de um jogador fabricado que não merece a fama apressada com que é coroado.
Para completar, no entanto, a complicação e a complexidade da situação, ali está um jogador de fato “fabricado” por toda uma expectativa prévia, mas com um talento efetivamente correspondente às melhores promessas. Um capital virtual a se atualizar, usando aqui a palavra “capital” com toda a extensão analítica e irônica que ela pode ter: os investimentos milionários do mercado futebolístico, envolvidos com as marcas e o merchandising, com os interesses dos grandes clubes europeus, com a s p r e s s õ e s q u e c e r c a m desde já a formação da seleção brasileira de 2014, e o talento demonstrado em campo como um capital simbólico, como o brilho de uma trilha a ser trilhada, sujeita embora a todos os acidentes de curso.
É difícil imaginar que isso siga um curso “normal”, no sentido de pacífico e ameno.
As cobranças e as pressões, dentro e fora do campo, são muitas, e muitas delas são novas, no quadro do futebol atual. Tendo perdido seus mais importantes companheiros de clube, vendidos para o futebol europeu ou tirados de campo por contusão (no caso de Paulo Henrique Ganso), Neymar “surtou” no papel de protagonista, não se admitindo obedecer a ordens sensatas do técnico. De certo modo foi um comportamento típico de adolescente problemático em sala de aula ou em casa, com a diferença de que a vida familiar e escolar de Neymar foi desde cedo projetada para dentro do campo de futebol, com visibilidade e repercussão extremadas.
Me espanta que os adultos, a quem cabia dar limites firmes e claros, se confundiram nos papéis, perderam entre eles os limites, com a queda do técnico Dorival Junior como inesperada consequência.
O técnico René Simões veio despropositadamente falar na criação de um “monstro”. O que temos é um nó geral, com muitos participantes, todos não sabendo o que fazer com os gênios geniosos que a sociedade e a vida estão criando.

Os nós que terão de ser desatados para o país se desenvolver de fato

Os nós que terão de ser desatados para o país se desenvolver de fato
Pelo menos 75% dos brasileiros não dominam a leitura, a escrita e a matemática; e Brasil sofre com falta de mão de obra qualificada
Regina Alvarez e Vivian Oswald – O Globo
Para pôr o Brasil num novo patamar de desenvolvimento econômico e social, o presidente eleito terá que desatar os nós que ainda emperram o crescimento sustentado do país. Investir fortemente em educação, saúde e segurança, aprovar reformas essenciais no Congresso e resolver os gargalos na infraestrutura. Os problemas na área social, na economia e na política aparecem em estatísticas e análises de especialistas.
Alguns foram abordados na campanha eleitoral, mas de forma superficial. No governo, o próximo presidente terá que arregaçar as mangas e usar o capital político tirado das urnas, se quiser, de fato, colocar o país definitivamente nos trilhos do desenvolvimento.
Em 2009, segundo o IBGE, 29,3 milhões de brasileiros, ou 20,3% da população, eram analfabetos funcionais. Essas pessoas sabem escrever o próprio nome, mas não conseguem compreender o que leem.
Só 25% dos brasileiros dominam a escrita, a leitura e a matemática para se expressar e entender o que está à sua volta no contexto econômico e tecnológico atual. O dado, do Indicador de Analfabetismo Funcional 2009, produzido pelo Instituto Paulo Montenegro, é esclarecedor para entender os graves problemas de falta de mão de obra qualificada que o país terá de superar na busca pelo crescimento sustentado.
No topo da lista de reclamações da indústria brasileira, a falta de mão de obra qualificada é apontada pelo governo como o principal desafio a ser enfrentado para atender às demandas crescentes da economia.
Ainda de acordo com o IBGE, apenas 37,9% dos jovens, com idade entre 18 e 24 anos, tinham 11 de estudo, em 2009, o que torna difícil o cumprimento da exigência constitucional de ampliação do ensino obrigatório, de nove para 14 anos, a partir de 2016.
— Está claro que o problema da educação no Brasil, principalmente o analfabetismo, tem endereço e confirma a exclusão histórica brasileira. Para levar o país ao mesmo nível de países como Chile e Argentina, é preciso resolver o gargalo do analfabetismo e ampliar o ensino superior.
Na velocidade em que vamos, vai levar muito tempo — afirma o diretor de estudos sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão.
Analfabetismo é face da exclusão
Ele lembra que existem 50 milhões de vagas no ensino médio, o que não é trivial, mas considera ser preciso ampliar a educação básica e melhorar sua qualidade.
O problema mais grave, na visão de Abraão, é o analfabetismo entre adultos: — Significa que determinada faixa etária não teve acesso aos bancos escolares no momento adequado. Isso deveria ser tratado como uma preocupação nacional pelos três níveis de governo.
Outro desafio a ser enfrentado de imediato, na visão do cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília, é uma reforma administrativa para melhorar os sistemas de governança na educação e em outras áreas básicas, como a saúde.
— Há graves problemas de governança na educação, com uma prestação de serviços muito assimétrica por parte da União, estados e municípios — destaca Barreto.
Os gargalos emperram o desenvolvimento social e econômico do país. Na economia, geram prejuízos para as empresas, que perdem clientela e competitividade com os problemas da infraestrutura.
Para o presidente eleito da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade, o bom momento que o país vive, com a economia em expansão, mostra que temos condições de chegar lá, desde que os gargalos sejam resolvidos.
Ele destaca que os investimentos em infraestrutura são de médio e longo prazo, mas precisam ser planejados e iniciados sem demora para atender às demandas crescentes de um país em ritmo acelerado de crescimento.
— A infraestrutura é ineficiente, os aeroportos não permitem que se tenha confiabilidade para fazer negócios. Tem que planejar e começar agora, não dá para ficar esperando — afirma.
Para viabilizar o crescimento forte e sustentado da economia, Andrade põe a desoneração das exportações e dos investimentos e a redução do custo do capital entre os desafios que precisam ser enfrentados de imediato pelo novo governo.
Ele acredita também que haverá condições de aprovar as reformas tributária, trabalhista e da Previdência.
— O presidente eleito iniciará o governo com muita força. A força do voto dará a legitimidade para negociar reformas. É o momento adequado. Se não forem feitas, estaremos condenados a uma taxa de crescimento e investimentos muito aquém das necessidades do país.
O cientista político Leonardo Barreto inclui a reforma política entre os desafios que o presidente eleito enfrentará para que o país atinja um novo patamar de desenvolvimento.
Regra atual facilita corrupção
As regras atuais, que permitem a proliferação de partidos, o voto em legendas e o financiamento das campanhas sem transparência, abrem espaço para a corrupção e o desvio de recursos públicos, dificultando a cobrança mais efetiva da sociedade sobre os políticos.
Barreto não prevê mudança radical nas regras, mas considera viáveis alterações pontuais: — De uma maneira geral, os políticos gostam do modelo. O que incomoda é o custo do processo eleitoral.
O cientista político acredita que existe uma chance de aprovar um teto para os gastos de campanha, já que a maioria dos congressistas sente-se prejudicada com o modelo atual.
— Ninguém deve esperar um pacotão. Serão mudanças pontuais, específicas — prevê.

Bruno Morais - Bichinho do Sono - by Marcelo Souza

Em novo ataque, Lula reclama de 'autoritarismo' da imprensa

Em novo ataque, Lula reclama de 'autoritarismo' da imprensa
FOLHA DE S. PAULO
Lula volta a criticar o "autoritarismo da imprensa"
DE SÃO PAULO - Após participar de carreata ao lado de Dilma Rousseff (PT), o presidente Lula disse que o Brasil, apesar de dar "grandes lições ao mundo de liberdade de imprensa", possui setores da mídia pautados pelo "autoritarismo"."Este é um país que dá grandes lições ao mundo de democracia, de liberdade de imprensa. É uma pena que tem gente que confunde liberdade de imprensa com autoritarismo da imprensa", disse, em mais um ataque à cobertura da imprensa na campanha presidencial.
Parte dessa mídia, segundo Lula, seria composta por "senhores" que preferem ignorar "as pessoas da senzala [...] dentro da casa grande".
"Alguns senhores não se deram conta que as pessoas da senzala estão dentro da casa grande, e que as pessoas precisam conviver democraticamente com a diversidade", declarou o presidente.
No mês passado, o presidente acusou a imprensa de se comportar como "partido de oposição" e de engrossar torcida contra ele em coberturas que "beiram o ódio".
Lula reconheceu ter se esforçado mais para emplacar Dilma no Planalto do que na própria reeleição, em 2006: "Viajei mais do que viajei na minha campanha em 2006 porque eu estava convencido que o grande legado que a gente deveria deixar para o Brasil era eleger gente para continuar governando".
O presidente e a primeira-dama, Marisa, acompanharam Dilma e Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo, em carreata por São Bernardo.
O passeio, feito em cima de um carro aberto, durou cerca de 1h. Lula e Dilma abanaram uma bandeira do Brasil, e a candidata abraçou várias crianças. Mais atrás, outro veículo trazia o senador Eduardo Suplicy (PT), Netinho (PC do B) e Marta (PT).

Efêmera

Efêmera
Arnaldo Bloch – O Globo
A arte de escapar, na calada, por um instante
Outro dia soube, através do meu Facebook, que 23 amigos aniversariam esta semana. Ao mesmo tempo, tive que pagar contas, tratar de questões relacionadas com o carro e com o amor, pedir perdão, ir às aulas de piano, constatar a completa ausência de renovação no debate político e explicar à minha avó as razões de eu ser quem sou. Assim corre a vida, de efeméride em efeméride. Só os grandes bruxos conhecem o segredo para, na calada da noite, escapar à grade dos dias, com suas mídias e suas perfídias, e encontrar uma janela, viajar pelo absoluto por um instante efêmero (note que o efêmero se opõe à efeméride!).
No resto do tempo, noves fora a profissão, cumprimos datas. As festivas, as fúnebres, as cívicas e as puramente comerciais, que honram os pais, as mães, as crianças, os namorados, as secretárias, os benfeitores e os filhos da puta, inclusive os que amamos.
Os grandes bruxos, nessas horas, terão o seu modo de mandar tudo às favas e, das datas, usufruir somente o azul do mar, ou dormir, sem culpa, o sono dos injustos. Senão, com o espírito cativo e o coração apertado, amargarão a impossibilidade de vagar por aí e, portanto, detestarão a cidade, amaldiçoarão a vida e desejarão a morte de si e dos outros — de que riem eles, afinal? De réveillon a réveillon, de carnaval a carnaval, de Páscoa a Páscoa, de corpus a corpus, de São a João, vamos às lojas e compramos coelhos, ovos, fantasias, perus, bacalhaus e bonecas que dão leite e choram. E há os aniversários. Dos próprios, dos outros, dos amigos, dos chatos. E também dos filhos e das mães dos chatos. Casórios, batizados, festas de crianças, formaturas, posses, bota-foras ocupam mil e uma casas da folhinha que jaz, entupida, na lateral da geladeira. As contas, atrasadas ou em dia, exigem toda uma concentração, uma tablatura, para não perder o compasso do empobrecimento periódico, ou do enriquecimento neurótico.
E vamos lá de novo às lojas, com o sempre nobre intuito de descobrir o objeto de desejo mais secreto, o bibelô que mais tem a ver com o homenageado. Por momentos teremos até a ilusão de que sacamos o presente certo na hora certa, mas a verdade é que todos sonham, mesmo, é com um cheque gordo.
“Melhor seria ter me dado uma flor” — diz meu pai, quando julga um presente desprovido de valor, pecuniário ou sentimental. Eu acredito nisso. Às vezes dar uma única e maltratada flor, colhida de um bueiro, grita mais alto que aquele ganso de cristal que estava no mostruário de uma dessas papelarias que não vendem papel, ou de uma tabacaria de shopping.
Uma flor, o trabalho singelo de colhê-la, resulta de um impulso antigo, praticado desde tempos findos, quando não havia lojas.
Mas não. A gente prefere debruçar-se sobre as listas. As listas de internet, as listas da Roberto Simões, as listas da PQmeP. E somos instados a pagar um almoço na Quinta da Mãe Joana em Óbidos, mas pode também ser uma panela de pressão. Os mais diligentes e resignados vão se fartar: que delícia saber que hoje, hoje mesmo, os pombinhos vão comer um crème brûlée naquele bistrozinho por minha conta! E que vou receber — ô sorte! — uma foto do casal lambendo a colher, tudo graças ao meu depósito on-line na lista da lua de mel.
Há os lançamentos de livros. Como se não bastasse a extensão das filas, onde velhinhos com artrose sofrem como numa procissão, surgiu, recentemente, a moda insultuosa de autores carimbarem a dedicatória (umas três variações de texto). Ou seja, a pessoa se locomove, paga o preço do livro, amarga duas horas na fila, e o autor não se dá ao trabalho de olhar sua cara e gastar o punho com meia dúzia de palavras. Quando isso acontece comigo, largo o exemplar na mesa e vou embora, nem peço o dinheiro de volta.
E há a vida astral. Muitos organizam cadernos ou arquivos eletrônicos para não esquecer o dever de dizer “tudo de bom” nas correntes certas, de arrumar o seu feng shui de acordo com o momento, e, sobretudo, saber em que casa do cacete está seu ascendente.
Chegará o dia em que planejaremos, num gráfico, o dia da trepada (de acordo com a grade de compromissos) e faremos estimativas do índice de orgasmo desejado, realizando balanços mensais comparativos, perfazendo o histórico de nosso gozo. Projetaremos feijoadas em terceira dimensão (os arquitetos serão os grandes chefs caseiros) e calcularemos, de acordo com fórmulas baixadas no iPhone, o fator alfanumérico de bacon para um perfeito equilíbrio dos nossos ovos.
Por isto, ouça aqui o grande bruxo: olhe em torno e responda quantos deveres o cercam, além dos profissionais. Qualquer ato devido ou indevido que envolva agenda, gastos, telefonemas, mensagens, orações, culpa, humilhação, encenação, subserviência. Some e tente chegar a um número anual. E, então, responda: quanto tempo livre resta para o espírito viver, nos anos, poucos ou muitos, que faltam para o fim? Ah, o efêmero....
E-mail: arnaldo@oglobo.com.br

Amorim


O grande pleito cívico

O grande pleito cívico
JOÃO UBALDO RIBEIRO – O GLOBO e O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/10/10
Ainda peguei o tempo em que, em dia de eleição, os jornais estampavam um sentencioso editorial com o título acima, ou bem semelhante.
Fazia parte de uma coleção estabelecida, estoque de qualquer redação bem preparada. Havia editorialistas famosos por sacarem da gaveta o artigo apropriado para a data, o qual, depois de sofrer algumas alterações cosméticas, voltava a ser publicado.
Nunca de fato testemunhei essa prática, mas existiam, sim, os editoriais padrão. Lembro com particular afeto o "Evoé, Momo!" do sábado de carnaval, o "Esperança que se Renova" do primeiro do ano e o "Tempo de Meditação" da Quaresma. Eu mesmo perpetrei diversos, em cada uma dessas categorias, meu passado me condena.
Atualmente, acho que, para dias de eleição, o modelo mais em uso é o "Festa da Democracia", mas não foi por saudosismo que preferi o pleito cívico, foi por causa do clima que percebo em torno. Posso estar percebendo mal, mas não vejo festa no ar, não vejo vibração, a não ser com pinta de falsificada, não vejo real empenho em ninguém, exceto nos candidatos. Não conversei com ninguém que vá votar com entusiasmo ou mesmo torça fervorosamente pela vitória de algum candidato. A impressão que se tem é que a maioria vota porque o voto é obrigatório e não acredita que ele vá mudar nada, tanto faz como tanto fez.
Não é festa nenhuma, é o cumprimento de uma tarefa felizmente tornada cada vez mais fácil e rápida.
Não sei por que isso acontece, não sei se alguém tem uma resposta satisfatória.
Mas é fácil imaginar alguns tipos de eleitor, como, por exemplo, o de quem vai votar apenas porque é obrigatório.
Provavelmente, o que está na cabeça dele é que, não importa em quem ele vote, vão continuar roubando e se locupletando do mesmo jeito, sem que ninguém jamais seja punido ou devolva o que furtou. Pelo contrário, os poderosos sobem cada vez mais na vida, engordam, ficam ricos, suas famílias prosperam, seus correligionários se empregam, seus amigos mamam o que podem. Os privilégios e mordomias permanecem e quem quiser que encontre um jeito de entrar no circo e tirar também sua lasquinha, o dinheiro está aí mesmo, é de quem botar a mão, o resto é conversa e enrolação de meliante.
Às vezes, não parece haver absolutamente exceção alguma, para quem é alçado a um cargo de algum poder, no Brasil: o primeiro móvel de cada um está longe de ser o bem coletivo e ainda mais longe de ser o apego a uma ideologia ou ideal. Mostra a abundante experiência que a primeira motivação de cada um - e talvez a segunda, a terceira e a quarta - não é servir, é se servir.
Todo mundo está farto de constatar, entre surpresas, sustos e decepções, que é assim mesmo e poucos conhecem um homem público que não tenha ficado bem de vida em alguns anos de carreira.
Os candidatos, em grande parte, viraram mercadorias, vendidas quase como sabonetes e agindo que nem bonecos de ventríloquos, como quando carregam um ponto eletrônico atrás da orelha e têm suas respostas sopradas pelos marqueteiros.
A conversa no fundo é a mesma, a suspeita de mentira ronda a todos, as promessas grandiloquentes jorram em cascatas, números e estatísticas são lançados tão ao deus-dará quanto confete. A propaganda na TV é uma sucessão grotesca e confusa de semblantes intercambiáveis, os partidos políticos há muito não querem dizer nada e são meras plataformas para o encaminhamento de interesses quase sempre subalternos, de que se troca lepidamente, diante de vantagens pessoais oferecidas por outras.
Antigamente, o Brasil precisava de reformas e se usava a expressão "reformas de base". Nunca foram feitas, mas, de repente, parece que já foram todas realizadas, pois ninguém fala mais nelas.
Podemos não haver notado, mas já devemos ter feito, sem ordem de importância, a reforma tributária, a administrativa, a penal, a judiciária, a política e assim por diante. Esta última, então, nem se fala porque ninguém acredita que o Congresso vá produzir leis que afetem seus privilégios. Pelo contrário, deverá fortalecê-los, para resistirem a possíveis futuros ataques.
Quanto às outras, iriam prejudicar aqueles que, no estado atual de coisas, estão se dando bem. Portanto, as famosas reformas deverão continuar a ser mencionadas conforme a necessidade e esquecidas conforme a tradição.
E, na outra ponta do espectro, que eleitor se pode imaginar, saindo para a festa da democracia, neste que espero ser um belo domingo de sol primaveril? É o que nem viu campanha na TV e, se viu, não entendeu. Vai, mais uma vez, votar errado, segundo a ótica de observadores cheios de si. Vai trocar o voto por dinheiro, por uma "colocação" ou emprego, por uma dentadura ou uma intervenção cirúrgica.
Ou tem medo de que a bolsa família desapareça tão inexplicadamente quanto surgiu.
Ou ainda, no que acredito ser a maior parte dos casos, precisa continuar em bons termos com os poderosos de sua área, de cuja boa vontade depende para obter o que a lei diz ser seu direito, mas a realidade mostra que é favor, dependente da generosidade desses poderosos. Quer dizer, vai, na minha opinião, votar com absoluta correção.
Aproveita-se do voto na única ocasião em que ele lhe tem alguma serventia.
E, como o seu equivalente mais bem situado, também acha que todo mundo rouba e então se garante logo e pega o que está à disposição.
Bem, a situação, afinal, talvez não seja tão feia assim, estas tintas estão meio carregadas. No boteco mesmo, na semana passada, a eleição interessava a muita gente. A aposta em que vai haver segundo turno estava pagando um chope e meio por um. E até as eleições que virão depois da de hoje eram antecipadas com ansiedade. Deve ter feriadão, era o comentário geral.
A propaganda na TV é uma sucessão grotesca de semblantes intercambiáveis
JOÃO UBALDO RIBEIRO é escritor

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BBC Brasil Atualidades

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