Mostrando postagens com marcador América do Sul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador América do Sul. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, outubro 22, 2010
Falta consertar o Mercosul
Falta consertar o Mercosul
O Estado de São Paulo
O chanceler Celso Amorim continua a propor planos grandiosos para um Mercosul emperrado, prejudicado por barreiras internas e incapaz, até hoje, de concluir nem um acordo sequer com um parceiro do mundo desenvolvido. "Quando se trata de Mercosul, temos a obrigação de pensar grande", proclamou o ministro em Montevidéu, na segunda-feira, numa reunião do Parlamento do bloco. Esse Parlamento nem chega a ser um órgão decorativo, porque objetos de decoração têm alguma utilidade e ele não tem nenhuma. Mas o chanceler brasileiro e seus colegas argentino, paraguaio e uruguaio combinaram torná-lo uma peça importante da integração regional, com representantes eleitos diretamente pelos cidadãos e agrupados em bancadas proporcionais ao peso demográfico de cada país-membro. "Nossa proposta", disse o ministro Amorim, "é construir um plano de ação para ampliar e aprofundar os elementos de uma cidadania regional nos próximos 10 anos." Ele se referia aos objetivos do governo brasileiro na presidência pro tempore do bloco.
Os membros do Parlamento do Mercosul são congressistas indicados pelo Poder Legislativo de cada país-membro. Fazem discursos e figuração política, mas são irrelevantes para a administração do bloco. Não há por que atribuir-lhes um papel mais importante, por enquanto. Nem haverá, por muito tempo, se os fundamentos econômicos da integração continuarem tão incompletos e tão frágeis quanto têm sido até agora.
O próprio chanceler Amorim mencionou uma lista de tarefas essenciais e inacabadas. Os quatro governos formalizaram há pouco tempo a decisão de eliminar a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC), uma das aberrações do Mercosul.
O bloco é oficialmente uma união aduaneira, mas ainda carece de uma tarifa comum digna desse nome. Produtos desembarcados num país e transferidos a outro são tributados duas vezes. "Optamos por uma implementação gradual, com a segurança e a previsibilidade desejadas por todos os Estados partes", disse o ministro, referindo-se à tributação em uma só etapa. O compromisso de "implementação gradual" denuncia o tamanho da distorção e a dificuldade de eliminá-la.
Mas também existem as exceções à TEC - outra tarefa mencionada pelo ministro em seu discurso. A presidência brasileira, segundo ele, proporá "metas para a eliminação gradual" dessa distorção. "Devemos avançar com flexibilidade e atenção às sensibilidades de cada sócio", acrescentou. De novo, a exigência de gradualismo e "atenção às sensibilidades" confirma a distância entre a realidade do bloco e as condições mínimas de uma união aduaneira de fato.
O chanceler mencionou vários outros componentes da agenda econômica, como a liberalização do setor de serviços. Não tem sentido, observou, discutir com outros países ou grupos de países - como a União Europeia - um grau de abertura, nesse setor, ainda não alcançado no interior do bloco.
Se o ministro quisesse acrescentar realismo a seu discurso, teria de reconhecer as deficiências do Mercosul até como zona de livre comércio, um estágio de integração inferior ao de união aduaneira. As trocas no interior do bloco são ainda emperradas por barreiras e por um protecionismo geralmente mal disfarçado. O prolongamento do acordo automotivo - exigência argentina - é uma das provas mais visíveis da insuficiente liberalização comercial e do fracasso das propostas sobre cadeias produtivas.
O crescimento das trocas entre os quatro países não é um sinal do sucesso do Mercosul. Ao contrário: esse crescimento ocorreu apesar das deficiências do bloco e explica-se em boa parte pela receptividade do mercado brasileiro.
Não haverá avanço efetivo no Mercosul enquanto velhos defeitos não forem eliminados. A inclusão da Venezuela chavista dificultará os consertos e complicará as negociações com parceiros de fora. O ministro Amorim, no entanto, insistiu na admissão da Venezuela, como se isso fortalecesse o bloco. Essa atitude é tão irrealista e tão perigosa quanto a ideia de criar uma instância legislativa num Mercosul ainda incapaz de operar como simples zona de livre comércio.
domingo, outubro 03, 2010
Democracias turbulentas
Democracias turbulentas
Caso equatoriano revela a fragilidade institucional que atinge países da América do Sul
Fernando Eichenberg e Mariana Timóteo da Costa – O Globo
Duzentos anos depois do início de sua independência — a maioria, inclusive, comemorando o bicentenário este ano — países da América do Sul ainda demonstram dificuldades em consolidar sua democracia por meio do fortalecimento de instituições locais.
O caso mais recente, o do Equador, em que o presidente Rafael Correa ameaçou dissolver o Congresso após seu governo mergulhar numa crise, mostra, segundo especialistas, que o processo ainda pode ser longo.
Desde a redemocratização, em 1979, o Equador mostra-se muito volátil politicamente, situação agravada com o forte peso que os militares exercem na política. Tanto que os rumores de golpe contra Correa, na semana passada, só foram descartados quando o chefe das Forças Armadas foi à imprensa declarar que apoiava o presidente. Ao lado do Equador, em maior ou menor grau, podem-se incluir Bolívia, Venezuela, Argentina, Colômbia e Peru na lista de países em que o poder central (o Executivo) desempenha um papel “autoritário e de interrupção sistemática — ou tentativa de — do funcionamento das instituições, o que acaba esvaziando o processo democrático”, acredita Antônio Celso Alves Pereira, professor de Direito Internacional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
— Com o fim da mais recente era das ditaduras (em 1983 caiu a última, a argentina), havia uma esperança de que a situação melhorasse. Houve avanços, mas também retrocessos: o Correa e o (venezuelano) Hugo Chávez, por exemplo, subiram ao poder prometendo reformas importantes, mas seus governos acabaram aderindo a um personalismo que os tornou antidemocráticos — avalia Simón Consalvi, ex-chanceler venezuelano e analista político.
Outro caso, lembra Pereira, é o drama do novo peronismo na Argentina”.
— Ninguém encontra uma saída para a Argentina, cujo casal Kirchner se alterna no poder e coloca, toda hora, instituições como a Justiça e a liberdade de expressão à prova. Faz parte da loucura argentina ir às ruas manifestar contra os abusos às instituições, mas, ao mesmo tempo, escolher governantes autoritários pelo voto — lembra o jurista.
Educação e partidos na raiz do problema
Interamericano, centro de estudos de relações entre os EUA e a América Latina e o Caribe, com sede em Washington, tem uma tese: os países mais estáveis antes do processo de redemocratização são também os mais estáveis agora. Ele cita Equador ou Bolívia como países que tradicionalmente nunca foram capazes de implantar e consolidar um sistema político com habilidade para poder administrar e resolver seus diferentes problemas nacionais. A Argentina , segundo ele, também é um caso problemático.
A mulher e o marido (Cristina e Néstor Kirchner) governando o país como eles fazem, isso sugere um certo grau de desordem política, não? — questiona. — E isso vem de anos.
Segundo Antônio Celso Alves Pereira, a questão da democracia frágil pode ser relacionada a várias causas: ausência de estruturas partidárias fortes e divergentes entre si que estimulem o debate e o recrutamento político; economia instável; oligarquias ainda instaladas sem interesse em ver seus países progredirem; e debilidade do sistema educacional, que deixa uma fatia significativa do povo “sem instrução nem capacidade de bem eleger seus governantes”.
Simon Consalvi vê a situação de Equador, Bolívia, Venezuela e Argentina como as piores. Se bem que faz ressalvas quanto ao presidente boliviano, Evo Morales, que, apesar de flertar com o autoritarismo e a vontade de perpetuar-se no poder, pela primeira vez “deu ao povo uma voz”.
— A Constituição da Bolívia, ao contrário da equatoriana e da venezuela, precisava mesmo ser reescrita.
Morales está refundando o país e isso é louvável — concorda Pereira.
Peter Hakim lembra que os países de maior fragilidade política são, ao mesmo tempo, os que têm os presidentes mais populistas.
— Onde há instituições fracas, as pessoas querem um líder para resolver os seus problemas e os do país.
Michael Shifter, professor de Política Latino-Americana na Universidade Georgetown, de Washington, lembra que é difícil fazer generalizações sobre o processo de democratização não apenas na América do Sul, mas na América Latina como um todo. Porém, a crise equatoriana, segundo ele, expõe e revela esses profundos problemas de governança democrática.
— E a questão econômica também é um fator importante para isso. Vide o caso equatoriano, cuja crise institucional piora quando a economia vai mal. Os casos do Peru e da Colômbia, países que vêm atraindo investimentos estrangeiros, também estão melhores institucionalmente. Uma coisa está muito ligada a outra — acredita.
O Peru — depois do desastroso primeiro governo de Alan García e, depois, de Alberto Fujimori, que deu um autogolpe e fechou o Congresso — vive uma fase de recuperação institucional que começou no governo de Alejandro Toledo e, agora, na volta de Alan García, cuja segunda gestão têm características bem diferentes da primeira.
O resultado é que o país deve crescer mais de 6,5 % este ano, um dos maiores índices da região.
A Colômbia, cuja tradição desde a época colonial era prestigiar, pelo menos mais do que os vizinhos, as suas instituições, também mostra-se recuperada das tentativas recentes de Álvaro Uribe de passar por cima das decisões da Justiça — tentando, entre outros desvios, mudar as leis para concorrer a um inusitado terceiro mandato. Mas o país ainda enfrenta desafios como a punição de políticos envolvidos com os paramilitares e casos como as escutas telefônicas, que respingaram no governo.
Segundo Shifter, alguns países resistem melhor do que outros a pressões e conseguem desenvolver melhor seus órgãos legislativos e jurídicos.
— No Brasil, no Chile ou no Uruguai se pode notar um certo grau de previsibilidade, em que se buscam políticas mais estáveis e instituições de governo mais fortes.
Ao mesmo tempo, o analista americano aponta casos de maior hibridez, como o do México, em que avanços políticos coabitam com a emergência da violência provocada pelos cartéis de drogas em regiões do país, um obstáculo para o processo democrático.
— Penso que é preciso recortar o continente e analisar separadamente cada caso.
Mas uma coisa é certa: os riscos para a democracia ainda são grandes na região.
Os analistas, no entanto, concordam num ponto. Há uma menor tolerância, em toda região, a golpes de Estado.
Na semana passada, o próprio ministro Celso Amorim justificou os rápidos movimentos da Chancelaria brasileira e das de outros países da região em relação à crise no Equador como uma tentativa de “não cair em uma situação como a de Honduras”. No ano passado, a demora dos governos locais em reagirem ao golpe contra Manuel Zelaya foi determinante para que o presidente, eleito, nunca mais conseguisse voltar ao poder.
— Mas, mesmo nesses casos, há uma contradição típica da cultura política latina: alertar tanto para um golpe que não era golpe, como ocorreu com Rafael Correa no Equador na semana passada, pode acabar fortalecendo internamente e exaltando um presidente extremamente autoritário.
Não sei se foi bom o Brasil, a Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e a OEA (Organização dos Estados Americanos) condenarem um golpe que não houve — polemiza Consalvi.
Para o analista, há ainda uma outra contradição — e, na linha de frente, o Brasil que, ao mesmo tempo em que condena qualquer tentativa de golpe, mostra-se permissivos com regimes que abusam da Justiça, dos tribunais eleitorais e não promovem a liberdade de expressão, como o de Chávez.
segunda-feira, agosto 16, 2010
Imperial ou imperialista?
Imperial ou imperialista?
Luiz Carlos Bresser-Pereira - FOLHA DE S. PAULO
A nação é imperial, e não imperialista, quando sabe que o nacionalismo do país mais fraco é necessário
Todo país rico e poderoso é "imperial" em relação aos países pobres e fracos que o cercam; os EUA são necessariamente imperiais em relação aos demais países do mundo; o Brasil o é em relação aos países sul-americanos menos desenvolvidos. Ninguém escapa da influência da sociedade mais desenvolvida.
Mas isso não significa que os Estados-nação sejam sempre "imperialistas". Um país é imperialista quando supõe que os interesses do país pobre são idênticos aos seus, rejeita o nacionalismo através do qual esse país busca formar um verdadeiro Estado-nação e se desenvolver e tenta impor-lhe sua verdade superior.
É imperial ao invés de imperialista quando, não obstante seu poderio, compreende que o nacionalismo do país mais fraco é necessário para que ele realize sua revolução nacional e capitalista e, por isso, aceita que alguns interesses de curto prazo de suas empresas sejam contrariados, porque acredita que o desenvolvimento do país vizinho será a médio prazo benéfico para seu próprio desenvolvimento.
Os EUA foram imperiais ao invés de imperialistas logo após a Segunda Guerra Mundial, mas esse foi um breve instante. Já o Brasil, desde os anos 1990, aprendeu a pensar em termos do médio prazo em relação a seus vizinhos.
Isso ficou claro em sua relação com a Bolívia, o Paraguai e a Venezuela: ao primeiro reconheceu a necessidade de o país nacionalizar sua indústria do petróleo e rever alguns contratos leoninos que dirigentes anteriores do país haviam firmado; ao Paraguai fez concessões razoáveis no caso de Itaipu. Em relação à Venezuela, mantém relações amigáveis com Chávez desde que este foi eleito.
Entretanto, setores das elites brasileiras não compreendem esse fato. De repente ficam nacionalistas e querem que o governo brasileiro "defenda os interesses brasileiros" com mais determinação.
Esquecem, assim, que quem rejeitou a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e começou a política sul-americana do Brasil e quem primeiro soube compreender as dificuldades e as contradições que enfrenta um governante de um país pobre e dominado por séculos, como é a Venezuela, foi o presidente Fernando Henrique Cardoso. Nessa política, o presidente Lula não inovou; apenas deu um passo adiante.
O tempo do imperialismo já passou. Quase todos os países pobres sabem que para se desenvolver precisam livrar-se da dependência externa e promover sua industrialização para, assim, realizar sua revolução capitalista.
E sabem também que essa é uma tarefa nacional muito difícil, porque, além de enfrentar os grandes países e seus interesses de curto prazo, enfrentam imensos problemas internos: baixo nível de educação, elites locais alienadas que preferem se aliar às elites externas do que a seu povo, um Estado mal organizado e permanente vítima da corrupção de capitalistas, políticos e burocratas.
O Brasil, que já realizou sua revolução capitalista, compreende esse fato. Compreende que é muito mais interessante para ele que seus vizinhos sejam nacionalistas e construam sua nação, logrando, assim, ter uma competente classe empresarial, uma ampla classe média e uma classe trabalhadora organizada. Por isso o Brasil é imperial, não é imperialista.
sexta-feira, agosto 13, 2010
Índios amazônicos do Peru querem criar partido para eleições de 2011
Índios amazônicos do Peru querem criar partido para eleições de 2011
UOL Notícias
Grupos indígenas da Amazônia peruana anunciaram que planejam lançar seu próprio partido político antes das eleições no país, programadas para 2011.
Seu líder, Alberto Pizango, disse que pretende fazer campanha para proteger a floresta e os direitos dos índios dos Andes e do Amazonas.
O anúncio acontece cerca de um ano após esses grupos terem protagonizado um dos maiores levantes indígenas da história recente do Peru.
Pizango, que está em liberdade condicional, acusado de liderar o levante, disse que talvez concorra à Presidência. Em entrevista coletiva, representantes da Aidesep (Associação Interétnica da Selva Peruana), maior organização de índios amazônicos do país, disseram que seu partido, a Aliança para uma Alternativa para a Humanidade (Aphu), nasce não apenas como um partido indígena, e sim com uma agenda nacional.
Na língua dos índios quechua, a palavra apu quer dizer "líder" ou "deus da montanha". Durante o evento, Pizango, que tem 45 años, disse que a Aphu "tenta abraçar todos os cidadãos do Peru que defendem os bosques, a natureza e a vida no planeta Terra".
Falando à BBC, o ex-ministro do Interior do Peru Fernando Rospigliosi protestou contra o lançamento do partido e disse que Pizango "não tem qualquer chance de chegar à Presidência".
"Isto é parte do efeito Evo, pelo qual líderes que promovem a desordem e recorrem a uma série de atos violentos julgam que isso pode levá-los ao poder", afirmou. "Mas o Peru não é a Bolívia. Aqui não vai acontecer isso".
Historicamente, a população indígena na região amazônica do Peru nunca foi representada na política nacional. Pizango disse que começou a coletar as assinaturas necessárias para que o grupo seja reconhecido como um partido político e que pretende fazer o registro formal em setembro.
Protestos
A Aidesep é uma federação que reúne mais de 60 tribos do Amazonas peruano. No ano passado, índios protestaram violentamente contra empreendimentos ligados à extração de petróleo no Amazonas. Pizango nega as acusações de ter liderado o levante, em que tribos bloquearam estradas perto da cidade de Bagua. Mais de 30 pessoas morreram nos confrontos entre índios e policiais. Entre os mortos, segundo relatos, estariam 24 policiais.
Pizango fugiu para a Nicarágua para evitar a prisão, mas retornou ao Peru em maio e está em liberdade condicional. O governo peruano estima que haja 400 mil índios na Amazônia peruana, mas Pizango afirma que eles são em torno de um milhão.
Ao contrário do que ocorre na Bolívia e no Equador, a grande população indígena do Peru não tem um papel ativo na política nacional peruana nos tempos modernos.
Em junho último, o presidente do país, Alan Garcia, se recusou a assinar uma lei que daria aos povos indígenas mais poder para suspender projetos envolvendo mineração e extração de petróleo em suas terras.
A lei foi aprovada pelo Congresso, mas Garcia disse que não poderia deixar comunidades indígenas interromperem o desenvolvimento que beneficiaria a todos os peruanos.
domingo, agosto 01, 2010
Farc são problema regional, diz ministro do Equador
Farc são problema regional, diz ministro do Equador
Miguel Carvajal, da pasta de Segurança, crê que cooperação Quito-Bogotá dá frutos e pede inspeção da Unasul nas fronteiras
FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A QUITO
Nos seis primeiros meses deste ano, o Equador diz ter desmontado 62 "instalações" das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em seu território- casas vazias na selva e postos de observação. Em janeiro, avisaram os colombianos de um combate em uma área fronteiriça onde morreram três guerrilheiros.
Dias depois, a Colômbia bombardeou um local próximo, no seu lado da divisa, e matou Ángel Gabriel Lozada, o "Edgar Tovar", chefe importante das Farc.
Quem conta é Miguel Carvajal - na foto, ministro da Segurança Interna e Externa do Equador. O relato do integrante do governo esquerdista Rafael Correa, aliado de Hugo Chávez, expõe a complexidade da fronteira. Ao mesmo tempo, oferece elementos que podem nortear a resolução da crise Bogotá-Caracas.
Carvajal integrou parte da negociação do processo de normalização das relações com a Colômbia, rompidas após o bombardeio colombiano às Farc no Equador, em 2008. O ataque provocou a crise mais grave da década na sub-região, e nem todas as feridas foram sanadas.
Mas os governos Correa e Uribe resolveram separar a questão em dois campos: a reativação da cooperação militar e inteligência e uma comissão de "temas sensíveis", na qual Quito ainda espera obter de Bogotá detalhes do bombardeio. "Esperamos que o próximo governo cumpra a promessa de entregar os supostos computadores encontrados [ no local]", diz Carvajal.
O ministro diz que não se pode ignorar que o conflito que é colombiano -frisa- transborda fronteiras e gera instabilidade regional. Para ele, o melhor é cooperar.
A operação que matou "Tovar" -a ajuda equatoriana foi elogiada publicamente por Bogotá- só foi possível porque se restabeleceu em outubro a Combifron, a Comissão Binacional de Fronteira, para intercâmbio de segurança e defesa. Venezuela e Colômbia não têm mecanismo similar desde 2002.
Mas para que esse elo funcione é preciso dissipar todas os elementos que impedem a confiança entre os Estados, ele diz, e impedem que a região seja uma zona de paz.
Carvajal critica a Colômbia por jogar o peso do conflito sobre os vizinhos e montar "operações midiáticas" para desacreditar suas políticas de segurança. "Sofremos isso até meados do ano passado."
"Qualquer grupo armado será repelido. Mas não aceitamos operações conjuntas com a Colômbia. Que façam em seu território o que têm de fazer. Pedimos que a Colômbia militarize sua fronteira."
O ministro diz que o Equador passou de um efetivo de 500 homens para 5.000 -dentro de um contingente total de 45 mil- na divisa de mais de 700 km. Quer que o vizinho combata o cultivo de 35 mil ha de coca no seu lado da divisa. Defende inspeções da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) em todas as fronteiras da Colômbia -e também do lado colombiano.
A comissão também deveria, diz, revisar as bases militares na Colômbia que serão usadas pelos EUA para que "haja confiança de que, como dizem Bogotá e EUA, não serão equipadas com instrumental de espionagem que possa afetar nossos países".
COLÔMBIA
Bogotá nega estar planejando ataque contra a Venezuela
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS - O governo da Colômbia negou ontem que esteja planejando lançar ataque contra a Venezuela e que um helicóptero militar colombiano tenha invadido o vizinho, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, havia denunciado na véspera.
"A Colômbia jamais pensou em atacar o povo irmão da Venezuela, como afirmou o presidente desse país, num claro engano à própria nação", disse Bogotá num comunicado.
Anteontem, Chávez havia anunciado o deslocamento de unidades militares à fronteira ante a "ameaça de guerra" da Colômbia. Segundo ele, o colombiano Álvaro Uribe "é capaz de qualquer coisa nos dias que lhe restam" -Juan Manuel Santos assume no dia 7.
Bogotá também rejeitou a versão de que um helicóptero militar invadiu a Venezuela na quinta e disse que tem recorrido apenas a "canais do direito internacional" para que Caracas cumpra com sua obrigação de "não abrigar terroristas".
A Venezuela rompeu relações diplomáticas com a Colômbia no último dia 22, após Bogotá apresentar supostas provas à OEA (Organização dos Estados Americanos) de que Caracas abriga membros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
Anteontem, Chávez disse que investigou as denúncias, porém não encontrou nada.
sexta-feira, julho 23, 2010
ONU pede que Venezuela e Colômbia voltem a dialogar e Equador culpa secretário da OEA por ruptura entre Venezuela e Colômbia
ONU pede que Venezuela e Colômbia voltem a dialogar
Da AFP Paris
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta quinta-feira que Colômbia e Venezuela resolvam suas diferenças por meio do diálogo, após a ruptura de relações anunciada por Caracas.
"O secretário-geral espera que as diferenças entre Colômbia e Venezuela sejam resolvidas através do diálogo", disse seu porta-voz, Martin Nesirky.
Ban Ki-moon "faz um chamado à moderação de todas as partes, para que a situação possa ser resolvida de forma pacífica", completou.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia depois que este país apresentou provas sobre a presença de guerrilheiros em território venezuelano.
Equador culpa secretário da OEA por ruptura entre Venezuela e Colômbia
O Equador responsabilizou o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, pela ruptura das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, decidida nesta quinta-feira pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.
"Advertimos o senhor Insulza, pelo menos três ou quatro vezes, entre segunda e terça-feira. Falei por telefone com ele para lhe dizer que atuasse com responsabilidade, mas ele não entendeu", disse o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño - na foto.
O ministro criticou o fato de o secretário-geral não ter acolhido o pedido do Equador e adiar a sessão desta quinta-feira da Organização dos Estados Americanos (OEA), na qual o governo colombiano reiterou sua denúncia sobre a presença de guerrilheiros na Venezuela.
Depois desse debate, Chávez anunciou a ruptura das relações e ordenou que o Exército ficasse em alerta.
"Quem recebeu a ligação foi advertido e não cumpriu seu dever, e essa pessoa é o secretário da OEA, lamentavelmente", completou o chanceler.
Patiño também colocou em dúvida a afirmação da Colômbia sobre a presença de guerrilheiros na Venezuela: "me preocupa um pouco esta denúncia (...) porque já tivemos muitas denúncias falsas".
O "governo equatoriano e funcionários deste governo já enfrentaram muitas denúncias falsas" por parte da Colômbia.
Patiño destacou que "foi a Colômbia que apresentou a denúncia e agora é ela que deve se explicar".
Colômbia e Equador caminham para a normalização total de seus vínculos diplomáticos, que foram reatados em novembro passado, após 21 meses de ruptura.
Quito rompeu relações com Bogotá após o bombardeio colombiano contra uma base das Farc no Equador, no dia 1no. de março de 2008, que matou 25 pessoas, incluindo o líder guerrilheiro Raúl Reyes.
Brasil quer afastar EUA da mediação da crise Colômbia-Venezuela
Brasil quer afastar EUA da mediação da crise Colômbia-Venezuela
DE SÃO PAULO
O Brasil quer retirar a crise Colômbia-Venezuela do âmbito da OEA (Organização dos Estados Americanos) e trazer para a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), órgão do qual os Estados Unidos não são membros. A ideia, afirma reportagem de Eliane Cantanhêde e Fábio Amato na edição desta sexta-feira na Folha de S. Paulo, é evitar que a participação americana desequilibre as negociações para pró-Colômbia e anti-Venezuela.
A crise foi causada pelo anúncio nesta quinta-feira do presidente venezuelano, Hugo Chávez, do rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, depois que essa levou à OEA provas de que haveria ao menos 87 acampamentos e 1.500 guerrilheiros colombianos em território venezuelano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou horas depois para Chávez, propondo a troca. Após a conversa, Chávez anunciou que pediu ao Equador (que ocupa a Presidência da Unasul) uma reunião de emergência.
O Brasil, afirma a reportagem, acha melhor convocar a Unasul após a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, no próximo dia 7. Apesar de ser sucessor do popular Uribe, Santos adotou um discurso de aproximação com Caracas e, diante da crise, disse que manteria o silêncio como "sua melhor contribuição'.
Para o embaixador brasileiro na Colômbia, Valdemar Carneiro Leão, a troca "cria um clima mais propício". Os embaixadores da região que servem em Caracas e Bogotá já trocam telefonemas para garantir a reunião.
Nesta quinta, Chávez disse esperar que o novo presidente colombiano não esteja envolvido na atual rixa entre os dois países.
"Espero que tome algumas medidas racionais no assunto porque acredito que já uma loucura desatada no palácio de Nariño", disse Chávez, ao entrar na sede do governo venezuelano, ao lado do técnico da seleção argentina, Diego Maradona.
Durante a campanha eleitoral colombiana, Chávez chegou a alertar que a vitória do ex-ministro de Defesa e sucessor de Uribe podia gerar uma guerra e que seria extremamente difícil restabelecer as relações bilaterais sob seu governo.
Santos, contudo, adotou um discurso de reaproximação e diálogo e chegou a minimizar as acusações de Uribe sobre os vínculos entre Chávez e as Farc. O venezuelano mudou de tom e disse que espera retomar as conversações com o país vizinho depois da posse de Santos. Ele afirmou que não irá na posse por questões de segurança.
sexta-feira, julho 16, 2010
Colômbia diz que chefes de guerrilhas estão na Venezuela
Colômbia diz que chefes de guerrilhas estão na Venezuela
O Governo da Colômbia assegurou hoje que tem provas de que importantes chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) estão escondidos na Venezuela e que o Ministério da Defesa as apresentará nas próximas horas.
Entre os chefes das Farc que estariam na Venezuela estão ''Ivan Márquez'' e o chamado ''chanceler'' da guerrilha, Rodrigo Granda, segundo um comunicado lido pelo secretário de imprensa da Casa de Nariño (sede do Governo colombiano), César Mauricio Velásquez.
"O Governo Nacional tem evidências que credenciam a presença na República Bolivariana da Venezuela de algumas lideranças do grupo terrorista das Farc", diz o breve comunicado oficial, que em seguida cita ''Márquez'', Granda, Timoleón Jiménez, conhecido como ''Timochenko'', e Germán Briceño, conhecido como ''Grannobles'' e irmão do chefe militar das Farc, ''Mono Jojoy''.
Além disso, o Governo colombiano garante que Carlos Marín Guarín, conhecido como ''Pablito'', um dos líderes do ELN, também está na Venezuela.
"Nas próximas horas, o senhor ministro da Defesa (Gabriel Silva) apresentará a documentação respectiva", conclui o comunicado.
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse há uma semana que ''Ivan Márquez'', apelido de Luciano Marín Arango, um dos principais chefes das Farc, estava escondido no exterior.
"(''Márquez'') está escondido e nós sabemos onde está", afirmou Uribe.
Granda foi libertado em junho de 2007 por decisão de Uribe, que cedeu a um pedido do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para que o rebelde ajudasse a conseguir a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt, então refém das Farc.
Após sua libertação, Granda viajou para Cuba, cujo Governo o acolheu, e depois se deslocou, aparentemente, para a Venezuela, onde tinha sido detido em dezembro de 2004 em uma operação secreta colombiana que gerou protestos do presidente desse país, Hugo Chávez.
As relações entre Colômbia e Venezuela estão congeladas há um ano por decisão de Chávez, que respondeu assim acusações, em sua opinião "irresponsáveis", feitas na Colômbia sobre um suposto desvio de armas da Venezuela para as Farc.
A tensão aumentou em outubro de 2009, com a assinatura do acordo militar pelo qual forças americanas podem utilizar sete bases colombianas para combater o narcotráfico e o terrorismo.
Assinar:
Postagens (Atom)