sábado, novembro 13, 2010
CABRAL X LULA
CABRAL X LULA
ANCELMO GÓIS - O GLOBO - 13/11/10
O governo fluminense entrou esta semana no STF com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) da lei da capitalização da Petrobras.
O Rio deseja receber a parte de lhe cabe em participação especial na venda do governo para a Petrobras de 5 bilhões de barris de petróleo de seis campos no Estado.
SEGUE... A lei da capitalização da Petrobras, sancionada por Lula em 30 de junho, faz referência aos royalties, mas não menciona a participação especial, outra fonte de recursos dos Estados produtores de óleo.
A Adin, cuja relatoria já está com o ministro Gilmar Mendes, pede que a lei inclua na cessão a participação prevista na Constituição.
A PARTE DO RIO... Como essa cessão dos 5 bilhões de barris foi contabilizada em uns R$ 72 bi, o Rio se sente credor de uns R$ 25 bi.
NO MAIS... O desfecho dessa Adin é, naturalmente, imprevisível.
Mas o Rio mostra, com a ação, que não ficou parado diante das constantes tentativas do Congresso de tungar os royalties fluminenses.
DE GENTE GRANDE O juiz Ricardo Lafayette Campos, do Rio, mandou correr em segredo de Justiça a briga entre o executivão Rodolfo Landim e seu ex-patrão Eike Batista.
Alega que “a deturpação de fatos tratados e alegados pelas partes pode repercutir negativamente no mercado financeiro”.
CRÉDITO PESSOAL Acredite. Ontem, apesar do escândalo do rombo de R$ 2,5 bi, o Banco PanAmericano, de Silvio Santos, fez uma ofensiva por clientes no Centro do Rio.
Pôs uns garotos para distribuir panfletos com oferta de crédito pessoal ao povão.
CENTRAL DA COPA O “Central da Copa”, programa que fez de Tiago Leifert a estrela da TV Globo no Mundial da África do Sul, estará de volta terça, depois de Brasil x Argentina.
ALIÁS... Fizeram um Twitter falso de Leifert, mas ele não perdeu o bom humor:
— O cara é muito ruim de cantada, precisa honrar o nome que usa.
PRÍNCIPE DO SAMBA Paulinho da Viola (eu adoro) festejou 68 anos, ontem, em família. A mulher, Lila, fez um de seus pratos prediletos: rosbife.
ÚLTIMA FORMA O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, não está hospedado no Hotel Alvear, mas no Hotel Emperador, mais barato, participando da missão junto ao VI Fórum Parlamentar Ibero-Americano, na Argentina.
VIVA IVAN! De Ivan Lins, o músico, em show para o programa “Palco MPB”, da MPB FM, falando do assalto que sofreu no Rio:
— Não adianta ficar com raiva do ladrão, tem de ficar com raiva é dos políticos que podem fazer alguma coisa contra a violência e não fazem! O grande investimento que o País tem de fazer é em educação. E da boa!
BOLETIM MÉDICO O deputado Jorge Picciani voltou a ser operado no Hospital Samaritano, no Rio.
Passa bem.
A guerra cambial continua
A guerra cambial continua
O GLOBO Fernando Duarte Enviado especial
A reunião das 20 maiores potências do mundo, no G-20, em Seul, na Coreia do Sul, terminou sem acordo capaz de evitar a guerra cambial entre os países. Estados Unidos e China, com suas moedas desvalorizadas, são hoje alvo de preocupação do resto do mundo. Com o câmbio depreciado, eles elevam suas exportações e acabam prejudicando outras nações. No embate entre Washington e Pequim, a China saiu ganhando, pois evitou que americanos colocassem no texto final teto de 4% do PIB para superávit ou déficit externo. Hoje, a China é das grandes exportadoras.
G-20 termina só com promessas e sem ações
Líderes reunidos na Coreia do Sul assumem compromissos vagos e adiam decisão sobre disputas cambiais
SEUL, Coreia do Sul. Como previsto, os líderes das 20 principais economias do mundo, o G-20, encerraram ontem sua reunião de cúpula em Seul com muita retórica e poucas decisões concretas.
Na prática, os países conseguiram ampliar por mais um ano o prazo para alcançar difíceis soluções para os desequilíbrios no comércio, no câmbio e na área fiscal que ameaçam a recuperação econômica mundial. No comunicado oficial, os países prometeram adotar medidas macroeconômicas que incluem políticas cambiais mais sintonizadas com as forças do mercado como forma de promover o equilíbrio econômico mundial.
O G-20 se comprometeu a estabelecer um cronograma com “parâmetros indicativos” sobre como lidar com desequilíbrios entre suas economias, sobretudo no que se refere a superávits e déficits nas contas externas. Os 20 líderes também prometeram submeter planos econômicos de médio prazo à análise do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas os parâmetros só serão definidos nos próximos seis meses, possivelmente após a reunião de ministros da área econômica, na França, em fevereiro.
No duelo particular entre EUA e China, ponto para Pequim, que escapou de ficar na berlinda devido à insistência em manter desvalorizada sua moeda, o yuan, e ainda bloqueou no documento final uma proposta de Washington para que superávits ou déficits externos de grandes países não superassem 4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos por um país ao longo de um ano). O plano sugerido na semana passada pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, por pouco não provocou o colapso de um encontro de negociadores na noite de quintafeira, após um representante chinês ameaçar deixar a sala.
— Os chineses aguaram o comunicado, e dá para perceber pela linguagem do documento final como houve divergências — disse ao GLOBO uma fonte brasileira presente à sessão.
Mantega vê sanções morais para manipulação no câmbio O presidente dos EUA, Barack Obama, admitiu que o resultado do encontro em Seul não parecerá significativo aos olhos do público. No entanto, acrescentou, representa um avanço, especialmente diante dos temores de um impasse mais acentuado.
— Nosso trabalho no G-20 não vai mudar o mundo imediatamente, mas estamos passo a passo estabelecendo mecanismos internacionais e instituições mais fortes que vão nos ajudar na tarefa de estabilizar a economia mundial, assegurar o crescimento e reduzir algumas tensões — afirmou Obama.
O premier do Reino Unido, David Cameron — que nas reuniões fechadas fez um discurso inflamado cobrando mais empenho do G-20 na viabilização de acordos comerciais globais —, ressaltou a importância de os problemas estarem sendo discutidos num fórum multilateral.
Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que os ânimos foram arrefecidos em Seul.
O ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, falou no encerramento em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula voltou ao Brasil mais cedo para visitar o vice-presidente, José Alencar, que sofreu um infarto na quinta-feira. Mantega se disse satisfeito com a criação do que chamou de sanções morais contra países que manipulem o câmbio, mas também adotou um tom exageradamente otimista em função do que se viu e leu na capital sul-coreana.
— Os conflitos foram reconhecidos, mas houve um amplo entendimento entre os países, mesmo entre os mais reticentes.
Absolutamente não acabou a guerra cambial, mas pelo menos ela passou a ser discutida e, com isso, poderemos usar instrumentos para mitigar seus efeitos — disse o ministro. — Haverá uma cautela da maioria dos países.
Os que insistirem (em medidas anticompetitivas) serão constrangidos pelo novo acordo.
A exemplo do que fizera Lula na véspera, Mantega defendeu a relevância do G-20, sobretudo por seu potencial de acelerar a solução de questões internacionais como a reorganização do FMI. O documento final ratificou o aumento na participação dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) nas cotas do conselho consultivo do Fundo, bem como o papel do grupo na aprovação da reforma do sistema financeiro — o plano Basileia III, que eleva de 8% para 13% o capital mínimo livre de risco que os bancos devem ter.
— O G-20 é um foro de compromissos, e os países querem que ele permaneça — disse Mantega.
— Mostramos eficiência ao lidar com a crise em 2008 e não estamos perdendo tempo agora.
Não há vilões nem mocinhos, e certamente conseguimos bons resultados. Basileia II, por exemplo, demorou quase dez anos para ser aprovado, enquanto Basileia III levou apenas um.
Mas o ministro não espera a mesma velocidade no debate sobre a substituição do dólar por uma cesta de moedas nas trocas internacionais: — É uma tendência natural, mas nada rápido ou fácil.]
Para alguma coisa, valeu
Para alguma coisa, valeu
CELSO MING - O Estado de S. Paulo - 13/11/12
A reunião de cúpula do Grupo dos 20 (G-20), realizada nos dois últimos dias em Seul, na Coreia do Sul, terminou sem tomar decisões capazes de garantir a virada do marasmo prevalecente na economia mundial.
Apesar disso, não dá para sustentar que a reunião tenha sido um total fracasso, apenas porque seu comunicado não contém concretudes. Nem dá para dizer que o G-20 não serve como instância de governança global e de coordenação de políticas.
Algum resultado houve sim. E terá consequências. O principal foi uma mudança de posição e possivelmente de diagnóstico em alguns dos mais importantes players globais.
Os Estados Unidos, por exemplo, chegaram a Seul dizendo três coisas: que a China era a grande culpada pelos desequilíbrios porque manipula seu câmbio e tal; que era preciso estabelecer metas de saldo em conta corrente (contas externas); e que a sua postura é a do dólar forte.
Foi dito aos dirigentes americanos que sua política monetária alternativa (o afrouxamento quantitativo) é um arranjo que produz desvalorização do dólar e que empurra para o resto do mundo a conta da crise. E que não faz sentido estabelecer metas rígidas de saldos nas contas externas. Os representantes da Alemanha advertiram ainda que nada do que vier a ser decidido adiantará se os fundamentos de cada economia não forem reforçados e isso implica equilíbrio orçamentário.
Em compensação, o presidente Barack Obama e os dirigentes americanos conseguiram se fazer ouvir sobre a impossibilidade de continuar um jogo em que alguns se dedicam a exportar e os Estados Unidos se limitam a importar e a fornecer títulos de dívida para formação de reservas.
A China também fez uma concessão importante. O presidente Hu Jintao comprometeu-se a aumentar gradativamente o consumo interno do país, mas, como sempre, pediu tempo.
A simples contestação do discurso dos Estados Unidos não vai mudar suas políticas. Nem vai afastar o banco central (Fed) de sua disposição de aprofundar o afrouxamento quantitativo. Em todo o caso, é difícil imaginar que os dirigentes americanos consigam sustentar agora o discurso mantido até aqui.
A falta de resultados imediatos pode servir de base a questionamentos sobre a eficácia do G-20, como instância responsável pela governança e coordenação de políticas, num ambiente contaminado pela crise e pelo marasmo financeiro.
O fato é que a economia está cada vez mais globalizada e decisões de política econômica tomadas pelo governo de um país importante têm forte impacto sobre os demais. Se não houver uma coordenação de políticas, o sistema econômico mundial tende a produzir atritos e manobras defensivas de todo tipo. Além disso, os atuais organismos internacionais criados para coordenar iniciativas não funcionam. As Nações Unidas, por exemplo, são uma instituição fraca. Não conseguem organizar sequer uma assembleia destinada a deter o aquecimento global. O Fundo Monetário Internacional não tem capacidade de imposição (enforcement) e o Grupo dos Sete (G-7) ficou limitado demais.
Ou seja, se há alguma possibilidade de que se institua uma instância de governança global, ainda que informal, terá de ser ou o G-20 ou alguma coisa parecida com ele. Se até agora não produziu grandes resultados, talvez seja porque não tenha tido tempo (começou em 2008).
Ninguém levou dinheiro
Na fraude contábil do Panamericano ninguém levou o dinheiro. As evidências apontam para o fato de que se tratava de um banco de mau desempenho, cujos resultados foram turbinados com lançamentos contábeis falsos. Não foi uma operação que começou agora. Vem de 2006.
Ninguém sabe, ninguém viu
A Deloitte, que auditava os balanços do Panamericano, nada viu. E até agora não foi capaz de explicar por que passou atestados de excelência aos balanços do banco. Ao contrário, limita-se a tergiversar por meio de notas oficiais.
Faltou cruzamento
Com base nos laudos da Deloitte, a Caixa Econômica Federal comprou 49% de um banco que não era o que parecia. Em Brasília estão sendo recolhidas evidências de que a Deloitte não fez os necessários procedimentos de circularização (cruzamentos de informações) que poderiam ter detectado as anomalias contábeis. Por isso, tem tudo para ser cobrada judicialmente.
Proibido Parar
Estranho fato ocorrido em julho de 2010 no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, que informa muito sobre o clima de "choque" que tem pairado sobre a cidade. Registro e edição: Christian Caselli
Passageiro também é cidadão
Passageiro também é cidadão
WALTER CENEVIVA – Folha de São Paulo
Os defeitos ocorrem em toda a operação aérea e nos órgãos federais envolvidos, como se tem constatado
O TRISTE DESTINO de passageiros mal dormidos, crianças mal atendidas, funcionários sobrecarregados e, assim, agressivos têm sido frequente em nossos aeroportos.
A constância do "espetáculo televisivo" repetido nos últimos dias, com tantos prejudicados, mostra uma dentre duas alternativas: a autoridade pública silenciosa não está informada desses eventos ou não se sente capaz de dar solução a eles.
Os defeitos ocorrem em todos os campos da operação aérea e, por último, nos órgãos federais envolvidos, como se tem constatado.
É o padrão do transporte aéreo num país em que, além de acidentes trágicos, são reiterados os atrasos pelos mais variados motivos, desde a insuficiência de tripulações, problemas dos aparelhos, número restrito dos operadores de controle e deficiência dos organismos governamentais aos quais incumbe a boa ordem da atividade aeronáutica -essencial no Brasil, tendo em vista sua extensão geográfica.
Não se sabe quantos são os problemas, até onde vão as muitas deficiências, mas os passageiros continuam sacrificados. A consequência mais grave e não punida é a desconsideração do serviço ao consumidor, maltratado, mal atendido ao menor sinal da crise.
Mas, e a lei? Lei, é preciso que o leitor saiba, temos e muita. Começa com o Código Brasileiro de Aeronáutica que, em dezembro do ano que vem, comemorará seus 25 anos. Há leis e regulamentos de sobra.
A concentração do controle nas mãos da União talvez seja um dos motivos pelos quais os caminhos burocráticos pareçam confusos para a gente de fora. De fato, o art. 21 da Carta Magna diz que compete à União, entre muitos outros serviços (inciso XII, na letra "c') a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeroportuária.
Trata-se de uma concentração de atividades da qual têm resultado exemplos de confusões políticas e administrativas, conforme se viu, afastados os últimos nomes tradicionais, liberada a criação de novas empresas. A julgar pelos resultados, ainda não se ajustaram ao nível dos procedimentos necessários.
O exemplo das confusões da semana passada foi claro quando um aeroporto, por poucas horas, interrompeu suas operações.
O embaraço do transporte aéreo no Brasil começa na aplicação do Código Brasileiro de Aeronáutica, pelo qual nosso Direito Aeronáutico é regulado.
O Código faz referência à extensa lista de leis, decretos e normas sobre matéria aeronáutica (previstas no art. 12), agências atuadoras da atividade no Brasil, o que também contribui, em certos casos, para conflitos de competência. Nas agências, a capacidade de se controlarem, em si mesmas, não é boa. Já os controladores de aeroportos devem ter sua carreira estruturada.
No transporte aéreo brasileiro, o consumidor tem sido o último a ser considerado.
Para que a União satisfaça o mínimo de suas funções administrativas e constitucionais, é necessária a imposição de medidas que, além daquelas relacionadas diretamente com a segurança de voo, também levem em conta o quanto o passageiro sofre - com horários não cumpridos, espaços asfixiantes entre filas de assentos, atendentes inabilitados, falhas nos horários, desrespeito aos idosos e, para maior drama, falta de informação ao cliente.
"Catatau" é experiência lúdica com a língua
"Catatau" é experiência lúdica com a língua
Obra inovadora de Paulo Leminski cria monólogo onírico do filósofo René Descartes em visita a Pernambuco
NOEMI JAFFE - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
"Penso, logo existo", na França, entre jesuítas, é uma coisa.
Agora, se Renatus Cartesius -o nome latino e também leminskiano do filósofo René Descartes (1596-1650)- quisesse formular esta mesma máxima em Olinda, em meio à exuberância de uma floresta tropical e ainda sob o efeito de alguma erva local, a frase-mãe do racionalismo moderno teria provavelmente sido deturpada.
E é mesmo neste espaço que Paulo Leminski (1944-1989) localiza o pensador.
Membro imaginário da comitiva de Maurício de Nassau (1604-1679) durante sua estada em Recife, em 1636, Renatus Cartesius se encontra em Olinda, sob o efeito ora perturbador, ora esclarecedor da "marijuana", especulando sobre os sentidos da existência, da natureza e da matemática.
E é ao longo de um "catatau" linguístico que se desenvolve a narrativa de "Catatau", escrito em 1975 e relançado agora pela editora Iluminuras. "Castigo físico, pancada; falatório, mexerico, intriga; coisa volumosa ou grande; porção de qualquer coisa; carta de baralho em jogo de truque." "Catatau" cabe em qualquer uma das acepções dicionarizadas.
Num jogo extenso e intenso com as possibilidades sintáticas, sonoras, rítmicas e semânticas da língua, Leminski faz Cartesius, com seu método de dúvida sistemática, duvidar até de suas poucas certezas. Metamorfoseado em Pascal, é um Descartes perturbado que diz: "O silêncio eterno destes seres tortos e loucos me apavora".
E, numa antecipação ficcional, mas ainda assim profética, que mistura Beckett (1906-1989) e Oswald de Andrade (1890-1954), o mesmo Cartesius "fermentado" proclama: "Assim foi feito isso.
Algo fez isso assim, isso ficou assim. Então era isso. Isso ficou assim e assaz assado, o erro já está içado. Ficou algo, deu-se. Isso contra isto".
Misturando ditados, pensamentos filosóficos e matemáticos a personagens históricos, o narrador pede a Deus e à geometria que o salvem da "besteira destas bestas, seus queixos barbados e corpos retorcidos".
Em meio à verdade incontornável da natureza empírica, é como se não restasse mais espaço para as conjecturas abstratas, científicas; como se a filosofia precisasse de distância da natureza para poder pensá-la.
Uma batalha que se trava, na verdade, entre a Europa e o Novo Mundo, a teoria e a prática, a floresta e a luneta de que Cartesius se vale. Não se trata de um livro fácil de ler. Nem poderia, pois é um catatau assumido. Mas diante dele, quem quer, quem precisa do fácil? Como diz o autor ao introduzir o livro: "virem-se".
CATATAU
AUTOR Paulo Leminski EDITORA Iluminuras QUANTO R$ 44 (256 págs.) AVALIAÇÃO ótimo
Condição para crescer
Condição para crescer
REGINA ALVAREZ - O GLOBO - 13/11/10
O cenário de crescimento anual médio de 5,5%, projetado para os próximos quatro anos, pressupõe necessariamente um aumento nos investimentos. A taxa atual é insuficiente para fazer frente às demandas da economia aquecida. A participação do governo é muito pequena nesse bolo e também é limitada a margem de expansão, porque os investimentos concorrem com outras despesas no Orçamento.
Um dos caminhos recomendados por especialistas é o financiamento de parte dos investimentos em infraestrutura, cruciais para o crescimento sustentado, com recursos externos. Se o Brasil está sendo inundado por dólares baratos, por que não transformar o limão em limonada e direcioná-los para investimentos de longo prazo em áreas estratégicas como portos, aeroportos, estradas ou mesmo saneamento? Áreas com gargalos expostos e necessidades urgentes.
O economista Roberto Padovani, estrategista de investimentos do WestLB AG, conta que o banco alemão tem enorme interesse em aumentar os investimentos no Brasil. Gostaria de investir em aeroportos, mas não consegue entrar nesse mercado. A situação do setor é confusa, a Infraero vive um momento de indefinição. Não se sabe se continuará nas mãos do governo, se vai ser privatizada ou terá o capital aberto.
- O banco cobra e pergunta: se tem recursos para essa área, por que não consegue financiar? - relata Padovani.
Os gringos não entendem e nós também não. O setor cresce a taxas de 20% ao ano, tem infraestrutura precária, mas não consegue se estruturar minimamente para receber investimentos externos.
O presidente da Sabesp, Gesner de Oliveira, conta que está resolvendo boa parte das demandas de São Paulo com investimentos privados e também externos, mas no resto do país a tributação elevada e os problemas com o marco regulatório são entraves que afugentam o investidor.
Outros estados e prefeituras, alguns administrados pelo PT, como a Bahia, por exemplo, estão se valendo de Parcerias Públicas-Privadas para atrair investimentos, mas o governo federal não saiu do lugar na tentativa de viabilizaras PPPs.
O economista Armando Castelar, da FGV, estima que o país precisará aumentar a taxa de investimentos em pelo menos 2% do PIB para sustentar o crescimento. E vê no atual momento uma grande oportunidade de direcionar o capital externo abundante para áreas estratégicas como a de infraestrutura, desde que se reduza o risco regulatório, a tributação, e melhore o ambiente de negócios:
- Esse dinheiro todo barato querendo entrar no Brasil, se direcionado para investimentos de longo prazo, pode resolver alguns problemas-chaves do país.
Falsas pequenas
(TCU) constatou que pelo menos 56 empresas cadastradas no sistema de compra do governo federal como micro e pequenas venceram licitações públicas de forma fraudulenta, entre os anos de 2007 e 2009.
Usaram os privilégios que a lei das micro e pequenas empresas garante a esse segmento nos pregões, mas tiveram um faturamento anual superior aos limites legais. A partir de um cruzamento da base de dados do governo, que incluiu informações fornecidas pela Receita Federal e pelo sistema de compras administrado pelo Ministério do Planejamento, o grupo de inteligência concluiu que pelo menos 600 cadastradas no sistema como microempresas tiveram faturamento acima de R$ 240 mil em 2007.
As empresas que venceram licitações nessa condição estão sendo ouvidas pelo TCU e algumas já foram declaradas inidôneas e retiradas do cadastro do governo, mas as compras não podem ser revertidas.Uma ação de inteligência do Tribunal de Contas da União
Gerência
Censo interno realizado pela Basf mostrou que 23% das mulheres que trabalham na empresa ocupam cargos de liderança. Dessas, 94% estão em cargos de gerência.
Desconto coletivo
Com o controle do site de compras Oferta X, que oferece descontos a partir de um número mínimo de compradores, o Comprafacil.com pretende crescer 80% no mercado de internet.
Primeiro teste
Primeiro teste
Valdo Cruz - FOLHA DE S. PAULO
BRASÍLIA - Dilma Rousseff está de volta ao Brasil. Após quase uma semana longe da guerra por espaço no seu futuro governo, ela terá de enfrentar a dura realidade que é montar uma equipe ministerial.
Dependesse apenas de sua vontade, o ministério já estaria escalado e pronto para entrar em campo. Inclusive com escolhas de nomes entre os partidos aliados.Só que Dilma, agora, não é mais a ministra da Casa Civil, quando se posicionava contra algumas indicações feitas ao presidente Lula e até apostava que conseguiria barrar esse e aquele nome.
Muitas vezes, descobriu que seu desejo, de ministra técnica, não prevalecia sobre as necessidades políticas de um presidente envolvido na montagem de uma maioria confiável no Congresso.
Amigos acreditam que Dilma vá ser mais rigorosa na triagem técnica dos nomes, mas reconhecem que ela já não é mais aquela técnica inflexível, que costumava dizer que tal político não seria nomeado nem sobre seu cadáver. E era. Seus coordenadores de campanha apostam ainda que a fase eleitoral foi um curso intensivo de negociação política, em que ela aprendeu a ter mais jogo de cintura para lidar com os aliados.
Nessa fase inicial, contudo, a maior dor de cabeça virá do seu próprio partido. A máquina petista sonha em ter mais poder num governo Dilma, depois de ser obrigada a seguir os desejos de Lula -o presidente que ficou bem maior que seu partido.
Até aqui, petistas se engalfinham em dois tipos de refregas. Com os aliados e entre si. Não por acaso, algumas alas do partido desejam aproveitar a crise do Enem para derrubar Fernando Haddad do Ministério da Educação. Tem muito mais a ver com ocupação política do que com competência.
A vantagem de Dilma é que, depois de tanto tempo de governo, já conhece muito bem essas briguinhas. Será, porém, seu primeiro teste como presidente eleita.
Da intuição à razão na diplomacia
Da intuição à razão na diplomacia
Clóvis Rossi - FOLHA DE SÃO PAULO - 13/11/10
Dilma tenderá mais a consolidar instrumentos criados pelo antecessor do que a criar novidades
SEUL (COREIA DO SUL) - Sai um absoluto intuitivo, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, entra uma profissional da racionalidade, de nome Dilma Vana Rousseff.
Essa inversão de personalidades no Palácio do Planalto terá consequências também na política externa brasileira, embora ainda seja cedo para esmiuçar detalhes porque não é (nunca é, aliás) prioridade de campanha e, portanto, não demanda atenção especial.
Mas, se depender do entorno de Dilma, a palavra "institucionalização" -de claro contorno tecnocrático- terá predominância na sua ação externa.
É uma palavrinha incapaz de provocar qualquer emoção forte, mas necessária.
Traduzindo: se a opinião de seus assessores prevalecer, Dilma dedicará mais tempo e esforços a institucionalizar instrumentos criados ou consolidados no governo Lula do que a novas iniciativas.
Concretamente: BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), Unasul (União de Nações Sul-Americanas, o grupo de todos os países da América do Sul), além do Mercosul, precisam se tornar realmente operativos, não convescotes anuais (caso BRIC) ou periódicos (caso Unasul).
Do meu ponto de vista, aliás, o BRIC precisa de mais do que institucionalização.
Inexiste como instrumento de ação conjunta. Pode até ser forte, pode até ser relevante, mas pelo que cada um dos países do grupo é.
Exemplos contundentes de falta de ação conjunta:
1 - China e Rússia votaram a favor da mais recente leva de sanções das Nações Unidas ao Irã. O governo brasileiro votou contra. A Índia não é membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, portanto, não precisava votar.
2 - O Brasil aponta o dedo para a China no caso do câmbio, acusando-a de desvalorizar artificialmente a sua moeda, o que cria uma competição desleal com quem, como o Brasil, deixa o câmbio flutuar (com o inconveniente de que só tem flutuado para cima).
Parceiros que prezam o sócio não criam esse tipo de problema para o outro.
Fica claro, portanto, que institucionalizar o BRIC é uma necessidade, sim, embora as chances de que de fato atuem coordenadamente pareçam remotas.
Na verdade, China e Brasil têm tudo para serem mais rivais que sócios, competindo por mercados.
O caso da Unasul é diferente. Há uma identidade imensamente maior, há a contiguidade geográfica e, por extensão, interesses compartilhados. Mas, até agora, o bloco agiu mais por espasmos do que por uma estrutura eficaz e funcional.
Ainda por cima, sofreu a perda de seu primeiro secretário-geral, o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, muito pouco tempo depois de ter sido agente relevante para evitar que a crise que a polícia equatoriana provocou tivesse consequências mais sérias.
Fica claro que o período Lula, de intenso movimento na área de conglomerados regionais ou globais, conhecerá uma pausa na agitação em benefício de uma maior racionalidade e eficácia operativa.
O que está perfeitamente de acordo com o jeito de ser de Lula e Dilma
Assinar:
Postagens (Atom)







