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sexta-feira, outubro 22, 2010

Vícios do casal K

Vícios do casal K
MARIANO GRONDONA
Quando alguém tem uma paixão irrefreável, dizemos que sofre de uma dependência.
Os Kirchner, então, são dependentes? Não, por certo, de drogas ou álcool. Suas dependências são mais complicadas.
Uma das figuras mais notáveis da mitologia grega é Narciso, jovem de extraordinária beleza cujo prazer era desdenhar das mulheres que o assediavam.
Então a deusa Nêmesis decidiu castigá-lo. Permitiu que Narciso fosse o primeiro ser humano a ver refletida sua imagem num lago. Ele acabou enamorando-se dela e afogou-se.
O jornalista Andrés Oppenheimer, ao se referir ao caudilho venezuelano Hugo Chávez, chamou-o de “narcisistaleninista”. Fala tantas vezes diante de um público invariavelmente exultante que se pode dizer que o que mais o atrai é ouvir a si mesmo. Quando chama a atenção o fato de Cristina Kirchner falar quase diariamente ante um público igualmente cativo, cabe perguntar se sua motivação íntima não é também, como a de Chávez, converter-se em protagonista.
Esta inclinação se tornou evidente desde 2008, quando, em plena crise com o setor rural, a presidente começou a multiplicar a frequência de suas mensagens. O que se tornou claro, então, foi que a presidente, apesar do efeito contraproducente de seus discursos, sobretudo na classe média, insistia em reproduzi-los continuamente, evidenciando que o que mais lhe importava não era convencer, aprender ou dialogar, mas aumentar sua própria autoestima.
Tal qual Narciso, talvez, na inquieta espera da inexorável Nêmesis.
Essa hipótese sobre o narcisismo de Cristina valeria também para explicar os últimos acontecimentos? O fato é que, ao desempatar outra vez contra o governo para apoiar o aumento dos aposentados, o vice-presidente Cobos repetiu a cena, terrível para a memória dos Kirchner, de seu voto de desempate contra o governo, em 2008, derrotando o aumento do imposto sobre exportações agrícolas.
Mas o mais grave para os Kirchner no voto de Cobos não era tanto a nova derrota do oficialismo no Senado, mas algo inadmissível a partir de uma visão narcisista da política: Cobos se convertera novamente em protagonista, algo inaceitável para a presidente. Que fez então? Ao vetar a lei de aposentadoria, recuperou o protagonismo em menos de 24 horas.
Se há algo inaceitável para um narcisista é que alguém pretenda deslocálo do centro da cena.
Ao aproveitar sua volta ao protagonismo, Cristina Kirchner agrediu de passagem o vice Cobos chamando-o de “okupa” (uma espécie de invasor de propriedade). Foi nesse instante que seu discurso veio a coincidir com a dependência particular de Néstor Kirchner. Para este, somente importa vencer, tanto que seu grupo político foi chamada de Frente para a Vitória.
Mas, se tudo o que importa é vencer, também existe a necessidade de vencer alguém. A presença do inimigo confere a toda batalha seu elemento indispensável. Essa obsessão com o inimigo, própria das ideias autoritárias de Carl Schmitt, foi recuperada a serviço dos Kirchner por Ernesto Laclau e sua associada e mulher, Chantal Mouffe, mas tivera sua expressão mais eloquente na advertência que um destacado politólogo russo, Georgie Arbatov, fez aos vencedores americanos na queda da URSS, em 1989.
“Fizemos a vocês um dano incomparavelmente maior que nossa ameaça nuclear, deixando-os sem inimigo.” O pior que poderia ocorrer ao belicoso Néstor Kirchner, devido à sua dependência de uma vitória que deveria se repetir sempre, é ficar sem inimigo. Ao desempatar novamente a votação do Senado contra o casal K, o vice Cobos passou a cobrir, de imediato, essa necessidade. Ante a ambiguidade de uma oposição desmilinguida, o pior que poderia acontecer a Kirchner é ficar sem inimigo.
Foi quando Cristina, no discurso em que anunciou o veto à lei do Congresso em favor dos aposentados, acudiu em ajuda do marido, insultando Cobos. Que alívio frente à sombria advertência de Arbatov! Apesar dela, os Kirchner haviam ressuscitado sua concepção da vida política, que não é outra senão inverter a famosa advertência de Carl von Clausewitz, segundo a qual “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Para os Kirchner, “a política é a continuação da guerra por outros meios”.
MARIANO GRONDONA é jornalista.

terça-feira, outubro 05, 2010

O DNA de Néstor Kirchner

O DNA de Néstor Kirchner
04/10/2010 - Mariano Grondona – O Globo Opinião
O motivo pelo qual Néstor Kirchner levou vantagem tanto sobre seus rivais quanto sobre seus aliados foi o fato de poder desconcertá-los de forma contínua com manobras imprevistas, conservando em suas mãos a vital iniciativa. Maquiavel aconselhava o príncipe a aturdir os grandes e o povo com uma ousada sucessão de projetos inesperados, para mantê-los dependentes dele. Não há dúvida de que Kirchner age de maneira diferente se comparado aos atores que o rodeiam e o enfrentam, e consegue assim reduzir uns e outros a uma atitude de expectativa, a um tipo de passividade que condena seus aliados à submissão e seus rivais ao vício fatal do “antikirchnerismo”, cujo infortúnio consiste, como o “antiperonismo” dos anos 50, em agir só por reação, como se fazer oposição às iniciativas de Kirchner — sem oferecer alternativas — fosse sua única saída.
Dizemos que alguém é insólito quando sua conduta é tão rara que a consideramos única. Kirchner atua de modo insólito. Mas não são insólitos apenas sua ação, seu estilo. Ele mesmo o é. Seja devido a um código genético peculiar ou a uma infância infeliz, essa pessoa que chamamos Kirchner não é comparável a qualquer outra. Por isso, surpreende. Por isso gozou até agora do poder de iniciativa.
Mas, para se opor a ele com eficácia, não bastaria reagir tardiamente a cada uma de suas transgressões, como as outras pessoas que consideramos “normais”, porque Kirchner, simplesmente, não é normal. Segue sua senda exclusiva. Esta originalidade não provém de uma estratégia trabalhosamente forjada, mas das entranhas de seu próprio ser. Enquanto alguém não decifrar seu DNA, não conseguir desentranhar as raízes de um caráter que não é negociável, que é irrenunciável por ser mais forte que seu portador, o ex-presidente continuará sendo o homem forte da Argentina.
De nada valerá sequer condenálo como perverso, como fazem seus opositores. O único método para neutralizálo é entendê-lo; é recorrer às intrincadas dobras de seu código genético para descobrir o antídoto que poderia anulá-lo.
À força de frustrações e desgostos, poder-se-ia dizer que tanto a oposição como os observadores independentes avançaram laboriosamente nessa tarefa crucial. Para apoiá-la com fundamento, seria útil recorrer ao famoso livro “1984”, no qual seu autor, o inglês George Orwell, decifrou o código genético do autoritarismo. Publicado em 1949, quando o stalinismo avançava para a dominação de meio mundo, “1984” advertiu que a porta de entrada do totalitarismo é a tergiversação na linguagem política, para incentivar os fanáticos e confundir os ingênuos.
Quando falavam de “guerra”, os protagonistas de 1984 a chamavam de “paz”; quando falavam de “opressão”, chamavam de “liberdade”; e quando falavam de “discriminação”, chamavam de “justiça”. O poder absoluto não era, segundo eles, a mobilização de um mando despótico, mas a obra fraterna do Grande Irmão, que vigiava zelosamente os cidadãos até na intimidade de suas casas.
Kirchner abriga em sua mente, de modo comparável, seu próprio dicionário distorcido. Como tantos outros políticos, busca o poder. A luta pelo poder é, para os políticos “normais”, uma disputa enérgica mas, no fundo, amistosa, esportiva, quase um jogo — porque sabem que quem prevalecer terá somente um poder limitado pelos demais poderes e ligado ao vencimento inexorável de um prazo. Essa mesma disputa, para Kirchner, é uma verdadeira guerra, tudo ou nada, no decorrer da qual a vitória, e a derrota, só podem ser absolutas. Diziam os romanos em suas guerras: “Ai dos vencidos!” Por isso Kirchner chamou seu movimento de Frente para a Vitória, como se obtê-la fosse seu único e exclusivo objetivo, sem considerações por ideais como liberdade, desenvolvimento ou justiça social.
Quando disse que “a guerra é a continuação da política por outros meios”, Carl von Clausewitz, o maior estrategista do Ocidente, supunha que primeiro se deve buscar a paz na política, na diplomacia, e que só no fracasso delas os exércitos se poriam em marcha. Se tivesse que comentar Carl von Clausewitz, Kirchner diria que a política, mesmo na democracia, “é a continuação da guerra por outros meios”.
MARIANO GRONDONA é jornalista.

domingo, outubro 03, 2010

"Buenos Aires olha para o século 20"

"Buenos Aires olha para o século 20"
Estrela da Feira de Frankfurt, na Alemanha, Beatriz Sarlo diz que São Paulo representou sua ideia de modernidade
MARCOS FLAMÍNIO PERES – FOLHA DE SÃO PAULO - LITERATURA
A escritora argentina Beatriz Sarlo, que é uma das convidadas de honra do evento literário alemão e lança no Brasil a obra "Modernidade Periférica"
DE SÃO PAULO Buenos Aires perdeu o bonde da história. Sim, ainda é relativamente segura e homogênea, dispõe de bom transporte público e de uma vida cultural vibrante. Mas ninguém olha para ela enxergando o futuro, mas apenas o século 20.
É o que defende Beatriz Sarlo, a mais influente intelectual argentina e uma das estrelas da maior feira de livros do mundo, que começa na quarta-feira em Frankfurt.
Ela está lançando no Brasil "Modernidade Periférica", um retrato do processo de modernização por que passou o país nos anos 1920-30.
Mas sua tese mais forte, desenvolvida a partir dos escritos do crítico brasileiro Roberto Schwarz, é de que a capital portenha foi o epicentro de uma "cultura de mescla" em todo o continente.
Assim, por trás do surto imigratório, de urbanização intensa, alfabetização em massa e crescimento da mídia impressa se escondia uma contradição de fundo -a inadequação entre ideias importadas da Europa aclimatadas à força em um ambiente político, cultural e social que lhe era estranho.
Sarlo também bate pesado na tentativa da presidente Cristina Kirchner de cercear a atuação do grupo Clarín, o maior de mídia do país. O governo, diz ela, "não teve problemas com grupo enquanto este era seu aliado. Só passou a chamá-lo de monopolista quando perdeu seu apoio, em 2008".
Folha - Por que tantas semelhanças entre Buenos Aires e São Paulo nos anos 1920-30?  Beatriz Sarlo - Uma das experiências da modernidade que mais me marcou foi ter chegado a São Paulo em meados dos anos 1960. Era apenas uma estudante e ainda não conhecia Nova York. São Paulo me pareceu a "verdadeira" cidade moderna. Também me parecia que, como gesto vanguardista, de performance estética e moral, São Paulo tinha caráter mais de ruptura, menos comprometido com a tradição.
A "cultura de mescla" a que a sra. se refere pode definir toda a América Latina -e não só a cultura argentina?  Define todo o continente, sem dúvida, com mostram os estudos pioneiros de Antonio Cornejo Polar (para a cultura andina), Ángel Rama (para toda a América), Octavio Paz e Roger Bartra (México) e Antonio Candido (Brasil). O que Roberto Schwarz assinalou no ensaio "As Ideias Fora do Lugar [em "Ao Vencedor as Batatas", ed. 34], é importante para articular melhor a questão da mescla cultural. Em cada região da América Latina, as ideias europeias de misturam dentro de marcos culturais e sociais diferentes.
A Argentina era uma república liberal, governada por elites oligárquicas que, diferentemente do Brasil, aboliu a escravidão em 1813. Dessa república foram excluídos os povos americanos, que tiveram suas terras expropriadas. Dizer "cultura de mescla" não significa muito se não se precisar que elementos se mesclam e em que contextos político-ideológicos.
Onde Buenos Aires se situa na América Latina atual?  Não é uma cidade globalizada do futuro; é uma grande cidade do presente. Não tem a vitalidade e a desordem da Cidade do México nem a exuberância capitalista de São Paulo nem o apelo modernista de Brasília. É relativamente homogênea, com grande presença de classe média e razoável transporte público. Culturalmente, é vital e de reflexos rápidos. Mas esses são traços de uma modernidade tardia, que remetem mais ao século 20 que a utopias ou distopias.
Como se articulava a relação entre campo e cidade?  O país cresceu devido às vantagens comparativas para a agropecuária. As terras, extensas, planas e muito férteis, não precisavam de grandes investimentos nem de trabalho intensivo. Daí o crescimento populacional ter ocorrido sobretudo nas áreas urbanas. Além disso, os latifúndios agrários impediram que boa parte dos imigrantes se instalasse no campo.
Como aquela época prefigurou a Argentina atual?   A Argentina do século 20 foi marcada por golpes de Estado. Julgava-se que ocorreria a dissolução da nação caso não se reprimissem aquilo que se chamava na Europa de repúblicas de massa.
Jornais e revista foram fundamentais para a modernização da sociedade da época. Como vê hoje o embate entre o governo Kirchner e a mídia?  O êxito do processo de alfabetização, que ocorreu muito cedo nas cidades, proporcionou à imprensa e à indústria cultural um público capacitado, produzindo um círculo virtuoso.
Hoje, os jornais impressos perderam para a internet centenas de milhares de leitores, e suas versões digitais incorporam formatos novos -blogues, fóruns, chats, comentários de leitores, links para o Facebook e Twitter.
Contudo, a agenda ainda se fixa na versão impressa (lida pelas elites) e daí rebate nas outras plataformas. Quanto ao atual conflito com a imprensa, minha opinião é de que os grandes jornais não devem controlar canais de TV. Essa concentração vertical está proibida em países como os EUA, que vigiam atentamente a liberdade de informação.
MODERNIDADE PERIFÉRICA
AUTOR Beatriz Sarlo
TRADUÇÃO Júlio Pimentel Pinto
EDITORA CosacNaify
QUANTO R$ 55 (480 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo
RAIO-X
BEATRIZ SARLO
VIDA Nasceu em Buenos Aires em 1942
FORMAÇÃO Em 1978, foi cofundadora da revista "Punto de Vista", referência para os intelectuais do país. Lecionou literatura argentina na Universidade de Buenos Aires por 20 anos
OUTRA OBRA "Paisagens Imaginárias" (Edusp)
Argentina é o país homenageado na feira, que começa na quarta.
DE SÃO PAULO
A Feira de Livros de Frankfurt (Alemanha), que começa na próxima quarta e segue até o dia 10, é o maior balcão de negócios de livros -impressos e digitais- e direitos autorais do planeta.
Mas é também fórum privilegiado para seminários e debates sobre temas tão variados quanto educação infantil, tradução e e-books.
Com mais de 7 mil expositores de cem países, tem como país tema este ano a Argentina -que antecede o Brasil, convidado de 2013.
Os critérios de escolha, porém, atendem não tanto à geopolítica, mas, sobretudo, lembra a crítica Beatriz Sarlo, "a uma estratégia multicultural". Pois, afirma ela, "é isso o que funciona no mercado hoje -ou, pelo menos, é isso o que interessa aos editores para exportar e importar livros e traduções".
Essa é a razão por que já foram convidadas tanto a China quanto uma pequena comunidade cultural e linguística como a Catalunha.
No entanto, mais que realizar negócios, o mérito da Feira de Frankfurt é reunir celebridades literárias. Estarão lá o alemão Günter Grass -Prêmio Nobel de 1999-, o americano Bret Easton Ellis e o best-seller inglês Ken Follett.
Seu "Queda de Gigantes" (ed. Sextante, R$ 59,90, 912 págs.) teve lançamento mundial na semana passada com tiragem inicial de 1 milhão de exemplares.
O mais aguardado, porém, é Jonathan Franzen, que conseguiu tanto emplacar a capa da "Time", a revista semanal de informação mais influente dos EUA, quanto agradar publicações altamente intelectualizadas do naipe de "New York Review of Books" e "London Review of Books".
Seu recente "Freedom" (liberdade), que sai no ano que vem no Brasil pela Cia. das Letras, vem se juntar ao já celebrado "Correções" -lançado em 2001 pela mesma editora (R$ 72, 584 págs.)- e joga mais pressão sobre a Academia Sueca. A instituição tem por hábito anunciar o Nobel de Literatura durante os dias de feira.
O único ponto contra Franzen é o de ser americano - que vêm sendo pouco agraciados com o Nobel da área.

segunda-feira, setembro 27, 2010

El último recurso de los Kirchner

El último recurso de los Kirchner
JOAQUÍN MORALES SOLÁ - LA NACION
Es, dicen, el último recurso en medio de un desierto. Ese auxilio casi imposible consiste en que Néstor Kirchner pueda mostrarse ante el peronismo como un líder en condiciones de domesticar a la Corte Suprema de Justicia y a los medios periodísticos independientes que aún quedan. El peronismo volvería a bajar la cabeza en ese caso. Esta es su deducción. Quizá no sea una estrategia errada, pero tiene un problema sin solución: carece de posibilidades de concretarse. Abandonado por los empresarios con fina percepción de los cambios políticos y en manos de funcionarios chambones y de gremialistas codiciosos, los Kirchner necesitan, en efecto, un cambio urgente de las reglas del juego.
Los empresarios han concluido que la etapa kirchnerista está técnicamente concluida . La frase se escuchó de boca de un importante empresario, que trataba de explicar las notables distancias que los hombres de negocios pusieron con el Gobierno en las últimas semanas. La Corte no gobierna, pero sí debe poner límites. Esa es su función . El duro concepto pertenece a uno de los siete jueces importantes del país. Para unos, la cercanía con los Kirchner es tóxica; para los jueces, la opción de ellos se reduce a elegir entre independencia o sumisión.
Un gobierno embravecido mandó nuevas mareas de inspectores impositivos a casi todos los empresarios más renombrados del país. Ustedes quieren desestabilizar al Gobierno , le dijo a un directivo empresarial un desconocido ministro de Trabajo, Carlos Tomada, otrora valorado por sus condiciones de hombre moderado. Tomada no es el único que cambió los hábitos de paloma por los de halcón. La Presidenta y otros funcionarios de menor jerarquía se despacharon, al mismo tiempo, contra una Corte a la que intuyen golpista. Ese es un viejo e incorregible fantasma de Cristina Kirchner.
El problema esencial de la administración es la vacuidad de sus argumentos, que no pocos toman como el dogma de una religión nueva y confusa. Aníbal Fernández y el gobernador de Santa Cruz, Daniel Peralta, señalaron que la resolución del máximo tribunal sobre el ex fiscal de esa provincia Eduardo Sosa es de "cumplimiento imposible". Ese dictamen sobre Sosa desató la flamante guerra entre el Poder Ejecutivo y la cima del Poder Judicial. Carlos Zannini no fue traicionado en su buena fe cuando lo grabaron diciendo que ellos no habían nombrado a la actual Corte "para hacer esto". Zannini habló ante dos micrófonos visibles.
¿Es de cumplimiento imposible el fallo de la Corte que ordenó la restitución del ex fiscal? El gobernador Peralta firmó un decreto el 21 de diciembre del año pasado en el que dice textualmente que "es voluntad del Ejecutivo provincial acatar el fallo en cuestión". Un mes antes, en noviembre, la Corte Suprema le había ordenado la restitución de Sosa. En el último artículo de ese decreto, el gobernador escribió una frase contundente: "Dar por acatado el fallo". Desdobló las funciones de fiscal y lo nombró a Sosa en una de las dos fiscalías creadas. Peralta notificó a la Corte de su decisión.
En resumen, la Corte lo denunció ahora penalmente y ante el Congreso de la Nación porque el gobernador ni siquiera cumplió con su propia promesa. Ese decreto fue enviado por Peralta a la Legislatura provincial, pero Néstor Kirchner les ordenó a los legisladores santacruceños su inmediato cajoneo. El decreto todavía duerme en los cajones.
El otro argumento es el de la invasión de la jurisdicción provincial, meneado sobre todo por Zannini en aquella reciente grabación. La decisión de intervenir en ese conflicto fue tomada por la Corte anterior hace 12 años, en 1998, y fue repetidamente consentida por la provincia, como se refleja en aquel decreto de Peralta. Los miembros de la actual Corte Suprema se limitaron a hacer cumplir varias sentencias del máximo tribunal sobre el caso Sosa; esas sentencias no pueden quedar incumplidas sin afectar seriamente el Estado de Derecho. ¿Qué razones existen, entonces, para que se considere afectado el federalismo?
Uno de los motivos de la ira kirchnerista contra la Corte es el caso Santa Cruz en sí mismo. La destitución de Sosa tuvo como protagonistas a la actual jerarquía gobernante en pleno. Néstor Kirchner era gobernador de Santa Cruz y a él lo estaba investigando Sosa cuando éste se quedó sin cargo. Cristina Kirchner, Zannini y Julio De Vido eran legisladores o funcionarios provinciales importantes en la época en que sucedió la cesantía del fiscal. Todos cometieron un acto inconstitucional.
El otro motivo es la necesidad del matrimonio gobernante de mostrar al tribunal como un enemigo que debe ser derrotado. Saben que sólo falta que el juez Eugenio Zaffaroni deposite su voto a favor del Gobierno en el caso de la ley de medios para que los Kirchner tropiecen con una medida definitiva de no innovar en el artículo más polémico de la ley, el 161, que ordena la desinversión por parte de los actuales propietarios de empresas audiovisuales en el perentorio plazo de un año. Con seis votos en contra del Gobierno, la Corte nunca desistirá de las buenas formas. El voto de Zaffaroni debe existir para que cobren vida concluyente los otros votos, que ya existen.
Es indescriptible la manera cómo afectó a la Argentina el caso Papel Prensa . El relato corresponde a un alto ejecutivo de la City de Londres, acostumbrado a negociar con bonos argentinos. El caso es dramático, además. Los dos principales diarios argentinos fueron denunciados formalmente por el Gobierno por supuestos delitos de lesa humanidad, con argumentos que oscilan entre la hipocresía y la invención. El testimonio del presidente del directorio de LA NACION ante un escribano, que relató una reunión privada con Lidia Papaleo, es uno de los documentos más claros sobre la manipulación oficial de los derechos humanos. Papaleo no le contó a él razones humanitarias para hacer lo que hizo, sino ofrecimientos oficiales de dinero valuado en dólares y enredos familiares también por plata.
Tal vez uno de los actos más chapuceros del Estado de los Kirchner haya sido presentar una querella contra LA NACION y Clarín pidiendo oficialmente la indagatoria de dos personas que están muertas, Manuel Campos Carlés y Patricio Peralta Ramos. O ni la muerte termina con el odio o el Estado, que sabe escuchar teléfonos ajenos, no sabe investigar en el registro de los argentinos vivos y muertos. Que la espectacular denuncia la haya firmado un simple secretario de Estado muestra que ni el Gobierno está convencido de lo que dice , argumentó un importante juez nacional.
¿Por qué, entonces? En días recientes, durante una reunión con editores de diarios del interior, Néstor Kirchner, que no frecuenta la estratosfera discursiva de su esposa, se explayó con un pensamiento que podría esconder la clave de todo: Los diarios siguen fijando la agenda informativa del resto de los medios y lo seguirán haciendo por mucho tiempo , se sinceró. Los diarios son, así las cosas, la matriz originaria del periodismo que no le gusta.
En esa misma reunión, Cristina y Néstor Kirchner reflotaron un término de los años setenta, "sustitución de importaciones", para anunciar lo que quieren hacer con el papel para diarios. Cerrarán seguramente la importación de ese insumo básico (abierta ahora) y el Estado se hará cargo del suministro del papel a los diarios. Es imposible una noticia peor para el periodismo independiente.
¿Fuerza o debilidad? Debilidad. Hugo Moyano mismo es otro síntoma de la fragilidad del kirchnerismo. Sus proyectos son funcionales a él mismo, aunque los Kirchner deban inclinarse ante ellos. En efecto, sólo un fulminante golpe de poder restablecería el liderazgo del matrimonio en el peronismo. El proyecto es una utopía. Ni la Corte Suprema ni los medios independientes están dispuestos a una rendición tan obscena como inmoral.

Urge descifrar el insólito ADN del ex presidente

Urge descifrar el insólito ADN del ex presidente
MARIANO GRONDONA - LA NACION
La causa por la cual Néstor Kirchner aventajó de entrada tanto a sus rivales como a sus aliados en la carrera por el poder fue que pudo desconcertarlos de continuo con maniobras imprevistas, conservando en sus manos de este modo el vital poder de iniciativa . Maquiavelo aconsejaba al príncipe abrumar a los grandes y al pueblo con una osada sucesión de inesperados proyectos, para mantenerlos pendientes de él. No hay duda de que Kirchner obra de una manera diferente si se lo compara con los actores que lo rodean o lo enfrentan, y logra así reducir a unos y a otros a una actitud expectante, a una suerte de pasividad que condena a sus aliados a la obsecuencia y a sus rivales al vicio fatal del "antikirchnerismo", cuyo infortunio consiste, al igual que el "antiperonismo" de los años cincuenta, en obrar sólo por reacción, como si oponerse a las iniciativas de Kirchner sin plantear "otras" iniciativas ajenas a él fuera su único libreto.
Decimos de alguien que es "insólito" cuando su conducta es tan infrecuente que la tenemos por única. Kirchner actúa de un modo insólito. Pero no sólo su acción, su estilo, son insólitos. El, en sí mismo, lo es. Ya provenga de un peculiar código genético o de una niñez desafortunada, esa persona que llamamos "Kirchner" no es comparable con ninguna otra. Por eso sorprende una y otra vez. Por eso ha gozado hasta ahora del poder de iniciativa. Pero, para oponerse a él con eficacia, no bastaría con reaccionar tardíamente contra cada una de sus transgresiones al buen sentido de aquellas otras personas a las que consideramos "normales" porque Kirchner, simplemente, no es normal. Sigue su exclusiva senda. Esta originalidad no proviene de una estrategia trabajosamente forjada, sino de las entrañas de su propio ser. Mientras alguien no descifre su ADN, mientras alguien no consiga desentrañar las raíces de un carácter que no es negociable, que es irrenunciable porque es más fuerte que su propio portador, el ex presidente continuará siendo el hombre fuerte de la Argentina. De nada valdrá ni siquiera condenarlo por perverso, como hacen los opositores. El único método para neutralizarlo es entenderlo; es recorrer los intrincados pliegues de su código genético para descubrir recién entonces el antídoto que podría anularlo.
El código K
A fuerza de frustraciones y disgustos, podría decirse que tanto la oposición como los observadores independientes han avanzado laboriosamente en esta crucial tarea. Para apoyarla con fundamento, quizá sería útil recordar el famoso libro 1984, en el cual su autor, el inglés George Orwell, descifró el código genético del totalitarismo. Publicado en 1949, cuando el estalinismo avanzaba hacia la dominación de medio mundo, 1984 advirtió que la puerta de entrada del totalitarismo es la tergiversación del lenguaje político, para alentar a los fanáticos y confundir a los ingenuos. Cuando hablaban de "guerra", así, los protagonistas de 1984 la llamaban "paz", cuando hablaban de "opresión" la llamaban "libertad" y cuando hablaban de "discriminación", la llamaban "justicia". El poder absoluto no era según ellos el despliegue de un mando despótico, sino la obra fraterna del Hermano Mayor, que vigilaba celosamente a los ciudadanos, convertidos en súbditos, hasta en la intimidad de sus casas.
Kirchner alberga en su mente, de un modo comparable, su propio diccionario distorsivo. Como tantos otros políticos, busca el poder. Pero en tanto que la lucha por el poder es para los políticos "normales" una competencia enérgica pero en el fondo amistosa, deportiva, casi un juego, porque saben que quienquiera que prevalezca en ella sólo logrará un poder limitado por los demás poderes y atado al vencimiento inexorable de un plazo, esa misma competencia es para Kirchner una verdadera guerra , a todo o nada, en el curso de la cual la victoria, y la derrota, sólo podrían ser absolutas. Lo decían los romanos en sus guerras: "¡Ay de los vencidos!". Por eso Kirchner le puso a su movimiento Frente para la Victoria, como si obtenerla fuera su único y excluyente objetivo sin consideración por ideales como la libertad, el desarrollo o la justicia social que levantaron otros movimientos políticos. Cuando dijo que "la guerra es la continuación de la política por otros medios", Carl von Clausewitz, el mayor de los estrategos de Occidente, suponía que lo que hay que buscar primero es la paz de la política, de la diplomacia, y que sólo en su defecto los ejércitos se pondrían a marchar. Si tuviera que comentar a Clausewitz, Kirchner diría que la política, aun en democracia, "es la continuación de la guerra por otros medios".
¿Ganar o perder?
A partir de estas primeras nociones, para Kirchner "ganar" no es, como para el común de los políticos, prevalecer por un tiempo hasta que se cumplan los plazos o prepararse para negociar con el vencido circunstancial, porque para él "ganar" es someter y "perder" no es, como acaba de hacerlo notar Natalio Botana, asumir "la aceptabilidad de la derrota", sino preparar la venganza . Así lo ha demostrado en sus combates con el campo y con Clarín . Ya se llamen las Fuerzas Armadas, la Iglesia, la prensa independiente o, ahora, la Corte Suprema, los industriales y hasta la clase media, enfrentada según Cristina Kirchner con sus "morochos", todos aquellos que se animen a discrepar con Néstor Kirchner alargan la lista de sus enemigos. En el umbral de esta lista negra ya figuran personajes todavía dubitativos como Daniel Scioli, los intendentes del Gran Buenos Aires y hasta algunos gobernadores que todavía son capaces de arrastrar los votos que la nula simpatía de Kirchner y su crispación interminable amenazan con ahuyentar.
¿Cómo espera ganar Kirchner si suma sin cesar nuevos enemigos? Su política, ¿no es por ello, en el fondo, irracional ? No necesariamente, porque el ex presidente guarda todavía cerca del pecho algunas cartas no desdeñables. Una de ellas es la bonanza económica que resulta del "viento a favor" generado por la irrupción de China y la India en los mercados internacionales. La otra es la posible influencia de poderosos motivadores psicológicos. ¿No contará acaso la indiferencia política de vastos sectores que, al ver que ahora les va bien, podrían preferir que las cosas sigan como van? ¿No pesará también el miedo que provoca en más de un actor político o económico la agresividad del ex presidente? ¿Y no le servirá de nada a éste, además, la codicia de aquellos que lucran o esperan lucrar con la lluvia de subsidios generados por la corrupción oficial? Kirchner aún apuesta a que no sólo la suerte, empujada por el fuerte viento a favor de los precios internacionales, sino también la debilidad humana de aquellos que le temen o que codician los favores de su escandalosa "caja", vuelquen finalmente en su favor las veleidades del destino.
Kirchner no cree en las virtudes humanas, y éste es otro componente vital de su código genético. Aspira, al contrario, a explotar los defectos humanos cuando la cuenta regresiva llegue al punto final. ¿Se equivocará, acaso, de medio a medio? Su sueño es que, aun cuando los argentinos sean más virtuosos de lo que él supone, la oposición no acierte a encaminarlos hacia un desenlace no sólo "anti", sino también "poskirchnerista", republicano. La historia, en cierto modo, nos desafía. La palabra desafío significa que alguien nos quita la fianza, el "afío", porque ha dejado de creer en nosotros. La antítesis del desafío es la confianza . Los argentinos, ¿la mereceremos de aquí a trece meses?

segunda-feira, setembro 06, 2010

Nestor Kirchner, é um touro, um urso ou um pato coxo?

Néstor Kirchner, ¿es un toro, un oso o un pato rengo?

MARIANO GRONDONA - La Nacion

Un régimen político es tanto más estable cuanto menor sea la distancia entre las alternativas que se le presentan. Las elecciones presidenciales recientes en naciones como Uruguay y Chile no fueron dramáticas porque, ganara Mujica o Lacalle en el primero de ellos y Piñera o Frei en el segundo, ya se sabía que, coincidiendo todos los candidatos en la misma filosofía democrática, el horizonte de sus países quedaba libre de acechanzas. Lo mismo promete ocurrir el mes que viene en las elecciones presidenciales de Brasil, en las que la opción entre la favorita Dilma Rousseff, ahijada política de Lula, y José Serra, un opositor situado ligeramente a su derecha, no es perturbadora. Uruguay, Chile y Brasil son países que, por gozar de estabilidad , tranquilizan por igual a los inversores y a los ciudadanos.
¿Ocurre lo mismo entre nosotros? No se lo puede afirmar cuando se advierten los años luz que separan a nuestras propias alternativas. Si gana Kirchner en las próximas elecciones presidenciales, todo indica que la Argentina, al calor de esa victoria, podría encaminarse rápidamente hacia el modelo chavista, y si gana la oposición, sólo entonces podría plantearse entre nosotros una alternativa uruguaya, chilena o brasileña. Mientras que la distancia entre las alternativas que albergan Uruguay, Chile y Brasil es mínima, la distancia entre nuestras alternativas es máxima . La ansiedad que asalta a nuestros inversores y a nuestros ciudadanos es, por lo visto, un signo elocuente de nuestra inestabilidad.
Como lo advierte el premio Nobel Douglass North en Understanding the Process of Economic Change ("Entendiendo el proceso del cambio económico"), Princeton University Press, 2005), el anhelo capital de los hombres y de las naciones ha sido desde siempre reducir la presión de la incertidumbre. ¿Podríamos intentarlo los argentinos a estas alturas de los acontecimientos? Podríamos aliviar al menos la presión de nuestra propia incertidumbre si logramos reducirla a este interrogante central: ¿cuál es el futuro político de Néstor Kirchner?
La curva de la decadencia
Sobre todo en el mundo anglosajón, los analistas les han puesto un nombre a las alteraciones que atraviesan los mercados y la vida política. En el campo económico, llaman "mercados de toros" (bull markets) a esos procesos alcistas en los que, subiendo de continuo, los precios de los bonos y las acciones crean un clima "optimista", en tanto que llaman "mercados de osos" (bear markets) a esos otros procesos bajistas en los que, cayendo de continuo, los papeles generan en las bolsas un clima pesimista. Los dirigentes políticos no están exentos de estas variaciones. Son "toros" si su poder no cesa de crecer. Son "osos" en el caso contrario. Pero la política reserva, para los dirigentes que van mal, otro nombre. Los llama "patos rengos" (lame ducks) cuando a la inversa de los osos, cuyo descenso podría resultar circunstancial, su crisis ya no es pasajera sino terminal.
La expresión "pato rengo" es adecuada porque da a entender que, si ahora es rengo, alguna vez el pato no lo fue; que su renguera, por ser sobreviniente, marca la curva de su decadencia. Esto pasa especialmente cuando está por expirar un plazo constitucional. Desde el momento en que su plazo expiraba y ya no lo podía renovar, Tabaré Vázquez era un "pato rengo" antes de la elección de su sucesor, Mujica. Su "renguera", sin embargo, no fue traumática porque la aceptó de buen grado siguiendo las reglas de la democracia, que, tanto en Uruguay como en Chile y Brasil, prohíbe las reelecciones indefinidas y porque pudo transmitirle el poder a otro candidato de su mismo partido, el Frente Amplio, en cabeza de José Mujica. Esta continuidad se afianzará más aún en el caso de que Rousseff, la escogida por Lula, venza en Brasil. En cuanto a la presidenta de Chile Michelle Bachelet, si bien la sucedió un opositor, Sebastián Piñera, la adscripción de ambos al mismo credo democrático moderó decisivamente los cimbronazos del cambio.
Ninguno de estos elementos de contención gravitan entre nosotros. Si Kirchner llega a prevalecer el año entrante, profundizará su pretensión totalizadora. Si llega a perder, será reemplazado no ya por un continuador o por un rival afín a él, sino por otro sistema político opuesto al que él pretende imponer; en lugar de su despótico hiperpresidencialismo , la restauración del equilibrio constitucional.
Minivictorias y miniderrotas
Entre 2003 y 2008, el "mercado" de Kirchner fue un "mercado de toros" porque sus "acciones" no paraban de subir. Después de la victoria electoral inicial, volvió a ganar en la elección parlamentaria de 2005 y en la elección presidencial de 2007, cuando impuso a su esposa. Gracias al "viento de cola" internacional, que todavía subsiste, la coyuntura económica no cesó de bendecirlo. Pero estas satisfacciones sólo eran para él minivictorias porque la gran victoria del poder total a la cual aspira le quedaba, todavía, demasiado lejos. También empezaron a asomar otras minivictorias, como el control del Congreso a partir de 2005 y 2007, cierta benevolente pasividad de la opinión pública y, además, un silencio de la Corte Suprema reforzado por el dominio oficial del Consejo de la Magistratura, de donde salen los jueces, al que habría que sumarle la aparición de magistrados desvergonzadamente kirchneristas, como Norberto Oyarbide.
Hasta aquí, Kirchner no había obtenido "todo", pero había logrado "algo" en su afanosa búsqueda del poder absoluto. Entonces, a partir de 2008, empezaron las derrotas. Perdió primero contra el campo y el vicepresidente Cobos. Al año siguiente perdió categóricamente contra la oposición en las elecciones parlamentarias de 2009, a consecuencia de lo cual se quedó sin Congreso. Pero Kirchner lanzó una serie de contraofensivas. Creyendo equivocadamente que los votantes se le habían dado vuelta por la influencia de los medios, en vez de suponer, a la inversa, que los medios se habían limitado a reflejar la nueva tendencia del electorado, la emprendió contra el periodismo independiente mediante dos acciones convergentes: el proyecto de la ley de medios para controlar a las radios y los canales de televisión y el ataque a Papel Prensa, para asfixiar a la prensa escrita. Pero ambas contraofensivas están detenidas en la Justicia. Es más: las recientes declaraciones del presidente de la Corte Suprema, Ricardo Lorenzetti, permiten preguntarse ahora si la presunta pasividad judicial con la cual Kirchner contaba era algo más que una ilusión.
El flujo de la política se ha revertido. ¿Constituyen estas novedades una "gran victoria" para la oposición? Difícilmente, no sólo porque ésta no ha terminado de organizarse, sino también porque Kirchner mismo podría adherir a lo que dijo alguna vez el ex presidente Richard Nixon: "Sólo estás vencido cuando te das por vencido". Lo que tenemos entonces, después de las minivictorias de Kirchner entre 2003 y 2009, son sus miniderrotas entre 2009 y 2010, mientras la incertidumbre sobre el futuro del poder nos sigue acechando. El ex presidente no es todavía un "pato rengo" aunque, después de haber disfrutado de un "mercado de toros", hoy padece un "mercado de osos". Sólo el día en que se convierta en un verdadero "pato rengo" quedará definitivamente superado, pero demorará hasta el último momento en reconocer su derrota porque sólo cuando ella resulte evidente para él y para todos el impiadoso peronismo repetirá, como lo ha hecho otras veces, la cruel sentencia de los romanos: "¡Ay de los vencidos!".

terça-feira, agosto 31, 2010

Argentina ameaça bater EUA como 2º maior importador

Argentina ameaça bater EUA como 2º maior importador
Vizinhos já superam americanos em alguns meses na compra de itens brasileiros

Para Rubens Ricupero, produções argentina e brasileira se tornaram mais concorrentes do que complementares
ÁLVARO FAGUNDES DE SÃO PAULO VERENA FORNETTI DO RIO – Folha de S. Paulo
Diz a anedota que, no início do século passado, o barão do Rio Branco falou a diplomatas argentinos que eles não poderiam esperar o mesmo tratamento dado aos norte-americanos, que compravam mais trigo do Brasil.
No mês passado, a situação se inverteu. A Argentina ficou com 9,2% das vendas do Brasil ao exterior (ante 8,9% dos norte-americanos) e ameaça se tornar o segundo maior mercado comprador dos produtos brasileiros -a China é o primeiro.
De dezembro para cá, o Brasil vendeu em três meses mais para a Argentina que para os EUA, algo impensável em outros anos. Em 2002, por exemplo, um quarto das exportações brasileiras foram para os EUA, enquanto 4% tiveram como destino o país vizinho, que vivia grave crise, com queda de 10,9% no PIB.
Mas, mesmo depois que a economia argentina melhorou, os EUA mantiveram sempre boa vantagem. Esse cenário, porém, foi sendo corroído aos poucos pela China, que, em 2009, ganhou o posto de maior importador brasileiro. De 25%, em 2002, a exportação aos EUA foi reduzida a 10% em 2009. Enquanto isso, as vendas para a Argentina ficaram praticamente estáveis, oscilando em torno de 8% e 9%.
CRISE GLOBAL
O professor Antônio Correa de Lacerda, da PUC-SP, afirma que a situação se relaciona com a recuperação frágil dos Estados Unidos e da Europa após a crise. "A tendência é que não só a Argentina mas também outros países emergentes ganhem espaço na pauta de exportações brasileiras."
O embaixador Rubens Ricupero tem dúvidas de que a Argentina se manterá como segundo maior comprador do Brasil. A China tem ampliado as vendas para o país vizinho e, segundo Ricupero, nos últimos anos, as produções argentina e brasileira se tornaram mais concorrentes que complementares. Os dois países são grandes exportadores de commodities, e a Argentina está buscando a reindustrialização após sucessivas crises.
"Os argentinos dizem que não querem trocar trigo por aço. E que não querem ser a granja da América do Sul", afirma o embaixador. Para ele, uma relação comercial mais profícua depende de um aprofundamento do Mercosul, com a criação de órgão de solução de controvérsias e maior integração das cadeias produtivas.
PERSPECTIVAS
Segundo relatório do Morgan Stanley, a Argentina caminha para ser um dos países com maior crescimento na América Latina neste ano. A análise do banco aponta o aquecimento da economia brasileira como uma das razões mais importantes para a recuperação do país vizinho após a crise internacional. "A recuperação das exportações agrícolas e industriais para o Brasil é um importante motor da expansão argentina", diz o relatório. Os outros fatores são a demanda por commodities no mercado internacional e o avanço do consumo interno.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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