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quarta-feira, outubro 06, 2010

Juiz confirma ter sido baleado por policial durante blitz

Juiz confirma ter sido baleado por policial durante blitz
Jornal EXTRA
O Hospital Pasteur divulgou na tarde desta quarta-feira, uma mensagem escrita pelo juiz federal Marcelo Alexandrino Santos, baleado durante uma blitz da Polícia Civil, no último sábado. Na nota, ele confirma que um policial atirou contra o seu carro. Além do juiz, seu filho e de sua enteada foram feridos. No texto, ele diz que "nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes apenas para satisfazer seu desejo de exibir um poder que, fora dos limites legais, simplesmente não existe". Marcelo Alexandrino Santos agradece a todos que estão enviando mensagens de carinho e solidariedade.
Marcelo permanece está internado em um quarto particular do Pasteur,  e não tem previsão de alta. A enteada do juiz Nathália Lucas Cucker, de 8 anos, e o filho do magistrado, Diego Lopes, de 11 anos, apresentaram melhoras apesar de ainda estarem no CTI do Cardoso Fontes.
Leia o texto na íntegra:
Às milhões de pessoas que, no Brasil e no mundo, têm-nos enviado mensagens e pensamentos de preocupação, carinho e solidariedade:
Eu e toda a minha família, do fundo de nossos corações, agradecemo-lhes e pedimos que continuem orando e nos enviando vibrações positivas, pois, apesar da distância, a tremenda energia que acompanha seus pensamentos nos tem ajudado a seguir em frente, vencendo a cada dia uma nova batalha contra todo o sofrimento físico, emocional, mental e espiritual que temos atravessado.
Todos os dias e em todas as horas, o planeta assiste às mais variadas violações dos Direitos Humanos. Porém, nada há de mais aterrador do que a imagem de um agente público, que de nós deveria cuidar, disparando arma de fogo, com a intenção de matar, contra um casal de bem e suas crianças inocentes apenas para satisfazer seu desejo de exibir um poder que, fora dos limites legais, simplesmente não existe.
Já é passado o momento da mudança. Já não se deve mais aceitar o inaceitável. Já não se pode mais observar a violência e o mau exercício da autoridade pública como convidados bem-vindos a nossas vidas.
Portanto, que essa vibração positiva que nos tem sido enviada se estenda também a todos os seres humanos, a fim de que, da criação de espaços de resistência, onde impere a dignidade, possa nascer uma sociedade verdadeiramente livre, justa e igualitária.
Por fim, não podemos deixar de registrar nossa gratidão a todos os profissionais dos hospitais em que estamos internados. Sua dedicação é confortante e nos inspira a confiança em um amanhã sempre melhor.
Mais uma vez, muito obrigado. Marcelo Alexandrino da Costa Santos e família

quinta-feira, agosto 19, 2010

RS: grupo envolvido em ataques a judeus vai a júri popular

RS: grupo envolvido em ataques a judeus vai a júri popular


Portal Terra
PORTO ALEGRE - O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) determinou que 14 jovens acusados de envolvimento com atos violentos contra judeus serão submetidos a júri popular. A sentença foi proferida na terça-feira pela juíza de Direito Marta Borges Ortiz, da 2ª Vara do Júri de Porto Alegre. Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público, os réus integravam uma gangue de skinheads que pregava o preconceito a judeus, negros, homossexuais e punks e praticava delitos contra esses grupos.
Os 14 jovens responderão por um ataque ocorrido em 2005, nas proximidades de um bar na rua Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa, região boêmia de Porto Alegre. Ao serem informados da presença de judeus, os denunciados teriam saído do interior do bar e, utilizando faca e canivete, teriam agredido Rodrigo Fontella Matheus, Edson Nieves Santanna Júnior e Alan Floyd Gipsztejn, que conversavam distraidamente.
Edson e Alan conseguiram se desvencilhar e fugir dos agressores. Com a ajuda de terceiros, Rodrigo foi socorrido e recebeu atendimento médico. Os skinheads fugiram do local.
Segundo o MP, os Skinheads veiculavam ideias discriminatórias pela internet, divulgando letras de músicas, fotografias e imagens com mensagens de conteúdo antissemita e nazista, pregando a supremacia da raça ariana.
Ainda não há data prevista para o julgamento. De acordo com a sentença, Valmir Dias da Silva Machado Júnior, Israel Andriotti da Silva, Leandro Maurício Patino Braun, Laureano Vieira Toscani, Daniel Vieira Sperk, Leandro Comaru Jachetti, Thiago Araújo da Silva, Rafael Barbosa Coitinho, Marcelo Moraes Cecílio e Fábio Roberto Sturm deverão ser julgados por tentativa de homicídio, formação de quadrilha e por preconceito. Já Rodolfo Waterloo Monteiro, Luzia Santos Pinto, Ana Paula Peluso Dutra e Vanessa Veríssimo Silveira deverão responder por formação de quadrilha e preconceito.

segunda-feira, agosto 16, 2010

Adolescente brasileira vive drama nos Emirados Árabes

Adolescente brasileira vive drama nos Emirados Árabes 

Época online

Itamaraty mantém discrição sobre condenação de adolescente brasileira de 14 anos nos Emirados Árabes Unidos. Se a situação não for revertida nos tribunais, pode virar desconforto diplomático para Lula
Depois de se envolver no polêmico caso da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que pode ser apedrejada por adultério, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode se ver constrangido por um outro caso polêmico envolvendo as mulheres em um país muçulmano. E desta vez o caso é mais próximo do Brasil. Isso porque a mulher em questão é uma menina de 14 anos, brasileira, condenada a seis meses de prisão por ter feito sexo com um homem de 28 anos nos Emirados Árabes Unidos. O Itamaraty confirmou a ÉPOCA que a menina é brasileira, filha de uma brasileira e cujo padrasto é alemão e trabalha nos Emirados Árabes Unidos. A sentença foi proferida pela Corte Criminal de Primeira Instância de Abu Dhabi na terça-feira (10) e, além de prever a prisão da adolescente por seis meses, determina que ela seja deportada após o período na cadeia. A família vai recorrer da sentença. O homem com o qual a brasileira teria feito sexo é um paquistanês de 28 anos, motorista de ônibus escolar, que foi identificado apenas pelas iniciais, M.H. Ele foi condenado a um ano de prisão e à deportação.

O encontro sexual dos dois teria ocorrido no dia 3 de abril, no apartamento da família, em Abu Dhabi, enquanto os pais dela faziam uma viagem para Dubai, também nos Emirados Árabes. Segundo a imprensa do país, a empregada da família teria ido ao quarto da garota chamá-la para jantar. A adolescente, com um olhar confuso, não teria deixado a empregada entrar e teria saído do quarto, fechando a porta. Cerca de 45 minutos depois, segue a empregada em depoimento, um homem saiu do quarto. Ela, então, ligou para os pais da brasileira.

Inicialmente, a família da adolescente acusou M.H. de estupro. Segundo o jornal local The National, a promotoria árabe acusou a garota de sexo consensual fora do casamento – o que é proibido pela legislação local – depois de descobrir em mensagens que a garota teria marcado o encontro. Além disso, ela teria enviado mensagens de celular “eróticas” para o motorista de ônibus. Em entrevista ao jornal Gulf News, o juiz Saeed Abdul Bashir afirmou que a brasileira teria enviado várias fotos íntimas para M.H., algumas delas totalmente nua. Uma perícia feita no corpo da garota também teria mostrado que não havia sinais de estupro. Diante do juiz, a adolescente teria retirado as acusações de estupro e teria confessado o “sexo consensual”. 
Ainda de acordo com o jornal The National, os advogados da brasileira alegaram que a menina não poderia ser julgada como adulta, pois apesar de ser “fisicamente madura, não é mentalmente madura”. Nos Emirados Árabes, os crimes sexuais são julgados pela sharia, a lei islâmica. Se os acusados já tiverem chegado à puberdade, são julgados como adultos. Os sinais para isso são pelos no rosto ou a menstruação. Por ter apenas 14 anos, a pena da adolescente teria sido reduzida de um ano para seis meses. OAB: é preciso zelar pela segurança da brasileira
O Itamaraty mantém a discrição do caso para evitar a exposição da família e para não prejudicar o recurso feito pela defesa da brasileira a um tribunal de segunda instância. À BBC Brasil, o ministro-conselheiro da embaixada brasileira em Abu Dhabi, Arthur Nogueira, afirmou que a família está “extremamente nervosa” e que a garota pode ser presa a qualquer momento. O interesse do governo brasileiro é que o caso seja resolvido de forma favorável por meio das instituições jurídicas dos Emirados Árabes Unidos.
Em entrevista a ÉPOCA, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou que a prioridade da diplomacia brasileira deve se preocupar com a segurança da adolescente. "É preciso que haja uma interferência diplomática para zelar pela integridade física e psicológica da garota", disse. Cavalcante diz que é preciso "ter tranquilidade" pois a questão, se envolve direitos humanos para os brasileiros, envolve o direito e o costume local nos Emirados Árabes, o qual não pode ser alvo de interferência de outros Estados. 
Ainda assim, caso a decisão não seja revertida na justiça árabe, o presidente Lula ficará em uma situação no mínimo constrangedora. Após oferecer asilo à iraniana Sakineh Ashtiani, o Brasil se verá obrigado a pressionar também o governo dos Emirados Árabes, que pode prender uma cidadã brasileira de 14 anos por um episódio que, fosse ocorrido no Brasil, ela seria considerada como vítima.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Embaixador diz que Brasil não fez oferta de asilo à iraniana

Embaixador diz que Brasil não fez oferta de asilo à iraniana
Portal Terra
O Irã manterá presa a mulher condenada à morte por apedrejamento. Em entrevista à Agência Brasil, o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, descartou o envio da viúva Sakineh Ashtiani, 43 anos, para o Brasil. O diplomata negou que tenha ocorrido formalmente a oferta do Brasil ao governo iraniano de asilo ou refúgio político para a mulher.
Shaterzadeh disse que o assunto envolve apenas o Irã, pois a mulher condenada é iraniana, o que elimina a possibilidade de outro país ser incluído no processo. Para o embaixador, o caso ganhou repercussão internacional porque há uma manipulação por meio da internet e da imprensa estrangeira para constranger o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.
"Nós não recebemos de forma oficial pedido ou oferta alguma (de asilo ou refúgio político) para esta senhora ser enviada para o Brasil. Não houve ofício por escrito, nota oral ou troca de notas, como é a orientação na diplomacia em casos assim", afirmou o embaixador. "Ocorreram crimes e serão julgados conforme o código do Irã, que segue preceitos morais e culturais do país", disse ele. "O processo envolve pessoas iranianas, por que deveria ter o envolvimento de outros países?"
Shaterzadeh reiterou, porém, que a interpretação do assunto por parte do Irã não significa desrespeito à oferta de Lula para que a mulher fosse enviada para o Brasil. "Nós respeitamos muito o presidente Lula. Confiamos cem por cento na ideia de que ele não quis interferir em assuntos internos do Irã. Ele foi movido por sentimentos humanos e quando o nosso porta-voz disse isso, foi com muito respeito a ele. Mas o comentário foi mal interpretado pela imprensa brasileira", afirmou o embaixador.
Há cinco anos, a viúva Ashtiani, mãe de dois filhos, foi condenada à morte por apedrejamento sob a acusação de adultério e ter mantido relações sexuais com dois homens. Ela e a família negam as acusações. O advogado dela, Mohammad Mostafaei, recebeu asilo na Noruega. Ele tenta levar a família, alegando que todos correm riscos no Irã.
Shaterzadeh disse ainda à Agência Brasil que foi encerrado o processo de adultério e que a mulher é acusada "apenas" de assasinato do marido. O embaixador não confirmou que a pena de morte por apedrejamento tenha sido substituída por enforcamento. Segundo ele, o processo está em curso e ainda não foi encerrado, por essa razão há possibilidade de alterações.
"Posso enfatizar que não é uma questão de adultério, mas de assassinato", firmou o embaixador iraniano. "Será que se este crime tivesse ocorrido em outras partes do mundo, todos estariam reagindo desta forma?", perguntou. "Infelizmente, hoje em dia há um ambiente virtual que está sendo aproveitado pela mídia. É um assunto interno do Irã que não necessita de interferências externas", concluiu o diplomata.
Shaterzadeh confirmou que a sentença de morte da iranaina virou tema de várias reuniões de diplomatas no Brasil e no Irã. Pessoalmente, o embaixador disse ter conversado sobre o assunto com vários representantes do Brasil. Em Teerã, o embaixador do Brasil no Irã, Antonio Salgado, também esteve com autoridades do país asiático para informar sobre a posição brasileira.
Ontem, no Rio de Janeiro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou que houve, sim, uma oferta do governo para o envio de Ashtiani para o Brasil. "Houve comentários feitos em nível diplomático que explicavam (a condenação). Talvez eles estejam considerando isso como uma resposta oficial, dizendo que ela é acusada não só de adultério, mas de cumplicidade em homicídio", afirmou.
Amorim acrescentou que não ia discutir o caso. "O fato é que a situação dessa moça, inclusive em função da ameaça de apedrejamento e do suposto delito de que ela é acusada, é uma coisa que choca a sensibilidade do brasileiro como a do mundo todo". "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou o oferecimento de recebê-la no Brasil, se isso ajudar a evitar a execução", disse ele. "Nosso embaixador em Teerã foi instruído a comunicar o fato, o que, a nosso ver, é uma formalização deste oferecimento e do sentimento que é o do povo brasileiro".

sábado, agosto 07, 2010

Iraniana condenada apela a Lula

Iraniana condenada apela a Lula
Iraniana condenada faz apelo dramático ao Brasil
Agência O Globo/Graça Magalhães-Ruether
06/08/2010
A Iraniana condenada à morte por adultério fez um apelo desesperado ao presidente Lula por meio dos filhos, que a visitaram na prisão.
"O senhor Lula não deve me esquecer. Deve falar com o regime islâmico", disse Sakineh Mohammadi.
Filhos têm encontro de dez minutos na prisão com a mãe, acusada de adultério e que deve ser executada em breve
O senhor Lula não deve me esquecer. Deve falar com o regime islâmico. A poucos dias da possível execução de sua sentença, a iraniana acusada de adultério e condenada à morte, Sakineh Mohammadi Ashtiani, fez o desesperado apelo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Presa numa cadeia em Tabriz, no Irã, ela recebeu ontem a visita dos dois filhos, Saide e Sajjad, de 17 e 22 anos, a quem afirmou que aceita a oferta de abrigo no Brasil, onde deseja morar ao lado de sua família.
Eu quero viver com os meus filhos no Brasil disse ela a Sajjad, que logo após deixar o encontro ligou para Mina Ahadi, líder da Comissão Internacional contra a Pena de Morte e o Apedrejamento, que representa a família de Sakineh.

Os próximos dias serão decisivos para a vida ou a morte de Sakineh concluiu a ativista ao GLOBO.
Demais execuções no Irã são confirmadas Segundo Mina, o encontro dos filhos com Sakineh durou apenas dez minutos. Ela ainda contou que, de acordo com o relato de Sajjad, a iraniana não sabe que as autoridades já começaram a preparar a sua execução para a próxima semana, antes mesmo de a Suprema Corte confirmar a sua sentença de morte.
Sakineh teria ficado feliz ao saber que milhares de pessoas no mundo tomaram conhecimento sobre sua situação, e lutam para salvar a sua vida. De acordo com o site Mission Free Iran, diversos protestos estão programados para hoje, sábado e domingo, em várias partes do mundo, incluindo EUA, Suécia, Escócia, Canadá, entre outros.
Em um apelo dramático, exilados iranianos exigiram ontem a libertação da iraniana e de outros condenados à morte pelo regime, durante uma manifestação no Portão de Brandenburgo, em Berlim.
Segundo Javad Dabiran, porta-voz do Conselho Nacional de Resistência do Irã, a pressão internacional precisa aumentar para evitar a execução de Sakineh. Ele vê as chances de anulação da sentença como remotas, porque nos últimos dias todas as demais execuções foram confirmadas pela Justiça de Teerã.
O regime iraniano está sob pressão interna e vê a realização das sentenças de morte como uma forma de persuasão.

(O presidente Mahmoud) Ahmadinejad quer fortalecer uma atmosfera de medo no país acusa Dabiran.
Apesar do pessimismo em relação à decisão do Irã, o funcionário da Justiça de Teerã Mossadegh Kahnemoui disse ontem, durante encontro na Comissão da ONU para a Eliminação da Discriminação Racial (Cerd), em Genebra, que o destino de Sakineh ainda não foi decidido.
Seu caso está sendo examinado e nada foi decidido por enquanto afirmou, lembrando, porém, que Sakineh é acusada também de homicídio, crime para o qual a lei iraniana prevê a pena de morte.
Além do duplo adultério, essa mulher é acusada de complô para matar o marido.
A defesa nega que ela tenha cometido homicídio.
A situação do advogado de Sakineh também é delicada.
Detido como imigrante ilegal na Turquia, Mohammad Mostafaei teria direito a somente asilo temporário no país, já que não é europeu. Embora a Turquia, aliada do Irã, não exija visto dos iranianos, autoridades daquele país afirmam que o homem foi detido por problemas de documentação.
Ontem, segundo o jornal britânico Guardian, Mostafei teria recebido visitas de representantes da Noruega e dos Estados Unidos, que lhe ofereceram asilo. O iraniano, no entanto, teria sido forçado por autoridades turcas a rejeitar a oferta. O ativista Shadi Sadr contou que Mostafei foi maltratado na Turquia.Ele foi tratado miseravelmente pela polícia turca e ameaçado de ser mandado de volta ao Irã, disse Shadi ao Guardian.
Mina Ahadi, que acompanha muitos casos de perseguidos por Teerã, disse que nos últimos anos a Turquia deportou diversos fugitivos para prisões iranianas.
A Turquia é simpatizante do regime islâmico e, por isso, vejo como um país não muito confiável disse Mina.

quinta-feira, agosto 05, 2010

ONU quer explicação do Irã sobre violência contra mulher

ONU quer explicação do Irã sobre violência contra mulher

Peritos da Organização das Nações Unidas (ONU) atacaram ontem a decisão do governo do Irã de condenar à morte a iraniana Sakineh Ashtiani por adultério e exigiram uma explicação de Teerã. As críticas dominaram a sabatina à qual o Irã foi obrigado a se submeter, em Genebra, na Suíça. O Irã - que mudou o teor da principal acusação contra Sakineh, de adultério para assassinato - negou-se a tratar do assunto.
O perito guatemalteco José Francisco Cali lembrou que as Nações Unidas já tinham recomendado em 2003 que o Irã interrompesse as execuções de mulheres acusadas de adultério. Foi o diplomata brasileiro José Augusto Lindgren Alves - na foto, que atua na ONU como perito independente, que alertou sobre a questão de Sakineh de forma mais enfática. "A condenação por adultério e o apedrejamento são uma clara violação de direitos humanos", disse.
Hoje, o governo do Irã terá de dar uma resposta sobre o assunto na ONU. Mas indicou ontem que não acredita que a entidade seja o local apropriado para tratar do tema. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, julho 13, 2010

A Justiça de Deus e a nova violência contra Eliza

A Justiça de Deus e a nova violência contra Eliza

Jorge Antonio Barros – O Globo – Blog Repórter de Crime - 12.7.2010 12h53m
CASO BRUNO
Acabo de saber que o goleiro Bruno - acusado de uns seis tipos de crime - passou mal na penitenciária de Minas Gerais. Duas coisas são certas de acontecer com personagens que nunca estiveram numa cadeia: aparecer com uma Bíblia nas mãos e necessitar de cuidados especiais. Três são absolutamente normais. E a terceira é pedir habeas corpus. A novidade nesse caso é que o goleiro não está colaborando com a Justiça e o esclarecimento dos fatos, ao se recusar a prestar depoimento na polícia e a ceder material para exame de DNA.
Advogados de gente famosa não custam caro à toa. Diferentemente dos neófitos, eles sabem  manejar bem o Código de Processo Penal, que é de 1941 (talvez esteja ultrapassado em  vários pontos). E a estratégia deles passa sempre por não produzir provas contra os próprios clientes, algo garantido pelo princípio do Código de Processo Penal, que prevê amplo direito de defesa aos acusados. Nada contra esse princípio, em que todos são inocentes até que se prove o contrário. Mas em termos de aparência a estratégia só mergulha Bruno cada vez mais na figura de culpado, em que pese sua negativa de que participou do crime.
Passar mal em cadeia no Brasil não é novidade. Superlotadas, as cadeias brasileiras são depósitos de pessoas - culpadas ou inocentes - cada vez mais abandonados pelo poder público e pela sociedade, que quer se vingar a todo custo dos criminosos, independentemente do tamanho da pena.
Criminoso aparecer com uma Bíblia logo depois de preso não tem nada a ver com conversão religiosa. Normalmente, religiosos, especialmente evangélicos e católicos, fazem trabalhos assistenciais nas prisões e, sempre que podem, distribuem Bíblias, como forma de proselitismo. E mesmo que toda a penitenciária se converta a qualquer tipo de fé isso não vai em hipótese alguma aliviar as penas determinadas pela Justiça. Os próprios religiosos deveriam se envolver em campanhas defendendo que, crentes ou não crentes, paguem suas dívidas com a Justiça dos homens. Infelizmente ou felizmente, a Justiça de Deus não tem nada a ver com a nossa.
A Justiça de Deus é básica. Se faz primeiro pela luz que é lançada em episódios que, se dependessem dos criminosos e seus cúmplices, ficariam eternamente escondidos. Essa luz vem por meio de pessoas que decidem falar ou são habilmente interrogadas, por investigações policiais eficazes e também pela ação responsável e persistente da imprensa. Como integrante da imprensa, lamento que ela não possa acompanhar de perto, pelo menos, todos os casos de homicídios. Não tenho dúvidas de que a impunidade seria menor.
Se a sociedade criasse redes de proteção mais eficientes, nenhum crime ficaria impune, sobretudo  com  a internet, em que qualquer pessoa passou a produzir conteúdo até mesmo jornalístico. Hoje não podemos mais dizer que a imprensa é culpada de tudo. Se a imprensa não se apresenta, vamos difundir a informação pelas redes sociais, por exemplo, até que a imprensa perceba a importância do evento.
No momento em que avança o processo penal de Bruno, a sociedade deveria também estar  vigilante para não se deixar enganar por teses absurdas, de que Eliza cavou seu próprio destino. Trazer à tona o passado da vítima só contribui para atenuar a culpa de seus algozes. Ninguém tem o direito de tirar a vida de quem quer que seja. Por isso também sou contra a pena de morte, que é apenas a delegação ao Estado de mais um poder sobre nossas vidas.
Para quem quer entender melhor o Caso Bruno, veja a reconstituição do caso com base nos depoimentos de dois cúmplices, exibida no Fantástico de ontem. Me lembrou de um programa que eu gostava muito, mas que acabou - o Linha Direta.
Veja aqui os últimos momentos de Eliza.

domingo, julho 11, 2010

Patriarcado da violência

Patriarcado da violência

A brutalidade não é constitutiva da natureza masculina, mas um dispositivo de uma sociedade que reduz as mulheres a objetos de prazer e consumo dos homens

10 de julho de 2010 | 11h 49
Eliza Samudio está morta. Ela foi sequestrada, torturada e assassinada. Seu corpo foi esquartejado para servir de alimento para uma matilha de cães famintos. A polícia ainda procura vestígios de sangue no sítio em que ela foi morta ou pistas do que restou do seu corpo para fechar esse enredo macabro. As investigações policiais indicam que os algozes de Eliza agiram a pedido de seu ex-namorado, o goleiro do Flamengo, Bruno. Ele nega ter encomendado o crime, mas a confissão veio de um adolescente que teria participado do sequestro de Eliza. Desde então, de herói e "patrimônio do Flamengo", nas palavras de seu ex-advogado, Bruno tornou-se um ser abjeto. Ele não é mais aclamado por uma multidão de torcedores gritando em uníssono o seu nome após uma partida de futebol. O urro agora é de "assassino".
O que motiva um homem a matar sua ex-namorada? O crime passional não é um ato de amor, mas de ódio. Em algum momento do encontro afetivo entre duas pessoas, o desejo de posse se converte em um impulso de aniquilamento: só a morte é capaz de silenciar o incômodo pela existência do outro. Não há como sair à procura de razoabilidade para esse desejo de morte entre ex-casais, pois seu sentido não está apenas nos indivíduos e em suas histórias passionais, mas em uma matriz cultural que tolera a desigualdade entre homens e mulheres. Tentar explicar o crime passional por particularidades dos conflitos é simplesmente dar sentido a algo que se recusa à razão. Não foi o aborto não realizado por Eliza, não foi o anúncio de que o filho de Eliza era de Bruno, nem foi o vídeo distribuído no YouTube o que provocou a ira de Bruno. O ódio é latente como um atributo dos homens violentos em seus encontros afetivos e sexuais.
Como em outras histórias de crimes passionais, o final trágico de Eliza estava anunciado como uma profecia autorrealizadora. Em um vídeo disponível na internet, Eliza descreve os comportamentos violentos de Bruno, anuncia seus temores, repete a frase que centenas de mulheres em relacionamentos violentos já pronunciaram: "Eu não sei do que ele é capaz". Elas temem seus companheiros, mas não conseguem escapar desse enredo perverso de sedução. A pergunta óbvia é: por que elas se mantêm nos relacionamentos se temem a violência? Por que, jovem e bonita, Eliza não foi capaz de escapar de suas investidas amorosas? Por que centenas de mulheres anônimas vítimas de violência, antes da Lei Maria da Penha, procuravam as delegacias para retirar a queixa contra seus companheiros? Que compaixão feminina é essa que toleraria viver sob a ameaça de agressão e violência? Haveria mulheres que teriam prazer nesse jogo violento?
Não se trata de compaixão nem de masoquismo das mulheres. A resposta é muito mais complexa do que qualquer estudo de sociologia de gênero ou de psicologia das práticas afetivas poderia demonstrar. Bruno e outros homens violentos são indivíduos comuns, trabalhadores, esportistas, pais de família, bons filhos e cidadãos cumpridores de seus deveres. Esporadicamente, eles agridem suas mulheres. Como Eliza, outras mulheres vítimas de violência lidam com essa complexidade de seus companheiros: homens que ora são amantes, cuidadores e provedores, ora são violentos e aterrorizantes. O difícil para todas elas é discernir que a violência não é parte necessária da complexidade humana, e muito menos dos pactos afetivos e sexuais. É possível haver relacionamentos amorosos sem passionalidade e violência. É possível viver com homens amantes, cuidadores e provedores, porém pacíficos. A violência não é constitutiva da natureza masculina, mas sim um dispositivo cultural de uma sociedade patriarcal que reduz os corpos das mulheres a objetos de prazer e consumo dos homens.
A violência conjugal é muito mais comum do que se imagina. Não foi por acaso que, quando interpelado sobre um caso de violência de outro jogador de seu clube de futebol, Bruno rebateu: "Qual de vocês que é casado não discutiu, que não saiu na mão com a mulher, né cara? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher". Há pelo menos dois equívocos nessa compreensão estreita sobre a ordem social. O primeiro é que nem todos os homens agridem suas companheiras. Embora a violência de gênero seja um fenômeno universal, não é uma prática de todos os homens. O segundo, e mais importante, é que a vida privada não é um espaço sacralizado e distante das regras de civilidade e justiça. O Estado tem o direito e o dever de atuar para garantir a igualdade entre homens e mulheres, seja na casa ou na rua. A Lei Maria da Penha é a resposta mais sistemática e eficiente que o Estado brasileiro já deu para romper com essa complexidade da violência de gênero.
Infelizmente, Eliza Samudio está morta. Morreu torturada e certamente consciente de quem eram seus algozes. O sofrimento de Eliza nos provoca espanto. A surpresa pelo absurdo dessa dor tem que ser capaz de nos mover para a mudança de padrões sociais injustos. O modelo patriarcal é uma das explicações para o fenômeno da violência contra a mulher, pois a reduz a objeto de posse e prazer dos homens. Bruno não é louco, apenas corporifica essa ordem social perversa.
Outra hipótese de compreensão do fenômeno é a persistência da impunidade à violência de gênero. A impunidade facilita o surgimento das redes de proteção aos agressores e enfraquece nossa sensibilidade à dor das vítimas. A aplicação do castigo aos agressores não é suficiente para modificar os padrões culturais de opressão, mas indica que modelo de sociedade queremos para garantir a vida das mulheres.

DEBORA DINIZ É ANTROPÓLOGA E PROFESSORA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Momento de repulsa total

Momento de repulsa total

Editorial, Jornal do Brasil
RIO - A cada desdobramento do sequestro e morte da jovem Eliza Samudio, detalhes macabros vão emergindo e dando contornos de uma tragédia ao desaparecimento da ex-amante do goleiro do Flamengo, Bruno. A frieza, a premeditação, a maldade dos supostos assassinos, a torpeza de desmembrar um corpo humano e entregá-lo às feras, nada disso pertence a almas que estão em paz com a própria consciência. Criaturas com tamanho grau de malignidade não possuem amarras morais que as impeçam de se transformarem em verdugos cínicos e impiedosos. O repúdio nacional – e, dada a repercussão do caso, agora internacional – manchou o noticiário que, por exemplo, dava espaço ao lançamento da Copa de 2014 no Brasil, em uma cerimônia na África do Sul. A índole de paz e bondade do povo brasileiro não merecia ser posta à prova por atos tão vis que até o mais calejado policial envolvido na investigação sofreu em seu emocional.
Eliza Samudio pode ter cometido todos os erros na vida. Mas, como mãe de um bebê de apenas quatro meses, parecia amorosa, dedicada e consciente da graça divina que é a gestação de uma nova vida. Paradoxalmente, sua sentença de morte foi dada em função justamente desse fato. Ter a existência abreviada por um ex-policial, criador de cães ferozes, que antes de estrangulá-la teria cheirado as suas mãos, é de uma crueldade sem limites. Muitas preces ainda serão necessárias até que sua alma incrédula com tamanha barbárie possa descansar em paz. O trabalho da Justiça, a partir de agora, deve isso a ela. E ao seu filho.
O caso é emblemático ainda pela combinação de fama, dinheiro e confusões envolvendo o universo do futebol no Rio. Jogadores consagrados, ídolos de crianças e adultos, não podem envolver-se em orgias, ou justificar agressões a mulheres, a tantas Elizas da vida, como se isso fosse o comportamento correto de um homem. Também não podem acreditar que o dinheiro farto e absoluto garante a amoralidade de atos cuja carga de maldade transcendem a compreensão até do mais empedernido dos especialistas. Dizer que a fama pode trazer loucura é simplificar o caso: o que separa o homem do seu convívio sadio com os demais é o caráter. O menino que admirava Bruno como um atleta tecnicamente completo, corajoso e vinculado à imagem de garra do Flamengo, hoje se queda perplexo sem saber no que mais pode acreditar.
Eliza Samudio virou um símbolo da podridão que envolve certos círculos no mundo do futebol. Pagou com a vida por ceder ao brilho mundano de um mundo no qual drogas, violência, corrupção e sexo são elementos mais importantes do que a busca pelo limite, pela superação individual em nome de um ganho coletivo, pela alegria popular. Um mundo no qual quem está fora do campo e se omite em casos assim tem tanta responsabilidade quanto os que matam.
00:48 - 09/07/2010 -  Na foto, a dor da mãe da jovem assassinada covardemente.

domingo, maio 02, 2010

Alertada por um vendedor ambulante, a polícia de Nova York encontrou e desativou um carro-bomba, evitando um "ato de terrorismo" que forçou a retirada das pessoas da Times Square no sábado

Polícia de NY encontra e desmonta carro-bomba na Times Square
Domingo, 2 de maio de 2010 09:31 BRT

NOVA YORK (Reuters) - Alertada por um vendedor ambulante, a polícia de Nova York encontrou e desativou um carro-bomba, evitando um "ato de terrorismo" que forçou a retirada das pessoas da Times Square no sábado e poderia ter matado várias pessoas, informaram autoridades no início deste domingo.
O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse em entrevista coletiva que "não temos ideia de quem fez isso e qual foi o motivo". Ele disse que a bomba desativada --feita de propano, gasolina e fogos de artifício-- parecia ter sido fabricada de forma rudimentar. A Times Square é um local popular de Manhattan e estava lotada de turistas e de espectadores de teatro em uma noite quente de sábado em Nova York. A maior parte da Times Square foi reaberta aos carros e aos pedestres por volta de 5h (horário local, 6h em Brasília).
"Por sorte ninguém ficou ferido, e agora toda a atenção das forças policiais da cidade, do Estado e em nível federal se voltam para levar os culpados deste ato de terrorismo à Justiça", disse o governador de Nova York, David Paterson, em comunicado. O comunicado do governador não especifica se ele suspeita que militantes domésticos ou estrangeiros tenham tentado o ataque. Bloomberg disse que um vendedor ambulante de camisetas informou sobre "um veículo suspeito, não-ocupado" e alertou um policial a cavalo, que viu que o Nissan Pathfinder verde escuro tinha fumaça saindo de perto do banco traseiro e cheirava a pólvora.
"O esquadrão antibomba do Departamento de Polícia de Nova York desativou o carro-bomba improvisado", disse o comissário de polícia da cidade, Ray Kelly. O veículo foi retirado da Times Square por volta das 6h (7h em Brasília). "Temos muita sorte. Graças a nova-iorquinos em alerta e a policiais profissionais, evitamos o que poderia ser um evento bastante catastrófico", disse Bloomberg a jornalistas. 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, elogiou a "ação rápida" da polícia de Nova York no incidente e disse que os policiais fizeram "um trabalho excelente" na resposta ao alerta. A bomba foi descoberta por volta de 18h30 de sábado (19h30 em Brasília) no veículo estacionado perto da Rua 45 e da Broadway. O carro estava com o motor e o pisca-alerta ligados, disseram autoridades. Ele tinha placa de Connecticut que não batia com o veículo. Kelly disse que o esquadrão antibomba removeu e desarticulou três tanques de propano, fogos de artifício, dois recipientes com l9 litros de gasolina. Dois relógios com baterias em cada um deles, fiação elétrica e outros componentes.
(Por Steve Eder, Clare Baldwin, Jonathan Spicer e Deepa Seetharaman)

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