Mostrando postagens com marcador Conselho de Segurança. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conselho de Segurança. Mostrar todas as postagens
domingo, novembro 14, 2010
Realinhamento
Realinhamento
Rubens Ricupero - FOLHA DE S. PAULO
Aos poucos, e após ilusões dos primeiros tempos, a diplomacia de Obama volta ao realismo de poder
O apoio de Obama a um lugar permanente para a Índia no Conselho de Segurança da ONU consagra a posição indiana de principal aliado estratégico dos EUA no sul da Ásia. O presidente protesta não ter a intenção de conter os chineses.
Contudo, a Índia fecha ao sul, objetivamente, muralha de alianças em torno da China, que parte ao norte do Japão e da Coreia do Sul. O arco passa por Cingapura, Indonésia, Vietnã, Malásia e todos os que olham para o poder naval dos EUA como proteção contra o poderio chinês, tentado a se afirmar nas ilhas disputadas por Pequim com os vizinhos.
Aos poucos, a diplomacia de Obama volta a uma posição de realismo de poder, após ilusões bem-intencionadas dos primeiros tempos: a mão estendida ao Irã, o anúncio do fechamento de Guantánamo, a continuação da guerra no Afeganistão.
Uma delas tinha sido a proposta da "parceria para plasmar o século 21", na qual a China teria de ajudar a carregar o fardo global dos EUA. A falta de colaboração chinesa nas questões centrais -aquecimento global, manipulação da moeda, superávit comercial- levou os EUA a reagir na mesma moeda: venda de armas a Taiwan, recebimento do dalai-lama, oferta de mediação sobre as ilhas em disputa, agora a conclusão da aliança com a Índia.
Os resultados comerciais da visita a Nova Déli e o apoio indiano às emissões monetárias para estimular a economia dos EUA aportam raro sucesso diplomático a um presidente com mãos praticamente vazias em política externa. A ponto de que seus adversários já o consideram como foi Jimmy Carter entre Nixon e Reagan: um fugaz interlúdio de fraqueza entre presidentes dispostos a utilizar plenamente a superioridade militar americana.
Pode ser que a concentração dos EUA no combate ao terrorismo não passe de outro interlúdio fugaz, agora estratégico, entre adversários de longo prazo, a União Soviética no passado, a China no futuro.
O alinhamento da Índia se completa na véspera da comemoração dos 50 anos da reunião inaugural do Movimento Não Alinhado de Tito, Nasser e Nehru. No mundo dominado por Moscou e Washington, a maneira de criar um espaço próprio era, para os fundadores do movimento, a recusa do alinhamento.
Desaparecido o bipolarismo, esses países se realinharam de acordo com seus interesses, o Egito como principal intermediário no Oriente Médio, os sucessores da Iugoslávia aderindo à Europa e à Otan, a Índia como potência regional de reequilíbrio na zona de encontro de China, Paquistão, Afeganistão e Irã.
Os interesses que ditam a recomposição do quadro estratégico mundial parecem escapar ao Brasil, surpreendido com a falta de apoio da China, Rússia e Índia no acordo sobre o urânio do Irã. Se quiser evitar desgastes gratuitos, o país precisa entender que esses países agem por realismo estratégico nacional.
quinta-feira, novembro 11, 2010
Reino Unido quer Brasil no Conselho de Segurança
Reino Unido quer Brasil no Conselho de Segurança
O Globo – 11/11/2010
Chanceler destaca necessidade de reforma em órgão da ONU e de reforço na relação com América Latina
LONDRES. Num discurso inteiramente dedicado à América Latina, o ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente e o fim da negligência nas relações de seu país com a América Latina. Numa palestra na Canning House, um centro especializado em América Latina, Hague disse que o governo britânico deseja abrir um novo capítulo na região, aumentando as relações políticas e comerciais entre os dois lados.
— Vamos continuar pedindo uma reforma da ONU, incluindo um Conselho de Segurança ampliado com o Brasil como membro permanente — disse Hague, na palestra de terça-feira, em Londres.
O Reino Unido defende a reforma do Conselho de Segurança com a inclusão de Brasil, Alemanha, Índia e Japão como membros permanentes.
Atualmente, o órgão é formado por Estados Unidos, Reino Unido, China, França e Rússia, que têm cadeiras permanentes e direito a veto, mais dez membros rotativos. A declaração de Hague veio um dia depois de o presidente americano, Barack Obama, defender uma vaga permanente para a Índia. Outro país apoiado pelos EUA é o Japão.
Segundo o chanceler, a expansão do conselho é uma questão de “legitimidade e equilíbrio”. A reforma, no entanto, não é uma questão de consenso. Outros países, como Itália e Espanha, defendem a ampliação das vagas rotativas, e o assunto ainda pode levar anos para ser resolvido.
Comércio exterior pode ajudar país a se recuperar
O novo governo britânico — há seis meses no poder — parece determinado a reforçar as ligações políticas e comerciais com potências emergentes, como Brasil, China e a região do Golfo. Desde que assumiu o cargo, o primeiro-ministro David Cameron já visitou a Índia e esta semana está na China. No próximo ano, o vice-premier Nick Clegg deve chefiar uma delegação à América Latina, informou o ministro. O governo espera que o comércio ajude o Reino Unido a se recuperar da recessão, ao mesmo tempo em que promove o corte de gastos para reduzir o déficit — o que pode diminuir a demanda interna.
— Vamos deter o declínio da presença diplomática britânica na América Latina. O recuo britânico na região acabou, é tempo de começar a avançar — disse Hague. — O Reino Unido tem um histórico de subestimar a América Latina e negligenciar suas oportunidades. É essa negligência que o atual governo está determinado a tratar.
O Reino Unido fechou quatro embaixadas na América Latina entre 2003 e 2005, justamente quando a região começou a se projetar mais, disse Hague. O ministro garantiu que diferenças, como a disputa com a Argentina pelas Ilhas Malvinas, não serão obstáculos. Hague ressaltou, no entanto, que o país não pretende mudar sua posição sobre as ilhas, que os britânicos chamam de Falklands.
O chanceler lembrou que um século atrás o Reino Unido estava entre os principais países que investiam e negociavam com a América Latina. Ele destacou que antes da Primeira Guerra Mundial, um quarto do comércio da região era realizado com o Reino Unido, mas que hoje o país “mal responde por 1% das exportações” à região.
— Nós exportamos três vezes mais para a Irlanda do que para toda a América Latina, uma região com 576 milhões de pessoas e 20 repúblicas soberanas — observou Hague.
quarta-feira, outubro 13, 2010
ONU: NOVO CONSELHO
A Assembleia Geral da ONU elegeu Colômbia, Alemanha, Índia, África do Sul e Portugal para ocupar cadeiras rotativas por dois anos no Conselho de Segurança. O primeiro-ministro português, José Sócrates, disse que seu país vai trabalhar por uma reforma no órgão que dê ao Brasil um assento permanente.
O Canadá, que concorria a uma das vagas, retirou a candidatura após ficar atrás de Portugal nas duas primeiras rodadas de votação. Com a desistência, foi aberto o caminho para a escolha de Portugal para a quinta vaga.
Brasil, Nigéria, Bósnia, Líbano e Gabão ocupam as outras cinco cadeiras rotativas até 2011.
quinta-feira, julho 01, 2010
Síria quer Brasil no Conselho de Segurança
Síria quer Brasil no Conselho de Segurança
Em Brasília, Assad elogia esforços do país e da Turquia no acordo com o Irã
Luiza Damé
BRASÍLIA. Em visita oficial de dois dias ao país, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, defendeu a posição brasileira sobre os conflitos no Oriente Médio, especialmente no que diz respeito aos territórios palestinos, e elogiou a participação do Brasil e da Turquia na negociação do acordo com o Irã sobre enriquecimento de urânio no exterior.
Assad foi recebido ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manifestou apoio à pretensão do Brasil de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
— Esse será um grande passo para corrigir o conselho e mudar a política que vai para um lado só, assegurando respeito aos direitos internacionais — disse o presidente sírio, no brinde no almoço oferecido por Lula
Lula critica o bloqueio à Faixa de Gaza Assad disse que o Brasil tem uma posição realista em relação aos conflitos do Oriente Médio, destacando que os dois países têm pontos de vista comuns sobre a construção da paz na região.
Para ele, os esforços dos países árabes e da América Latina vão ajudar a encontrar soluções para os problemas na região.
O presidente da Síria afirmou admirar a atuação do Brasil e da Turquia na negociação do acordo com o Irã.
— Esse acordo é fundamental para a solução do problema de forma pacífica, sem chegarmos a uma guerra. O Irã abriu o caminho para uma solução pacifica, enquanto Israel ainda ameaça a segurança e a paz na região, através da suas armas nucleares. A Síria acredita que a paz na região é a única forma para o desenvolvimento. Nós fizemos esforços para a paz, com a colaboração do Brasil, mas Israel sempre cria empecilhos — disse Assad citando o ataque ao Líbano em 2006 e ao barco turco com ajuda humanitária à Faixa de Gaza, em maio.
Lula defendeu a criação de um Estado palestino e condenou o bloqueio a Gaza. O presidente destacou o papel da Síria na construção da paz no Oriente Médio e disse que conflito na região afeta o mundo inteiro. Além disso, Lula defendeu a devolução das colinas de Golã à Síria, região conquistada por Israel.
— Defendemos um Estado Palestino independente, soberano, coeso e economicamente viável, e que possa conviver em segurança e dignidade com Israel.
Isso só será possível com unidade. Contamos com a Síria para ajudar a alcançar uma verdadeira reconciliação entre palestinos — disse.
Lula condenou o bloqueio a Gaza e os atos terroristas. E defendeu a união de todos os países pela paz no Oriente Médio.
— Essa é uma responsabilidade de todos. Esse conflito transcende as dimensões regionais.
Afeta o mundo inteiro. Recusamos a tese de que o Oriente Médio está fadado ao conflito, de que seus filhos estão condenados a reviver a irracionalidade da guerra. Não haverá reconciliação verdadeira se houver vencedores e vencidos. Temos urgência em ver a região pacificada, com todos seus povos vivendo em harmonia — afirmou.
sexta-feira, junho 11, 2010
Turquia diz que voto a favor do Irã era questão de honra
Turquia diz que voto a favor do Irã era questão de honra
10 de junho de 2010 | 19h 23
AE-AP, COM DOW JONES - Agência Estado
O voto turco contra a quarta rodada de sanções na Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã, por causa do programa nuclear de Teerã, era uma questão de honra para o país, após o acordo fechado entre Turquia, Irã e Brasil, afirmou hoje o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. O premiê insistiu que ainda há espaço para uma saída diplomática para a crise. Erdogan deu as declarações em uma cúpula de um dia em Istambul, entre a Turquia e 20 países árabes.
Erdogan fortaleceu no evento seu papel de líder no mundo islâmico, recebendo o aplauso de governantes e políticos árabes, enquanto criticava Israel e questionava o poder de Washington no cenário mundial, numa cúpula que ocorreu na cidade que foi no passado a sede do Império Otomano.
"Se nós não tivéssemos dito ''não'', seria contraditório...seria uma falta de respeito próprio", avaliou Erdogan. O Brasil também votou contra as sanções e o Líbano se absteve. As outras 12 nações do Conselho de Segurança da ONU, incluindo as cinco permanentes e com poder de veto, apoiaram a medida.
No mês passado, o Irã firmou um acordo com Turquia e Brasil se comprometendo a enviar 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido ao território turco. Em troca, receberia combustível para seu reator em Teerã. O acordo foi visto com ressalvas por Washington, que pressionava por uma resolução com sanções.
"Nós insistimos que todos os problemas devem ser resolvidos na mesa de negociações. Nada é alcançado com armas ou através de embargos e isolamento", disse Erdogan. "Junto com o Brasil, nós manteremos os nossos esforços por uma solução negociada."
Ontem, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que o acordo Irã-Turquia-Brasil não estava "morto" e que seu país votou contra as sanções para manter aberto o canal de negociações. No mesmo dia, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, criticou as sanções e disse concordar com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre a falta de valor da punição. "Bem dito, homem. Não vale um centavo", disse Chávez. A Venezuela e o Irã têm estreitado laços nos últimos anos.
A sanção ao Irã inclui aspectos militares e financeiros. Ela expande um embargo de armas e impede o país de realizar atividades como a mineração de urânio. Potências lideradas pelos EUA temem que o Irã busque secretamente armas nucleares, mas Teerã garante ter apenas fins pacíficos. Ahmadinejad disse que "as resoluções não valem nada para a nação iraniana".
Assinar:
Postagens (Atom)

