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sexta-feira, novembro 19, 2010
O próximo passo
O próximo passo
CRISTINA GRILLO
RIO DE JANEIRO - É fato que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) instaladas pelo governo Sergio Cabral melhoraram a vida dos moradores de alguns morros cariocas e de seus arredores.
Diminuíram as batalhas entre traficantes, que mantinham desperta -e assustada- durante as madrugadas a parcela da população que vive na "área de influência" desses grupos.
Mas o tiroteio da quarta-feira na avenida Rio Branco, no centro da cidade, que resultou na morte de um PM e de um assaltante, mostra que ainda falta muito para resolver a questão da violência urbana.
Dois homens que roubavam celulares nas ruas são perseguidos por PMs. Um é detido, o outro agarra um transeunte para se proteger, atira à queima-roupa e mata o policial que ia em seu encalço.
Preso, aparentemente com ferimentos leves, é levado a um hospital num carro da Polícia Militar. Chega lá morto. O que aconteceu precisa ser investigado com rigor.
Não se pode permitir que os criminosos reprimidos pelas UPPs desloquem seu "trabalho" para as ruas da cidade -fenômeno ainda não confirmado nas estatísticas divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública, mas que assombra as conversas dos cariocas.
Seria jogar fora todos os ganhos de um trabalho sério que vem sendo feito pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.
Mas não se pode aceitar a perpetuação da antiga prática do "morreu ao dar entrada no hospital" -eufemismo usado nos casos em que o preso entra em um veículo do Estado sem ter, aparentemente, ferimentos suficientes para lhe custar a vida, e chega morto ao destino.
Como disse o cardeal Eugenio Sales, em entrevista à Folha no início do mês, às vésperas de completar 90 anos: "Bandido tem direitos humanos também. Não tem o direito de ser bandido, mas não pode ser injustiçado".
segunda-feira, novembro 15, 2010
Pesos e medidas
Pesos e medidas
CRISTINA GRILLO
RIO DE JANEIRO - Um homem procurado pela polícia sob suspeita de ter estuprado 40 mulheres apresenta-se à delegacia, é reconhecido por três de suas vítimas, confessa os crimes e é solto.
Uma mulher procurada pela polícia sob suspeita de ter mantido relações sexuais com uma aluna de 13 anos apresenta-se à polícia, confessa o crime, revela que o relacionamento já dura seis meses e é presa.
Os dois fatos aconteceram no Rio em 27 de outubro, quatro dias antes do segundo turno das eleições.
No primeiro caso aplicou-se o artigo 236 do Código Eleitoral: de cinco dias antes a dois dias depois das eleições, eleitores só podem ser presos se houver flagrante, se tiverem condenação por crime inafiançável ou por desrespeito a salvo conduto. No segundo caso, há indícios de que a aplicação da lei não foi tão rigorosamente observada.
Não se trata de defender esse ou aquele personagem. A questão é simples: a lei é para todos.
A liberação do suspeito dos estupros atendeu à legislação: não houve flagrante, pois ele se apresentou por vontade própria.
Já na detenção da professora, há dúvidas. A se acreditar no que afirma sua mãe, a prisão foi ilegal.
Em depoimento à repórter Diana Brito, a mãe contou que, ao ligar para a delegacia de madrugada para informar que a filha se apresentaria, ouviu dos policiais que não seria seguro saírem sozinhas de casa àquela hora.
Os policiais teriam então se oferecido para, em escolta, acompanharem a suspeita à delegacia. Chegando lá, foi presa em flagrante. Se tivesse ido sozinha, não haveria base legal para a prisão.
Desde então, está presa. Divide cela com nove detentas em Bangu 8, presídio de segurança máxima.
O suspeito dos 40 estupros cumpriu o que havia prometido: apresentou-se à delegacia passado o período previsto pela legislação eleitoral. Também está preso.
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