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segunda-feira, outubro 11, 2010

Prêmios Nobel e o sentido da vida

Prêmios Nobel e o sentido da vida
MARCELO GLEISER
A ciência atinge patamares mais elevados quando a invenção dos cientistas é motivada pela compaixão
ESSA FOI A semana em que cientistas com aspirações ao Nobel dormem pouco. O telefone pode tocar na calada da noite, e aquela voz com sotaque sueco pode estar do outro lado da linha, dando-lhe os parabéns. Ou, mais provavelmente, pode ser o seu filho com o pneu furado no meio da rua. Tudo bem, tem sempre o ano seguinte.
Neste ano, os prêmios foram bem diversos. Na medicina, ganhou Robert Edwards, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, pelas suas pesquisas pioneiras em fertilização in vitro.
Desde Louise Brown, que nasceu em 1978, são já mais de 4 milhões de bebês de proveta que devem suas vidas à persistência de Edwards. Seu trabalho mostrou que a fusão do óvulo com o espermatozoide é um processo que pode ser controlado.
"Nada é mais especial do que uma criança. Patrick Steptoe e eu fomos muito influenciados pelo desespero de inúmeros casais que não podiam ter filhos. Apesar das dificuldades e dos críticos, lutamos muito por esses casais", disse Edwards.
A ciência atinge seus patamares mais elevados quando a inventividade humana é motivada simplesmente pela compaixão.
Na física, o prêmio foi para Andre Geim e Konstantin Novoselov, ambos russos que trabalham na Universidade de Manchester, também do Reino Unido. Esse, aliás, foi um bom ano para os cientistas britânicos, que estão em meio a ameaças de cortes severos do orçamento destinado à atividade científica.
Eles foram os criadores de um novo tipo de material, o grafeno. Trata-se de uma lâmina extremamente fina de átomos de carbono -com um átomo de espessura- que promete revolucionar a eletrônica.
Um outro feito de Geim foi ter usado campos magnéticos e ímãs para levitar sapos. Quem disse que a física não pode ser divertida?
O grafeno é um material meio mágico: maleável, quase transparente, mas forte como aço. As lâminas de grafeno são excelentes condutoras de calor e de eletricidade, propriedades desejáveis em muitos circuitos elétricos. Em breve, o grafeno poderá integrar telas flexíveis de computador, sensíveis ao toque, e sensores para detectar poluição.
O interessante é como foi descoberto. Partindo de um bloco de grafite, o par usou fita durex para, pacientemente, arrancar essas lâminas ultrafinas de átomos de carbono. Às vezes, revoluções nascem de ideias extremamente simples.
Na química, o prêmio foi divido entre três cientistas que desenvolveram um método para criar cadeias longas e complexas de carbono.
A descoberta realiza, pelo menos em parte, o sonho de muitos químicos de criar uma engenharia molecular onde todo tipo possível de molécula pode ser sintetizada artificialmente. No caso, a invenção dos cientistas ajuda na produção de medicamentos e polímeros diversos.
Esses prêmios celebram a inventividade humana. Quando os comparamos com a recente descoberta de um planeta em torno da estrela Gliese 581, onde pode haver água, vemos a importância da Terra, sua fecundidade e estabilidade, permitindo nossa existência.
Quanto mais aprendemos sobre o Cosmo, mais relevante ficamos. Não por sermos o centro de tudo, mas por existirmos e por podermos refletir sobre quem somos.
MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "Criação Imperfeita"

quarta-feira, setembro 29, 2010

Brasileiro ganha prêmio internacional em concurso de jovens cientistas

Brasileiro ganha prêmio internacional em concurso de jovens cientistas
Jovem encontrou uma maneira de baratear a coloração de tecidos com ajuda de fungos
Do R7, com EFE
No grupo dos países latino-americanos se destacou o brasileiro Lopes, um jovem pesquisador de 20 anos, natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul
A 22ª edição de um concurso da União Europeia para jovens cientistas, que começou no dia 26 de setembro e terminou besta terça-feira (28) em Lisboa, Portugal, tem um projeto do Brasil entre os vencedores.
O brasileiro William Lopes ganhou na categoria Internacional, dedicada a projetos de países não pertencentes aos 27 Estados-membros da União Europeia. Ele desenvolveu um trabalho sobre a utilização do fungo aspergillus níger para o tratamento de tintas.
Os vencedores, que ganharam o equivalente a R$ 16.250 (7 mil euros) cada, foram o projeto tcheco sobre as nanopartículas de CO2 - aplicável na pesquisa de armazenamento dos gases do efeito estufa -, o polonês com um estudo sobre formigas e o húngaro sobre educação científica.
Máire Geoghegan, comissária europeia para investigação, inovação e ciência, elogiou os participantes.
- Jovens como esses contribuem para moldar o futuro e acho que estamos em boas mãos.
O museu da eletricidade da capital portuguesa recebeu 85 projetos de 124 jovens, entre 14 e 21 anos, provenientes de 37 países, 27 da União Europeia e dez convidados, entre eles Brasil, Estados Unidos, Canadá, Israel e China.
No grupo dos países latino-americanos se destacou o brasileiro Lopes, um jovem pesquisador de 20 anos, natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Seu projeto premiado tem como objetivo baratear o processo de coloração de tecidos como o couro e foi bem recebido pelo público. Ele diz que sua ideia é sustentável.
- É uma iniciativa amiga do meio ambiente e mais barata. Já tem várias empresas interessadas.
O estudante fez outro estudo que mostra a capacidade do mesmo fungo de absorver pigmentos de corantes descartados em rios pela indústria de couro.
O concurso Jovens Cientistas da União Europeia começou em 1989 e visa promover a cooperação internacional e estimular novos talentos.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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