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segunda-feira, março 21, 2011

Nossa pequena Harvard

Nossa pequena Harvard
Caio Barreto Briso - Revista VEJA RIO
Escondido em meio à Floresta da Tijuca e pouco conhecido até mesmo dos cariocas, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada rivaliza em excelência com as melhores universidades americanas.
Welington de Melo, Jacob Palis e Artur Ávila, na Biblioteca do Impa (foto do prédio principal abaixo): três gerações de talentos
Passada a primeira curva da Estrada Dona Castorina, que leva ao mirante da Vista Chinesa, no bairro do Horto, sobressai a entrada de uma propriedade cercada pelas árvores da Floresta da Tijuca. Ali, em um terreno de 15 000 metros quadrados, um vasto prédio se esparrama por três alas. Pelos corredores, o silêncio monástico é cortado de tempos em tempos por diálogos em português, inglês, francês e espanhol. Não raro, incorporam-se a essa babel de idiomas expressões em russo e mesmo persa, uma das línguas mais antigas do planeta. É nesse ambiente, mistura de bucolismo e aldeia global, que 226 matemáticos desenvolvem estudos complexos e projetos de repercussão internacional. Embora não seja muito conhecido entre os próprios cariocas, o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) é unanimemente apontado entre os especialistas como um dos principais centros de pesquisa do mundo. Ancorado em sólida produção científica, exibe uma performance surpreendente, ultrapassando índices de departamentos de universidades americanas como Harvard, Princeton e Berkeley. Segundo dados da American Mathematical Society, a instituição brasileira publica, em média, 2,03 artigos relevantes por pesquisador ao ano, enquanto Harvard alcança 1,89 e Princeton, 1,83 (veja o acima). “Sempre buscamos a excelência, e essa performance é apenas o resultado desse compromisso”, orgulha-se o diretor César Camacho.
Sabe-se que um núcleo de ensino superior se torna respeitado à medida que consegue atrair talentos dos quatro cantos do globo. Entre os centros americanos, considerados os primeiros do mundo, a presença de acadêmicos estrangeiros chega a 30%. No período áureo do sistema universitário alemão, na década de 20 e início dos anos 30, quando a importação de cérebros era incentivada, o país produziu 21 prêmios Nobel. Portanto, faz parte da vocação de uma ilha de excelência reunir grandes cabeças, independentemente de onde elas estejam. Um recente processo para a escolha de dez vagas nos programas de pesquisa e pós-doutorado dá uma ideia da reputação internacional do Impa. Anunciado o “vestibular”, apareceram 185 candidatos. Da Europa, vieram 66. Da Ásia e América do Norte, 43 e 26, respectivamente. Os latino-americanos perfaziam 28, enquanto os brasileiros eram 23. Encerrada a seleção, apenas duas posições foram ocupadas por estudantes daqui, um cearense e uma gaúcha. Outras sete foram divididas por representantes de nações diferentes (Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália, Portugal, Israel e Rússia). E detalhe: uma última vaga permaneceu em aberto por falta de postulante suficientemente qualificado. “Não temos cota. Simplesmente escolhemos os melhores”, diz Camacho. Uma vez selecionados, os pós-doutorandos ganham 7 500 reais mensais, enquanto os pesquisadores têm salários entre 12 000 e 15 000 reais.
Não é fácil reproduzir em palavras todo tipo de trabalho desenvolvido no câmpus do Horto — para isso, seria melhor fazer uso de equações e algoritmos. Alguns projetos, porém, são de fácil entendimento. Existem aplicativos para iPhone, simuladores de realidade virtual e até um recorde mundial alcançado em 2010: uma imagem com a maior resolução gráfica do planeta (veja o quadro aqui). Tamanha produtividade, pouco comum entre nós, pode ser explicada por diversas razões. Mas a principal delas é a capacidade dos que ali estão. O Impa tem formado sucessivas gerações de gente que faz diferença. O mais reconhecido é Jacob Palis, 71 anos, tido como gênio mundial dos sistemas dinâmicos. No ano passado, Palis, doutor por Berkeley, nos Estados Unidos, foi agraciado com o Prêmio Balzan, uma das principais distinções europeias. Além de ser o primeiro brasileiro a receber a honraria — e o 1,2 milhão de reais que a acompanha — , Palis tornou-se o sétimo matemático a entrar para o grupo de agraciados. Empenhado em transmitir seus conhecimentos, ele se emociona ao relembrar que orientou 41 teses de doutorado ao longo da carreira. Desde então, esses mesmos doutores já formaram outros 150 matemáticos do instituto. “Essa é a essência do conhecimento, em que os mais experientes formam os mais jovens, sucessivamente”, resume.
Os pesquisadores Diego Nehab e Carolina Araújo, ambos de 34 anos: volta ao Brasil depois de cursarem doutorado em Princeton, uma das universidades mais importantes do mundo
Tal filosofia, fortemente baseada na meritocracia, deu origem a uma linhagem de superpesquisadores como Marcelo Viana, Ricardo Mañé e Welington de Melo, reconhecidos no Brasil e no exterior pela notória desenvoltura com números. E desaguou em prodígios como Artur Ávila, de 31 anos. Ele é considerado o mais forte candidato a ganhar a medalha Fields, uma espécie de Prêmio Nobel de Matemática, entregue a cada quatro anos. Seria o primeiro brasileiro a conquistá-la. Há uma década, antes mesmo de ter um diploma de graduação, ele havia concluído seu doutorado no Impa. Famoso no exterior pela capacidade de resolver os problemas mais complexos, ele se divide hoje entre Paris, onde é um dos diretores do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), e o Rio de Janeiro. “A maioria das pessoas só conhece o tema nos tempos de escola e ignora o vasto horizonte nessa área”, diz. Ávila, de fato, respira o assunto. Não raro, acorda no meio da noite com ideias e novos caminhos para suas teses. Durante o banho, nas caminhadas e até no metrô, as equações lhe vêm à cabeça. Costuma dizer que prefere não dirigir porque, devido a sua capacidade de abstração, poderia perder a concentração e bater o carro.
Sala de estudos do câmpus, no Horto: atmosfera ao mesmo tempo informal e cosmopolita
Por qualquer ângulo que se olhe, a educação brasileira está longe do ideal. Em seu ranking mais recente sobre o ensino fundamental, a Unesco atribuiu ao país a 88ª posição entre as 127 nações analisadas — atrás de Bolívia e Namíbia. Outra lista, sobre as 200 melhores universidades do mundo, feita pela revista inglesa Times Higher Education, não incluiu nenhuma das nossas. Ou seja: estamos mal em cima e em baixo. Por não ter cursos de graduação e se dedicar unicamente à matemática, o Impa não é avaliado nesse tipo de levantamento. Mas sua trajetória poderia servir de exemplo e inspiração. Criado pelo governo federal em 1952, o instituto surgiu antes de outros correlatos — como o de Pesquisas Espaciais em São José dos Campos (SP) e o da Amazônia, em Manaus. Com o tempo, graças à adoção de um sistema de gestão diferenciado, foi se descolando de seus pares. Trata-se de uma organização que recebe repasses públicos, mas tem independência administrativa. Com isso, as contratações e os investimentos são mais ágeis. Se a direção julgar procedente, os acadêmicos poderão ser punidos com a demissão. “Isso faz uma enorme diferença, pois dá autonomia. Pesquisa não se faz no improviso”, afirma o economista Claudio de Moura Castro, especialista e consultor na área.
Costurados com carinho, os laços com a iniciativa privada têm se mostrado outro importante diferencial. A cada ano, o instituto recebe 18 milhões de reais em repasses do Ministério da Ciência e Tecnologia. Mas, além de administrar tais recursos com rigor, busca também financiadores externos, seja através de parcerias, seja por meio de simples filantropia. Desde 2007, por exemplo, o economista e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga doou 1,6 milhão de dólares para seus cofres. O dinheiro foi destinado à criação de um posto permanente de pesquisador. Em seguida, foi a vez de o banqueiro Pedro Moreira Salles e seu irmão, o cineasta João Moreira Salles, destinarem 660 000 reais para a manutenção de duas vagas de doutorado e mais duas de pós-doutorado. O último a entrar na lista foi o célebre matemático americano James Simons, dono de uma fortuna de 10,6 bilhões de dólares e o 74º homem mais rico do mundo. No início do ano, ele se comprometeu a aplicar 1,6 milhão de dólares. “A matemática é fundamental para a boa educação, e o Impa é um centro de padrão máximo global, talvez a instituição brasileira de maior prestígio internacional”, explica Fraga. “De lá saem pessoas que espalham pelo Brasil ideias e padrões essenciais, vitoriosos.”
O inglês Morris, o iraniano Movasati e o argentino Heloani: salários compatíveis com os dos melhores centros e excelentes condições de pesquisa atraem matemáticos de vários países
    Nas grandes universidades do mundo, os pesquisadores de ponta gozam de uma invejável independência, seja para dispor de seu tempo, seja para escolher os rumos de seu trabalho. O mesmo acontece com os matemáticos da ilha de excelência carioca. O fato de não terem de dar aulas para graduação lhes permite uma maior dedicação a seus próprios projetos. É curioso observar que, frequentemente, um estudante de determinada área não entende absolutamente nada das outras. “Eu sou da computação gráfica e as outras especialidades são praticamente outra língua para mim”, confessa Diego Nehab. Aos 34 anos, ele é representante da nova geração de estudiosos do instituto. Doutorou-se em Princeton e passou pelo centro de inovação da Microsoft, na costa oeste americana. Com tantas credenciais, Nehab poderia ter continuado nos Estados Unidos, mas, quando soube da vaga, decidiu que era a hora de voltar. “Aqui tudo funciona. Os equipamentos são ótimos”, diz ele. Trajetória semelhante teve Carolina Araújo, de 34 anos. Como Nehab, ela fez doutorado em Princeton. Lá, sua sala ficava no mesmo andar do escritório de John Forbes Nash, ganhador do Nobel de Economia em 1994 — e inspirador do filme Uma Mente Brilhante. “Ele ia diariamente à universidade. Sempre nos cumprimentávamos”, recorda. A perspectiva de desenvolver projetos na área de geometria algébrica a animou a trocar os Estados Unidos pelo Rio. Com isso, tornou-se também a única mulher a ocupar um posto na elite do Impa.
Presenças marcantes no belo campus do Horto, os estrangeiros parecem se sentir em casa. Adepto de um uniforme pouco usual entre as estrelas acadêmicas de seu país, o argentino Reimundo Heloani, de 33 anos, percorre os amplos corredores do instituto de camiseta, bermuda e chinelo de dedo, aliás, um visual comum por ali, principalmente entre os expatriados. Com especialização no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e em Berkeley, escolheu o Brasil para fazer suas pesquisas em uma área aqui ainda pouco explorada, a física matemática. O inglês Robert Morris, de 30 anos, segue o mesmo estilo. Graduado na Universidade de Cambridge, o maior celeiro de prêmios Nobel do planeta (82 no total), ele se diz apaixonado pelo Rio: “O salário é ótimo, muito parecido com o que se paga na Europa. Além disso, os colegas são mais abertos para a troca de conhecimento”. Com sua mistura de rigor acadêmico e informalidade, o Impa atrai até representantes de culturas longínquas, como o iraniano Hossein Movasati. Há quatro anos na cidade, após uma experiência na Alemanha e no Japão, ele foi o primeiro de seu país a estudar na nossa pequena Harvard. Agora, espera que conterrâneos sigam seus passos. “Outros virão”, avisa Movasati. As portas estão abertas. Mas apenas para os melhores.

sexta-feira, outubro 22, 2010

A Copa que o rei sonhava

A Copa que o rei sonhava
João Máximo – O Globo
No primeiro Mundial que disputou do início ao fim, a participação decisiva na conquista do tri e a eleição como Arquivo/21-6-1970 como craque dos craques
Quarta-feira, 18 de março de 1970. Mais do que nunca Pelé sabe que a próxima Copa do Mundo, provavelmente a sua última, será também a mais importante. Mais até do que a de 1958, quando, menino, ajudou o Brasil a ganhar seu primeiro título mundial, consagrando-se ele próprio como a maior revelação do futebol do Mundo nas últimas décadas. Mais importante para ele, Pelé, que leva nos ombros o peso de não ter conseguido terminar as duas Copas anteriores, a de 1962, no Chile, por uma distensão muscular, e a de 1966, na Inglaterra, por entradas desleais do português Morais. Desse modo, o que pensará ele do que os jornais vêm noticiando nos últimos dias? O que pensará das manchetes de hoje, como esta, do GLOBO: “Não preocupa o olho de Tostão e sim o de Pelé”? São tempos complicados para o futebol brasileiro, estes meses que antecedem o embarque da seleção para o México. Tempos complicados também para Pelé, que está longe de atravessar sua melhor forma, física ou técnica. Há três dias, num jogo treino com o Bangu, em Moça Bonita, foi uma cópia piorada do melhor Pelé, o Pelé do Santos e de outras seleções brasileiras.
Sua atuação mereceu de anônimo cronista do mesmo GLOBO o seguinte comentário: “Pelé, apesar do esforço que demonstra, anda mesmo mal (...) e vez por outra consegue desfazer a impressão com uma jogada certa, mas, em linhas gerais, não consegue convencer.” Quando, em outros tempos, alguém ousaria dizer isso do maior jogador do mundo, hoje na plenitude de seus 29 anos? Há três dias, o técnico da seleção ainda era João Saldanha, que se baseou no jogo treino em Moça Bonita (1 a 1, o gol da seleção feito por um beque do Bangu, contra) para barrar Pelé no amistoso contra o Chile, na quinta-feira da próxima semana: “O crioulo está mal, precisa descansar”, justificou Saldanha.
De fato, os jogos pelo Santos e pela seleção, ao longo da desgastante temporada do ano passado, afetaram Pelé, cuja presença, nos amistosos do Santos no exterior, continua sendo exigência contratual dos promotores. Sem Pelé, o Santos e a própria seleção valem menos. Por isso, a barração surpreendente será citada como uma dos fatores que apressaram a queda de Saldanha, demitindo pelo presidente da CBD, João Havelange.
Saldanha caiu ontem, terça-feira, e os jornais de hoje já fazem referência à sua preocupação com a vista de Pelé. Maior do que a com a vista de Tostão? Saldanha diz que sim. Segundo ele, Pelé tem uma deficiência visual que teria escapado aos médicos da seleção. Para estes, apenas uma miopia leve, mais acentuada no olho direito, nada que o impeça de jogar normalmente.
No máximo, teria de usar óculos para ler. Definitivamente, não são boas as notícias que os jornais levam a Pelé nestes idos de março.
São mesmo tempos complicados o que o futebol brasileiro vive a três meses da Copa. Complicados, incertos, difíceis de entender. O olho esquerdo de Tostão é mesmo um problema, o descolamento de retina sofrido em fins do ano passado levandoo à cirurgias e outras idas a Houston, Texas, para se tratar com médico brasileiro. Não há garantia de que ele, artilheiro das eliminatórias do ano passado, possa ir ao México. E agora essa, Saldanha pondo em xeque a visão de Pelé.
Saldanha perdeu o comando da seleção da mesma forma com que vinha perdendo a serenidade que o levara a transformar um grupo desacreditado em “feras” para o tri. Nesta mesma quarta-feira, o presidente do Flamengo, André Richer, entra na Justiça com uma ação contra Saldanha, por ter este invadido, de revólver, a concentração de São Conrado atrás do treinador Yustrich. Um episódio que sucedeu à crise na comissão técnica, a maioria fazendo pressão para que Saldanha convocasse Dario, o favorito do general Medici, numa forma de agradar “o torcedor número um do Brasil”. Saldanha reagiu a seu modo: “O presidente escala o ministério dele e eu escalo o meu time.” Pelé e seus companheiros de equipe sabem de tudo isso pela imprensa. E é ainda com uma interrogação que recebem o novo técnico, Zagallo, que nada tem a ver com os rumos até políticos que as coisas tomam. Por exemplo, hoje mesmo Havelange vai a Brasília prestar contas ao ministro Jarbas Passarinho, já prometendo relatório com cópia para os generais do SNI e das Casas Civil e Militar, explicando a quantas anda o futebol brasileiro.
Mas a Copa do Mundo de 1970 é tão importante para Pelé que ele enfrenta tudo isso com calma de fazer inveja: — Nem que seja com lente de contato, vou jogar esta Copa.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Brasileiro ganha prêmio internacional em concurso de jovens cientistas

Brasileiro ganha prêmio internacional em concurso de jovens cientistas
Jovem encontrou uma maneira de baratear a coloração de tecidos com ajuda de fungos
Do R7, com EFE
No grupo dos países latino-americanos se destacou o brasileiro Lopes, um jovem pesquisador de 20 anos, natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul
A 22ª edição de um concurso da União Europeia para jovens cientistas, que começou no dia 26 de setembro e terminou besta terça-feira (28) em Lisboa, Portugal, tem um projeto do Brasil entre os vencedores.
O brasileiro William Lopes ganhou na categoria Internacional, dedicada a projetos de países não pertencentes aos 27 Estados-membros da União Europeia. Ele desenvolveu um trabalho sobre a utilização do fungo aspergillus níger para o tratamento de tintas.
Os vencedores, que ganharam o equivalente a R$ 16.250 (7 mil euros) cada, foram o projeto tcheco sobre as nanopartículas de CO2 - aplicável na pesquisa de armazenamento dos gases do efeito estufa -, o polonês com um estudo sobre formigas e o húngaro sobre educação científica.
Máire Geoghegan, comissária europeia para investigação, inovação e ciência, elogiou os participantes.
- Jovens como esses contribuem para moldar o futuro e acho que estamos em boas mãos.
O museu da eletricidade da capital portuguesa recebeu 85 projetos de 124 jovens, entre 14 e 21 anos, provenientes de 37 países, 27 da União Europeia e dez convidados, entre eles Brasil, Estados Unidos, Canadá, Israel e China.
No grupo dos países latino-americanos se destacou o brasileiro Lopes, um jovem pesquisador de 20 anos, natural de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Seu projeto premiado tem como objetivo baratear o processo de coloração de tecidos como o couro e foi bem recebido pelo público. Ele diz que sua ideia é sustentável.
- É uma iniciativa amiga do meio ambiente e mais barata. Já tem várias empresas interessadas.
O estudante fez outro estudo que mostra a capacidade do mesmo fungo de absorver pigmentos de corantes descartados em rios pela indústria de couro.
O concurso Jovens Cientistas da União Europeia começou em 1989 e visa promover a cooperação internacional e estimular novos talentos.

segunda-feira, setembro 06, 2010

Matemático brasileiro ganha prêmio científico na Itália

Matemático brasileiro ganha prêmio científico na Itália

Os Prêmios Balzan têm o objetivo de reconhecer e estimular áreas emergentes da pesquisa
06 de setembro de 2010 | 13h 20 – Estadão - Associated Press - AP

Um matemático brasileiro e um biólogo japonês são os agraciados com os Prêmios Balzan para ciências exatas, anunciados na Itália nesta segunda-feira, 6. O brasileiro Jacob Palis, do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) receberá um prêmio de 750.000 francos suíços, ou cerca de R$ 1,3 milhão, por seu trabalho na teoria dos sistemas dinâmicos. Palis é professor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), Rio de Janeiro, e foi agraciado com 750 mil francos suíços, ou cerca de R$ 1,3 milhão, por sua contribuição à teoria de sistemas dinâmicos.
O japonês  Shinya Yamanaka está sendo reconhecido por seu trabalho para dotar células adultas de algumas das características das células-tronco embrionárias.
Os Prêmios Balzan têm o objetivo de reconhecer e estimular áreas emergentes da pesquisa científica.
Além dos dois prêmios de ciências exatas, também são concedidos duas premiações para as humanidades. Neste ano, os agraciados são o historiador italiano Carlo Ginzburg, pai da "micro-história", o estudo do passado com foco nas pessoas comuns e no cotidiano, e ao alemão Manfred Bauneck, por sua história do teatro na Europa.
Os Prêmios Balzan serão entregues numa cerimônia realizada em Roma, no dia 19 de novembro. A Fundação Balzan, que concede as honrarias, é baseada em Milão e Zurique. Foi criada pela família do jornalista italiano Eugenio Balzan, que fugiu da Itália para Suíça na década de 30 para escapar do cerco fascista à mídia.
A cada ano, o prêmio é concedido a diferentes áreas. Os do próximo ano terão como tema história antiga, estudos do Iluminismo, biologia teórica e os primórdios do Universo.

sexta-feira, agosto 13, 2010

Colégio Militar do Rio exporta estudantes para os EUA

Colégio Militar do Rio exporta estudantes para os EUA
Desde o ano passado, três alunos obtiveram bolsa em conceituadas universidades

Colegas de turma Paulo e Estella partem para os EUA com planos de voltar ao Brasil para serem professores | Foto: Eduardo Naddar / Agência O Dia

Rio - O Colégio Militar do Rio está se tornando um dos maiores ‘exportadores’ de alunos brasileiros para concorridas universidades americanas. Este ano, após passar por duro processo seletivo, dois estudantes da unidade conseguiram bolsas de ensino para os Estados Unidos. No ano passado, outra aluna deixou a boina que marcou sua vida escolar e fez as malas rumo a Harvard. Os resultados chamaram a atenção da direção dessa universidade, cujo representante, Jim Pautz, visita hoje o Colégio Militar.
Este ano, dos únicos três estudantes brasileiros que vão para a Universidade Yale, em Connecticut — por onde já passaram três ex-presidentes americanos —, o aluno do Colégio Militar Paulo Ricardo Souza Costa, 19 anos, é o único de escola pública. “Sem o Colégio Militar, não teria conseguido chegar até aqui”, orgulha-se. O jovem é participante do programa Oportunidades Acadêmicas, que incentiva jovens talentos a se inscrever em universidades americanas e paga os custos da seleção, cerca de R$ 5,5 mil. O programa é da Education USA, órgão oficial do governo dos Estados Unidos que promove o ensino superior americano pelo mundo.
Em cinco anos, 25 estudantes, entre eles quatro cariocas, já passaram por ele. No Rio, além de Paulo, foram dois alunos do Pedro II e a aluna do Colégio Militar que está em Harvard. Interessados devem entrar em contato com  educationusa@fulbright.org.br ou no site www.educationusa.org.br.
“A maioria dos estudantes que vão para os EUA sempre foi de escolas internacionais. É importante o Brasil se ver representado em escolas de ponta e, entre nossos futuros líderes, estarem pessoas de todas as classes, que chegaram lá não por condição social, mas por méritos”, afirma Ann Adrezza Martins, coordenadora nacional do Education USA.

O Colégio Militar abre inscrições de novos alunos em concurso de 23 de agosto a 24 de setembro, em http://www.cmrj.ensino.eb.br/. As provas têm duas etapas eliminatórias: provas de Matemática e de Português e Redação.
Sonho de melhorar o Brasil
Colega de Paulo no Colégio Militar, Estella Barbosa de Souza, 18 anos, também está de malas prontas. Ela ingressará na universidade Bryn Mawr, na Pensilvânia. Como ele, que sonha ser professor de Química, ela também quer dar aulas, mas de Astronomia. Embora já saibam o que querem, nos Estados Unidos os alunos fazem dois anos de faculdade antes de decidir a carreira.
Grato pelo ensino que recebeu, Paulo deixa para trás o apito de funcionários da rígida escola militar e faz as malas para sua viagem aos EUA no próximo dia 21. Estella parte um dia antes para o seu sonho americano.
Na bagagem, os dois ex-colegas de turma levam roupas, bandeiras e camisas do Brasil, cartas de amigos e um plano em comum: “Queremos ajudar a transformar a educação no Brasil”, resume Estella.

quarta-feira, agosto 11, 2010

Brasileiros conseguem cinco medalhas de bronze em olimpíada de física

Brasileiros conseguem cinco medalhas de bronze em olimpíada de física

UOL - Da Redação - Em São Paulo
A equipe brasileira que participou da 41ª Olimpíada Internacional de Física (International Physics Olympiad - IPhO), realizada entre 17 e 25 de julho em Zagreb, na Croácia, voltou para casa com cinco medalhas de bronze. É a primeira vez que toda a equipe brasileira, formada por cinco estudantes do ensino médio, recebe medalhas.
A competição acontece anualmente e o Brasil participa desde 2000, por iniciativa da Sociedade Brasileira de Física. No ano passado, o país ganhou quatro medalhas: duas de prata e duas de bronze. O Brasil é o país da América Latina com maior número de medalhas conquistadas na IPhO.
A equipe foi formada pelos estudantes Rodrigo Alencar (CE), Filipe Rodrigues de Almeida Lira (PE), Cássio dos Santos Sousa, Gustavo Haddad Braga e Rodrigo Silva, os três últimos do Estado de São Paulo. Todos são alunos de colégios particulares, quatro estão no terceiro colegial e um no segundo – Gustavo, o primeiro estudante brasileiro do segundo ano a participar da olimpíada.
Os brasileiros concorreram com 380 estudantes de 80 países. De acordo com o regulamento da competição, as medalhas são atribuídas proporcionalmente: 8% dos participantes recebem a de ouro, até 25% de ouro ou prata e até 50% de ouro, prata ou bronze. As provas aconteceram em dois dias da programação, uma com três problemas teóricos e outra com dois práticos, cada um valendo dez pontos (50 no total). Gustavo, o mais bem-colocado entre os brasileiros, fez 27,5 pontos e ficou na 150ª posição.
Rotina de provas
O professor Euclydes Marega Júnior, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, foi responsável por coordenar a equipe. Ele conta que os alunos começam a preparação para a competição cerca de dois anos antes, com uma série de provas a partir da primeira etapa da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), que na última edição foi feita por cerca de 250 mil alunos da nona série e primeiro ano do ensino médio, de 4,8 mil escolas de todo o Brasil. Os alunos que foram para Zagreb fizeram essa etapa em 2008.
De acordo com Marega, essa primeira fase já exclui praticamente 80% dos alunos, pois a maioria não atinge a nota mínima para passar para a segunda. Á terceira fase, chegam entre 1000 e 1500 alunos, dos quais são selecionados 60.
Os 60 selecionados passam por uma outra prova em que sobrevivem apenas 12. Esses fazem uma prova que é aplicada no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Só então são definidos os cinco que vão para a IPhO. Os sete restantes fazem outra prova que seleciona quatro para a Olimpíada Ibero-Americana de Física (OIbF).
O projeto recebe apoio do governo federal através d O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) .
Gênero
Marega conta que, nesse ano, dos 12 que fizeram a última prova, apenas duas eram meninas. “É uma coisa meio histórica, nas carreiras de exataS sempre temos mais homens, em física, matemática. Internacionalmente também é assim, de vez em quando aparece uma garota por equipe, chuto que seja (ou seja M?) uns 10% do total (de participantes das olimpíadas).”

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