sexta-feira, julho 16, 2010

Juros ao consumidor sobem pela terceira vez seguida em junho, mostra Anefac

Juros ao consumidor sobem pela terceira vez seguida em junho, mostra Anefac

SÃO PAULO – A taxa média de juros cobrada nos financiamentos à pessoa física subiu novamente em junho. No sexto mês do ano, os juros médios ficaram em 6,9% ao mês, registrando a maior taxa desde fevereiro de 2010 (6,92%). Em maio, a taxa era de 6,86% -uma diferença de 0,04 ponto percentual.
De acordo com dados divulgados pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) nesta quinta-feira (15), esse aumento pode ser atribuído à elevação da taxa básica de juros (Selic) do mês de junho, que ficou em 10,25% ao ano.
A tabela abaixo inclui a taxa média mensal cobrada nas seis modalidades de financiamento para as pessoas físicas acompanhadas pela Anefac, para maio e junho deste ano, assim como a taxa de junho do ano passado, além da variação em pontos percentuais. Os valores são médios e variam de banco para banco, podendo ser maiores ou menores, conforme a relação do cliente com a instituição: 

Tipo de Financiamento
Jun/09(%)
Mai/10(%)
Jun/10(%)
Var.Mês*
Var 12 meses**
Crediário
6,06
5,83
5,88
0,05
-0,18
Cheque Especial
7,54
7,43
7,5
0,07
-0,04
Cartão
10,68
10,69
10,69
0
0,01
CDC Banco
2,78
2,45
2,48
0,03
-0,30
Empréstimo Pessoal
5,3
4,85
4,87
0,02
-0,43
Financeira
11,17
9,93
9,98
0,05
-1,24
Taxa Média
7,26
6,86
6,9
0,04
-0,36
 *Variação em pontos percentuais de junho sobre maio; **Variação em pontos percentuais de junho de 2010 sobre junho de 2009 
Com relação à taxa média registrada no mesmo período de 2009, houve recuo de 0,36 ponto percentual, uma vez que, em junho daquele ano, a taxa média era de 7,26% ao mês.

Selic e juros ao consumidor

De acordo com a Anefac, entre dezembro de 2008 e junho deste ano, a Selic sofreu uma redução de 3,5 pontos percentuais, passando de 13,75% para 10,25% ao ano, no período.
Ao mesmo tempo, a taxa de juros média para pessoa física registrou queda de 15,2 pontos percentuais, passando de 137,91% ao ano para 122,71% ao ano no mesmo período.

Por modalidade
Entre o quinto e o sexto meses de 2010, apenas os juros do cartão de crédito ficaram estáveis. Todas as outras linhas de crédito acompanhadas pela Anefac apresentaram aumento nos juros.
Na comparação com junho do ano passado, com exceção do cartão de crédito, que registrou alta de 0,01 ponto percentual, todas as outras modalidades registraram queda.

Newton Silva, para O Jangadeiro Online

Colômbia diz que chefes de guerrilhas estão na Venezuela

Colômbia diz que chefes de guerrilhas estão na Venezuela

O Governo da Colômbia assegurou hoje que tem provas de que importantes chefes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN) estão escondidos na Venezuela e que o Ministério da Defesa as apresentará nas próximas horas.
Entre os chefes das Farc que estariam na Venezuela estão ''Ivan Márquez'' e o chamado ''chanceler'' da guerrilha, Rodrigo Granda, segundo um comunicado lido pelo secretário de imprensa da Casa de Nariño (sede do Governo colombiano), César Mauricio Velásquez.
"O Governo Nacional tem evidências que credenciam a presença na República Bolivariana da Venezuela de algumas lideranças do grupo terrorista das Farc", diz o breve comunicado oficial, que em seguida cita ''Márquez'', Granda, Timoleón Jiménez, conhecido como ''Timochenko'', e Germán Briceño, conhecido como ''Grannobles'' e irmão do chefe militar das Farc, ''Mono Jojoy''.
Além disso, o Governo colombiano garante que Carlos Marín Guarín, conhecido como ''Pablito'', um dos líderes do ELN, também está na Venezuela.
"Nas próximas horas, o senhor ministro da Defesa (Gabriel Silva) apresentará a documentação respectiva", conclui o comunicado.
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse há uma semana que ''Ivan Márquez'', apelido de Luciano Marín Arango, um dos principais chefes das Farc, estava escondido no exterior.
"(''Márquez'') está escondido e nós sabemos onde está", afirmou Uribe.
Granda foi libertado em junho de 2007 por decisão de Uribe, que cedeu a um pedido do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para que o rebelde ajudasse a conseguir a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt, então refém das Farc.
Após sua libertação, Granda viajou para Cuba, cujo Governo o acolheu, e depois se deslocou, aparentemente, para a Venezuela, onde tinha sido detido em dezembro de 2004 em uma operação secreta colombiana que gerou protestos do presidente desse país, Hugo Chávez.
As relações entre Colômbia e Venezuela estão congeladas há um ano por decisão de Chávez, que respondeu assim acusações, em sua opinião "irresponsáveis", feitas na Colômbia sobre um suposto desvio de armas da Venezuela para as Farc.
A tensão aumentou em outubro de 2009, com a assinatura do acordo militar pelo qual forças americanas podem utilizar sete bases colombianas para combater o narcotráfico e o terrorismo.

Marina fala de preconceito religioso - Sabatina R7

Erasmo, para o Jornal de Piracicaba

Rondônia e Goiás têm maior crescimento do emprego formal

Rondônia e Goiás têm maior crescimento do emprego formal
Por números absolutos, SP lidera, seguido por MG, RS e PR, diz governo.
Por regiões, emprego cresce mais no Centro-Oeste, com aumento de 5,6%.
Alexandro Martello Do G1, em Brasília

Os estados de Rondônia e de Goiás foram aqueles que apresentaram maior crescimento percentual dos empregos com carteira assinada no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Ministério do Trabalho. Ao todo, foram geradas 1,47 milhão de vagas em todo país nos seis primeiros meses deste ano.
Os números mostram que o estado de Rondônia foi o que mais apresentou elevação, com aumento de 8,31% sobre os seis primeiros meses de 2009. No acumulado deste ano, foram abertas 16,7 mil vagas em Rondônia. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, isso se deve às obras de duas usinas hidrelétricas (Santo Antônio e Jirau), ambas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
No caso de Goiás, o crescimento na geração de empregos foi de 7,63% nos seis primeiros meses de 2010, para 70,1 mil postos formais. Lupi explicou que, neste caso, a expansão está ligada à agricultura e agropecuária. Outros estados que apresentaram taxas de crescimento do emprego elevadas são Minas Gerais (+6,6%), Piauí (+6,1%), Tocantins (+5,6%), Maranhão (+5,4%), São Paulo (+5%) e Rio Grande do Sul (+4,7%), entre outros.
Maior número de vagas abertas
O Ministério do Trabalho informou ainda que, se for levado em conta somente o número de vagas abertas, e não o crescimento registrado no primeiro semestre, os destaques foram: São Paulo (+545 mil vagas), Minas Gerais (+232 mil vagas), Rio Grande do Sul (+104 mil postos formais), Paraná (+100 mil postos), Rio de Janeiro (+88,5 mil empregos com carteira), Goiás (+70,1 mil vagas) e Santa Catarina (+66,2 mil empregos).

Regiões
Por regiões, o destaque ficou por conta do Centro-Oeste, que registrou o maior crescimento no número de vagas abertas (+5,6%). Em segundo lugar no ranking de elevação dos empregos criados no primeiro semestre, aparece a região Sudeste (+4,9%), seguida pela região Sul (+4,5%), pelo Norte (+4,17%) e pela região Nordeste (+2,2%).
Em números absolutos, a região que mais gerou empregos nos seis primeiros meses deste ano foi a Sudeste, com a abertura de 894 mil vagas. Em segundo lugar, ficou a região Sul, com a geração de 271 mil empregos formais, seguida pelo Centro-Oeste (+136 mil empregos formais), pelo Nordeste (+113 mil vagas abertas) e pelo Norte (+58 mil postos de trabalho).

Muito, mas muito estranho. Reflexão séria!

Julho 13, 2010, 03:44:23
Osvaldo Maneschy – Jornalista
Rio de Janeiro, 8 de junho de 2001
Este é o artigo citado pelo Ex-presidente e Senador José Sarney em seu discurso no Senado em 20/03/2002 quando denunciou a interferência da ABIN no processo eleitoral e sugeriu a fiscalização das eleições por observadores internacionais.
Em matéria de processo eleitoral informatizado não há país no mundo que tenha ousado tanto quanto o Brasil. É por isso que os brasileiros, ao contrário dos norte-americanos, japoneses ou europeus, podem saber no mesmo dia o nome do presidente eleito apesar do eleitorado do país ser de 107 milhões de pessoas e estar espalhado pelos seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Todos se lembram dos dias de incerteza que os Estados Unidos atravessaram no final do ano passado para saber quem vencera - Bush ou Al Gore - enquanto a Flórida recontava votos. Isto jamais aconteceria aqui, garantem os defensores da urna eletrônica brasileira, devido a velocidade da proclamação dos resultados. Seria o caso de os Estados Unidos e o mundo finalmente se curvarem diante do Brasil?
A resposta clara é não. O que o Brasil ganhou em velocidade perdeu, e muito, em confiabilidade dos resultados - comparando-se o voto eletrônico com as antigas cédulas de papel contadas uma a uma. Hoje o voto dos brasileiros foi reduzido a um registro eletrônico na memória de um microcomputador sem que seja possível recontá-los ou realizar qualquer tipo de auditoria. O voto do brasileiro tornou-se virtual, não existe mais materialmente, e eleição inauditável é sinônimo de eleição inconfiável.
Só não vê isto quem não quer e o problema é que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - que informatizou a eleição brasileira do jeito que ela é hoje - não admite críticas ao sistema que garante, de pés juntos, ser 100% seguro. No que depender do TSE, ano que vem o próximo presidente da República será eleito pelas urnas eletrônicas exatamente do jeito que elas são desde 1996, quando foram usadas pela primeira vez. A lei em vigor ajuda o TSE porque qualquer alteração no processo eleitoral precisa ser feita com um ano de antecedência - no caso das urnas eletrônicas, modificações só são permitidas até outubro deste ano. A situação se agrava pelo fato de o TSE não permitir que os partidos políticos tenham acesso aos softwares que rodam na urna eletrônica ou são usados na totalização, em parte preparados pela Agência Brasileira de Informações (ABIN) através de um órgão chamado Cepesc - especializado em criptografia - que ajuda o TSE desde os tempos do falecido SNI.
Embora o TSE gaste milhões para convencer a opinião pública brasileira de que as eleições são 100% seguras, especialistas em informática garantem exatamente o contrário. Argumentando que ao contrário do que recomenda a boa técnica, o TSE optou por um sistema fechado que tem na falta de transparência sua segurança, quando deveria ser adotado sistema aberto que facilitasse a fiscalização externa. Sistemas fechados, como o painel eletrônico do Senado Federal, são alvos fáceis de fraudes conduzidas por agentes internos - pessoas que dominam o sistema e o usam por algum motivo em proveito próprio. Exatamente como fez a diretora do Prodasen com a ajuda de um técnico, por ordem dos senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda.
Tecnicamente não existem grandes diferenças entre o voto eletrônico dos 81 senadores e dos 107 milhões de eleitores brasileiros. Esses mesmos críticos argumentam que tradicionalmente os partidos políticos sempre fizeram o papel de auditores externos das eleições brasileiras, dando credibilidade aos resultados via fiscalização rigorosa prevista pelo antigo Código Eleitoral. Fiscalização que o TSE, contrariando a própria lei que fez, tornou na prática absolutamente inócua no caso das urnas eletrônicas, ao impedir os partidos de terem acesso aos softwares que rodam na urna. E por eles não terem a menor condição técnica de acompanharem o jorro de 107 milhões de votos em Brasília, via sistema de totalização. O TSE também não permite que os partidos confiram se o programa inseminado em cada uma das 354 mil urnas usadas no país é idêntico ao que o TSE despacha para cada TRE nas semanas que antecedem as eleições.
A falta de transparência, na opinião dos técnicos reunidos no Fórum do Voto Eletrônico - lista da internet que há quatro anos discute a segurança do voto eletrônico no Brasil - deixa escancarada a porta para fraudes promovidas por agentes internos (como aconteceu no Senado), ou gente do próprio TSE, já que não existe outra garantia a não ser a palavra das autoridades do tribunal de que o sistema é seguro. Na avaliação desses técnicos, essa falha grave compromete totalmente a lisura das eleições brasileiras porque hoje é impossível recontar votos, auditar urnas ou acompanhar a totalização de resultados, tal a velocidade em que ela se dá. Com a informatização, na prática, o TSE tirou a transparência da eleição e alijou os partidos políticos do processo.
O brasileiro, de uma maneira geral, confia nos computadores - acha que eles não erram. Mas a verdade é que as máquinas fazem o que se quer que elas façam, e só agora, por conta da violação do painel do Senado é que o cidadão comum começa a abrir os olhos para a possibilidade de fraude eletrônica. Começa a perceber que se é possível fraudar computadores no Senado, protegido dia e noite por seguranças, o que não é possível fazer com urnas eletrônicas transportadas para os mais longínquos e ermos lugares do país? Para incômodo do TSE, aumenta a cada dia o número de pessoas que duvidam da lisura do voto eletrônico que começou a ser implantado em 1985, quando foram aposentados os antigos títulos - documentos com fotos, dados pessoais, endereço e filiação do eleitor - substituídos pelos novos, emitidos por computador, sem fotos e sem assinaturas - que facilitam a fraude de um eleitor votar pelo outro.
Começa a ficar claro para a opinião pública que o TSE - que projetou, desenvolveu e gastou quase US$ 1 bi para a informatização do sistema eleitoral brasileiro - ultrapassou, de muito, todos os limites que a prudência e a responsabilidade recomendavam. O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, junto com os técnicos independentes da área de informática, vem questionando duramente a lisura das urnas eletrônicas. Com a autoridade de ter sido comprovadamente vítima em 1982 de uma tentativa de fraude na totalização eletrônica de votos para impedir que chegasse ao governo do Rio de Janeiro. O ano de 1982 é especialíssimo porque foi o primeiro ano, por resolução do TSE, que se permitiu o uso de computadores nas eleições brasileiras. E foi neste mesmo ano que o TRE do Rio de Janeiro contratou uma firma de informática, a Proconsult, que tinha em seus quadros gente do SNI, para totalizar a eleição. E foi o que se viu a Proconsult tentou desviar os votos de Brizola para brancos e nulos, não deu certo, o escândalo chegou as manchetes dos jornais - como agora, na fraude eletrônica do Senado. Detalhe fundamental ninguém foi preso, ninguém foi punido.
As críticas contra a urna vêm se avolumando desde 1996, mas antes do escândalo do painel do Senado Federal elas praticamente não conseguiam chegar à opinião pública. O engenheiro Amílcar Brunazo Filho, especialista em segurança de dados, criador e moderador do Fórum do Voto Eletrônico, explica a insegurança da urna. "Ela não é segura porque identifica o eleitor no mesmo ambiente em que ele deposita o voto, além de não permitir auditoria externa ao TSE." Aristóteles Gomes, outro profissional da área de informática e assíduo freqüentador do Fórum, considera uma impropriedade "até lingüística" chamar de urna o microcomputador do TSE porque "urna, em latim, significa local onde se pode depositar algo que possa ser retirado a qualquer tempo; conteúdo previamente estabelecido que possa ser visto ou conferido". Exatamente o que não acontece na máquina, que só totaliza votos. Mas em 1996, quando as máquinas de votar foram usadas pela primeira vez, além do registro magnético, as urnas imprimiam o voto em papel - o que permitia ao eleitor conferir o próprio voto, um direito seu assegurado por lei. O TSE aboliu a impressão do voto em 1998, medida que o Senador Roberto Requião (PMDB/PR) quer restabelecer como forma de permitir que a voto volte a ser conferido pelo maior interessado - o próprio eleitor. O fato de aparecer na tela da máquina o nome, o número e a foto de determinado candidato na hora de confirmar o voto do eleitor, não significa que ele receberá o voto. Um software desonesto pode totalizar o voto para outro candidato ao mesmo tempo em que mostra na tela o político que o eleitor escolheu. O programa que faz a urna funcionar pode tudo a partir do momento em que não é conferido. As urnas eletrônicas têm o poder de 'eleger' candidatos sem votos, 'deselegendo' candidatos com votos.
Há uma máxima em informática que diz que quando um sistema depende exclusivamente da palavra de quem o controla, ele é intrinsecamente inseguro. Só o TSE garante que as urnas brasileiras são 100% seguras, mais ninguém. Para os críticos do voto eletrônico, o TSE escancarou as portas para novas e sofisticadas fraudes que põem em risco a própria democracia - já que elas são muito mais graves do que as tradicionais. Os controles que a sociedade dispunha no sistema anterior, que envolviam milhares de pessoas, foram todos desativados. Em palestra no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (CTA), Amílcar Brunazo Filho advertiu "Alguns entendem que o voto eletrônico brasileiro seja sinal de pujança e desenvolvimento da tecnologia da informática, mas a prudência e o bom senso recomendam que este tema seja pensado com maior cuidado e profundidade". Trocou-se a segurança do processo eleitoral anterior pela velocidade e a rapidez da proclamação dos resultados. Sem dúvida alguma um retrocesso levando-se em conta que uma das bandeiras da Revolução de 30 foi exatamente a moralização dos costumes políticos brasileiros e o fim das fraudes eleitorais tão comuns na República Velha. Para Brunazo os procedimentos de segurança são essenciais "Chegou a hora de o Brasil discutir a segurança do voto eletrônico, sob pena de deixarmos para nossos filhos um arremedo de democracia onde o eleitor jamais saberá em quem votou e a oposição jamais terá condições de conferir votos".

Miles Davis - Human Nature - R.I.P. Michael Jackson

Desmatamento ilegal caiu 22% desde 2002, diz estudo britânico

Desmatamento ilegal caiu 22% desde 2002, diz estudo britânico
Segundo avaliação de instituto, Brasil, Indonésia e Camarões tiveram as maiores quedas.

O desmatamento ilegal nas florestas de todo o mundo caiu 22% desde 2002, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Real de Assuntos Internacionais (conhecido como Chatham House), da Grã-Bretanha.
O estudo, que o instituto diz ser a maior análise sobre a questão já realizada, indica que as maiores quedas no desmatamento foram verificadas no Brasil, na Indonésia e em Camarões, três dos países com as maiores áreas florestais.
No Brasil, a queda no desmatamento nos últimos oito anos teria sido de entre 50% e 75%, enquanto que na Indonésia teria havido queda de 75%, e em Camarões, de 50% no mesmo período.
Segundo a Chatham House, a pressão dos consumidores, as restrições legais dos países importadores de madeira e o destaque nos meios de comunicação contribuíram para a queda no desmatamento.
Ainda grave
Apesar disso, Sam Lawson, o principal autor do estudo, afirma que o corte ilegal de árvores continua a ser um grande problema no mundo.
"Quedas de 50% a 75% parecem muito, mas temos que ter em mente que o desmatamento ilegal era um problema tão grave nesses países que, mesmo com a redução substantiva, ainda é um problema grave", disse ele à BBC.
"Na Indonésia, por exemplo, 40% do corte de árvores ainda é ilegal", disse ele.
Segundo o relatório, tanto grandes e ricas corporações quanto empresas pequenas e artesanais promovem o desmatamento.

Iniciativas
A última década viu várias iniciativas com o objetivo de reduzir o desmatamento ilegal, tanto em países que produzem madeira quanto naqueles que a importam.
Países signatários de um acordo da União Europeia sobre florestas passaram a ser obrigados a fornecer apenas madeira cortada legalmente, em troca de ajuda financeira e técnicas para tornar sua produção de madeira sustentável.
Os Estados Unidos aprovaram uma emenda a uma lei que impõe sanções sobre qualquer empresa ou pessoa que importe madeira ilegalmente.
Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma medida semelhante.
Medidas como essas estão forçando as madeireiras a operar sistemas que permitem a identificação do produto, no qual a origem de cada pedaço de madeira pode ser em princípio verificada.

Japão e China
O estudo da Chatham House diz que está na hora de o Japão, que importa a maior quantidade de madeira per capita do mundo, aprovar leis semelhantes.
Mas outros países asiáticos também preocupam a organização. "A China está se tornando cada vez mais um importante importador, mas não é somente para seu próprio consumo", afirma Lawson.
"A China está cada vez mais atuando como um país de processamento, como a fábrica do mundo. Por isso, muito da madeira produzida ilegalmente passa pelas fábricas chinesas e termina na Europa e nos Estados Unidos", diz ele.
A Chatham House pede o banimento pela China e por outra das "fábricas do mundo", o Vietnã, da importação de madeira ilegal e a adoção de uma norma para que toda a madeira usada em projetos do governo tenham certificados de fontes legais.
"Esses são dois passos que já se provaram os mais efetivos nos países consumidores", afirma Lawson.
Para Sam Lawson, porém, novas reduções na escala das verificadas no estudo não serão fáceis.

Estabilidade
Em países produtores de madeira, o estudo indica que os fatores que se provaram eficientes para combater o desmatamento ilegal são a estabilidade política e a aplicação efetiva da lei.
Isso gera preocupações sobre importantes países com grandes áreas florestais e não cobertos no estudo da Chatham House, como Madagascar e a República Democrática do Congo.
Para o comissário da União Europeia para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs, a melhor maneira de combater o desmatamento ilegal é "demonstrar, com exemplos positivos, que os países se beneficiam muito mais se agirem para combater o corte ilegal de árvores".
"Países com recursos bem administrados terão muito mais dinheiro para desenvolvimento", afirma.
Apesar dos avanços, o estudo indica que a cobertura da imprensa sobre o desmatamento ilegal está em declínio, em parte por causa das melhorias conquistadas, e em parte porque muitos grupos de ativistas se voltaram a outros temas, principalmente para as mudanças climáticas.
O processo de discussão do combate às mudanças climáticas na ONU, porém, tem o potencial de ajudar a conter o desmatamento, ao recompensar financeiramente os países em desenvolvimento pela proteção de suas florestas, diz o documento.

Skoob

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