sábado, agosto 21, 2010

Crime aumenta, Chávez cala jornais

Crime aumenta, Chávez cala jornais

Em protesto, o diário venezuelano El Nacional publicou dois espaços em branco com a palavra “censurado”, na capa da edição impressa
Pesquisas indicam que a criminalidade é hoje a maior preocupação dos venezuelanos. Caracas é a cidade mais violenta do mundo: são 220 assassinatos por 100 mil pessoas, índice mais alto até do que da tristemente famosa Ciudad Juarez, epicentro da guerra entre narcotraficantes mexicanos na fronteira com os EUA (no Rio, é de 30 por 100 mil). Os dados sobre a Venezuela são da ONG Observatório Venezuelano da Violência, já que o governo não divulga estatísticas desde 2003. Diante disso, como reagiram os jornais de Caracas? Para fazer jus ao jornalismo, publicaram reportagens sobre a criminalidade. E dois deles, “El Nacional” e “Tal Cual”, estamparam na primeira página uma foto de cadáveres empilhados no necrotério da cidade. Uma foto chocante como a realidade do país.
E como reagiu o governo “democrático” do coronel Hugo Chávez? Puniu-os com a censulhante ra. É reação típica dos líderes autoritários, de esquerda ou direita, esconder da população fatos que possam desmerecer seu governo.
Numa sociedade de massas, isto só pode ser feito via censura da imprensa independente. Porque, nos meios oficiais, que na Venezuela já são maioria, notícias “desagradáveis” jamais aparecerão.
Vide União Soviética, vide Cuba.
E vide a própria Venezuela, onde Chávez já vinha fazendo uma razia nos meios eletrônicos, contra as emissoras de rádio e cadeias de TV. Depois de fechar a RCTV, o alvo agora é a Globovisión, única que ainda faz reparos à ação do governo.
Pela primeira vez em 11 anos de chavismo, a imprensa escrita foi censurada. “El Nacional” circulou quarta-feira com um espaço em branco no meio da primeira página, destacando em letras vermelhas a palavra “Censurado”.
Os dois jornais foram proibidos, por decisão judicial, de publicar “informações e publicidade contendo sangue, armas e mensagens de terror, que afetem a integridade psíquica e moral de crianças e adolescentes”. Enquanto o caso tramita na Justiça, toda a mídia impressa fica sujeita às mesmas restrições durante um mês. Não é mera coincidência que o fim do prazo praticamente coincida com a data das eleições parlamentares de 26 de setembro. O governo Chávez, acuado por um sem-número de problemas de ordem social e econômica, “esconde” o que mais preocupa os cidadãos e pensa, assim, ter resolvido a questão. Comportamento semelhante teve o governo Geisel, no Brasil, ao proibir notícias sobre uma epidemia de meningite em São Paulo. Não debelou a doença, é óbvio. Felizmente, aquela ditadura acabou. E o Brasil pode, hoje, dar provas de que, ao informar, a imprensa mobiliza a sociedade para pressionar o poder público a tomar medidas contra problemas que afligem todos. É o caso da ampla cobertura dada no país ao crime organizado e à violência nas grandes cidades, que resultou em medidas práticas para reduzir a criminalidade, com bons resultados, por exemplo, em São Paulo e no Rio, embora ainda haja muito a fazer.
A pouco mais de um mês das eleições parlamentares, a má notícia para Chávez é que, apesar dos esforços do governo para dourar a pílula, 55% dos entrevistados numa pesquisa feita em junho consideraram o presidente diretamente responsável por seus problemas mais urgentes, com o crime no topo da lista. Fonte: O Globo e Económico

PEDRO AZNAR - FLORES HORIZONTALES

Construam a mesquita do Marco Zero

Construam a mesquita do Marco Zero
Fareed Zakaria - colunista e editor-chefe da edição internacional da revista Newsweek e escreve quinzenalmente em ÉPOCA
Desde os atentados do 11 de setembro, a esquerda e os conservadores concordam que a solução duradoura para o problema do terrorismo islâmico é prevalecer na batalha de ideias para desacreditar o islã radical, a ideologia que motiva homens jovens a matar e ser mortos. A vitória na guerra ao terror vai ser conseguida quando uma versão dominante moderada do islã – que seja compatível com a modernidade – triunfar totalmente sobre a visão de mundo de Osama Bin Laden.
Como diz Daniel Pipes, especialista em Oriente Médio e conservador, “o papel dos Estados Unidos é menos oferecer suas próprias visões que ajudar os muçulmanos com visões compatíveis, especialmente em questões como relações com não muçulmanos, modernização e os direitos das mulheres e das minorias”. Com essa finalidade, logo no começo de seu mandato, George W. Bush deu início a um esforço para se aproximar do islã moderado. De lá para cá, Washington financiou mesquitas, institutos e centros comunitários que tentam modernizar o islã em todo o mundo. Exceto, pelo visto, na cidade de Nova York.
A cidade está debatendo se um centro islâmico deveria ser construído a duas quadras do local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center antes do 11 de setembro, mesmo depois de a prefeitura ter dado aval. Se vai haver um movimento reformista no islã, ele vai emergir de entidades como o instituto proposto. Grupos como o que está por trás desse projeto deveriam ser incentivados, não demonizados.
Os islâmicos que querem erguer a mesquita perto do local do 11 de setembro têm de ser incentivados
O homem que vai construir a mesquita, o imã Feisal Abdul Rauf, é um clérigo muçulmano moderado. Ele disse uma ou outra coisa bem crítica sobre a política externa americana – mas é coisa que é possível ler a qualquer hora no blog conservador Huffington Post. Sobre o islã, as visões de Rauf são claras: ele condena regularmente todo tipo de terrorismo. Fala sobre a necessidade de os muçulmanos viverem pacificamente com todas as outras religiões. Defende direitos iguais para as mulheres, critica leis que de alguma forma punam não muçulmanos. Seu último livro, O que está certo com o islã é o que está certo com a América, afirma que os EUA são, na verdade, a sociedade islâmica ideal, pois promovem a liberdade para indivíduos de todas as religiões. A sua visão sobre o islã é o pesadelo de Bin Laden.
A questão muito maior que a mesquita do Marco Zero de Nova York levanta é, claro, a da liberdade de religião nos EUA. Muito foi escrito sobre isso. Apenas recomendaria o discurso do prefeito nova-iorquino, Michael Bloomberg, sobre o assunto. Eloquente e corajoso, deveria tornar-se leitura obrigatória em toda sala de educação cívica.
O discurso de Bloomberg contrasta com a bizarra decisão da Liga Antidifamação (ADL) de se alinhar publicamente aos que preferiam ver a mesquita longe do Marco Zero. O estatuto da LAD, uma ONG inicialmente destinada a combater o antissemitismo, busca “pôr fim para sempre à discriminação ou ao escárnio injusto e ilegítimo contra qualquer seita ou grupo de cidadãos”. Mas Abraham Foxman, diretor da LAD, disse que todos precisamos respeitar os sentimentos das famílias do 11 de setembro, mesmo se forem sentimentos preconceituosos. “A angústia delas permite que tenham posições que outros classificariam como irracional ou intolerante”, afirmou Foxman.
Primeiro, as famílias têm opiniões diversas sobre essa mesquita. Afinal, dezenas de muçulmanos foram mortos no World Trade Center. Foxman acredita que não haja problema ser intolerante se as pessoas acham que sejam vítimas? A angústia dos palestinos, então, permite que eles sejam antissemitas? Há cinco anos a LAD me honrou com o prêmio Hubert H. Humphrey de Liberdades da Primeira Emenda (à Constituição americana, que garante as liberdades individuais). Fiquei emocionado por receber um prêmio de uma organização que eu admirava. Mas não posso mais ficar com ele. Devolvi a bela plaqueta e o valor de US$ 10 mil que veio com ela. Peço que a LAD reveja a sua decisão. Admitir um erro é um preço pequeno a pagar para recuperar uma reputação.

SPONHOLZ

Jaques Morelenbaum Cello Samba Trio - Receita de Samba (J. do Bandolim)

Boto Amazônico - Brasil


Photograph by Kevin Schafer

O donatário

O donatário

MÍRIAM LEITÃO O GLOBO - 20/08/10
O presidente Lula se despedindo da Presidência, no programa eleitoral de Dilma Rousseff, com a música “entrego em suas mãos o meu povo” me lembrou o pior Brasil. O Brasil dos donatários, das capitanias hereditárias. Como se não fosse suficiente, ainda há o discurso que infantiliza o povo brasileiro com essa história de pai e mãe do povo.
Desde “Coronelismo, enxada e voto”, de Victor Nunes Leal, o Brasil conhece bem esse seu pior lado. O do patrimonialismo brasileiro, do qual nasceram outros defeitos: o populismo, o paternalismo, o clientelismo. Com a manipulação das massas, os donatários do Brasil mantêm o poder e o entregam aos seus herdeiros.
Além do “deixo em suas mãos”, há ainda a ameaça continuísta implícita: “Mas só deixo porque sei que vais continuar o que eu fiz.” Como se Lula pudesse decidir não passar a Presidência à pessoa que for eleita este ano.
Ninguém duvida que apelos emocionais funcionam em campanha eleitoral. Mas não garantem eleição. Difícil esquecer até hoje o contagiante “Lula lá, nasce uma estrela, Lula lá”. E ele perdeu aquela eleição. São muitas as razões do voto e a história eleitoral brasileira é curta demais para que sejam traçadas leis gerais.
Mas espera-se que ela não se explique pelo retrocesso, por essa visita ao passado.
A economia é decisiva na maioria das eleições, mas nem sempre. A economia americana estava num dos seus melhores momentos ao final do governo Bill Clinton e mesmo assim Al Gore perdeu. É bem verdade que Al Gore quis distância de Clinton por causa do escândalo Monica Levinsky.
Se por acaso o então presidente democrata fizesse uma campanha paternalista, cantando que entregava o povo americano nas mãos de Gore — como se fosse sua propriedade — certamente causaria rejeição ainda maior. Lá, eles não acham que eleitores passam de mão em mão como uma massa sem vontade própria. Nem mesmo ocorreria a um presidente decidir pelo partido quem deve concorrer à sua sucessão, porque existe o saudável ritual das primárias em que os candidatos a candidatos enfrentam o desafio de convencer seus próprios militantes. Aqui, nem governo nem oposição escolhem postulantes de forma transparente.
O Brasil está crescendo forte, a inflação está em queda — foi zero em julho — o crédito se expandindo, o consumo aumentando, o desemprego caindo.
Alguns números são mais elevados por causa da base de comparação, mas há crescimento de fato. A crise de 2008/2009 derrubou a economia e, da perspectiva da campanha governista no Brasil, a recuperação está ocorrendo na hora exata para ajudar o governo na campanha. Todos esses fatores são mais poderosos na definição do voto do que apelos populistas.
É a sensação de conforto econômico que fortalece a campanha da continuidade.
Na onda mistificadora na qual todos no governo estão empenhados, o Ministério da Fazenda divulgou ontem um pretenso estudo para provar que a atuação do BNDES garantiu que o país evitasse uma recessão de 3,2% no ano passado e sustentou 4 pontos percentuais do crescimento deste ano.
A História econômica recente do Brasil mostra que o crescimento do PIB tem duas características: não sustenta taxas altas por muito tempo; não tem grandes quedas. No ano passado, vários países do mundo tiveram quedas grandes do PIB como os 7% da Rússia e do México. O Brasil ficou no -0,2%. Pela visão do ministro Guido Mantega, foi a ação do BNDES.
Mas na crise da Ásia todos os países que tiveram colapsos cambiais enfrentaram recessões enormes: Coréia, -7%; Indonésia, -17%. O Brasil não teve resultado negativo. E não teve esse jorrar de dinheiro do Tesouro para as empresas brasileiras através do BNDES. Segundo Mantega, esses empréstimos subsidiados com dinheiro do Tesouro garantiram 7% de crescimento. Esse número é tão científico quanto o ocultismo.
Ninguém discute a importância do BNDES na economia brasileira, é claro que ele é importante. O problema são os desvios que reforçam o patrimonialismo: a ideia de que o Tesouro pode ser apropriado por alguns. Reduzir o custo de capital, incentivar empresas, estimular a economia o banco sempre fez. Só nos seus piores momentos, como na época dos militares no poder nos anos 1970, escolheu donatários do dinheiro público, concentrou recursos nessa proporção, transferiu impostos para alguns poucos como está fazendo agora.
É por isso que os grandes empresários brasileiros estão tão contentes e querem mais do mesmo. O presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, na série de ideias obsoletas que exibiu na entrevista que concedeu esta semana ao “Valor Econômico”, disse que quer não um, mas três BNDESs.
Pode-se imaginar que está sendo sincero. Pediu que o governo “feche o país por um tempo.” Pode-se imaginar por quê. Com a economia fechada, funciona melhor o sistema das capitanias hereditárias, do mercado interno entregue como donataria para alguns proprietários. Há 20 anos o Brasil começou a abrir a economia, por isso já se pensava, a esta altura, que ninguém teria mais a coragem de fazer um pedido como esse. A crise de 2008/2009 e as eleições de 2010 viraram uma espécie de licença para propor qualquer velharia: dos subsídios ao fechamento do país. A campanha governista nas eleições está fortalecendo a ideia de que o país não tem um líder, nem um presidente; tem um dono.
Um donatário.

Bello, hoje na Tribuna de Minas

Novas elites

Novas elites

Nelson Motta

Os atiradores de elite são os melhores, não podem falhar. A tropa de elite é formada pelos mais aptos e bem treinados. A elite acadêmica é o motor do progresso científico e tecnológico, a artística produz as obras que constroem a cultura nacional, a política governa o país. Cada elite profissional vale pela excelência de seus integrantes. Em qualquer lugar do mundo é uma honra, um objetivo de vida, estar entre os melhores no seu trabalho.

Mas, quando Lula fala, elite é sempre sinônimo de malvado e injusto, de inútil e explorador, de odiar os pobres e gostar de ver o povo passar fome. De maior inimiga da democracia.

Que elite é essa? Não é a dos charutos e vinhos, das madames consumistas e filhos playboys, carros importados e amigos picaretas, dos coronéis rurais e urbanos, dos veteranos mamadores nas tetas do Estado. Esta está com Lula, o obedece no Congresso, financia suas campanhas, apoia seus programas econômicos e sociais. Seria até indelicado reclamar. 

As novas elites não nascem na academia, nem no empreendedorismo e nem no mercado produtivo. Como os militares, nos tempos da ditadura, elas estão em toda parte, mas agora vêm dos sindicatos e da militância, são gestores, investidores com o capital alheio, novos poderosos com acesso a verbas e programas. Elas não se baseiam em excelência ou competência profissionais, mas em fidelidade, ideologia e militância. Não é ilegal ou imoral ser dessa elite, só engorda.

Mas a novidade da elite lulo-popular não acabou com a velha elite sarno-patrimonialista, juntou-se a ela nos privilégios. Lula não se contenta em multiplicar os pães e os peixes, multiplica as elites. Em 2020 teremos acabado com a pobreza, basta Dilma vencer. Com tantas elites, daqui a pouco vai nos faltar povo e não teremos mais a quem culpar pelo Brasil ainda não ser, mas só estar próximo, da perfeição - como o nosso sistema de saúde pública, nossos aeroportos e estradas.

Os novos fumadores de charutos e bebedores de vinhos se juntam aos antigos inimigos e brindam à vitória do velho slogan de Zé Dirceu quando era líder estudantil. Ao povo no poder.

Tiago Recchia, para Gazeta do Povo

Constituinte exclusiva é salto no escuro – Editorial / O Globo

Constituinte exclusiva é salto no escuro – Editorial / O Globo

É característica das Constituições a intocabilidade. Quanto mais perene o texto da Carta, maior a estabilidade jurídica de uma sociedade. Não que se deva, de forma dogmática, decretar o engessamento de qualquer constituição. Tanto que há regras, em todo país democrático, para sua alteração - geralmente exigências difíceis de atender, pois uma revisão constitucional, por menor que seja, precisa refletir um consenso construído na sociedade, depois de exaustivo debate.
Não foi por outro motivo que a atual Constituição brasileira, a da redemocratização, promulgada em 1988, previu um prazo para depois do qual pudesse ser revista sem as tais exigências: ou seja, adesão de três quintos (60%) dos votos na Câmara e no Senado, com dois turnos de votação em cada Casa. Na fase de revisão era possível aprovar propostas em turno único, em sessões unicamerais do Congresso, por maioria absoluta (50% mais um voto). O sábio dispositivo pressupunha a correta ideia de que, passado aquele período, não mais seria possível, como não é, alterar a Carta, a não ser pelos caminhos usuais.
A ideia de uma "miniconstituinte" ou "constituinte exclusiva" para a realização da propalada reforma política surgiu no PT, foi incluída no programa do partido e transposta para as propostas de governo da candidata Dilma Rousseff. No debate entre candidatos promovido quarta-feira pela "Folha de S.Paulo"/UOL, Dilma defendeu o mecanismo, com apoio de Marina Silva e crítica, rápida, de José Serra. Para o candidatos tucano, não se deve confiar na exclusividade dessa constituinte.
Tem razão o tucano, porque há no PT frações que rezam pela cartilha chavista, e não pode ser esquecido que Chávez e seus seguidores Evo Morales e Rafael Correa, ao assumir, no auge da popularidade, conseguiram convocar constituintes, para começar a garrotear a democracia - e com base na lei, de maneira diabólica.
Muito difícil pensar que o mesmo se repita no Brasil, devido à solidez das instituições republicanas do país, ao contrário das venezuelanas, bolivianas e equatorianas. E também todos os candidatos mais importantes fazem profissão de fé na democracia. Mas sempre vale a lembrança.
A questão a saber é se existem condições para uma miniconstituinte destinada a rever a legislação da vida político-partidária. Reeleição? E em quantos mandatos consecutivos? Financiamento público de campanha? Votação em lista? Ora, como inexiste conhecimento amplo sobre estes e outros temas, logo, também não há consensos. Há uma exceção no financiamento público, rejeitado majoritariamente nas pesquisas de opinião. O povo pode não saber de detalhes do mecanismo, mas intui que ele não acabaria com o caixa dois.
Portanto, o mais sensato, sem prejuízo de debates durante a campanha, é não levar a sério a proposta de constituintes exclusivas, mais ainda para tratar de temas ainda obscuros. Se projetos de alteração da Carta não conseguem ser aprovados será erro crasso abaixar as barreiras para viabilizá-los. Assemelha-se a aumentar o tamanho do gol para se desempatar uma partida.
Atalhos desse tipo sempre levam a saltos no escuro.

União deve adiar de novo capitalização da Petrobras - Capitalização da Petrobras fica mantida para setembro, diz Mantega Segundo ministro da Fazenda, prazos anunciados serão cumpridos. Mantega não confirmou os valores sugeridos para os barris.

União deve adiar de novo capitalização da Petrobras
Empresas dão preços muito diferentes para barril de petróleo; Vale passa estatal
Luiza Damé, Geralda Doca, Gustavo Paul e Patrícia Duarte
BRASÍLIA e RIO

Confirmada a grande disparidade de preços entre as avaliações das reservas a serem cedidas à Petrobras, o governo voltou a trabalhar com a possibilidade de adiar pela segunda vez a capitalização da estatal, prevista para 30 de setembro, ou seja, às vésperas das eleições presidenciais. As indicações foram dadas por auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por intermédio de nota conjunta dos órgãos federais que representam a União nas discussões. Tiveram como estopim a entrega formal à Agência Nacional do Petróleo (ANP), ontem, da avaliação do preço do barril de petróleo pela certificadora Gaffney, Cline & Associates. Este estudo e o levantamento contratado pela Petrobras foram enviados ao governo federal.
Os valores não foram confirmados, mas rumores do mercado apontavam que o preço sugerido à ANP ficaria entre US$ 10 e US$ 12, o dobro do que teriam sido auferido pela consultoria da estatal, entre US$ 5 e US$ 6. Essa divergência surpreendeu o governo, que torcia por avaliações mais próximas, e colocou-o numa saia justa. A capitalização já havia sido adiada em junho, de julho para setembro.

Haverá impacto no superávit fiscal
Para fazer a capitalização da estatal, a maior da história do país, em 30 de setembro, o governo marcou para 30 de agosto a assinatura do contrato de cessão onerosa de até cinco bilhões de barris. Na segunda-feira, seria divulgado o custo do barril. Mas, para isso, os técnicos terão de trabalhar no fim de semana para chegar a um denominador comum e que caiba no limite do aumento de capital autorizado pela Assembleia Geral da Petrobras, de R$ 150 bilhões. Segundo um auxiliar direto do presidente Lula, o tema deverá se tratado com todo o cuidado: — Mesmo o momento adequado de se fazer isso (a capitalização) carece de uma discussão. O presidente está se apropriando agora dos elementos. Vamos tomar cuidado para que seja uma ação de grande repercussão.
Perguntado se a data de 30 de setembro estava mantida, o auxiliar foi direto: — Nada disso está tão acertado.
Pouco antes das 20h 30m, foi enviado outro sinal de que os prazos poderiam ser dilatados, por meio de nota conjunta da Casa Civil e os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia. Os órgãos informaram que a Petrobras e a ANP enviaram os estudos das certificadoras, mas pontuaram que “o governo solicitou informações adicionais para a ANP e a Petrobras, e aguardará a conclusão dos laudos de certificação para a definição dos parâmetros da cessão onerosa”. O problema é que, à tarde, a ANP havia divulgado nota dizendo que os estudos finais só seriam entregues no fim do mês — quando o governo previa assinar o contrato de concessão.
O preço do barril é essencial na capitalização. Definirá quanto vale a reserva a ser cedida pela União à petrolífera e de quanto será o aporte do Tesouro, controlador da estatal, no aumento de capital. O governo não tem meta de valor do barril , mas os parâmetros precisam ser convenientes para as duas partes. Para a estatal, quanto mais baixo o preço, melhor, pois pagará menos pela cessão onerosa.
Para a União, quanto mais caro, mais ela será ressarcida pela oferta.
Mas a possibilidade de o preço do barril vier elevado, acima de US$ 10 por exemplo, preocupa técnicos que atuam na operação. Entre outras razões porque a capitalização poderia superar, e muito, o limite de R$ 150 bilhões autorizado pela Assembleia Geral da companhia para o aumento total de capital, considerando o aporte da União e dos outros acionistas.
— Se os preços vierem muito elevados, alguém vai ter de parar para fazer contas — afirmou uma fonte.
A composição passa ainda pelo volume de barris a serem cedidos, que poderá ser menor que o previsto. Outro problema é o impacto que a capitalização terá no superávit primário (economia para pagamento de juros), pois envolverá emissão de títulos públicos para a União acompanhar o aumento de capital da Petrobras.
A disparidade de avaliações reacendeu a disputa interna nos bastidores da Esplanada. Uma ala do governo voltou a defender o adiamento do aumento de capital, argumentando ser impossível chegar a um preço final satisfatório sem divergências.
— O presidente Lula foi sábio em várias situações. Se for sábio desta vez, vai mandar a Petrobras marcar passo (adiar o processo) — disse uma fonte.
Para analistas, barril sairá por até US$ 7
Mas também há quem acredite que, trabalhando o fim de semana, há tempo para chegar a um consenso.
— O que muda são as interpretações das variáveis. É uma fase negocial — afirmou o diretor do Departamento de Assuntos Extrajudiciais da Advocacia Geral da União (AGU), Rafaelo Abritta, sinalizando que o peso político será grande na solução final.
Ontem, Lula não tratou pessoalmente do tema. De acordo com o acertado em reunião política na quarta-feira, os técnicos se reuniram na sede da Petrobras no Rio. Estava prevista apenas uma conversa telefônica entre ele e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Em nota, a Petrobras disse que os rumores sobre os valores para a cessão onerosa são “mera especulação”.
E afirmou que a cessão onerosa “será uma transação comercial entre as duas partes (empresa e União), que seguirá as regras de mercado”. Por isso, “é natural que ambas as partes busquem maximizar seus resultados”.
Analistas de mercado já fizeram as contas e apostam em adiamento da capitalização para após as eleições.
Com o barril entre US$ 10 e US$ 12, ela teria um volume final de US$ 140 bilhões a US$ 170 bilhões, considerando a cessão onerosa de cinco bilhões de barris, acima do limite autorizado em assembleia de R$ 150 bilhões. Osmar CamilosCamilos, da corretora Socopa, acredita que uma alternativa seria reduzir o volume de barris da cessão onerosa. Os analistas preveem que o preço do barril na cessão onerosa ficará de US$ 5 a US$ 7.

IQUE - No Jornal do Brasil

Crise consolida Brasil como 8ª economia mundial

Crise consolida Brasil como 8ª economia mundial

A crise espanhola permitiu que o Brasil se firmasse na oitava posição entre as maiores economias do mundo. Com base em números oficiais, o jornal econômico espanhol Expansion revelou que o ranking das maiores economias foi bastante modificado com a crise global nos últimos dois anos.
A China ultrapassou o Japão e agora se tornou a segunda maior economia do mundo. Já o Brasil supera a Espanha e é a oitava potência, em termos de Produto Interno Bruto (PIB) nominal. Com base nos números do primeiro semestre, o PIB brasileiro seria de US$ 1,8 trilhão, ante US$ 1,5 trilhão da Espanha. Segundo o jornal, a Espanha chegou a ficar na sétima posição em 2007, quando ainda vivia um boom econômico. Mas, com 20% de desemprego, um déficit colossal e uma economia estagnada, perdeu posições.
Já dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), organizados por Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, indicam que a ultrapassagem da Espanha pelo Brasil teria acontecido ainda em 2009. Mas a persistência da crise nos países ricos e a rápida recuperação dos emergentes, como o Brasil, fizeram com que a diferença entre os dois países disparasse em 2010.
Em 2009, segundo os dados do FMI, o Brasil, com PIB de US$ 1,57 trilhão, estava na oitava posição do ranking, mas colado na Espanha, que era a nona colocada, com US$ 1,46 trilhão. Já a projeção do FMI para 2010 joga o PIB brasileiro para US$ 1,91 trilhão, bem acima do US$ 1,56 trilhão previsto para a Espanha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Marina busca espaço

Marina busca espaço

MERVAL PEREIRA O GLOBO - 20/08/10
A candidata do Partido Verde Marina Silva começou, no debate pela internet da “Folha de S. Paulo” e do UOL, a explicitar uma nova estratégia de campanha, mas muita gente confundiu seus primeiros passos com uma adesão antecipada à candidatura do PT, como se esse fosse um movimento quase que natural de quem esteve naquele partido nos últimos 30 anos.
Mas quem apostar que a estratégia da candidata Marina Silva será fazer dobradinha com a petista Dilma Rousseff, atacando o tucano José Serra, está enganado.
O que aconteceu nesse sentido terá sido apenas fruto de circunstâncias daquele debate, e não é uma estratégia de campanha.
É possível que mais adiante, aos poucos, como é seu estilo, Marina deixe claro mais pontos de desacordo com o governo petista que abandonou depois de mais de cinco anos no Ministério do Meio Ambiente.
Mesmo porque um dos pontos mais fortes do discurso de Marina foi justamente em cima do presidente Lula e de sua candidata Dilma Rousseff, ao dizer: “Estão querendo infantilizar os brasileiros com essa história de mãe e pai.” Aliás, a frase fez tanto sucesso que foi usada ontem por Marina na visita que fez à Bolsa de Valores em São Paulo: “O Brasil precisa de uma discussão madura sobre seu futuro. Os brasileiros não podem ser tratados de forma infantilizada”, reafirmou.
É verdade que os coordenadores de sua campanha acreditam que “uma janela de oportunidade” pode se abrir caso a candidata oficial continue se distanciando do tucano José Serra nas pesquisas eleitorais, fazendo os eleitores começarem a pensar que quem ainda tem condições de derrotar Dilma é Marina.
Mas, mesmo que o objetivo imediato da candidata do Partido Verde seja superar Serra para ir para o segundo turno contra a candidata oficial, a estratégia teria que ser mostrar ao eleitorado que hoje escolhe Serra que também Marina é uma crítica do governo, ou pelo menos de Dilma, e se coloca como uma alternativa ao PT que está no poder.
Por isso, ontem ela esclareceu que sua preocupação “não é em criar constrangimento para o Serra nem para a Dilma, e sim criar um constrangimento ético para o Brasil”.
A senadora Marina Silva tem o cuidado de não criticar diretamente o presidente Lula, de quem faz questão de se dizer amiga.
Essa postura permite que ela tente ser uma opositora do PT sem atingir o presidente, abrindo espaço para que eleitores petistas que hoje votam em Dilma pensem nela como opção.
Segundo o Datafolha, Marina tem 15% no Rio de Janeiro, acima de sua média nacional, que fica em torno de 10%, enquanto Serra tem 25%.
O Partido Verde está convencido de que o Rio de Janeiro pode ser a plataforma de lançamento de Marina no plano nacional, o primeiro lugar em que ela passará Serra, viabilizando uma arrancada rumo ao segundo turno, embora tenham os pés no chão e saibam que o eleitorado do Rio não representa o brasileiro.
Além dos votos da classe média que poderão migrar de Serra, na área popular, os votos, sobretudo entre as mulheres pobres, migrarão tanto de Dilma como de Serra, imaginam os coordenadores da campanha.
O cientista político Nelson Rojas de Carvalho, da Universidade Federal Rural do Rio, ligado ao prefeito Cesar Maia, especialista em pesquisas de opinião, vem encontrando na Região Metropolitana do Rio, sobretudo em Nova Iguaçu, Caxias e São João de Meriti, eleitores de classes C e D que começam a prestar atenção em Marina por uma pauta de valores, percebendo-a como a mais preocupada com os pobres e contra a corrupção.
Para ele, o tema de meio ambiente teria que ser ampliado para outros valores que ela encarna, como críticas ao desvirtuamento do PT e o combate à corrupção, se quiser aumentar sua área de contaminação eleitoral.
Na percepção do eleitorado, ela tem autoridade para empunhar essa pauta de valores.
Na análise de Nelson Rojas de Carvalho, a racionalidade de uma aproximação centrista supõe um eleitor informado, mas é ininteligível para o eleitor de baixo grau de informação.
Não havendo diferenciação entre os candidatos, se a oposição é igual ao governo, para o eleitor médio é melhor manter o que já existe.
A despolitização do debate é uma política boa para quem está no governo. Temas dicotômicos que marcariam a oposição teriam maior rendimento eleitoral, analisa Carvalho, e aglutinariam as bases oposicionistas.
“Se ele não se diferenciar da Dilma, essa base pode migrar para Marina”, diz, referindo-se ao candidato tucano José Serra.
Se a maior definição dos candidatos, determinada pela vantagem da candidata oficial nas pesquisas de opinião, for a tônica dos programas de propaganda eleitoral, poderemos ver uma mudança de estratégia interessante.
O candidato tucano José Serra, que torce para que Marina mantenha-se em torno dos 10% para tentar garantir o segundo turno, terá que manter um olhar atento à retaguarda para não ser surpreendido por uma ultrapassagem que ainda parece improvável.
Mesmo não tendo uma estrutura partidária tão ampla quanto a da base governista, e sofrendo com problemas de arrecadação de fundos para a campanha, que se agravam à medida que a vantagem da candidatura oficial aumenta, o PSDB ainda é o único contraponto viável ao governo, e o tempo de propaganda oficial no rádio e na televisão isola a candidatura de Marina em pouco mais de um minuto.
Serra elevou o tom de suas críticas ao governo, de maneira a marcar a posição de oposicionista, mas se a “cristianização” de que parece estar sendo vítima não for estancada, com os candidatos nos estados simplesmente deixando de incluí-lo em suas propagandas na televisão, sua candidatura pode ser inviabilizada de vez.

Cataratas do Iguaçu


Fotografia por Francis Sharmy
Uma das maiores cataratas do mundo quebra o Rio Iguaçu entre Brasil e Argentina. 

As Bachianas Brasileiras Nº5

Pelicano para o Bom Dia, SP

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