quarta-feira, setembro 01, 2010

IBGE: 15% da Floresta Amazônica já foi derrubada

IBGE: 15% da Floresta Amazônica já foi derrubada
Conforme o estudo, desmatamento foi contínuo entre 1997 e 2004 e ficou concentrado nas bordas sul e leste da Amazônia Legal
Portal IG

Apesar da redução do ritmo de desmatamento na Amazônia nos últimos cinco anos, a área total derrubada já representa 15% da floresta original. O processo acentuou-se nas últimas quatro décadas e foi concentrado nas bordas sul e leste da Amazônia Legal, o chamado Arco do Desmatamento.
É o que mostrou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em sua pesquisa "Indicadores de Desenvolvimento Sustentável", referente ao ano de 2010.
Segundo o instituto, após um período de crescimento quase contínuo da taxa de desflorestamento entre 1997 e 2004, quando atingiu um pico, os valores para 2009 indicam que a área desmatada representa um terço do que foi verificado no ano de 2004. No período de 2007 a 2009, houve queda de 63% dos focos de queimadas e incêndios florestais no País, de 188.656 para 69.702, seguindo a tendência de queda nas taxas de desflorestamento da Amazônia.
O dado é importante porque a principal fonte de emissão de gases causadores do efeito estufa no País é a destruição da vegetação natural, com destaque para o desmatamento na Amazônia e as queimadas no Cerrado. A atividade representa 75% das emissões brasileiras de CO2, responsável por colocar o Brasil entre os dez maiores emissores de gases de efeito estufa.

Cerrado
A cobertura original do Cerrado foi reduzida praticamente à metade no País, de 2.038.953 quilômetros quadrados para 1.052.708 km2, com área total desmatada de 986.247 km2 (48,37%) até 2008. Somente entre 2002 e 2008 foram destruídos 85.074 km2 (4,18% do total), segundo pesquisa do IBGE.
De acordo com levantamento, os Estados que apresentaram maior área desmatada no período, em termos absolutos, foram Mato Grosso (17.598 km2), Maranhão (14.825 km2) e Tocantins (12.198 km2). As taxas de desmatamento no bioma são mais altas que as apresentadas para a Floresta Amazônica, o que implica "medidas urgentes de proteção", afirmou o IBGE.
Até 2002 houve tendência de aumento de áreas desmatadas do Sul e do Sudeste, principalmente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. Já no período de 2002 a 2008, isso ocorreu mais para o Norte e Nordeste. É primeira vez que o IBGE usa dados do Cerrado no IDS.

Marcio Bragança - Atrás do Véu

Junião, hoje no Correio Popular (Campinas/SP)

Sem perdão

Sem perdão
José Roberto Guzzo
O que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso poderia ter feito de tão ruim assim em sua vida, pública ou particular, para ser tão malquisto nessa escura nebulosa que é o mundo político brasileiro? Seus adversários tentam demonstrar que Fernando Henrique continua sendo, oito anos após deixar a presidência, o inimigo nº 1 do povo brasileiro. Quase todos os que deveriam estar do seu lado fazem tudo o que podem para esconder que têm, ou tiveram alguma coisa em comum com ele. Por que isso? A hipótese mais provável é talvez a mais simples: o que não se perdoa ao ex-presidente é o seu sucesso. O Brasil, por força de teimosa tradição, em geral não convive bem com o êxito; na célebre definição do compositor Tom Jobim, sucesso, por aqui, é “insulto pessoal”, tanto para inimigos como para amigos de ocasião. Em vez de admiração, provoca ressentimento. Em vez de afeto atrai inimizades. Produz inveja, despeito, rancor, mesquinharia – enfim, põe de modo operacional toda uma coleção de traços que estão entre os menos atraentes da personalidade humana.
Falar mal de Fernando Henrique Cardoso tornou-se, ao longo dos últimos anos, um esporte nacional, sobretudo entre o que se chama de “elite brasileira”. É um dos passatempos preferidos da maioria dos nossos mais lustrosos capitães de indústria (ou de comércio, ou de finanças), fornecedores do estado ou empreiteiros de obras públicas. O desapreço por Fernando Henrique, enfim, acabou se tornando um fenômeno interpartidário. Começou com o “fora FHC”, por questão de estratégia e marquetagem política – era preciso “desconstruí-lo”, pois ele era o inimigo a abater. Com o tempo, os seus próprios aliados passaram a acreditar e, por questões de estratégia e marquetagem políticas decidiram afastar-se dele, convencidos de que “FHC custa votos”. Resulta que estamos na terceira campanha eleitoral seguida em que a prioridade do partido é fazer de conta que não tem nada a ver com Fernando Henrique. Ele foi o único presidente que o partido elegeu até hoje – já no primeiro turno, por sinal, das duas eleições que disputou. Mas desde janeiro de 2003 não serve mais; tornou-se, politicamente, uma espécie de portador de doença contagiosa.
Os pecados dos quais Fernando Henrique é acusado pelos que sempre foram seus inimigos políticos e pelos que deixaram de ser amigos são numerosos demais para caber numa mera página de revista. Há alguma coisa errada no Brasil? Deu problema? Está com defeito? A culpa é dele, e ainda não deu tempo para consertar. Entende-se melhor o espírito da coisa quando se verifica que a acusação talvez mais repetida descreva o ex-presidente como “arrogante” ou “vaidoso” – uma escolha realmente infeliz de palavras, pois comparado ao seu sucessor nesse quesito, justo nesse, o homem chega a parecer um monge trapista. Mais que tudo, porém, foi vendida e comprada a lenda segundo a qual ele deixou o país “em ruínas” e passou uma “herança maldita” para o presidente atual. Mas o que aconteceu no mundo dos fatos foi exatamente o contrário. A verdade é que pouco do que existe de positivo no Brasil de hoje não está ligado, de alguma forma, aos dois períodos de Fernando Henrique na Presidência. Não é preciso complicar as coisas. Foi seu governo que finalmente encarou e venceu a inflação no Brasil – ou teria sido algum outro? Em cima desse alicerce, no qual não se mexeu em nada, foi construída a casa que está em pé até hoje, a começar pelos aumentos reais de renda que tiraram milhões de brasileiros da pobreza e que agora são descritos como a maior conquista da história nacional.
Para isso não há perdão. 
Fonte: Revista “Veja” – 1º de setembro

QUEIMADAS Este ano é pior que aquele que passou

QUEIMADAS
Este ano é pior que aquele que passou
De janeiro a agosto, o Inpe registrou em todo o país 12,2 mil focos de incêndio, quantidade superior à registrada nos 12 meses de 2009. Terras indígenas e assentamentos rurais foram as áreas que mais sofreram
Vinicius Sassine - Edson Luiz – Correio Braziliense

As queimadas consideradas críticas neste ano já são superiores às registradas em todo o ano passado e devem continuar a destruir as unidades de conservação administradas pelo governo federal. De janeiro a agosto, os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registraram 12,2 mil focos de calor nessas unidades, enquanto em todo o ano de 2009 a quantidade não chegou a 9 mil. O problema está mais grave no Centro-Oeste e no Norte. Nessas regiões, algumas cidades próximas às áreas de proteção ambiental não têm estrutura para combater um grande incêndio, como na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, por exemplo.
Os registros nos dois últimos anos são inferiores às queimadas detectadas nos anos anteriores — em 2007, foram mais de 37 mil focos nas unidades de conservação. Mas em nenhum mês de agosto como o deste ano foram registrados tantos incêndios em terras indígenas e assentamentos rurais, como reconheceu ontem a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Os dados divulgados pelo ministério mostram que, no mês passado, foram registrados 259,9 mil focos. De cada 10, três foram detectados em terras indígenas, assentamentos e unidades de conservação.
As aldeias indígenas respondem por 13% dos focos de agosto, 12% estão em unidades de conservação e 8%, em assentamentos rurais. O avanço das queimadas motivou um reforço extra no combate ao fogo. Mais brigadistas estão sendo treinados para atuar no combate aos incêndios nos parques federais e nas comunidades. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) decidiu ressarcir as famílias que perderam casas e produção agrícola por causa do fogo, nos assentamentos.
Porém, ao percorrer vários municípios ameaçados pelos incêndios, o Correio constatou que não há unidades do Corpo de Bombeiros ou brigadistas em cidades como em São João D’Aliança, Alto Paraíso, São Jorge, Água Fria e Campo Belo, próximas à Chapada dos Veadeiros, em Goiás. “Quando há um incêndio, nós é que somos chamados”, afirma o sargento da Polícia Militar, João do Carmo Nunes. “Seja em que cidade for, já que nenhuma delas tem Corpo de Bombeiros”, acrescenta. Na região, onde não chove há 60 dias, vários focos de incêndio foram detectados nos últimos meses.
Outro problema grave é o do Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás. Segundo dados oficiais do ministério, 90% do área foram destruídos por incêndios. A unidade, que tem uma rica biodiversidade de cerrado, pode ter sido devastada numa escala ainda maior. Entidades ambientalistas que atuam na região estimam que o fogo consumiu 98% do parque. Em São João D’Aliança, animais estão morrendo por causa do fogo. Na Fazenda Jatobá, dezenas de siriemas estão ameaçadas diante das queimadas, que muitas vezes deixam os animais encurralados e que, desorientados, fogem para o meio do mato em chamas.
Em relação ao Parque Nacional das Emas, a ministra Izabella Teixeira eximiu o governo de culpa e disse que as queimadas foram criminosas. “As imagens de satélite mostram que o fogo veio de fora para dentro. Uma perícia está sendo feita para identificar e punir os culpados”, afirmou. Praticamente todos os anos há queimadas no Parque das Emas, nunca na dimensão deste mês de agosto. Em apenas dois dias, quase toda a vegetação virou cinzas.
A unidade de conservação mais destruída até agora foi o Parque Nacional do Araguaia (TO). Quase cinco mil focos de calor consumiram a vegetação de metade do parque. Outras duas áreas do Tocantins, duas do Pará e uma em Minas Gerais — a Serra da Canastra, onde o fogo já teria sido controlado — estão entre as mais destruídas. Até ontem, 85 unidades de conservação tiveram parte de suas áreas destruída por queimadas.
No caso das terras indígenas, o fogo prejudica pelo menos 24 mil pessoas, que vivem em aldeias em Tocantins, Mato Grosso, Amazonas, Maranhão e Pará. Sete territórios indígenas são considerados áreas críticas, assim como 65 unidades de conservação estaduais e federais e 36 cidades. Em apenas nove delas o fogo está controlado ou foi extinto. Dez estados concentram 90% dos focos de calor. Os casos mais graves são verificados em Mato Grosso, Pará, Tocantins, Maranhão e Rondônia.
  
Mais verba disponível

O Ministério do Meio Ambiente avalia que já gastou R$ 29,3 milhões nos incêndios e que mais R$ 20 milhões serão usados no combate ao fogo. São mais de 3,5 mil brigadistas, soldados do Exército e funcionários da Fundação Nacional do Índio (Funai) atuando para acabar com as queimadas, um aumento de 253% em relação a 2007, segundo a ministra Izabella Teixeira. Na Ilha do Bananal, em Tocantins, por exemplo, 83 brigadistas, 15 brigadistas indígenas da Funai, além de 21 bombeiros do governo de Tocantins e dois helicópteros estão sendo empregados para combater o fogo, que ainda persiste.
Izabella Teixeira reconheceu que a quantidade de brigadistas ainda é pequena para a dimensão das queimadas. “Vai haver um incremento nas terras indígenas e nas áreas de assentamento.” Segundo a ministra, as frentes de combate a incêndios estão instaladas nas áreas críticas. “Se está acontecendo desse jeito, é porque estamos prevenindo. Poderia ser bem pior”, afirma. Os recursos são usados, inclusive, para a manutenção de tropas e os deslocamentos de aeronaves do Exército, que vêm sendo empregadas no combate aos incêndios, principalmente em Tocantins.
No norte do país, uma das preocupações se concentra nos rios, um dos principais meios de locomoção da população. Por causa do leito baixo, a travessia do Rio Madeira, que faz a divisa entre Acre e Rondônia, está prejudicada e a Polícia Rodoviária Federal controla as balsas que transportam veículos, já que uma delas chegou a encalhar esta semana em bancos de areia. (VS e EL).

AROEIRA

Todo o sentimento - Verônica Sabino

TRADUZIR-SE Ferreira Gullar

TRADUZIR-SE
Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
_ que é uma questão
de vida ou morte _
será arte?

Extrema Beleza!

Nani Humor

Um recorde que ninguém quer

Um recorde que ninguém quer
Jornal do Brasil
UM DOS TEMAS DISCUTIDOS ao longo da segunda-feira foi o recorde de arrecadação em impostos no país. Os brasileiros já pagaram estratosféricos R$ 800 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais somente este ano, segundo o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A marca foi atingida ontem exatamente 39 dias antes do que em 2009.
Segundo a ACSP, a previsão para a totalidade deste ano é que haja um novo recorde de arrecadação em comparação com o ano passado, que foi de R$ 1,09 trilhão. No último dia 17, a Receita Federal informou ter arrecadado R$ 67,973 bilhões em julho, recorde para o mês. O montante inclui os impostos e as contribuições federais e as contribuições previdenciárias ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Na comparação com junho, quando a arrecadação alcançou R$ 61,494 bilhões, foi verificada alta real de 10,54% (valores já corrigidos pela inflação). Em relação a julho de 2009, quando a arrecadação chegou a R$ 61,372 bilhões, corrigidos, houve crescimento real de 10,76%.

Pesquisa feita pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) em seis capitais mostra que, para 95,6% dos brasileiros, o valor cobrado em impostos no Brasil é muito elevado. O índice é ainda mais alto quando o quesito avaliado é a eficácia dos serviços oferecidos em troca dos impostos pelo poder público. Para 97,1% dos consultados, as cobranças são altas quando comparadas à qualidade dos serviços.
A pesquisa também mostra que poucos brasileiros sabem o quanto pagam realmente de impostos. Em torno de 70% dos entrevistados não souberam responder o percentual comprometido do salário todo mês com o pagamento de tributos especialmente os que vêm embutidos nos preços dos produtos que consumimos diariamente.
Um exemplo é a gasolina: em que 53% do seu valor são de impostos, taxas e contribuições. Ou ainda o que pagamos pelo micro-ondas (59%), celular (40%), e por aí vai.
Um dado curioso e, diga-se, absolutamente pertinente que surge com o estudo é que a população gostaria de ver o tema da alta carga tributária, o peso do imposto na vida de cada um, tratado na campanha eleitoral. Pelo que se viu até agora, a população vai ficar querendo, porque nem a situação nem a oposição têm gasto muitos segundos com o tema no horário eleitoral gratuito.
O cruzamento da pesquisa de ontem da ACSP com esse trabalho da Firjan mostra que os brasileiros não abrem mão, nos próximos quatro anos, de que se estabeleça uma política fiscal mais justa. Ou o próximo governo oferece mais retorno em saúde, educação, transporte e segurança o que seria o mais desejável ou, pelo menos, reduz a irritação dos contribuintes fazendo o mesmo com a carga de impostos.

Casuarina - A Roda Morreu

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Jorge Braga, para O Popular

A volta do bode preto da velha esquerda

A volta do bode preto da velha esquerda
Arnaldo Jabor - O ESTADO DE S. PAULO
Com tucanos em extinção, surge um país sem oposição

Meu primeiro grande amor começou num aparelho do Partido Comunista Brasileiro em 1963, meses antes do golpe militar. Era um pequeno apartamento conjugado na Rua Djalma Ulrich em Copacabana, em cima de uma loja de discos.
No apartamento, havia um sofá-cama com a paina aparecendo por um buraco da mola, entre manchas indistintas marcas de amor ou de revolução? Na parede, um cartaz dos girassóis de Van Gogh e, numa tábua sobre tijolos, livros da Academia de Ciências da URSS. Um companheiro me emprestara a chave com olhar preocupado, sabendo que era para o amor e não para a política. Cuidado, hein, se o dirigente da base souber.... disse-me, vendo a gratidão em meus olhos.
Eu era virgem de sexo com namoradas, pois pouquíssimas moças davam, nessa época anterior à pílula; transar para elas era ainda um ato de coragem política. As moças iam para a cama pálidas de medo, para romper com a vida burguesa, correndo o risco da gravidez supremo pavor. Famintos de amor, usávamos até Marx para convencer as meninas.
Não. Aí eu não entro!, gemiam, empacadas na porta do apartamento. Nós usávamos argumentos que iam de Sartre e Simone até a revolução: Mas, meu bem... deixa de ser alienada...
A sexualidade é um ato de liberdade contra a direita... Tudo era ideológico em Ipanema até a praia tinha um gosto de transgressão política.
Éramos assim nos anos 60.
A Guerra Fria, Cuba, China, tudo dava a sensação de que a revolução estava próxima.
Revolução era uma varinha de condão, uma mudança radical em tudo, desde nossos pintinhos até a reorganização das relações de produção.
Não fazíamos diferença entre desejo e possibilidade. Eu era do Grupo Vertigem, como colegas radicais nos apelidaram. Nossa revolução era poética, Rimbaud com Guevara; era uma esperança de um tempo futuro em que a feia confusão da vida se harmonizaria numa perfeição política e estética. Para os mais obsessivos era uma tarefa a cumprir, uma disciplina infernal, um calvário de sacrifícios para atingir não sabíamos bem o quê. Tínhamos os fins, mas não tínhamos os meios.
E, como todos, tínhamos horror ao demônio do capital e da administração da realidade para a luta (coisa chata, sem utopia...). Por isso, a incompetência era arrepiante. Ninguém sabia administrar nada, mas essa mediocridade era compensada por bandeiras e frases bombásticas sobre justiça social, etc.... Nunca vi gente tão incompetente quanto a velha esquerda que agora quer voltar ao poder como em 63, de novo com a ajuda de um presidente. Assim como foi com Jango, agora precisam do Lula. São as mesmas besteiras de pessoas que ainda pensam como nos anos 60 e, pior, anos 40.
Revolução era uma mão na roda para justificar sua ignorância, pois essa ala da esquerda burra (a inteligente cresceu e mudou...) não precisava estudar nada profundamente, por serem a favor do bem e da justiça a boa consciência, último refúgio dos boçais. Era generosidade e era egoísmo. A desgraça dos pobres nos doía como um problema existencial nosso, embora a miséria fosse deles. Em nossa fome pela justiça, nem pensávamos nas dificuldades de qualquer revolução, as tais condições objetivas; não sabíamos nada, mas o desejo bastava. Como hoje, os idiotas continuam com as mesmas palavras, se bem que aprenderam a roubar e mentir como burgueses.
A democracia lhes repugnava, com suas fragilidades, sua lentidão. Era difícil fazer uma revolução? Deixávamos esses detalhes mixurucas para os militantes tarefeiros, que considerávamos inferiores, peões de Lenin ou (mais absurdo ainda) delegávamos o dever da revolução ao presidente da República, na melhor tradição de dependência ao Estado, como hoje.
Deu nos 20 anos de bode preto da ditadura.
Por que escrevo essas coisas antigas, estimado leitor? Porque muita gente que está ai, gritando slogans, não quer entender que a via mais revolucionária para o Brasil de hoje é justamente o que chamávamos de democracia burguesa, com boquinha de nojo. Muita gente sem idade e sem memória não sabe que o caminho para o crescimento e a justiça social é o progressivo aperfeiçoamento da democracia, minando aos poucos, com reformas, a tradição escrota de oligarquias patrimonialistas. Escrevo isso porque acho que a luta de hoje é entre a verdadeira esquerda que amadureceu e uma esquerda que quer continuar a bobagem, não por romantismo, mas porque o Lula abriu-lhes as portas para a lucrativa pelegagem. Vejo, assustado, que querem substituir o patrimonialismo burguês pelo sindicalista, claro que numa aliança de metas e métodos com o que há de pior na política deste pais. Vão partir para um controle soviético e gramsciano vulgar do Estado para ter salvo-condutos para suas roubalheiras num país sem oposição, entregue a inimigos da liberdade de opinião.
Escrevo isso enojado pela mentira vencendo com 80% de Ibope, apagando como da história brasileira o melhor governo que já tivemos de 94 a 2002, com o Plano Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com a telefonia moderna de hoje, com o Proer que limpou os bancos e impediu a crise nos atingir, com privatizações essenciais que mentem ao povo que venderam nossos bens..., com a diminuição da pobreza em 35% e que abriu caminho para o progresso econômico de hoje que foi apropriado na mão grande por Lula e seus bolchevistas. Ladroeira pura, que o povo, anestesiado pelo Bolsa Família e pelas rebolations do Lula na TV, não entendem.
Também estou enojado com os vergonhosos tucanos apanhando na cara por oito anos sem reagir.
O governo Lula roubou FHC e o mais sério período do país, e seus amigos nunca o defenderam nem reagiram. São pássaros ridículos em extinção.
Tenho orgulho de que, há 40 anos, no apartamento conjugado do Partidão com minha namorada, eu gostava mais dos girassóis de Van Gogh do que dos livros de Plenkanov.
Por isso, para levar meu primeiro amor ao apartamento, usei uma cantada de esquerda:
Nosso amor também é uma forma de luta contra o imperialismo norte-americano. E ela foi.

Preciso me encontrar Marisa Monte

SPONHOLZ

Receita: sigilo era quebrado por encomenda

Receita: sigilo era quebrado por encomenda
Corregedoria manda para o MP representação contra Addeilda, que operava o esquema de vazamento de dados
Fábio Fabrini – O Globo

BRASÍLIA e SÃO PAULO. A Corregedoria da Receita Federal enviou ontem ao Ministério Público Federal representações que apontam a servidora Addeilda dos Santos, da Delegacia de Mauá (SP), como a principal responsável pelos vazamentos de dados fiscais protegidos por sigilo. Os dados de quatro tucanos ligados ao presidenciável José Serra teriam ido parar em suposto dossiê montado por integrantes da campanha da petista Dilma Rousseff, que nega.
Fontes ligadas à investigação dizem que as provas evidenciam que Addeilda operava de seu computador o esquema, classificado pelo corregedorgeral, Antônio Carlos Costa D’Ávila, como um balcão de venda de sigilos.
O método de acesso às informações é uma das principais evidências contra Addeilda, cedida pelo Serpro. A corregedoria apurou que, antes de as declarações de IR de políticos, celebridades e empresários serem acessadas com a senha da analista Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves, a de Addeilda era usada para entrar no CPF das mesmas pessoas, e visualizar informações mais simples, como endereço e filiação.
A corregedoria concluiu que o acesso era sempre feito periodicamente e em pacotes, o que indica ação por encomenda. É o caso do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e mais três pessoas ligadas a Serra, cujos sigilos foram violados por 16 minutos, em 8 de outubro do ano passado.
Eduardo Jorge acusa o comitê da candidata Dilma Rousseff de envolvimento na violação.
O advogado de Addeilda, Marcelo Panzardi, informou que a senha de sua cliente não permitia acesso mesmo a informações mais simples.
— Mesmo assim, o fato de a senha pessoal dela ter sido usada não quer dizer que foi por ela. Addeilda deixava o computador ligado no sistema da Receita quando saía — explicou.
Corregedor nega convite para depor no Senado As conclusões foram para o procurador da República Vinícius Alves, que já investiga o caso. O inquérito corre em segredo de Justiça.
O corregedor-geral da Receita recusou-se a comparecer hoje a audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para dar explicações sobre o caso. Os senadores devem ouvir o técnico Demétrius Sampaio Felinto, que acusa o Palácio do Planalto de sumir com fitas que registrariam um encontro de Dilma com a ex-secretária da Receita Lina Vieira. Segundo Lina, a então ministra da Casa Civil teria tentado favorecer o senador José Sarney (PMDB-AP).
Deve depor hoje no Senado Gerardo Santiago, ex-assessor da presidência da Previ, o fundo de pensões dos funcionários do Banco do Brasil. Ele sustenta que o fundo foi transformado numa “fábrica de dossiês” na gestão de Sérgio Rosa, também convidado pela CCJ.
Antônia Aparecida negou ter participado do vazamento e afirmou estar se sentindo uma “vítima em todo esse processo”, em carta divulgada pelo Sindicato Nacional das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil (Sindireceita).
Ela disse que compartilhamento de uma de suas senhas para acessar o sistema de dados foi “ em função do volume de trabalho”.

A reciprocidade nos relacionamentos

A reciprocidade nos relacionamentos
João Bosco Leal

Tenho procurado entender os motivos que levam o ser humano a não demonstrar e, principalmente, não declarar seus sentimentos.
Ainda quando crianças, o primeiro amiguinho, amiguinha ou até namoradinho certamente nos deixarão lembranças que carregaremos pelo resto de nossos dias. Lembraremo-nos sempre de nossa companhia na dança de quadrilha da festa junina e muitas outras coisas.
Entretanto, não nos lembraremos de declarações que tenhamos feito a respeito de qualquer sentimento que tenhamos tido, seja de amizade, de carinho ou de "amor" pela namoradinha da época. Principalmente porque essas declarações provavelmente nunca ocorreram.
Não tínhamos "coragem" de declarar a um amigo que gostávamos de fulana ou sicrana. E o risco desse amigo sair contando na escola e isso virar uma gozação geral? Como dizer a um amigo que gostamos dele sem correr o risco de notar que nossa amizade não é correspondida da mesma forma ou intensidade?
Esse tipo de comportamento é comum em todo tipo de sociedade, de qualquer credo ou religião, ocidental ou oriental, entre seus membros mais ou menos cultos, mais ou menos ricos. O ser humano é egoísta por natureza e nem sempre admite ver um sentimento seu não ser correspondido ou que seja receber o mesmo sentimento, mas em menor intensidade que o seu.
Quando jovens, nos namoricos, queremos sempre ser admirados, desejados, mas muito raramente estamos dispostos a dar essa admiração, desejar, gostar e até amar uma pessoa que não nos retribui. Esse comportamento nos leva a relacionamentos adultos conturbados, cheios de cobranças e com raras doações. Penso ser esse o motivo das maiores dificuldades nos relacionamentos mais duradouros.
A falta da retribuição, que muitas vezes pode até ocorre em gestos e atitudes, mas não é declarada, dita abertamente, pode provocar insegurança no outro. O parceiro vai se cansando de dar e nada ou pouco receber, começando então a se sentir inseguro, com dúvidas sobre o sentimento do outro, e a cobrar atitudes e ações que provavelmente o companheiro ou companheira ainda não esteja preparado para dar.
Quando damos carinho ou fazemos um simples elogio, a pessoa se sente bem, querida, amada, o que a torna um ser humano melhor, mais disposta a novas atitudes e ações até então desconhecidas por ela mesma, talvez acostumada a receber mais do que dar, ou a só receber, como as que foram superprotegidas na infância e juventude.
Com a maturidade, já sem nos importarmos com o que pensam ou falam os outros e, por isso mesmo, muito mais desinibidos, por conta da autoconfiança adquirida, percebemos que, ao dar, o recebimento é uma consequência, e que quanto mais damos, mais recebemos. Ao elogiar uma pessoa, promovemos sua autoestima, o que a deixará mais feliz, mais sorridente e, com isso, nos proporcionará no mínimo um ambiente mais agradável, seja em casa ou no trabalho.
Dando e declarando ao próximo seu sentimento, juntamente com a liberdade dele voar, viajar, mesmo que em seu imaginário, ele volta sempre, para se alimentar de carinho, companheirismo, amizade e amor.
E, quando essa busca ocorrer, precisamos, então, aguardar o amadurecimento de nosso parceiro, para que o mesmo também perceba a importância da reciprocidade, mesmo para os que não a cobram.
www.joaoboscoleal.com.br
Postado por Jornal Bandeirantes News

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