sexta-feira, outubro 08, 2010

Noruega tenta evitar fúria chinesa por Nobel da Paz a dissidente

Noruega tenta evitar fúria chinesa por Nobel da Paz a dissidente
Agência Reuters
 OSLO (Reuters) - O chanceler norueguês, Jonas Gahr Stoere, disse nesta sexta-feira que a concessão do Prêmio Nobel da Paz a um dissidente chinês não deve causar uma reação hostil de Pequim ao seu país.
"Não há motivos para dirigir qualquer medida contra a Noruega como país, e acho que haveria um efeito negativo sobre a reputação da China se ela assim agisse", disse Stoere a uma TV local.
A China reagiu com indignação ao Nobel da Paz dado nesta sexta-feira ao dissidente Liu Xiaobo - na foto, que foi condenado a 11 anos de prisão em 2009 por ter participado de um manifesto em prol da democracia na China.
Preso no ano passado por subversão, o dissidente chinês Liu Xiaobo ganhou nesta sexta-feira o Prêmio Nobel da Paz por sua luta pacífica pela democracia no país. O dissidente de 54 anos foi condenado a uma pena de prisão de 11 anos por ter escrito, em 2008, em conjunto com outros ativistas chineses, um manifesto pela liberdade de expressão e pela realização de eleições multipartidárias.O Ministério de Relações Exteriores da China classificou a premiação uma "obscenidade" e ameaçou retaliar a Noruega , onde fica o comitê 
Com seu apartamento cercado por policiais, a mulher de Liu, Liu Xia, foi impedida de falar diretamente com jornalistas. Por telefone e mensagens de texto, ela disse estar feliz com a premiação e informou que pretendia levar no sábado a notícia ao marido, que está preso a 500 quilômetros de Pequim. Ela também pediu sua libertação.
"A China deveria assumir esta responsabilidade, ter orgulho desta escolha e libertá-lo da prisão", disse ela em um comunicado divulgado pelo grupo de defesa dos direitos humanos Liberdade Agora.

O prêmio é concedido pelo Comitê Norueguês do Nobel, mas Stoere enfatizou que essa entidade é independente do governo da Noruega, que atualmente negocia um tratado comercial bilateral com Pequim.
Stoere admitiu, no entanto, que "não é segredo que há muitos anos a China tem dado uma série de alertas de que o prêmio da Paz a um dissidente chinês levaria a reações negativas".
Meses atrás, o vice-chanceler chinês Fu Ying disse ao presidente do Instituto Nobel que a eventual concessão do prêmio a Liu abalaria as relações sino-norueguesas.
Em nota, o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, disse que "a Noruega tem uma cooperação boa e abrangente com a China" e que "a discussão dos direitos humanos é parte dessa relação". O premiê acrescentou que o governo norueguês já questionou várias vezes as autoridades chinesas a respeito da situação de Liu.
A Noruega é um dos maiores exportadores mundiais de gás e petróleo, e tem interesse em ampliar sua cooperação energética com a China, uma potência econômica em rápida ascensão.
PEQUIM - Considerado o mais proeminente dissidente chinês, Liu Xiaobo incomoda o governo desde 1989, quando aderiu a uma greve de fome estudantil dias antes da repressão militar contra o movimento em defesa da democracia na praça da Paz Celestial. Agraciado nesta sexta-feira com o Prêmio Nobel da Paz , Liu foi condenado a 11 anos de prisão em dezembro passado sob a acusação de subversão, por fazer campanha em prol de liberdades políticas.
A sentença foi criticada pelos EUA, pela União Europeia e por grupos de direitos humanos. Ex-professor de literatura, aos 54 anos Liu está entre os mais combativos críticos do regime unipartidário chinês.
- Usar a lei para promover os direitos pode ter um impacto apenas limitado quando o Judiciário não é independente - disse ele em 2006, por exemplo, quando estava sob outro período de prisão domiciliar.
No ano retrasado, ele foi um dos organizadores do manifesto chamado Carta 08, em que intelectuais e ativistas pediam reformas abrangentes na China, inspirando-se na Carta 77, um marco do movimento pró-democracia na Tchecoslováquia na década de 1970.
A candidatura de Liu ao Nobel era defendida pelo ex-dissidente e ex-presidente tcheco Václav Havel, um dos articuladores da Carta 77.
Liu Xia, esposa do dissidente, disse nesta semana não vê o marido desde 7 de setembro. Segundo ela, a saúde dele está abalada, mas Liu está com ânimo positivo.
Os amigos de Liu Xiaobo sempre me diziam que queriam, mais do que ele, que ele ganhasse esse prêmio, porque acham que é uma oportunidade de mudar a China
- Os amigos de Liu Xiaobo sempre me diziam que queriam, mais do que ele, que ele ganhasse esse prêmio, porque acham que é uma oportunidade de mudar a China - afirmou ela.
Um desses amigos, o advogado e ativista Pu Zhiquiang, afirmou que Liu "diz o que tem na cabeça".
- Não acho que um Prêmio Nobel para Xiaobo ou qualquer outro chinês tenha um enorme impacto na situação dos direitos humanos na China. Mas certamente vai estimular mais pessoas a lutarem por esses valores o máximo que puderem - afirmou Pu.
Liu já havia passado 20 meses na cadeia depois da repressão aos protestos na Praça da Paz Celestial, e depois ficou três anos num campo de "reeducação pelo trabalho", na década de 1990, além de vários meses praticamente sob prisão domiciliar, embora formalmente estivesse livre.
Encorajada por sua pujança econômica e pelos temores das potências ocidentais, a China parece ter pouca paciência com qualquer forma de pressão contra o rígido controle que impõe às atividades políticas dos seus cidadãos.
Os tribunais chineses, controlados pelo Partido Comunista, raramente absolvem réus, especialmente em casos de cunho político.
No veredicto do ano passado, ao qual Liu não teve o direito de responder, os juízes disseram que os escritos dele "tinham o objetivo de subverter a ditadura democrática popular do nosso país e o sistema socialista". "Os efeitos foram malignos, e ele é um grande criminoso."

Nani Humor


Havia uma eleição entre as luzes e as trevas

Havia uma eleição entre as luzes e as trevas
Maria Cristina Frias - Folha de S. Paulo - 08/10/2010
Da mesma maneira que a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva não se explica pela aliança entre Febraban e Bolsa Família, a explicação de que o voto Marina Silva deriva do casamento entre as luzes da modernidade e as trevas da religião padece de reducionismo. Quem cair nele pode sair deste segundo turno menor do que entrou.
Só as marchas gays têm competido com pentecostais e carismáticos na lotação de ruas e estádios Brasil afora. E não parece crível que petistas tenham descoberto, à meia-noite do domingo, que aquelas plateias são milhares de vezes superiores a quaisquer comícios de que Lula já tenha participado.
Essa constatação não autoriza a crença de que o Brasil de hoje seja mais fundamentalista do que aquele de 2002. Seria preciso aceitar que a adesão religiosa flutue ao sabor do vento. O eleitor teria sido fundamentalista em 1989 quando Lula foi acusado de sugerir o aborto de sua filha, recuado em 2002 e 2006 e retomado com fervor sua fé religiosa agora. Nem se os fiéis fossem medidos pelos institutos de pesquisa seriam tão volúveis.
O avanço do pentecostalismo e dos carismáticos nas duas últimas décadas não impediu que oito anos tucanos fossem sucedidos por outro tanto de petistas. É uma fé que cresce com o individualismo. E nisso não diverge da política desses últimos 16 anos.
O avanço religioso nas emissoras de rádio e TV e no Congresso só se traduz em fundamentalismo pelo fermento da insegurança. E que outra sensação a candidata do PT passou ao eleitorado com o batizado de seu neto de apenas 20 dias 48 horas antes do primeiro turno? À saída da igreja, Dilma Rousseff fez a inacreditável declaração: "Meu neto tinha de ser batizado. É a religião da minha família e a minha também".
Na segunda-feira, Maria Aparecida, ajudante de limpeza numa empresa de São Paulo, fazia a tradução: "Ela vai acabar com a religião dos crentes". Eleitora de Dilma, junto com sua família e até onde a vista alcança sua vizinhança, dona Cida era a imagem da desolação. Durante a campanha, exibia o orgulho de seu lulismo e da perspectiva de uma mulher ao poder. Votara em Dilma, mas, apurados os votos, parecia arrependida, já não sabia o que fazer no segundo turno e falava com desdém do oportunismo eleitoral da busca pelos votos de Marina.
O que aconteceu domingo não foi o predomínio da religião sobre a política, mas o amálgama de difusas insatisfações canalizadas para Marina.
Tome-se, por exemplo, Brasília, a capital do marineiros. Talvez nenhum eleitor conheça tanto quanto o brasiliense o esquema de tráfico de influência montado por Erenice Guerra, à sombra do presidente e de sua candidata.
Os recordistas de voto no Distrito Federal foram Marina e um deputado federal que é a síntese de sentimentos desencontrados que a política partidária tem tido dificuldade em captar. Recordista proporcional de votos (18%), José Antônio Reguffe (PDT) não tem vinculações religiosas ou corporativas aparentes. Fez fama nos escândalos que derrubaram José Roberto Arruda com medidas como corte de verbas de gabinete. Quer políticos de um mandato só e acha que Tiririca existe porque o voto é obrigatório. Não é um voluntarismo que combine com a carreira de Marina, mas não é difícil imaginar por que reúnem o mesmo tipo de eleitor.
O Nordeste, que se acreditava de porteira fechada para Dilma, também deu excelentes votações para Marina. Havia brechas aparentes na porteira que foram ignoradas. À obra do artista pernambucano Gil Vicente na Bienal de São Paulo só se deu importância pela tentativa de a OAB paulista censurá-la . Obra mais polêmica da exposição, 'Inimigos' traz FHC, Bento XVI, Bush, Lula e Ariel Sharon sendo executados pelo artista. Os 36,7% dos votos de Marina no Recife mostram que o artista captou algo que o PT não farejou.
Por que Dilma não conseguiu empatar com Eduardo Campos no Estado em que um aliado de Lula teve a melhor votação do país (82,8%)? Primeiro governador a se eleger vencendo em todos os municípios do Estado, arrancou desde 99% dos votos na pequena Calumbi até uma inédita declaração de apoio da federação das indústrias . Uma resposta possível é que Campos construiu carreira ampliando sua base política de baixo para cima sem se render ao messianismo.
No início da campanha, o PT temia que a exploração do passado de guerrilheira fosse o maior nó a ser desatado na imagem de Dilma. O ataque acabou vindo pela cruz, mas a reação amadora dos petistas indica que a abordagem messiânica da relação do presidente com o eleitor desarmou a campanha para enfrentar a concorrência. O deus do povo é outro.
Este segundo turno corre o risco de levar o país a retrocessos se a amplitude que se dá ao fundamentalismo religioso não for enfrentada pela política. Vide a declaração de um pastor da Assembleia de Deus e deputado do PRTB fluminense à repórter Paola de Moura (Valor, 7/10), de que Dilma precisará assinar uma carta de compromisso contra temas polêmicos. Depois da Carta ao Povo Brasileiro de 2002, a ameaça da vez é de uma ode ao obscurantismo.
O PSDB foi vítima da mistificação petista no segundo turno de 2006 em torno da privatização. E dá indicações de que pretende dar o troco sem uma sinalização clara do eleitor que pretende conquistar com a indecifrável declaração de Serra: "Nunca disse que sou contra o aborto porque sou a favor, ou melhor, nunca disse que sou a favor, porque sou contra".
Sempre tratados como peça de ficção, programas de governo são a melhor vacina contra a mistificação. A secretaria de direitos humanos foi o refúgio escolhido por Lula para abrigar a esquerda do seu partido, desalojada que fora da política econômica, agrária e ambiental. Mas se seu governo não produziu consenso à descriminalização do aborto, o rol de alianças de Dilma também não o permite. Tivesse programa claro sobre o assunto, a petista não teria ficado refém da marquetagem emergencial que agora recomenda entrevistas dentro de capelas.
O mesmo vale para Serra, outro sem-programa que entra no segundo turno sem que seu eleitor saiba se vai sucumbir à nova onda da privatização mistificada. Tanto um quanto o outro terão muito a ganhar fazendo concessões à Marina. Difícil mesmo vai ser conseguir dar alento à Dona Cida.

O mar, o rochedo e o exportador

O mar, o rochedo e o exportador
Clóvis Panzarini - O Estado de S. Paulo - 08/10/2010
Reza um dito popular que "em briga de mar contra rochedo, os mariscos acabam apanhando". Na disputa federativa entre a União e os Estados por recursos orçamentários, todo ano, quando se discute o projeto de lei do orçamento federal, os Estados iniciam queda-de-braço com o governo federal para que naquela peça seja consignada dotação para transferência a seu favor, a título de ressarcimento pelas perdas de que são vítimas decorrentes dos efeitos da chamada Lei Kandir (LC 87/96).
As exportações manufaturados são desoneradas desde sempre e a partir de 1996, a tal Lei Kandir estendeu também aos produtos primários e semi elaborados esse benefício. Essa mesma lei estabeleceu que até o exercício de 2002 - depois prorrogado até 2006 - a título de ressarcimento aos Estados que "a União entregará (...) recursos aos Estados (...), obedecidos os montantes, os critérios, os prazos e as demais condições (...)".
O fato é que desde 2007 a União não tem mais obrigação - antes, sem definição de montante, a "obrigação" era também negociada - de ressarcir os Estados pelas perdas decorrentes daquela Lei. Em 2003, a Emenda Constitucional nº 42 excluiu também os primários e semi elaborados do campo de incidência do ICMS e estabeleceu que "a União entregará aos Estados e ao Distrito Federal o montante definido em lei complementar, de acordo com critérios, prazos e condições nela determinados (...)."
Como essa lei complementar ainda não foi editada, os tais repasses da União hoje são voluntários uma vez que não há lei que a obrigue a fazê-lo. De outro lado, os Estados, com os interesses contrariados, assustam a União - que tem a responsabilidade pelo equilíbrio das contas externas - anunciando que não vão mais devolver aos exportadores, no caso, os mariscos, o ICMS indevidamente cobrado nas etapas anteriores à exportação, ainda que essa devolução - os chamados créditos acumulados de ICMS - seja um direito constitucional do exportador.
Observe-se que a já distante lei Kandir isentou apenas as exportações de primários e semi elaborados, mas os Estados ameaçam prejudicar todas as exportações, as de banana e as de automóvel! Nessa briga, todos os mariscos acabam apanhando.

Humberto, para o Jornal do Commercio


Ruído na comunicação

Ruído na comunicação
Renata Lo Prete - Folha de S. Paulo - 08/10/2010
Numa semana na qual aliados de A a Z apontaram a beligerância em relação à imprensa como um dos fatores que contribuíram para impedir que Dilma Rousseff (PT) liquidasse a eleição no primeiro turno, integrantes da campanha manifestam incômodo com a movimentação de Franklin Martins (Comunicação Social), em viagem à Europa para colher ideias que resultem num projeto de regulamentação da mídia.
Foi especialmente mal recebida a declaração, feita ontem pelo ministro, de que no Brasil "a imprensa é livre, o que não significa que seja boa". Muito antes da viagem, petistas já se queixavam de que Franklin atua seguidamente para "pilhar" os ataques de Lula.
Por perto A principal motivação de Lula, ao convidar Ciro Gomes (PSB-CE) para assumir uma lugar na coordenação da campanha de Dilma, foi evitar que o deputado e ex-candidato a presidente ficasse solto na praça, eventualmente exercitando seu espírito crítico contra a candidatura governista.
Oremos Dilma incluiu o Santuário de Aparecida em seu roteiro de terça, data oficial da padroeira. Se confirmar a visita, esbarrará em José Serra, que irá ao templo. A presença dos candidatos é vista com cautela pela Basílica. "Serão bem-vindos se vierem para rezar", adverte o padre Darci Nicioli.
Flashback A primeira pesquisa realizada pelo Datafolha no segundo turno da eleição presidencial de 2006 mostrou Lula com 50% das intenções de voto e Geraldo Alckmin com 43%. Se considerada a projeção de válidos à ocasião, o placar era de 54% a 46%. Nas urnas, o petista, reeleito, obteve 60,83%, e o tucano, 39,7%.
Prova dos nove O vice Michel Temer comanda hoje, em frente à sede da Força Sindical, o primeiro ato suprapartidário pró-Dilma em solo paulista no segundo turno. O evento servirá para aferir a adesão de aliados do PDT, PP, PSB e PMDB que se dividiram na campanha.
O cara Rapidamente, o senador eleito Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) vai assumindo o protagonismo da articulação política da campanha de Serra. Com bom trânsito entre aliados e adversários, o ex-secretário da Casa Civil tem como primeira missão desatar o nó das negociações com os "verdes".
Ele e ela A propaganda de Serra retorna hoje mais "comparativa" do que no primeiro turno. Além de cotejar biografias, os programas chamarão a atenção, por exemplo, para o que aconteceu na ultima vez em vez em que se elegeu um presidente "que ninguém conhecia".
Na real Petistas de São Paulo reconhecem que o engajamento de Geraldo Alckmin na campanha de José Serra está acima do imaginado. Em consequência disso, acham difícil que Dilma venha a obter mais de 40% dos votos no Estado. No primeiro turno, ela ficou com 37%.
Transfusão Do Sírio-Libanês, onde está hospitalizado desde terça-feira, José Sarney telefonou ao correligionário Renan Calheiros para endossar a cobrança por mais espaço para o PMDB no comando da campanha de Dilma. A ala peemedebista do Senado está ainda mais alijada do núcleo decisório do que os colegas da Câmara.

Visita à Folha Abram Szajman, presidente da Fecomercio, dos conselhos do Sesc e do Senac em São Paulo e do Sebrae-SP, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Luiz Francisco de Assis Salgado, diretor regional do Senac, e de Ricardo Luiz Tortorella, diretor-superintendente do Sebrae-SP.
Tiroteio
"Pedro Simon começou apoiando Serra, mudou para Dilma e terminou com Marina. Com mais alguns dias de campanha, talvez ele pulasse para o barco do Plinio."
DO DEPUTADO RODRIGO ROCHA LOURES (PMDB-PR), comentando as mutações do senador gaúcho, seu correligionário, ao longo do primeiro turno.
Contraponto
Pesos-pesados No encontro realizado pelo PMDB anteontem em Brasília, um dos assuntos era a indicação de Ciro Gomes (PSB), crítico notório do partido, para integrar a coordenação da campanha de Dilma Rousseff.
Inconformado, o mineiro Newton Cardoso citou o episódio do vídeo sobre a viagem de Ciro, com o irmão Cid e outros familiares, a Nova York e sentenciou:
-Esse aí é um ladrão!
Ao ouvi-lo, um cardeal peemedebista comentou:
-Agora, quando formos responder ao Ciro, chamaremos o Newtão: eles têm a mesma estatura moral...

Bolsa Família e as Eleições

Publicado na Folha.com

Lençóis Maranhenses , Brasil

Photograph by George Steinmetz, National Geographic

Dilma pede direito de resposta a TV católica

Dilma pede direito de resposta a TV católica
Mariângela Gallucci - O ESTADO DE S. PAULO
Durante homilia ao vivo, padre declarou que PT é a favor do aborto e pediu para os fiéis não votarem na candidata do partido
Desgastada com setores da Igreja por causa da questão do aborto, a candidata Dilma Rousseff entrou em mais uma via de colisão com religiosos. Ontem, os advogados da petista pediram que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determine à TV Canção Nova, ligada à Igreja Católica, que transmita uma resposta da candidata e de sua coligação a supostas ofensas veiculadas pelo padre José Augusto em uma homilia exibida ao vivo pela emissora na terça-feira. De acordo com os advogados de Dilma, o sacerdote teria pedido aos fiéis que se mobilizassem e não votassem na candidata do PT.
Apesar de ter acionado o TSE, a defesa de Dilma não acredita que o pedido formal de direito de resposta possa aumentar a tensão entre a campanha da petista e uma parcela do eleitorado ligada a grupos religiosos que a acusam de defender a prática do aborto.
"Trata-se de um fato isolado que não corresponde à programação da emissora", afirmou o advogado Márcio Silva, que atua na defesa da petista.
"Dentre outras afirmações falsas e ofensivas, de cunho difamatório e calunioso, o referido padre afirma que o PT é a favor da interrupção de gestações indesejadas", sustentam os advogados no pedido de direito de resposta.
Alegações. Segundo a defesa, o religioso também teria imputado falsamente ao PT e a Dilma a intenção de restringir a liberdade de imprensa e de religião, de aprovar o casamento entre homossexuais e de transformar o País numa nação comunista. Os advogados alegam que não há nenhuma menção de apoio à prática do aborto no programa de governo incluído no registro de candidatura de Dilma, que foi aceito pelo TSE.
De acordo com a representação, que pede o direito de resposta de 15 minutos no horário matutino, o padre teria dito que os rumos da nação brasileira estão prestes a mudar, e para pior, se o PT vencer. "Podem me matar, podem me prender, podem fazer o que quiser. Não tenho advogado nenhum. Podem me processar e, se tiver de ser preso, serei. Não tem problema, mas eu não posso me calar diante de um partido que está apoiando o aborto, e a Igreja não aprova", teria dito o padre, segundo a representação.
Os advogados afirmam que, pela legislação eleitoral, desde o dia 1.º de julho as emissoras de televisão estão proibidas de veicular propaganda política ou difundir opinião favorável ou contrária a candidatos, conferindo tratamento privilegiado a candidatura adversária.
"A emissora de televisão TV Canção Nova veiculou homilia do padre José Augusto contendo opiniões contrárias à candidata Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores, integrante da coligação Para o Brasil Seguir Mudando, pedindo aos telespectadores que não votem no PT e em sua candidata ao segundo turno", argumentam os advogados.
Para a defesa de Dilma Rousseff, além de veicular opinião contrária ao PT e a Dilma, teriam sido transmitidas graves ofensas à honra e à reputação, o que seria suficiente para garantir o direito de resposta.
De acordo com os advogados, ao dizer que poderia ser morto ou preso em virtude de suas afirmações, o padre teria feito uma "clara sugestão caluniosa de que o PT poderia praticar algum crime contra a sua integridade física".
Plínio. Dilma foi a única que, no primeiro turno, não compareceu ao debate promovido pela Canção Nova com os candidatos à Presidência. Na ocasião, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, empolgou a plateia com uma declaração contra a petista. "Dos quatro candidatos, tem uma que não podia deixar de estar aqui. O meio cristão sabe muito bem quem é José Serra, quem é Marina e eu acho que nenhum dos bispos e padres que estão aqui deixam de me conhecer.
No entanto, essa senhora, que é uma incógnita, que não sabemos quem é, que foi inventada pelo Lula, manda uma cartinha cheia de platitudes, foge do debate", atacou o então candidato.

Busca ao voto de Marina passa pela classe média

Busca ao voto de Marina passa pela classe média
O GLOBO
BRASÍLIA. Políticos que estiveram no ato da oposição, quarta-feira em Brasília, disseram que todos os recados para que haja mudanças na campanha foram repassados ao tucano. Um parlamentar dizia ontem que José Serra ouviu, mas daí a adotar as mudanças é outro processo. Há o receio de que ele demore a reagir e a adotar uma campanha mais ágil e ofensiva. A principal sugestão dos aliados para programas de TV é que ele se comporte como candidato a presidente, "e não como candidato a prefeito ou a ministro da Saúde", resumiu um aliado.
Quanto à estratégia de busca de votos, a intenção é focar na classe média que votou na candidata do PV, Marina Silva. No caso do Rio, onde Marina ficou em segundo lugar, o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse, nas reuniões internas, que o maior desafio é evitar que os votos dados a Marina se transformem em votos nulos, além de, obviamente, evitar sua migração para a Dilma. No Rio, deverão ser organizados atos de campanha na Baixada Fluminense e em bairros de classe média. Há ainda a preocupação em captar os votos os religiosos.
Um dos motivos do otimismo na campanha tucana seria o suposto assédio de parte de integrantes dos partidos da base governista. O senador Sérgio Guerra se recusa a revelar o nome dessas pessoas, mas afirma:
- Não apenas gente do PMDB, como de outros partidos está nos procurando. As portas estão abertas. (A.V. e C.J.)

Ajoelha e Reza

Ajoelha e Reza
MÔNICA BERGAMO - FOLHA DE SÃO PAULO - 08/10/10
O PSDB prepara um grande "happening" para o dia 12 de outubro, quando o presidenciável José Serra deve participar, com o governador eleito, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), da missa no santuário de Aparecida, no Vale do Paraíba, em SP. O tucano deve martelar na tecla religiosa e na pregação antiaborto que adotou recentemente. O evento, que comemora o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, reuniu 43 mil pessoas no ano passado e costuma ter ampla cobertura da mídia.
OS ABENÇOADOS A "atração" da missa já está sendo anunciada pela arquidiocese local. O arcebispo Dom Raymundo Damasceno tem dito que "apenas políticos da região" devem participar dela, além dos tucanos Alckmin e Serra -que venceu na cidade com 47% dos votos, contra 28% de Dilma Rousseff (PT) e 23% de Marina Silva (PV).
PEREGRINOS A "programação santa" de Serra no dia 12 já chegou ao comando da campanha do PT. E causou preocupação.
DESÂNIMO De um deputado federal eleito pelo PSDB e que faz parte da ala "ideológica e histórica" do partido: "Hoje as ideias não interessam mais. Quem não tem dinheiro, rádio ou apoio de bispo e pastor não se elege em SP".
POEIRA MINEIRA Itamar Franco (PPS-MG) vai ter que suar a camisa para ajudar Serra a "mostrar a que veio", como disse em entrevistas. Em Juiz de Fora, seu reduto, o tucano tomou uma surra eleitoral. Teve 18,8% dos votos, contra 30,6% de Marina e 48,9% de Dilma.
POEIRA Já em São João Del Rey, terra da família de Aécio Neves, Serra teve 38,8% -Antonio Anastasia, candidato ao governo apoiado pelo mesmo Aécio, teve 75%.
QUESTIONÁRIO O craque Ronaldo acertou data para receber Dilma Rousseff num jantar em sua casa para sabatina com jogadores de futebol: quinta-feira, dia 14. O corintiano recebeu Serra no primeiro turno.
PIMENTA FALA Pela primeira vez em dez anos, o jornalista Pimenta Neves, 73, que assassinou a namorada, Sandra Gomide, recebeu um repórter para falar sobre o caso. Vicente Vilardaga, da revista "Alfa", encontrou um homem "sereno e com um estranho convencimento de sua inocência" que desenvolveu "um discurso de autodefesa baseado no uso dos medicamentos tarja preta que o teriam privado da razão no dia fatídico". Diz Pimenta: "Não estava em condições normais. Minha memória estava alterada e tenho dificuldades para lembrar de muitos detalhes". Ele se refere a Sandra como "uma boa moça." A revista chega às bancas hoje.
PEDAL E PIPOCA A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo terá bicicletários instalados em 15 locais de exibição de filmes do festival. Os pontos de parada, patrocinados pela Sabesp, visam estimular quem quiser ir de bike às sessões.
CLÁSSICO MODERNO O quadro "O Julgamento de Páris", de Michele Rocca, obra de 1720 do acervo do Masp, vai ganhar uma reinterpretação do videoartista Eder Santos.
A instalação terá dois monitores 3-D e sete projetores para dar movimento aos personagens e fazer anjos voarem. Estará na exposição "Deuses e Madonas", que abre no dia 15 e marca também a volta a SP de "São Jerônimo Penitente no Deserto" (1451), de Andrea Mantegna, restaurada no Louvre.
AS DAMAS DA MODA A estilista venezuelana Carolina Herrera recebeu um jantar em sua homenagem no apartamento de Lenny Niemeyer, no Rio, anteontem. Entre os convidados, a atriz Giulia Gam, o joalheiro Antonio Bernardo e a modelo Michelle Birkheuer. O evento contou com uma intervenção artística de Antonio Bokel.
CAVEIRA NELES O filme "Tropa de Elite 2", que estreia hoje, teve sua primeira exibição na terça em Paulínia (SP). O elenco formado por Wagner Moura, Tainá Muller, Maria Ribeiro e Seu Jorge, entre outros, participou do evento ao lado do diretor, José Padilha.

Catita e marota

Catita e marota
Ruy Castro - FOLHA DE SÃO PAULO - 08/10/10
No domingo, uma linda senhorinha de 90 anos, na sala de votação, me falava de sua experiência eleitoral. Embora seja das poucas brasileiras de sua geração ainda a votar, esta será a primeira vez que, sem contar reeleições, verá um presidente eleito pelo voto direto receber a faixa de alguém que a recebeu de seu antecessor nas mesmas condições. Se isto já aconteceu antes no Brasil, não foi no seu tempo.
Como tem hoje 90 anos, nasceu em 1920 e se tornou eleitora em 1938. Mas, em 1937, Getúlio Vargas já dera o golpe que criara o Estado Novo. Donde ela só iria votar pela primeira vez em 1946. E, desde então, devido a suicídio, renúncia, ditadura e impeachment, nenhum de nossos presidentes eleitos – Dutra, Getúlio, Juscelino, Jânio e Collor – protagonizara tal sequência. O que só se dará agora: o vencedor de 2010 será enfaixado por Lula, que já o fora por FHC.
Para que não se diga que tal oscilação é apenas brasileira, fosse a senhorinha cidadã americana e, no seu tempo de eleitora, também só teria visto esta sequência acontecer a partir de Jimmy Carter, em 1976. Até então, desde 1932, com Franklin Roosevelt, Harry Truman, Dwight Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon, a sucessão americana foi sempre interrompida por morte natural, assassinato ou impeachment de alguns deles.
Embora também ache que só se aprende a votar votando, minha nova amiga sugeriu que deveria haver uma emenda a esta máxima dizendo: ‘Nem sempre – ou os EUA não teriam eleito (e reeleito) George W. Bush.’ Mas, acrescentou, até quem passou a vida votando pode votar errado um dia.
Arrisquei perguntar-lhe, baixinho, em quem votara. E, a provar que, às vezes, o voto tem razões que só a emoção reconhece, ela piscou, catita e marota: ‘No Plínio. Gostei do velhinho.”

Skoob

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