terça-feira, outubro 12, 2010

Dez anos após queda de Milosevic, Sérvia se queixa de reformas insuficientes

Dez anos após queda de Milosevic, Sérvia se queixa de reformas insuficientes
Mirka Pejanović | Belgrado
Os sérvios lembraram nesta terça-feira (5/10) os dez anos da derrubada de Slobodan Milosevic, o presidente da Iugoslávia e da Sérvia que governou durante todo o período de dissolução da federação balcânica, e até hoje é lembrado como um belicista corrupto por alguns e como um socialista que resistiu à pressão das potências ocidentais por outros. Uma década depois da chamada “Revolução de Outubro” nos Bálcãs, porém, o país lamenta que boa parte dos objetivos esperados na derrubada do governo ainda não foi alcançada.
No dia 5 de outubro de 2000, pessoas de diversos pontos da Sérvia chegaram a Belgrado, capital do país, para pressionar o parlamento a reconhecer a derrota eleitoral de Milosevic, que tentara se reeleger presidente duas semanas antes. Era um momento crucial na vida política e social da Sérvia: nas eleições de 24 de setembro, Milosevic perdera a presidência da República Federativa da Iugoslávia, mas se negara a entregar o poder a Vojislav Kostunica, candidato da Oposição Democrática da Sérvia (DOS, em servo-croata), formada por 17 partidos de diferentes orientações ideológicas. A Comissão Federal de Eleições anunciou que haveria segundo turno, embora, segundo a oposição, Kostunica tivesse obtido mais de 50% dos votos  2.470.304 votos, ou 50,24%. Milosevic recebera 1.826.799 votos, ou 37,15%.
Em 5 de outubro de 2000, o maior alvo da população foi a sede parlamento 
Recusando-se a aceitar a derrota, o Partido dos Socialistas da Sérvia (SPS) e seu líder, Milosevic, provocaram uma crise pós-eleitoral e chegaram a ameaçar uma guerra civil. Depois de vários dias de protestos e greves, a crise terminou em 5 de outubro, com uma grande manifestação diante da Assembleia Federal em Belgrado, reunindo centenas de milhares de pessoas. Neste dia, Misolevic foi derrubado do poder. No dia seguinte, admitiu a derrota eleitoral e parabenizou Kostunica, que em 7 de outubro tomou posse diante dos membros da Assembleia Federal como presidente da Iugoslávia.
Para Srdja Popovic, ex-liderança do movimento de resistência chamado Otpor, que teve participação importante na derrubada daquele governo, houve “uma variedade de fatos” na década de 1990 que geraram descontentamento na população e levou à sua queda.
“Houve uma onda de nacionalismo, guerras sem sentido, recrutamento militar forçado, com a ameaça de corte marcial para os desertores, a hiperinflação de 1993, que levou nossos pais da classe média à pobreza, a crescente repressão da oposição política, o confronto com os vizinhos e o mundo, as guerras e um bombardeio”, lista o ex-dissidente. “Era uma boa quantidade de razões para que as pessoas se envolvessem na luta por uma vida melhor, não é mesmo?”.
Endividamento
Embora o público sérvio aceite amplamente que a derrubada de Milosevic foi justificada, a ideia é combatida por Uros Suvakovic, antigo membro do SPS e presidente da Associação Sloboda (“liberdade”, em servo-croata), dedicada à preservação do legado de Milosevic. Suvakovic afirmou ao Opera Mundi que o presidente era “um homem honrado e honesto”, um “verdadeiro democrata” cujo poder se baseava no direito e na justiça social, e que foi injustamente denegrido nos meios de comunicação.
“Slobodan Milosevic foi o último grande estadista europeu do século XX; um herói da nação sérvia”, disse ele.


Suvakovic não concorda com as visões de que as mudanças de 5 de outubro de 2000 foram positivas na maioria.
“Não vejo nada de positivo nessas mudanças. Tudo está pior para a população e melhor para os proprietários da Sérvia – os magnatas que enriqueceram depois do 5 de outubro. Um resultado é o desaparecimento da Iugoslávia do mapa do mundo. Esta Iugoslávia, que era territorialmente maior que a atual Sérvia, tinha uma dívida externa de cerca de 7 bilhões de dólares. Hoje, passamos de 30 bilhões de dólares: caímos na escravidão das dívidas”, resume o dirigente socialista.
Cartel político
Já o analista político Zoran Stojiljkovic, professor da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Belgrado, acredita que, independentemente das mudanças democráticas, a Sérvia está longe de ser uma democracia consolidada.
“Estamos presos em uma espécie de democracia defeituosa ou deficiente. Por exemplo, existem os órgãos de comunicação, que são plurais, mas não são resistentes à pressão das estruturas políticas e dos magnatas. Além disso, não há vontade política para enfrentar a corrupção endêmica generalizada. A grande maioria dos cidadãos não vê os frutos imediatos das mudanças, e quatro ou cinco vezes mais pessoas se consideram perdedoras do que as que acreditam que a mudança democrática melhorou a qualidade de vida”, afirma Stojiljkovic.
Para Zoran Stojiljkovic, a democracia na Sérvia ainda tem muito a evoluir 
O cientista político acrescenta que os maiores beneficiados pelas mudanças de outubro foram os partidos políticos, tanto os de oposição a Milosevic (os Democratas da Sérvia, DS, e o Partido Democrata Sérvio, SDS, além dos liberais LDP e G17+, fundados anos depois) quanto os herdeiros do dirigente (os socialistas do SPS e os radicais do SRS).
“Milosevic tinha um 'casamento' com as classes mais baixas – ou seja, prometia não abandoná-las durante a crise. Agora, o cenário é de algum tipo de vingança das estruturas que apoiaram Milosevic e perderam. O maior ganhador das mudanças é a elite política, todos juntos, transformados em uma espécie de cartel. Em vez de compartilhar o poder com a mudança da coalizão, sempre se deixa uma porcentagem de vagas, em cargos de direção, para os partidos de oposição, a fim de evitar qualquer risco de perder o poder. Por isso não surpreende que hoje, quando perguntam 'O que significa o 5 de outubro para você?', as pessoas respondam: 'Uns foram simplesmente substituídos por outros'”, explica.
De frente para o mundo
Srdja Popovic: várias razões para derrubar Milosevic 
O impulso da reforma democrática de 2000 perdeu força – para alguns, retrocedeu – com a morte do primeiro-ministro Zoran Dindic, em 12 de março de 2003. Ele tinha sido um dos principais líderes da “revolução” e seu assassinato, por um disparo de franco-atirador, teria sido obra de setores dos serviços de segurança e unidades especiais da polícia. O deputado Zarko Korac, que foi ministro do governo Dindic e agora é de oposição, disse ao Opera Mundi que o assassinato do primeiro-ministro determinou a maior parte do desenvolvimento da Sérvia depois de 2003.
“Sem dúvida, a Sérvia avançou em alguns aspectos. Os governos mudam nas eleições e, com Milosevic, não tínhamos esse direito fundamental – ele não aceitava a derrota nas eleições, portanto carecíamos de uma condição fundamental da democracia. No entanto, tivemos o assassinato do primeiro-ministro. O regime anterior matou o primeiro chefe de governo democrático e as forças obscuras ainda estão à nossa volta”, alerta.
Nos dois últimos governos de coalizão na Sérvia, o partido SPS de Milosevic foi um fator indispensável para formar a base aliada. O número de desempregados nos últimos dez anos aumentou em 0,5 milhão. Em 2010, o PIB (Produto Interno Bruto) representou apenas três quartos do de 1989. A pergunta é: o que ganharam e o que perderam os cidadãos sérvios com as mudanças democráticas de uma década atrás?
“A Sérvia agora olha para o mundo, ao contrário do isolamento em que se encontrava nos anos 1990”, diz Srdja Popovic. “Com as mudanças de 5 de outubro, a Sérvia entrou em um diálogo com os parceiros da região e o mundo, em contraste com a confrontação que, em virtude de Milosevic, iniciou cinco guerras sem sentido. Além disso, a Sérvia está se transformando em um país onde se pode viver do próprio trabalho, e onde, no lugar do medo e da repressão, existe alguma esperança e alguma expectativa de que amanhã será um pouco melhor”.


Rico, para o Vale Paraibano


Avaliação e crescimento

Avaliação e crescimento
NELSON SANTONIERI
"Meu professor da sétima série era tão bom que hoje matemática é minha matéria preferida".
Este depoimento foi dado por aluno a uma empresa que fez a avaliação externa do Multicurso Matemática - programa de formação continuada para professores de matemática do ensino médio, cujo objetivo é melhorar o ensino aprendizagem da disciplina.
A avaliação foi encomendada pela Fundação Roberto Marinho, instituição que valoriza essa atividade como meio de aprimorar os resultados das ações que realiza. Prestar contas à sociedade, identificar as responsabilidades de cada agente e detectar os desafios a tempo de corrigir os rumos é o dever de todos que trabalham pelo maior bem público do país: a educação. A partir da Lei de Diretrizes e Bases - que, em 1996, determinou a obrigatoriedade da avaliação - a cultura da avaliação começou a se consolidar no país. Um ano antes, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) já tinha passado a ter alcance nacional, quando todos os estados participaram do levantamento.
Em 2005, foi criada a Prova Brasil, que avalia estudantes do ensino fundamental das escolas públicas urbanas com mais de 20 alunos na série avaliada.

Na Fundação, a avaliação contempla três momentos: diagnóstico inicial, acompanhamento do processo e análise dos resultados. O trabalho é realizado por empresas e órgãos especializados, com base em práticas metodológicas que são referência na área. No Multicurso Matemática, a primeira fase foi feita em 2008, quando o programa foi implementado na rede pública estadual do Espírito Santo. Em seguida, foram feitas a avaliação em processo e uma aplicação final.
Na primeira fase, 10 mil alunos fizeram um teste baseado na escala de proficiência do Saeb. O resultado mostrou que a média dos estudantes do 1º ano do ensino médio, de 242,56, era muito próxima da apurada pela Prova Brasil entre alunos da 8ª série do ensino fundamental: 243,82. Um ano depois, na 3ª fase, um novo teste mostrou uma melhora significativa na média dos alunos impactados pelo programa: a média passou de 242,56 para 251,50.
No Multicurso Matemática, os docentes dispõem de material didático, fazem seminários, grupos de estudo e trocam experiências no ambiente virtual do programa, que permite troca de e-mails, criação de blogs e chats. A partir da avaliação externa, a Fundação incluiu um curso on-line de trigonometria para professores que haviam relatado dificuldades para ensiná-la.
Tão importantes quanto o programa são as lições que a avaliação nos dá, mostrando a efetividade ou não dos projetos. É um instrumento fundamental da transparência, decisiva para preparar as ações que vão construir a sociedade que queremos.
NELSON SANTONIERI é gerente-geral de Teleducação da Fundação Roberto Marinho.

ESPERANZA SPALDING - "Overjoyed"

Nani Humor


Mistura maior de etanol nos EUA não beneficia Brasil

Mistura maior de etanol nos EUA não beneficia Brasil
Maria Cristina Frias - Folha de S. Paulo - 11/10/2010
O provável aumento da mistura de etanol na gasolina nos Estados Unidos não deve impulsionar as exportações brasileiras para o país.
A expectativa do mercado é que até novembro a Agência de Proteção Ambiental norte-americana aprove a elevação do limite de 10% para 15% de adição de etanol à gasolina.
"As exportações brasileiras não devem se beneficiar da medida no curto prazo, já que a produção atual dos EUA será suficiente para atender o mercado", diz Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria.
Além disso, como o aumento será uma autorização e não medida obrigatória, nem todos os distribuidores farão a mistura com o limite máximo, segundo Romano.
"Apenas no médio e longo prazos, os embarques brasileiros poderão ser beneficiados. A questão será se teremos como atender a demanda", afirma Romano.
A elevação da mistura é um pedido da indústria norte-americana de etanol, cuja capacidade instalada é superior à demanda. Os EUA são os maiores produtores mundiais do combustível.
A produção deve atingir 44 bilhões de litros neste ano, com capacidade de produção de 50 bilhões, de acordo com a consultoria.
As exportações brasileiras do combustível para os EUA cresceram 79% em receita e 40% em volume neste ano, até agosto, em relação ao mesmo período de 2009.
CARGA PESADA
O aumento das vendas de veículos pesados e a colheita recorde da safra de grãos brasileira impulsionaram o mercado de lonas de caminhões.
Com investimentos de R$ 40 milhões, a Drakar, fábrica de lonas e coberturas do grupo Ledervin, começou a operar neste ano e já registra forte crescimento da demanda.
Além das vendas de caminhões novos, que já saem de fábrica com a lona como um acessório original, as trocas e reposições também têm aquecido os negócios, segundo os executivos Frederico Alves de Lima e Laerte Serrano, que estão à frente da Ledervin.
Outra empresa do grupo, a Voga, de forração para móveis, também registra crescimento da demanda.
"O aumento das compras de móveis, principalmente pelas classes C e D, tem impulsionado o mercado", afirma Serrano.
O grupo Ledervin projeta faturamento de R$ 350 milhões para este ano, com aumento de 30% sobre o ano anterior.
Gelada... O preço da cerveja consumida em casa caiu 0,92% em setembro, ante a alta de 0,45% do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrado no mesmo período.
...na inflação Embora o setor de alimentos e bebidas tenha sido o principal responsável pela inflação, a cerveja doméstica puxou o índice para baixo. A inflação anual do produto é negativa, ficou em -2,14%, ante o IPCA de 3,6%.
Na frente... O Brasil é líder no uso da tecnologia "smart grid" (transformação da rede elétrica em rede inteligente) na América Latina, segundo o Fórum Latino-Americano de Smart Grid.
...do grid Enquanto os países vizinhos têm dificuldades, no Brasil, a estimativa é que até 2013 as concessionárias tenham em seus planos de investimento cerca de R$ 4 bilhões em projetos relacionados à tecnologia.
Pernambuco e Rio são destaque da indústria têxtil em agosto
As indústrias têxteis de Pernambuco e do Rio de Janeiro voltaram a apresentar, em agosto, o melhor desempenho do setor.
Com um crescimento mais elevado do que no mês anterior, a produção subiu 23,5% e 15,5%, respectivamente, segundo dados do IBGE.
Forte exportadora, a indústria têxtil pernambucana foi uma das que mais sofreram com a crise no ano passado. Estados Unidos e União Europeia, seus principais compradores, diminuíram as encomendas.
O desgaste sofrido explica a forte recuperação atual, segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).
Apresentaram retração as indústrias do Ceará (-4,3%) e de Minas Gerais (-1,5%). A média no país foi de 3,8%.
PÉ NA ESTRADA
A agência baiana de publicidade Propeg quer estender seu modelo de atuação descentralizado. A empresa há 45 anos começou a operar em Salvador e depois abriu escritórios para atender em Lauro de Freitas (BA), Fortaleza, São Paulo e Brasília.
"Como nascemos na Bahia, tivemos que sair para outros Estados à medida que ganhávamos clientes. Fomos formando uma gestão de unidades sem conceito de matriz", conta Fernando Barros, presidente da agência.
Em Lauro de Freitas, atende seu maior cliente, a Máquina de Vendas e a baiana Insinuante. Abriu unidade em Fortaleza para cuidar da conta do M. Dias Branco e agora se prepara para chegar ao Rio de Janeiro, antes da Copa.
"Talvez, no Rio, a agência chegue antes de ter um cliente expressivo, devido aos grandes eventos", diz. A empresa faturou R$ 315 milhões em 2009.

Ciganos graças a Deus

Ciganos graças a Deus
Para fugir da discriminação e da perseguição na Espanha, grupos espalhados pelo país buscam apoio e refúgio em igrejas evangélicas
LUISA BELCHIOR - COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, - DE MADRI
Toda semana, Mhiaela Florina, 30, cigana romena, vai à sede da Igreja Universal do Reino de Deus em Madri com a irmã Ancuta, 19.
Converteram-se há um ano, quando chegaram à Espanha, aderindo a um movimento que já atraiu metade dos cerca de 700 mil ciganos do país -a maior população do grupo na União Europeia.
Segundo o Centro de Investigações Sociológicas da Espanha, 49% deles se converteram a igrejas protestantes. "Sempre acreditamos nas mesmas coisas que as igrejas dizem, só não tínhamos religião formal", conta Noemi Serrano, 48, que conduz um programa de evangelização de ciganos no país.
Mas o movimento é também um recurso que os ciganos adotaram para se proteger da perseguição na Europa, especialmente depois de o presidente do governo espanhol, José Luiz Rodríguez Zapatero, ter dado aval à política de expulsão de ciganos do francês Nicolas Sarkozy.
Embora a Espanha seja considerada pela Comissão Europeia modelo de integração de ciganos, o grupo é ainda o mais discriminado no país, segundo o Centro de Investigações Sociológicas.
"Aqui [na Igreja Universal] não nos sentimos discriminados, e eles ainda nos ajudam", afirma Mhiaela.
"Indo à igreja, eles são vistos como bons cidadãos, que não provocam desordem, e isso evita expulsões como as da França, ligadas a mau- -comportamento", afirma o catedrático do Centro de Migração e Racismo da Universidade Complutense de Madri, Tomas Calvo, ex-membro da Comissão Interministerial para Ciganos.
"Essas igrejas também intervêm em casos de ciganos romenos que não têm documentação nem de seu país".
Isso explica, para ele, o interesse de ciganos que não tinham religião ou frequentavam a Igreja católica, tradicional aliada do grupo na Espanha, pelas evangélicas.
Na paróquia de Santo Domingo de la Calzada, única igreja de Valdemindoguez, a maior concentração de ciganos romenos em Madri, já se nota a baixa. "Agora eles vêm para pedir ajuda, mas vão ao serviço das evangélicas", afirma Paco Pascual, funcionário da paróquia.
"Nas evangélicas, eles se sentem mais próximos, podem até ser pastores", declara Tomás Calvo.
É o caso de Antonio Juanbreva, 68: "Virei pastor e toda minha família já se converteu. Quase todas as famílias fizeram o mesmo".
NOVOS FIÉIS
Atualmente, há nichos de evangelização de ciganos também na França, Portugal, Suécia e Finlândia, mas o mais forte deles é na Espanha, segundo Manuela Cantón, que pesquisa a evangelização de ciganos no país.
A principal representante desse crescente movimento é a Igreja de Filadélfia, ramificação protestante criada na década de 1960 pelos próprios ciganos. "A Igreja de Filadelfia está permitindo a organização política dos ciganos", afirma Cantón, que escreveu o livro "Ciganos Pentecostais: um olhar antropológico sobre a Igreja Filadelfia na Andaluzia".
"Quase todo mundo que conheço está na Filadelfia", conta a cigana Anara Montoya, 42, cuja família foi uma das primeiras na igreja, há cerca de 20 anos.
Mas os templos latino- -americanos também têm angariado fiéis ciganos, caso da Igreja Universal do Reino de Deus de Madri. "Eles vinham nos dias em que distribuíamos comida. Mas agora já frequentam mais", diz à Folha o pastor Roberto Braga.
Os efeitos da evangelização dos ciganos na Espanha ainda dividem opiniões. "O problema é que não são organizações laicas", declara a ministra de Saúde e Políticas Sociais (que concentra as políticas para ciganos), Trinidad Jiménez.
Já o ministro de Educação, Ángel Cabilondo, avalia as igrejas pentecostais como "espaços positivos". Ele revelou à Folha que planeja parcerias com elas.
Os pesquisadores Tomás Calvo e Manuela Cantón veem no movimento uma chance de reinserção dos ciganos na sociedade.
"Para mim, isso marginaliza os ciganos, segrega", afirmou o presidente da Fundação Secretariado Ciganos da Espanha, Pedro Puente.
Após apoiar Sarkozy, Zapatero enfrenta forte pressão e silencia
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA,  - DE MADRI
O aval do presidente espanhol, José Luis Zapatero, à política de expulsão de ciganos levada a cabo pelo francês Nicolas Sarkozy abriu uma crise entre entidades representantes de ciganos e autoridades no país ibérico.
O espanhol foi um dos que declararam apoio a Sarkozy, em Bruxelas, em setembro. Entidades como a União Cigana da Espanha, que acionou a Corte da União Europeia contra Sarkozy, pedem retificação de Zapatero.
O presidente, porém, vem delegando a seus ministros a tarefa de garantir que a Espanha não tem intenção de fazer uma política similar.
Embora garanta a livre circulação de cidadãos de países membros da União Europeia, a legislação da UE também permite a expulsão em casos específicos, como quando o estrangeiro é um excesso de carga social.
"A diferença entre nós e os franceses é que queremos incorporar as diferenças, não eliminá-las", disse o ministro de Educação espanhol, Ángel Cabilondo. "Não queremos uma sociedade plana, queremos diversidade." (LB)
Grupo é 2º mais discriminado da Espanha
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, - DE MADRI
Originários de regiões orientais como a Índia, os ciganos se espalharam pela Europa ao longo dos séculos. Atualmente, são entre 10 milhões e 12 milhões disseminados pelo continente.
Apesar de conservar a maioria dos ritos, poucos vivem de forma nômade - só 5% deles, segundo a União Romena da Europa.
Na Espanha, onde os primeiros ciganos chegaram em 1425, há cerca de 700 mil deles, a população mais numerosa da União Europeia.
Apesar de hoje ter uma das políticas mais integradoras à população cigana do continente, o país manteve por muito tempo programas de perseguição.
Segundo uma pesquisa do Centro de Investigações Sociológicas da Espanha, os ciganos são o segundo grupo mais discriminado, atrás dos muçulmanos.
De acordo com o Eurobarômetro, principal pesquisa de opinião da UE, um quarto dos europeus se diz incomodado em ter um cigano como vizinho. (LB)

Negócios, e agora?

Negócios, e agora?
RICARDO YOUNG - Folha de São Paulo
Os efeitos da expressiva votação obtida por Marina Silva ainda serão sentidos e avaliados por um bom tempo depois das eleições. Creio que se pode chamar de "onda" porque a disseminação vai se dando aos poucos, mas sempre em sentido progressivo e abarcando cada vez mais setores da sociedade.
De uma coisa estou certo: o "fenômeno Marina" vai mexer muito fundo com as empresas, principalmente aquelas mais engajadas no movimento brasileiro da responsabilidade social, pois, para os empresários, o desenvolvimento sustentável não é assunto novo.
Desde 2006, ele está na pauta dos negócios, pois foi quando o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) divulgou seus dois relatórios sobre as consequências do aquecimento global para a economia e para a permanência da própria espécie humana no planeta.
2006 também é o ano do Relatório Stern, elaborado pelo economista Nicholas Stern, sobre os efeitos das alterações do clima na economia mundial nos próximos 50 anos. Em quatro anos, o mercado articulou-se e caminhou mais rapidamente que a sociedade e os governos neste tema, inclusive no Brasil. As empresas brasileiras foram decisivas para o governo não só apresentar ao Congresso o Programa Nacional de Mudanças do Clima como foram fundamentais para que o país desempenhasse papel fundamental nas negociações da COP-15, em Copenhague, no ano passado.
Este esforço para mudar o paradigma dos negócios não tem sido acompanhado por mobilização semelhante para influenciar os governos a abraçar a causa do desenvolvimento sustentável. Com isso, criou-se um fosso entre a vanguarda da economia e o Estado, fazendo crescer, neste intervalo, todo tipo de iniciativa oportunista, que se aproveita de uma tendência ainda não regulamentada para manter ou ampliar privilégios.
Em 3/10, a sociedade brasileira mandou um recado aos políticos e empresas: o desenvolvimento sustentável não pode mais ser tratado como tema marginal. Ademais, porque representa também os anseios de justiça, igualdade e ética de significativa parcela de brasileiros.
Em nenhum outro país, mesmo onde o movimento verde tem larga tradição, o recado da sociedade foi tão claro e forte. Por isso o desenvolvimento sustentável será, daqui para a frente, o fio condutor das mudanças. Terá papel central na agenda política e, nos mundo dos negócios, será questão prioritária de competitividade.
Articular a política e a economia, com ética e integridade, na perspectiva de uma sociedade mais justa e sustentável é o desafio que temos daqui para a frente. Para o bem e para o mal, o que fizermos será referência no mundo.
RICARDO YOUNG escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Fotos que que geram saudades...

http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/

Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos

Caso Erenice mudou mais votos que temas religiosos
Escândalos pesaram 3 vezes mais entre eleitores de Dilma que mudaram de ideia
Segundo Datafolha, só 25% dos que iriam votar na petista, mas alteraram a escolha o fizeram por questões religiosas
FERNANDO CANZIAN - FOLHA DE SÃO PAULO
Os fatos que levaram à queda da ex-ministra Erenice Guerra da Casa Civil e a quebra de sigilo de tucanos tiveram peso quase três vezes maior na perda de votos de Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno do que questões relacionadas à religião.
Segundo pesquisa Datafolha realizada na última sexta, cerca de 6% dos eleitores mudaram seu voto, considerando tanto Dilma quanto José Serra (PSDB), por conta dos casos que marcaram a reta final do primeiro turno.
Desse total, Dilma perdeu cerca de quatro pontos percentuais entre o total de eleitores. Aproximadamente 75% das perdas ocorreram por conta dos escândalos recentes no governo.
O restante, por questões relacionadas à religião- não exclusivamente envolvendo a posição da candidata sobre o aborto.
Já Serra perdeu dois pontos percentuais. Tanto pelo caso de quebra de sigilo de tucanos quanto pelo caso Erenice.
Os dois casos podem ter levantado suspeitas sobre irregularidades fiscais dos citados ou envolvimento de tucanos nas denúncias, por exemplo.
A perda de eleitores de Dilma, que conquistou 47% dos votos válidos no primeiro turno, foi de aproximadamente 4 milhões de eleitores. A de Serra, que teve 33% dos votos válidos, de 2 milhões.
Como a margem de erro do levantamento (feito com base em 3.265 entrevistas em todo o país) é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o total de votos perdidos pode ter sido maior ou menor na mesma proporção da margem de erro.
O percentual de eleitores no país que tomou conhecimento dos casos Erenice Guerra e da quebra de sigilo de tucanos é expressivamente maior do que o do total que recebeu alguma orientação de sua igreja para que deixasse de votar em determinado candidato.
Os resultados da pesquisa, portanto, não confirmam a tese de que foi o voto relacionado a questões religiosas que levou a eleição presidencial ao segundo turno.
Tomaram conhecimento do caso Erenice 48% dos eleitores. No caso da quebra de sigilos, foram 56%.
Já o total que recebeu alguma orientação na igreja que frequenta para que deixasse de voltar em algum candidato a presidente atingiu 3%.
Os dois casos que mais pesaram na mudança de votos dos eleitores na reta final do primeiro turno tiveram influência direta de reportagens publicadas pela Folha.
O primeiro (quebra de sigilo) foi revelado pelo jornal em junho, muito antes do primeiro turno.
Em relação à queda de Erenice, o caso foi levantado inicialmente pela revista "Veja". Mas foi uma reportagem da Folha que levou à queda da ex-ministra no dia 16 de setembro, a duas semanas do primeiro turno.
As denúncias de tráfico de influência na Casa Civil foram determinantes para mudanças de voto principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, mostra o Datafolha.
Entre os que votaram em Marina (que teve 19% dos votos válidos), 7% dizem ter deixado de votar em Dilma por conta do caso Erenice.
Chega a 1% do total do eleitorado o percentual dos que dizem ter deixado de votar em Dilma Rousseff para votar em Marina por causa da queda de Erenice Guerra.
A taxa dos que fizeram o mesmo por recomendação da igreja não alcança 1% do eleitorado.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

Visitantes

free counters