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quarta-feira, junho 22, 2011
Quantidade e qualidade da educação - Ignez Martins Tollini
Quantidade e qualidade da educação - Ignez Martins Tollini
Correio Braziliense
Mestre em educação brasileira (UnB) e em ciências da educação (Universidade de Purdue, Indiana, EUA), Ph. D. em educação (Universidade de Londres, Reino Unido)
As medidas nacionais de matrícula indicam que a escolaridade média da população, no período entre 1990 e 2010, aumentou de 5,6 para 7,2 anos. Sem dúvida, temos de comemorar esse resultado, que coloca o Brasil em posição de vanguarda em relação a outros países. Esse artigo, ainda que superficialmente, pretende levantar questionamentos sobre possíveis peculiaridades que ainda possam estar ocultas nos atuais índices nacionais de melhoria da educação.
Por exemplo, qual seria a porcentagem de alunos matriculados que estão atualmente na escola? As discrepâncias entre a oferta de educação básica entre regiões do país e entre a área urbana e a rural ainda estão presentes? A porcentagem de professores leigos e o analfabetismo continuam mais concentrados no Norte e no Nordeste e nas áreas rurais do país? Essas questões se justificam porque os atuais resultados numéricos também têm a função de legitimar políticas governamentais para a educação.
O bom resultado numérico da permanência na escola também serve para amenizar padrões muito frágeis de autonomia local, isto é, circunstâncias nas quais os estados e municípios têm posição fraca em relação à política educacional do Estado central. Hoje, mais do que nunca, escolas e universidades estão expostas a fatores perversos, tais como crimes, drogas, corrupção, ausência de cultivo de valores para formação dos alunos, salários inadequados, presença de ideologias falidas no ambiente escolar. Além disso, muitos professores se interessam mais pela militância política do que por sua missão de educar. Como consequência, alguns professores e alunos contrários a esse comportamento sentem sua liberdade de pensar manietada pelo pensamento único advindo da ideologia. Esses fatos não têm tido lugar nos debates educacionais.
Portanto, quando a expansão da escolaridade é comemorada, há que se levar em conta a qualidade da expansão. O aumento de vagas nas universidades e escolas é considerado uma benesse do governo para os que sonham entrar nessas instituições públicas e gratuitas. Em vista disso, é lícito perguntar se é justo oferecer vagas na universidade para pessoas que alegam pobreza ou discriminação racial sem levar em conta a qualidade de seu desempenho educacional anterior.
É consensual entre estudiosos que o Brasil tem necessidade premente de formar profissionais competentes em todos os ramos do saber para que venha a ser um país desenvolvido. Já é tempo de os professores em sala de aula e acadêmicos nas universidades se darem as mãos, com a convicção de que quanto melhor for a qualidade da formação dos professores nas universidades, melhor será a educação básica em nosso país. Desse modo, pessoas menos favorecidas, por várias razões, poderão entrar na universidade por mérito e vocação.
Conciliar quantidade e qualidade na educação não é um problema somente brasileiro. É um problema mundial. Alguns países conseguiram realizar a façanha. Hoje, a ciência oferece meios para mudar cenários educacionais que, durante muitas décadas, resistiram à mudança. Recentemente, um grupo de analistas acadêmicos do Canadá, dos Estados Unidos e da Inglaterra conceberam um modelo teórico, fruto de longas observações de sistemas educacionais resistentes à mudança. Assim, eles conseguiram provar que a mudança somente é possível quando os níveis nacional, estadual e municipal do governo têm um foco sistêmico em relação à educação. Países como Coreia do Sul, Singapura e Finlândia devem seu sucesso na educação, em parte, a esse modelo.
Finalmente, é necessário e prazeroso registrar recentes casos no Brasil nos quais o aumento da escolaridade aparece ligado à qualidade da educação em cidades interioranas de regiões pouco dotadas economicamente. São escolas de excelente qualidade no Vale da Ribeira, Nova Horizonte, Sud Menucci e Arealva, no estado de São Paulo. Além disso, escolas de alto nível no interior do Piauí. Segundo recentes pesquisas, o traço comum nessas escolas é a notável competência dos diretores e professores, aliada à clara vocação para a tarefa de educar.
sexta-feira, outubro 15, 2010
A Escola precisa atualizar-se para reconquistar os alunos
A Escola precisa atualizar-se para reconquistar os alunos
JORNAL DO BRASIL (online) - 15/10/2010
A cidade de Fernandópolis, no interior de São Paulo, ganhou as páginas dos jornais em 2007 ao instituir o toque de recolher para adolescentes, a partir das 22 horas. O polêmico sistema não só vigora até hoje como a prefeitura da cidade volta a chamar a atenção com uma proposta curiosa. Ela quer que os alunos que atingem um determinado número de faltas passem a acompanhar as aulas acompanhados dos pais, dentro da sala.
A despeito do inusitado – que beira o absurdo – da ideia, o tema é importantíssimo. A prefeitura de Fernandópolis erra feio ao atribuir somente aos alunos – ou, no máximo, também à negligência de seus pais – o pouco interesse nas aulas. É evidente que a família precisa estimular desde cedo as crianças a gostarem de ir à escola, a que elas não vejam esse ambiente apenas como uma obrigação. Claro é também que há adolescentes que, mesmo estimulados, deixam prevalecer o espírito contestador inerente à idade.
Mas é dever da escola criar condições propícias ao estudo, com ambiente acolhedor, material didático adequado, professores estimulados e que saibam estimular, e com métodos e propostas de ensino que prendam os alunos pelo prazer de aprender.
Será muito difícil, por exemplo, ensinar sem levar em conta o uso do computador. Não adianta escola querer brigar com o tempo ou a modernidade. Não se trata de transferir para os jovens o comando da aula, ou dar-lhes a prerrogativa de decidirem o que querem ou não fazer no ambiente escolar. Mas tampouco é possível elaborar programas sem levar em conta a rotina dos jovens, o ambiente onde vivem e tudo aquilo que os empurra para fora da sala.
Retomar “as rédeas” da relação com os jovens, dar-lhes limites, fazê-los entender que o mundo tem regras, tudo isso é mais do que necessário fazer – e, infelizmente, há muitas pessoas, em casa e na escola, negligenciando essa tarefa. Pensar em caminhos não traumáticos para conseguir isso é dever das famílias e dos centros de ensino.
Mas que não seja com propostas esdrúxulas como a de Fernandópolis, que só vai tornar as coisas mais difíceis.
terça-feira, outubro 12, 2010
Avaliação e crescimento
Avaliação e crescimento
NELSON SANTONIERI
"Meu professor da sétima série era tão bom que hoje matemática é minha matéria preferida".
Este depoimento foi dado por aluno a uma empresa que fez a avaliação externa do Multicurso Matemática - programa de formação continuada para professores de matemática do ensino médio, cujo objetivo é melhorar o ensino aprendizagem da disciplina.
A avaliação foi encomendada pela Fundação Roberto Marinho, instituição que valoriza essa atividade como meio de aprimorar os resultados das ações que realiza. Prestar contas à sociedade, identificar as responsabilidades de cada agente e detectar os desafios a tempo de corrigir os rumos é o dever de todos que trabalham pelo maior bem público do país: a educação. A partir da Lei de Diretrizes e Bases - que, em 1996, determinou a obrigatoriedade da avaliação - a cultura da avaliação começou a se consolidar no país. Um ano antes, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) já tinha passado a ter alcance nacional, quando todos os estados participaram do levantamento.
Em 2005, foi criada a Prova Brasil, que avalia estudantes do ensino fundamental das escolas públicas urbanas com mais de 20 alunos na série avaliada.
Na Fundação, a avaliação contempla três momentos: diagnóstico inicial, acompanhamento do processo e análise dos resultados. O trabalho é realizado por empresas e órgãos especializados, com base em práticas metodológicas que são referência na área. No Multicurso Matemática, a primeira fase foi feita em 2008, quando o programa foi implementado na rede pública estadual do Espírito Santo. Em seguida, foram feitas a avaliação em processo e uma aplicação final.
Na primeira fase, 10 mil alunos fizeram um teste baseado na escala de proficiência do Saeb. O resultado mostrou que a média dos estudantes do 1º ano do ensino médio, de 242,56, era muito próxima da apurada pela Prova Brasil entre alunos da 8ª série do ensino fundamental: 243,82. Um ano depois, na 3ª fase, um novo teste mostrou uma melhora significativa na média dos alunos impactados pelo programa: a média passou de 242,56 para 251,50.
No Multicurso Matemática, os docentes dispõem de material didático, fazem seminários, grupos de estudo e trocam experiências no ambiente virtual do programa, que permite troca de e-mails, criação de blogs e chats. A partir da avaliação externa, a Fundação incluiu um curso on-line de trigonometria para professores que haviam relatado dificuldades para ensiná-la.
Tão importantes quanto o programa são as lições que a avaliação nos dá, mostrando a efetividade ou não dos projetos. É um instrumento fundamental da transparência, decisiva para preparar as ações que vão construir a sociedade que queremos.
NELSON SANTONIERI é gerente-geral de Teleducação da Fundação Roberto Marinho.
segunda-feira, setembro 06, 2010
Educação de qualidade
Educação de qualidade
RICARDO YOUNG – Folha de São Paulo
A sociedade e também as empresas, no Brasil e lá fora, estão buscando líderes socialmente responsáveis, que se preocupem tanto com os aspectos econômicos quanto com a maneira pela qual obterão esses bons resultados. Como deve ser este líder?
Numa palestra aqui no Brasil, no ano passado, John Wells, ex-professor de Harvard e presidente da IMD, prestigiosa escola de negócios na Suíça, arriscou uma definição ousada: o "líder 21" será alguém mais parecido com Che Guevara do que com Jack Welch. "Duro", "agressivo", "de longo prazo", mas sem perder a ternura jamais.
Para Wells, líder responsável é resultado de um binômio que mistura vivência e educação de qualidade para todos.
Porque será da quantidade que surgirão os executivos e políticos da transformação pela qual a sociedade precisa passar para construir uma nova civilização.
No Brasil, temos vivência, mas não temos educação de qualidade para todos, em que pesem os avanços recentes e alguns centros de excelência, como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o CTA (Centro Técnico Aeroespacial) e o Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais).
A verdade é que o país nunca tratou a educação com o devido respeito. Por isso, não se preparou para enfrentar o ciclo de mudanças que se avizinha, nem o atual momento de crescimento econômico.
O resultado? O "apagão" de mão de obra qualificada que vai além da falta de profissionais. Faltam, mesmo, competências técnicas e comportamentais. Mesmo os universitários não conseguem atender o perfil ético e responsável exigido aos gestores de hoje.
Pesquisa da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) mostra que, na relação com o PIB, somos um dos três países que menos investe em educação, dos 34 pesquisados. E, no âmbito empresarial, a ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento) verificou que os treinamentos ministrados não igualam o nível dos profissionais brasileiros ao de seus colegas estrangeiros na mesma função.
O cenário parece sem saída, mas não é. Algumas das mais importantes entidades de educação do país, lançaram, com a Unesco, uma carta-compromisso aos candidatos deste ano, com propostas para execução até 2013, que incluem valorização do profissional da educação, padrões de qualidade para todas as escolas brasileiras e mais vagas na escola profissionalizante. Precisamos exigir dos eleitos total prioridade a estes objetivos. A educação tem de sair do atalho e pegar a estrada principal. O preço de mais um descaso será a perda da janela que a história nos escancarou para que, finalmente, possamos atingir a prosperidade e a justiça social que sonhamos.
segunda-feira, julho 19, 2010
ENEM - RANKING DAS 50 MELHORES ESCOLAS DO BRASIL
ENEM - RANKING DAS 50 MELHORES ESCOLAS DO BRASIL
| Lugar | Cidade | Cód.da escola | Nome da escola | Nota do Enem 2009 |
| 1º | São Paulo (SP) | 35141240 | VERTICE COLÉGIO UNID II | 749,70 |
| 2º | Teresina (PI) | 22025740 | INST DOM BARRETO | 741,54 |
| 3º | Rio de Janeiro (RJ) | 33062633 | COL DE SÃO BENTO | 741,32 |
| 4º | Campinas (SP) | 35172716 | INTEGRAL COLÉGIO EED BASICA ALPHAVILLE | 739,75 |
| 5º | Campo Grande (MS) | 50005405 | COLÉGIO ALEXANDER FLEMING | 737,40 |
| 6º | Brasília (DF) | 53056000 | COLÉGIO OLIMPO | 736,33 |
| 7º | Viçosa (MG) | 31128074 | COL DE APLICAÇÃO DA UFV - COLUNI | 734,66 |
| 8º | Belo Horizonte (MG) | 31311723 | COLÉGIO BERNOULLI | 731,28 |
| 9º | Feira de Santana (BA) | 29342880 | COLÉGIO HELYOS | 730,42 |
| 10º | São Paulo (SP) | 35165347 | MOBILE COLÉGIO | 729,76 |
| 11º | Campo Grande (MS) | 50030582 | COLÉGIO BIONATUS | 728,55 |
| 12º | Teresina (PI) | 22025715 | INST ANTOINE LAVOISIER DE ENSINO | 727,99 |
| 13º | Rio de Janeiro (RJ) | 33142726 | COL ISRAELITA BRAS A LIESSIN SCHOLEM ALEICHEM | 727,60 |
| 14º | Rio de Janeiro (RJ) | 33065403 | COLÉGIO SANTO AGOSTINHO | 725,00 |
| 15º | Itatiba (SP) | 35113086 | INTEGRAL COLÉGIO | 723,72 |
| 16º | Belo Horizonte (MG) | 31004812 | COL STO ANTONIO | 722,93 |
| 17º | Rio de Janeiro (RJ) | 33066523 | INST DE APLIC FERNANDO R DA SILVEIRA CAP-UERJ | 722,58 |
| 18º | Goiânia (GO) | 52068986 | COLÉGIO WR | 722,49 |
| 19º | Teresina (PI) | 22023658 | EDUCANDÁRIO SANTA MARIA GORETTI | 722,30 |
| 20º | Rio de Janeiro (RJ) | 33063311 | COL ANDREWS | 720,61 |
| 21º | Rio de Janeiro (RJ) | 33087679 | COLÉGIO SANTO AGOSTINHO - NL | 718,26 |
| 22º | Curitiba(PR) | 41128249 | UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PR | 717,79 |
| 23º | Rio de Janeiro (RJ) | 33062609 | COLÉGIO CRUZEIRO-CENTRO | 717,20 |
| 24º | Rio de Janeiro (RJ) | 33128391 | ESC POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENANCI | 715,35 |
| 25º | São Paulo (SP) | 35104620 | SANTA CRUZ COLÉGIO | 715,17 |
| 26º | Teresina (PI) | 22022406 | COLÉGIO LEROTE LTDA | 714,00 |
| 27º | Belo Horizonte (MG) | 31006238 | COL LOYOLA | 713,65 |
| 28º | Petrópolis (RJ) | 33040516 | COLÉGIO IPIRANGA | 713,47 |
| 29º | São Paulo (SP) | 35104985 | BANDEIRANTES COLÉGIO EFM | 712,57 |
| 30º | Goiânia (GO) | 52086615 | COLÉGIO JAO LTDA | 712,02 |
| 31º | São Leopoldo (RS) | 43139108 | UNIDADE DE ENSINO COLÉGIO SINODAL - SÃO LEOPOLDO | 710,95 |
| 32º | Taubaté (SP) | 35140995 | OBJETIVO JUNIOR COLÉGIO | 710,06 |
| 33º | Teresina (PI) | 22022481 | ANBEAS - COLÉGIO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS | 708,68 |
| 34º | São José dos Campos (SP) | 35805555 | JUAREZ DE SIQUEIRA BRITTO WANDERLEY ENG COLÉGIO | 708,26 |
| 35º | São Paulo (SP) | 35990012 | INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO | 707,22 |
| 36º | Teresina (PI) | 22022503 | COL SÃO FRANCISCO DE SALES | 707,16 |
| 37º | Rio de Janeiro (RJ) | 33063419 | COL FRANCO BRASILEIRO | 706,78 |
| 38º | Niterói (RJ) | 33055866 | COL MARÍLIA MATTOSO | 706,43 |
| 39º | Itapira (SP) | 35363972 | INTERATIVA NÚCLEO EDUCACIONAL | 706,42 |
| 40º | Recife (PE) | 26124297 | COLÉGIO DE APLICAÇÃO DO CE DA UFPE | 706,34 |
| 41º | Rio de Janeiro (RJ) | 33085897 | ESC MODELAR CAMBAUBA | 705,77 |
| 42º | Niterói (RJ) | 33057206 | INSTITUTO GAYLUSSAC - ENS FUNDAMENTAL E MÉDIO | 704,73 |
| 43º | Rio de Janeiro (RJ) | 33105405 | COL PH | 704,61 |
| 44º | Campo Grande (MS) | 50005499 | COLÉGIO MILITAR DE CAMPO GRANDE | 704,30 |
| 45º | Rio de Janeiro (RJ) | 33063729 | COLÉGIO SANTO INÁCIO | 703,86 |
| 46º | Cachoeiro de Itapemirim (ES) | 32052723 | CE SÃO CAMILO - ICE | 703,67 |
| 47º | Belo Horizonte (MG) | 31004731 | COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO- NOVA FLORESTA | 702,76 |
| 48º | Campinas (SP) | 35112689 | COMUNITÁRIA DE CAMPINAS ESCOLA | 702,32 |
| 49º | Brasília (DF) | 53001222 | CED SIGMA | 701,55 |
| 50º | Ilhéus (BA) | 29301505 | COL NOSSA SRA DA VITORIA | 701,18 |
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