terça-feira, junho 08, 2010

Militares reforçam fiscalização na fronteira

Militares reforçam fiscalização na fronteira
Gazeta do Povo - Curitiba/PR
Foz do Iguaçu - Cerca de 700 militares do Exército reforçam desde ontem a fiscalização nos principais pontos de fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina. Diferentemente das outras sete edições, neste ano a mobilização de combate ao contrabando, ao tráfico de drogas e de armas e aos crimes ambientais acontece apenas no Paraná, com reflexos no Mato Grosso do Sul e em Santa Catarina. A Operação Fronteira Sul I-2010 conta com apoio da Aeronáutica, da Marinha, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Verde e da Receita Federal.
As barreiras estão concentradas nos postos da Polícia Rodoviária, na praça de pedágio em Santa Terezinha de Itaipu e no barracão da Receita Federal, em Medianeira, todos na BR-277. As tropas farão incursões também nas estradas rurais da região, na Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai, e na Ponte Tancredo Neves, ligação com Puerto Iguazú, na Argentina. Também haverá ações no Lago de Itaipu, importante corredor usado pelas organizações criminosas. Outras bases estão sendo montadas em Guaíra e Santa Helena, às margens do reservatório, e em Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado.
Realizada pela primeira vez em 2006, a operação é promovida pelo Comando Militar Sul, com sede em Porto Alegre (RS), e tem ainda a participação de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovmveis (Ibama). O exercício faz parte do treinamento das tropas e busca auxiliar os órgãos de repressão que atuam no combate aos crimes transnacionais. As vistorias a ônibus, automóveis e caminhões que circulam pela região rumo a outras regiões do país seguem até sexta-feira.
Como adiantou o porta-voz da operação, coronel Marcelo de Oliveira Santos, caso haja necessidade a presença do Exército nos principais pontos da fronteira pode se estender por um período maior que o previamente estipulado. “Além da atuação na repressão dos crimes, será realizada junto à comunidade local uma ação cívico-social. Com a parceria de diversas entidades, ofereceremos atendimento médico, triagem odontológica e trabalhos de assistência social”, disse Santos. As abordagens a pessoas e veículos serão realizadas durante todo o dia e à noite.

Livro D. Pedro II e o jornalista Koseritz - Uma excelente leitura!

Entrevista com os dois autores que falam sobre a ficção histórica que aborda numa entrevista com o imperador assuntos como imigração, educação, cultura, desenvolvimento, escravidão, crises e guerras.

Amor e fidelidade andam sempre juntos? Psicanalista ajuda a entender a mente masculina

Amor e fidelidade andam sempre juntos? Psicanalista ajuda a entender a mente masculina
Ter, 8/6/2010 – Blog Mulheres – Revista Época - Ruth de Aquino
No sábado, vamos comemorar o Dia dos Namorados. É uma boa oportunidade para todos nós – apaixonados, casados ou sós – refletirmos sobre o que a gente espera de uma relação de amor. Prazer, compromisso, cumplicidade? Casamento… filhos? Fidelidade?  Liberdade?Recentemente, escrevi duas colunas na ÉPOCA que têm a ver com sexo e amor. Em uma delas, Os pegadores e as vagabundas, eu perguntava por que o homem livre é pegador e por que a mulher livre é tachada de vagabunda. Por que “galinha”, para muitos homens, é elogio por referendar sua virilidade e por que “galinha”, para mulher, é sempre ofensa. A outra coluna foi sobre um livro de uma psicanalista francesa que entrevistei em Paris. Les hommes, l’amour, la fidélité. Os homens, o amor, a fidelidade. Ainda não foi editado no Brasil. A autora Maryse Vaillant identificou os vários perfis de maridos que vão a seu consultório e que ela entrevistou para escrever seu livro. Os perfis e definições são de Maryse.  Com qual deles você sonha casar – ou qual deles você associa a seu homem?
O monogâmico mentiroso e infiel que ama sua mulher oficial, é extremamente dedicado à família e não quer se separar, mas tem seus casos discretos e pouco importantes. Não se considera infiel.
“Esse perfil é generalizado, sempre foi. Especialmente entre os homens que têm famílias estáveis, mas também dão importância a seu trabalho e status social. E acham que ter aventuras é uma forma de se sentir mais vivo.”
O polígamo ansioso que quer levar para a cama todas as mulheres que deseja e só valoriza sua liberdade.
“Um modelo cada vez mais comum de imaturidade masculina. Claro que, na juventude, é natural o flerte e a aventura. Vem da curiosidade e dos hormônios. Só que uns levam isso adiante para sempre.”
O infiel crônico que ama também as amantes e que se torna um marido indeciso, sem jamais saber o que quer. A decisão do divórcio é sempre da mulher, nunca dele.
“Esse sempre existiu e está aumentando, com a frequência dos divórcios e os casamentos cada vez mais breves. Como ele acredita no casamento romântico, com base na paixão somente, ele se considera livre para perseguir outros amores quando o desejo esfria. Isso não tem fim.”
O fiel cativo e obsessivo, que só olha para a sua mulher.
“Não faz parte de um grupo numeroso, mas, se for ciumento, pode se tornar violento porque tem ciúme até do passado de sua mulher. É o fiel por honra. Modelo mais antigo. Que se apoia na moral da família”.
O fiel feliz e satisfeito.
“Muito raro. Tão raro que não deveria fazer parte das preocupações femininas. É um tipo mais comum quando a idade chega, após crises de identidade da juventude e da maturidade. É um perfil que se encontra em homens mais velhos, que desejam uma relação plena sem sobressaltos”.
Eis a entrevista com a psicanalista:
Mulher 7×7 -  Quantos homens você acha que realmente amou?
Maryse Vaillant – Tive uma grande paixão, tentei amar uns 3 ou 4 e amo meu companheiro atual. Quando eu era jovem, queria sobretudo viver intensamente, com paixão, até a morte. Depois, tive um filho e percebi que o amor louco não poderia preencher toda a minha vida. Separei-me de um homem que eu amava ainda mas que me desequilibrava. Ele dizia que era fiel. Eu o traí.
Por que você escolheu se fazer de advogado do diabo nesse livro ?
Eu queria que as mulheres entendessem melhor por que os homens traem, queria que sofressem menos e não se culpassem. Existe algo que pertence à construção da identidade masculina, tanto culturalmente quanto psicologicamente. As mulheres precisam saber como os homens pensam.
Mulheres e homens encaram a fidelidade e a traição de maneira diferente?
Mulheres costumam dar mais importância à palavra, ao amor, à promessa implícita de total fidelidade que existe no conceito de casal. Para os homens, a traição é sexual.
Existe alguma associação entre a intensidade do amor de um homem por sua mulher e sua fidelidade ?
Não. Os homens podem amar sua mulher intensamente, mas traí-la por uma aventura sexual passageira.
O mesmo pode ser dito de uma mulher?
Para algumas mulheres sim. As que conseguem separar sexo de sentimento. Mas a maioria associa intensamente os dois.
As aventuras não significam adultério para a maioria dos homens?
O adultério é um termo que remete ao século passado. Uma longa relação, por exemplo, ou sustentar outra mulher, ter uma vida dupla. Aventuras são as paixonites temporárias, quase um hobby, um passatempo, um complemento.
Sacrificar o prazer é uma prova de amor?
Às vezes sim. Não se pode ceder sempre à tentação. Nem é possível tampouco ignorar sempre o desejo. Para um homem apaixonado, ser fiel não deveria ser um sacrifício, mas uma escolha voluntária que lhe dá prazer.
O sucesso do casamento pode depender de uma infidelidade passageira e discreta?
Não se pode ser tão sistemático. O sucesso depende de cada casal e do contrato amoroso e emocional firmado entre eles. É como um pacto, explícito ou inconsciente. Quase tudo é possível, incluindo as infidelidades frequentes, desde que sejam discretas.
As mulheres também têm aventuras como um passatempo inocente?
Sim. Desde sempre, mas elas não falavam. Hoje, elas assumem cada vez mais.
As mulheres nunca são tão infiéis quanto os homens?
Casamento e filhos as restringem mais. São educadas para se sacrificar por suas famílias. As mulheres ainda se sentem menos livres que os homens.
“O casamento não domestica a libido”, você escreve em seu livro.
Sim. Mas o casamento, a meu ver, transcende em muito a libido. Colocamos no casamento nossos sonhos, expectativas, projetos de vida. O casamento é uma construção de todos os dias.
Os contratos libertinos podem ser uma solução para manter o casamento moderno, já que homem e mulher estão mais suscetíveis a seduções ?
Esse tipo de pacto não é para qualquer um. É raro dar certo um casamento nessas bases, em que qualquer um faz o que dá na cabeça.
Quem sofre mais com a traição ? O homem ou a mulher ?
É impossível não sofrer ao ser traído. O amor próprio se confunde com o amor. As feridas ao orgulho pessoal são tão fortes quanto as afetivas. Por isso, quem trai deve ser discreto.
As mulheres que vivem com medo de ser traídas acabam sendo ? Por quê?
Elas são tão ansiosas, se colocam tanto numa posição de vulnerabilidade, fiscalizam tanto o marido que ele se sente asfixiado e sai em busca de liberdade e autonomia. É quase como se elas tivessem certeza de que, uma hora ou outra, serão traídas e abandonadas. E conduzissem inconscientemente o casamento para esse desfecho.
Os homens mais velhos que se apaixonam por garotas mais jovens tendem a ser mais fiéis ?
Eles são dependentes dessas meninas, porque elas ilustram sua virilidade como troféus. Sobretudo aos olhos de outros homens. Se forem fiéis, será por amor a essa imagem e não por convicção. Homens amadurecem muito tarde.
As mulheres podem se cansar de um marido totalmente fiel que só olha para ela?
Algumas ficam entediadas sim. Mas compensam com o amor dos filhos, especialmente dos filhos homens. Não é a fidelidade que é chata, mas as possíveis razões para tal fidelidade. Por exemplo, a falta de imaginação do marido e também uma vida excessivamente prisioneira do casamento.
As mulheres deveriam se tornar mais flexíveis e tolerantes com pequenas infidelidades do marido?
É a escolha de cada uma. Há mulheres que toleram, outras de forma alguma. Mas, acima de tudo, elas deveriam parar de imaginar que, se seu homem as trai, a culpa é delas. As mulheres não são nada responsáveis pela libido de seus homens.
E você, o que acha da visão da psicanalista francesa sobre os vários níveis de fidelidade e tipos de casamento? Mudou sua opinião?

AROEIRA


Incompetência, malícia & imposto – muito imposto

 Incompetência, malícia & imposto – muito imposto
PAULO RABELLO DE CASTRO
é doutor em economia e palestrante, conselheiro de empresas, autor de livros como A grande bolha de Wall Street. Mantém o Blog da Bolha (blogdabolha.com.br) e escreve quinzenalmente em ÉPOCA
Não poderia ter sido mais oportuna a defesa acalorada dos impostos altos feita pelo presidente Lula em 1º de junho. O discurso a favor da carga tributária massacrante veio após a forte repercussão da reportagem de capa de ÉPOCA de 24 de maio, do repórter especial José Fucs, que esmiuçou para os leitores por que tudo é tão caro no Brasil (a resposta: impostos). Como gênio marqueteiro que é, o presidente dá ao brasileiro a oportunidade de pensar sobre como isso afeta a vida de cada um.
Lula disse que os impostos altos são condição para que um país seja forte e tenha boas políticas sociais. Só que os fatos conspiram contra a crença tributária do nosso presidente. Não podemos mais nos enganar com meras suposições. A carga fiscal brasileira é infame: quando somados os tributos (projeção de 36% do PIB) ao déficit público (mais 3% a 4% do PIB), chegamos perto de 40% do PIB do país, ou cerca de 140 dias por ano, em média, que cada brasileiro dedica apenas a sustentar a máquina pública. Isso é pouco ou muito? A resposta certa é: depende. Porque a maneira como se arrecada a gigantesca soma de tributos, de quem se toma essa enorme quantia e como se emprega o produto da arrecadação, pode fazer toda a diferença para justificar ou condenar uma estrutura tributária. A nossa, infelizmente, reúne todos os piores qualificativos: é injusta, ineficiente, maliciosa e incompetente.
Exagerei? Nem um pouco. Vamos ao defeito número um: impostos injustos. Você sabia que os pobres pagam muito mais que os ricos? Pesquisas do Ipea, órgão de pesquisa do governo (agora confirmadas por pesquisadores da Fipe, do IBPT e outros), mostram, desde os anos 90, que um trabalhador que ganha até dois salários mínimos entrega à União, aos Estados e municípios 40% ou mais de seu ganha-pão, em comparação a pouco mais de 10% de um cidadão no topo da pirâmide de renda. Como um governo popular não viu e corrigiu isso? Desonerar alimentos e remédios seria um caminho.
O sistema é pérfido: quem ganha menos pensa que não paga impostos e que recebe benefícios “de graça" Defeito número dois: ineficiência na taxação. Talvez seja a pior qualidade, pois a ineficiência na arrecadação e a complexidade do sistema são um peso morto que rouba tempo e dinheiro do contribuinte sem levar vantagem para o poder público. Somos o campeão mundial em horas gastas pagando impostos e temos o sistema mais distorcido do mundo. Nossos brilhantes legisladores foram empilhando siglas novas de tributos, de suposta vocação social, além das tradicionais (renda, consumo e propriedade). Há IOF, Cide, Cofins, PIS, ICMS, ISS e IPI e outras, que poderiam ser aglutinadas num único tributo do tipo IVA (imposto sobre valor agregado), a ser repartido para os três níveis de governo, sem passeio de ida e volta a Brasília, onde boa parte da grana do contribuinte desaparece.
Terceiro defeito: malícia. Sim, os impostos são escondidos nos preços do que se compra. O resultado é pérfido. A maioria dos cidadãos das classes C, D e E pensa que não paga nada de impostos e ganha bolsas, subsídios e aposentadorias “de graça” dos políticos. É uma dissimulação que país democrático não merece (leia reportagem)
Por fim, sofremos com o defeito da incompetência: a carga tributária alta demais enfraquece a economia. Como? Pense num condomínio em que a taxa é alta demais para os serviços prestados ao morador. O custo é sinônimo de fraqueza da administração, não de força. No país, provoca elevação dos juros e incentiva vazamentos e desperdícios da verba. Uma simples auditoria independente confirmaria isso. No ano passado, com todo o PAC, o governo central investiu apenas 1% do PIB em infraestrutura.
O próximo governo precisa fazer o Estado obeso perder peso e parar de remar contra. Se a carga baixar a 30% do PIB, gradualmente, em dez anos seremos um país desenvolvido ou quase isso. Lula já é um candidato sério ao Nobel da Paz. O próximo presidente, se fizer o que é certo, poderá nos trazer o caneco da Economia. Tomara! 

Brasil não pode ‘se embebedar’ com bom momento, diz ex-presidente do BC

Armínio Fraga fala sobre os riscos para a economia do país
Thais Herédia - G1
Brasil não pode ‘se embebedar’ com bom momento, diz ex-presidente do BC
Armínio Fraga falou ao G1 sobre os riscos para a economia do país.
Ele alertou para o excesso de populismo em ano eleitoral.
Enquanto o mundo desenvolvido enfrenta as consequências da crise financeira, que deixaram os governos com pesadas dívidas e ameaçam a estabilidade da moeda europeia, o Brasil vive um momento sem precedentes em sua economia. Segundo o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, no entanto, a lição que a crise da Europa nos dá é que o país não pode se “embebedar” com o bom momento e perder o controle.
Em entrevista concedida ao G1 por e-mail na última sexta-feira (4), o executivo diz ainda que um excesso de populismo em ano eleitoral pode ameaçar a trajetória de crescimento da economia brasileira para os próximos anos.
Economista e sócio-fundador da Gávea Investimentos, Fraga também discorreu sobre taxa de juros e seleção brasileira.
G1 - Como o senhor analisa o momento atual do Brasil? Há risco de a inflação voltar a subir? A elevação dos juros é mesmo o remédio mais adequado?  
Fraga - O Brasil está passando bem pela crise, mas como a inflação está acima da meta [o centro da meta de inflação definida pelo governo para 2010 está em 4,5%], será preciso alguma correção de rumo. Em geral nestas horas o Banco Central aumenta a taxa de juros para contrair um pouco a demanda interna. O ideal seria que houvesse também alguma contração das políticas fiscal e creditícia, para não exigir um aumento maior dos juros. Há sinais de que o governo seguirá essa linha.
G1 - A crise na Europa pode afetar esse momento que vivemos no Brasil? O que ela nos ensina?
Fraga - Pode. A Europa é um mercado importante para nós, e qualquer problema lá afeta o clima geral de negócios no mundo. A lição maior é que nos bons tempos é preciso cuidado para não se embebedar com o crédito e perder o controle. Isso vale para governo e setor privado.
G1 - O senhor acha que no Brasil governo e setor privado estão nesse caminho?
Fraga - Acho que não, mas sempre cabe um certo monitoramento, aqui e em qualquer lugar do mundo. Nosso consumidor gosta de crédito, e a maioria dos governos também.
G1 - Onde está hoje o fator de risco que pode tirar o Brasil da rota de crescimento?
Fraga - Temos como sempre fatores externos e internos. De fora, uma recaída da crise é a principal ameaça. Se acontecer, as nossas exportações ficariam prejudicadas e investimentos estrangeiros ficariam mais ariscos. De dentro, algum erro de calibragem no curto prazo, como um excesso de populismo em ano eleitoral. Mas não é o que espero.
G1 - Quais erros não se pode mais cometer?
Fraga - Apostar no curto prazo apenas, cair nas armadilhas do populismo.
G1 - Em que nível está hoje o chamado "PIB potencial", que é quanto o país pode crescer sem gerar inflação e um desequilíbrio nas contas externas?
Fraga - O crescimento do PIB potencial deve andar próximo dos 4%, a média dos últimos quatro anos. Mas é um número que tem que ser testado na prática, através do comportamento da inflação.
G1 - Por que o nosso potencial de crescimento é tão menor que o da China e Índia, países emergentes como o Brasil?
Fraga - Porque hoje investimos muito menos do que eles. Algumas áreas carentes são infraestrutura, equipamento, e educação especialmente.
G1 - A taxa de juros, apesar de estar num movimento de alta, está historicamente em níveis muito baixos. Isso faz render menos os investimentos em renda fixa, os mais procurados por serem conservadores. É hora de arriscar mais?
Fraga - Acho que sim. Estamos acostumados com o ganho fácil da renda fixa de curto prazo. Na medida em que se consolide cada vez mais o regime macroeconômico, os juros devem cair, convergindo com aqueles praticados por nossos pares no mundo. Com isso o poupador vai ter que se preparar para diversificar sua carteira e para conviver e administrar risco.
G1 - Gostou do time do Dunga? Qual seu palpite para o campeão da Copa do Mundo?
Fraga - Gostei, mas como a maioria queria um pouco mais de ousadia nas convocações. Estamos indo mais humildes desta vez, quem sabe isso não nos ajuda e voltamos com a Copa?! Já estou em concentração.

Cleriston, para a Folha de Pernambuco


Cowboy Chapéus Fotografia por Priscilla Pompa

A menina usa vários chapéus na cidade de Humahuaca no norte da Argentina, 
onde as pessoas reverenciam as tradições de seus antepassados.

Bloqueio faz de Gaza prisão ao ar livre

Bloqueio faz de Gaza prisão ao ar livre
Isolamento imposto por Israel fragiliza economia e gera desemprego em massa no povoado território palestino Sem ter dinheiro para comprar mercadoria no pequeno comércio local, população fica refém da ajuda de estrangeiros 
MARCELO NINIO - ENVIADO ESPECIAL A GAZA – Folha de São Paulo
As prateleiras dos mercados da faixa de Gaza estão cheias. Com algumas exceções, como medicamentos contra doenças crônicas, também não falta quase nada nas farmácias locais. Na frieza dos fatos, são evidências que poderiam comprovar o argumento de que não há crise humanitária na populosa faixa de terra do litoral mediterrâneo -usado por Israel para minimizar as ações de ajuda internacional. Mas três anos de bloqueio arrasaram a economia local, deixaram quase metade da população desempregada e tornaram inacessíveis para a maioria dos 1,6 milhão de palestinos os produtos que enchem as prateleiras. A vida continua. Famílias fazem fila em sorveterias. De dia, o mar bravio recebe centenas de banhistas. À noite, os cafés ficam cheios de jovens fumando narguilé, e casais passeiam pela orla, criando flashes de normalidade num cotidiano que pouco tem de comum. A onda mundial de críticas a Israel pela morte de nove ativistas na interceptação de navios que tentavam entregar suprimentos à população de Gaza amplificou a pressão contra o bloqueio à faixa. Na área de maior densidade populacional do mundo, a maioria não tem para onde ir.
PRISÃO
A escassez de bens causada pelo bloqueio é driblada com o contrabando em centenas de túneis que passam sob a fronteira com o Egito. Mas a falta de liberdade para deixar o pequeno território por terra, mar ou ar justifica a fama de Gaza de "a maior prisão do mundo". Pelo Egito só saem os poucos que têm autorização do Cairo ou quem recebe visto para um terceiro país. Por Israel, a saída é liberada só para tratamentos médicos inexistentes em Gaza, após longo processo burocrático.
Mohammad Abu Mandeel, gerente de qualidade da Paltel, empresa palestina de telecomunicações, tenta há cinco anos permissão para sair e poder participar de treinamentos na Cisjordânia. "A vida aqui é comer, beber, dormir e esperar", diz Mandeel. "A maioria dos jovens e das crianças daqui jamais viu outro lugar." Quem chega a Gaza esperando cenas de fome típicas da África e lojas vazias se surpreende com a variedade das mercadorias disponíveis. Fora bebidas alcoólicas, vetadas pelo governo islâmico do Hamas, há de tudo, de perfumes de grife a computadores. Comerciantes de Gaza contam que é possível encomendar qualquer coisa pelos túneis, de onde afirmam vir 90% dos produtos que vendem. Israel diz permitir a entrada de 15 toneladas de ajuda humanitária por semana. "Não há ninguém morrendo de fome", diz o porta-voz do Hamas Taher Alnonno. "Mas a vida não é só comida. A pressão psicológica afeta a todos de forma profunda."
FOTO: Ali Nureldine/Folhapress - Centenas de palestinos frequentam o litoral, um dos principais refúgios contra a miséria que assola o território em decorrência do bloqueio israelense 
Segundo o PAM (Programa Alimentar Mundial), 7 de cada 10 habitantes de Gaza recebem ajuda humanitária. Antes do bloqueio, 150 mil pessoas trabalhavam em Israel. Só 2% das fábricas que existiam antes do cerco continuam operando. "Pode ser que não haja crise humanitária no sentido estrito. Mas, se as organizações saírem, Gaza entra em colapso", diz Jean-Noel Gentile, do PAM. "Juntando o bloqueio de bens ao de pessoas, não dá para negar que haja crise humana."
DESTRUIÇÃO
A devastadora ofensiva israelense de um ano e meio atrás ampliou a crise, e as restrições à entrada de materiais de construção perpetuam o drama. Cimento, ferro e vidro são vetados por Israel - sob a alegação de que podem ser usados para fins militares pelo Hamas. Das cerca de 5.000 casas destruídas no ataque, só uma pequena fração foi refeita. Sem dinheiro para reparar o estrago causado por um míssil em sua casa, o comerciante Majid Juma, 46, continua morando com a família na metade que restou, desafiando o risco de desabamento.
Apesar da quitanda que tem ao lado de casa, ele depende de cupons de ajuda alimentícia de agências internacionais.
"Quem comprava dois sacos de arroz hoje compra um. Quem comprava um espera ajuda."
Waffa Walid, 34, sonhou em ganhar uma das casas pré-fabricadas que os navios barrados por Israel traziam.
Ela perdeu o filho Ibrahim, 7, num ataque israelense que arrasou sua casa. Desde então, vive com os seis filhos numa tenda. A geladeira, que pifou, está vazia.
"Meu marido tem outra mulher e mais sete filhos. Resta pouco para mim", diz, com sorriso resignado.

Monterrei, Galiza, terra de meu avô paterno.

A Galícia é uma das regiões mais mais belas da Espanha, com vales e rios, picos de granito e recôncavos costeiros, bem ao norte de Portugal. Produz vinhos brancos secos e frutados, devido ao clima frio e úmido e ao solo granítico. Rias Baixas é a Denominação de Origem que faz o vinho Galego mais destacado no mercado internacional. Os melhores vinhos são 100% Albariño, produzidos em pequenos vinhosdos nas encostas íngremes dos vales.

O pretexto de um bicentenário

 O pretexto de um bicentenário

Maria Clara Bingemer, Jornal do Brasil
RIO - Quem me conhece sabe. Casada com um argentino, porteño militante há mais de 40 anos, o país hermano não poderia ser-me indiferente. Ou amado ou odiado. Não havia saída. Pois ainda que às vezes hesitando e debatendo, optei pela primeira alternativa. Adotei a Argentina como minha segunda nacionalidade. Amo o país, a capital, os costumes, a comida, a música, o vinho, a cultura.
Confesso que no início eu os achava um tanto antipáticos, com aquele complexo de superioridade, olhando-nos de cima abaixo, com sua elegância britânica. Chamavam-nos de macaquitos e criticavam nossas roupas coloridas, nosso carnaval, nosso calor. Depois percebi que era jeito de ser. Assim como nós somos barulhentos, eles são mordazes, ferinos. E como cada povo tem seu pecado capital, o deles é a soberba. E o nosso – ai! – sem dúvida é a inveja.
Pouco a pouco, com viagens frequentes para ver a sogra, visitar amigos, o medio pelo foi me conquistando. Aprendi a apreciar a fidelidade que os caracteriza na amizade. Meu marido está longe de lá desde os 22 anos e agora, aos 65, chega a Buenos Aires e é recebido com fanfarras por aqueles que conheceu no colégio, de calças curtas. Parece que Jorge Luis Borges, o grande – mais um ponto para a Argentina! – dizia algo a respeito disso: os argentinos se destacam por sua fidelidade extrema à amizade e aos amigos.
Fui aprendendo que em torno de um asado (nome argentino para churrasco) e um vinho as tensões se desfazem e o ambiente se descontrai. Fica tudo agradável e a conversa flui deliciosa. Aliás, são grandes conversadores, além de mestres na arte da sedução.
O tempo foi passando e à medida que eu fazia meu caminho na universidade e na academia, foi um outro lado do país e sobretudo da capital, Buenos Aires, que cativou de vez meu coração: o ambiente culto e sofisticado, e as livrarias maravilhosas e abundantes. Caminhar pela calle Cordoba e tropeçar em livrarias de todos os tamanhos, especialidades e conteúdos é, sem dúvida, um prazer indescritível.
É um povo que lê, que reflete, que discute e tem prazer nisso. Povo que vai ao cinema e debate o filme. Povo que cria revistas, escreve, publica, divulga. País onde os professores e scholars, além dos cursos regulares, têm uma vasta clientela que lhes pede seminários, workshops e cursos particulares. Povo que não para de pensar, de refletir, de debater, de elaborar. E para isso lê em toda parte: na rua, nos cafés onde podem passar o dia inteiro, no ônibus, no táxi, no metrô.
Percebo que por isso conseguem emergir de todas as crises. Trata-se de um povo bem educado e culto. E impressionantemente politizado. Não é fácil enrolar o povo argentino, por piores que sejam seus governantes. A sociedade civil se reorganiza por si mesma, inventa novas saídas, pois tem nas mãos a ferramenta de uma educação de qualidade.
A nós olham agora com respeito e algo de admiração. Somos uma potência, dizem. Sabemos olhar para o futuro. É certo e muito me orgulha. Mas quando nosso querido povo brasileiro entenderá que a educação é prioridade zero para construir um povo e uma nação? Que no bicentenário possamos aprender com o país irmão, é o que desejo de todo coração.
Maria Clara Bingemer é teóloga e professora da PUC.

A Moça do Sonho - Edu Lobo (Chico Buarque / Edu Lobo)

Fotografia da mais pura Arte e Beleza! João Maria

NO OCASO DA TARDE, A CIDADE DE NATAL SE RECOLHE SILENTE A MEIA-LUZ

Espinhos do Deserto

Espinhos do Deserto
05/05/2010 às 21:39:03
Aguilhoada por versos que como espinhos, chamam a minha atenção, prefacio Espinhos do deserto, com o mesmo entusiasmo que um biólogo analisaria um espécime rústico e ao mesmo tempo exuberante. O poeta enveredou-se na solitária trilha de um deserto causticante para intitular sua mais recente criação, extraindo dos espinhos a beleza e a agudeza ao ferir para proteger sua sobrevivência. Espinhos do deserto realça em suas páginas, a temeridade ante o perigo de ferir-se e o deleite diante do colorido das composições poéticas. Os caminhos mais difíceis, muitas vezes, nos levam a lugares exuberantes. Espinhos do deserto é um deles.

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