sexta-feira, novembro 12, 2010

Os Sapos - Manuel Bandeira

Os Sapos - Manuel Bandeira

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

Militares aceitam gays

Militares aceitam gays
O Globo
Pesquisa do Pentágono revela que fim da política 'Don't ask, don't tell' não traria risco a guerras
O estudo elaborado pelo Pentágono sobre a norma “Don’t ask, don’t tell” (não pergunte, não conte) — que discrimina o serviço de gays e lésbicas nas Forças Armadas dos Estados Unidos — concluiu que sua revogação implicaria em riscos mínimos e isolados nas guerras em curso no Iraque e no Afeganistão.
Numa pesquisa feita com militares da ativa e da reserva, mais de 70% deles opinaram que a alteração da regra atualmente em vigor teria resultados “positivos, ambíguos ou nulos” nas operações das Forças Armadas. Segundo os entrevistados, as objeções de militares heterossexuais com a convivência com colegas gays ou lésbicas seriam insignificantes, e questões específicas sobre o uso conjunto de dormitórios ou de chuveiros deveriam ser analisadas caso a caso.
A enquete do Pentágono abrangeu cerca de 400 mil soldados e 150 mil casais de militares.
O relatório de 370 páginas — vazado ontem pelo jornal “The Washington Post” — prevê também que poucos militares declarariam abertamente sua homossexualidade caso a lei seja revogada.
Instituída em 1993 no governo de Bill Clinton, a política do “Don’t ask, don’ttell ” determina que homossexuais e bissexuais que revelarem sua orientação sexual devem ser expulsos do serviço militar. Considerada como uma “política de avestruz” — em tese, os homossexuais são admitidos desde que não assumam publicamente sua homossexualidade — e um estímulo à homofobia, a anulação da lei foi uma constante promessa de campanha dopresidenteBarack Obama.
Segundo o “Post”, o Pentágono pediu a pesquisa para lidar com áreas onde uma recusa poderia causar conflitos ou prejudicar a capacidade de combate.
Ontem, o governo americano solicitou à Suprema Corte que não intervenha para exigir que o Pentágono aceite de imediato o serviço de homossexuais assumidos nas Forças Armadas. O grupo de defesa de direitos dos gays Log Cabin Republicans (LCR), que havia contestado na Justiça a política militar, obtivera uma liminar, depois suspensa por um tribunal de recursos, e então recorreu à Suprema Corte.
O secretário de Defesa americano, Robert Gates, defendeu repetidas vezes a necessidade de que a mudança nas regras seja feita com “extremo cuidado”, e que o processo siga o calendário previamente estabelecido, ou seja, a entrega do relatório do Pentágono ao presidente dos Estados Unidos, em 1 ode dezembro, e a posterior apreciação pelo Congresso.

Bello, na Tribuna de Minas


Dilma diz desconhecer projeto de Franklin

Dilma diz desconhecer projeto de Franklin
Maria Lima* e Mônica Tavares – O Globo - 12 Nov 2010
Presidente eleita afirma que só falará de anteprojeto sobre mídia após conhecê-lo e desaprova enfrentamento
SEUL e BRASÍLIA. A presidente eleita, Dilma Rousseff, deixou claro ontem que ainda não decidiu se vai enviar ao Congresso a proposta de criação de novo marco regulatório para a mídia, que está sendo elaborado pelo ministro da Secretaria de Comunicação (Secom), Franklin Martins.
Em viagem a Seul, Dilma disse que só tratará do assunto após analisar o texto: — Vamos fazer o seguinte: deixa chegar o projeto para a gente avaliar. Não tenho conhecimento do projeto. E não tem projeto ainda, não é do meu conhecimento — desconversou a presidente eleita.
Perguntada sobre as declarações de Franklin, que disse que a regulamentação da mídia acontecerá em clima de entendimento ou de enfrentamento, Dilma desautorizou qualquer discussão do tema antes de o projeto chegar ao seu futuro governo: — Não falo a respeito do que fala o ministro. Acredito é que, como em qualquer processo, tem que haver uma grande discussão.
Segundo a Secom, o anteprojeto sobre o marco regulatório da mídia somente será aberto para consulta pública após ser avaliado pelo gabinete de transição do novo governo. O anteprojeto também será discutido em audiências públicas em várias cidades do país. Para fechar o texto final da proposta, o grupo que trata do assunto poderá se reunir com entidades do setor. O objetivo de Franklin é entregar a Dilma o anteprojeto em meados de dezembro.
As experiências dos diversos órgãos reguladores de países convidados, apresentadas no seminário internacional realizado esta semana em Brasília, também serão analisadas e poderão ser incluídas no texto: — A sociedade participará e o projeto será refeito. Depois disso, será enviado ao Congresso, dependendo da presidente Dilma. É ela quem tem que decidir se enviará ou não. Eu confio que ela enviará — disse o ministro, ao final do seminário.
Marco regulatório começou a ser discutido em julho Para Franklin, é dever do Estado elaborar a regulamentação. O ante projeto vem sendo discutido desde 22 de julho deste ano, quando foi criada uma comissão interministerial para apresentar propostas de revisão do marco regulatório e organizar a exploração dos serviços de telecomunicações e de radiodifusão.
A comissão foi integrada por representantes dos ministérios das Comunicações e da Fazenda, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e da Advocacia Geral da União (AGU), além da Casa Civil da Presidência.

Lobato e a caçada ao racismo verde-amarelo

Lobato e a caçada ao racismo verde-amarelo
Heloisa Pires Lima*
*Antropóloga doutora titulada pela USP, criou e foi editora da Selo Negro Edições e é autora, entre outros, de Histórias da Preta (1998,Cia das letrinhas) e Lendas da África Moderna (2010, Elementar). Consultora da série Livros Animados- TV Futura Programa acorda cultura.
A polêmica em torno das personagens lobatianas, após o parecer emitido pelo Conselho Nacional de Educação (set 2010), ganha qualidade se considerar os vários ângulos dessas construções. Primeiramente, o contexto primordial criador dos enredos. O escritor nascido em 1882 cresceu numa fazenda de café do Vale do Paraíba, na província de Taubaté. Quando moço é para lá que voltaria, durante os estudos na faculdade de Direito do Largo de São Francisco, na capital. O guri branco vivenciou as dinâmicas escravistas pouco alteradas na República que engatinhava. Nesse tempo, esteve exposto aos argumentos racialistas que ganharam status de ciência para a vida intelectual e artística da qual se tornou frequentador. Suas biografias não deixam de mencionar a importância do pensamento eugenista de Le Bon, como lentes para ele rever o ambiente rural onde encontra, inclusive, seus Jeca Tatus.
E foi como colaborador da Revista do Brasil que Lobato levou o empurrão do folclore, das lendas, dos mitos populares para suas aventuras junto ao setor editorial. Ele descobre uma fonte rica de temas que afirmará como particularidade nacional frente ao seu incômodo com a excessiva presença de figuras da mitologia européia oferecidas às crianças do país. E é para o Saci, que em 1917, ele desenvolve um questionário e um concurso de pintura como tarefa em busca de uma nova mentalidade nacional, nos seus termos. Mais tarde transformado em livro, lá estarão o tio Barnabé dando voz às lendas de origem africana que, segundo ele, povoavam o imaginário popular. Da mesma forma, a tia Nastácia com seu inventário culinário. Por um lado, a condução de Lobato dá status e integra personagens negros que a sociedade excluía deixando uma peculiar presença negra no universo da literatura infanto-juvenil. O mote também é uma crítica à literatura estrangeira e à produção elitista disponibilizada, na época. Por outro, o material é testemunha ocular de uma espécie de abordagem na arquitetura de figuras negras e o lugar onde foram posicionadas na lógica interna das narrativas.
As imagens dos tipos ficcionais, sempre carregadas de sinais, embutem modelos de humanidade que por sua vez, constroem identidades sociais. Se o ponto de vista de Lobato pode ser acompanhado na redação das histórias que ele assina, da mesma forma nos desenhos que as interpretam e que acabaram selecionadas para as publicações produzidas em seus poços literários e que continuam a abastecer bibliotecas, videotecas, acervos de brinquedos e brincadeiras no país. A perspectiva dos ilustradores dos livros de Lobato facilita observar o tema racismo, de modo mais distanciado. Ou seja, é uma estratégia para diminuir a resistência característica para a questão em obras consagradas.
O treino minucioso pode começar delimitando a postura corporal das personagens, a expressão facial, o tratamento na cor da pele, o relacionamento entre demais figuras em cena, a qualificação atribuída ao cenário das quais participam. Estes, entre outros, são fios a compor o ponto de vista que o analista quer conhecer. Por exemplo, o assunto tratado em Narizinho Arrebitado (1920) aparece implicado às noções de saberes, o erudito e o popular, encarnados em duas mulheres representadas pelo traço de Voltolino. (referência imagem 1 )
Desta primeira edição dá até para afirmar a existência de uma relativa equanimidade de tratamento para ambas o que pode ser observado na forma como ele vestiu as mulheres, moldou a expressão da face, a hierarquia na estatura, a composição que comunique afetividade. Isto se acompanharmos o que ocorreu, posteriormente, com interpretações de alguns outros ilustradores da mesma redação. A Nastácia pode se tornar monstrenga ou suja como nas seguintes versões. (referência imagens 2)
Na figura, elaborada por Manoel Victor Filho em Trabalhos de Hércules (1972), a estrutura do rosto da mulher negra aparece co-relacionada com a do porco Rabicó. Contraposta aos demais personagens insuflados de humanidade, sua Nastácia recebe uma expressão facial mais idiotizada a acompanhar a bestialização a ela imposta. Portanto, nessas páginas nem mesmo como modelo de humanidade ela é oferecida ao leitor. O que a desumaniza também a coloca mais próxima da chacota. Se o resultado perfila a hierarquia social entre os personagens, a vertente negra africana que ela representa, também estará sendo desqualificada e ridicularizada. O narrador da visualidade julga e desvaloriza a origem social com o tratamento que dá ao tema. (1) (referência imagem 3)
Estas breves ocorrências relacionadas à Lobato seriam suficientes para ponderar acerca das imagens que circularam para leitores juvenis d´outros tempos. Os sinais positivos ou negativos que acompanham as ilustrações fizeram parte de uma rede simbólica que atingiu diretamente a percepção não apenas das pessoas reais de outrora. Tais identidades espelhadas nessa descendência repercutem até os dias atuais. Oras o passado! Será que o lá atrás vivenciado desapareceu ou permanece em algum lugar do imaginário social? Nem sempre tão lá distante assim, as formas lúdicas sustentaram criadouros de correntes de pensamento a identificar parcelas da população. O aparato simbólico que para a origem européia valoriza positivamente os traços fenotípicos não deixa de informar como contraponto, uma origem africana. A composição foi uma arma a fomentar estigmas.
A representação do Saci lobatiano pode ser explorada para demonstrar os vínculos entre a resposta particular numa autoria e o circuito cultural que a gerou. O detalhe da primeira capa do livro O Saci pererê: resultado de um inquérito, com ilustrações internas de Voltolino, expõe a interpretação do desenhista para o qual poderiam caber inúmeras leituras. Talvez o barrete com o qual vestiu a cabeça da figurinha preta pudesse estar associado aos ícones revolucionários radicais europeus ou ao trickster africano símbolo de dinamismos e liberdade irrestrita. É mais provável que um brasileirinho lesse a demonização da figura recolhida do folclore. Lá estão os chifres e a ferocidade estampada no rosto assustador com dentes vampirescos. O próprio Lobato assina a obra com o pseudônimo de Um Demonólogo Amado. (referência imagem 4)
O discurso visual com o Saci poderia ter a intenção de resgate cultural. No entanto, hoje, o saci preto e imbricado às ideias cristãs de maldade é material que promove desqualificações culturais associativos à origem negra.
Cada elemento visual ou seu conjunto sintetiza e emaranha crenças no momento de sua criação. Todavia, não há leitura única na recepção da mensagem. Se num contexto a capa pode significar ruptura e avanço, noutro pode facilitar desvalorização e conservadorismo. E haveria diferença ou tanto faz a capa ser percebida por um adulto ou uma criança a partir da simples exposição do livro numa prateleira? Seria possível levantar fatores para como cada qual processaria a instauração do recado valorativo e suas consequências de ordem afetiva nessa comunicação?
Portanto, toda a busca de compreensão da obra infantil ou juvenil como espelho para elaborações de ordem emocional presume o fato de ali haver um espaço para o leitor reconhecer a si mesmo ou o outro. O apreço auxilia na promoção da autoestima e a dos afetos a elaborar alteridades. Por isso há de haver sensibilidade para considerar o poder de difusão de preconceitos e estereotipias que uma imagem pode conter.
Para a habilidade do analista, se já foi lançada a hipótese do leitor das imagens ser uma criança, acrescentemos a circunstância social de ser ela uma criança negra em processo de elaborar sua origem numa escola da época de Lobato. A via literária estaria fornecendo elementos para uma auto percepção e de suas raízes negras. Além do mais, esse leitor negro teria que lidar com outras crianças, que o perceberiam com o auxílio de uma biblioteca que o constrangeria. A exposição a tamanha violência, nesse caso simbólica, faz saltar aos olhos o destrato hipotético de um preceito educacional e de alto valor nos nossos dias: a eliminação de constrangimentos para o pleno desenvolvimento das personalidades em formação. Os preceitos educacionais atuais responsabilizariam o dos velhos tempos pelo incômodo imposto ao educando.
As Nastácias desqualificadas lá atrás trazem para cá nuanças que dizem respeito, às idéias associadas de superioridade e inferioridade racial. A figura feminina boçalizada e o saci demonizado serviriam perfeitamente para qualquer manual de nossos tempos que discorresse a respeito de como se formam os pensamentos xenófobos.
O mesmo exercício de leitura dos trechos visuais renderia caso o alvo fosse as imagens construídas por meio da escrita de Lobato. Todavia, vale deslocar a ênfase nos textos pioneiros do autor. Para não correr o risco de etiquetar toda a obra por um de seus aspectos, mais importante é fazer notar o leitor inserido numa e outra sociedade. É o ambiente social que promove ou impede a circulação de fórmulas racistas para a geração a ser formada. Por sua vez, um público com pouca maturidade. O jovem exposto à agressão é quem merece destaque. Pouca idade e poucos elementos para se defender do ataque violento. É ao adulto e à sociedade madura a quem cabe a proteção e a responsabilidade frente à circulação desatenta do ataque físico ou moral da pessoa jovem.
O treino de perceber a particularidade de um jovenzinho negro submetido a agressões inclui a singular via literária. A questão atinge em cheio o setor editorial com a demanda vinda dos meios educacionais, sobretudo a partir da conquista histórica da Lei 10639/2003 que integra o tema racismo no debate pedagógico maior. Pois embora algumas teorias racistas tenham sido banidas do mundo adulto e refutadas por acadêmicos maduros, veja que podem adquirir, nos aparentemente ingênuos formatos de livro infantis, canais para fixar preconceitos, estimular estereotipias e evocar atitudes discriminatórias. Todo projeto editorial tem seus propósitos. Quando relançam obras do passado surge a pergunta implacável: O que significa reaplicá-las hoje para um público juvenil? Se mostrar alheio ao fato de algumas obras se aliarem à condenação da religiosidade de matriz africana, ou à facilitação de apelidos promovidos pelos compêndios é reificar a invisibilidade, por que não dizer a irrelevância da recepção racista para o leitor negro.
Caso propuséssemos ao adulto de hoje que buscasse a memória de personagens que habitaram a literatura a qual teve acesso, aqueles que preencheram afetivamente, sua infância seria uma chave para dimensionar o que ocorre com a criança de hoje. Da mesma forma que esse percurso pessoal, a sociedade acumula repertórios assentados como camadas de um imaginário coletivo a intervir na identidade histórica que esta imagina para si. Vale alertar, ainda, para a desproporção entre referências oferecidas ao leitor numa e noutra origem continental, seja asiática, indígena americana, do oriente, dos polos da terra oferecidos nas antigas bibliotecas dos brasileiros. Sobretudo ao cotejarmos com universos temáticos que esbanjam a origem europeia. Isto quer dizer que a presença negra nas foi rara e quando ocorreu foi marcada por abordagens ficcionais pouco positivas para elaboração de identidades acerca da parcela negra da população real.
Perceber o racismo verde-amarelo em sua dimensão editorial talvez seja a oportunidade que a polêmica em torno de Lobato ofereça para escaparmos de uma armadilha reflexiva. Evocar a época da produção não pode se tornar autorização para fecharmos os olhos às agressões que ela possa conter. Se eliminar o passado é inviável enquanto historia do livro no país, também não basta reconhecer a estrutura criativa dos textos. Todavia, uma visão parcial pode eleger as exaltações que o mundo literário confere ao consagrado Lobato e promover uma espécie de impedimento para a compreensão da obra em sua totalidade. E, fundamentalmente negadora da presença de estereótipos no material. Ao invés do temor, de transformar em tabu qualquer análise, voltar aos Lobatos do passado pode propiciar ângulos inéditos a enriquecer a relação atual com essa literatura. Significa apostar no dinamismo da leitura que uma obra propicia e viabilizar a crítica sadia.
Se realidade e representação são faces de uma mesma moeda, se uma influencia a outra e vice-versa ao contrário, poderia dizer uma personagem desse cenário, o fato é que há uma demanda educacional interlocutora da produção editorial. Se o diagnóstico sobre o excesso de representações pejorativas desqualificando insistentemente as referências à população negra no Brasil o que fazer quando estas voltam ao futuro?

Como entraremos nessa aventura? Caçadas de Pedrinho (original de1933) é o título analisado com a responsabilidade que o Conselho Nacional de Educação chama para si. A relatora Nilma Gomes perfila a questão do racismo na Educação Nacional para o parecer que atrela uma série de medidas cautelares para a circulação da obra. O objetivo de promover uma educação antirracista prevê a formação do educador para a introdução de tais conteúdos. Há de se aplaudir a iniciativa. Pois quando o inquestionável, aquilo que sempre passou despercebido cessa de sê-lo, quando a agressão deixa de ser naturalizada e a negação perde força para assumir enfrentamentos temos uma pista de saúde social e uma chance para conviver com a arte de outros tempos. Pois um dos limites à liberdade irrestrita dessa circulação é o racismo dirigido à tenra idade. A caça é aos racismos ignorados e não à obra ou seu autor. O desafio está colocado para a sociedade. E, sobretudo, aos circuitos editoriais que terão que encontrar formas de respondê-lo.
_______
(1) IMA, H. P.. Personagens negros: um breve perfil na literatura infanto-juvenil. In: Kabengele Munanga. (Org.). Superando o racismo na escola. 2 ed. Brasília: Secad-Ministério da Educação, 2001
Fonte: Amai-vos

Clayton, hoje no O Povo (CE)


Herois da Resistência - Dublê de Corpo

quinta-feira, novembro 11, 2010

A rota da seca... #fotografia #fotojornalismo #photography #photographer #photog Posted on November 12, 2010 by Johnguardacosta

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Solda, para O Estado do Paraná


Cláudio Humberto

Cláudio Humberto
“Nenhum ministério é propriedade de ninguém”
JOSÉ EDUARDO DUTRA, PRESIDENTE DO PT, PARA QUEM, NO PMDB, QUER MANTER MINISTÉRIOS
DEM DÁ AO PMDB TEMPO NA TV E MAIOR BANCADA A negociação para a fusão do DEM, revelada com exclusividade nesta coluna na segunda (8), oferece dois trunfos ao PMDB: tempo maior na TV, na próximas eleições, e o acréscimo de 43 deputados à bancada do partido de Michel Temer, que passaria de 79 para 122, assegurando o direito de indicar o próximo presidente da Câmara. O PT elegeu 88 deputados e, segunda maior bancada, perderia a sonhada presidência.
CONSEQUÊNCIA A fusão com o DEM garantiria a presidência da Câmara a Henrique Alves (RN), amigo de Michel Temer, sem precisar de acordo com o PT.
EGOCENTRISMO No DEM, as negociações para a fusão com o PMDB são atribuídas ao prefeito paulistano Gilberto Kassab,candidato ao governo em 2014.
SENADO CONTRA O líder do DEM no Senado, Antonio Carlos Junior (BA), é contra a fusão. Acha que o DEM deve manter-se coeso e ainda mais aguerrido.
“É UM CRIME” O deputado Onyx Lorenzoni (RS) promete resistir. Considera “um crime antidemocrático” a extinção do DEM e a consequente fusão ao PMDB.
BRASIL FAZ AEROPORTO INTERNACIONAL... NA ÁFRICA Já de olho talvez na sua nova “plataforma” africana de projeção internacional, Lula autorizou o BNDES a emprestar US$ 18 milhões para a construção de um aeroporto internacional em Nampula, Moçambique, na atual base área da cidade. É parte do pacote de US$ 300 milhões do Brasil para a infraestrutura local. Já os principais aeroportos brasileiros vão continuar a porcaria de sempre.
OLHA NÓS Maputo foi à última visita presidencial ao continente africano. Nosputo ficou fora do roteiro – deve ser um rincão perdido no Brasil.
TOC-TOC A polêmica saúde da presidenta cria spams para roubar dados do bobonauta, com link para “fotos de Dilma tendo ataque cardíaco”.
QUEM QUER DINHEIRO? Lula nega que encontrou Silvio Santos para tratar de empréstimo ao banco do empresário. Queria entrar no “Topa ou não Topa”, só isso.
BOM HUMOR O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) foi indagado no twitter se Lula ou Dilma ligaram para ele. Seu bom humor revela que ele superou sua demissão do ministério da Educação: “Dilma não tem razões para me ligar, e Lula, se ligar, vou pensar que quer me demitir de alguma coisa”.
OLHANDO BEM......a ameaça da presidente Dilma de juntar no ministério formosuras como Maria da Graça Foster e Ideli Salvatti, revela que o filme As Bruxas de Eastwick vai entrar em cartaz no cineminha do Alvorada.
ESTÁDIO MENOR O governador eleito do DF, Agnelo Queiroz (PT), confirmou o que esta coluna antecipou ontem: sua decisão de reduzir à metade o tamanho e os custos do Estádio Nacional de Brasília, subsede da Copa de 2014.
VOANDO A mulher do ministro Jobim (Defesa) vai ganhar a Medalha do Mérito Aeronáutica, após republicarem o decreto às pressas no Diário Oficial da União: esqueceram o nome de Adrienne entre os 207 “medalhados”.
BABAQUICE Como não há nada mais urgente para resolver no País, a CCJ do Senado aprovou a emenda babaca que inclui o “direito à felicidade” na Constituição. Agora só falta incluir o “direito de respirar”.
COISA FEIA A turma de Gilberto Kassab informou que o caminhão flagrado jogando lixo no município de Guarulhos era terceirizado, mas na porta exibia a logomarca da prefeitura de São Paulo e a matrícula: EBZ 4754.
MINA TERRESTRE África foi a salvação: Lula ficou bem longe da tradicional Feira do Livro, ao ar livre em Porto Alegre, onde, há 50 anos, crianças ganhavam livros de Monteiro Lobato – hoje perseguido no “Lulaworld”.
SEBRAE FOR EXPORT O diretor da Fundação Guineense para o Desenvolvimento Empresarial e Industrial, Califa Seidi, realiza nesta quinta uma visita ao Sebrae-DF. A intenção é implantar uma experiência semelhante em Guiné Bissau.
PENSANDO BEM...... O antigo Proer de FHC virou Bafban – Baú da Felicidade dos Bancos.
PODER SEM PUDOR
ATRASO PERDOADO
Em maio de 1991, o senador Esperidião Amin liderou um grupo de políticos catarinenses numa audiência marcada com o ministro da Educação, Carlos Chiarelli. O grupo começou a se irritar com o chá-de-cadeira quando o ministro finalmente apareceu na sala de espera com a atriz Cláudia Raia:
– Desculpem o atraso, é que eu estava falando com a Cláudia...
– Está perdoado, ministro – respondeu Amin, extasiado –, principalmente depois de trazer o álibi pessoalmente.

Renovar o Enem

Renovar o Enem
EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO - editoriais@uol.com.br
Exame enfrenta percalços por manter o gigantismo de teste único; saída é aplicar provas equivalentes, mas distintas, em tempo e locais variados
O açodamento com que o Ministério da Educação (MEC) se lançou na transformação do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) em principal porta de acesso às universidades federais está na raiz de seus sucessivos fiascos. Com um pouco mais de planejamento, seria possível evitar o grave prejuízo à imagem de um sistema que possui inegáveis méritos.
A formulação do Enem se baseia em técnicas modernas de avaliação. O mesmo tipo de prova é aplicada em exames reconhecidos como eficazes em diversos países. É o caso do SAT norte-americano (sigla que significa teste de avaliação escolar, em inglês) e também o Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), adotado por membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Essas provas são baseadas em questões classificadas por grau de dificuldade. O escore final de cada participante resulta de cálculos estatísticos que levam em conta o desempenho do candidato nas perguntas consideradas mais e menos difíceis. Dito de outro modo, a necessária isonomia entre os participantes fica garantida por essa ponderação. Não é obrigatório que todos os estudantes respondam um rol de perguntas de conteúdo idêntico, como no vestibular -basta que elas se equivalham em grau de dificuldade.
É consensual que essa técnica permite comparar de forma justa alunos que fizeram exames diversos, mesmo que em diferentes momentos e países.
Tanto é assim que o SAT americano conta com sete aplicações ao longo de um ano. No plano original do Ministério da Educação, o novo Enem deveria ter três edições anuais.
Boa parte dos percalços que a prova enfrenta vem da tentativa de conjugar esse modelo com o gigantismo do velho vestibular: um sistema de avaliação que, embora imaginado para permitir a compilação de múltiplas provas, tem de ser realizado em escala nacional como prova única.
O pesadelo logístico de fazer chegar um exame de conteúdo idêntico a mais de 3 milhões de estudantes, num país do tamanho do Brasil, carrega consigo o germe do fracasso. O método cria um prêmio alto demais para o vazamento, valorizando as muitas oportunidades de quebra de sigilo.
A saída não está em uma marcha à ré. Ao contrário, cabe persistir na lógica do Enem e apressar a constituição de um grande banco de questões codificadas.
Isso permitiria diversificar as provas, que poderiam ser organizadas de forma regionalizada -ou mesmo com a aplicação de vários exames numa mesma região. Também seria possível propor mais de um teste ao longo de um mesmo ano. Não seria um exame à prova de fraude, o que não existe, mas contribuiria para evitar problemas e superar o arcaísmo dos grandes vestibulares.

Milton Nascimento - Outro Lugar

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