quarta-feira, junho 09, 2010
O sagrado no mistério do namoro
O sagrado no mistério do namoro
Marcelo Barros
Nos meios de comunicação e na vida de muitos jovens, esta semana é dominada pelas comemorações do dia dos namorados. O comércio promove tudo o que pode para lucrar mais. Talvez, por causa disso, muitos eventos em torno desta data recorrem a certo romantismo, com tal apelo emocional que, dificilmente, escapam ao que, popularmente, se classificaria como brega. Entretanto, no mundo da internet rápida, no qual as pessoas namoram virtualmente e há até quem combine casamento sem nunca ter encontrado realmente a pessoa em questão, o namoro clássico pode ser excelente instrumento para uma aproximação gradual da outra pessoa e um útil aprendizado da bela, mas exigente arte de amar. Nos anos 60, a “arte de amar” foi título e tema de um livro do psicólogo norte-americano Erick Fromm. Ele nos ensinava que, embora o amor corresponda a um desejo natural e a um impulso instintivo de todo ser humano, na realidade, amar é mais do que isso. Mesmo se, nas pessoas, o amor parece ser algo espontâneo, supõe um aprendizado, na maioria das vezes, lento e progressivo. Tanto na cultura urbana, como nos ambientes mais rurais, quem namora aprende a lidar com o outro como alguém que é íntimo e, ao mesmo tempo, sempre um mistério sagrado a ser contemplado e assumido como tal, mas nunca totalmente decifrado.
Aparentemente, o namoro nada teria a ver com a fé e a espiritualidade. Entretanto, em várias tradições religiosas, a aproximação amorosa de duas pessoas é vista como sinal e profecia da intimidade de Deus. Na Bíblia, o profeta Jeremias lembra ao povo de Israel a travessia do deserto, como tempo do namoro com o Senhor (Jr 2). Oséias diz que Deus promete ao povo cativo: “Vou de novo conduzi-la ao deserto e falar ao seu coração” (Os 2, 16 ss). No tempo das primeiras comunidades cristãs, o livro do Apocalipse contém uma carta à Igreja de Éfeso, na qual o Cristo apela: “Volta ao primeiro amor da tua juventude”.
Na Bíblia, o deserto é um lugar geográfico que para o povo dos hebreus representou o tempo do aprendizado do amor solidário, da experiência de ser livre e de descobrir mais profundamente a intimidade de Deus. Com a evolução da revelação divina, o termo “deserto” se tornou símbolo de todo caminho para a interioridade. Ninguém precisa de Bíblia para compreender porque quem namora gosta de lugares mais retirados e discretos. O amor precisa de momentos e de espaços assim, não apenas para experimentar a relação sensual. Esta pode ser profundamente espiritual e sagrada, mas a intimidade da relação amorosa serve também para que as pessoas se encontrem de coração a coração. Então, cada um/uma pode estimular a outra pessoa a uma viagem mística até o mais íntimo de si. Ali, como em um jardim secreto, no qual só quem é iniciado penetra, Alguém mais íntimo a nós do que nós mesmos nos espera e nos renova na inefável arte de amar.
Esta arte precisa ser desenvolvida por toda a vida, independentemente de idade e condição social. Há poucos meses, na Itália, partiu para a outra dimensão da vida, uma poetisa que, durante anos, foi candidata a prêmio Nobel de literatura. Através de um amigo comum, conheci e me tornei amigo de Alda Merini. Era uma mulher muito original. Viveu em Milão, quase sempre sozinha, mas, até seus quase 80 anos, era sempre possuída por uma intensa busca do amor apaixonado e romântico. Uma vez, me mostrou vários de seus poemas. Mesmo sem ter a necessária veia poética, traduzi alguns e ouso partilhar com vocês um deles, transcrito como prosa. Faço-o, em memória da querida Alda Merini e o dedico a toda pessoa apaixonada. Chama-se: “O namorado”.
“Todos perguntam quem é meu namorado. Querem saber com quem gosto tanto de, durante o dia, falar e por noites inteiras tagarelar.
Descobriram que não falo com ninguém e com este ninguém intimamente converso. Chamaram-me louca porque eu falava com tua sombra e porque sempre te via, presente no meu aconchego. Eu te via e ainda vejo sobre as paredes, a te mover. Contigo caminho no lento vagar das horas e em meu corpo imprimes o teu sabor. Deitamo-nos como no ar e tu teces em minha alma arabescas posições de amor.
Não vais à Igreja, à devoção, simplesmente para ficares perto de mim, porque eu mesma sou tua prece, tua canção. Eu te vislumbro até na escuridão e de ti não me separo, nem na mais cruel solidão.
Sei que me procuras no umbral da janela, esperando o xeque-mate da minha vida, qual cavaleiro do rei e do bem. Estás presente na casuarina que geme, como na espiral da morte que se pressente e vem.
As vezes, dá-me a sensação de te seguir até o além, quando me levam de novo a um hospital psiquiátrico, somente porque te quero bem”.
Revelar segredo a quem já sabe não é crime
INQUÉRITO TRANCADO
Revelar segredo a quem já sabe não é crime
POR GEIZA MARTINS
Segredo é o que deve ser mantido em sigilo, sem qualquer divulgação. Se o funcionário conta o fato sigiloso a quem dele já possui conhecimento, não se consuma a infração penal. Com esse entendimento, a desembargadora federal Assusete Magalhães determinou o trancamento em definitivo do inquérito da Polícia Federal aberto para investigar suposto tráfico de influência do ex-deputado federal pelo PT de São Paulo e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh dentro do Palácio do Planalto.
A decisão, por unanimidade, foi tomada pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que confirmou ordem da juíza Maria de Fátima Paula Pessoa Costa, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal. Em junho de 2009, a juíza ordenou o arquivamento do inquérito. O Ministério Público Federal recorreu e o caso chegou ao TRF-1.
Durante as investigações da Operação Satiagraha, a Polícia Federal interceptou telefonemas de Greenhalgh para Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência da República. Nas ligações, efetuadas em 2008, o ex-deputado pediu a Carvalho que verificasse se a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estava vigiando Humberto Braz, executivo do banco Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, alvo da operação. Greenhalgh é advogado de Daniel Dantas.
Assusete baseou-se em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que determina o trancamento quando é configurada “hipótese extraordinária”. A desembargadora destacou que diálogo e os depoimentos transcritos de Gilberto Carvalho e Greenhalgh “demonstram que, naquela ocasião, o próprio policial militar já havia revelado, à Polícia Civil do Rio de Janeiro, a sua identidade e o fato de estar a serviço da Presidência da República”.
A relatora ainda ressaltou que, embora Carvalho tenha afirmado a Greenhalgh que a Abin não estava investigando Humberto Braz, “nada foi revelado quanto ao conteúdo ou à natureza do serviço executado”. Assusete citou a própria decisão de primeira instância que diz: “É importante lembrar que nem mesmo sigilosa era a condição funcional de tal ‘araponga’, pois foi ele mesmo – segundo se depreende dos autos – quem se apresentou em público como tal. Portanto, não havia mais como se considerar como sigilosa qualquer informação a respeito”.
Leia a decisão.
Noodle Chef, Tailândia Fotografia por Dean McCartney
Uma peneira de massa de macarrão integral fresco, fora de um fogo aberto, comanda a concentração total de um cozinheiro na Chinatown de Bangkok. A habilidade dos chefs de rua e o aroma das suas criações são irresistíveis para muitos transeuntes.
Um espião em seu computador
Um espião em seu computador
A operadora Oi adotou um programa que rastreia tudo o que seus clientes de banda larga fazem na internet. Por que isso é uma ameaça para nós
Bruno Ferrari e Camila Guimarães - Época
Existe um programa de computador que registra tudo o que você faz na internet. Acionado, ele sabe que você entrou no Orkut, digitou o nome de uma ex-namorada no campo de busca, depois visitou o perfil dos amigos dela. Também viu que entrou num site de vendas e procurou uma nova torradeira. Anotou as opções que você comparou. Acompanhou sua visita ao site do banco para consultar o saldo. Seguiu seus passos no site de e-mail enquanto você abria cada mensagem. Viu que você entrou no Facebook. E quando você clicou num vídeo divertido que alguém recomendou. Esse programa anota quanto tempo você gastou em cada uma dessas atividades. E transmite toda essa informação a uma empresa que analisa seu comportamento e o classifica de acordo com algum rótulo. Soa amedrontador? Pois é real. Esse tipo de invasão de privacidade ameaça os internautas brasileiros.
A sequência acima, de rastreamento da navegação na internet, descreve o serviço oferecido pela empresa inglesa Phorm. Ela está chegando ao Brasil. Seu principal cliente aqui é o provedor de internet Velox, serviço oferecido no Rio de Janeiro pela operadora de telecomunicações Oi. A Oi está testando aqui uma versão do programa da Phorm chamada Navegador. É uma tecnologia que está longe de ser aceita no mundo. Desde 2002, quando foi criada pela Phorm, ela tem gerado controvérsia internacional e levantado preocupações em grupos ligados à defesa dos direitos civis na internet. Essas resistências dificultaram sua adoção nos Estados Unidos e na Europa. Há o temor de que as informações pessoais sejam usadas de forma indevida. É evidente que uma empresa telefônica não pode grampear suas linhas. Por que, afinal, seu provedor de internet teria direito de saber o que você faz na rede? Um programa espião ameaça nossa liberdade?
Sua chegada foi discreta no Brasil. A primeira rodada de testes com o Navegador foi anunciada em março pela Oi, dona do provedor de banda larga Velox e do portal iG. De acordo com a Oi, ele começou a ser oferecido a internautas do Rio de Janeiro. A intenção da Oi é expandir aos usuários de todo o Estado até o final de 2010. O Navegador é um rastreador remoto (não fica instalado na máquina do usuário) dos passos que um internauta dá na rede. No início dos testes, Oi e Phorm anunciaram uma parceria com os portais Terra, UOL e Estadão. Procurada por ÉPOCA, a assessoria do Grupo Estado afirmou que “a parceria nunca existiu e o nome da empresa foi usado à revelia”. A Oi confirmou a parceria com UOL e Terra.
O objetivo do Navegador é detectar as preferências de quem navega na rede. A promessa da Oi é oferecer ao usuário uma navegação personalizada. Quem é torcedor do Flamengo passaria a ter automaticamente na tela do computador mais informações sobre o time. “Uma página será apresentada aos clientes para que decidam se desejam ativar a ferramenta”, diz a Oi. “A escolha e decisão é do cliente.” Oi e Phorm também afirmam que a tecnologia do rastreador traça o perfil dos usuários sem identificá-los. Isso seria possível graças a um recurso técnico. Assim que um internauta se conecta à web, imediatamente o Navegador associa a ele um número aleatório. É esse número interno – e não um nome público ou um endereço fixo na internet (conhecido tecnicamente como IP) – que a Phorm usa no rastreamento. “Nenhum dado pessoal, histórico de navegação ou endereço IP é armazenado pela ferramenta”, informou a Oi. “O sistema não rastreia e-mails, salas de bate-papo e páginas seguras, como sites de banco.”
O programa da Phorm também permite que o provedor de acesso mostre, a cada usuário, anúncios específicos, de acordo com seus interesses pessoais. Sites que tenham acordo com o provedor poderiam vender anúncios prometendo veiculá-los a internautas cujo perfil fosse mais interessante ao anunciante. Tal sistema é apresentado como um modo de aumentar a receita de provedores e sites de conteúdo. Só que, além de invasivo, ele pode representar uma concentração de poder nas mãos de uma empresa cuja missão deveria ser prover acesso de forma indistinta – sem discriminar o conteúdo ou publicidade que trafega em sua rede. Numa comparação com outro setor, a situação seria equivalente a uma empresa de eletricidade receber dinheiro cada vez que você ligasse uma determinada marca de eletrodoméstico na tomada.
Tamanho poder nas mãos da Phorm e da Oi pode representar uma ameaça à concorrência no mercado de publicidade on-line. A Oi argumenta que, como o iG detém em torno de 5% desse mercado, essa ameaça inexiste. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá julgar nas próximas semanas a parceria entre Oi e Phorm. Até agora, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) deram parecer favorável à Oi. O caso estava na pauta do dia 5 de maio, mas o Cade decidiu pedir mais informações à Oi. Um novo julgamento ainda não foi marcado.
Além das questões comerciais, o maior estigma em torno dos programas de rastreamento da Phorm é a ameaça à privacidade. O Brasil está recebendo um programa espião rejeitado em outros países. O histórico da Phorm é sombrio. Ela foi fundada em 2002, com o nome de 121Media. Especializou-se na criação de programas para publicidade on-line. Seu primeiro produto foi classificado como um spyware, nome técnico dos programas espiões que se instalam na máquina do usuário sem consentimento e enviam informações a terceiros. No início da década passada, esses programas eram tão populares quanto difíceis de apagar. A Phorm recebeu notificações de órgãos de segurança de países como Estados Unidos, Canadá e Inglaterra pedindo que interrompesse as vendas por ferir a segurança e a privacidade do internauta.
A Phorm então desenvolveu o Webwise, programa que diz tratar o internauta de forma anônima. Sites como Google, Amazon e Wikipédia bloquearam o Webwise em suas páginas por desconfiança. Personalidades como Tim Berners-Lee, criador da web, criticaram a falta de transparência (leia mais no quadro ao lado). O caso mais delicado envolveu a British Telecom (BT), operadora estatal de banda larga da Inglaterra, acusada de infringir as leis de privacidade da União Europeia por fazer, entre 2006 e 2007, testes do programa com 18 mil clientes – sem consultá-los. O mal-estar foi tamanho que a BT teve de abandonar o projeto em 2008. “A ferramenta da Oi tem uma proposta de valor e modelo de implementação totalmente diferente do Reino Unido”, informou a Oi.
A Phorm não é a única empresa que rastreia hábitos do internauta para alocar publicidade. Grandes sites, como o Google, tentam adivinhar o gosto do usuário a partir do que ele busca ou digita. O Facebook também enfrenta questionamentos sobre sua política de privacidade. Vários internautas têm abandonado o Facebook por causa disso. Mas o rastreamento da Phorm dá um passo além. Por dois motivos. Primeiro, os outros sites avaliam seu perfil, mas sua vida digital não fica toda guardada neles. Quando a Phorm espiona, ela rastreia tudo o que você faz. Segundo motivo, as empresas de busca e redes sociais precisam do retorno publicitário para manter seus serviços gratuitos. Os provedores que usam o programa da Phorm já são pagos por você – e pelo acesso, não por conteúdo.
O grupo AntiPhorm, uma ONG de defesa de direitos civis na internet, lançou programas para bloquear o rastreador. Um deles, o Dephormation, funciona simulando atividade na internet de seu computador. Com isso, os dados que a Phorm rastreia ficam poluídos com informação falsa e perdem valor. O navegador Firefox oferece uma ferramenta chamada Firephorm, que impede a Phorm de anotar os sites que você visita. As próprias empresas que anunciam podem se recusar a adotar o sistema da Phorm por julgar importante manter a privacidade de seus clientes e por desconfiar que esses dados possam ser usados por concorrentes. “Alguns podem avaliar que explorá-los configura espionagem industrial”, diz Jim Killock, da Open Rights Group. Isso explica, em parte, a reação negativa da Amazon.
O Brasil pode criar barreiras contra esse tipo de insegurança digital com o novo marco regulatório da internet, lei que esteve em consulta pública nos últimos meses e deverá seguir para o Congresso no final do semestre. Até agora, o texto não aborda especificamente programas de rastreamento, como o Webwise ou o Navegador, da Phorm. Mas dá uma indicação de que isso pode ser considerado ilegal. Num dos parágrafos, afirma que o provedor “fica impedido de monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar os conteúdos dos pacotes de dados, salvo para administração técnica de tráfego”. Se essa norma for aperfeiçoada, os brasileiros podem ficar mais protegidos contra as tentativas de espionagem de sua vida privada.
Inteligência militar dos EUA usa habilidades das redes sociais
Inteligência militar dos EUA usa habilidades das redes sociais
Analistas da Força Aérea mostram como talentos da geração Facebook são explorados - e dão resultado - nas guerras americanas
Portal IG
Quando adolescente, Jamie Christopher usava mensagens instantâneas para fazer planos com os amigos. Mais tarde ela se tornou usuária frequente do Facebook. Agora essa oficial sardenta de 25 anos usa seus conhecimentos em redes sociais para caçar militantes e salvar vidas americanas no Afeganistão.
Debruçados sobre monitores que transmitem um vídeo capturado ao vivo por uma aeronave de combate, a tenente Jamie e uma equipe de analistas recentemente entraram e saíram de salas de bate-papo militar, levando informações a mais de 12 mil quilômetros de distância para alertar marines (fuzileiros navais) sobre bombas nas estradas e militantes Taleban.
"Duas crianças na área", a equipe alertou os marines que aguardavam em campo a cobertura de um ataque aéreo, usando linguagem típica da internet para avisar sobre a presença de civis inocentes na mira da aeronave. O ataque foi abortado.
"Fogo disparado dos prédios", alertava outra mensagem relativa a um conjunto de edifícios do Taleban. Os marines responderam ao ataque matando nove militantes. Jamie e sua equipe podem estar combatendo em teclados distantes em vez de desviar de balas, mas entram na batalha todos os dias. Eles e outros milhares de jovens analistas da Força Aérea mostram como os conhecimentos da geração Facebook podem ser bem utilizados nas guerras dos EUA.
Os marines dizem que os analistas, que em sua maioria estão na casa dos 20 anos, abriram caminho para uma ofensiva em Marjah, no sul do Afeganistão, neste ano com um mínimo de vítimas. Enquanto os analistam transmitem rapidamente as últimas informações coletadas pelas aeronaves, criam as conexões fluidas necessárias para caçar pequenos grupos de militantes ou outros alvos em fuga, explicam os militares.
Mas existem dificuldades na tarefa à distância. No final do mês passado, autoridades militares no Afeganistão divulgaram um relatório que culpava a equipe de uma aeronave Predator por um incidente envolvendo um helicóptero de ataque que matou 23 civis em fevereiro.
Autoridades militares afirmam que analistas na Flórida, que monitoravam o vídeo da aeronave, alertaram duas ou três vezes em uma sala de bate-papo sobre a presença de crianças no grupo, mas o piloto do avião não passou os alertas ao comandante da equipe terrestre.
No entanto, a experiência social tem sido geralmente tão produtiva que comandantes graduados têm abandonado a tradicional hierarquia militar e dado aos analistas mais espaço para que decidam como usar os aviões de espionagem.
"Se você quiser agir rapidamente, é preciso achatar as coisas e engajar nos níveis mais baixos possíveis", disse o tenente coronel Jason M. Brown, que coordena o esquadrão de inteligência na Base da Força Aérea Beale, perto de Sacramento, na Califórnia.
Vale a pena Obama ser “durão” na política externa?
Vale a pena Obama ser “durão” na política externa?
FAREED ZAKARIA
é colunista e editor-chefe da edição internacional da revista Newsweek e escreve quinzenalmente em ÉPOCA
é colunista e editor-chefe da edição internacional da revista Newsweek e escreve quinzenalmente em ÉPOCA
Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Mas a imagem recente do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, gerou milhares de comentários. Raramente uma fotografia irritou tanta gente. O alvo da maior parte das críticas, no entanto, foi um homem que nem sequer estava na foto. “O crédito por essa catástrofe é todo do governo Obama”, escreveu o The Wall Street Journal.
O colunista conservador Charles Krauthammer, do The Washington Post, foi menos contido. Para ele, “aquela foto – um desafiador e triunfante ‘toma esta, Tio Sam’ – é um veredicto acachapante sobre a política externa de Obama”. Diz Krauthammer: “Ela demonstra como potências em ascensão, aliadas tradicionais dos Estados Unidos, decidiram que não há nada a perder ao se alinhar a inimigos dos americanos e nada a ganhar ao se unir a um presidente dado a desculpas e apaziguamento”.
Essa é agora a linha de ataque estabelecida contra a política externa de Barack Obama. Ele é muito mole, e outros países estão se aproveitando dele. Primeiro, foram os russos, os chineses e os iranianos. Depois, brasileiros e turcos.
Isso reflete em parte um padrão familiar de crítica contra o presidente americano. Coisas ruins acontecem no mundo, e os americanos se viram para a Casa Branca: “Como você pôde deixar isso acontecer?”. Os críticos estão bravos, por exemplo, porque Obama não fez a Revolução Verde triunfar no Irã. Mas o regime tem uma repressão eficiente porque possui recursos, usando armas e dinheiro para se manter no poder. Também tem um apoio significativo entre os pobres, os velhos e os que estão nas áreas rurais. Não é um regime como o da Coreia do Norte, que sobrevive apenas por sua brutalidade. Os 118 países que compõem o bloco não alinhado aprovam rotineiramente soluções que apoiam Teerã na batalha sobre o programa nuclear. Um discurso mais belicoso de Obama não faria o regime ruir.
Não será sob ameaças dos EUA que o Brasil e a Turquia vão cooperar na questão nuclear do Irã
Os conservadores acreditam que Obama deva ser mais durão e mostrar a esses outros países que os EUA não estão brincando. Há só um problema: essa política já foi muito testada e falhou completamente. O governo de George W. Bush definiu sua política externa como agressiva. “É melhor ser temido do que amado”, costumava dizer Dick Cheney, o vice de Bush, citando Nicolau Maquiavel (1469-1527). O ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld escolheu uma fonte menos “cabeça”. Cita frequentemente uma frase atribuída ao gângster Al Capone (1899-1947): “Você vai mais longe com uma palavra amável e uma arma do que só com uma palavra amável”.
Nós esquecemos os resultados dessa política externa viril? Os aliados mais antigos dos EUA na Europa se viraram contra os americanos. A Turquia é um bom exemplo aos Estados Unidos de como não lidar com um aliado. O governo Bush tratou o país com uma mistura de mão pesada e arrogância, fazendo ameaças caso os turcos não permitissem que soldados americanos atacassem o Iraque a partir da Turquia. Aparentemente ignorando o fato de que esse país se tornara uma democracia próspera e que 95% da população se opunha à guerra contra o Iraque, Bush foi surpreendido quando o parlamento turco votou “não”.
Há uma tendência que os críticos de Obama não perceberam ainda. Países como a Turquia e o Brasil (e a China e a Índia) têm crescido economicamente nos últimos 20 anos. Em 1995, os países emergentes somavam um terço da economia global. Neste ano, responderão pela metade. São politicamente estáveis e cada vez mais decididos a desempenhar um papel maior no palco mundial. Sob essas circunstâncias, a ideia de que Obama só precisa usar mais o peso dos EUA é tola e perigosa. O Brasil e a Turquia não se tornarão mais cooperativos se Washington os ameaçar mais. A tarefa dos EUA é achar meios de fazer parcerias e convencê-los de que há um interesse comum por um mundo mais estável. E Al Capone não é exatamente um modelo de como fazer isso.
terça-feira, junho 08, 2010
Especialista chama a atenção para risco de falta de água
Especialista chama a atenção para risco de falta de água
Por Redação da Pauta Social
Alerta é da H2C consultoria em uso racional da água.
Embora o Brasil seja o primeiro país em disponibilidade de água doce do mundo, a poluição e o uso inadequado comprometem o recurso em várias regiões do país. Com a proximidade dos três maiores eventos esportivos do mundo (Jogos Militares2011, Copa do Mundo 2014 e Olimpíada 2016) e a visibilidade que o Brasil terá na mídia internacional, é hora da questão ambiental entrar na ordem do dia.
Para o especialista em uso racional da água, Paulo Costa, diretor da empresa H2C, o Brasil precisa alcançar um padrão sustentável de consumo da água. Atualmente, o índice per capita é de 200 litros de água/dia em determinadas regiões, ou duas vezes mais do que o observado em Portugal, Bélgica, Alemanha e Republica Tcheca, que se destacam entre os mais responsáveis em relação ao uso do recurso.
“Como justificar que o país que detém 13% doce do mundo não possui políticas ambientais consistentes para o tema e pode vivenciar racionamento de água durante os maiores eventos esportivos do planeta”, questiona Paulo. Ele complementa: “Devemos lembrar que a Copa e a Olimpíada ocorrem em meses de estiagem (junho e julho), o que gera preocupação a mais sobre possíveis problemas de abastecimento nos períodos dos eventos”.
Para chamar a atenção para essas e outras questões relacionadas à água, a H2C promoveu no Dia Mundial do Meio Ambiente, 5, uma barqueata na Represa Billings, maior reservatório da Região Metropolitana de São Paulo. A ação aconteceu uma semana antes do início da Copa do Mundo da África do Sul, justamente para lembrar que o Brasil deve se preparar também na área ambiental para receber esses três grandes eventos esportivos.
A baqueata teve como condutores os jovens velejadores da ONG Vento em Popa. A instituição desenvolve, desde 2005, trabalhos com moradores da península do Cocaia, na Billings, situada na região do Grajaú, uma das mais pobres da zona sul paulistana.
Construídos pelos próprios velejadores, os barcos trazem nas velas mensagens com os dez mandamentos para uma Copa Verde no Brasil. Por exemplo: Vire o jogo, utilize a água da chuva; A regra é clara: fecha a torneira na hora de escovar os dentes; Não prorrogue o tempo do seu banho.
Além dos jovens velejadores, participaram da regata ecológica estudantes de escolas públicas, com idades de 7 a 11 anos. Para essas crianças, foi programado um tour pela Billings em uma escuna: ao longo do passeio, monitores especializados mostraram alguns dos problemas (desmatamento, ocupação irregular, lançamento clandestino de esgotos, assoreamento, lixo) que causam a deterioração da represa a formas de resolvê-los.A H2C é uma consultoria especializada em uso racional da água. Ao todo, já realizou mais de mil projetos, que proporcionaram economia do recurso de até 67% em empresas brasileiras e multinacionais, como a construtora Hochtief, bancos Itaú, Unibanco e Real, Sodexho (catering), hospital Albert Einstein, condomínios residenciais e comerciais, entre outros.
(Envolverde/Pauta Social)
STJ - Terceira Turma não reconhece duplicidade de união estável
STJ – SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 08/06/2010 - 08h00
Terceira Turma não reconhece duplicidade de união estável
A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão unânime, não reconheceu a duplicidade de união estável entre um ex-agente da Policia Federal e duas mulheres com quem manteve relacionamento até o seu falecimento, em 2003. A decisão partiu de um recurso especial interposto ao STJ, visando à viabilidade jurídica de reconhecimento de uniões estáveis simultâneas.
O processo compreende duas ações movidas paralelamente pelas ex-mulheres do agente federal, após sua morte, decorrente de um acidente. Na primeira ação, uma delas sustentou que manteve união estável com o falecido no período entre 1994 e o óbito do companheiro, ocorrido em abril de 2003. Ao interpôr o recurso especial, ela apontou também que, no início do relacionamento, ele já havia se separado de sua ex-mulher, e acrescentou que não tiveram filhos em comum. Em documentos assinados pelo falecido e acrescidos aos autos, ela comprovou ser dependente dele desde 1994.
A segunda ação foi movida pela mulher com quem ele se casou de fato, em 1980, em regime de comunhão parcial de bens, conforme relatado nos autos. Eles tiveram três filhos. Em 1993, houve a separação consensual do casal e, em 1994, a derrogação da dissolução da sociedade conjugal, voltando os cônjuges à convivência marital, conforme alegou a ex-mulher, fato que foi contestado pela recorrente. Por fim, em dezembro de 1999, mesmo após a decretação do divórcio, os ex-cônjuges continuaram a se relacionar até a data da morte do agente da Polícia Federal, dando início a verdadeiro paralelismo afetivo, no qual ele convivia, simultaneamente, com ambas as mulheres. Por essa razão, a ex-mulher requereu o reconhecimento de união estável no período entre 1999 e 2003, data do óbito. Segundo os autos, havia documentos que comprovavam a união.
Em primeiro grau, o juiz reconheceu a existência de “elementos inconfundíveis que caracterizam a união estável entre o falecido e as demandantes”. Os pedidos foram julgados procedentes pelo juiz, que sustentou haver uniões estáveis concomitantes e rateou o pagamento da pensão pós-morte em 50% para cada uma. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte manteve a sentença e, consequentemente, o rateio da pensão entre as companheiras.
Já no STJ, a relatora do processo, ministra Nancy Andrighi, ressaltou que não há como negar que houve uma renovação de laços afetivos do companheiro com a ex-esposa, embora ele mantivesse uma união estável com outra mulher, estabelecendo, assim, uniões afetivas paralelas, ambas públicas, contínuas e duradouras. A relatora esclareceu, no entanto, que a dissolução do casamento válido pelo divórcio rompeu, em definitivo, os laços matrimoniais existentes anteriormente, e que essa relação não se enquadra como união estável, de acordo com a legislação vigente.
A relatora reconheceu apenas a união estável entre o falecido e a mulher com quem manteve relacionamento de 1994 até a data do óbito e assinalou que “uma sociedade que apresenta como elemento estrutural a monogamia não pode atenuar o dever de fidelidade – que integra o conceito de lealdade”.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
Em meio à tensão, Cisjordânia dá exemplo para a paz
Em meio à tensão, Cisjordânia dá exemplo para a paz
Thomas L. Friedman, colunista do jornal The New York Times - Tradução: Helena Carnieri
Em meio a notícias de assassinato, provocações e declarações tensas, fica difícil enxergar algum avanço nas negociações israelo-palestinas. Mas há. Os esforços do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e do primeiro-ministro, Salam Fayyad, para criar as bases para um Estado palestino a partir do nada – substituindo estruturas corruptas que Yasser Arafat criou e Israel destruiu – estão, sim, tendo resultado. E eles precisam ser estimulados.
Há dois modelos de governança entre os árabes. O antigo modelo nasserista (baseado no egípcio Gamal Abdel Nasser), que o Hamas ainda pratica, diz: “Julguem-me pela forma como resisto a Israel e EUA” e “Primeiro conseguimos o Estado, depois construímos suas instituições”. O novo modelo, do qual Abbas e Fayyad são pioneiros na Cisjordânia, diz: “Julguem-me pelo meu desempenho – como eu gero investimentos e emprego, organizo serviços e recolho o lixo. Primeiro construímos instituições políticas e de segurança transparentes e eficazes. Depois, proclamamos um Estado. Foi o que os sionistas fizeram, e certamente funcionou para eles.”
Um resultado baseado nesse princípio é a associação da ANP, desde 2007, à Jordânia e aos EUA para treinar um novo efetivo de segurança na Cisjordânia.
O Exército israelense ficou bastante impressionado com o desempenho dessa Nova Força nacional Palestina (NSF), já que ela hoje é responsável por boa parte da lei e da ordem na maioria da cidades da Cisjordânia, criando as bases para uma explosão de novas construções, investimento e comércio na região.
Em paralelo a isso, o primeiro-ministro israelense reduziu os postos de controle armado na Cisjordânia de 42 para 12.
Tudo isso não poderá ser mantido a menos que Israel comece a transferir a autoridade de suas cidades aos palestinos, que precisam enxergar sua nova força de segurança como parte da construção de seu Estado, e não como parte da ocupação israelense.
Resumindo, essa dinâmica – a construção de instituições palestinas a partir do nada e a conquista de autodeterminação – é a grande disputa na região. É preciso fazer isso dar certo na Cisjordânia e encontrar uma forma de transferir a experiência para Gaza (que tal reabrir a fronteira e permitir que a nova força palestina NSF controle a entrada em Israel?). Se der certo, a solução de dois Estados na região será possível. Se falhar, teremos um conflito sem fim.
Militares reforçam fiscalização na fronteira
Gazeta do Povo - Curitiba/PR
Foz do Iguaçu - Cerca de 700 militares do Exército reforçam desde ontem a fiscalização nos principais pontos de fronteira do Brasil com o Paraguai e a Argentina. Diferentemente das outras sete edições, neste ano a mobilização de combate ao contrabando, ao tráfico de drogas e de armas e aos crimes ambientais acontece apenas no Paraná, com reflexos no Mato Grosso do Sul e em Santa Catarina. A Operação Fronteira Sul I-2010 conta com apoio da Aeronáutica, da Marinha, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Força Verde e da Receita Federal.
As barreiras estão concentradas nos postos da Polícia Rodoviária, na praça de pedágio em Santa Terezinha de Itaipu e no barracão da Receita Federal, em Medianeira, todos na BR-277. As tropas farão incursões também nas estradas rurais da região, na Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, no Paraguai, e na Ponte Tancredo Neves, ligação com Puerto Iguazú, na Argentina. Também haverá ações no Lago de Itaipu, importante corredor usado pelas organizações criminosas. Outras bases estão sendo montadas em Guaíra e Santa Helena, às margens do reservatório, e em Francisco Beltrão, no Sudoeste do estado.
Realizada pela primeira vez em 2006, a operação é promovida pelo Comando Militar Sul, com sede em Porto Alegre (RS), e tem ainda a participação de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovmveis (Ibama). O exercício faz parte do treinamento das tropas e busca auxiliar os órgãos de repressão que atuam no combate aos crimes transnacionais. As vistorias a ônibus, automóveis e caminhões que circulam pela região rumo a outras regiões do país seguem até sexta-feira.
Como adiantou o porta-voz da operação, coronel Marcelo de Oliveira Santos, caso haja necessidade a presença do Exército nos principais pontos da fronteira pode se estender por um período maior que o previamente estipulado. “Além da atuação na repressão dos crimes, será realizada junto à comunidade local uma ação cívico-social. Com a parceria de diversas entidades, ofereceremos atendimento médico, triagem odontológica e trabalhos de assistência social”, disse Santos. As abordagens a pessoas e veículos serão realizadas durante todo o dia e à noite.
Assinar:
Postagens (Atom)
.jpg)
.jpg)
