quarta-feira, agosto 04, 2010

Lute, hoje no Hoje Em Dia (MG)

Para cientista israelense, armas trazem paz - Analistas israelenses advertem para 'terceira guerra do Líbano'

Para cientista israelense, armas trazem paz
RICARDO MIOTO - DE SÃO PAULO

Aumann, 80, na foto,  é íntimo da guerra. Nasceu em uma família rica de judeus ortodoxos na Alemanha, que foi para os EUA fugindo dos nazistas.
Foi um dos melhores jovens matemáticos dos EUA nos anos 1950. Com a criação de Israel, mudou-se. Seu filho mais velho morreu no Exército israelense, em 1982.
"A paz não é feita com concessões, mas se mostrando pronto para guerrear. Os romanos foram campeões da paz. A "Paz Romana" durou 200 anos. Qual o lema? Se quer paz, prepare-se para a guerra. É teoria dos jogos. Não é legal, mas é verdade."
A teoria dos jogos mostra que o ataque é uma estratégia muito vantajosa quando um lado percebe fraqueza no outro, diz. O exemplo clássico da teoria, aliás, é o dilema do prisioneiro. Se dois comparsas ficarem quietos, ambos serão soltos. Se apenas um ficar em silêncio, ele é condenado. Se ambos falarem, os dois são presos.
Como um não sabe o que o outro fará, não colaborar é a melhor opção --afinal, se o comparsa ficar quieto, você é solto; se ele falar, você seria preso de qualquer jeito.
 "Compare a Guerra Fria e a Segunda Guerra. Negociar com Hitler não trouxe a paz." Antes de morrer, conta, o filho lhe escreveu. Dizia que não há bem sem o mal.
  
Analistas israelenses advertem para 'terceira guerra do Líbano'

A tensão na fronteira entre Israel e o Líbano, que ficou evidente no incidente que causou a morte de cinco pessoas na terça-feira, pode levar a uma "terceira guerra do Líbano", afirmam analistas israelenses.
Vários desses analistas alertaram que a tensão crescente pode gerar uma escalada grave da violência entre os dois países.
Depois da primeira guerra do Líbano, em 1982 e da segunda, em 2006, a expressão "terceira guerra do Líbano" torna-se mais frequente nos veículos de comunicação israelenses.
De acordo com o analista militar da TV estatal Ioav Limor - na foto, "se a mensagem de Israel não for entendida do outro lado (o Líbano), poderemos definitivamente estar à beira de uma deterioração que levaria a um novo confronto no Norte".
Em artigo publicado no jornal Israel Hayom, Limor afirmou que se a reação das tropas israelenses for "dura o suficiente" para dissuadir o exército libanês de disparar contra soldados israelenses, Israel poderá continuar desfrutando da tranquilidade na fronteira norte.
Segundo o analista, os disparos entre o Exército libanês e as tropas israelenses, que resultaram na morte de cinco pessoas - três soldados e um jornalista libaneses e um oficial israelense - foram consequência da troca de comandantes na divisão libanesa que controla aquela região específica.
Incidente "pontual" O analista do jornal Haaretz Amos Harel também afirma que o incidente na fronteira foi "pontual" e foi causado pela decisão de um comandante libanês que resolveu abrir fogo contra as tropas israelenses.
No entanto, de acordo com Harel, um incidente pontual "tem potencial de gerar uma explosão".
"Nos últimos meses tem havido um atrito crescente entre os Exércitos do Líbano e de Israel ao longo da fronteira", afirma Harel, "especialmente a nona divisão do Exército libanês, na qual a maioria dos oficiais é de xiitas, tem adotado uma linha agressiva em relação às tropas israelenses".
Em artigo publicado um dia antes do incidente na fronteira, outro analista do jornal Haaretz, Amir Oren, também aponta para o perigo de uma terceira guerra no Líbano, porém desta vez no contexto iraniano.
Oren cita um relatório de Dan Kurtzer, ex-embaixador americano em Israel, que afirma que Israel poderá procurar uma oportunidade para "agir no Líbano" com o objetivo de destruir os armamentos do Hezbollah, "para impedir um contra-ataque" se as instalações nucleares do Irã forem atacadas.
A tensão crescente na região também se expressa verbalmente.
As autoridades israelenses reagiram em termos duros ao incidente na fronteira.
O primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que os disparos das tropas libanesas contra as israelenses foram "uma violenta provocação".
O comandante da região norte do Exército israelense, general Gadi Eizenkot, classificou o incidente como uma "emboscada premeditada" do Exército libanês.
O Ministério das Relações Exteriores publicou uma nota acusando o Líbano de uma "violação grosseira" da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas (acordo de cessar fogo ao final da guerra do Libano, em 2006).
Segundo o ministério, nos últimos anos houve uma "longa lista" de violações por parte do Líbano, "principalmente o armamento maciço do Hezbollah no sul do Líbano".

Suicídio assistido

Suicídio assistido
No Reino Unido, a Sociedade real Britânica de medicina convocou recentemente uma conferência para ouvir os pontos de vista opostos sobre o tema, informava no dia 5 de julho LifeNews. A votação ocorrida no final do evento mostrou uma grande maioria contra a moção de apoiar o suicídio assistido.
No lado negativo, no dia 25 de junho, o Tribunal de Justiça Federal da Alemanha declarou que o suicídio assistido é legal em certas circunstâncias, segundo o Deutsche Welle.
A decisão se referia a um caso no qual a filha de uma paciente doente terminal em estado de coma havia cortado o tubo de alimentação da mãe.
Antes de entrar em coma, Erika Kuellmer disse à filha que não queria que a mantivessem viva se viesse a ficar em coma. Pouco depois de que isso ocorreu, a filha consultou um advogado, Wofgang Putz, que a aconselhou como proceder. Ela cortou o tubo, que foi recolocado pelo hospital. Sua mãe morreu duas semanas depois.
No ano passado, Putz foi condenado por homicídio frustrado por seu papel no caso, mas agora foi absolvido com esta última sentença. O Tribunal Federal declarou que, se um paciente manifesta de modo explícito que não quer tratamentos que usem tubo de alimentação para mantê-lo vivo, permite-se então dar fim ao tratamento. O suicídio assistido é ilegal na Alemanha.
Outros países
Nos países em que o suicídio assistido é legal, existe a preocupação com os abusos. Na Suíça, a organização Dignitas está sendo investigada cada vez mais, informava a BBC dia 2 de julho passado.
O governo está examinando projetos de lei que endurecerão a legislação tornando mais difícil que quem não seja cidadão suíço possa colocar fim na própria vida indo à Suíça.
Dignitas, fundada por Ludwig Minelli, já ajudou a mais de mil pessoas a morrer nos últimos 12 anos, de acordo com a BBC. Os membros pagam polpudos honorários para pertencer à organização, junto a fortes somas para o suicídio assistido.
Sob as leis atuais isso é legal, desde que nem Minelli nem Dignitas obtenham benefício algum. Mas a BBC afirmava na Suíça que se apresentaram acusações de que Minelli tornou-se milionário desde que fundou Dignitas
A investigação atual a qual está submetida a organização também é resultado da descoberta, no começo de 2010, de um grande número de urnas de cremação no fundo do lago Zurich. Segundo a reportagem do London Times de 28 de abril, uma antiga funcionária da Dignitas, Soraya Wernli, afirmou que a clínica teria jogado 300 urnas no lago.
A Holanda, onde o suicídio assistido é legal há vários anos, é outro país onde aparecem perguntas sobre o que está ocorrendo. Segundo uma reportagem do Telegraph de Londres de 2 de junho, os casos de eutanásia aumentaram em 13% em 2009 com relação às cifras do ano anterior.
Phyllis Bowman, presidente da organização britânica Right to Life, declarou ao Telegraph que estava segura de que o aumento em número se deve a um tratamento inadequado da dor por parte dos médicos holandeses.
O número de casos de eutanásia poderia aumentar muito mais se o parlamento cedesse à pressão de permitir aos mais velhos o direito ao suicídio assistido. Diz-se que uma campanha para permitir isso reuniu mais de 100.000 assinaturas de petição, informava Associated Press no dia 8 de março.
Marie-Jose Grotenhuis, porta-voz da campanha "Of Free Will" explicava que o grupo quer formar pessoas sem preparação médica a administrar uma poção letal a pessoas com mais de 70 anos que “considerem suas vidas completas” e queiram morrer.
A lei atual sobre suicídio assistido requer que dois médicos estejam de acordo em que o paciente está sofrendo de maneira insuportável uma doença sem esperança de recuperação, e que queira morrer antes de proceder.
A Bélgica também suscitou interesse quanto à prática da eutanásia. Uma pesquisa recente, “O Papel das Enfermeiras nas Mulheres Assistidas por Médico na Bélgica”, revelava que cinco das enfermeiras entrevistadas estiveram envolvidas na eutanásia de um paciente. Cerca da metade delas – 120 de 248 – admitiram que os pacientes não tinham nem requerido nem consentido com a eutanásia, informava o Catholic Herald, de 18 de junho.
A eutanásia involuntária é ilegal na Bélgica, onde se legalizou a eutanásia voluntária em 2002. A eutanásia soma agora 2% de todas as mortes mencionadas no artigo.
O estudo, publicado no Canadian Medical Association Journal, concluía que as ressalvas aprovadas na legislação de 2002 são ignoradas de forma rotineira. Os investigadores acreditam também que o número de enfermeiras envolvidas na eutanásia involuntária é maior que o das cifras de estudo, dado que era provável que nem todas as enfermeiras admitissem estar envolvidas em práticas ilegais.
"Uma vez que se legaliza qualquer forma de eutanásia, inevitavelmente a gente empurra os limites para mais longe,”, dizia ao Catholic Herald, o doutor Peter Saunders, diretor da aliança Care Not Killing, uma coalizão de mais de 50 organizações médicas, de deficientes e religiosas britânicas que se opõem à eutanásia.
Um ponto digno de reflexão para os que debatem atualmente uma proposta ante o parlamento escocês para permitir o suicídio assistido é a Lei de Assistência ao Final da Vida, apresentada por um membro independente do parlamento, que está sendo examinada por um comitê explicava num informe, em 29 de junho passado o Christian Institute do Reino Unido. Em notas recebidas do público pelo comitê, 86%, ou seja, 60 pessoas ou organizações, expressavam sua oposição à lei.
Um atentado à santidade da vida humana
A Igreja Católica também se mostrou crítica ante a proposta. “Será um atentado contra a santidade fundamental da vida humana e permitirá que muitas vidas sejam colocadas em risco por meio de diversos graus de coação psicológica, social ou cultural”, informava o jornal Scotsman dia 5 de julho.
A Igreja da Escócia, a Igreja Metodista e o Exército da Salvação tornaram público um comunicado conjunto dizendo que a lei abriria uma brecha na proibição de tirar a vida humana, acrescentava o artigo.
Num artigo de opinião publicado no dia seguinte no Scotsman, a doutora Rosemary Barrett, uma das diretoras do Conselho sobre Bioética Humana escocês, afirmava que a utilização do tratamento contra a dor ou a não utilização de máquinas que prolonguem a vida é muito diferente da eutanásia, na qual se tem a intenção direta de pôr fim à vida.
Enquanto seguia nos últimos meses o debate sobre a eutanásia na Grã-Bretanha, fica cada vez mais manifesto que a oposição a que se debilitem as leis procede de muitos lados. Brendan O'Neill, editor da página de comentários Spiked, dirigiu-se a um encontrou em Londres e no dia 17 de maio publicava os comentários em sua página.
Falando como ateu e como "humanista radical", afirmava que é um mistério como o “direito de morrer” tenha começado a ser visto como uma causa progressiva.
De uma perspectiva humanista, declarava que a eutanásia é contrária ao que deveríamos fazer por um doente terminal, porque poderia fazer que suas decisões finais fossem mais agônicas. E para o resto de nós: “Parece-me pouco irrefutável que a campanha pela legalização do suicídio assistido esteja unida com uma maior incapacidade da sociedade de hoje para valorizar e celebrar a vida humana”, indicava.
Numa recente conferência,  David Jones, diretor do centro de bioética no St. Mary's University College, sustentava que a legalização do suicídio assistido conduzirá logicamente à tolerância com a eutanásia não-voluntária, informava o jornal Telegraph, dia 1º de julho. Uma advertência para não deixar-se levar a este precipício que conduz a uma perigosa indiferença pela vida humana.
Autor: Padre John Flynn, L. C.

Apóstolo agora é Patriarca.

El día que me quieras » Berliner Phil Instrumental

Fúria do mar multiplicada na orla do Rio

Fúria do mar multiplicada na orla do Rio

Número de ressacas anuais saltou de 1 para 6 na cidade. Copa já perdeu 40 metros de areia

Rio - As mudanças climáticas podem ser a chave para explicar por que a Praia de Copacabana está encolhendo. Segundo o oceanógrafo David Zee, a faixa de areia mais famosa do Brasil já diminuiu 40 metros em 17 anos, conforme noticiou ontem o ‘Informe do DIA’. A força da natureza só faz crescer: nesse período, o número de ressacas anuais na cidade do Rio sextuplicou.
O estudo do professor David Zee detectou a mudança na orla carioca de 1991 a 2008. Segundo ele, a alteração no sentido de chegada das ressacas causou a redução na faixa de areia. “Antigamente, as ondas vinham do sudoeste, carregando areia das praias de Ipanema e Leblon para o Arpoador”, explica. O pesquisador conta que por conta dessa trajetória, a pedra do Forte de Copacabana protegia a orla de Copacabana. “Agora, elas chegam no sentido sudeste, atingindo em cheio a praia e carregando a areia do centro para as extremidades”, completa. O ponto em que a faixa da areia ficou mais estreita foi em frente à Rua Xavier da Silveira. Ainda não há dados conclusivos sobre as causas da reorientação das ondas, mas Zee suspeita que o aquecimento global possa ser o vilão.
Se nada for feito, o estreitamento da areia pode piorar. Uma das soluções apontadas por Zee é a construção de uma barreira quebra-mar, uma espécie de muro submerso, paralelo à Avenida Atlântica e depois da arrebentação. Esse paredão pode evitar que as ondas atinjam a orla diretamente. A engorda da praia com acréscimo de areia de outras praias é outra medida, já sugerida por Zee à Prefeitura do Rio.

Além disso, a manutenção das estruturas costeiras já existentes — como a barreira quebra-mar da Barra da Tijuca e o canal do Jardim de Alah — são importantes. O quebra-mar ajudaria a proteger as praias da erosão, e o canal, além de escoar água da Lagoa Rodrigo de Freitas, modifica as correntes marítimas próximas.
 
Preocupado com os efeitos da alteração climática na cidade, o prefeito Eduardo Paes vai lançar, dia 13 de agosto, o Fórum Carioca de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, que irá discutir medidas para controlar as consequências da mudança na natureza. Representantes do governo do estado, de empresas privadas e ambientalistas também participarão do debate.

IQUE - No Jornal do Brasil

Os drones e a Burca

Mundo
Os drones e a Burca
A dramática escalada dos conflitos que opõem muçulmanos a não muçulmanos
Paulo Nogueira, de Londres

Um grupo semissecreto tem chacoalhado a Inglaterra com manifestações em várias partes do país. Seus integrantes não se identificam publicamente. Muitos vestem máscaras quando participam de passeatas. São brancos, nacionalistas e, na maior parte, de classe média. Pertencem à recém-formada EDL (de English Defense League, Liga de Defesa Inglesa). Afirmam não ser racistas, mas, ao sair às ruas das cidades inglesas, gritam palavras de ordem contra uma raça específica – gente de pele escura, vinda de fora, unida em torno da devoção ao profeta Maomé. É a comunidade muçulmana, cerca de 2,5 milhões de pessoas dentro da população de pouco mais de 50 milhões do país. A EDL quer defender seu país dessa comunidade, que para ela está fazendo com que a Inglaterra deixe de ser a Inglaterra. No mundo ideal, para os membros da liga, os emigrantes muçulmanos voltariam a sua terra, a despeito de complicações de ordem prática. A maior parte deles ocupa há décadas posições indesejadas pelos ingleses, por ser encaradas como atividades de segunda ou terceira linha, como guiar táxis, limpar pratos ou cuidar da segurança de residências.
A EDL são três letras a mais num cenário especialmente dramático na Inglaterra, na Europa e no mundo. Nunca foi tão bélica, tão destrutiva e tão desoladora, em termos de perspectivas, a convivência entre muçulmanos e não muçulmanos. Os maiores símbolos de um conflito que parece apenas crescer estão, pelo lado ocidental, nos drones americanos, os aviões teleguiados que despejam mísseis que vêm matando um bom número de militantes de movimentos extremistas – mas também crianças, velhos e mulheres. Pelo lado muçulmano, a simbologia maior da destruição está nos homens bombas – fanáticos que não hesitam em explodir o que quer que seja e quem quer que seja em seu jihad, a “Guerra Santa” movida contra os infiéis. Até a burca, o véu muçulmano que protege a modéstia da mulher, se transformou, mais de 1.000 anos depois de ter aparecido, num ícone dos desentendimentos.
Esse quadro tinha sido previsto nos Estados Unidos, há quase 20 anos, por um pensador político, Samuel Huntington. Encerrada, com o colapso da União Soviética, a Guerra Fria que capitalistas e comunistas mantiveram depois da queda do nazismo, Huntington escreveu um artigo em que antecipou o que definiu como “Choque de Civilizações”. A discórdia, segundo ele, não adviria mais de ideologias opostas, mas de culturas e religiões diferentes. Huntington estava dando uma resposta a um artigo célebre de outro pensador político, Francis Fukuyama, que decretara o “fim da história” quando o comunismo sucumbiu. A história terminara com a hegemonia americana, segundo Fukuyama. Huntington refutou e, goste-se ou não, os fatos acabaram mostrando que a razão estava com ele.
 
O antagonismo de civilizações na Europa chegou a países antes tolerantes, como a Holanda
Desde que Huntington formulou sua tese premonitória, o mundo foi sacudido por episódios como o 11 de setembro, as guerras do Afeganistão e do Iraque e o 7/7 – as cifras com que ficou conhecida a explosão de bombas por suicidas no metrô e num ônibus de Londres em 7 de julho de 2005, em que morreram 52 pessoas. Foi nessas ocasiões funestas que emergiram as figuras e os grupos centrais do conflito. Por exemplo, Osama Bin Laden, o líder da Al-Qaeda, o grupo que derrubou as torres gêmeas de Manhattan espetacularmente, com os aviões sequestrados e guiados por terroristas em setembro de 2001. Ou George W. Bush, o presidente dos Estados Unidos que respondeu com bombas e mísseis à emergência de suicidas dispostos a matar e a morrer por Alá.
Um papel de destaque também foi jogado por Tony Blair, o primeiro-ministro britânico que se alinhou automaticamente com Bush na Guerra do Iraque. Hoje, longe da política, Blair tem sido instado a dar explicações sobre uma decisão que, para a Grã-Bretanha, foi simplesmente catastrófica. Para convencer o Parlamento a apoiar a guerra, Blair afirmou que o ditador iraquiano Saddam Hussein possuía armas de alto poder de destruição. Derrubado Saddam, verificou-se que não era verdade.
Num depoimento dado há poucos dias num doído inquérito sobre a participação da Grã-Bretanha na Guerra do Iraque, a chefe do serviço de inteligência (MI 5) naqueles dias, a baronesa Manningham-Bulle, disse que não se surpreendeu quando soube que entre os terroristas do 7/7 estavam britânicos. “A Guerra do Iraque radicalizou uma geração de islâmicos”, disse ela. Não havia “inteligência suficiente”, afirmou ela, para a tomada da decisão de mandar tropas para o Iraque. O que existia, isso sim, era um cálculo equivocado, segundo o qual, derrubado Saddam, as coisas estariam resolvidas. Os insurgentes – como são designados os iraquianos que combatem os americanos e aliados estacionados em solo iraquiano – foram uma surpresa imensamente desagradável para as forças ocidentais.
A baronesa também disse outra coisa que todos sabem: a presença no Iraque aumentou substancialmente o risco de terror no Reino Unido, por atrair ódio vindicativo islâmico. Recentemente, o governo britânico ampliou o grau de alarme e precaução contra o terrorismo. Hoje, simplesmente elogiar o “martírio”, como os islâmicos chamam a morte pela causa, é motivo para você ser preso na Inglaterra. Não surpreende que Blair esteja sendo definido, por pacifistas, como “criminoso de guerra”. No mesmo inquérito, há poucos meses, ele afirmou ter feito o que tinha de fazer, mas provavelmente terá de encontrar argumentos melhores para escapar de consequências da adesão a Bush.
Nestes dias, a mãe de um soldado britânico morto no Oriente Médio disse uma frase que ecoou pela mídia. “Meu filho morreu numa guerra que não é nossa”, afirmou ela. Um derradeiro ponto irônico na Guerra do Iraque é que, com a remoção de Saddam, o país, que era fechado a Bin Laden, se abriu para ele. O desconforto com a ação militar no Oriente Médio recrudesceu nos últimos dias no Reino Unido, com a divulgação de mais de 90 mil documentos secretos dos Estados Unidos sobre a Guerra do Afeganistão pelo site Wikileaks (leia a reportagem na pág. 82).
O clima de antagonismo ríspido entre as diferentes civilizações alcançou até países habitualmente pacatos e tolerantes com imigrantes. É o caso da Holanda. Hoje, uma das lideranças proeminentes holandesas é um político de extrema direita, Geert Wilders. Ele está coordenando a criação de uma frente anti-islã que congregará alguns países a partir de 2011. Cabelos loiros e um palavreado veemente, Wilders compara o Corão, o livro sagrado muçulmano, a Mein Kampf, a autobiografia em que Hitler avisou nos anos de 1920 que faria tudo o que realmente fez. Num curta-metragem, Wilders reuniu passagens do Corão com mensagens agressivas contra os infiéis. Não foi um golpe exatamente limpo: você também encontra no Velho Testamento passagens em que Deus parece tomado de um ódio sem limites.
Wilders, desde que fez o vídeo, recebe proteção especial da polícia. Está viva na lembrança dos holandeses a tragédia de Theo Van Gogh, homônimo e descendente do irmão do grande pintor. Theo, em 2005, fez um documentário de dez minutos sobre a mulher islâmica chamado Submissão. Foi parceiro, no projeto, de uma emigrante da Somália, Ayaan Hirsi Ali, que deixara o islamismo ao se instalar na Holanda. Pouco depois de lançado o vídeo, Theo foi morto quando andava em sua bicicleta preta pelas ruas de Amsterdã. O assassino, um extremista islâmico, cravou um bilhete no peito de Theo em que avisava que a próxima da lista era Ayaan. O episódio está contado no livro Infiel, a autobiografia de Ayaan. Ela acabou deixando a Holanda e hoje vive nos Estados Unidos, onde recebe tratamento especial por suas posições contra o islã, estrategicamente interessantes para o governo americano.

Pelicano para o Bom Dia, SP

O “Donnie Brasco” da Barra

SOCIEDADE
O “Donnie Brasco” da Barra
Infiltrado entre surfistas que vendiam drogas no Rio, um oficial de cartório conseguiu desbaratar uma organização internacional
Fontes, que era surfista, passou a sondar um grupo de traficantes

”No Brasil, a ‘infiltração’ é chamada tecnicamente de ‘entrevista dissimulada’. Você se faz passar por alguém que não é. O seu trabalho não produz prova judicial válida e você não tem outra identidade. A gente apenas levanta os dados necessários para que a Justiça autorize as quebras de sigilo. Você não consegue sair quebrando sigilo de 200 pessoas assim, então é preciso que o alvo seja bem localizado. O trabalho começa com o estudo dos hábitos do grupo que vai ser identificado. A polícia levanta tudo: os lugares que eles frequentam, os hábitos, o linguajar. A gente faz uma espécie de laboratório. Como eu já surfava, fui escolhido para entrar nesse grupo de surfistas que traficava. Você passa dias, semanas nos mesmos lugares que eles, e um dia puxa a conversa. É importante parecer que você faz parte daquele lugar. Todos os dias eu chegava na delegacia às 6 horas da manhã, pegava o carro descaracterizado com uma prancha em cima e ia para a praia. Ficava lá, surfando, com os mesmos caras o tempo todo. Chega uma hora em que você não é mais um estranho no lugar.
Eu nunca tinha ido a uma rave, tive de aprender. Eles passaram a me convidar para festas, e não demorou muito para alguém me oferecer as drogas. Você não pode chegar pedindo, tem de esperar que uma hora alguém oferece. Eu negava, dizendo que tinha de participar de uma competição. Não usava nome falso porque você pode ser parado numa blitz e ter de mostrar o documento. Quando alguém pergunta onde você mora, geralmente você tem de dar um endereço de algum parente que more nas redondezas, para o caso de alguém querer ir até lá. Em geral, eles assumem que você é dali mesmo. Eu nunca tive conflito de achar que eles eram meus amigos. A distância dos mundos é imensa, e você sabe exatamente o que está fazendo ali e quem são eles.
Meu trabalho era identificar os traficantes que seriam alvo de uma investigação mais profunda, com grampos autorizados pela Justiça. A gente não tem esse glamour da polícia dos filmes, que tem uma casa falsa, documento falso, tudo. Você tem de ficar atento o tempo todo, mas isso acaba virando um padrão na sua cabeça. O policial infiltrado não pode ser uma pessoa muito conhecida, popular, que chega num lugar e todo mundo sabe quem ele é. Tem de ser discreto, o tempo todo. "Minha família nunca soube desses trabalhos."

Waldez, hoje no Amazônia Jornal

No mundo dos traficantes

SOCIEDADE
No mundo dos traficantes
Como a polícia está usando agentes infiltrados para combater o crescente tráfico de drogas na classe média
Rodrigo Turrer e Nelito Fernandes
NAS FESTAS
Uma balada típica da classe média. A discrição dos traficantes dificulta sua prisão

Numa ação inusual, cerca de 30 agentes da Polícia Civil fecharam o cruzamento das ruas onde funcionam duas tradicionais universidades paulistanas, a Presbiteriana Mackenzie e a de Ciências Médicas da Santa Casa. Pelo menos dez pessoas foram detidas por porte de drogas. A batida policial seria corriqueira num bairro da periferia de São Paulo ou na vizinhança de alguma favela. Ali, onde estuda uma parte da elite da cidade, não. Embora jovens comprassem e até consumissem drogas descaradamente em alguns dos bares da região, eles só foram detidos graças a uma investigação de 40 dias que contou com policiais civis disfarçados de universitários. Eles frequentaram barzinhos, se aproximaram dos alunos e conquistaram a confiança dos traficantes. Até que deram voz de prisão aos suspeitos.
Dos dez detidos, cinco foram presos e três respondem a inquérito. É pouco, tamanho o investimento feito na operação. Esse resultado mostra quão complicado é o novo desafio da polícia: combater os traficantes de classe média. Camuflados por hábitos de vida e de consumo que não os associam à marginalidade, esses novos criminosos conseguem manter-se disfarçados, sem levantar suspeitas. Seletivos e discretos, os traficantes de classe média agem por conta própria, em geral vendendo em pequena escala para amigos e conhecidos. Seus clientes são principalmente estudantes universitários, que usam drogas em festas raves e baladas, onde a ação policial se dá de forma limitada.
“O tráfico vai se pulverizar aos poucos, sem bocas ou pontos de venda na favela”, diz a antropóloga Carolina Grillo, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É assim nas grandes cidades do mundo e tende a ser assim no Brasil. A violência dos morros e o risco de serem presos afastam os compradores dos pontos de venda tradicionais, abrindo espaço para o crescimento do tráfico de classe média.
Daí a importância de táticas incomuns para conseguir detê-los. A principal delas é o agente infiltrado. “A infiltração permite identificar quando e como vendem, mas com um objetivo principal: subir os degraus e chegar aos tubarões”, diz o delegado Marco Antonio Pereira Novaes, diretor do Departamento de Investigações sobre Narcóticos de São Paulo.
Nos Estados Unidos dos anos 1970, o FBI se valeu desse recurso com sucesso para desvendar o funcionamento das famílias mafiosas que dominavam o país. A história de um deles, que passou seis anos convivendo com a Máfia, virou filme, intitulado com o codinome usado durante a operação: Donnie Brasco.
No Brasil, uma operação assim seria impossível. “A legislação em vigor não aborda o assunto adequadamente”, diz a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, titular da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. “Ela não dá segurança quanto aos efeitos e quanto aos próprios mecanismos de ação.” A legislação brasileira dedica seis linhas à infiltração, limitando-se a autorizá-la, de acordo com a necessidade da investigação, se feita por agentes ou policiais. Alguns países europeus, como Alemanha e Espanha, detalham os casos em que a infiltração é permitida e delimitam com clareza as circunstâncias da ação. “Aqui é difícil infiltrar por muito tempo, porque para o juiz autorizar uma identidade falsa ao policial é preciso se cercar de cuidados”, afirma o promotor Everton Zanella, do Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo.
O paradoxo da infiltração é que, para conter o avanço da criminalidade, o agente tem de participar da conduta criminosa. A começar pela identidade do policial, que tem de receber um RG falso para construir sua história simulada. Em seguida, uma inserção falsa no banco de dados para criar uma identidade criminosa que sustente o personagem criado. “E se o agente tiver de cometer crimes leves, participar de infrações para ser aceito? Como fica a situação do policial depois?”, diz Zanella. “Nada disso está previsto em lei, e tem de ser levado em conta pelo juiz.”
Em 2005, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul descobriu uma organização criminosa que lucrava quase R$ 4 milhões por ano praticando estelionato e lavagem de dinheiro em vários Estados. A Promotoria Criminal Especializada de Porto Alegre entrou com um pedido em Varas Criminais das capitais de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul para usar um agente infiltrado. Só conseguiu autorização em Porto Alegre, depois de dois meses. A Justiça gaúcha autorizou a polícia a criar uma empresa de consultoria de fachada para empregar o policial com identidade falsa de consultor. Dentro da empresa investigada, e autorizado pela Justiça, ele acompanhou o cotidiano da organização, identificou os funcionários, gerentes e diretores envolvidos e instalou aparelhos de captação de som ambiente e interceptação telefônica. Em seis meses o agente coletou informações que levaram cinco envolvidos à condenação.
Inspetora de polícia, a hoje deputada federal Marina Magessi comandou em 2006 a Operação Chave de Ouro, que prendeu 17 traficantes que vendiam drogas sintéticas no Rio. Marina selecionou três detetives recém-saídos da academia de polícia, jovens e bonitos. Eles passaram a frequentar festas rave para fazer amigos e identificar os vendedores.
A infiltração durou três meses. Os agentes descobriram que um dos traficantes escondia a droga dentro do carrinho de bebê de sua filha de 2 anos e fazia as entregas durante seus passeios com ela na orla de Copacabana. Um segundo traficante fazia ponto numa clínica veterinária da Barra da Tijuca (o dono tinha licença para importar um medicamento para cavalos que era misturado à droga). “Foi tudo filmado, nada disso teria sido conseguido sem a infiltração”, disse Marina. O momento mais tenso era quando os agentes iam à delegacia deixar o material gravado e seus relatórios. Se fossem seguidos, sua identidade seria revelada.
Embora eficiente, a infiltração é “uma técnica custosa”, de acordo com o juiz federal Sérgio Moro, da 2ª Vara Criminal de Curitiba. “Um agente infiltrado precisará de dinheiro, de acompanhamento psicológico”, diz. “A falta de uma previsão normativa, que defina com clareza a atuação do policial na infiltração, limita um pouco seu uso”, diz o delegado Roberto Troncon, diretor de combate ao crime organizado da Polícia Federal. A PF usou agentes infiltrados para prender cinco pessoas e recuperar R$ 12,5 milhões dos R$ 164,8 milhões roubados do Banco Central de Fortaleza, em 2005. Um agente disfarçado foi a Boa Viagem, a 216 quilômetros de Fortaleza, semanas após o furto. Aproximou-se de uma parente de um dos criminosos, Antônio Jussivan Alves dos Santos, o Alemão. Por seis meses, frequentou a casa da família, participou de churrascos, almoços e festas e recolheu detalhes do megafurto. Depois de entregar relatórios com dados de todos os suspeitos, o agente desapareceu da cidade antes da prisão do grupo.

OS RISCOS DO TESOURO NOS EMPRÉSTIMOS AO BNDES

OS RISCOS DO TESOURO NOS EMPRÉSTIMOS AO BNDES 
EDITORIAL - O ESTADO DE S. PAULO - 3/8/2010

O governo federal não apenas é o controlador do BNDES, como lhe oferece, em condições pouco claras, 40% dos recursos para que implemente sua política de industrialização: R$ 144,3 bilhões em 2009, valor que subirá em 2010.
A missão do BNDES é favorecer os investimentos das empresas brasileiras. Em 2008, com a crise, o governo sentiu que era necessário mobilizar o BNDES para ajudar as empresas nacionais em seus investimentos, pois não era mais possível conseguir recursos no mercado internacional, ao mesmo tempo que manteve a taxa de juros dos empréstimos do BNDES em 6% ao ano, bem menor que a de qualquer outro financiamento.
Para isso o governo forneceu recursos ao banco, colocando papéis do Tesouro no mercado nacional e internacional a um custo muito superior ao rendimento das aplicações do banco, sem divulgar as condições desse repasse do Tesouro, que assumiu um subsídio não autorizado no Orçamento e com risco elevado.
Com essa política, que colocou o BNDES nas mãos do governo, é fácil entender que este se considere no direito de intervir na política de distribuição de recursos do banco, que, deste modo, vê reduzir-se o seu poder de examinar os pedidos de empréstimos em razão de critérios puramente financeiros. Os casos mais ilustrativos dessa intervenção foram os empréstimos concedidos a algumas empresas, em particular no setor da carne, para permitir que o Brasil tenha um peso maior no abastecimento desse produto no mundo. Esses empréstimos visaram mais à internacionalização do que ao aumento dos investimentos no Brasil, ajudando na compra de empresas no exterior.
Num ano eleitoral, o governo se empenha em intervir na grande política industrial, o que se pode depreender das queixas de pequenas empresas quanto à dificuldade de acesso aos recursos do BNDES.
É preciso medir o risco em que o Tesouro está incorrendo com esses empréstimos que fez ao BNDES. Trata-se de um subsídio que nunca será compensado. E, na falta de transparência dessas operações, é preciso ter consciência de que as empresas devedoras podem falir, sem que se saiba de que forma e em que medida o Tesouro será reembolsado.
Uma vez que os recursos repassados ao BNDES não têm correção monetária ou cambial, o Tesouro pode sofrer grandes perdas em razão da premissa de que o BNDES seria incapaz de absorvê-las. E isso é mais provável ainda em operações que visam à internacionalização de um setor, como o da carne, bastante frágil.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

Visitantes

free counters