sábado, outubro 09, 2010

No meio do caminho

No meio do caminho
RENATA LO PRETE - FOLHA DE SÃO PAULO - 09/10/10
Apesar da necessidade de atrair o eleitorado de Marina Silva, José Serra sabe que não tem como se comprometer com a rejeição ao novo Código Florestal, um dos principais itens da pauta que a senadora verde gostaria de ver abraçada por quem deseja seu apoio. O assunto é motivo de aflição na campanha do tucano, bem votado no cinturão do agronegócio.
Ciente das dificuldades enfrentadas por Serra, o presidente da Câmara e companheiro de chapa de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (PMDB), acena aos "marineiros" com a possibilidade de, no mínimo, adiar a votação da matéria para 2011.
Código 1 Caberá a Temer conduzir a discussão no colégio de líderes, em novembro, que ditará o cronograma de tramitação do Código Florestal. Se avançar qualquer aproximação Marina-Serra, Temer poderá acelerar o rito, já que existe, entre as bancadas, cenário favorável a um acordo para a votação.
Código 2 O PV discorda da redução, para desmatamento, da reserva legal e da anistia a crimes ambientais anteriores a 2008. Mas pequenos, médios e grandes produtores defendem o texto de Aldo Rebelo (PC do B-SP). Nas áreas ruralistas, Serra só perdeu no primeiro turno em Goiás, no Rio Grande do Sul e no Triângulo Mineiro.
Pop Mesmo fora do segundo turno, Marina continua a enviar sua agenda diária à imprensa. Bem ou mal, a verde segue com espaço cativo no "Jornal Nacional".
#prontofalei De Plinio de Arruda Sampaio (PSOL) no Twitter: "Marina está apoiando a Dilma transversalmente. Sem apoiar, apoiando. Por isso, insisto em que é a mais demagoga".
Oremos A superdosagem do tema religião no programa de reestreia de Dilma atendeu a apelo de apoiadores segundo os quais o que fosse levado à TV ontem repercutiria nas missas e nos cultos do fim de semana.
Ajuste fino A coordenação da campanha diz que Dilma tenderá a fazer menos comícios e optar por caminhadas devido à agenda apertada. Mas, para alguns aliados, a mudança decorre da avaliação de que a petista "é ruim de palanque".
Ponta Apesar das cobranças do PMDB, o vice Michel Temer apareceu menos de três segundos no programa de Dilma, ontem, no horário eleitoral gratuito.
Repescagem A campanha de Dilma negocia o apoio formal do PP, não obtido no primeiro turno. Se der certo, o partido passará a contar com um representante na coordenação da campanha. Os pepistas mais entusiasmados com a ideia dizem que o anúncio pode ser feito na próxima semana.
Cooperativa Depois do embate entre Aloizio Mercadante e Marta Suplicy pelo comando da campanha de Dilma em São Paulo, o PT local decidiu descentralizar os trabalhos. Um colegiado com representantes de todos os partidos da aliança está tomando decisões e montando uma agenda de eventos para responder aos tucanos, que já rodam o Estado.
Protetor solar No feriado prolongado, Gilberto Kassab (DEM) irá à praia como parte da maratona de segundo turno empreendida pela campanha de José Serra. O prefeito paulistano percorrerá quatro cidades para distribuir uma carta de agradecimento pela votação conferida ao candidato tucano no primeiro turno. Ubatuba está no roteiro de amanhã.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI
Tiroteio
"Se cabe ao Lula decidir quem apanha, amanhã posso ser eu, pode ser você."
DE JOSÉ GREGORI, secretário paulistano de Direitos Humanos, sobre declaração do presidente ao inaugurar uma UPP em Manguinhos no Rio; segundo ele, a polícia irá ao local "pra bater em quem tem que bater".
Contraponto
Titular e reserva
No domingo passado, ao comparecer à sua seção eleitoral no bairro do Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, o ministro das Cidades, Márcio Fortes (PP), encontrou Fernando Gabeira e o tucano igualmente chamado Márcio Fortes (PSDB), companheiro de chapa do candidato verde ao governo estadual.
Gabeira, que perdeu a disputa no primeiro turno para o governador Sérgio Cabral (PMDB), aproveitou a oportunidade para brincar com os xarás:
-Olha que privilégio, o meu! Votar com dois vices!

CLAYTON, em O Povo


Marina apresenta lista de compromissos

Marina apresenta lista de compromissos
Senadora e PV condicionam eventual apoio no 2º turno a aceitação de propostas
Marcelle Ribeiro - O Globo
SÃO PAULO. A senadora Marina Silva (PV-AC) e o seu partido apresentaram ontem uma lista com 42 propostas, divididas em dez áreas, que vão nortear as conversas com os candidatos do PSDB, José Serra, e do PT, Dilma Rousseff, para a definição de um possível apoio dos verdes no segundo turno.
Entre a propostas, estão a ampliação dos investimentos em educação e o veto a algumas alterações no Código Florestal.
Ao apresentar ontem o elenco de propostas, a senadora negou que o PV tenha negociado cargos no próximo governo em troca de apoio, e evitou falar sobre uma divisão interna no PV. Porém, reafirmou que ela e o seu partido poderão tomar decisões diferentes.
Marina não revelou se vai se encontrar com Serra e Dilma para conversar sobre um eventual apoio. Ao ser perguntada se continua achando que o Brasil quer uma mulher como presidente, como vinha dizendo no primeiro turno, afirmou que o país está preparado para ter uma mulher no cargo: — O Brasil está preparado para ter uma mulher na Presidência da República. Tem sinalizado isso. Caberá a quem está na disputa como mulher conquistar e convencer os votos.
Poderiam ser duas mulheres (no segundo turno).
O documento apresentado ontem, chamado “Agenda para um Brasil Justo e Sustentável”, trata de transparência e ética, reforma eleitoral, educação, segurança, mudanças climáticas e energia, saúde e assistência social, proteção de biomas, gasto público de custeio, reforma tributária, política externa e fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural.
Marina destacou uma proposta de cada tema, como a divulgação na internet de dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) e o veto a propostas de alteração do Código Florestal que reduzam áreas de reserva legal ou anistiem desmatadores.
Marina desconversa sobre fisiologismo no PV Perguntada se abriria mão de algum ponto apresentado no documento, Marina disse que todos são importantes: — Estamos disponibilizando para a apreciação dos candidatos.
A forma como isso vai se desdobrar é uma reação que pertence a eles — afirmou.
Marina disse que, caso os dois candidatos aceitem as propostas, o critério de “desempate” ainda será decidido. No próximo dia 17, o PV fará uma convenção para decidir se apoia alguém ou se fica neutro. No dia 13, haverá uma reunião em Brasília para preparar o evento.
Ao ser perguntada se o PV está livre do fisiologismo, devolveu a pergunta aos jornalistas: — Você acha que existem lugares que são perfeitos? Ela admitiu que não há garantias de que o candidato eleito cumpra as propostas apresentadas pelo PV: — Não existe uma garantia, a priori, do que seria feito depois de eleito. Da nossa parte, havia um compromisso de implementar uma plataforma. É por esse compromisso que estamos lutando — disse. — Não sei que reação teremos.
Sobre a polêmica em torno do aborto, a senadora disse que o documento apresentado ontem já contempla indiretamente a questão, ao tratar do combate à discriminação religiosa.
O documento será divulgado no site www.minhamarina.org.br.
As propostas do PV
Estes são os dez compromissos que o PV apresentará aos candidatos a presidente:
ORÇAMENTO: Transparência de informações sobre a execução orçamentária do governo federal, divulgando na internet dados primários do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), permitindo o acompanhamento da execução dos contratos e processos decisórios, inclusive dos conselhos de governo e agências reguladoras.
REFORMA POLÍTICA: Envio ao Congresso de proposta de reforma política, com a adoção do voto distrital misto e financiamento público de campanhas.
EDUCAÇÃO: Elevação do investimento em educação do setor público para 7% do PIB, priorizando gastos para a universalização do acesso à pré-escola e a creches.
SEGURANÇA: Destinação de verba para complementar os salários de policiais civis e militares, por meio do Fundo Nacional de Segurança, e assim garantir dedicação exclusiva desses profissionais à segurança pública.
CLIMA: Criação de uma agência reguladora independente para a Política Nacional de Mudanças Climáticas.
SANEAMENTO: Alcançar a cobertura de 75% de domicílios com acesso à rede de esgoto, e pelo menos 50% com tratamento do esgoto coletado, até 2014, com vistas à universalização do serviço até 2020.
CÓDIGO FLORESTAL: Veto a propostas de alteração do Código Florestal que reduzam áreas de reserva legal, preservação permanente ou anistiem desmatadores.
GASTO PÚBLICO: Limitação dos gastos de custeio do governo federal à metade do crescimento do PIB.
RELAÇÕES EXTERIORES: Política externa orientada à promoção da paz, liberdade, democracia e respeito aos direitos humanos.
TERRAS INDÍGENAS: Conclusão da demarcação e homologação das terras indígenas e criação de fundo para apoiar projetos indígenas e populações tradicionais.

No sarau do Totonho Ou 'aquele cara se parece com o Bill Pullman'

No sarau do Totonho
Ou 'aquele cara se parece com o Bill Pullman'
Arnaldo Bloch – O Globo
Sempre tinham me falado do sarau do Totonho Villeroy, que conheço através da galera do tempo de faculdade (menos o trabalho do que a ótima figura, falha minha).
Apesar de amante da música, sempre tive uns grilos com a palavra sarau. Talvez porque tenha ido a muitos saraus ruins. E os saraus bons que frequentei não se chamavam “saraus”: era um pessoal que levava som quando estava a fim no meio de situações que não se propunham necessariamente a ser musicais. Então fiquei com a ideia de que sarau, pra ser bom, não pode ser sarau.
Mas, na madrugada de sábado para domingo, quando me levantei pra fazer um bom pipi e acabei fazendo também um pit stop no computador, percebi que o momento era chegado: uma mensagem de Totonho no bate-papo do Facebook me convidava para mais um sarau. Dizia que tinha a ver com o festival de cinema, tinha sido organizado para os convidados estrangeiros do evento darem uma passadinha lá e testemunharem a xipontaneidade da turma. Totonho, na mensagem, dizia que os saraus dele varavam a noite, às vezes duravam 24 horas, que eu podia chegar à hora que fosse que estava rolando. Era aqui perto. Decidi.
Chuveirinho, jeans, camiseta, tênis sem cadarço, largadão. E fui.
Quando cheguei tinha um cara de 19 anos tocando monstruosamente o piano da casa. Monstruosamente no sentido de monstro sagrado. Danilo Andrade. Virtuosismo com bom gosto, sem exibição de teclas por segundo. Desenvolvendo ideias a partir de temas conhecidos ou não. Havia uma gaita. Uma percussão. Larguei meu sobretudo (sim, havia um sobretudo sobre o todo), tirei os óculos para ver tudo mais flu, fui à varanda, conheci um pessoal, passei pela matriarca (acho que a mãe do Totonho) que, numa cadeira de rodas, fumava um cigarrinho, e, de repente, vi a cantora Suely Mesquita e a pianista (e compositora e arranjadora) Délia Fischer vindo lá de dentro.
Suely fora um amor meu de adolescência, quando era uma das musas do Coro Come. Eu não conseguia tomar coragem para falar com ela. Então, um dia, subi ao palco após um show, entreguei-lhe rosas e saí sem dizer nada. Outro dia, pelo Facebook (de novo...) ela me disse que lembrava dessa situação remota e bizarra.
A Délia, minha atual professora de piano, deu bronquinha: — O senhor falta à aula, diz que está com dor na cervical mas vem ao sarau às três da manhã! — A dor foi no meio da semana. E passei metade do sábado estudando.
Délia estava feliz que, lá dentro, num dos quartos, tinha conseguido conversar com o Milton Nascimento. Mas estava de saída, foi de carona com Suely, e fiquei de novo sozinho, circulando pelo salão. Minutos depois passou o Milton Nascimento, ele mesmo, aquele trem-fantasma-gigante, movendo-se lenta e altivamente na direção da porta como uma entidade dessas com quem os índios conversam quando tomam chá.
No fundo, avistei a Carla, amiga também dos tempos da faculdade. Ela olhava intrigada para um sujeito que, já estando ali desde mais cedo, também ia se preparando para sair.
— Esse cara é os cornos do Bill Pullman. Sósia total. Não é, Arnaldo? — Quem é Bill Pullman? — Ô, Arnaldo, não conhece o Bill Pullman? — Não sou muito de reparar em homem.
— O Bill Pullman, do “Independence Day”! — Ih, Carla, não vi “Independence Day”.

— Você não viu “Independence Day”? — Não. Com licença.
E segui rumo ao interior da festa profunda, explorando todos os quartinhos, banheiros e varandas de vista feérica para a madrugada do Altíssimo Leblon, lá pras bandas do Federal, que anunciava para dali a pouco o amanhecer. Quando voltei à sala carregando uma taça de espumante rosé (como, se eu não tinha ido à cozinha e não havia garçom?), cruzei de novo com a Carla.
— Arnaldo, sabe da maior? — Não. Eu não sei de nada.
— O cara era o Bill Pullman! O próprio! — É, tinham me falado que vinham uns artistas do festival.
— E sabe o que mais? A Irène Jacob também estava aí.
— Opa, essa eu conheço. Não é uma das musas do polonês? — Essa mesmo.
— Putz, e eu não vi.
— Perdeu, playba.
— Cacilda, daqui a pouco aparece o Vinicius.
O som continuava, Totonho levando alguma coisa de Toninho Horta no violão. Na varanda, a Carla me apresentou à Claudia Diniz, que tinha dado uma sensualíssima canja de Janis minutos antes e estava se preparando para cantar mais.
Quando ela se juntou à turma do som, avistei, bem na meiuca de tudo, uma daquelas cadeiras de balanço feitas de um tipo de palha trançada e penduradas no teto. Concluí que ali seria meu ponto privilegiado de contemplação. Afundei-me lá. Um mulherão passou e foi me avisando: — Cuidado que essa cadeira é perigosa.
Logo entendi o que ela quis dizer: giratória até dizer chega, aquela cadeira era mágica. Ao sabor de leves movimentos do corpo, como se a gente estivesse ao mesmo tempo em órbita e no centro gravitacional da festa, passa-se de um rosto para um corpo, de um copo para a vista na janela, da janela para o piano, do piano para o teto, ou simplesmente se fecha os olhos e se navega ao balanço do biorritmo.
Só saí da cadeira quando, ao colocar os óculos, vi, no horizonte, que o contraste de uma embarcação próxima às ilhas com o céu ia diminuindo.
A luz do dia chegava, e um sujeito muito jovem cantava, emocionadíssimo, pela segunda vez, a “Lisbela”. Um sujeito se sentou ao meu lado e, olhando para o jovem cantor, comentou: — É tão bacana isso, quando o cara tem uma coisa assim pura, que vem de dentro. Não é? Você não acha? Juro que eu queria responder, ser simpático, mas, simplesmente, não soube o quê. O sujeito insistiu.
— Você não acha? Não adiantou. Eu não sabia responder à coisa assim formulada. Apertei as mãos do sujeito com a maior simpatia e o abracei.
— Valeu, acho que tá na minha hora! Fui me despedir de quem ainda restava e agradeci ao Totonho a distinção. Ele me levou até a porta. Antes de ir à rua, fiz uma pausa no playground, de onde se avistava, do Leblon a Ipanema, a faixa reta de areia e o marzão. Do outro lado, a Lagoa, o Cristo, a Gávea. Uma rajada forte de vento atravessou o lugar e levou para longe umas lágrimas felizes que começavam a escorrer.
E-mail: arnaldo@oglobo.com.br

Nobel da Paz Liu Xiaobo recebe visita da mulher

Nobel da Paz Liu Xiaobo recebe visita da mulher
A mulher de Liu Xiaobo, o dissidente chinês a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz, irá hoje visitá-lo e dar-lhe a notícia da distinção.
Liu Xia, mulher de Liu Xiaobo
Petar Kujundzic/Reuters
A mulher de Liu Xiaobo, o dissidente chinês a quem foi atribuído sexta-feira o Prémio Nobel da Paz, irá hoje visitá-lo e dar-lhe a notícia da distinção. 
 A agência espanhola Efe noticia que a poetisa Liu Xian negociou com as autoridades de Pequim o seu silêncio, e visitará hoje o marido na cadeia em Pequim, onde se encontra incomunicável. 
 Liu Xian foi obrigada sexta-feira a sair da sua residência de forma sigilosa e debaixo de forte vigilância policial, escapando assim às centenas de jornalistas que a esperavam à saída do seu apartamento para comentar a distinção. 
 A Efe cita fontes dissidentes segundo as quais, a poetisa negociou o seu silêncio em troca de poder visitar hoje o marido e informá-lo do prémio. Todavia Xian prestou declarações a alguns meios de comunicação social e enviou um comunicado em que expressa o seu agradecimento e pede a liberdade de Liu. 
Há 11 anos na cadeia por ter apelado à democracia
O jornalista dissidente Wang Jinbo, afirmou que Liu Xian viaja sob custódia, acompanhada pelo irmão, desde a localidade de Jinzhou na província de Liaoning, a 480 quilómetros a noroeste da capital chinesa, onde o marido cumpre 11 anos de cadeia, desde dezembro passado, por ter apelado publicamente à democracia.
 O mesmo jornalista afirmou que hoje de manhã foi aumentado o sistema de segurança em redor da penitenciária, tendo alguns acessos sido bloqueados.

Amorim


Os Generais da Tropa

Os Generais da Tropa
MÔNICA BERGAMO - FOLHA DE SÃO PAULO - 09/10/10
No balanço que o PT fez para entender os motivos que levaram a eleição para o segundo turno está a centralização da campanha, em que só Dilma Rousseff (PT) e Antonio Palocci (PT-SP) tomam decisões -e, em menor grau, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra. Dirigentes partidários avaliam que eles se baseavam exclusivamente em pesquisas internas para ditar o rumo do marketing -e elas não captaram a virada de votos entre os evangélicos. Já lideranças e candidatos nos Estados conseguiam prever o fenômeno ao verem pastores pregando contra Dilma.
TELEFONE MUDO De acordo com os mesmos dirigentes, a coisa mais difícil é um dos três atender a telefonemas de lideranças do PT nos Estados. "Eles achavam que iam ganhar as eleições sozinhos."
FORA DA CURVA E por falar em pesquisas, o Vox Populi decidiu suspender a divulgação, na internet e na TV, dos trackings, pesquisas diárias da eleição presidencial. Na última delas, o instituto previa a vitória de Dilma no primeiro turno por boa margem sobre seus adversários.
VERDES DO DEM No Rio Grande do Norte, onde Dilma Rousseff (PT) teve 51,7% dos votos, contra 28,1% de José Serra e 19,1% de Marina Silva, o PV se aliou à governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM) e ao senador reeleito José Agripino Maia (DEM). Eles assumiram a coordenação da campanha de Serra no Estado. O partido indicou também o suplente de Garibaldi Alves Filho (PMDB), que também se reelegeu para o Senado.
CAMPO MINADO Oscar Maroni, o célebre dono da boate Bahamas, obteve liminar para que o MST desmonte o acampamento na entrada da Fazenda Santa Cecília, em Araçatuba, que pertence ao empresário e foi invadida em setembro do ano passado. Além da desocupação, a Justiça determinou que os sem-terra não poderão ficar a menos de 20 km do local e pagarão multa diária de R$ 5.000 em caso de descumprimento.
DA SALA DE JANTAR O compositor Jorge Mautner, o sociólogo Hermano Vianna e os artistas Guto Lacaz e Lenora de Barros, entre outros, reinterpretaram com textos e ilustrações as músicas do disco "Tropicália ou Panis et Circensis", de 1968. O resultado é o livro com o mesmo nome, organizado por Ana Oliveira, que será lançado em novembro.
PREGÃO As 70 peças que compõem a instalação de Rosangela Rennó na Bienal de São Paulo, entre fotografias, câmeras e flashes, serão leiloadas no dia 9 de dezembro. A artista ainda não decidiu o que fará com o dinheiro arrecadado.
SONINHA E O ABORTO:
"DISCORDO DO MEU CANDIDATO" Soninha Francine, coordenadora da campanha de José Serra (PSDB-SP) na internet, já declarou publicamente que fez aborto. Ela discorda da posição do candidato sobre o tema. Mas diz que ele tem "direito de opinar":
Folha - Você já declarou que fez um aborto. Soninha Francine - Sou a favor da mudança da lei [para descriminalizar o aborto].
O que acha de o tema voltar à pauta eleitoral? Toda vez que esse tema entra em pauta, gera reações. E que elas sejam extremadas não é novidade, e não é só no Brasil. Agora, na eleição ele teve mais repercussão do que efeito no resultado. Ele estava presente o tempo todo. Nas primeiras sabatinas e entrevistas, sempre surgem essas pautas de aborto, união civil de homossexuais. As organizações contra a legalização do aborto se manifestam sempre energicamente.
O Serra defende que a lei seja mantida. Ele sempre disse isso. A Dilma quase sempre também disse isso.
Pela lei [que prevê detenção de até três anos para aborto], você poderia ter sido presa. Mas eu sou a favor da mudança da lei! Nesse ponto eu discordo do meu candidato.
Ele está equivocado? Eu discordo.
Os candidatos estão emparedados pela igreja? Não, o Serra sempre teve essa opinião. Se ela é pautada por uma visão religiosa ou pragmática, diferente da minha, é opinião dele. As minhas opiniões provavelmente façam com que eu perca votos. E é assim que é, que funciona.
Não é complicado homens públicos invocarem valores na discussão, já que o Estado tem que ser laico? O Estado tem que ser laico, mas as pessoas podem ter suas convicções religiosas. A discussão sobre células-tronco passou por isso. As instituições não têm o direito de impor suas crenças para o conjunto da sociedade. Eu sou budista e não mato nem pernilongo. Mas não vou combater a dengue por isso?
Os candidatos estão debatendo o aborto como questão de saúde pública? Eles se manifestam com cuidado. O que me interessa no debate eleitoral em relação à Dilma é ela ter dado declarações contraditórias.
FILME COLORIDO
Ana Paula Arósio foi junto com o marido, Henrique Pinheiro, à pré-estreia de "Como Esquecer", anteontem, no Espaço Unibanco. No filme da diretora Malu de Martino, a atriz interpreta Júlia, uma professora homossexual.

Tijolo por tijolo

Tijolo por tijolo
ANCELMO DE GÓIS - O GLOBO - 09/10/10
Eike Sempre Ele Batista negocia uma parceria com um grande grupo imobiliário norteamericano, dono do cinematográfico Hotel Fontainebleau, de Miami.
Rádio Pregão Um dos boatos que circularam nos pregões, quinta, foi que a queda das ações da Petrobras tinha a ver com um acordo assinado pela refinaria de Manguinhos com a estatal. A empresa foi dirigida por Marcelo Sereno, o amigo de Zé Dirceu que não conseguiu se eleger deputado federal agora.
Picanha do vereador A Câmara de Rio Bonito, RJ, aprovou lei que dá 50% de desconto nas churrascarias a... exobesos que fizeram cirurgia de redução de estômago. Multa para quem descumprir: R$ 3.600. Um morador da cidade apresentou ação no MP do Rio em que questiona a relevância da lei. Segundo ele, alguns vereadores... fizeram a operação
Subo nesse palco Gilberto Gil será o anfitrião de um show com vários nomões da MPB (Erasmo Carlos, Lenine, Zeca Pagodinho, Herbert Vianna, Mart’nália, Dona Ivone Lara etc.) que vai virar CD. Será quarta agora, no Teatro Tom Jobim, no Rio. É para festejar dez anos da Rádio MPB FM.
Boletim médico Daisy Lúcidi, a atriz que vive a malvada vovó Valentina na novela “Passione”, da TV Globo, baixou numa clínica ortopédica de Ipanema com dores lombares.
Sem grana pública O governo federal costuma pingar uns R$ 150 mil para ajudar na divulgação internacional dos filmes brasileiros indicados ao Oscar. Mas Barretão, o Sr. Cinema, recusou a ajuda, no caso, para “Lula, o filho do Brasil”.
Na geladeira Os Correios suspenderam o comercial que fariam com o nadador César Cielo, patrocinado pela empresa. É que Cielo teria subido ao pódio com um casaco que não era da companhia. O que a Rádio Corredor diz é que o atleta estaria descontente com o valor do patrocínio (R$ 100 mil anuais).
Segue... Quem vai substituir Cielo no comercial é Falcão, jogador de futebol de salão. As gravações começam semana que vem. A produtora contratada é a Cine.
‘Ô, loco, meu!’ O shopping Butantã, o mais próximo do Morumbi, onde essa banda Rush tocou ontem, em São Paulo, cobrou, acredite, R$ 100 de quem parou em seu estacionamento para ir ao show. Do lado de fora, os flanelinhas pediam... R$ 150! Deve ser terrível... você sabe.
ZONA FRANCA
A Cena Muda, de Adda Maria Guimarães, faz exposição e venda de edições raras da obra infantil de Monteiro Lobato.
Nasceu Isabela, bisneta do casal Bernardo Cabral e Zuleide.
O escritório Montaury Pimenta Machado & Vieira de Mello teve dois profissionais listados na publicação internacional “Líderes Mundiais em Licenciamento de Patentes e Tecnologia”.
Fitá lança o blog blogfita.com.br.
Grupo Meskla abre o show de Wanessa Camargo na Fan Party, na Le Boy, segunda.
Hoje, no Cinemark Downtown, ao vivo, o “O ouro do Reno”.
José Grimberg, da Bergut, faz degustação às cegas de espumantes na loja do Castelo, no Rio.
Marina Kahlo A última edição da “Vogue” italiana cobre Marina Silva de elogios. Não só politicamente. A revistona chega a comparála a Frida Kahlo (na foto acima, à esquerda): “Como Frida, ela não perdeu suas características, mesmo tendo galgado o poder. Suas estampas, seus cintos, seu cabelo, seus acessórios étnicos remetem à sua origem e à Floresta Amazônica.”
Veja a razão... Frida Kahlo (1907-1954), a pintora mexicana que fez sucesso mundo afora, militou no PC em seu país e, como Marina, era uma guerreira e se vestia com roupas e acessórios originais. No caso dela, as longas saias também eram para esconder sequelas da poliomielite e de um acidente entre um trem e um bonde, quando tinha 18 anos.
Solidariedade Allan Turnowski, o chefe de polícia do Rio, foi ontem ao Hospital Pasteur prestar solidariedade ao juiz Marcelo Alexandrino Costa Santos, que teve o carro atingido por tiros de PMs, dia 2.
Natal gordo Pesquisa da Fecomércio-RJ mostra que o Natal de 2010 promete ser o melhor dos últimos cinco anos para o comércio do Grande Rio. A expectativa é de que o faturamento aumente 10,8% em relação ao Natal de 2009.
MAYA GABEIRA, filha de quem o nome diz, posa numa entrevista em que abre o coração (vai ao ar hoje no Portal iG): a bela diz que o pai é “careta” e a mãe, Yamê Reis, “é muito mais extrovertida”
MARLENE, VIVA ela!, prestigia o musical “É com esse que eu vou”, com a cantora e atriz Soraya Ravenle, em cartaz até amanhã no Teatro Oi Casa Grande

Cai mais uma milícia

Cai mais uma milícia
Comandado por policial civil, grupo preso ontem dominava três bairros na Zona Oeste
Antônio Werneck, Daniel Brunet e Ruben Berta – O Globo
 Oito pessoas foram presas — entre elas, um inspetor da Polícia Civil, um subtenente do exército e dois policiais militares — durante uma operação para desarticular mais uma milícia que atuava na Zona Oeste do Rio. Batizada de Biscoito, a operação foi deflagrada na madrugada de ontem pelos policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público estadual.
O grupo paramilitar atuava na região de Pedra de Guaratiba, Ilha de Guaratiba e Barra de Guaratiba, com faturamento estimado em mais de R$ 1,2 milhão por ano, apenas com a exploração ilegal de TV a cabo.
Segundo o delegado Claudio Ferraz, titular da Draco, e o promotor Marcus Vinícius Leite, do Gaeco, ficou comprovado durante as investigações que o chefe da milícia, conhecida como Piraquê (daí a operação “Biscoito”), era o inspetor Eduardo Pinto da Cunha, atualmente lotado na 36ª DP (Santa Cruz), mas que até bem pouco tempo trabalhava na 43ª DP (Guaratiba). Os policiais do setor de Inteligência da Draco disseram que foi o inspetor Cruz que, há seis meses, prendeu um grupo de milicianos que atuava na região.
Depois das prisões, o próprio inspetor assumiu a milícia, passando a explorar sinais de TV a cabo e venda de botijões de gás, e cobrando dos comerciantes até R$ 50,00 semanais como “taxa de segurança”.
Grupo teria matado cinco pessoas
A Draco também está investigando a relação do grupo com pelo menos cinco assassinatos. As mortes teriam ocorrido durante a tomada da área.
Também há no inquérito policial, encaminhado à Justiça estadual, nove tentativas de homicídio atribuídas à milícia. Nas investigações, foi possível ainda recolher depoimentos de testemunhas que acusam os policiais, principalmente o inspetor Cunha, de espancamentos, ameaças e supostos assassinatos.
Os bairros de Ilha e Barra de Guaratiba ficam próximos à Serra da Grota Funda. Barra de Guaratiba tem entre seus principais atrativos os restaurantes das “tias”, especializados em frutos do mar, e o Sítio de Burle Marx. A Ilha — que, na verdade não é uma ilha, e teria esse nome por causa de um oficial inglês chamado William, que frequentava a região no início do século XIX — possui muitos sítios, principalmente voltados para o cultivo de plantas ornamentais. O bairro irá receber o Túnel da Grota Funda, nova ligação com o Recreio dos Bandeirantes.
Já Pedra de Guaratiba fica numa região banhada pela Baía de Sepetiba e é uma área que tem crescido muito nos últimos anos, de forma desordenada, com o surgimentos de favelas como a do Rio Piraquê. Recentemente, a Praia da Brisa, mais conhecida da região, foi revitalizada e voltou a atrair frequentadores.
Das dez pessoas que tiveram os mandados de prisão expedidos, oito foram capturadas. Duas continuam foragidas: Sebastião Bastos Maranhão da Costa, o Tião; e Jacson Alves dos Santos, o Kojack. Os policiais foram presos com a ajuda da Corregedoria Geral Unificada (CGU) e a Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol), que participaram da operação desde as primeiras horas da manhã.
Um comboio de policiais civis deixou a sede da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas (Draco), na Gamboa, e seguiu para a Zona Oeste — Pedra de Guaratiba, Ilha de Guaratiba, Barra de Guaratiba e Barra da Tijuca — onde moram os acusados de participar da milícia. Além das prisões, durante a ação, os policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão.
Três armas foram apreendidas: um rifle mauser sniper, um fuzil e uma pistola Taurus. Todas recolhidas na casa do policial civil. Segundo o delegado Claudio Ferraz, a milícia já utiliza a mesma rede de fornecimento de armas dos traficantes de drogas.
— Já temos informações robustas de que os milicianos estão usando a mesma rede de fornecimento de armas que alimenta o tráfico do Rio.
Numa investigação recente, chegamos a grampear um policial militar, que acabou preso, conversando com um colega de farda sobre arma apreendida com traficante e que deveria ser repassada a milicianos — afirmou Ferraz.
Segundo as investigações da Draco, que coordenou a operação de ontem, a milícia de Cunha assumiu o comando da região em julho deste ano.
A primeira medida foi implantar um toque de recolher: das 23h às 5h ninguém poderia passar pelas ruas.
Quem entrasse na favela depois das 20h, era revistado pelos milicianos.
Eduardo Cunha, que era lotado na 43aDP (Guaratiba), circulava pela comunidade com uma viatura da delegacia para intimidar os moradores.
Os milicianos impuseram uma taxa de segurança na favela Piraquê. Moradores que se recusavam a pagar eram espancados. Eles eram obrigados ainda a repassar dinheiro ao grupo quando vendessem alguma casa ou terreno na comunidade. O grupo controlava ainda, de forma ilegal, a distribuição de gás e de sinais de TV a cabo. Ontem, técnicos subiram em postes para desfazer as ligações clandestinas.
— A milícia era liderada por um policial civil e continha um núcleo familiar, à semelhança da conhecida “Liga da Justiça”, que aterrorizava Campo Grande. A presença de policiais militares e de um integrante do exército potencializava as atividades do bando — analisaram os promotor Marcus Leite e Claudio Varela, do Gaeco.
Além do inspetor Cunha, foram presos o subtenente do exército Marco Antônio Cosme Sacramento e o policial militar Marcos Antônio Pisente Canário, o Marquinhos. Os outros quatro presos são da mesma família: Geraldo Maranhão da Costa, conhecido como Velho; os filhos dele, Pedro e Isabel Maranhão; e o sobrinho Antônio Luiz da Costa. Maranhão e o policial militar Ubirajara Rodrigues Gama Filho, do 31º BPM (Recreio), estavam logo abaixo de Cunha na escala de comando.
Os dez foram denunciados por formação de quadrilha armada. Se condenados, Cunha, Maranhão e Gama podem ter uma pena maior que a dos demais, por serem os líderes. Para esse tipo de crime, a pena prevista é de, no máximo, 12 anos de prisão.

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BBC Brasil Atualidades

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