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segunda-feira, julho 19, 2010

O Medo de Ser

O Medo de Ser
Por Jefferson Lessa 
Ilustração de Claudio Duarte
  Na semana em que a Argentina aprova o casamento gay, peço licença para relatar uma historinha banal. Moro num bairro aprazível e “tranquilo”, sonho de consumo de dez entre dez cariocas. Dos que não vivem lá, obviamente. “A grama do vizinho...”. Pois é. De um tempo para cá, por motivos que me são alheios, alguns playboys deram de gritar “veaaaaaado!!!”  quando me veem na rua. Outro dia, derrubaram minha pasta no chão. Numa noite anterior, rolou um inesperado banho de uísque com Redbull no casaco novo... Depois disso, a calçada ficou mais longa que uma maratona. Chegar à varanda torna-se uma decisão pesada, difícil de tomar. A pasta, o cheiro do uísque com Redbull... Difícil. Como vocês podem ver, trata-se de uma história de bullying, a palavra do momento. Seria só mais uma, não fosse o caso de atingir um certo cara no auge da meia-idade. Eu.
   Nunca havia passado por isso antes. E não pretendia experimentar agora. Mas aconteceu — fazer o quê? Penso em várias “soluções”. A mais radical é mudar de bairro. Deixar para trás uma casa que adoro e que montei aos poucos, no ritmo que o salário aguado permitiu. Deixar para trás, também, um prédio no qual fiz amigos. É uma “solução” penosa e triste, creio. Faz com que eu me sinta covarde, pequeno, sujo, miserável. Sem falar no trampo, né? Mudança, segundo pesquisas, é uma das situações que mais geram estresse na vida.
As outras são separação, morte... Mudança é um pouco separação e morte. A outra “solução” é sugerida por amigos, que perguntam: Por que você não denuncia? Por que não procura a polícia?” Simplesmente porque não vivo dentro de um episódio de “Law & order: Special Victims Unit”, a genial série americana que ficcionaliza o cotidiano da unidade de elite da polícia novaiorquina especializada na investigação de crimes de natureza sexual. Se eu tivesse a certeza de que meu “caso” seria tratado pelos detetives Stabler e Benson, correria para a delegacia mais próxima. Na maior confiança. Como todos sabemos, não é bem o caso por aqui.
E também posso fazer o que estou fazendo neste instante: expor meu pequeno drama (que, convenhamos, não interessa a quase ninguém) nas páginas de um grande jornal como este O GLOBO. Vai ter gente se identificando, é claro. Vai ter gente criticando a superficialidade do texto (provavelmente, com razão: sou meio raso mesmo). Vai haver quem elogie a coragem do repórter, bem como quem o ache um rematado covarde. Sinceramente, leitor, sua opinião me importa. Mas pouco muda. Desculpe qualquer coisa, tá? É que na hora de voltar para casa, não vai ter detetive Benson nem Stabler, amigos, leitores ou páginas para segurar a barra. A mim, restará torcer, solo, para não encontrar os pequenos e medíocres algozes do dia a dia. Em encontrando, restará torcer para que não estejam muito bêbados ou alterados, pois isso conta — e muito — nessas horas. O cotidiano pode se dividir entre poder ou não ser você mesmo na rua, no ônibus, no boteco... Mas convenhamos: isso ainda não é tão possível no balneário de São Sebastião. Somos toscos, mal educados, infantis e preconceituosos. Friendly my ass, isso sim. Ih, falei.
Eis a história — até agora. As cenas dos próximos capítulos? Não sei o que esperar desta trama triste. Mas sei o que não esperar no curto prazo: civilidade. E aqui me permito repetir uma obviedade: civilidade não se compra no supermercado ou na quitanda. Se constrói. Ao longo de muito tempo. E é aqui que penso numa notícia da última semana: a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina.  Não sei se a notícia foi realmente bem-vinda ou se mereceu um tratamento tão retumbante por ser muito surpreendente. Mas o fato de a Argentina ter se tornado o primeiro país da América Latina e do Caribe a aceitar o chamado casamento gay mereceu amplíssima cobertura da imprensa brasuca. Nas páginas e nas telas, parece algo de muito bom, apesar dos protestos dos usual suspects (Igreja católica, círculos conservadores, arautos da família etc). Ouso pensar que se a notícia tivesse vindo de outro país que não nosso arquirrival, teria sido ainda mais celebrada. É de bom tom na imprensa alardear correção política, mesmo quando o coração se inclina na direção oposta.
  Fiel à rivalidade, não consigo parar de comparar, mentalmente, Brasil e o país hermano (que as piadinhas já transformaram em hermana). Mas quando digo país, leia-se cidade. É isso: não consigo parar de comparar mentalmente o Rio, onde sempre vivi, e Buenos Aires, ciudad que conheci ainda criança e à qual já voltei várias vezes. E acho que, no quesito friendly, BsAs ganha de longe, muito longe, do Rio.
 Aqui, cabe esclarecer. Grandes questões como direito a adoção de crianças e a herança do(a) companheiro(a) são fundamentais, é óbvio. Palmas para os países que já garantiram tudo isso a seus gays, lésbicas, transgêneros, simpatizantes e quem mais chegar. Mas, em minha humílima opinião, é o dia a dia que conta. É do cotidiano que a vida é feita. Do dia de sol ou chuva, do ônibus que chega na hora ou não, que para ou não no ponto... Do chefe que te saúda ou não no trabalho, do colega que te dá uma força ou puxa o teu tapete, do amigo que te liga no momento certo. Da flanada prazerosa pela tua cidade, sem medo de pitboys e pitbulls. Ou não.
 Aqui, volto à Argentina. Foi corajosa a aprovação do chamado casamento gay naquele país. Cheio de inveja, deixo meus parabéns. Não sou idiota a ponto de acreditar que uma lei acabe, magicamente, com pré-conceitos acumulados ao longo de séculos e cevados à base de ódio à diferença. Mas é um primeiro passo para uma rotina mais amena no futuro. Quando é que vamos dar este passo? Hein?
* Texto publicado este domingo  na seção LOGO/A Página Móvel,  que saiu na editoria RIO
COMENTÁRIO: Direitos civis são garantidos constitucionalmente, não podem ser desrespeitados. TODOS são iguais em direitos e obrigações. Preconceito não!

domingo, julho 04, 2010

Juiz manda prender capitão-PM por desacato

BARRA DO PIRAÍ
Juiz manda prender capitão-PM por desacato
Publicado em 01/07/2010, às 20h58



O juiz da 2ª Vara Criminal de 2ª Vara Criminal , Murilo Teixeira Mello Júnior, mandou prender na tarde de ontem o capitão-PM Leonardo Gomes Zuma, lotado no Centro de Inteligência da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, por desacato.

Segundo o próprio policial, ele resolveu não esperar a audiência que participaria no Fórum da cidade, porque o juiz estaria atrasado. Zuma explicou que, como estava intimado para comparecer também em uma outra audiência em Valença, resolveu ir embora. De acordo com o capitão, ele recebeu uma ligação para que retornasse ao Fórum de Barra do Piraí.

O juiz teria indagado porque o policial foi embora sem a autorização dele. Mello Júnior teria alertado o capitão-PM, que em razão de sua atitude, ele poderia ser multado em um salário mínimo, por conduta indevida, além de estar sujeito às sanções administrativas cabíveis pela Polícia Militar. Zuma então teria respondido: "Já que o juiz falou em multa, quem é que multa um juiz por chegar atrasado em uma audiência?".

O fato foi testemunhado pelo promotor André Dikstein. Conforme o depoimento do próprio policial na 88º DP (Barra do Piraí), o juiz teria levantado da cadeira e disse que tinha mudado o parecer dele e anunciado que o multaria em um salário mínimo. Mello Júnior determinou ainda que um escrivão que estava na sala da audiência preparasse a ata e transcrevesse tudo o que ele e o promotor tinham testemunhado.
 Em seguida, o magistrado chamou um cabo para conduzir Zuma para uma cela do Fórum. O capitão disse que tinha direito se ser levado por um oficial. "O juiz disse que não se interessava pelas normas militares", contou Zuma ao depor na delegacia, acrescentando que não ficou no xadrez, mas em uma sala.

A comandante do 10º Batalhão da PM (Barra do Piraí), coronel-PM Kátia Néri Boaventura, designou um oficial que acompanhou o suspeito até a delegacia, onde ele foi autuado por desacato, crime pelo qual responderá em liberdade.
Segundo testemunhas, o juiz determinou que o fato fosse informado à Corregedoria Geral da PM, na Corregedoria Unificada e ao comando do 10º BPM, e que eles deveriam instaurar procedimentos administrativos e disciplinares cabíveis. O capitão teria retornado ao Rio, escoltado por PMs. Zuma chegou a ser aspirante a oficial no 10º BPM (Barra do Piraí, onde ser tornou capitão-PM.

sexta-feira, julho 02, 2010

Obama apela a oposição para passar reforma

Obama apela a oposição para passar reforma
Presidente americano admite que precisa dos republicanos para aprovar mudanças na política de imigração
Fernando Eichenberg - Correspondente

WASHINGTON. O presidente dos EUA, Barack Obama, fez um apelo ontem aos parlamentares republicanos para que se unam aos esforços bipartidários para a aprovação do projeto de reforma da imigração no Congresso. Durante um pronunciamento na American University, o titular da Casa Branca reconheceu que a reclamada reforma — fracassada em 2006 e 2007 — não poderá passar sem o voto da oposição.
— Essa é uma realidade política e matemática — admitiu o presidente Obama.
Ao definir o tema como “sensível” e propício à “demagogia”, o presidente explicou o recente recuo de 11 senadores republicanos antes favoráveis à reforma por causa das eleições legislativas de novembro próximo.
Lei do Arizona é reflexo de ausência de política efetiva Obama classificou o sistema de imigração no país como “falido” e “obsoleto”, e condenou a controversa lei recentemente aprovada no Arizona — em vigor a partir de 29 de julho —, que autoriza a polícia estadual a interpelar e solicitar documentos a qualquer pessoa “suspeita” de situação ilegal no país. Em seu discurso, reiterou que o exemplo do Arizona — inspiração para legislações similares em outros Estados — é um reflexo da ausência de uma efetiva política nacional de imigração.
Por um lado, o presidente negou as teses que relacionam diretamente o aumento da criminalidade à imigração clandestina.
Por outro, num claro aceno ao clã republicano, observou que, com o reforço de 1,2 mil homens da Guarda Nacional e o incremento dos serviços de inteligência, as fronteiras do sul do país nunca estiveram tão seguras nos últimos 20 anos. Mas alertou que a necessária repressão à imigração ilegal deve ser acompanhada da urgente reforma do ultrapassado sistema de imigração legal do país.
— Essa abordagem exige responsabilidade de todos: do governo, das empresas e dos indivíduos — disse.

Em um comunicado, o Sindicato Internacional dos Empregados de Serviços (SEIU, na sigla em inglês) reforçou o discurso presidencial: “Todos os dias que os republicanos bloqueiam a reforma migratória representam mais um dia em que empregadores oportunistas exploraram o sistema por ganância pessoal.” Em relação aos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais no país, o presidente descartou tanto a deportação maciça como uma anistia ampla e irrestrita.
Os ilegais deverão se registrar, esperar na fila pela regularização, submeter-se à lei e pagar os devidos impostos ao Estado, afirmou.
A fala de Obama — eleito para a Casa Branca com 67% dos votos hispânicos — ocorre em um momento de crescente exigência de uma atitude mais enérgica por parte do chefe da nação em relação a uma de suas principais promessas de campanha. Mesmo vozes conservadoras têm se organizado para pressionar o governo e o Congresso — vide a recente manifestação conjunta do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, do magnata da comunicação Rupert Murdoch e de líderes de empresas como Hewlett Packard, Boeing, Walt Disney e Marriot Internacional.
Interessados cobram calendário para votação Associações de defesa dos imigrantes, chefes de polícia, prefeitos e governadores de localidades afetadas pelo problema da imigração ilegal acolheram positivamente o tom do discurso presidencial. Para muitos, no entanto, faltou o essencial: o calendário para a votação da reforma.
“Quando?”, foi a pergunta que pairou no ar.
Apesar do novo empurrão dado ontem por Obama, poucos acreditam que, por este ser um ano eleitoral, o projeto de lei seja apreciado pelo Congresso ainda em 2010.  

quarta-feira, abril 14, 2010

Ainda que minha conduta moral e ética integrem valores da fé cristã, que professo, não discrimino quem quer que seja e defendo plena cidadania para todos.

O que penso a respeito do movimento LGBTs
Postado em 14/04/2010 por Marina Silva
Quem conhece a minha história e convive comigo sabe que respeito as diferenças e sou defensora da tolerância. Acredito que são posturas essenciais para a construção da ética democrática. Minha voz e meus atos nunca manifestaram ou manifestarão, portanto, qualquer tipo de rejeição a qualquer movimento legitimado por aquilo que costumo chamar de forças vivas da sociedade. Sempre que me perguntam sobre o que penso a respeito do movimento LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros), seus direitos e sua luta por leis que os protejam de discriminação, digo que reconheço a legitimidade do movimento e de suas reivindicações.
O Estado deve assegurar a todos – sem distinção – igualdade. As políticas públicas, democraticamente aprovadas pelo Parlamento, e implementadas pelo governo, devem atender a todos.
Falo isso porque, nos últimos dias, um vereador de meu partido, militante do movimento LGBTs, me escreveu, com cópia para outras pessoas, dizendo que eu “escondi” a bandeira arco-íris que ele me entregou durante um evento público na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O assunto chegou a ganhar certa repercussão no universo da internet. Sander Simaglio, segundo ele escreve, teria me pedido para estender a bandeira.
Sander, um ativo militante e parlamentar, atual presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Alfenas, subiu ao palanque no momento em que o presidente do partido em Minas, Ronaldo Vasconcellos, fazia seu discurso de posse. Na sequência, solicitou que eu tirasse uma foto ao seu lado. Atendi Sander, como faço com todos os pré-candidatos do PV, para registrar aquele encontro momentâneo. Não me recordo de ter tido qualquer outro diálogo com ele.
Logo em seguida, de forma simpática e respeitosa, ele me passou a bandeira que retirou do bolso de seu paletó. Como fiz com tantas outras lembranças que me foram dadas naquele dia – livros, artesanatos e flores –, passei a oferta do vereador para a minha assessoria. Então nos abraçamos, nos despedimos, e não notei nenhum desapontamento de sua parte.
Aliás, não tive nenhuma reação surpreendente ao receber a bandeira. Receber presentes e lembranças simbólicas é um ato corriqueiro em minhas andanças pelo país.
Na condição de pré-candidata à Presidência da República, me coloco como postulante a representar todos os brasileiros, independentemente do que pensam, de sua orientação sexual, do que crêem ou de sua militância. Minha história é meu compromisso. Política deve ser feita com respeito, sem proselitismo.
Por fim, reafirmo: ainda que minha conduta moral e ética integrem valores da fé cristã, que professo, não discrimino quem quer que seja e defendo plena cidadania para todos. O mesmo espero de todas as outras pessoas, candidatas ou não.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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