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terça-feira, setembro 14, 2010

As verdades de Sarrazin: A "correção política" está silenciando um debate importante

As verdades de Sarrazin: A "correção política" está silenciando um debate importante
Matthias Matussek – Der Spiegel
O banqueiro-central alemão Thilo Sarrazin está sendo linchado por causa de sua polêmica censura aos muçulmanos, mas há algumas coisas que seus críticos claramente não estão entendendo. Não se pode desprezar o que o homem personifica: a ira de uma população alemã que está cansada de ser insultada quando se oferece para ajudar estrangeiros a se integrar.
Nada mais é como costumava ser. Nesta temporada de indignação pública, o caso de Thilo Sarrazin tornou-se muito maior que Sarrazin. É muito maior que o homem ou o livro que ele escreveu com críticas ao islã.
O caso Sarrazin também é um caso Merkel, um caso para seu partido, o Social Democrata, de centro-esquerda, e para o "establishment" político e midiático alemão. Sarrazin tornou-se sinônimo da indignação sobre como o ramo politicamente correto da sociedade alemã, baseada no consenso, mandou seus funcionários escoltarem esse indivíduo perturbador até a porta. No caminho, eles também parecem tentar lhe ensinar uma lição: "Vamos lhe incutir à força a tolerância".
Sarrazin não é telegênico, e muitas vezes se atrapalha com as estatísticas. No que se refere a estilo, é uma negação - mal arrumado quando vai aos inúmeros programas de entrevistas que mantêm nossa sociedade do entretenimento viva. Ele escorrega em uma casca de banana de correção política após a outra, expondo-se a ataques com suas declarações sobre genética. Mas suas conclusões sobre o fracasso da integração dos imigrantes turcos e árabes estão além de qualquer dúvida.
Sarrazin foi obrigado a sair do Bundesbank. O SPD também quer chutá-lo para fora do partido. Convites antes estendidos a Sarrazin estão sendo cancelados. Os editores da página de cultura do semanário alemão "Die Zeit" o denunciam e os editores do jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung" amaldiçoam Sarrazin por trechos que ele nem sequer escreveu.
Técnicos da exclusão
Mas o que todos esses técnicos da exclusão deixam de ver é que não se pode evitar a própria coisa que Sarrazin personifica: a irritação de pessoas que estão cansadas - depois de deixar para trás um longo e árduo processo de esclarecimento - de ser confrontadas com elementos pré-esclarecimento que retornam ao centro de nossa sociedade. Elas estão cansadas de ser ofendidas ou ridicularizadas quando oferecem ajuda para a integração. Estão cansadas de ler sobre associações islâmicas que têm um grau mínimo de separação do terrorismo, de assassinatos de honra, de ameaças de morte contra desenhistas e cineastas. Elas estão horrorizadas pelo fato de que "você cristão" tornou-se hoje um insulto em alguns pátios de escola. E estão irritadas que os líderes ocidentais sejam obrigados a lutar por uma mulher de um país islâmico que foi acusada de adultério e está sendo ameaçada de apedrejamento.
Estranhamente, um grande número de nossos concidadãos turcos ficam mais indignados com o livro de Sarrazin do que com essas coisas.
Esses imigrantes turcos suficientemente afortunados para ter carreiras exemplares não deveriam começar a exercer um pouco de influência sobre seus colegas imigrantes e sobre seus vizinhos para que o Corão mostre sua face mais gentil e caridosa? Não está na hora de eles se levantarem e mostrarem seu apoio à pluralidade e à liberdade de expressão?
Esse certamente não foi o caso recentemente, quando o Conselho Migratório, um grupo guarda-chuva de organizações de imigrantes em Berlim, manifestou-se com sucesso contra uma palestra de Sarrazin durante o Festival Internacional de Literatura na capital alemã. Bernd Scherer, que dirige a Casa das Culturas Mundiais, o local do festival, cedeu à pressão e cancelou o evento. Agora a palestra será realizada em outro lugar na sexta-feira - sob proteção policial.
Proteger o público de veneno e tentação
Mas enquanto sociedade parecemos satisfeitos com o fato de que nossos políticos, que se tornaram oportunistas, estão se debatendo sob o mesmo peso. E quanto à mídia politicamente correta, não funciona mais.
Até agora a mídia foi dominada por dois arquétipos: havia o estilo de governanta condescendente que assume que o público é ignorante e, sem ser solicitada, tenta protegê-lo do veneno e da tentação. Ou existe a abordagem de denúncia enérgica, que também supõe que o público é tolo e se concentra em revelar segredos: Sr. Professor, eu notei uma mancha marrom, o senhor não consegue vê-la a olho nu, mas como sou tão inteligente eu consegui vê-la.
Klaus von Dohnanyi, que vai defender Sarrazin enquanto o SPD tenta expulsá-lo, disse ao jornal "Süddeutsche Zeitung" que a Alemanha foi dominada por sua história do Holocausto e que se desenvolveu uma cultura na qual qualquer um que dissesse as palavras "gene" ou "judeu" era automaticamente considerado suspeito.
Ele tem razão ao se queixar de que nós evitamos debates que "são comuns em outros países". Entre estes, a discussão de que "grupos étnicos específicos" compartilham características específicas.
Simplesmente não entendeu
Debates sobre identidade e dominação cultural são generalizados em um mundo cada vez mais global - nos EUA assim como no Reino Unido, na França, Holanda ou Dinamarca. Esse debate não exclui o cosmopolitismo de modo algum. Ele meramente representa uma insistência em manter tradições e valores. A religião é um deles, e algo que as pessoas não vão dispensar de bom grado.
Esses são os trechos do livro de Sarrazin que eu acho mais interessantes. Os que refletem melancolicamente que os alemães estão não apenas demograficamente trabalhando para seu próprio fim, como também estão se despedindo de seu passado cultural e educacional. Quem chamar isso de racista simplesmente não entendeu.
Mas desde o caso Sarrazin está claro que a intimidação da polícia do pensamento politicamente correto da mídia e suas ameaças de expulsar pessoas da sociedade não funcionam mais. Agora o público já tem um instinto de justiça altamente desenvolvido.
O apoio que Sarrazin recebeu demonstra isso. Os alemães estão aprendendo. Talvez, um dia, as redações do país vão se equiparar à posição em que os britânicos estão há muito tempo - um lugar onde os debates podem se realizar sem tapa-olhos ou controles de linguagem. Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

quarta-feira, agosto 11, 2010

Em contexto: Israel e os imigrantes não judeus

Em contexto: Israel e os imigrantes não judeus
Para enxergar além dos fatos
Juliano Machado - época
PROTESTO
Em Tel Aviv, famílias de trabalhadores estrangeiros exibem cartazes contra o plano do governo de deportar pais e filhos ilegais

Até o fim do mês, o destino de centenas de famílias de trabalhadores estrangeiros ilegais, incluindo até mesmo as crianças nascidas em Israel, pode ser a terra de origem. O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou que, em até 30 dias, deportará, com seus pais ou mães estrangeiros, as crianças e os adolescentes que não se encaixarem numa lista de critérios. Entre os requisitos, eles têm de estar matriculados na rede de ensino israelense; saber falar hebraico; estar morando ao menos cinco anos consecutivos em Israel; ainda não ter concluído o ensino médio. A estimativa é que ao menos 400 crianças estariam sujeitas à deportação. Por que Israel expulsaria quem não tem nenhum elo com a terra dos pais e, naturalmente, preferiria permanecer no país onde nasceu ou está crescendo?
Israel tem hoje 7,6 milhões de habitantes. De acordo com a classificação oficial adotada pelo governo israelense, três quartos deles são judeus, e os demais são, em sua maioria, árabes com cidadania israelense. Os imigrantes que vêm trabalhar ilegalmente no país começam a engrossar as estatísticas – são 255 mil, dos quais 125 mil ilegais, segundo o governo. Deportar as famílias seria uma forma de desestimular a entrada de mais clandestinos.
Há, porém, outro fator em jogo. A população judaica em Israel já foi, proporcionalmente, bem maior (leia o quadro abaixo). Essa queda, acentuada nos anos 90, tem tornado a questão demográfica um tema explosivo na política interna israelense. Ao anunciar a medida, o próprio Netanyahu citou “considerações sionistas” e a preocupação de “assegurar o caráter judaico do Estado de Israel”. A coalizão de Netanyahu inclui partidos da ultradireita, como o Shas, que consideram os imigrantes não judeus uma ameaça ao ideal de Israel como pátria judaica – o princípio do movimento sionista, fundado por Theodor Herzl (1860-1904). É do Shas o ministro do Interior, Eli Yishai, responsável por assuntos imigratórios. Numa tirada preconceituosa, ele já se referiu aos imigrantes como “fonte de uma profusão de doenças e vícios”.
A maioria das famílias sob risco de deportação veio de países pobres do Leste Europeu, do Sudeste Asiático e da África. Elas chegaram a Israel a partir dos anos 90. Na época, a primeira intifada, o levante dos palestinos contra a ocupação israelense de Gaza e Cisjordânia, reduziu a oferta de palestinos que saíam desses territórios para trabalhar em Israel. A solução adotada pelo governo israelense foi preencher esse mercado com imigrantes filipinos, tailandeses, etíopes, moldávios. Eles receberam vistos de trabalho de até cinco anos, mas a maioria se fixou no país depois que o prazo expirou.
Enquanto as famílias ilegais devem sair do país, outros 30 mil estrangeiros entraram legalmente em Israel no ano passado. Para que eles não venham a ser deportados daqui a alguns anos, Israel precisa achar uma saída melhor para o dilema entre precisar de mão de obra e coibir a clandestinidade. Nas palavras de John Gal, professor de políticas sociais da Universidade Hebraica, em Jerusalém: “Deportar crianças não vai resolver nada enquanto não tivermos uma política de imigração clara para não judeus”. 

segunda-feira, julho 05, 2010

Alistamento abre portas para imigrantes

Alistamento abre portas para imigrantes
Servir às Forças Armadas americanas é caminho cada vez mais comum entre estrangeiros para obter cidadania
Em política iniciada na era Bush, boa parte dos alistados é rapidamente enviada ao combate no Afeganistão ou Iraque
ANDREA MURTA - DE WASHINGTON – Folha de São Paulo

Ao retomar na última semana a defesa da reforma migratória, o presidente dos EUA, Barack Obama, jogou luz em um caminho que cada vez mais estrangeiros -inclusive brasileiros- usam para se tornar cidadãos americanos: o serviço militar.
Desde o final de 2001, foram naturalizados 53.497 estrangeiros nas Forças Armadas americanas. O ano passado foi recorde no período, com 10.505 militares recebendo a cidadania - um salto de 33% em relação a 2008 e quase o dobro da média anual dos últimos nove anos.
É um meio radical, pois boa parte dos alistados é rapidamente enviada para o Iraque ou o Afeganistão.
"[Essas pessoas] se alistaram antes mesmo de serem cidadãos", disse Obama em discurso na última quinta. "Eles nos lembram que imigrantes sempre ajudaram a defender esse país e que ser americano não é questão de nascimento, mas de fé."
O presidente aludia também a uma cerimônia que realizou na Casa Branca em abril, na qual mais de 20 militares estrangeiros, dos quais três brasileiros, se tornaram americanos.
Um deles foi Charlyston Schultz, que tinha só 12 anos quando deixou Uberlândia (MG) com dois irmãos para viver com a mãe nos EUA. Hoje, é fuzileiro naval.
"A cerimônia foi fantástica", disse em entrevista à Folha, por telefone, de sua base em Campo Lejeune (Carolina do Norte). "Nunca pensei que receberia a cidadania direto do presidente."

NECESSIDADE
Apesar de não ser inédita, a naturalização de soldados se tornou bem mais fácil no governo do ex-presidente George Bush (2001-2009), especialmente após o 11 de Setembro e a invasão do Afeganistão, ambos em 2001.
Com maiores necessidades de recrutamento, Bush editou uma medida provisória acelerando o processo.
Sob Obama, em 2009, até mesmo estrangeiros sem "green card" (permissão de residência) que servem nas Forças Armadas passaram a ser elegíveis para naturalização, bastando ter visto temporário e haver "interesse nacional" -o que se aplica a setores como a área médica e tradutores de línguas como pashtu e farsi.
O serviço de imigração e cidadania diz que o objetivo não é criar um atrativo a mais para o recrutamento, e sim retribuir o sacrifício dos imigrantes, sujeitos a ir para a guerra pelos EUA.
Mas militares e especialistas não descartam que a estratégia acaba atraindo quem só pensa na cidadania.
"Os EUA querem genuinamente fazer algo pelos imigrantes que servem no Exército. Mas, para os imigrantes, a cidadania é um objetivo importante", afirmou à Folha Jeanne Batalova, do Instituto de Políticas Migratórias, em Washington.

Brasileiros dizem que naturalização pesa na decisão
GABRIELA MANZINI - DE SÃO PAULO

Brasileiros naturalizados americanos que servem nas Forças Armadas relataram à Folha a influência que a rapidez na naturalização costuma ter na hora de decidir pelo alistamento.
"O que pesou mais na minha decisão foi a promessa de naturalização. Outros benefícios considerados foram o plano de saúde familiar e poder terminar a faculdade aqui com tudo pago", conta o sargento Marcos Vinicius Costa, que está no Iraque.
Ele diz que, apesar da "dor da distância", se realizou na profissão. "Quando assinei o contrato, era por três anos, apenas. Quando estava acabando, renovei por mais dois e meio. Se fosse só pela cidadania, teria feito o mínimo."
O sargento Luciano Rebouças, que nasceu na Bahia e hoje está numa base no Estado da Geórgia (EUA), já era naturalizado quando decidiu se alistar, mas confirma que, para muitos, o serviço militar é como um atalho seguro.
"Muitos que conheço entraram por isso. Pensaram:
"Por que esperar e ainda correr risco de ter o pedido negado? Assim é mais rápido"." Charlyston Schultz, naturalizado no evento com Obama, nunca foi para um campo de batalha, mas diz que "está pronto para servir".
Já Rebouças, que já foi ao Iraque três vezes - mais de mil dias, ao todo-, alerta:
"Você tem que saber no que está se metendo". "Conheço um cara que entrou na Marinha e a primeira coisa que fizeram foi mandá-lo ao Afeganistão. Aí ele não aguentou. Nem conseguiu [cidadania]."
O sargento, pai de um menino de 4 anos e uma menina de 2, conta como o alistamento afetou sua família. "Minha mãe ficou bem preocupada."
"No começo, você sempre pensa no risco. Mas uma hora pensa: "Vou ficar com medo todo dia?". Querendo ou não, vai haver perigo. Daí você coloca na mão de Deus."
Com ANDREA MURTA, de Washington

sexta-feira, julho 02, 2010

Obama apela a oposição para passar reforma

Obama apela a oposição para passar reforma
Presidente americano admite que precisa dos republicanos para aprovar mudanças na política de imigração
Fernando Eichenberg - Correspondente

WASHINGTON. O presidente dos EUA, Barack Obama, fez um apelo ontem aos parlamentares republicanos para que se unam aos esforços bipartidários para a aprovação do projeto de reforma da imigração no Congresso. Durante um pronunciamento na American University, o titular da Casa Branca reconheceu que a reclamada reforma — fracassada em 2006 e 2007 — não poderá passar sem o voto da oposição.
— Essa é uma realidade política e matemática — admitiu o presidente Obama.
Ao definir o tema como “sensível” e propício à “demagogia”, o presidente explicou o recente recuo de 11 senadores republicanos antes favoráveis à reforma por causa das eleições legislativas de novembro próximo.
Lei do Arizona é reflexo de ausência de política efetiva Obama classificou o sistema de imigração no país como “falido” e “obsoleto”, e condenou a controversa lei recentemente aprovada no Arizona — em vigor a partir de 29 de julho —, que autoriza a polícia estadual a interpelar e solicitar documentos a qualquer pessoa “suspeita” de situação ilegal no país. Em seu discurso, reiterou que o exemplo do Arizona — inspiração para legislações similares em outros Estados — é um reflexo da ausência de uma efetiva política nacional de imigração.
Por um lado, o presidente negou as teses que relacionam diretamente o aumento da criminalidade à imigração clandestina.
Por outro, num claro aceno ao clã republicano, observou que, com o reforço de 1,2 mil homens da Guarda Nacional e o incremento dos serviços de inteligência, as fronteiras do sul do país nunca estiveram tão seguras nos últimos 20 anos. Mas alertou que a necessária repressão à imigração ilegal deve ser acompanhada da urgente reforma do ultrapassado sistema de imigração legal do país.
— Essa abordagem exige responsabilidade de todos: do governo, das empresas e dos indivíduos — disse.

Em um comunicado, o Sindicato Internacional dos Empregados de Serviços (SEIU, na sigla em inglês) reforçou o discurso presidencial: “Todos os dias que os republicanos bloqueiam a reforma migratória representam mais um dia em que empregadores oportunistas exploraram o sistema por ganância pessoal.” Em relação aos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais no país, o presidente descartou tanto a deportação maciça como uma anistia ampla e irrestrita.
Os ilegais deverão se registrar, esperar na fila pela regularização, submeter-se à lei e pagar os devidos impostos ao Estado, afirmou.
A fala de Obama — eleito para a Casa Branca com 67% dos votos hispânicos — ocorre em um momento de crescente exigência de uma atitude mais enérgica por parte do chefe da nação em relação a uma de suas principais promessas de campanha. Mesmo vozes conservadoras têm se organizado para pressionar o governo e o Congresso — vide a recente manifestação conjunta do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, do magnata da comunicação Rupert Murdoch e de líderes de empresas como Hewlett Packard, Boeing, Walt Disney e Marriot Internacional.
Interessados cobram calendário para votação Associações de defesa dos imigrantes, chefes de polícia, prefeitos e governadores de localidades afetadas pelo problema da imigração ilegal acolheram positivamente o tom do discurso presidencial. Para muitos, no entanto, faltou o essencial: o calendário para a votação da reforma.
“Quando?”, foi a pergunta que pairou no ar.
Apesar do novo empurrão dado ontem por Obama, poucos acreditam que, por este ser um ano eleitoral, o projeto de lei seja apreciado pelo Congresso ainda em 2010.  

quinta-feira, julho 01, 2010

ONU diz que 140 mil pessoas são “mercadoria” na Europa

ONU diz que 140 mil pessoas são “mercadoria” na Europa

A Espanha é o país da Europa que mais sofre com o tráfico de pessoas e em toda Europa há cerca de 140 mil pessoas envolvidas, aponta o relatório Tráfico de Pessoas para a Europa para fins de Exploração Sexual, divulgado nesta terça-feira (29) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODOC).
Cerca de 84% das vítimas são traficadas para a exploração sexual, a maioria delas mulheres jovens que sofrem estupros, violência e são drogadas à força, informa também o relatório da ONU (Organização das Nações Unidas).
“São obrigadas a pagar dívidas que lhe foram impostas, têm seus passaportes confiscados e são atraídas por falsas promessas de emprego”, informa ainda o relatório.
O comércio de pessoas na Europa movimenta R$ 5,5 bilhões (2,5 bilhões de euros por ano).
Os dados se referem apenas à Europa Ocidental e mostram que a maior parte das vítimas veem de regiões vizinhas, como os Bálcãs, 32%, e países da antiga União Soviética , 19%. A América do Sul é o terceiro lugar de origem das vítimas, com 13%, seguida pela Europa Central, com 7%, pela África, com 5%, e pelo Leste Asiática, com 3% 
Cerca de 70 mil mulheres são vítimas de tráfico sexual para a Europa Ocidental anualmente, segundo estima um relatório da UNODC (agência da ONU para Drogas e Crime).

Segundo o documento O Tráfico de Pessoas para a Europa para Exploração Sexual, haveria atualmente cerca de 140 mil mulheres obrigadas a trabalhar no mercado do sexo na região. 

A ONU avalia que essas 140 mil mulheres traficadas façam ao todo cerca de 50 milhões de programas anuais, a um custo médio de 50 euros por cliente (cerca de R$ 109), movimentando um total de 2,5 bilhões de euros (R$ 5,47 bilhões).

O relatório da ONU foi divulgado na Espanha pelo diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, para coincidir com o lançamento da campanha internacional Coração Azul de combate o problema.

"Os europeus acreditam que a escravidão foi abolida há centenas de anos. Mas olhem em volta - os escravos estão em nosso entorno. Precisamos fazer mais para reduzir a demanda por produtos feitos por escravos e por meio da exploração", afirmou Costa.

Origens
O relatório da ONU cita a região dos Bálcãs como a principal origem das mulheres traficadas para a Europa Ocidental (32% do total), seguida dos países do ex-bloco soviético (19%), mas observa também um aumento no número de mulheres brasileiras traficadas (as sul-americanas são 13% do total).

Segundo a organização, a maioria das vítimas brasileiras de tráfico sexual para a Europa são originárias de regiões pobres no norte do país, principalmente nos Estados do Amazonas, do Pará, de Roraima do Amapá.

O relatório observa ainda que as vítimas sul-americanas (principalmente do Brasil e do Paraguai) são traficadas principalmente para Espanha, Itália, Portugal, França, Holanda, Alemanha, Áustria e Suíça.

Em Portugal, dados do governo local divulgados na semana passada indicam que as brasileiras são 40% das mulheres traficadas no país.

Na Espanha, segundo os dados da ONU, o número de vítimas brasileiras e paraguaias ultrapassou desde 2003 o de vítimas colombianas, antes majoritárias no país.

Números
O total de 140 mil mulheres traficadas na Europa foi estimado pela ONU com base no número de 7.300 vítimas detectadas na Europa Ocidental em 2006. A organização estima que 1 em cada 20 vítimas seriam detectadas, indicando um total de 140 mil.

A agência estima ainda que o mercado tem uma renovação em média a cada dois anos, levando ao número de 70 mil novas vítimas a cada ano para substituir as que conseguem deixar a condição.

O relatório da ONU, porém, questiona alguns números de pesquisas sobre o tema. O documento cita uma estimativa de 700 mil mulheres trabalhando como prostitutas na Europa Ocidental (incluindo as que trabalham sem coerção).

Mas ao confrontar esse número com as pesquisas que indicam uma média de 6% dos homens pagando por sexo a cada ano nesses países, a organização estima que isso levaria a uma média de dez clientes anuais por prostituta, um número extremamente baixo mesmo que se tratassem de clientes regulares.

Para a organização, ou menos mulheres trabalham como prostitutas ou mais homens estão pagando por sexo com elas - ou ambas as coisas.



Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, junho 16, 2010

Europa busca nas leis freio para imigração

FRONTEIRA DESENHADA
Europa busca nas leis freio para imigração
POR ALINE PINHEIRO
A notícia de que Barcelona, na Espanha, proibiu o uso da burca em estabelecimentos municipais, como prédio da prefeitura e cartórios, reanimou um debate nada adormecido: a imigração de árabes para a Europa. Enquanto nos últimos séculos eram os europeus que migravam para os países do então chamado terceiro mundo, nas últimas décadas é a Europa que tem de lidar com o caminho inverso. A polêmica em torno do uso ou não da vestimenta muçulmana é apenas a ponta de um iceberg no continente europeu, que já há alguns anos estuda medidas para conter a invasão ilegal e promover a integração dos imigrantes legais.
Semana passada, a Itália anunciou um novo pré-requisito para autorizar imigrantes a permanecer no país. Para obter o chamado permesso de soggiorno, o estrangeiro precisa conhecer o mínimo necessário da língua italiana, o suficiente para se virar em território italiano. Esse conhecimento é comprovado a partir de um teste aplicado pelo próprio governo. A prova começará já em dezembro e dela só ficam livres crianças, idosos e pessoas com algum tipo de deficiência.
O anúncio foi feito quase simultaneamente ao da Inglaterra, que começa a aplicar o teste já no meio do próximo semestre. Maridos e mulheres, companheiras ou companheiros de cidadãos ingleses interessados em permanecer no país terão de se submeter ao teste. Ou seja, se uma estrangeira casar com um inglês, precisa saber falar inglês para obter autorização para morar na Inglaterra. Em ambos os casos, o teste assim como a necessidade de permissão para morar no país é dispensável para qualquer cidadão da União Europeia.
A prova já recebeu críticas de que dificultará a imigração para os países. Bingo. Essa é justamente a sua proposta, declarada abertamente pela rainha Elizabeth e pela secretária do departamento do governo britânico responsável por imigração e pela Polícia, o Home Office. Theresa May afirmou que morar no Reino Unido é um privilégio e, por isso, devem haver mais barreiras para o estrangeiro que lá quer se estabelecer. O conhecimento mínimo necessário da língua é fundamental para a integração, ressaltou.

O seu pé no meu sapato
O problema da imigração começou a preocupar a Europa na década de 1970, quando começaram a ser adotadas medidas para conter a onda de imigrantes. Dados da União Europeia mostram que, em 2003, mais de 3% dos moradores de países da UE eram estrangeiros. Os números, no entanto, estão muito longe da realidade, já que a maior parte vive na Europa ilegalmente. No Reino Unido, em 2007, com população de menos de 60 milhões, o número oficial de pessoas que chegaram para viver pelo menos um ano lá foi de 577 mil.
Em épocas de crise econômica como a que atinge a Europa atualmente, o problema da imigração tende a ficar mais em evidência e, consequentemente, o combate se torna mais ostensivo. Na Inglaterra, o governo tenta reduzir o número de novos imigrantes no país de centenas de milhares para dezenas de milhares. Para tanto, estuda mudanças práticas nas regras de imigração, além do teste de inglês. Até dia 30 de junho, algumas dessas propostas estão abertas para consulta pública na internet. Outra discussão também aberta para os britânicos opinarem é a maneira de deportar crianças que estão ilegalmente no país. Hoje, elas ficam detidas assim como os adultos até o momento de embarcar.
Em 1999, a União Europeia decidiu aprovar uma política comum de trocas de informações sobre a onda de imigração. Em 2004, um programa foi aprovado abrangendo metas para o período de 2005 a 2010. Desde então, a comunidade, junta, adota medidas para diminuir o número de imigrantes ilegais nos países europeus.

Estranho vizinho
Além de reduzir a imigração, um dos principais desafios dos países europeus é promover a integração dos estrangeiros com os nativos. Tarefa inglória quando se pensa que a maioria dos imigrantes é de origem árabe e, portanto, com língua e costumes bastante diferentes dos europeus. Na Itália, porta de entrada dos imigrantes árabes para a Europa, a falta de integração é visível a olhos nus e o ciclo vicioso gerado é aparentemente intransponível. Quanto mais são publicadas notícias de crimes cometidos pelos árabes ilegais no país, mais o preconceito inunda o italiano e mais os imigrantes se marginalizam. Na legislação penal italiana, um dos agravantes previstos é quando o crime é cometido por imigrante ilegal.
A questão da burca, vestimenta muçulmana que cobre todo o rosto da mulher, entra no pacote de estranhamentos de um povo com o outro. Além de Barcelona, a França também já proibiu o seu uso nas salas de aula. Em Barcelona, o motivo é a proibição do anonimato. Por isso, vale também para o uso de capacete e máscaras de esqui, por exemplo, nos estabelecimentos públicos. O uso da burca também é pauta na Bélgica, Holanda, Itália, Dinamarca e Reino Unido.
Comunidades muçulmanas bradam que as medidas violam a liberdade de religião em países democráticos e dificultam a integração. Os países que proibiram, por outro lado, rebatem com a necessidade de identificar as pessoas nas ruas e a violência que o uso da burca pode ser para uma mulher. O assunto ainda não foi de todo esgotado e, em breve, pode ir parar nas cortes de Justiça da União Europeia.

Estudo aponta que 64% dos refugiados no Brasil são africanos

Estudo aponta que 64% dos refugiados no Brasil são africanos
Fabricia Peixoto | 2010-06-15, 13:31
Um levantamento divulgado nesta terça-feira pelo Conselho Nacional para Refugiados (Conare), órgão do Ministério da Justiça, aponta que o Brasil tem 4,3 mil refugiados - sendo 64% vindos do continente africano.
Os angolanos lideram o ranking de refugiados no país, com 39% do total. Na segunda posição aparece a Colômbia, com 13,7%. Já os iraquianos representam 4,63%.
O número de refugiados em todo o mundo chega a 15,2 milhões, segundo dados das Nações Unidas (ONU).
O levantamento indica que os refugiados estão procurando cada vez mais os países em desenvolvimento como destino, o que, segundo os pesquisadores, "contrasta com a percepção comum de que estas pessoas estariam inundando nações industrializadas".
Segundo dados da ONU relativos a 2009 e citados no documento, cerca de 43,3 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar por causa de conflitos e perseguições em todo o mundo.

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