quarta-feira, maio 12, 2010
CPC vai prever atuação de advogados em Juizados
CPC vai prever atuação de advogados em Juizados
O presidente da Comissão de Juristas responsável pela elaboração do projeto do novo Código de Processo Civil, ministro Luiz Fux, do Superior Tribunal de Justiça, vai incluir na proposta a obrigatoriedade de advogados nas causas dos Juizados Especiais. O ministro participou, nesta terça-feira (4/5), de reunião da Frente Parlamentar dos Advogados com a Comissão de Reforma do CPC, no Plenário 10, Anexo II, da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Segundo o ministro Fux, na maioria das ações dos Juizados, cidadãos sem orientação legal acabam brigando com empresas que não dispensam os advogados e, por isso, teriam vantagens sobre o processo. "O que se observa hoje é que pessoas desiguais brigam no mesmo juízo com armas diferentes e, como o Direito é composto de normas técnicas, há um desequilíbrio entre a parte desacompanhada e aquela que tem advogado", avaliou.
Fux afirmou que, ao contrário do que se acreditava no passado, que sem advogado o processo tramitaria mais rápido, hoje percebe-se que com o advogado a possibilidade de um acordo é maior, levando a satisfação das partes e ao equilíbrio processual.
Segundo o ministro Fux, na maioria das ações dos Juizados, cidadãos sem orientação legal acabam brigando com empresas que não dispensam os advogados e, por isso, teriam vantagens sobre o processo. "O que se observa hoje é que pessoas desiguais brigam no mesmo juízo com armas diferentes e, como o Direito é composto de normas técnicas, há um desequilíbrio entre a parte desacompanhada e aquela que tem advogado", avaliou.
Fux afirmou que, ao contrário do que se acreditava no passado, que sem advogado o processo tramitaria mais rápido, hoje percebe-se que com o advogado a possibilidade de um acordo é maior, levando a satisfação das partes e ao equilíbrio processual.
Após ouvir os argumentos do presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, que sustentou sua proposta, Fux manifestou-se a favor da mudança, pela obrigatoriedade de advogado nos Juizados Especiais. Ele afirmou que, ao contrário do que se acreditava no passado, que sem advogado o processo tramitaria mais rápido, hoje percebe-se que com o advogado a possibilidade de um acordo é maior, levando a satisfação das partes e o equilíbrio processual.
O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, também presente à reunião, concordou com as manifestações. "Entendemos que não pode haver completa defesa sem a presença de um advogado. Não se trata de reserva de mercado, mas de proteção à cidadania", esclareceu Ophir Cavalcante.
O deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), presidente da Frente Parlamentar de Advogados, que coordenou os trabalhos da reunião também apoiou a proposta, comprometendo-se a mobilizar a Frente para tal aprovação. "Acho a proposta do presidente da OAB-SP viável e deve ser acolhida na alteração do Código de Processo Civil", afirmou Ortiz, comparando com a Justiça do Trabalho, onde o trabalhador pode ir a juízo sem advogado, quando a outra parte tem um profissional instruindo tecnicamente, o que leva o trabalhador a uma posição inferiorizada.
O projeto do novo Código de Processo Civil vai tentar fortalecer os Juizados Especiais, tornando-os a instância obrigatória nos casos de até 20 salários mínimos e de pequeno potencial ofensivo, informou Luiz Fux. Atualmente, explicou o ministro, esses órgãos têm caráter eletivo, ou seja, o cidadão pode entrar com ação no Juizado ou diretamente nos tribunais estaduais ou federais.
O projeto do novo Código de Processo Civil vai tentar fortalecer os Juizados Especiais, tornando-os a instância obrigatória nos casos de até 20 salários mínimos e de pequeno potencial ofensivo, informou Luiz Fux. Atualmente, explicou o ministro, esses órgãos têm caráter eletivo, ou seja, o cidadão pode entrar com ação no Juizado ou diretamente nos tribunais estaduais ou federais.
Fux propôs que as causas reservadas aos Juizados Especiais só possam ser levadas a esses órgãos. Segundo ele, equipar com estrutura e pessoal uma via judicial que pode ou não ser utilizada representa mau emprego de dinheiro público. "O Brasil não pode se dar ao luxo de ter uma Justiça eletiva", comentou.
O ministro argumentou ainda que o pleno funcionamento do Juizado Especial é um instrumento fundamental para dar rapidez à solução dos conflitos. "O movimento mundial caminha para a conciliação, e é isso que vai resolver o abarrotamento do Judiciário e a demora nas resoluções dos casos", disse. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-SP e da OAB.
Almodóvar e Vargas Llosa pedem democracia para Cuba
Almodóvar e Vargas Llosa pedem democracia para Cuba
Agência AFP
MADRI - Artistas e intelectuais, entre eles Pedro Almodóvar e Mario Vargas Llosa, pediram nesta quarta-feira, em Madri, apoio para os opositores cubanos que buscam transformar seu país numa democracia, e também pediram ao governo espanhol que revise sua política de aproximação com o regime cubano."Vamos ajudar o povo cubano para que alcance a democracia o quanto antes possível", pede o manifesto tornado público pela Plataforma de Espanhóis pela Democratização de Cuba. O grupo foi encarregado de apresentar um libelo de apoio aos democratas cubanos, explicando que esta iniciativa busca que "os dinossauros do regime cubano que estão aferrados ao poder se deem conta de que estão completamente obsoletos e que não têm nada a ver com o mundo de hoje". A declaração foi lida por Vargas Llosa no Centro Internacional de Imprensa de Madri. O governo socialista de José Luis Rodríguez Zapatero iniciou depois de sua chegada ao poder uma política de diálogo com Cuba e defende a supressão da chamada posição comum que a União Europeia (UE) mantém desde 1996 para pedir a democratização da ilha. Os integrantes da plataforma abriram um site ("www.plataformaporcuba.com") em que publicaram seu manifesto e o abriram à assinatura de todos que quiserem dar seu apoio aos democratas cubanos.
13:51 - 12/05/2010
LYA LUFT
“Não sou a areia onde se desenha um par de asas ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor, e sou mistério.
A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério”
LYA LUFT – Perdas & Ganhos
Não sou apenas a pedra que rola nas marés do mundo, em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha da vida, sou construção e desmoronamento, servo e senhor, e sou mistério.
A quatro mãos escrevemos o roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério”
LYA LUFT – Perdas & Ganhos
José Serra vs. Míriam Leitão: o candidato deu a resposta correta, no devido tom
José Serra vs. Míriam Leitão: o candidato deu a resposta correta, no devido tom
Sergio Lirio 12/05/2010 17:50:06
Episódio da refrega do candidato tucano com Miriam Leitão durante entrevista à rádio CBN não merece tanta comemoração de quem não simpatiza com sua candidatura
Às vezes, a ânsia em desqualificar o oponente leva os indivíduos a defender posições incoerentes. Principalmente na política. Mais ainda em ano eleitoral. Sabe-se que José Serra não cai bem no figurino paz e amor. Sabe-se de sua incontrolável mania de intimidar jornalistas, quando não exigir suas cabeças em bandeja de prata. Mas o episódio da refrega do candidato tucano com Miriam Leitão durante entrevista à rádio CBN não merece tanta comemoração de quem não simpatiza com sua candidatura. Nestes tempos de brandura marqueteira, foi uma rara intervenção sincera e coerente do ex-governador. Antes firme do que “destemperada”. A pergunta de Miriam Leitão sobre se Serra manteria a autonomia do Banco Central ou se presidiria ele mesmo a autarquia lembrou a formulada no último domingo por um repórter esportivo ao técnico do Internacional, Jorge Fossati. O treinador, ante a derrota de 2 a 1 para o Cruzeiro, reclamou da arbitragem, que teria marcado um pênalti inexistente a favor do adversário. Na sequência, o repórter pergunta, cheio de razão: “Por que nenhum técnico vem a público dizer algo quando o juiz beneficia o seu time?” Fossati, estupefato, fez uma pausa, suspirou e desancou o interlocutor. No fim da entrevista, os dois quase foram às vias de fato. A pergunta da decantada colunista econômica tem a mesma lógica. Quando feita com certa pompa e atitude, parece conter alguma idéia. Mas logo se percebe a sua inutilidade. Além do mais, parte de uma premissa anacrônica. Já disseram certa vez que os liberais brasileiros são mais liberais do que os do resto do planeta (e não era um elogio). Miriam Leitão está aí para comprovar a tese. Foi uma típica questão da agenda dos anos 90, que a crise mundial por ora estacionada na Europa tratou de desmantelar. Criticar o Banco Central não é sinônimo de intervenção politiqueira. O candidato respondeu que o BC não é a Santa Sé. O que permite acrescentar: nesta altura, nem a Santa Sé é a Santa Sé. Diretores do BC devem ter autonomia e responsabilidades como quaisquer ocupantes de cargos públicos, seja o ministro da Saúde ou o diretor da Polícia Federal. Seu trabalho deve estar a salvo de interferências menores, de interesses inconfessáveis, mas uma autarquia não pode pairar acima da Constituição e de quem foi eleito para tomar as decisões. Quando erram, os servidores públicos (atenção Miriam Leitão) indicados pelo presidente da República são passíveis de críticas e mesmo demissão. Nos anos 90, o mercado tentou subjulgar a democracia. As agências reguladoras e os BCs completamente autônomos foram as tentativas mais evidentes de criar estruturas paraestatais, com jurisdição própria e agilidade decisória inexistente nas demais esferas da vida pública e da privada. Procurou-se transferir o poder dos eleitos nas urnas para os agentes econômicos. As sucessivas crises financeiras – do México ao Sudeste Asiático – não foram suficientes para demonstrar o quão ideológica era a oposição entre mercado eficiente e Estado inepto. Foi necessário vir abaixo o teto sobre a porção rica do planeta para que o altar do Deus mercado ruísse. Consta que os seus últimos e mais fervorosos adoradores despacham nas principais redações da mídia no eixo Rio-São Paulo-Brasília.
Como lembra sempre o ex-ministro Delfim Netto, o mercado e as urnas se equilibram. É positivo ver Serra concordar.
Como lembra sempre o ex-ministro Delfim Netto, o mercado e as urnas se equilibram. É positivo ver Serra concordar.
Uso de cheque furtado de baixo valor não caracteriza crime
Uso de cheque furtado de baixo valor não caracteriza crime
A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trancou a ação penal por estelionato contra um homem denunciado pelo uso de um cheque furtado num estabelecimento comercial do Rio Grande do Sul. Os ministros aplicaram o princípio da insignificância, que considera irrelevante a conduta quando o valor do bem é pequeno. No caso, o cheque foi preenchido no valor de R$ 80,00. A Quinta Turma tem aplicado a tese da insignificância para furtos de até R$ 100. A decisão foi unânime e tomou como base o voto do relator, ministro Napoleão Maia Filho. Apesar de ressalvar o seu entendimento pessoal no sentido contrário, o ministro votou pela concessão do habeas corpus. A Turma seguiu a jurisprudência do STJ, segundo a qual a habitualidade na prática de delitos não impede a aplicação do princípio da insignificância. Ainda que haja três condenações com trânsito em julgado (em que não cabe mais recurso) contra o homem do caso em questão, o fato deve ser considerado de forma objetiva. O princípio da insignificância tem sido adotado pelo STJ como causa de exclusão da atipicidade – não configuração do crime descrito no tipo penal da lei. No caso em análise, de acordo com a denúncia, o homem utilizou-se de meio fraudulento e pagou a mercadoria, no valor de R$ 80,00 com cheque furtado. Como o cheque já havia sido sustado e não foi pago pelo banco, o prejuízo de R$ 80,00 em mercadoria, ficou com o proprietário da loja. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), ao analisar um recurso do Ministério Público estadual, havia reformado a decisão de primeira instância e recebeu a denúncia e determinou o prosseguimento do processo contra o homem. Para o TJRS, o simples fato de ser o valor reduzido não autorizaria o reconhecimento da atipicidade. Além disso, o tribunal estadual pesou as outras “incursões no mundo do crime” por parte do acusado.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
terça-feira, maio 11, 2010
A EDUCAÇÃO PASSADA PARA TRÁS
A EDUCAÇÃO PASSADA PARA TRÁS
EDITORIAL - O GLOBO - 11/5/2010
O Ministério da Educação descobriu que 21 estados deixaram de aplicar R$ 1,2 bilhão em ensino básico, no ano passado dinheiro que deveria ter sido repassado ao Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), mas que acabou tomando outras destinações.
O balanço de contas foi publicado no Diário Oficial em 19 de abril último. O estado de São Paulo aparece, ali, como o maior devedor em termos absolutos: R$ 660 milhões. O governo de São Paulo negou qualquer irregularidade em relação ao Fundeb, acusando o MEC de erro na contabilização dos repasses de São Paulo e de outros estados.
Uma vez que se apure quem está errado e o MEC está convocando para essa apuração os tribunais de contas dos estados e municípios e os próprios governos esta duais , sobra o fato de que há muito tempo se identificam desvios nas verbas da educação. E as culpas, nesse caso, estão por toda parte.
Começando com o próprio MEC, que jamais assumiu a bandeira do ensino fundamental.
A desculpa fácil é a de que esse nível de ensino cabe a estados e municípios. Mas num país imenso e repleto de disparidades, como o Brasil, se o governo central não encabeça uma campanha nacional, e não faz disso um objetivo essencial, as coisas não acontecem.
Em vez disso, o que se viu foi o governo Lula gastar seus oito anos de mandato num debate estéril sobre as universidades públicas, em que o cavalo de batalha era a questão das cotas.
Debate estéril; porque se não há melhoria consistente no ensino básico, a injustiça vai se consolidar lá atrás: no aluno que não consegue aprender, mesmo ficando vários anos na escola; e que ou vai ser reprovado, ou vai desistir da escola, ou vai chegar ao ensino médio totalmente inapto para os cursos superiores.
Esta é a injustiça básica, em que não se mexe. Anos atrás, o professor Sérgio Costa Ribeiro, em artigo para Estudos Avançados, já tinha apontado a repetência como um flagelo da educação brasileira. Repetência causada, em parte, pela má formação dos professores, pela incompreensão ou desinteresse dos pais em face do próprio mecanismo do sistema educacional brasileiro. Escrevia o professor: Aos pais interessa mais a frequência à escola do que a sua qualidade. E ele explicava: É sintomático perceber que o esforço das famílias brasileiras em manter seus filhos na escola não se traduz numa escolarização mais competente. Hoje, a escola é um restaurante, um ambulatório médico, uma creche ou um depósito de crianças. Nunca houve preocupação real com as condições de trabalho dos professores. O que faz o professor ante a ameaça de agressão física, se tentar manter a classe em disciplina razoável? Mas como aceitar passivamente, por outro lado, que o professor não tenha preparação para entender as carências de um certo tipo de aluno, donde resulta a automática marginalização desse aluno? É o vasto e caótico cenário da educação brasileira; que nenhum governo, até agora, se dispôs a enfrentar.
E perder uma oportunidade rara de descobrir que a vida – não apenas a dela, mas também a nossa – pode ser decodificada de uma forma mais generosa se nos reconhecermos em olhos dispostos a enxergar além dos estereótipos.
O perigo da história única- Por Eliane Brum
Contar uma única versão sobre nós mesmos pode significar abrir mão de viver
Terça-feira, 02 de Março de 2010
Desde muito cedo percebi que a trajetória de uma vida continha bem mais do que os conflitos visíveis. Em parte, me transformei numa contadora de histórias ao intuir que a forma como é contada uma vida pode significar a possibilidade desta vida.
Assim como pode determinar sua morte. O mundo é um palco onde se digladiam as versões – e o poder é usado para impor a história única como se fosse toda a verdade. Não só entre os países, mas na vida social e também dentro de casa. Compreender o poder da narrativa é o primeiro passo para construir uma vida que vale a pena. É também a chave para alcançar a complexidade – ou as várias versões – da vida do outro.
Na semana passada, duas experiências me fizeram voltar a refletir sobre o poder das histórias, um tema recorrente nesta coluna e no meu trabalho. A primeira foi o filme Preciosa, já lindamente comentado neste site na coluna de Cristiane Segatto. A outra foi uma palestra de uma escritora nigeriana chamada Chimamanda Adichie.
Em Preciosa, filme de Lee Daniels em cartaz nos cinemas, concorrente ao Oscar, a personagem é uma negra gorda e enorme, abusada sexualmente pelo pai e de várias outras maneiras pela mãe, que frequenta há anos a escola sem que ninguém perceba que não sabe ler.
Preciosa, este também é o nome enormemente simbólico da personagem, é um nada para muitos – e também para si mesma. Um nada difícil de olhar. Ela mesma, quando se olha no espelho, não se reconhece.
Desde que assisti ao filme, na sexta-feira de Carnaval, o recomendo com veemência aos meus amigos. Mas, assim como as pessoas ao redor de Preciosa, no filme, tinham dificuldade de olhar para ela, alguns amigos têm resistência em ir ao cinema “assistir àquela desgraceira”. Ou acompanhar uma personagem que contém em seu corpo todas as características relacionadas aos perdedores. Alguns amigos viram o trailer e decidiram fugir de Preciosa.
É uma pena. E é o que tenho tentado mostrar a eles – e agora a vocês. Não ver Preciosa é não permitir que ela seja vista de outra maneira.
E perder uma oportunidade rara de descobrir que a vida – não apenas a dela, mas também a nossa – pode ser decodificada de uma forma mais generosa se nos reconhecermos em olhos dispostos a enxergar além dos estereótipos. Neste sentido, ao decidir assistir a este filme – tão diferente do que se costuma produzir em Hollywood – o espectador está se tornando parte da transformação de Preciosa. E isso é genial como proposta cinematográfica.
Reflexão sempre atual!
Dos Bodes
Os bodes expiatórios têm sempre algumas coisas em comum, além de serem bodes e de servirem para a expiação dos outros. Em primeiro lugar, devem ser dispensáveis. Não há notícia do sacrifício de um bode sagrado, de um bode essencial ou de um bode útil. Mesmo que o bode pareça importante, o fato de ter sido escolhido para a expiação prova que não é, ou se era não é mais. A primeira condição para ser um bode expiatório, portanto, é ser um bode supérfluo. Um bode que não vai fazer falta.
O bode expiatório já nasceu como um substituto, já nasceu secundário. Nos rituais de aplacamento o titular do sacrifício era para ser o rei, ou o filho favorito do rei. Sua substituição pelo reserva, pelo
bode providencial, é o resultado de uma negociação das regras, de um acordo para preservar o rei e ao mesmo tempo alimentar o deus. Nasceu o sacrificado metafórico, e junto com ele o Estado como
instituição. O poder que se oferece à imolação, na forma de bode, e ao mesmo tempo permanece e continua, purificado e perdoado. O bode expiatório, portanto, já começou como uma metáfora: não era
exatamente o que era. Era a segunda escolha do menu para aplacar o deus. Desde então o bode expiatório cumpre a função da metáfora, que é a de ser a coisa, mas a coisa prudentemente em segunda mão. Seu valor terapêutico é o de assumir a culpa alheia e seu valor institucional é o de livrar o Governo do sacrifício de se explicar, e o rei de se auto-imolar ou imolar seus favoritos. A culpa concentrada num bode absorve e absolve a culpa em volta, e reduz a um episódio de fraqueza humana e individual toda a engrenagem de cumplicidades de um sistema pervertido por anos de má explicação e impunidade – ou de sacrifícios de segunda mão. Isso que parece ser o espetáculo inédito de uma alta autoridade financeira brasileira chamada a se explicar na delegacia é apenas outra negociação para aplacar a ira do momento com um sacrificado substituto, escolhido entre os sacrificáveis. No Brasil, este condomínio de poucos que não têm outra preocupação senão a de disfarçar seus privilégios e adiar sua culpa, até o rituais mais graves, de vida, morte, expiação e depuração institucional – até o teatro grego – viram uma pantomima suspeita.
bode providencial, é o resultado de uma negociação das regras, de um acordo para preservar o rei e ao mesmo tempo alimentar o deus. Nasceu o sacrificado metafórico, e junto com ele o Estado como
instituição. O poder que se oferece à imolação, na forma de bode, e ao mesmo tempo permanece e continua, purificado e perdoado. O bode expiatório, portanto, já começou como uma metáfora: não era
exatamente o que era. Era a segunda escolha do menu para aplacar o deus. Desde então o bode expiatório cumpre a função da metáfora, que é a de ser a coisa, mas a coisa prudentemente em segunda mão. Seu valor terapêutico é o de assumir a culpa alheia e seu valor institucional é o de livrar o Governo do sacrifício de se explicar, e o rei de se auto-imolar ou imolar seus favoritos. A culpa concentrada num bode absorve e absolve a culpa em volta, e reduz a um episódio de fraqueza humana e individual toda a engrenagem de cumplicidades de um sistema pervertido por anos de má explicação e impunidade – ou de sacrifícios de segunda mão. Isso que parece ser o espetáculo inédito de uma alta autoridade financeira brasileira chamada a se explicar na delegacia é apenas outra negociação para aplacar a ira do momento com um sacrificado substituto, escolhido entre os sacrificáveis. No Brasil, este condomínio de poucos que não têm outra preocupação senão a de disfarçar seus privilégios e adiar sua culpa, até o rituais mais graves, de vida, morte, expiação e depuração institucional – até o teatro grego – viram uma pantomima suspeita.
Luís Fernando Veríssimo, O Globo, 28/04/1999
Billy Graham: Procurar tratamento para depressão não significa falta de fé
Billy Graham: Procurar tratamento para depressão não significa falta de fé
O evangelista Billy Graham respondeu um questionamento de um internauta do Christian Post sobre a depressão
Por Rodrigo Ribeiro Rodrigues - 08/05/2010 05:57h
Muitas acreditam que a depressão está ligada a falta de fé, porém um dos maiores evangelistas que já surgiu, Billy Graham, discorda dessa tese. Confira a resposta dada a um internauta do Christian Post.
Internauta: Eu não entendo o que está acontecendo com minha esposa. Ela parece ter perdido toda a alegria de viver, e em alguns dias ela quase não consegue sair da cama. O médico diz que ela precisa de um medicamento anti-depressivo, mas alguns amigos dizem que nós só precisamos de mais fé. Ela quer que eu tome a decisão, mas eu não sei o que fazer. - K.S.
Billy Graham: Eu sou grato por sua preocupação com sua esposa, e eu espero que você faça tudo que puder para ajudá-la. Afinal, se você estivesse em sua posição, eu tenho certeza que iria pedir para ela te ajudar - assim como ela está pedindo a você. A Bíblia diz aos maridos, "Cada um de vocês ... ame a sua esposa como a si mesmo" (Efésios 5:33). Eu não sou um psicólogo ou psiquiatra, é claro, mas sua esposa certamente parece estar sofrendo de depressão (como diz seu médico). Às vezes, a depressão tem uma causa espiritual, o Rei David, por exemplo, estava deprimido depois que ele secretamente cometeu adultério - e sua depressão não passou até que ele confessou o seu pecado e buscou o perdão de Deus (veja Salmo 32). Mas a depressão muitas vezes tem outras causas, como desequilíbrios bioquímicos em nossos corpos. Seu médico, aparentemente suspeita que é esse o caso com sua esposa. Nossos cérebros são incrivelmente complexos, e quando algo sai do equilíbrio pode afetar nossa maneira de pensar e olhar para o mundo. Muitas vezes isso pode ser corrigido com medicação adequada. Isso significa que você estaria deixando Deus de fora do processo, ou olhando para a medicina, ao invés de buscar em Deus uma solução? Não, você não deve pensar dessa maneira. Ao contrário disso, se o medicamento funciona, enxergue-o como forma de Deus responder as suas orações - e o agradeça por isso. Entretanto, constantemente assegure a sua esposa de seu amor - e do amor de Cristo, também.
Billy Graham, norte-americano nascido em 7 de Novembro de 1918 em Charlotte, Carolina do Norte. Foi conselheiro espiritual de vários presidentes americanos. Foi ainda o mais proeminente membro da "Convenção Batista Sulista dos EUA". Graham já pregou pessoalmente para mais pessoas do que qualquer pregador da história ao redor do mundo. De acordo com a sua equipe, a partir de 1993, mais de 2,5 milhões de pessoas tinham "Um passo à frente em suas cruzadas para aceitar Jesus Cristo como seu Salvador pessoal". A partir de 2008, a audiência Graham's lifetime, incluindo rádio e televisão, superou 2,2 bilhões.
Adaptação/ Tradução: OGalileO
Com informações de Christian Post/ Enciclopédia Livre
Um pouco de CAIO FERNANDO ABREU - Quanta sensibilidade!

"... então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és..."
Caio Fernando Abreu
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