sábado, maio 15, 2010

Por guardar-se o que se quer guardar.

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance de um poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cícero

AROEIRA - O Dia


As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Fausto, para o Jornal Olho Vivo


Mestres e doutores

Mestres e doutores
Brasília-DF
Luiz Carlos Azedo Com Norma Moura - Correio Braziliense - 14/05/2010

Deu mais rebu a nota publicada ontem, nesta coluna, sobre a mobilização dos servidores do Judiciário por isonomia salarial com o pessoal do Legislativo. Resumia a reação de integrantes da categoria que criticaram a coluna por causa do termo barnabé* e reivindicam equiparação dos seus vencimentos à burocracia do Legislativo, cujos analistas ganhariam mais do que o dobro do salário inicial dos colegas do Judiciário, R$ 6 mil e R$ 13 mil, respectivamente. 
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O professor Leon Victor de Queiroz, também leitor da coluna, se indignou. “Já que eles levantaram a questão de que o cargo que eles querem paga ‘pouco’, R$ 6 mil iniciais, vamos pensar na educação. Sem falar no ensino básico, cujo salário é de fome, vamos falar no professor de universidade federal”, sugere Queiroz, depois de considerar um salário inicial de R$ 13 mil muito elevado em relação às demais categorias. 
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Segundo o leitor, um professor assistente com mestrado recebe R$ 2,7 mil. Se aceitar a dedicação exclusiva, passa a R$ 4,4 mil. O professor adjunto, com doutorado, recebe R$ 6,7 mil com dedicação exclusiva. “Acho graça quando um concurseiro vem dizer que passou a vida toda estudando, que se sacrificou, que perdeu momentos da vida para passar num concurso público. Agora, eu pergunto: quanto tempo leva para se formar um doutor, quanto se gasta e o quanto se perde? Para o professor ser associado, é preciso fazer um pós-doutorado. Imagine cinco anos de graduação, dois anos de mestrado, quatro anos de doutorado e mais dois anos de pós-doutorado para ganhar R$ 9,7 mil brutos.” 
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Em tempo: acho que Queiroz pegou pesado ao generalizar em relação à turma que estuda para concurso público. 
*Considerado pejorativo, o termo significa funcionário público de baixo escalão.

♪ Smile - Charlie Chaplin Música: Smile Artista: Michael Jackson

AMOR FEINHO

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
ADÉLIA PRADO

Claro de Luna - Beethoven

Fotos lindas no Blog: http://dicademusica.blogspot.com/


Women In Art

ADÉLIA PRADO, poesia da alma!

Ele me amava, mas não tinha dote
só os cabelos pretíssimos e uma beleza
de príncipe de estórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é por isto, espere.
Foi-se com um bandeira,
e ajuntou ouro para me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que... disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada, nem antes, nem depois.
ADÉLIA PRADO

Diferença de idade no casamento reduz expectativa de vida da mulher, diz estudo

Diferença de idade no casamento reduz expectativa de vida da mulher, diz estudo
Um estudo feito na Alemanha indicou que casar com um homem muito mais velho ou mais novo pode reduzir a expectativa de vida de uma mulher.
Analisando dados de mais de dois milhões de casais dinamarqueses, os pesquisadores do instituto Max Planck de pesquisas em demografia perceberam que o risco de mortalidade de uma mulher casada com um parceiro entre sete e nove anos mais jovem aumenta 20%.
Se for casada com um homem entre sete e nove anos mais velho, as chances de mortalidade também aumentam, mas em grau menor – menos de 10%.
Os dados foram publicados na última edição da revista científica Demography.
Há muito tempo os cientistas procuram avaliar se as diferenças de idade no casamento exercem o mesmo tipo de influência sobre a vida de homens e mulheres. A pesquisa atual mostra que não.
No caso masculino, um homem que tem uma parceira entre sete e nove anos mais jovem reduz o seu risco de mortalidade em 11%. No sentido oposto, as chances de mortalidade aumentam quando a parceira é mais velha.
O coordenador do estudo, Sven Drefahl, disse que as novas evidências mascaram as análises que tentam explicar este fenômeno.
"As razões para as diferenças de mortalidade em decorrência da diferença de idade entre parceiros permanecem desconhecidas", disse.
Hipóteses
Até então, a hipótese dominante é a de que os indivíduos – homens e mulheres – que escolhem parceiros mais jovens o fazem porque são mais saudáveis e, portanto, já gozam de uma expectativa de vida mais alta.
Outras explicações apontam para os benefícios psicológicos de ter um parceiro mais jovem, que, ainda por cima, também poderia prover melhores cuidados durante a velhice.
Drefahl aponta, porém, que estas explicações não parecem se aplicar às mulheres. "Os casais em que o marido é mais jovem violam as normas sociais e, portanto, sofrem mais sanções sociais", especula o cientista.
Além disso, as mulheres não parecem se beneficiar tanto quanto os homens de ter um parceiro durante a velhice, porque tendem a compartilhar mais os momentos de sua vida com suas amigas.
Já os homens, têm "em média, menos contatos sociais, e de menor qualidade", que as mulheres, disse o pesquisador.

Veja como o Brasil se classificou para a Copa



Claude Monet - The Artists Garden at Giverny c.1900


Erasmo, para o Jornal de Piracicaba


O mundo cinzento das alianças

Rogério Simões – BBC Brasil
O senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello anunciou sua pré-candidatura ao governo de Alagoas. Para quem se esqueceu, Collor já governou o Estado nordestino, tendo sido eleito em 1986 favorecido pela então gigantesca popularidade do presidente José Sarney, do Plano Cruzado e, consequentemente, do PMDB. Como no final o plano não deu certo, Collor deixou o PMDB e passou a culpar Sarney por todas as mazelas do Brasil, como parte da estragégia que o levou ao Palácio do Planalto, em 1989. Muitos anos depois, já reabilitado na política e agora senador pelo PTB, Collor aliou-se ao também senador e também ex-presidente Sarney no Congresso Nacional, compartilhando um novo amigo em comum: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antigos alvos da fúria política de Lula, Sarney e Collor serão inclusive cabos eleitorais de Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência da República.
Essa é a realidade das alianças políticas, capazes de passar por cima de ideologias e mágoas antigas em nome, pelo menos em tese, do interesse comum. Mais conhecidas por muitos como "é dando que se recebe", alianças polêmicas estão longe de se restringir a jovens democracias, como temos visto claramente nos últimos dias. Pouco acostumados com sua necessidade e suas consequências, os britânicos são agora obrigados a enfrentar esse monstro da política, que põe princípios de lado e levam até as mais intransigentes lideranças a dançar com o inimigo.
As eleições para o Parlamento britânico, no último dia 6, não resultaram em um vencedor claro. O Partido Conservador, da oposição, ficou com o maior número de cadeiras e teve o maior número de votos, mas sem conseguir os 326 assentos que o permitiriam governar sem alianças. Com isso, o terceiro colocado, Partido Liberal Democrata, de características "conservadoras" na economia e "esquerdistas" em políticas sociais, virou o fiel da balança. Seu líder, Nick Clegg, anunciou que negociaria um possível acordo primeiramente com os conservadores, do líder David Cameron. Após três dias de conversas, a surpresa: Clegg também vinha negociando, secretamente, com o primeiro-ministro trabalhista, Gordon Brown, que prometeu renunciar ao posto se um acordo de seu partido com os liberais fosse obtido. Ou seja, nas alianças britânicas um acordo entre o segundo e o terceiro colocados nas eleições poderia terminar com um primeiro-ministro diferente dos líderes dos três maiores partidos. O eleitor, que assistiu entusiasmado aos três debates que marcaram a campanha eleitoral deste ano, poderia receber como líder do país alguém que nem esteve presente nos embates na TV.
Como em qualquer processo de composição de aliança, a necessidade de concessão deixa muitos eleitores e as bases dos partidos indignados, perplexos. Parte do Partido Trabalhista disse claramente que não aceita um acordo com os liberais, por diferenças ideológicas (os liberais são vistos por muitos como distantes demais dos sindicatos de trabalhadores) ou programáticas (muitos trabalhistas não querem a reforma que os liberais têm exigido para mudar o sistema eleitoral britânico). Muitos liberais democratas passam mal só de pensar em participar de um governo conservador, e entre os conservadores há quem prometa lutar com unhas e dentes contra a reforma eleitoral liberal, mesmo que esta seja parte inicial de um acordo.
Os britânicos estão mais acostumados a um mundo político preto ou branco, conservador ou trabalhista, assim como os americanos se dividem entre republicanos e democratas. Diante do descrédito do atual sistema e do Parlamento, após um escândalo de abuso de despesas de parlamentares, as preferências políticas diluíram-se nas eleições da semana passada, oferecendo um cenário de divisão e incertezas. Mas muitos acreditam que as alianças, exatamente pela fragmentação das preferências do eleitor e do enfraquecimento das ideologias, serão parte da realidade daqui por diante. O mundo político britânico parece ter se tornado mais cinza, e uma sociedade antes acostumada com posições claras e radicalmente opostas terá de conviver com a dúvida e a acomodação política. Lula, Collor e Sarney são exemplos de um mundo em que a necessidade vem primeiro, e a ideologia depois. Talvez os britânicos tenham de abraçar um mundo novo, que há muito faz parte da realidade brasileira.

Pelicano para o Bom Dia, SP



Um filme instigante!

Trailer legendado do filme "Criação" ("Creation"), com Paul Bettany, Jennifer Connelly e Jeremy Northam. O naturalista Charles Darwin luta para encontrar um equilíbrio entre suas teorias revolucionárias sobre a evolução e seu relacionamento com sua esposa religiosa, cuja fé entra em conflito com o seu trabalho. Direção: Jon Amiel. © Imagem Filmes

CLARICE LISPECTOR, a magia das palavras!


“Tudo tem que ser bem de leve para
eu não me assustar e não assustar os que amo. 
Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. 
O terrível é que eu tenho muito para dar
e tenho que engolir esse muito e ainda
por cima dizer com delicadeza: obrigada
por receberem de mim um pouquinho de mim.” 
CLARICE LISPECTOR

IQUE - No Jornal do Brasil


Skoob

BBC Brasil Atualidades

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