segunda-feira, junho 07, 2010

Satélite registra choque entre iceberg e geleira na Antártida

O recente tremor que sacudiu o Chile nos fez lembrar as intensas forças que agem sob nossos pés, mas que são completamente invisíveis aos nossos olhos e nos pegam de surpresa. Entretanto, forças colossais também agem acima da crosta terrestre e produzem choques tão violentos quanto ao das placas tectônicas. Orbitando a 700 quilômetros de altitude, o satélite de sensoriamento remoto TERRA, da Nasa, captou a colisão em detalhes, que pode ser vista na animação abaixo


A primeira imagem foi registrada em 7 de fevereiro de 2010, quando o gigantesco iceberg ainda se aproximava da lingueta do glaciar, ao mesmo tempo que pedaços de gelo flutuavam na água entre o iceberg e a costa de Mertz. Repare que a extremidade, apesar de fraturada, está presa ao glaciar.
A segunda imagem já mostra a região instantes após a colisão, com a lingueta de Mertz completamente desconectada da massa de gelo, formando um novo iceberg. Na terceira cena vemos o iceberg sendo empurrado para longe do glaciar. 

As linguetas ou extremidades são extensões naturais das geleiras e são criadas pelo descongelamento da água que desce da montanha. Normalmente, as linguetas crescem ano após ano até que se rompem e formam novos icebergs. No caso do glaciar Mertz, sua lingueta estava começando a se partir antes do choque com B-09B.  O novo iceberg mede 78 x 39 km e sua massa está estimada entre 700 milhões e 800 milhões de toneladas.
Foto: Animação do choque entre o iceberg B-09B e a ponta de geleira de Mertz, na Antártida. Crédito: Nasa/MODIS Rapid Response Team, Goddard Space Flight Center.

ABORTADO, ENTERRADO E SOBREVIVEU! Um dos e-mails mais chocantes que recebi.

Realmente, um MILAGRE da VIDA!!!
Abortado, enterrado e so breviveu - Fotos chocantes, mas vitoriosas.
O ser humano ainda surpreende. O que justifica um ato como esse contra o próprio filho? Total falta de  Fé?
Lucinda Ferreira Guimarães, 40 anos, deverá ser indiciada por tentativa de homicídio, sob a acusação de dar à luz e enterrar vivo um menino recém-nascido em um terreno baldio próximo ao bairro São Miguel, em Laranjeiras do Sul, no Paraná. 
Segundo informações a criança só so breviveu por estar enterrada em pé tendo um cachorro cavado um pouco a terra ao redor de sua cabeça, deixando-a descoberta e por causa do calor da terra que manteve a temperatura corporal. 
Os policiais foram acionados através de uma denúncia anônima para darem atendimento a uma ocorrência de abandono de criança enterrada num matagal. Segundo as primeiras informações uma senhora teria retornado para a residência ao entardecer com as vestes sujas de sangue o que chamou a atenção de vizinhos que observaram as ações da suspeita que estaria grávida até então. 
Para surpresa dos moradores locais depois de uma busca nas proximidades encontraram numa toca de tatu no matagal, um recém-nascido que estava cheio de bichos e moscas sob sua pele. Já se passavam 24 horas do provável aborto e os moradores então acionaram a polícia, pois achavam que o recém-nascido estaria em óbito. 
Ao chegarem, os policiais perceberam que ele estava vivo, tiraram os restos de terra da boca e imediatamente o encaminharam ao Hospital. No local uma equipe policial levantou informações da localização da mãe e a encontrou num bar a algumas quadras do local e deu voz de prisão a infratora. No hospital o recém-nascido recebeu os cuidados médicos necessários e passa bem.  
A mãe está na Delegacia de Polícia Civil e até o momento não pode ser ouvida so bre os motivos que a levaram a cometer tal atrocidade pelo estado de choque em que se encontra. O recém-nascido deve ser observado pelos próximos dias no hospital e possivelmente não ficará sob os cuidados da genitora. É um menino e nasceu com 08 meses... 
A senhora (?) Lucinda é mãe de 4 filhos e esta era a 5ª gravidez. Estava casada pela 2ª vez e o filho não era deste último  marido. 

Quando Deus quer salvar uma vida preciosa como a desse bebê, 
nenhum ser humano pode ser capaz de agir contra!!! 

Vulcão no Equador registra explosões e atividade intensa. Veja vídeo

Vulcão no Equador registra explosões e atividade intensa. Veja vídeo

Agência AFP17:23 - 07/06/2010
QUITO - O vulcão equatoriano Tungurahua registrou nesta segunda-feira uma forte explosão, lançando cinzas, gases e rochas em seu processo eruptivo, que se mantém desde 1999, o que traz a possibilidade de elevar o alerta de perigo nas zonas de risco, informaram as autoridades.
"Houve uma explosão seca, foram ouvidos sons muito fortes. Felizmente, depois da explosão não foram ouvidos os sons associados a quando sai material (incandescente) do vulcão", disse Gorki Ruiz, do Instituto Geofísico (IG).
Ruiz acrescentou que no interior do vulcão, localizado a 135 km ao sul de Quito, está se formando uma lagoa de lava, e as previsões são de que o material pode cair para o noroeste, onde há várias aldeias.
O Centro de Operações de Emergência (COE) da província de Chimborazo se reunirá "com o objetivo de analisar a mudança de alerta para os setores de alto risco de amarelo para laranja, ante o aumento do procesos eruptivo", afirmou, por sua vez, a Secretaria Nacional de Riscos (SNR). Em Chimborazo, as zonas de alto risco são Chonglontus, Anaba, El Manzano, Puela e Pungal, áreas onde o COE também analisa realizar "uma simulação de evacuação da população", explicou o SNR.
Há dez dias uma forte erupção do vulcão, de mais de 5 mil metros de altura, promoveu a evacuação imediata de cerca de 2.500 pessoas, de acordo com as autoridades, além do fechamento temporário do aeroporto internacional de Guayaquil (sudoeste) e a suspensão de voos como o Quito-Lima.
O processo eruptivo, que em 2006 deixou seis mortos, mantém em alerta várias populações das províncias de Tungurahua e Chimborazo, como a turística Baños, assentada ao pé do vulcão e com 15 mil habitantes.

Agora é súmula: vaga de garagem com registro próprio pode ser penhorad

STJ – SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 07/06/2010 - 08h00
Agora é súmula: vaga de garagem com registro próprio pode ser penhorada
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) aprovou a edição de súmula sobre a possibilidade de penhora da vaga de garagem que tenha registro próprio. A nova súmula recebeu o número 449.

O novo verbete tem como referência as leis n. 8.009, de 29/3/1990, e n. 4.591, de 16/12/1964. A primeira trata da impenhorabilidade do bem de família, e a segunda dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias. 

A súmula 449, cujo ministro Aldir Passarinho Junior é o relator, recebeu a seguinte redação: “A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora”. 

Precedentes tanto das turmas da Primeira Seção, responsável pela apreciação das causas envolvendo direito público, quanto das da Segunda Seção, que julga as questões relativas a direito privado, embasam a súmula. O mais antigo deles data de 1994 e teve como relator o ministro Milton Luiz Pereira. 

No recurso (REsp 23.420), apresentado pelo estado do Rio Grande do Sul contra um casal, a Primeira Turma decidiu que o box de estacionamento, como objeto de circulação econômica, desligado do principal, pode ser vendido, permutado ou cedido a outro condômino, saindo da propriedade de um para o outro, continuando útil à sua finalidade de uso, visto que não está sob o domínio da comunhão geral, mas identificado como unidade autônoma. Nessa condição, é penhorável para garantia de execução, sem as restrições apropriadas ao imóvel de moradia familiar. O julgamento foi unânime.

Do filme Joana Francesa - Nara Leão

Refletindo.

 Irineu de Lyon nasceu por volta do ano 140 do 2º século da Idade Antiga, e converteu-se bem jovem ao cristianismo. Irineu era asiático, oriundo da Frigia ou Esmirna, embora fosse gaulês por adoção. Era um moço inteligente e disposto a lutar pela causa do evangelho e pela genuína fé cristã.
O jovem padre era amigo e discípulo de Policarpo, o velho Bispo de Esmirna, de quem ouvia histórias e lembranças sobre o apóstolo amado João. A igreja de Lyon mantinha relações seguidas com as igrejas da Frigia e da Ásia Menor e com a igreja de Roma. Todas estas cidades exerceram um importante papel no pensamento e na vida de Irineu.
Irineu teve uma formação clássica, portanto conhecia os autores pagãos e os filósofos; todavia, para ele, a sabedoria maior encontrava-se nas sagradas Escrituras e suas traduções. Irineu era um homem apaixonado pela sua fé, que enxergava o martírio como uma exaltação, e demonstrava uma tendência para as manifestações do Espírito. A luta travada contra a heresia tinha o intuito de que seus praticantes abandonassem os erros doutrinários e voltassem para Cristo.
Irineu de Lyon é uma testemunha da Igreja, que acreditava na tradição como fonte e regra de fé. O bispo exerceu imensa influência nas comunidades cristãs e é considerado o profeta da Teologia da História.
Irineu tinha uma fé autêntica e era caridoso com os hereges, lhes dando a oportunidade de voltar-se para a verdade. 

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade? (parte 2/2)

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade? (parte 1/2)

Partido de oposição propõe voto de desconfiança contra governo de Israel

Pressão interna
Partido de oposição propõe voto de desconfiança contra governo de Israel
Publicada em 07/06/2010 às 12h14m
RIO - Além das críticas da comunidade internacional, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, está agora sob pressão ainda maior dentro do próprio país diante de um voto de desconfiança contra o governo apresentado nesta segunda-feira pelo Kadima - principal partido de oposição israelense. O premier criticou duramente a medida, anunciada como resposta ao ataque de militares israelenses, há uma semana, contra uma frota que tentava levar ajuda para a Faixa de Gaza . A moção foi submetida pela líder do Kadima, a ex-chanceler Tzipi Livni, que avaliou o momento atual como "talvez o mais difícil" da história de Israel.
" O que nós precisamos agora é total confiança no governo "
- Eu exijo contenção e responsabilidade já que a próxima flotilha está no horizonte. O que nós precisamos agora é total confiança no governo - disse Netanyahu, segundo o jornal "Haaretz", na abertura de uma reunião semanal do Likud, partido que lidera.
Ao pedir apoio da oposição, o premier apelou para a atuação de seu partido durante a operação Chumbo Fundido, que detonou uma guerra em Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, e durante a segunda Guerra do Líbano, em 2006.
- A oposição ficou ao lado do governo, e não por um dia ou dois, mas por um longo período. Durante a operação Chumbo Fundido, meus parceiros e eu fomos convocados a ficar ao lado do governo, embora estivéssemos no meio de uma campanha eleitoral - disse o premier.
Israel mata quatro palestinos em barco na costa de Gaza
A menção apresentada por Livni tem como título "A tentativa de autoridades do governo de negar responsabilidade e críticas diretas sobre a flotilha de Gaza contra soldados da IDF (forças de segurança israelenses". De acordo com o "Haaretz", a ex-chanceler acusou o atual governo de destruir a posição de Israel no mundo e a segurança no Oriente Médio.
" Esse não é apenas um episódio temporário que vai passar. Esse é um processo contínuo pelo qual Israel está ficando isolado do mundo "
- Nós temos total confiança no Estado de Israel, nos seus valores e nos seus cidadãos. Mas o atual governo não está representando o Estado para o mundo - disse a líder do Kadima, segundo o jornal. - Israel está enfrentando um período difícil agora, talvez o mais difícil de nossa história. Esse não é apenas um episódio temporário que vai passar. Esse é um processo contínuo pelo qual Israel está ficando isolado do mundo.
Militares da reserva já haviam criticado a operação contra a frota, que terminou com nove mortos. No domingo, um grupo de dez ex-oficiais da Marinha chegou a enviar uma carta a Netanyahu pedindo a aprovação de uma investigação internacional sobre o caso, ocorrido na segunda -feira passada.
O governo israelense rejeitou no domingo uma proposta apresentada pela ONU para a criação de uma comissão liderada pela Nova Zelândia para avaliar o caso. No mesmo dia, foram deportados os 19 passageiros e tripulantes de um navio irlandês que foi interceptado no sábado ao tentar novamente furar o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza. Nesta segunda, as Forças Armadas do país voltaram a se envolver em um episódio de violência. Quatro palestinos acusados de planejar atentados foram mortos em um barco na costa de Gaza.

FOTO:O premier israelense, Benjamin Netanyahu, discursa durante uma reunião do Likud em Jerusalém - AP

Ressaca provoca ondas de até 1,5 metro no Arpoador

Ressaca provoca ondas de até 1,5 metro no Arpoador

Bombeiros orientam as pessoas a evitarem o banho de mar.  No domingo (6), as ondas atingiram até 2,5 metros de altura.  O mar continua agitado nesta segunda-feira (7) no Rio de Janeiro. A ressaca chegou ao Arpoador, na Zona Sul da cidade, com ondas de até 1,5 metro de altura, segundo o Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros de Copacabana (3º GMar). A corporação informou que continua em estado de alerta por causa do fenômeno. De acordo com os bombeiros, os banhistas devem evitar o banho de mar. No domingo (6), por causa da frente fria que atingiu o estado, ondas de até 2,5 metros estouraram junto à Pedra do Arpoador.   (Foto: Marcos de Paula/ Agência Estado)

Buraco em São Conrado

'Coup de foudre': no jogo e na vida

'Coup de foudre': no jogo e na vida

Deonísio da Silva, Jornal do Brasil - 23:05 - 06/06/2010
RIO - Os franceses têm a expressão coup de foudre para designar a paixão súbita, que muda tudo na vida de uma pessoa. Na verdade, muda na vida de dois e de todos aqueles que lhes estão vinculados, sejam laços de amor, amizade ou ódio, pois odiar é também ligar-se ao inimigo.
Stefan Zweig, o escritor judeu-austríaco que teve seu triste fim em Petrópolis, abre um de seus romances, 24 horas na vida de uma mulher, com um coup de foudre. A tradução deste livro de Stefan Zweig, cuja trágica existência levou o jornalista Alberto Dines a fazer sua notável biografia, é de Lya Luft e está publicada pela L&PM. Desconheço as razões de poucos lerem Stefan Zweig, hoje. Aliás, a julgar pelas livrarias, ninguém mais está lendo nada que tenha mais do que 24 horas. As editoras estão vivendo de lançamentos, lançamentos e mais lançamentos. E livros fundamentais na formação e consolidação dos leitores, principalmente dos jovens, desapareceram do mercado e sobrevivem em pequenos nichos, de que são exemplos as boas escolas e universidades, pequenas livrarias e livros disponíveis na internet. Ou os maravilhosos livros de bolso, bons e baratos.
O mesmo fenômeno atingiu o cinema. Sylvio Back fez um documentário e um longa sobre Stefan Zweig. Lost Zweig foi o título que Back deu, resumindo numa só palavra o estado do escritor. Ele estava realmente perdido! O filme não está em cinema nenhum e só pode ser encontrado em DVD.
Bem, mas as perdas podem ser muito maiores e envolver mais gente. Tivemos a lost generation, a geração perdida, expressão criada por Getrud Stein e popularizada por Ernest Hemingway em O sol também se levanta. Lembro que o étimo da palavra lost aponta paradoxalmente para ser destruído e ser livre. Quem está perdido, vai para onde quer e em geral se destrói.

Voltemos ao coup de foudre, depois dessas divagações, que naturalmente têm um propósito. Veio do latim e significou na origem algo como o soco do raio. Na noite escura ou mesmo de dia, no meio da tempestade, o raio assusta, mas também ilumina. No livro de Zweig, o coup de foudre pega de surpresa os pacatos convivas de uma pensão na Riviera no início do século passado. Madame Henriette, de 33 anos, esposa de um deles, mãe de duas filhas adolescentes, foge com um jovem francês, caracterizado como gentil, educado, elegante e dono de “extraordinária e simpática beleza”. A barba loura e sedosa emoldurava lábios quentes e sensuais", “olhos doces acariciavam a cada olhar”, diz o narrador. Enquanto todos condenam Henriette, o narrador diz: “Prefiro ser defensor. Pessoalmente tenho mais alegria em compreender as pessoas do que em julgá-las”. É quando uma outra senhora, de 67 anos, convida-o a ir ao quarto dela e lhe narra a trama que justifica o título do livro: 24 horas que passou em Monte Carlo, quando um coup de foudre a tomou de surpresa, fazendo-a viver, aos 43 anos, uma paixão de um dia apenas, ocorrida há 24 anos, mas inesquecível para ela, vivida com um jovem apostador do famoso cassino.

Deonísio da Silva é escritor.

Peleguismo eleitoral

Peleguismo eleitoral

Paulo Brossard - ZERO HORA (RS)

Dos temas, recentemente versados, chamaram minha atenção pela evidente importância de ambos, e, como não são novos, sua gravidade mais graúda se torna. Um diz respeito à voracidade estatal, inclusive em relação a salários, que estão longe de serem altos. Trabalhador solteiro, em situação regular, com carteira assinada, com R$ 2 mil mensais de salário, entre os descontos a que é submetido e os custos impostos ao empregador, resultará em R$ 837 que passam para os cofres públicos. Ora, a mim parece extorsiva essa contribuição a que o trabalhador e o empregador estão sujeitos inexoravelmente, sem ter a quem apelar, quando os serviços públicos devolvidos à sociedade são defectivos, não são bons e em geral são maus, especialmente os mais vitais, como os referentes à saúde, à assistência médico-hospitalar, à educação, à segurança pessoal do trabalhador e de sua família. Por isto já foi dito que, entre nós, as contribuições são de padrão escandinavo, enquanto os serviços públicos são de escala africana.
O outro assunto que também me impressionou, vivamente, conhecidas as condições históricas do serviço, tradicionalmente reumático, é referente aos serviços portuários. Só no porto de Santos, o maior da América do Sul, na entrada ou saída de navios, exigem-se 17 toneladas de papel por ano; para cada navio são necessários 112 formulários, em diversas vias, com 935 informações a serem encaminhadas a seis diferentes entidades da administração! Se isto ocorre em um porto, o de Santos, que quantidade de papel e dias de demora serão consumidos com os 37 portos nacionais que respondem por 97% do comércio exterior brasileiro, dos quais, ao que me consta, pelo menos em sua maioria, está sujeito ao arcaísmo que respondeu e que responde por funestas consequências prejudiciais à economia nacional. Ainda bem que, ao lado do anquilosado modelo tradicional, graças à lei de modernização dos portos, passaram a existir terminais privatizados e especializados nos quais sua efi-ciência não faz feio se comparados com os melhores portos estrangeiros.
Os dois tópicos comentados, com brevidade e objetividade, seriam suficientes para encher o palmo da coluna que, faz 25 anos, semanalmente, venho ocupando nesta folha, mas outro fato, que me parece sem precedente, ocupa uma página de um dos maiores e importantes jornais de São Paulo, sob o título "Centrais gastam R$ 800 mil do imposto sindical para barrar eleição de Serra" – Sucessão. "Valor foi usado para pagar evento realizado ontem no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com objetivo de aprovar Agenda da Classe Trabalhadora e pregar a continuidade do governo Lula; das 30 mil pessoas esperadas, apenas metade compareceu".
Independente do facciosismo da novidade e do seu caráter ilegal, porque o sindicato não pode imiscuir-se em procedimentos partidários, a serviço de partidos ou sobrepondo-se a ele, o fato de antecipar uma sindicalização partidária vai representar regresso formidável na nossa frágil organização partidária, herança direta do regime autoritário, que por duas vezes extinguiu os partidos e depois do insucesso do festejado bipartidarismo, optou pela fragmentação deles para deteriorar o instrumento imprescindível do funcionamento democrático, agora sob a ameaça do expediente da sua eliminação de fato na medida em que se pretende sua perversão mercê do famigerado imposto sindical.
Desde que, ainda estudante, comecei a militar na vida partidária, até o ingresso na magistratura, ou seja, de 1945 a 1989, ouvi ser imperioso extinguir o imposto sindical e, por faz ou nefas, ele tem a solidez das coisas provisórias no Brasil e que duram mais que as definitivas. E isto é um dos aspectos mais expressivos da nossa realidade social e das consequências inevitáveis que dela decorrem. Pois hoje o imposto em causa historicamente serve para o peleguismo eleitoral. Para dar um exemplo, 500 passagens aéreas foram adquiridas, por uma central, para transportar pessoas para a brincadeira no Pacaembu! Não seria demais?
P.S.: Do Liceu Leão XIII, do Rio Grande, aos 96 anos, faleceu o padre salesiano Hugo Neves Ferreira, o derradeiro sobrevivente dos meus professores do ginásio. Grande sacerdote e amigo.

Mais do mesmo em Israel

Mais do mesmo em Israel

Acompanhei o desenrolar da viagem do MV Raquel Corrie, integrante da flotilha da paz, a Gaza. Como era de se esperar, o navio batizado em homenagem a uma pacifista americana atropelada propositadamente e morta por um buldozer do exército israelense não pode chegar ao seu destino. Ainda em águas internacionais, foi abordado por soldados de Israel, que invadiram a embarcação, detiveram seus tripulantes e apresaram o barco, repetindo o ato de pirataria na semana passada, levando- ao porto de Ashdod. Lá, a carga com ajuda humanitária foi desembarcada, analisada e apreendida. O regime de Netaniyahu e Liberman quer impedir que o Hamas tire proveito dessa ajuda humanitária - e é ingenuidade achar que a organização árabe não usa essa tática. Os dois antagonistas se equivalem pelo aspecto moral. Um pelo método, outro pelo princípio.

Hoje li que Netanyahu rejeitou o pedido de uma investigação internacional a respeito dos incidentes que culminaram com a morte de 9 tripulantes turcos e o desaparecimento de outros seis, todos do MV Marmara, que também integravam a flotilha da paz. Iara Lee, a cineasta brasileira que integrava a tripulação de "terroristas", como o racista Liberman classificou todos a bordo, contou que os militares israelenses que invadiram seu navio atiraram em ativistas feridos. Ouvi isso em seu depoimento à Globo, mas não vi repercussão dessa acusação. Também não se falou muito desses que desapareceram. É uma pena, porque isso torna ainda mais grave tanto o episódio sob o ponto de vista do direito internacional quanto da sua aplicação penal.
Os piratas fardados da IDF mereciam estar no banco dos réus no Tribunal Penal Internacional, fazendo companhia ao pirata somali capturado pelos americanos em uma operação de resgate no Chifre da África. O fato de o regime de Israel rejeitar uma investigação independente, que seria conduzida por um perito irlandês em direito marítimo, é a melhor atribuição de culpa para a formação das responsabilidades. Quem não deve, não precisa temer, mas nesse caso, as autoridades israelenses assinaram uma confissão de culpa, contrariando todo o esforço de relações públicas e defesa conduzido na semana passada. 
Eu mesmo recebi, de diferentes fontes e várias vezes por dia, emails para ajudar a "explicar" os incidentes sob a ótica de quem cometeu o delito. Um deles, inclusive, rogava para que judeus de todas as listas dessem page views a vídeos oficiais postados no YouTube, já que o site iria retirar do ar, "por falta de acessos", as imagens que traduziam a versão de Israel. Se ninguém queria ver tais imagens, é porque elas não acrescentariam credibilidade à explicação para a selvageria. 
O direito de defesa é importante, devo ressaltar. E justamente dado o esforço das embaixadas, federações, de certos blogueiros engajados, deveria conduzir à formação de provas para que os israelenses chegassem à essa investigação de forma a poderem sustentar a sua versão. Como os EUA estariam na comissão também, Israel já saberia de antemão que nenhuma medida mais concreta de reprovação sairia desse inquérito. No máximo, os militares envolvidos seriam acusados e encaminhados a uma corte interna para julgamento.
Ainda acho que a repulsa dentro de Israel ao que aconteceu acabará funcionando para ajudar a reprimir a fúria corsária do governo mais truculento, inábil, racista e inconsequente que o Knesset já formou. Rogo para que os israelenses que protestaram veementemente - vi a capa do Haaretz nos dias seguintes ao ataque - continuem a exercer tal pressão. É preciso expurgar o país dos Netanyahus, Baraks, Olmerts e Libermans da vida.

Até onde vão as reservas

Até onde vão as reservas

Celso Ming - O Estado de S.Paulo - 07/06/2010

Dia 1.º de junho, as reservas externas ultrapassaram os US$ 250 bilhões, 5% acima da posição do final do ano passado, de US$ 239 bilhões. Pergunta há meses sem resposta: até onde vai essa escalada? Há alguns anos os administradores públicos calculavam que as reservas não precisavam passar dos três meses de importação (o que hoje daria US$ 45 bilhões), volume considerado suficiente para enfrentar eventuais surpresas ruins no comércio exterior. Logo se consolidou a percepção de que os fluxos financeiros podem ser substancialmente mais volumosos do que os comerciais e que é preciso amontoar provisões para enfrentar as enormes transferências de capitais que acontecem nas crises.
Essa não deixa de ser uma postura macroeconômica insustentável a longo prazo porque as reservas só crescem se há superávits no balanço de pagamentos e esses superávits só existem quando outros países enfrentam déficits correspondentes no balanço de pagamentos. Ou seja, desequilíbrios assim não podem se manter por muito tempo.
Independentemente disso, é preciso saber o que mais convém ao Brasil. Ao final de 2008, o País tinha reservas de US$ 207 bilhões e elas foram suficientes para blindar a economia no auge da turbulência global. Foi, em grande parte, por esse volume de reservas que a maior crise desde os anos 30 chegou por aqui como a "marolinha" da qual se gabou o presidente Lula.
Pode-se argumentar que um reforço nesse bolão não temcontraindicações. Mas parece próximo o momento em que é preciso perguntar se excesso de musculatura não atrapalha mais do que ajuda. O aumento de reservas exige expansão da dívida bruta na medida em que o Banco Central precisa retirar com a venda de títulos públicos os recursos usados para comprar os dólares das reservas. (Não se trata de expansão da dívida líquida porque do outro lado há o ativo em dólares.) Os títulos públicos lançados para esse enxugamento produzem
o inconveniente de que custam juros mais altos do que os obtidos com a aplicação dos dólares.
Além disso, reservas mais altas atraem mais dólares, não só porque dão mais segurança para o investidor externo, mas também porque desestimulam a expatriação de recursos. Quando as reservas alcançaramos US$ 100 bilhões, o Brasil chamou a atenção pelo vigor de sua economia e virou o B dos Brics. Quando chegarem aos US$ 300 bilhões, vai ser difícil impedir a invasão de dólares.
Ainda se repete por aqui que são os juros altos no mercado interno que atraem moeda estrangeira que vem para especular com a diferença entre juros externos e internos (arbitragem financeira). No entanto, reservas externas atraem bem mais. Em 2006, quando estavam em US$ 86 bilhões, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) não passou dos US$ 22 bilhões. Neste ano, com essa montanha de dólares, vai para US$ 45 bilhões (estimativa do Banco Central).
Enfim, essa política pode estar com os dias contados. Mas parece improvável que mude ainda neste ano de eleições e de fim de governo. Para a atual administração pode ser mais cômodo deixar tudo para o
próximo governo e para a nova diretoria do Banco Central. Confira
Sem resposta Os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do Grupo dos 20 (G-20) se reuniram nos dois últimos dias na Coreia do Sul, mas, também desta vez, não trouxeram respostas satisfatórias para as
questões levantadas pela atual crise que se localiza na Europa. Como vai atuar o bombeiro?
Há, sim, um fundo de US$ 900 bilhões, criado em maio pelos países-membros da União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mas ninguém até agora foi capaz de explicar duas coisas: de onde vêm os recursos; e como/quando esse fundo vai ser operado. Estão perdidos? Isso significa que as principais autoridades da área financeira do mundo não estão sendo capazes de apagar os novos focos de incêndio, dentro e fora da área do euro, que se alastram pelos mercados. Dizer que é preciso mais disciplina fiscal é pouco e redundante. O problema da hora é o que fazer nos casos concretos de desequilíbrio fiscal.

A impunidade dos crimes sexuais

A impunidade dos crimes sexuais
Márcia Acioli -  O Globo - 07/06/2010
No campo dos direitos humanos os marcos legais são criados como reação ao contexto violento onde há necessidade de instrumentos jurídicos para proteger pessoas vulneráveis (ou vítimas) e responsabilizar agressores. Com pressão política, aos poucos o mundo admite a sexualidade como direito e a violação dos direitos sexuais como crime. O difícil é tornar o abstrato (o direito) uma experiência concreta (vida).

Os grandes desafios têm sido revelar a violência percebida como natural em diversos contextos; mostrar o panorama real daquilo que, muitas vezes, não sai do âmbito do lar; dar visibilidade, causar espanto e mudar culturas. Os direitos humanos de crianças e adolescentes aos poucos tomam corpo e são reconhecidos nos tratados internacionais.A violência sexual passa a ser alvo de preocupação e ação.

Uma década depois da instituição do Ano Internacional da Criança, pelas Nações Unidas, foi criada em 1989 a Convenção Internacional pelos Direitos da Criança, que afirma a condição humana da criança que antes era vista como objeto de tutela e de caridade. Ampliou-se o reconhecimento da dignidade e a violência sexual mereceu um artigo específico (artigo 19). Em 1990, constituíram-se redes internacionais contra prostituição infantil, pornografia e tráfico de crianças para fins sexuais, que puseram em foco o turismo sexual e o tráfico de pessoas.

O movimento de mulheres foi essencial para a conquista dos marcos legais que protegem crianças e adolescentes, especialmente quando em 1992 se defendeu a ideia que direitos sexuais são direitos humanos. No ano seguinte, na Conferência Mundial de Direitos Humanos, reconheceu-se que a violação sexual é violação da dignidade humana e não mais um problema de ordem moral. Em 1996, em Estocolmo, o foco passou a ser adolescentes e jovens em aspectos importantes: a) Violência sexual como grave violação de direitos humanos; b) Violência sexual definida como ato delituoso; c) A ação preventiva deve ser coletiva, com participação especial do Estado. Assinaram 122 países, que se comprometeram com a elaboração de planos nacionais. Em 2000, o Brasil apresentou o seu plano. Para enfrentar a violência sexual praticada contra crianças e adolescentes são necessários esforços em várias direções.

A punição exemplar dos agressores é apenas uma das muitas ações imprescindíveis para garantir um mundo mais protegido. A absolvição de agressores não é apenas uma injustiça pontual — é um golpe que abala toda a construção social do reconhecimento da violência contra crianças e mulheres e reforça a banalização dos crimes sexuais contra a infância e a adolescência.

Quando os Tribunais de Justiça do Distrito Federal e de Mato Grosso do Sul não reconhecem a violência praticada contra meninas submetidas à degradante situação de exploração sexual, passamos a viver não só um grave retrocesso — a impunidade é lenha na fogueira da violência. O Tribunal de Justiça do Distrito Federal absolveu o deputado distrital Benício Tavares, que foi flagrado em uma orgia sexual com adolescentes em uma embarcação na região amazônica, em 2004.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul em 2009 rejeitou a acusação contra dois homens que pagaram adolescentes para manter relações sexuais. Estes atos ameaçam todas as conquistas de anos e anos de sensibilização, mobilização e conscientização da sociedade.

Enquanto juízes absolverem autores de crimes de exploração sexual, enquanto sacerdotes violentarem crianças e adolescentes e forem poupados — protegidos pela hipocrisia da Igreja—, essa modalidade de violência não será reconhecida. E meninos e meninas do mundo todo continuarão disponíveis no “mercado perverso de poder dos adultos”.

Lembrar é combater, esquecer é permitir. É preciso lembrar que há inúmeras crianças e adolescentes diariamente, e que é papel nosso, de toda a sociedade, colocar a boca em todos os trombones disponíveis.
Tribunais do Distrito Federal e de Mato Grosso não punem a violência contra meninas
MÁRCIA ACIOLI é assessora para Políticas de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

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