quinta-feira, setembro 09, 2010

Velho golpe faz novas vítimas

Velho golpe faz novas vítimas

Tribuna de Minas Digital

A Polícia Civil volta a alertar sobre golpe por telefone que tem provocado prejuízo de milhares de reais na cidade. As ligações partem de diversos estados, e o estelionatário alega que a pessoa tem uma alta quantia a receber, normalmente proveniente de um seguro supostamente feito há mais tempo ou de algum processo judicial. Em seguida, o golpista solicita que a vítima faça depósito de determinado valor em conta bancária para que os trâmites possam ser resolvidos, e o dinheiro, encaminhado. Uma idosa, 66 anos, por exemplo, chegou a realizar nove depósitos, que totalizaram um prejuízo de R$ 79 mil, na tentativa de receber suposto prêmio de seguro de vida do falecido esposo.
Já um jornalista, 71 anos, conseguiu descobrir o golpe a tempo. “Recebi uma ligação de Belo Horizonte, na qual um homem se passou por diretor financeiro de uma associação de previdência privada. Segundo ele, eu teria feito um seguro na década de 80 e teria direito a receber R$ 32.387. Mas eu teria que depositar R$ 600 para receber o dinheiro. Sugeri que o valor fosse descontado, mas ele alegou que o cheque já estava pronto. Então desconfiei e pedi para meu filho verificar o endereço informado na capital, e ele viu que a associação não existia.” O que mais chamou a atenção do jornalista é que o estelionatário possuía todos os dados pessoais dele.
Pelo menos três moradores de Juiz de Fora não tiveram a mesma sorte que o jornalista e perderam grandes quantias, segundo informou o titular da 4ª Delegacia Distrital, Marcelo Faria, que recebeu recentemente três ocorrências relacionadas ao crime. “O grupo de estelionatários costuma se identificar como oficiais do Exército ou de tribunais de Justiça. Também fazem referência a um grupo de seguro que teria sido liquidado por falência. Depois, dizem que a vítima está prestes a receber um prêmio, de seguro, pecúlio ou processo judicial, nos valores de R$ 50 mil, R$ 100 mil ou R$ 300 mil, por exemplo.” A partir daí, a vítima é levada a fazer inúmeros depósitos em contas bancárias.
O delegado lembra que, se alguém tem, de fato, alguma quantia a receber de órgãos públicos, o valor a ser pago deve ser debitado mediante guia própria. “Isso nunca é feito em nome de pessoas físicas. Tem gente que faz empréstimo para poder pagar as quantias exigidas pelos golpistas, que vão pedindo pequenos valores até chegar em uma grande soma.”
Outras quatro vítimas registraram ocorrências semelhantes na 7ª Delegacia Distrital, conforme matéria publicada pela Tribuna em agosto. A Polícia Civil recomenda não passar dados pessoais por telefone e não fazer depósitos em contas de desconhecidos antes de checar a veracidade das informações.

Benett - Humor - Tirinhas

Retirado do Pavablog

Marina diz que quebra de sigilos "deixa sociedade brasileira desamparada"

Marina diz que quebra de sigilos "deixa sociedade brasileira desamparada"

André Naddeo - Do UOL Eleições - No Rio de Janeiro - 09/09/2010 - 12h27

Marina Silva participa de sabatina no Rio

A candidata do PV à Presidência da República, senadora Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira (9) que os episódios de quebra de sigilo fiscal na Receita Federal deixam “a sociedade brasileira se sentindo desamparada, impotente. Temos que amadurecer neste país para que a gente possa tratar as coisas do tamanho que elas são. A banalização do dolo faz com que as pessoas não dêem mais tanta atenção a isso.”
A candidata verde participou, no Rio de Janeiro, de uma sabatina promovida pelo jornal “O Globo” e criticou as principais esferas do governo, que na sua opinião, foram omissas, a começar pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, órgão ao qual a Receita Federal está diretamente ligada.
“Quando eu estava no ministério do Meio-Ambiente, trabalhei muito para que não aconteça o que aconteceu na Receita Federal. O ministro [Guido Mantega] banalizou da pior forma possível. Ele já provou que não tem condição de diálogo. Ele vem a público para dizer que é corriqueiro algo que claramente não é”, afirmou. "Cada brasileiro deveria peticionar a Receita Federal para saber se teve o seu sigilo fiscal violado", completou a verde.
Na semana passada, ao comentar o assunto, Mantega disse que está promovendo uma melhora no sistema de segurança da Receita, mas delcarou que "não há sistema inviolável" e que "vazamentos sempre ocorreram". Segundo ele, a Corregedoria da Receita "está trabalhando exaustivamente com rigor e maior rapidez do que normalmente" no caso da quebra de sigilo de pessoas ligadas ao presidenciável José Serra (PSDB).
Marina também não poupou críticas ao presidente Lula. “Aí vem a defesa do presidente à candidata [Dilma Rousseff], esquecendo dos milhares de brasileiros que tiveram o seu sigilo [fiscal] quebrado. Todos esqueceram que temos 2.000 pessoas com o sigilo violado e ele [Lula] sai em defesa de quem não teve o sigilo violado”, disse.
Ao ser questionada pelos jornalistas que participam da entrevista se teria demitido o ministro Mantega após os episódios na RF, Marina Silva disse que “as investigações seriam rigorosas, e não teria banalizado o tema, usado como desculpa se é ou não coisa política. É um descontrole total. Aí a gente descobre que a funcionária que violou o sigilo de mais de 2.000 pessoas é alguém terceirizado, ‘geneticamente modificada’. Não dá para brincar com coisa séria”.

Nani Humor

Unesco: dois terços do total de analfabetos do mundo são mulheres

Unesco: dois terços do total de analfabetos do mundo são mulheres
Quase 800 milhões de pessoas são apontadas como analfabetas no mundo, sendo que 14,1 milhões estão no Brasil; elas são as mais atingidos pela fome e por crises econômicas

No Brasil, a taxa de analfabetismo caiu 1,8 ponto percentual nos últimos cinco anos e registrou 9,7% em 2009, sendo que o Nordeste é a região com pior desempenho

Das 796 milhões de pessoas apontadas como analfabetas no mundo, dois terços (cerca de 530 milhões) são mulheres. Os dados foram divugados nesta quarta-feira (8) pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Na tentativa de buscar alternativas para melhorar esses números e redefinir metas, especialistas se reúnem a partir de quinta (9) até sábado (11) em Atenas (Grécia), no fórum "Igualdade e Gênero: Um Elo perdido?".
Pelos estudos, os analfabetos também são os mais atingidos por problemas causados pela fome e por crises econômicas. No Brasil, a taxa de analfabetismo caiu 1,8 ponto percentual nos últimos cinco anos e registrou 9,7% em 2009. Na região Nordeste, reconhecida historicamente por ter o maior número de iletrados do País, a taxa caiu de 22,4% (2004) para 18,7% (2009). A informação foi divulgada nesta quarta pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contabilizou 14,1 milhões de pessoas que não sabiam ler ou escrever em 2009.
A pesquisa mostrou ainda que houve um aumento do nível de escolaridade no Brasil em todas as regiões do País. Os indicadores mostraram que a proporção de crianças de seis a 14 anos que frequentava a escola foi maior do que 96%. Entre a população com dez anos ou mais, o tempo de estudo médio chegou a 7,2 anos. Esse tempo representa um aumento de 0,6 ano na média registrada em 2004.
Fonte: Abril Notícias

Pater, para A Tribuna

Jeffrey Arnett: Elas são “adultos emergentes”

Jeffrey Arnett: Elas são “adultos emergentes”

Psicólogo americano aponta um novo período de transição depois da adolescência

Fernanda Colavitti – Época

ÉPOCA – Qual é a definição de adulto emergente?
Jeffrey Arnett – É um período intermediário entre a adolescência e a vida adulta, que ocorre entre os 18 e os 25 anos – podendo durar mais ou menos, dependendo da pessoa. Nessa fase, os jovens prolongam o período em que não precisam ter todas as responsabilidades da vida adulta. O motivo é a procura por melhorias em sua vida: investimento nos estudos, na carreira ou na estabilidade financeira. Também estão à procura da pessoa certa para casar e ter filhos.
ÉPOCA– Homens e mulheres passam por isso da mesma forma?
Arnett – As mulheres experimentam como os homens esse período de transição antes da vida adulta. A diferença é que elas têm um relógio biológico que, aos 30, começa a alertá-las de que o período de fertilidade está diminuindo. Portanto, se quiserem ter filhos, precisam crescer. Elas tendem a casar e ter filhos três anos antes dos homens.
ÉPOCA – Adultos emergentes também existem em países como o Brasil?
Arnett – Em países emergentes a maioria dos jovens não passa por essa fase. Casam, têm filhos e param de estudar antes dos 20 anos. Mas em todos os países emergentes há minorias de jovens de classe média e alta que experimentam essa fase, ainda que de forma diferente dos jovens dos países industrializados.


Jeffrey Arnett Psicólogo, professor da Universidade Clark, nos Estados Unidos, escreveu três livros sobre adolescentes e tem dois filhos

Esquadrilha da Fumaça - Brasília - 07/09/2010

Fidel Castro admite que modelo cubano não funciona mais

Fidel Castro admite que modelo cubano não funciona mais
Agência AFP
WASHINGTON - O "modelo cubano" já não funciona, inclusive na própria ilha, admitiu o líder Fidel Castro - na foto de 03/09/2010 à revista americana The Atlantic, que publica nesta quarta-feira uma entrevista com o "comandante".
"O modelo cubano nem sequer funciona para nós", confessou Fidel Castro ao jornalista Jeffrey Goldberg da The Atlantic, segundo a tradução para o inglês publicada hoje, no site http://www.theatlantic.com.
Entrevistado ao longo de vários dias pelo jornalista americano, Fidel Castro adotou um tom de incomum de arrependimento sobre fatos do passado, revela a entrevista, que está sendo publicada desde a segunda-feira passada.
Castro, 84 anos, disse a Goldberg estar arrependido por ter pedido em 1962 ao líder soviético Nikita Kruschev, durante a crise dos mísseis, que atacasse os Estados Unidos com armas nucleares caso fosse preciso.
O ex-presidente cubano voltou recentemente à vida pública, particularmente para alertar sobre o risco de uma guerra nuclear no Oriente Médio devido à queda de braço entre Israel e Irã.
Na mesma entrevista, Fidel criticou a retórica antissemita usada pelo presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad: "Não acredito que alguém tenha sido mais difamado que os judeus. Diria que muito mais do que os muçulmanos. Foram mais difamados que os muçulmanos porque são acusados e caluniados por tudo. Ninguém culpa os muçulmanos de nada".
"Os judeus tiveram uma vida muito mais dura do que a nossa. Não há nada que se compare ao Holocausto".
Segundo o líder cubano, o governo iraniano contribuiria para a paz se tentasse entender porque os israelenses temem por sua existência.
Goldberg foi convidado pelo próprio Fidel, que se interessou por um artigo seu sobre as tensões entre Irã e Israel.

Uma Intifada sem pedras

Uma Intifada sem pedras

Documentário fala sobre Budrus, vilarejo na Cisjordânia ameaçado de ser cortado em dois por um muro israelense

Maurício Meirelles – Época

ZONA DE CONFLITO

No alto, um manifestante pula a cerca onde seria construído o muro em Budrus. A cineasta brasileira Julia Bacha (no detalhe) filmou os protestos no local


A rainha Noor, da Jordânia, visitou neste ano pela primeira vez os territórios palestinos ocupados por Israel. O motivo foi a brasileira Julia Bacha, de 30 anos. Ela exibiu em Ramalá seu filme de estreia, um documentário sobre Budrus, vilarejo na Cisjordânia ameaçado de ser cortado pelo muro que Israel constrói na região para criar uma fronteira física entre o país e os territórios. Dias depois, o filme ganhou o Prêmio da Liberdade no Festival de Cinema de Jerusalém. Budrus  documenta a luta pacífica dos moradores – com o apoio de cidadãos israelenses – contra um ataque a sua cultura e dignidade. Ao sair do país, Julia, que diz ter tido dificuldade de entrar em Israel por causa do sobrenome libanês, mostrou o troféu aos seguranças do aeroporto de Tel Aviv.
Budrus traz a face humana de um conflito longo e doloroso, muitas vezes ignorada nas análises políticas. Os palestinos do vilarejo são agricultores simples, que desejam cultivar suas oliveiras e levar seus filhos em paz para a escola. Têm uma ligação emocional à terra e batizam as árvores com o nome de suas mães ou de parentes mortos. Um dia, chegam os tratores e soldados israelenses para começar a construção do muro. A obra passa pelo cemitério local e pelas plantações de oliveiras. No primeiro dia, cortam 80 árvores.
A construção provocou protestos dos moradores de Budrus, com o inusitado apoio de vários cidadãos israelenses. As imagens de violência do Exército e a coragem dos palestinos foram feitas por eles. O registro do confronto transforma a câmera de Budrus em uma arma, usada pelos manifestantes para impedir que a violência dos soldados passe dos limites. Mas ela não evita empurrões e bombas de efeito moral contra os manifestantes. As mulheres ganham um novo papel naquela sociedade. Elas vão à frente dos manifestantes. Em uma cena forte, uma jovem senta-se sobre a pá de um trator. “Estava morrendo de medo, mas vi que podia fazer algo grandioso”, afirma.
Em Budrus há muita raiva, mas pouca violência. As pedras, símbolo de revoltas anteriores (a Intifada, levada a cabo em sua maior parte por adolescentes), ficam quase sempre no chão. O terrorismo nem é cogitado. Os cidadãos enfrentam tratores e fuzis inimigos com seus corpos e gritos. “Quando viajava por Israel, as pessoas perguntavam: ‘Mas onde está o Gandhi, o Martin Luther King palestino?’. E nós sabíamos que existia esse movimento pacífico na Cisjordânia, que não recebia atenção da mídia”, afirma Julia.
Se há um candidato a encarnar o pacifismo palestino é Ayed Morrar, líder comunitário que organiza os protestos. Ayed evita o ódio ao dizer que sua luta não é contra os israelenses, mas contra a ocupação. Não é pessoal. “Queremos criar nossos filhos em paz e com esperança no futuro”, diz.
Sem que Israel dê sinais de querer recuar, as pedras começam. Em represália, soldados invadem a cidade e prendem moradores. As cenas são comoventes. Mães tentam tirar fuzis da mão dos jovens soldados, que não sabem como reagir diante da situação. Ayed grita pelas ruas pedindo o fim das pedras. Os moradores se esforçam para arrancar a barreira de arame farpado com as próprias mãos. Ao fim, os protestos pacíficos retornam. Depois de dez meses e 55 manifestações, Israel anuncia “motivos políticos” para mudar a rota do muro e preservar as oliveiras e o cemitério. Budrus comemora porque sabe que a decisão é fruto da luta que mudou não só o muro, mas o próprio vilarejo, que conseguiu amigos israelenses e abriu espaço para as mulheres se manifestarem. Eles passam a ajudar outras cidades, ensinando-as que atirar a primeira pedra pode ser fatal para o lado mais fraco. “A não violência serve ao interesse palestino”, afirma Ayed, em hebraico.

Newton Silva, para O Jangadeiro Online

Universidade de Cambridge passa Harvard em lista das melhores universidades do mundo; USP e Unicamp estão entre as 300 primeiras

RANKING
Universidade de Cambridge passa Harvard em lista das melhores universidades do mundo; USP e Unicamp estão entre as 300 primeiras
Plantão | Publicada em 08/09/2010 às 13h19m - O Globo, com Agências Internacionais
RIO - A Universidade de Cambridge, na Inglaterra, foi eleita a melhor do mundo em 2010, segundo lista elaborada pelo conselho acadêmico QS, entidade que avalia a qualidade dos centros de educação superior. Cambridge destronou Harvard, tornando-se na primeira instituição britânica a liderar o ranking criado em 2004.
A sétima edição do ranking foi publicada nesta quarta-feira (8) no site www.topuniversities.com , e pela primeira vez a liderança não ficou com uma universidade americana. A classificação foi elaborada a partir de votos de 15 mil acadêmicos de todo o mundo.
Em terceiro lugar ficou a Universidade americana de Yale, na terceira posição, e a britânica University College London, em quarto.
O Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT, sigla em inglês) subiu do nono para o quinto posto, o que reflete, segundo o QS, a força e crescente prestígio das universidades especializadas em tecnologia.
A lista das dez melhores é completada pela Universidade de Oxford, o Imperial College de Londres (ambas britânicas), a Universidade de Chicago, o Instituto Tecnológico da Califórnia (Calitech) e a Universidade de Princeton (estas três dos EUA), nesta ordem.
A Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), na Cidade do México, é a melhor universidade da América Latina, apesar de ter caído no ranking mundial e saído da lista das 200 melhores. O Brasil tem duas universidades entre as top 300: Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Para a elaboração da lista, a empresa de aconselhamento de carreiras QS tem em conta factores como a reputação da universidade, a investigação que produz ou a facilidade com que os seus alunos se empregam.
As 10 melhores universidades do mundo
1ª University of Cambridge Reino Unido
2ª Harvard University EUA
3ª Yale University EUA
4ª UCL (University College London) Reino Unido
5ª Massachusetts Institute of Technology (MIT) EUA
6ª University of Oxford Reino Unido
7ª Imperial College London Reino Unido
8ª University of Chicago EUA
9ª California Institute of Technology (Caltech) EUA
10ª Princeton University EUA
As cinco melhores da América Latina
222ª Universidade Nacional Autónoma de México (UNAM) México
253ª Universidade de São Paulo Brasil
292ª Universidade Estadual de Campinas Brasil
326ª Universidade de Buenos Aires Argentina
331ª Pontifícia Universidade Católica de Chile 

No Brasil, Amicus curiae só é amigo da parte

Desequilíbrio na corte

No Brasil, Amicus curiae só é amigo da parte

Por Rodrigo Haidar

Na última quinta-feira (2/9), quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que programas de rádio e televisão podem fazer piadas com candidatos e que estão livres para emitir opiniões e críticas a candidaturas mesmo em período eleitoral, não foi apenas o advogado da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Gustavo Binenbojm, que subiu à tribuna da Corte para defender esse direito. O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) também ocupou o espaço para reforçar que as regras contestadas pelo colega limitavam o trabalho de jornalistas e humoristas.
Miro representava o PDT, que não era parte no processo, mas foi admitido na condição de amicus curiae. Em sua tradução literal, a expressão significa amigo da Corte. Na literatura jurídica nacional, é comumente descrito como um terceiro interessado na causa que pede o ingresso no processo para dar ao tribunal elementos para melhor fundamentar sua decisão.
A sustentação de Miro Teixeira, contudo, não se limitou a fornecer subsídios sobre o tema para o tribunal. Ele se empenhou abertamente em defender a derrubada dos artigos da lei que, a seu ver, tipificavam censura à liberdade de expressão e criação garantidas constitucionalmente. Ou seja, de amigo da Corte o deputado não tinha nada. Ele atuou como amigo de uma das partes e ajudou a Abert a obter a liminar pretendida com a ação.
Cenas como essas verificadas quase semanalmente, in loco, pela advogada constitucionalista Damares Medina, a levaram a pesquisar a influência do amicus curiae no tribunal. O resultado está no livro lançado pela editora Saraiva: Amicus Curiae — Amigo da Corte ou Amigo da Parte?, que a autora escreveu a partir de sua tese de mestrado. O resultado é uma radiografia que revela todos os lados desse instrumento, cujo uso cresce exponencialmente.
A autora reforça a importância da figura do amicus curiae como forma de dar voz à sociedade em discussões que influem diretamente na vida cotidiana, mas desmitifica a ideia de que o chamado amigo da Corte é uma figura neutra que entra no processo para oferecer ao tribunal informações sobre questões complexas cuja análise ultrapassa a esfera legal.
O livro de Damares Medina mostra que as chances de êxito de quem ajuíza um processo no STF aumentam 16% se a causa tem o apoio de amicus curiae. Os dados também revelam que a influência do apoio aumenta ainda mais a possibilidade de o processo ser conhecido pela Corte. “Quando o tribunal percebe que há vários setores da sociedade interessados no julgamento daquela questão, sua postura é a de admitir a discussão da causa. Ou seja, vale dedicar tempo para decidir aquela controvérsia”, afirma.
Em entrevista à revista Consultor Jurídico, Damares fala sobre os resultados de sua pesquisa e conta que, apesar da influência que o amicus curiae tem sobre as decisões, as balizas para sua aplicação ainda não estão claras. Com diversos exemplos de direito comparado, a autora esclarece que os Estados Unidos são mais criteriosos do que o Brasil para admitir terceiros interessados nos processos e defende a necessidade de regras que observem o equilíbrio de forças na admissão de amicus curiae nas ações.
“A experiência do Supremo mostra diversos casos em que o amicus curiae ajudou a equilibrar o jogo. E outros em que ele potencializou o desequilíbrio que já havia no processo”, informa Damares.
Leia a entrevista:
ConJur — O amicus curiae influencia as decisões do Supremo Tribunal Federal? Damares Medina — Influencia. No debate acadêmico nacional, o amicus curiae sempre foi tratado como se fosse um mero terceiro que não influenciava a decisão, dava apenas um colorido diferente ao processo. Um amigo da corte. Isso deu ao amicus curiae, no Supremo, muita liberdade de atuação. Havia um discurso até politizado de que ele democratizava, pluralizava a discussão. Enquanto isso, a participação do amicus curiae cresceu muito. Se cresceu, alguma eficácia ele tem.
ConJur — A senhora diria que ele desequilibra o jogo? Damares — A experiência do Supremo mostra diversos casos em que o amicus curiae ajudou a equilibrar o jogo. E outros em que ele potencializou o desequilíbrio que já havia no processo.
ConJur — Acabou a visão romântica sobre o amicus curiae? Damares — Há mais de quatro décadas a literatura internacional retrata a influência do amicus curiae. No Brasil ainda existia uma lacuna grande. Ninguém questionava o porquê de o amicus curiae atuar e qual o interesse das partes do processo no ingresso de um terceiro. Minha pesquisa mostra que ele influencia e pode mudar o jogo. Não está lá como figurante.
ConJur — A senhora pode dar um exemplo? Damares — A discussão que antecedeu a edição da Súmula Vinculante 4 do Supremo, que veda o uso do salário mínimo como indexador da base de cálculo de vantagens de servidores públicos e empregados, é um bom exemplo. O plenário julgou o Recurso Extraordinário 565.714, no qual se discutiu a vinculação do adicional de insalubridade ao salário mínimo. Tratava-se de recurso de servidores públicos do estado de São Paulo. A ministra Cármen Lúcia admitiu a Confederação Nacional da Indústria (CNI) como amicus curiae em cima da hora. Na tribuna do Supremo, contra os servidores, fizeram sustentação oral a Procuradoria do estado de São Paulo, que era a recorrida, e a CNI, como amicus curiae. Ninguém fez sustentação pelo recorrente. Veja o desequilíbrio. Uma associação de servidores públicos enfrentando a Procuradoria paulista e a CNI.
ConJur — Mas a associação poderia ter sustentado, não? Damares — Claro. A parte contrária não pode ser culpada por eventual desídia do advogado de seu adversário. Mas o fato de, nessa configuração, ainda admitir-se o ingresso de um terceiro forte como a CNI, desequilibra o jogo. A associação perdeu o recurso. Uma advogada ainda requereu o ingresso como amicus curiae na última hora, mas sua participação foi negada. São fatos como esses que distanciam a figura do amicus curiae de uma visão romântica e mostram como ele influencia no processo decisório.
ConJur — A senhora disse que a CNI foi admitida e uma advogada rejeitada, ambas “em cima da hora”. Quais os critérios para a admissão do ingresso de amicus curiae? Damares Medina — O Supremo sempre tratou o amicus curiae com muita flexibilidade. É necessário desenvolver critérios mais objetivos para o ingresso do terceiro interessado nos processos, mais padronizados.
ConJur — As balizas não são claras? Damares Medina — Não. O amicus curiae é um fato social. Ele existe independentemente de exposição normativa porque a sociedade encontra formas de se manifestar na jurisdição constitucional. Veja a pauta do Supremo neste segundo semestre. O tribunal decidirá temas fundamentais para regular a vida em sociedade, como cotas e interrupção de gravidez de anencefálicos, para dar apenas dois exemplos. São temas que tocam o mundo. Então, o amicus curiae sempre vai ingressar nas ações porque não é a lei que muda os fatos. Mas o Supremo sempre teve uma postura muito permissiva, flexível. Não há clareza quanto às condições objetivas de ingresso do amicus curiae nas ações. Isso causa certa insegurança jurisdicional porque, se você é parte ou amicus curiae, tem o direito de saber com objetividade porque o seu ingresso na ação foi negado e o da outra parte, permitido.
ConJur — Mas as decisões sobre isso não são fundamentadas? Damares Medina — São. Mas não se tem certeza, por exemplo, em relação ao prazo de entrada do amicus curiae porque a lei é omissa. Não se tem certeza em relação aos limites de intervenção. O STF havia fixado que a inclusão do processo em pauta seria a data limite para ingresso do amicus curiae. Mas depois já houve casos em que se admitiu o ingresso depois dessa data. Houve casos de amicus curiae entrar depois do julgamento, na fase recursal.
ConJur — Essa regulamentação pode vir por meio de emenda regimento interno, por lei ou podem ser fixadas pela própria jurisprudência do Supremo? Damares — Pela jurisprudência não seria tão eficaz porque os ministros se apegam muito a essa discricionariedade, a essa subjetividade da decisão. O ideal seria regular por emenda regimental, como aconteceu com a sustentação oral do amicus curiae. No julgamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade relatada pelo ministro Celso de Mello, depois de muito debate em plenário, garantiu-se a sustentação oral do amicus curiae, por maioria. Em seguida, aprovaram a emenda regimental para sacramentar o direito. Esse caso é paradigmático de como é possível estabelecer regras mais objetivas sobre o amicus curiae. Nos Estados Unidos, por exemplo, o terceiro interessado tem de ter a anuência da parte que pretende apoiar no processo para ingressar na causa e a parte contrária tem que ser comunicada.
ConJur — Até porque o amicus curiae pode levantar argumentos que não interessam, naquele momento, para a parte que ele está apoiando, certo? Damares — Claro. É fundamental o diálogo entre a parte e o terceiro interessado. Primeiro, a parte não pode ficar a reboque do amicus curiae. O ideal é combinar com a parte que se está apoiando quais argumentos devem ser explorados, até para evitar que o pedido do amicus curiae apenas repita o pedido inicial, como acontece em muitos casos. Ou seja, essa exigência de anuência da parte proporciona uma coordenação das estratégias de defesa: “Eu exploro esse foco. Você entra com essa outra abordagem”. Isso enriquece o processo constitucional.
ConJur — Ou seja, nos Estados Unidos o amicus curiae é tratado de forma mais profissional? Damares — Eu diria que a análise de seu ingresso nos autos é mais rigorosa. Por exemplo, lá o amicus curiae tem que dizer em que medida ele apoia os argumentos da parte em favor da qual ingressou. Pode endossar apenas parte das premissas. Isso dá uma clareza informacional muito grande.
ConJur — Seu livro traz um levantamento empírico da realidade no Brasil. As chances de uma parte realmente aumentam quando ela é apoiada por amicus curiae e a outra parte não? Damares —Aumentam em 16%. É importante destacar que a análise quantitativa vem como suporte argumentativo. Os números não falam por si, principalmente nas ciências sociais aplicadas. De qualquer maneira, a análise quantitativa é recorrente no debate acadêmico internacional. Nos Estados Unidos, já se quantificou a influência de cada amicus curiae.
ConJur — Dê um exemplo, por favor? Damares — Lá se estudou a atuação do solicitor general, cargo que é equiparado ao nosso advogado-geral da União. O estudo mostrou que quando ele ingressava como amicus curiae na Suprema Corte, a chance de êxito da parte que ele apoiava aumentava em 40% porque o tribunal ficava mais receoso em contrariar uma interpretação endossada pelo Poder Executivo. Há outros estudos sofisticados. Uma ex-assessora da Suprema Corte quantificou quais amici curiae mais influenciam os assessores, os ministros. Todos disseram, por exemplo, que quando chegavam memoriais de amicus curiae assinados por determinados constitucionalistas, já analisavam com um olhar diferente. Ou seja, há um olhar muito criterioso em relação ao amicus curiae lá.
ConJur — Como a senhora fez a pesquisa para chegar às conclusões que chegou? Damares — Analisei todos os processos que foram julgados no Supremo com amicus curiae na história do tribunal. Para falar sobre influência, não podia considerar os processos que ainda estavam em curso. Para a pesquisa, selecionei apenas as ações de controle concentrado de constitucionalidade, que representam mais de 90% dos casos nos quais há a presença de amici curiae. Nas ações de controle incidental, como Recurso Extraordinário e Mandado de Segurança, a participação do terceiro interessado na causa ainda é pouco representativa em relação ao universo do tribunal. Meu universo de pesquisa foi a Ação Declaratória de Constitucionalidade, a Ação Direta de Inconstitucionalidade e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Como havia apenas um caso de ADC julgado, não achei representativo e desprezei. Não havia ADPF encerrada com amicus curiae. Então, o foco foram as ADIs.
ConJur — Quantos processos foram analisados? Damares — Eu trabalhei com 1.666 processos. Comparei ADIs julgadas com amicus curiae com as julgadas sem amicus curiae.
ConJur — Em que período? Damares — Em toda a história do Supremo. E o resultado foi que a parte que litiga com amicus curiae tem 16% mais chances de ganhar o processo contra parte que não têm apoio de terceiro interessado na causa. Mas o dado mais relevante revelado pela pesquisa, que me permitiu estabelecer a relação entre o ingresso na ação e as maiores chances de êxito, é que o amicus curiae sempre ingressa em favor de um dos pólos do processo. Nunca é neutro. Outro dado relevante também é que o simples ingresso do amicus curiae aumenta a chance de conhecimento do processo.
ConJur — Por quê? Damares — Porque quando a corte constitucional percebe que há vários setores da sociedade, várias entidades interessadas no julgamento daquela questão, sua postura é a de admitir a discussão da causa. Ou seja, vale dedicar tempo para decidir aquela controvérsia constitucional. E, neste caso, eu verifiquei que o ingresso do amicus curiae aumenta em 20% as chances de conhecimento do processo. Independentemente do lado que ele apoia, só o fato de existir um terceiro interessado já aumenta as chances de o tribunal admitir julgar aquele processo.
ConJur — A abertura do Supremo para as audiências públicas tem a ver com o crescimento da atuação do amicus curiae? Damares — A audiência pública é um lócus fundamental para o amicus curiae ingressar nas ações. Primeiro, porque é um espaço completamente plural. O amicus curiae pode apresentar suas razões sem interferir no momento fundamental que é o processo decisório. Claro que neste momento ele também poderia participar. Mas se o amicus curiae tem legitimidade, tem representação social, na audiência pública isso pode ser modulado. No julgamento da ADPF 101, quando o Supremo ratificou a proibição de se importar pneus usados, foi a primeira vez em que houve preocupação objetiva com o equilíbrio de forças em relação aos amici curiae. A ministra Cármen Lúcia admitiu expressamente um número de amici curiae em defesa de uma tese e o mesmo número em defesa da outra tese. O Supremo estabeleceu, de forma inédita, uma espécie de contraditório até para os amici curiae.
ConJur — Nas audiências públicas que discutiram cotas raciais, por exemplo, muitos reclamaram que houve desequilíbrio de forças... Damares Medina — O ministro Ricardo Lewandowski tentou equilibrar e justificou o suposto desequilíbrio com o fato de que muito mais entidades e pessoas representativas pediram para defender as cotas. Ele não poderia, por exemplo, deixar qualquer pessoa contra as cotas se manifestar se ela não comprovasse representatividade ou conhecimento cientifico no assunto para fazer uso da tribuna. Outra coisa curiosa: várias autoridades públicas quiseram se manifestar no caso das cotas. Então, fica difícil de fato para o ministro do Supremo negar a palavra a um senador, que tem representatividade porque foi eleito. É o preço da abertura da jurisdição constitucional, da pluralização do debate. Não se tem controle, de antemão, dos vetores informacionais e do possível desequilíbrio de forças, daí a necessidade do controle objetivo. Mas o fato é que essa preocupação de equilíbrio de forças que se inaugurou com a ministra Cármen Lúcia continua na agenda o Supremo Tribunal Federal.
ConJur — Antes não havia essa preocupação? Damares Medina — Ao menos os ministros não haviam demonstrado com clareza. O ministro Marco Aurélio, por exemplo, fez três dias de audiências públicas no processo que discute a interrupção de gravidez nos casos em que o feto é anencéfalo, e não mostrou essa preocupação. Nas audiências públicas que discutiram pesquisas com células-tronco embrionárias também não se viu a preocupação com o equilíbrio de pontos de vista. Não estou dizendo que houve desequilíbrio, mas a preocupação de equilibrar com regramento claro foi inaugurada com a ADPF 101.
ConJur — Se as audiências públicas podem ser o principal palco dos amici curiae, por que a senhora não trouxe dados também sobre elas em seu livro? Damares — Porque não podemos tratar a audiência pública no mesmo prisma do amicus curiae. O amicus curiae é um recorte. Na audiência pública, ele teria a possibilidade de atuar sem desequilibrar tanto o processo porque o Supremo já está desenvolvendo essa visão dos vetores de informação. Para falar sobre audiências públicas seria necessário escrever outro livro. Seria necessário estudar todas as audiências públicas que foram realizadas no Supremo, como é tratada a audiência pública em outros países...
ConJur — Como as audiências podem influir no processo de decisão... Damares — Exatamente. Em que medida o que é debatido na audiência pública é trazido para o processo decisório? Por que só o ministro relator participa das audiências públicas? Elas servem para mera legitimação da decisão? Mas as respostas para essas questões fogem completamente do foco do meu livro, que procura responder uma pergunta muito especifica: O amicus curiae influencia no processo decisório. A resposta é: influencia.
ConJur — E por isso é preciso ter regras mais objetivas sobre sua participação? Damares — Sim. Não resta dúvida de que o amicus curiae pluraliza o debate constitucional. Mas não podemos nos distanciar da necessidade de construir padrões objetivos de ingresso do terceiro na causa em busca de segurança jurisdicional, porque ele pode desequilibrar o jogo. Não falo em restringir ou impedir o acesso, mas controlar de maneira mais objetiva.
ConJur — Como a senhora vê algumas críticas ao seu livro, de que ele blinda o Supremo Tribunal Federal? Damares — Na verdade, o livro abre o Supremo Tribunal Federal. Pela primeira vez na academia brasileira foi feita uma pesquisa empírica de como o amicus curiae se movimenta no Supremo, como ele se posiciona, como ele influencia. Todas essas questões estão respondidas no livro.

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