terça-feira, junho 29, 2010
Principais casos de espionagem entre Estados Unidos e Rússia
Principais casos de espionagem entre Estados Unidos e Rússia
MOSCOU (AFP) - A detenção de dez pessoas suspeitas de espionagem ligadas ao serviço de inteligência russo, na segunda-feira, nos Estados Unidos, soma-se a uma lista de casos que passaram nos tribunais envolvendo os dois países desde o fim do regime comunista, em 1991:
1994 - Estados Unidos:
Aldrich Ames, ex-analista que trabalhou durante 31 anos para a Agência Central de Inteligência americana (CIA), é condenado a prisão perpétua pela venda de informações a Moscou por 2,5 milhões de dólares. Por sua traição, teriam morrido 12 agentes duplos que trabalhavam para os Estados Unidos .
1996-1997 - Estados Unidos:
Harold James Nicholson, agente da CIA do mais alto escalão é acusado de espionagem e condenado em junho de 1997 a 23 anos de prisão nos Estados Unidos por ter vendido informações aos russos.
1997 - Rússia:
Moise Finkel, cidadão russo, é condenado em Moscou a 12 anos de prisão por ter entregado aos Estados Unidos informações sobre os submarinos russos.
1998 - Estados Unidos:
David Sheldon Boone, ex-militar americano que trabalhava para a Agência de Segurança Nacional (NSA), é acusado em novembro de espionagem e de complô contra os Estados Unidos por suas atividades em benefício da KGB e da sua sucessora FSB.
1999 - Estados Unidos:
Stanislav Goussev, segundo secretário da embaixada da Rússia em Washington, é preso em dezembro nas imediações do Departamento de Estado americano e acusado de espionagem antes de ser expulso.
2000 - Rússia:
Edmond Pope, ex-oficial dos serviços secretos do Exército americano é acusado em abril pela justiça russa de espionagem e divulgação de segredos de Estado. É condenado a 20 anos de reclusão e perdoado pelo presidente russo Vladimir Putin.
2000 - Estados Unidos:
George Trofimoff, oficial aposentado dos serviços secretos do Exército americano é preso em junho na Flórida por espionagem em favor da ex-URSS. É condenado à prisão perpétua em setembro de 2001.
2001 - Estados Unidos:
Robert Hanssen, alto dirigente da contraespionagem americana - o birô Federal de Investigações (FBI) - é acusado em fevereiro de espionagem em favor da Rússia e condenado à prisão perpétua.
2002 - Rússia:
Oleg Kaluguin, general da KGB, exilado nos Estados Unidos desde 1995, é condenado em junho à revelia, por alta traição, a 15 anos de reclusão por um tribunal de Moscou. Dirigiu nos EUA a rede de espiões soviéticos durante a Guerra Fria.
Alexander Sypatchev, coronel dos serviços de inteligência russos, é condenado em novembro a oito anos de prisão por um tribunal militar de Moscou por ter tentado transmitir à CIA segredos de Estado.
2003 - Rússia:
Alexander Zaporojski, ex-agente da inteligência russa, é condenado em junho a 18 anos de prisão por espionagem em favor de Washington. Entregou à CIA informações sobre as atividades dos serviços secretos russos no exterior.
2004 - Rússia:
O russo Igor Sutiaguin acusado de espionagem a favor dos Estados Unidos e condenado em abril a 15 anos de prisão por ter transmitido informações sobre o sistema de defesa nuclear russo.
2010 - Estados Unidos:
Guennadi Sipatchev é condenado em maio a 4 anos de prisão por entregar ao Departamento de Defesa americano cartografia que permitiria aos Estados Unidos dirigir seus mísseis contra bases militares na Rússia.
Alagoanos passam uma semana ilhados e comem barro para sobreviver
Alagoanos passam uma semana ilhados e comem barro para sobreviver
Cento e cinquenta sem-terra, a maioria crianças, isoladas há mais de uma semana em um vilarejo em Branquinha
Bombeiros resgataram 150 sem terra que ficaram ilhados (Foto: AFP - Evaristo Sá)
Soldados do Corpo de Bombeiros de São Paulo, enviados para auxiliar na busca de vítimas das cheias em Alagoas, resgataram cerca de 150 sem-terra, a maioria crianças, isoladas há mais de uma semana em um vilarejo na cidade de Branquinha, um dos 15 municípios do estado em situação de calamidade. A suspeita dos bombeiros é que mais pessoas estejam ilhadas na área rural dos municípios banhados pelos rios Mundaú e Paraíba, região mais afetada pelas enchentes. As buscas serão intensificadas hoje.
- Eles comiam barro para sobreviver. Era um lugar muito, muito pobre, as casas eram de barro e com teto de palha. Acho que só a pobreza e o costume de enfrentar tanta dificuldade explicam a resistência deles - contou o gerente médico do Samu, Maxwell Padilha, que atendeu o grupo, depois do resgate.
Apenas uma mulher precisou de atendimento médico, com hipertensão. O grupo pôde ser resgatado somente por helicóptero, que pousou perto do vilarejo com mantimentos. O aparelho quase afundou na lama ao aterrissar.
Com a demora dos governos para estabelecer as regras para a reconstrução de casas para os atingidos pelas enchentes em Alagoas, a população começa a agir por conta própria. E, mais uma vez, reconstroi as casas nos locais onde ocorreu a tragédia. Além disso, muitos voltam para residências parcialmente destruídas e condenadas pela Defesa Civil. Como a chuva continua na região, há mais risco de novos problemas.
- A casa do meu vizinho caiu, e uma parede da minha ficou trincada. Estou preocupado, mas não tenho para onde ir - afirma Romival Soares de Souza, aposentado de 76 anos, morador de Paulo Jacinto, a cerca de 100 quilômetros de Maceió.
Na cidade, alguns moradores estão inclusive refazendo as ligações de energia elétrica que as autoridades ainda não fizeram, pelo risco de choques, curtos-circuitos e incêndios.
- Liguei a minha geladeira e ela voltou. Agora, vou pagar R$ 40 para um menino que lava e seca os sofás ao mesmo tempo. A televisão é o que sinto mais falta, mas ainda vou esperar para ligar. Não tenho muita ilusão, mas vá que ela volte a funcionar? - conta outra aposentada, Francisca Natalice da Silva.
A situação mais grave é em Quebrangulo, onde as águas do Rio Paraíba destruíram as principais vias. Moradores limpam os restos de suas casas por conta própria, em ruas onde a lama é dominante. Chamava a atenção a obra tocada pelo comerciante Genivaldo Vilela da Silva, de 58 anos, que resolveu reconstruir o mercadinho que possuía na principal esquina de Quebrangulo, e hoje está em ruínas. Para a obra, ele contratou oito homens por R$ 300 por dia e gastou R$ 2 mil para os materiais da primeira semana de serviço.
- Dizem que vão transferir a gente, mas sabemos como essas coisas demoram. Não posso ficar seu meu negócio até lá - explica Genivaldo.
O engenheiro Adilson Lessa, da Secretaria Estadual de Infraestrutura de Alagoas, se espantou com a obra:
- Estamos concluindo a avaliação de danos, mas temos dificuldades. Não consigo falar com o prefeito, o único engenheiro da cidade nunca está aqui. Mas é claro que indicaremos que o ideal é refazer as casas em local distante do rio - afirmou.
Neste fim de semana, voltou a chover e várias cidades voltaram a alagar. Em Murici, os moradores diziam que a enchente "foi normal", por não ter derrubado casas. A rua da residência da família do senador Renan Calheiros (PMDB) está alagada e seu irmão e prefeito, Remi, está morando na prefeitura. Na cidade, parte dos 2.500 desabrigados estão em galpões às margens de uma rodovia. O Exército doou iogurtes e outros alimentos entregues por empresas, e muitas mulheres e crianças chegaram a se animar:
- Nunca tinha comido iogurte dessa marca, isso é coisa de rico -- afirmou Josefa Feliciano da Silva.
Em Recife, uma criança de 2 anos, Renata Bezerra da Silva, morreu na madrugada desta segunda, no deslizamento de uma barreira que aterrou a casa onde ela estava, no bairro de Linha do Tiro. Além disso, o corpo de Leonilson Ferreira da Silva foi encontrado na cidade de Gameleira, aumentando para 20 o número de pessoas mortas pela chuva em Pernambuco. Ontem, voltou a chover, e, em Palmares, o nível do rio subiu e alagou diversas ruas.
As chuvas começaram na região há cerca de dez dias, atingindo principalmente Pernambuco e Alagoas. No total, mais de 50 pessoas morreram nos dois estados, onde ainda há milhares de desabrigados e desalojados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Alagoas e Pernambuco semana passada e prometeu ajuda do governo federal.
segunda-feira, junho 28, 2010
Reforço nas fronteiras
Reforço nas fronteiras
Polícia Federal e Forças Armadas vão atuar juntas para diminuir a quantidade de entorpecentes que chegam ao Brasil
Correio Braziliense – 28/06/2010
O crescimento da produção de drogas em países vizinhos ao Brasil, que fez aumentar o tráfico no país, vai unir a Polícia Federal (PF) e Forças Armadas, principalmente nas regiões mais vulneráveis, como a Amazônia. Hoje, Exército, Marinha, Aeronáutica, representantes da PF e da Casa Civil se reunirão para traçar as primeiras estratégias de atuação, que deve começar nos próximos meses. A intenção do governo é se antecipar à aprovação de um projeto em tramitação no Congresso, que dá às Forças Armadas o poder de polícia na fronteira.
Na última quarta-feira, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC) divulgou o relatório mundial que mostra um avanço na produção de cocaína, principalmente no Peru e Bolívia. Nesses países vizinhos, o crescimento foi assustador na última década, apesar da diminuição de quase 60% na Colômbia, até então principal responsável pelo tráfico de cocaína no mundo. Antes mesmo de o relatório da ONU ser publicado, a intenção de unir a PF e as Forças Armadas estava sendo debatidadentro do governo. “Contamos com apoio logístico das corporações em várias ocasiões. Agora, o intuito é que isso seja constante”, afirma o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa.
Corrêa se refere ao trabalho desenvolvido pela Aeronáutica, principalmente na abordagem de aviões suspeitos de transportar drogas. A Polícia Federal quer ampliar esse auxílio, que contará, também, com a ajuda do Centro Gestor do Sistema de Proteção da Amazônia (Cesipam), ligado à Casa Civil. “O centro vai ceder sua tecnologia e radares instalados na Amazônia para monitoramento das áreas”, explica Corrêa.
Para Bo Mathiasen, representante regional para o Brasil e Cone Sul do UNODC, a união entre Forças Armadas e Polícia Federal é mais que bem-vinda. Ele defende, no entanto, a atuação militar como um apoio logístico, no sentido de auxiliar os agentes federais a se locomoverem nas regiões de fronteira, sobretudo em locais de difícil acesso. “Não será um trabalho de polícia por parte das Forças Armadas. O objetivo é melhorar a estrutura para um trabalho melhor da PF, com aviões, navios e carros que eles possuem”, destaca Mathiasen. Ele lembra que, em outras áreas, a cooperação das Forças Armadas sempre apresentou bons resultados. “Veja que são os militares que ajudam o Ministério da Saúde a levar agentes para aldeias indígena e regiões distantes dos centros”, completa.
Prioridades No plano de cooperação entre Forças Armadas e Polícia Federal, os agentes civis poderão ocupar as dependências de algumas unidades do Exército em regiões remotas, além de contar com a ajuda da Força na repressão ao tráfico de drogas. A Estratégia Nacional de Defesa, lançada há dois anos, prevê a construção de 28 pelotões de fronteiras em diversos estados da região Norte, sendo que alguns deles já estão em andamento em Roraima, Acre e Amazonas.
A prioridade será dada para a Amazônia e Sul do país, onde estão sendo registrados volumes expressivos de apreensão de droga, além de contrabando, que cresceu, em 2010, cerca de 110% em relação ao mesmo período do ano passado. “Precisamos controlar, também, as saídas para a América do Sul, Europa e Caribe”, afirma o diretor da PF, se referindo à atuação das Forças Armadas.
Corrêa destaca, ainda, a necessidade da criação de um banco nacional de informações sobre apreensão de drogas, alimentado em tempo real por todas as polícias brasileiras. Assim, será possível ter dados mais fiéis sobre as drogas no país. “A polícia nos estados também fazem muitas apreensões, mas só as nossas informações, que não representam a totalidade do problema, vão para o relatório”, conclui.
Questão de princípios
Questão de princípios
João Bernardo de Lima Kappen - O Globo - 28/06/2010
O Tribunal Superior Eleitoral, ao reconhecer a validade da lei chamada de "ficha limpa", demonstra que, mais uma vez, o impulso punitivo que domina o ambiente público é capaz de preterir princípios constitucionais caros ao estado democrático de direito brasileiro. O tribunal faz valer a máxima de que os fins justificam os meios, na medida em que aceita transgredir sólidos direitos fundamentais, com a justificativa de preservação dos interesses dos eleitores.
Os princípios constitucionais da irretroatividade da lei que cause prejuízo (questão levantada unicamente pelo corajoso e independente ministro Marco Aurélio) e da presunção de inocência passaram ao largo dos votos proferidos pelos ministros da corte eleitoral. Na repercussão do julgamento, houve quem dissesse que "quem misturasse direito penal com direito eleitoral, iria perder muito dinheiro com advogados". Infelizmente, pensamentos como este refletem certa cultura de desprezo às normas constitucionais, patente no Judiciário brasileiro.
Neste caso, não se trata de confronto entre leis de caráter penal e eleitoral, mas sim de violação direta à Constituição federal. E é impossível não misturar direito penal com direito eleitoral, posto que o critério de inelegibilidade estabelecido na lei da "ficha limpa" é justamente ter condenação no âmbito penal. Desta forma, o direito eleitoral está importando um instituto do direito penal para tornar imbele o direito de os cidadãos se candidatarem a cargos políticos. Não há, pois, como afastar os princípios inerentes ao direito penal, seja ele material ou processual.
O problema é que se se admite que a condenação criminal, por si, acarreta a inelegibilidade, parte-se do pressuposto de que esta condenação não será jamais reformada, instituindo, assim, uma provisória presunção de culpa. Mas se a Constituição federal estabelece que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, então até que seja julgado o último recurso possível não se pode impor a quem quer que seja os efeitos de uma eventual condenação criminal, sob pena de prejuízos irreparáveis. E é exatamente isto que pretende a lei da "ficha limpa", considerar previamente culpados aqueles que ainda podem ser absolvidos e estender a eles os efeitos (a inelegibilidade) de uma condenação que não é definitiva. A questão central que, como de costume, é empurrada para debaixo do tapete gira em torno do problema de como fazer para melhorar o nível dos nossos representantes nos poderes Legislativo e Executivo, sem que com isso tenhamos que atropelar o Direito posto.
E a solução, pelo menos aquela que passa pelo respeito aos princípios constitucionais de um estado de direito, parece estar na consciência do eleitor. Por que não fazemos campanha pela transparência e pelo voto consciente? Por que não apenas divulgar os antecedentes criminais dos candidatos, delegando ao povo a oportunidade de eleger ou não os representantes de suas escolhas? Será que precisamos judicializar a consciência popular? Neste imbróglio, caberá ao Supremo Tribunal Federal, único e verdadeiro guardião da Constituição federal, a palavra final, mas ficará sempre a dúvida: quem nos protegerá da bondade dos bons?
JOÃO BERNARDO DE LIMA KAPPEN é advogado.
Experiência que ajuda
Experiência que ajuda
Equipe já trabalhou no Haiti e no Bumba
SANTANA DO MANDAÚ (AL). O major médico Edson Gonçalves, do Corpo de Bombeiros do Rio, comemora: tem 95% de resolução dos casos que recebe no hospital de campanha montado na cidade alagoana de Santana do Mandaú. Em três dias completados ontem, a estrutura — que já passou neste ano até pelo Haiti — teve 345 atendimentos, e só oito casos tiveram de ser transferidos para Maceió.
— Nosso hospital de campanha é muito bem equipado. Esperamos os casos mais graves para o início desta semana.
Pela nossa experiência, sabemos que muitas doenças aparecem de oito a dez dias após eventos assim — diz o médico.
O gaúcho Romeu Rodrigues da Cruz Neto, de 39 anos, também se lembra do Rio, mas por outro motivo: ele integrou a equipe da Força Nacional que atuou no deslizamento de terra do Morro do Bumba, em Niterói. Coordenando profissionais de 15 estados, diz aproveitar todas as lições das missões que já viveu.
— Aqui foi uma enchente diferente, que não deixou tantos desaparecidos, como no Bumba, pois ocorreu de dia. Um dos problemas é a precariedade das condições da cidade, algo que já existia antes das chuvas. (Henrique Gomes Batista)
As informações citadas no Portal são da Secretaria Nacional de Defesa Civil , que teve sua atuação criticada na avaliação dos técnicos, pela falta de planejamento e adoção de medidas para evitar catástrofes.
52 mortos em PE e AL
Pelo menos 157 mil pessoas estão sem casa
RECIFE e SÃO PAULO. O número de municípios pernambucanos com decreto de calamidade pública já chega a 12, segundo informou ontem o governo de Pernambuco, que incluiu na relação as cidades de Catende, Primavera e Maraial.
No estado, 67 municípios foram prejudicados pela tragédia e 30 encontram-se em situação de emergência. O número de óbitos aumentou para 18.
A quantidade de desalojados e desabrigados no estado está caindo lentamente. Eram 83,5 mil na sexta-feira. Ontem, segundo a Comissão de Defesa Civil de Pernambuco, o número diminuiu para 82,6 mil. São 26,9 mil desabrigados e 55,6 mil desalojados.
Em Alagoas, 76 pessoas continuam desaparecidas, e os mortos somam 34. Segundo a Defesa Civil, 15 cidades decretaram estado de calamidade pública. No estado, são 26,6 mil pessoas morando em escolas, galpões e pátios de igreja, sem contar as 47,8 mil que buscam refúgio na casa de parentes.
Ladrão rouba estacionamento e ameaça explodir bomba no aeroporto de Guarulhos (SP)
Ladrão rouba estacionamento e ameaça explodir bomba no aeroporto de Guarulhos (SP)
Uma funcionária foi rendida depois de recolher dinheiro em caixas eletrônicos. O criminoso entregou uma carta, onde falava que havia deixado uma bomba no local. A polícia foi acionada. O artefato foi levado para fora do aeroporto internacional e detonado. Um ex-funcionário do estacionamento pode ter participado do crime.
Donativos começam a chegar a Pernambuco
Donativos começam a chegar a Pernambuco
Desabrigados buscam refúgio em locais que estão comprometidos por rachaduras
Letícia Lins
ÁGUA PRETA, PALMARES e BARREIROS (PE). Os donativos começam a chegar aos 69 municípios de Pernambuco atingidos pela cheia. A ajuda vem pela Comissão de Defesa Civil do estado, pelas Forças Armadas, por voluntários e por governos estrangeiros. Ontem, aterrissou em Recife um C-130 da Venezuela, com 12 toneladas de mantimentos, roupas e até papel higiênico. A Associação de Panificadores de Pernambuco embarcou 32 mil pães para Água Preta.
No bairro da Liberdade, em Água Preta, Maria Rosineide da Silva advertiu a equipe do GLOBO que não ingressasse na sede da Associação de Deficientes Físicos, porque, após ser coberta pelas águas, a casa ameaça ruir.
Com um detalhe: é o único lugar que ela tem para ficar. Ontem, a entidade ainda abrigava seis famílias.
Rosineide relatou como mais dramática a experiência de uma vítima de acidente vascular cerebral que teria se afogado se não tivesse sido salva por um deficiente mental.
Ontem, em Palmares, crianças e adultos removiam entulhos, em busca de fios de cobre, vasilhames e outros materiais que rendessem alguns trocados. Em Barreiros, o hospital de campanha montado pela Aeronáutica já começou a funcionar, mas o acesso é difícil a quem se encontra na parte baixa da cidade. Por isso, estão mobilizados helicópteros das Forças Armadas e um helicóptero esquilo enviado pelo Corpo de Bombeiros do DF.
Luiz Carlos Bezerra, com um pequeno comércio na rodoviária de Palmares, conta que, na hora da cheia, saiu do terminal com amigos por um buraco que fizeram no telhado, e passaram a um prédio vizinho pendurados “como macacos” numa viga que puseram entre os dois edifícios.
Na cidade, o acesso à BR101/Sul com destino a Maceió continua interrompido.
Já em Água Preta, as duas pontes instaladas pelo 7oBatalhão de Engenharia de Combate começaram a funcionar. No bairro de Jequiá — que já havia sido “lavado” em outra enchente —, Admilson José de Moura colhia telhas da casa que achava nos escombros e refazia o telhado do único cômodo que sobrou: — As outras paredes caíram.
Número de atingidos por chuvas triplica em 3 anos
Número de atingidos por chuvas triplica em 3 anos
Dados do Portal do Planejamento mostram que foram 3 milhões de vítimas em 2009, e técnicos criticam Defesa Civil
Geralda Doca e Henrique Gomes Batista(*) – O Globo
BRASÍLIA e SÃO JOSÉ DA LAJE, SANTANA DO MANDAÚ e UNIÃO DE PALMARES (AL). O número de pessoas atingidas por enchentes e alagamentos praticamente triplicou nos últimos três anos, segundo dados do Portal do Planejamento - retirado do ar há uma semana devido às críticas aos programas do governo. Entre 2007 e 2009, o universo de municípios afetados subiu de 176 para 620. No período, o número de vítimas cresceu de 1.309.914 para 3.035.215. E vai aumentar, já que os atingidos pelas enchentes de Rio (Angra e Niterói), Alagoas e Pernambuco, ocorridas este ano, ainda não foram contabilizados nas estatísticas.
As informações citadas no Portal são da Secretaria Nacional de Defesa Civil , que teve sua atuação criticada na avaliação dos técnicos, pela falta de planejamento e adoção de medidas para evitar catástrofes. A publicação destaca que, em 2008, apenas 31% da população urbana eram atendidas com rede de drenagem urbana. Segundo os técnicos, inundações e alagamentos não são causados só por fatores climáticos, mas também por falhas institucionais.
O Portal critica o funcionamento da Defesa Civil, que tem caráter militar, estruturado nos moldes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar: "A Defesa Civil necessita de revisão conceitual de sua força de atuação puramente reativa, passando também a englobar a prevenção e o alerta de desastres e focar na segurança civil".
A secretária de Defesa Civil, Ivone Valente, disse que não teve acesso formal ao relatório do Ministério e que não comentaria as críticas. Segundo ela, sua secretaria discute com outros ministérios ações de melhoria para 2011.
- O relatório estava sendo mal interpretado e, por isso, foi retirado do ar - afirmou.
Chuvas voltam com força em Alagoas e Pernambuco
Ontem, voltou a chover forte em Alagoas e Pernambuco. Rios da bacia do Mandaú transbordaram novamente. Com a situação, foi decretado estado de alerta em todo o estado de Alagoas. Em São José da Laje (AL), no início da tarde, carros de som pediam que a população saísse das casas às margens do Rio Canhoto (que ajuda a formar o Mandaú). Prefeitura e moradores decidiram evacuar as casas em áreas mais baixas, por precaução e trauma.
- Em 1969, houve em São José da Laje a pior enchente do mundo. Foram 2.713 mortos para uma população de 10 mil pessoas. Agora, não tivemos mortos, em parte por causa do trauma, mas muito porque a enchente foi de dia - disse o prefeito, Mário Lira.
Em União de Palmares, as águas do Mandaú voltaram a alcançar a principal ponte. Segundo moradores, isso significa que o rio transbordou em diversos locais.
Em nota, a Defesa Civil de Alagoas informa que a situação está controlada: "Não há motivos para a população temer graves consequências, já que é um quadro normal nesta época do ano".
Os casos de doenças se intensificam. Santana do Mundaú e União dos Palmares registraram suspeitas de leptospirose.
Em Palmares (PE), a Defesa Civil também pedia que as pessoas deixassem suas casas e se dirigissem à parte mais alta da cidade.
(*) Enviado especial
Milharal, SP, Brasil - Fotografia de Christiano Pessoa
Um velho e grande exemplo de uma árvore Jequitibá em um milharal na cidade de Pirassununga, interior de São Paulo.
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