segunda-feira, julho 19, 2010

ENEM - RANKING DAS 50 MELHORES ESCOLAS DO BRASIL

ENEM - RANKING DAS 50 MELHORES ESCOLAS DO BRASIL

Lugar
Cidade
Cód.da escola
Nome da escola
Nota do Enem 2009
São Paulo (SP)
35141240
VERTICE COLÉGIO UNID II
749,70
Teresina (PI)
22025740
INST DOM BARRETO
741,54
Rio de Janeiro (RJ)
33062633
COL DE SÃO BENTO
741,32
Campinas (SP)
35172716
INTEGRAL COLÉGIO EED BASICA ALPHAVILLE
739,75
Campo Grande (MS)
50005405
COLÉGIO ALEXANDER FLEMING
737,40
Brasília (DF)
53056000
COLÉGIO OLIMPO
736,33
Viçosa (MG)
31128074
COL DE APLICAÇÃO DA UFV - COLUNI
734,66
Belo Horizonte (MG)
31311723
COLÉGIO BERNOULLI
731,28
Feira de Santana (BA)
29342880
COLÉGIO HELYOS
730,42
10º
São Paulo (SP)
35165347
MOBILE COLÉGIO
729,76
11º
Campo Grande (MS)
50030582
COLÉGIO BIONATUS
728,55
12º
Teresina (PI)
22025715
INST ANTOINE LAVOISIER DE ENSINO
727,99
13º
Rio de Janeiro (RJ)
33142726
COL ISRAELITA BRAS A LIESSIN SCHOLEM ALEICHEM
727,60
14º
Rio de Janeiro (RJ)
33065403
COLÉGIO SANTO AGOSTINHO
725,00
15º
Itatiba (SP)
35113086
INTEGRAL COLÉGIO
723,72
16º
Belo Horizonte (MG)
31004812
COL STO ANTONIO
722,93
17º
Rio de Janeiro (RJ)
33066523
INST DE APLIC FERNANDO R DA SILVEIRA CAP-UERJ
722,58
18º
Goiânia (GO)
52068986
COLÉGIO WR
722,49
19º
Teresina (PI)
22023658
EDUCANDÁRIO SANTA MARIA GORETTI
722,30
20º
Rio de Janeiro (RJ)
33063311
COL ANDREWS
720,61
21º
Rio de Janeiro (RJ)
33087679
COLÉGIO SANTO AGOSTINHO - NL
718,26
22º
Curitiba(PR)
41128249
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PR
717,79
23º
Rio de Janeiro (RJ)
33062609
COLÉGIO CRUZEIRO-CENTRO
717,20
24º
Rio de Janeiro (RJ)
33128391
ESC POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENANCI
715,35
25º
São Paulo (SP)
35104620
SANTA CRUZ COLÉGIO
715,17
26º
Teresina (PI)
22022406
COLÉGIO LEROTE LTDA
714,00
27º
Belo Horizonte (MG)
31006238
COL LOYOLA
713,65
28º
Petrópolis (RJ)
33040516
COLÉGIO IPIRANGA
713,47
29º
São Paulo (SP)
35104985
BANDEIRANTES COLÉGIO EFM
712,57
30º
Goiânia (GO)
52086615
COLÉGIO JAO LTDA
712,02
31º
São Leopoldo (RS)
43139108
UNIDADE DE ENSINO COLÉGIO SINODAL - SÃO LEOPOLDO
710,95
32º
Taubaté (SP)
35140995
OBJETIVO JUNIOR COLÉGIO
710,06
33º
Teresina (PI)
22022481
ANBEAS - COLÉGIO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
708,68
34º
São José dos Campos (SP)
35805555
JUAREZ DE SIQUEIRA BRITTO WANDERLEY ENG COLÉGIO
708,26
35º
São Paulo (SP)
35990012
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO
707,22
36º
Teresina (PI)
22022503
COL SÃO FRANCISCO DE SALES
707,16
37º
Rio de Janeiro (RJ)
33063419
COL FRANCO BRASILEIRO
706,78
38º
Niterói (RJ)
33055866
COL MARÍLIA MATTOSO
706,43
39º
Itapira (SP)
35363972
INTERATIVA NÚCLEO EDUCACIONAL
706,42
40º
Recife (PE)
26124297
COLÉGIO DE APLICAÇÃO DO CE DA UFPE
706,34
41º
Rio de Janeiro (RJ)
33085897
ESC MODELAR CAMBAUBA
705,77
42º
Niterói (RJ)
33057206
INSTITUTO GAYLUSSAC - ENS FUNDAMENTAL E MÉDIO
704,73
43º
Rio de Janeiro (RJ)
33105405
COL PH
704,61
44º
Campo Grande (MS)
50005499
COLÉGIO MILITAR DE CAMPO GRANDE
704,30
45º
Rio de Janeiro (RJ)
33063729
COLÉGIO SANTO INÁCIO
703,86
46º
Cachoeiro de Itapemirim (ES)
32052723
CE SÃO CAMILO - ICE
703,67
47º
Belo Horizonte (MG)
31004731
COLÉGIO MAGNUM AGOSTINIANO- NOVA FLORESTA
702,76
48º
Campinas (SP)
35112689
COMUNITÁRIA DE CAMPINAS ESCOLA
702,32
49º
Brasília (DF)
53001222
CED SIGMA
701,55
50º
Ilhéus (BA)
29301505
COL NOSSA SRA DA VITORIA
701,18

O BANCO DO BRASIL ROUBA 50,00 DE TRABALHADOR

Ari Gabriel Moreno, um cidadão brasileiro residente em Manaus, gravou um desabafo de quase dez minutos contra a esculhambação geral do País, a começar pelo afano de R$ 50,00 de sua conta no Banco do Brasil, jamais explicada nem justificada, passando pelo seu esforço de sair da informalidade. Ari usa alguns palavrões, mas nada que não seja adequado para realçar sua indignação contra o BB, o Banco Central, o Sebrae, autoridades e políticos em geral. O desabafo do seu Ari é o novo "hit" na internet. Fonte: http://www.claudiohumberto.com.br

Governo dos EUA detecta novas manchas de óleo no Golfo do México

FRACASSO?

Governo dos EUA detecta novas manchas de óleo no Golfo do México

Publicada em 18/07/2010 às 23h44m
Agências internacionais
LONDRES e HOUSTON - Engenheiros que monitoram o poço danificado da BP no Golfo do México detectaram sinais de manchas de óleo no fundo do mar, o que pode significar problemas com a tampa que havia estancado o vazamento, revelou na noite deste domingo o comandante da Guarda Costeira americana, almirante Thad Allen. Mais cedo, dirigentes da BP expressaram confiança de que o teste do fechamento do poço com uma tampa, que começara na quinta-feira, poderia continuar até que este fosse lacrado permanentemente.
O poço, batizado de Macondo, vazou por três meses, desde a explosão de uma plataforma da BP, até a quinta-feira passada, quando a tampa foi colocada no local. Neste domingo, no entanto, o governo americano divulgou uma carta do almirante Allen, relatando sinais de um vazamento próximo de cerca de 1,6 quilômetro de profundidade. E determinando que a BP removesse a tampa do poço caso esse vazamento fosse confirmado. (Veja também: O Golfo prejudicado )
O almirante Allen também se refere a "anomalias indeterminadas na cabeça do poço".
" Dirijo-me a vocês para oferecer uma orientação escrita para abrir a tampa o mais rapidamente possível, sem danificar o poço, caso se confirme o vazamento próximo ao poço", escreveu Allen.
A ideia da BP era manter selado com a tampa o poço danificado antes de o fechar definitivamente com cimento, após a abertura de poços paralelos. O temor, que os sinais de vazamento agora reforçam, é que, com o fechamento do poço com uma tampa, a pressão aumentasse, causando novos derramamentos em outros pontos.
Mais cedo, Doug Suttles, diretor-chefe de Operação e Exploração da BP, disse que a companhia esperava usar a tampa sobre o poço danificado até que a abertura de um poço paralelo fosse concluída em agosto.
- Continuaremos os testes até o ponto em que o poço seja fechado permanentemente. Não queremos fazer (o poço) voltar a jorrar, se não for necessário - disse Suttles mais cedo.
A BP deverá aprovar a venda de ativos avaliados num total de US$ 14,5 bilhões na reunião de seu conselho diretor na próxima quinta-feira, revelou neste domingo a edição on-line do "Mail on Sunday", a versão dominical do "Daily Mail". Segundo o jornal britânico, a BP deve vender seus ativos na Argentina, onde possui 60% da Pan American Energy, avaliados em US$ 5,4 bilhões.
BP deve vender ativos na Venezuela e na Colômbia
Os campos de petróleo e gás de Vietnã, Colômbia e Venezuela, avaliados em US$ 1,5 bilhão, e ativos do grupo no Alasca (US$ 7,6 bilhões) também poderão ser negociados. A empresa não confirmou a informação. Mas analistas dizem que a reestruturação será fundamental para a sobrevivência da companhia.
Já analistas apostam que o diretor-executivo da BP, Tony Hayward, será substituído numa tentativa de construir uma nova imagem para a empresa.

O Medo de Ser

O Medo de Ser
Por Jefferson Lessa 
Ilustração de Claudio Duarte
  Na semana em que a Argentina aprova o casamento gay, peço licença para relatar uma historinha banal. Moro num bairro aprazível e “tranquilo”, sonho de consumo de dez entre dez cariocas. Dos que não vivem lá, obviamente. “A grama do vizinho...”. Pois é. De um tempo para cá, por motivos que me são alheios, alguns playboys deram de gritar “veaaaaaado!!!”  quando me veem na rua. Outro dia, derrubaram minha pasta no chão. Numa noite anterior, rolou um inesperado banho de uísque com Redbull no casaco novo... Depois disso, a calçada ficou mais longa que uma maratona. Chegar à varanda torna-se uma decisão pesada, difícil de tomar. A pasta, o cheiro do uísque com Redbull... Difícil. Como vocês podem ver, trata-se de uma história de bullying, a palavra do momento. Seria só mais uma, não fosse o caso de atingir um certo cara no auge da meia-idade. Eu.
   Nunca havia passado por isso antes. E não pretendia experimentar agora. Mas aconteceu — fazer o quê? Penso em várias “soluções”. A mais radical é mudar de bairro. Deixar para trás uma casa que adoro e que montei aos poucos, no ritmo que o salário aguado permitiu. Deixar para trás, também, um prédio no qual fiz amigos. É uma “solução” penosa e triste, creio. Faz com que eu me sinta covarde, pequeno, sujo, miserável. Sem falar no trampo, né? Mudança, segundo pesquisas, é uma das situações que mais geram estresse na vida.
As outras são separação, morte... Mudança é um pouco separação e morte. A outra “solução” é sugerida por amigos, que perguntam: Por que você não denuncia? Por que não procura a polícia?” Simplesmente porque não vivo dentro de um episódio de “Law & order: Special Victims Unit”, a genial série americana que ficcionaliza o cotidiano da unidade de elite da polícia novaiorquina especializada na investigação de crimes de natureza sexual. Se eu tivesse a certeza de que meu “caso” seria tratado pelos detetives Stabler e Benson, correria para a delegacia mais próxima. Na maior confiança. Como todos sabemos, não é bem o caso por aqui.
E também posso fazer o que estou fazendo neste instante: expor meu pequeno drama (que, convenhamos, não interessa a quase ninguém) nas páginas de um grande jornal como este O GLOBO. Vai ter gente se identificando, é claro. Vai ter gente criticando a superficialidade do texto (provavelmente, com razão: sou meio raso mesmo). Vai haver quem elogie a coragem do repórter, bem como quem o ache um rematado covarde. Sinceramente, leitor, sua opinião me importa. Mas pouco muda. Desculpe qualquer coisa, tá? É que na hora de voltar para casa, não vai ter detetive Benson nem Stabler, amigos, leitores ou páginas para segurar a barra. A mim, restará torcer, solo, para não encontrar os pequenos e medíocres algozes do dia a dia. Em encontrando, restará torcer para que não estejam muito bêbados ou alterados, pois isso conta — e muito — nessas horas. O cotidiano pode se dividir entre poder ou não ser você mesmo na rua, no ônibus, no boteco... Mas convenhamos: isso ainda não é tão possível no balneário de São Sebastião. Somos toscos, mal educados, infantis e preconceituosos. Friendly my ass, isso sim. Ih, falei.
Eis a história — até agora. As cenas dos próximos capítulos? Não sei o que esperar desta trama triste. Mas sei o que não esperar no curto prazo: civilidade. E aqui me permito repetir uma obviedade: civilidade não se compra no supermercado ou na quitanda. Se constrói. Ao longo de muito tempo. E é aqui que penso numa notícia da última semana: a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina.  Não sei se a notícia foi realmente bem-vinda ou se mereceu um tratamento tão retumbante por ser muito surpreendente. Mas o fato de a Argentina ter se tornado o primeiro país da América Latina e do Caribe a aceitar o chamado casamento gay mereceu amplíssima cobertura da imprensa brasuca. Nas páginas e nas telas, parece algo de muito bom, apesar dos protestos dos usual suspects (Igreja católica, círculos conservadores, arautos da família etc). Ouso pensar que se a notícia tivesse vindo de outro país que não nosso arquirrival, teria sido ainda mais celebrada. É de bom tom na imprensa alardear correção política, mesmo quando o coração se inclina na direção oposta.
  Fiel à rivalidade, não consigo parar de comparar, mentalmente, Brasil e o país hermano (que as piadinhas já transformaram em hermana). Mas quando digo país, leia-se cidade. É isso: não consigo parar de comparar mentalmente o Rio, onde sempre vivi, e Buenos Aires, ciudad que conheci ainda criança e à qual já voltei várias vezes. E acho que, no quesito friendly, BsAs ganha de longe, muito longe, do Rio.
 Aqui, cabe esclarecer. Grandes questões como direito a adoção de crianças e a herança do(a) companheiro(a) são fundamentais, é óbvio. Palmas para os países que já garantiram tudo isso a seus gays, lésbicas, transgêneros, simpatizantes e quem mais chegar. Mas, em minha humílima opinião, é o dia a dia que conta. É do cotidiano que a vida é feita. Do dia de sol ou chuva, do ônibus que chega na hora ou não, que para ou não no ponto... Do chefe que te saúda ou não no trabalho, do colega que te dá uma força ou puxa o teu tapete, do amigo que te liga no momento certo. Da flanada prazerosa pela tua cidade, sem medo de pitboys e pitbulls. Ou não.
 Aqui, volto à Argentina. Foi corajosa a aprovação do chamado casamento gay naquele país. Cheio de inveja, deixo meus parabéns. Não sou idiota a ponto de acreditar que uma lei acabe, magicamente, com pré-conceitos acumulados ao longo de séculos e cevados à base de ódio à diferença. Mas é um primeiro passo para uma rotina mais amena no futuro. Quando é que vamos dar este passo? Hein?
* Texto publicado este domingo  na seção LOGO/A Página Móvel,  que saiu na editoria RIO
COMENTÁRIO: Direitos civis são garantidos constitucionalmente, não podem ser desrespeitados. TODOS são iguais em direitos e obrigações. Preconceito não!

Desvio de dinheiro público em Pernambuco é assombroso, diz MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL


Fonte: Leia a matéria em: http://blogdasanta.blogs.sapo.pt/

Giovanni Boldini - Retrato de Gladys Deacon

A lição das memórias de Lampreia

A lição das memórias de Lampreia

Celso Lafer – O Estado de São Paulo


Em 1999 Luiz Felipe Lampreia publicou Diplomacia Brasileira, uma seleção de textos elaborados em função das suas responsabilidades como chanceler de Fernando Henrique Cardoso. Precedeu-os todos de excelentes notas introdutórias, explicativas dos contextos das suas palavras e razões. Observou que estava no tempo da ação diplomática e, por isso, seria prematuro escrever memórias. Com efeito, no tempo da ação diplomática, as palavras de um chanceler estão direcionadas para a ação. Não são memórias. São memoriais que dão conta do ofício de orientar, definir e explicar a política externa.
Outra é a natureza do seu recém-publicado O Brasil e os Ventos do Mundo - Memórias de Cinco Décadas na Cena Internacional, que, como toda narrativa autobiográfica, é fruto de um parar para pensar, organizador do significado de um percurso existencial. A palavra, neste caso, tem outros propósitos. Insere-se no tempo da meditação sobre a experiência vivida. Elucida o modo de ser da pessoa e a sua maneira de agir perante desafios e oportunidades. No caso das memórias de Lampreia, o foco da narrativa é dado pela sua reflexão sobre a política externa brasileira, de cuja execução participou no arco do tempo dos vários estágios de uma carreira diplomática que culminou com os seus seis anos de chanceler do governo FHC.
As memórias de Lampreia explicitam o seu modo de ser como diplomata, cabendo destacar, entre os traços do seu agir, a nitidez dos propósitos, a segurança no encaminhamento dos assuntos e a capacidade de hierarquizar o relevante na agenda internacional. Um bom exemplo dessa capacidade é o destaque que dá, na conclusiva avaliação do cenário contemporâneo, às mudanças climáticas como a questão central do nosso tempo e à proliferação nuclear como o maior perigo da atualidade. Em síntese, Lampreia não perde o rumo, pois não confunde o acidental com o importante e não se atrapalha com os ventos do mundo que, no correr da sua vida, sopraram em muitas direções. Por isso pôde ser, na condução do Itamaraty, um destacado e qualificado colaborador de FHC.
Lampreia tem muita clareza sobre a relevância da política externa para o desenvolvimento brasileiro. Esta clareza permeia a sua narrativa. Daí o significado que atribui à diplomacia econômica e por que suas importantes considerações sobre a política externa independente de Afonso Arinos e San Tiago Dantas - que marcaram o início de sua carreira - são antecedidas por observações sobre a Operação Pan-Americana, de Juscelino Kubitschek, e de como seu chanceler Horácio Lafer a ela conferiu a linha de uma diplomacia operacionalmente voltada para o desenvolvimento.
São altamente interessantes as observações de Lampreia sobre o choque da alta de preço do petróleo dos anos 70, que evidenciaram vulnerabilidades energéticas do Brasil, que ele viu de perto participando de comitivas brasileiras à Líbia, ao Iraque, ao Irã e à Arábia Saudita. Novas vulnerabilidades trazidas pelos ventos do mundo ele as viveu como chanceler, em razão das crises financeiras internacionais que impactaram o real. Daí a implícita crítica que faz a um voluntarismo diplomático que não estabelece prioridades e não equaciona meios e fins.

Nesse sentido são muito esclarecedoras as páginas dedicadas ao pragmatismo responsável de Azeredo da Silveira, de quem foi um dedicado colaborador e admirador. Destaco sua análise do personagem e da estratégia que definiu para sair de uma configuração de vulnerabilidades e dependências. Essa estratégia passava por boas relações com os EUA e pelo reforço das relações "diagonais", tanto as existentes com o Japão, a França, a Grã-Bretanha e a Alemanha quanto as novas que encetou com a China e a África.
Em matéria de diplomacia econômica, são muito relevantes as passagens sobre a sua atuação como embaixador em Genebra nas negociações que levaram à conclusão da Rodada Uruguai do Gatt; sobre a prioridade que, como chanceler, conferiu à Organização Mundial do Comércio (OMC); como tratou dos problemas do Mercosul, conduziu as batalhas da Alca e encarou as negociações com a União Europeia.
O pano de fundo das memórias de Lampreia articula um confronto, ora implícito, ora explícito, entre a sua visão da diplomacia e a política externa do governo Lula. Da sua viagem ao Líbano extrai a conclusão de que o Oriente Médio é um enigma político, talvez indecifrável, e que, bilateralmente, não se pode fazer muito, pois os riscos são enormes e a região está longe da esfera de influência do Brasil. Do seu trato com temas nucleares, da sua análise dos entendimentos com a Argentina, que levaram ao fim do risco de uma corrida armamentista nuclear na nossa região, e dos motivos que guiaram a adesão do Brasil ao Tratado de Não-Proliferação - que ele conduziu como chanceler - provém sua avaliação crítica da conduta do Irã e de por que não faz sentido, para o Brasil, respaldar um país e um regime que praticam um perigoso jogo duplo.
Das inúmeras e ricas análises da sua experiência, quero mencionar apenas duas passagens que são exemplos de como encaminhar tensões políticas no contexto da nossa vizinhança, que contrastam com o que vem sendo feito atualmente. A primeira é o relato do seu período como embaixador no Suriname e de como o Brasil logrou afastar o regime de Bouterse, no período da guerra fria, das tensões da influência cubana e endereçou Paramaribo para uma construtiva e cooperativa aproximação com o País. A segunda é o circunstanciado relato do papel mediador do Brasil no conflito territorial entre Peru e Equador, que é altamente esclarecedor do que deve fazer um terceiro em prol da paz para deslindar um histórico e difícil contencioso.
Dizia o padre Antonio Vieira - e esta é a lição de Lampreia: "Perdem-se as repúblicas porque os seus olhos veem o que não é, e não veem o que é."
Professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Brasileira de Letras, foi Ministro das Relações Exteriores no governo FHC

Lara Fabian - Adagio

Identidade

Identidade

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

domingo, julho 18, 2010

 Reflexão do dia - Raimundo Santos

 Reflexão do dia - Raimundo Santos


"A eleição deste ano mostrará compreensões diferenciadas tanto no que se refere ao processo democrático em curso como em relação aos grandes temas postos em discussão. Estas notas registram uma controvérsia sobre a questão agrária e rural que tem a ver com os campos de esquerda que se representam nos dois principais candidatos. Com Serra estão conhecidas áreas de enraizada orientação reformista-democrática gradualista bem distintas das influentes tendências de esquerda que compõem o largo arco dos apoios à candidata Dilma Roussef. O artigo de Serra acerca dos 25 anos da Nova República e o seu discurso ao aceitar a candidatura presidencial divulgados pela imprensa de junho são bem expressivos do primeiro campo.  
(Raimundo Santos, cf. Agronegócio, agricultura familiar e política, 2010.)

Fausto, para o Jornal Olho Vivo

Desmatamento cai 75% no Brasil

Desmatamento cai 75% no Brasil
Jornal do Brasil

RIO - Um estudo inédito do instituto britânico Chatham House comprovou que, na última década, houve uma queda significativa na exploração ilegal de madeira. Uma área de 17 milhões de hectares de floresta (equivalente ao Reino Unido) deixou de ser desmatada e pelo menos 1,2 bilhão de toneladas de gases estufa não foram lançadas. O Brasil registrou uma queda de 75%, intensificada nos últimos cinco anos com o combate às derrubadas e graças à modernização do sistema de transporte e comércio da madeira, seguindo as normas do Documento de Origem Florestal (DOF).
A redução da exploração ilegal teve reflexo direto no contrabando da matéria-prima. A importação de madeira ilegal pelos principais países consumidores caiu pelo menos 30%, segundo o relatório. Isso foi possível graças também a ações de governos, da sociedade civil e do setor privado. A combinação de políticas de combate ao desmatamento, como regras mais severas e exigências de certificação em mercados compradores, sustentam os resultados da pesquisa.
Foi analisada a cadeia produtiva da madeira ilegal em cinco países tropicais detentores de florestas (Brasil, Indonésia, Camarões, Malásia e Gana), nos consumidores (Estados Unidos, Japão, Reino Unido, França e Holanda) e na China e no Vietnã, que processam a madeira e fornecem produtos.

Alerta para o Brasil
Os pesquisadores apontam falhas no cumprimento das sanções para as infrações ocorridas na Amazônia, onde a derrubada ilegal ainda representa de 35% a 70% de todo o desmatamento. No Brasil, por exemplo, apenas 2,5% das multas são recolhidas, acrescenta o texto.
O relatório prevê que o combate à extração irregular e ao contrabando pode ser dificultado, pela multiplicação dos desmatamentos em menor escala e pelo crescimento da venda da madeira ilegal nos mercados internos dos países produtores.

Tráfico atua dentro de escolas, diz sindicato dos Professores do RJ

Tráfico atua dentro de escolas, diz sindicato dos Professores do RJ

O Globo
Ciep onde Wesley foi morto por bala perdida está subjugado pelo crime, segundo um grupo de professores - Foto de André Teixeira
A diretora da Regional 2º (Madureira) do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Denise Guterres, fez uma crítica ao poder público, antes de participar do enterro de Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade , de 11 anos, no Cemitério de Irajá.
Na sexta-feira, a criança levou um tiro de fuzil no peito enquanto assistia a uma aula de matemática no Ciep Rubens Gomes, em Costa Barros. Segundo ela, o tráfico de drogas atua em várias unidades de ensino do Rio, inclusive no Ciep onde o menino estudava, como mostra a reportagem de Bruna Talarico e Felipe Sil na edição deste domingo.
- Tenho feito denúncias à Secretaria de Segurança, mas não existe comunicação entre o órgão e setores da educação. Quando há uma operação policial, as escolas não são avisadas e não têm autonomia para suspender as aulas. Todas são pegas de surpresa - afirmou Denise. - Além disso, os traficantes não agem só no entorno das unidades, eles estão dentro dos colégios, podem ser vistos nas cantinas, nos pátios e nas salas de aula. Os funcionários que oferecem resistência são ameaçados.
O Sepe anunciou que apresentará uma ação na Justiça contra a prefeitura e o governo estadual, responsabilizando-os pela morte de Wesley.
De acordo com estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP), dos quatro casos de mortes causadas por balas perdidas entre janeiro e março deste ano, dois ocorreram na chamada Área Integrada de Segurança Pública 9, que abrange Rocha Miranda, onde Wesley foi baleado.
A Secretaria municipal de Educação negou que escolas não tenham autonomia para suspender aulas em casos de confrontos. De acordo com o órgão, desde 2009, todas as unidades de sua rede podem fazê-lo. A autorização fez parte da implementação do programa Escolas do Amanhã, criado há quase um ano e do qual faz parte o Ciep Rubens Gomes e outros 149 colégios localizados em áreas consideradas de risco. Essas unidades atendem cerca de 107 mil alunos.
Ainda segundo a secretaria, cerca de 700 unidades de ensino da rede municipal são atendidas pelo Grupamento Especializado de Ronda Escolar da Guarda Municipal, que tem como objetivo impedir a prática de infrações e o apoio à comunidade escolar. A ronda faz cerca de 6.900 visitas por mês nas escolas. Dentro do programa, a Guarda Municipal também faz palestras nas escolas sobre prevenção às drogas; violência doméstica; integração entre família e escola e medidas de segurança.

Festival de cinema brasileiro chega à oitava edição em Nova York

Festival de cinema brasileiro chega à oitava edição em Nova York

Premiere Brazil! 2010 apresenta filmes como 'Dzi Croquettes' e 'Reidy'.
Cacá Diegues é homenageado com exibição de obras restauradas.

Cristina Indio do Brasil Do G1, em Nova York
Da esquerda para a direita: Jytte Jensen, curadora do departamento de filme do MoMa, os diretores Tatiana Issa e Raphael Alvarez e ator Claudio Tovar, na apresentação do longa 'Dzi Croquettes'. (Foto: Cristina Índio do Brasil / G1)
O filme “Dzi Croquettes” fechou as sessões do primeiro dia da oitava edição da Premiere Brazil! 2010 nesta sexta-feira (16). Neste ano a parceria entre o MoMa e o Festival do Rio reúne 16 filmes inéditos, curtas e clássicos restaurados.
A produção dirigida por Tatiana Issa e Raphael Alvarez lotou no cinema 1 do Museu de Arte Moderna de Nova York. Uma plateia empolgada acompanhou a história do grupo que com muita irreverência mudou a cena cultural nos anos 70 no Brasil e ainda conquistou admiradores na Europa. O público riu, bateu palmas durante a exibição e se emocionou com momentos dramáticos.
Na apresentação do filme, os diretores disseram que enfrentaram dificuldades para a montagem, inclusive pela falta de registros visuais de apresentações do grupo. Um dos integrantes dos Dzi Croquettes, Cládio Tovar, revelou que se emociona toda vez que vê o filme. "Isso é parte da minha vida". Tovar lembrou, ainda, a importância de Liza Minelli para a carreira do grupo. Nos anos 70, a cantora e atriz viu uma apresentação dos Dzi Croquettes em Paris, gostou tanto, que chamou atenção da imprensa e ainda levou muitas celebridades para ve-los. "Se alguém aqui é amigo da Liza Minelli diga a ela que eu a amo", pediu Tovar em tom de agradecimento.
Depois da exibição, a diretora Tatiana Issa comemorava a recepção do público ao filme, que mostra também que o grupo nunca tinha se apresentado em Nova York. “Agora sim eles vieram a Nova York", disse animada como se, enfim, os Dzi Croquettes tivessem realizado uma vontade antiga.
Ana Maria Magalhães, diretora de 'Reidy, a
construção da utopia'. (Foto: Cristina Índio do
Brasil / G1)

O documentário “Reidy, a construção da utopia”, abriu o primeiro dia. Para a diretora Ana Maria Magalhães levar o filme para Nova York é expandir as idéias do arquiteto que tinha preocupação de desenvolver projetos que dessem melhor qualidade de vida, o que para ela, a maioria das cidades está precisando. Agora a diretora espera que o documentário entre em circuito comercial no ano que vem além de começar a venda em DVD.
Mais cedo, um almoço reuniu atores, diretores, produtores, imprensa e organizadores do festival em uma churrascaria brasileira no centro de Nova York.
'Lula, o filho do Brasl' atrasa nos EUA
A produtora Paula Barreto contou que uma questão política vai atrasar o lançamento do filme "Lula, o filho do Brasil" nos Estados Unidos, previsto para março do próximo ano. De acordo com Paula Barreto, o distribuidor escolhido para incluir a produção no circuito de Nova York resolveu cancelar o compromisso por temer prejuízo. O distribuidor é de origem judaica e o motivo da suspensão é a participação do Brasil no acordo nuclear com o Irã. “Ele disse - eu não posso porque a maioria dos meus frequentadores aqui em Nova York é judia, se eu botar o filme de Lula eu vou à falência, porque ninguém judeu vai assistir esse filme ali, depois do acordo que ele fez com o Irã" comentou a produtora.

Paula disse que a família Barreto estava acostumada a trabalhar com este distribuidor que já tinha lançado nos Estados Unidos os filmes “Dona Flor” e “Bye bye Brasil” e agora vai precisar arranjar outro esquema para a distribuição no país.
Cacá Diegues homenageado
Neste ano, a mostra está fazendo homenagem ao diretor Cacá Diegues e serão apresentados os filmes “Xica da Silva” e “Bye bye Brasil”, que foram restaurados. A atriz Zezé Motta, que já trabalhou em cinco filmes do diretor, e representou o personagem principal em “Xica da Silva” disse que foram momentos importantes da carreira dela.

Zezé destacou o cuidado do diretor para fazer a pesquisa sobre o personagem, junto com ela. “Nós conversávamos até sobre detalhes, como qual seria o signo dela? De que santo era deveria ser? Pra mim era Iansã. Em uma cena em que a personagem se revoltava por não poder se casar na igreja porque era negra, eu precisava demonstrar muita raiva. Eu costumo ser muito doce e ele acabou me fazendo soltar este sentimento", contou a atriz elogiando o trabalho do diretor.
A parceria entre o MoMa e o Festival do Rio já faz parte do calendário de verão de Nova York e o público tem prestigiado e se interessa cada vez mais pelos filmes brasileiros. Os filmes são exibidos em português com legendas em inglês. E os preços também favorecem. Para os associados ao Museu o ingresso é gratis. Para adultos US$10, idosos US$8 e estudantes US$6. Os shows de música com artistas brasileiros também atraem um grande público que se diverte nas apresentações nos jardins do Museu. Como são ao ar livre ninguém se preocupa com o calor que faz nesta época do ano.

Ana Vidovic

Skoob

BBC Brasil Atualidades

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