quinta-feira, setembro 02, 2010
"É isso que fazem as ditaduras", afirma Monica Serra
"É isso que fazem as ditaduras", afirma Monica Serra
CATIA SEABRA
FOLHA DE SÃO PAULO
Mulher do tucano José Serra, a psicóloga Monica Serra duvida da inocência da petista Dilma Rousseff na violação do sigilo de sua filha, Veronica. Monica diz que não se conformará com a responsabilização de servidores.
"Quero ir até o fim. Quero saber quem é o mandante."
Folha - Como reage à quebra do sigilo de Veronica?
Monica Serra - Coisa de quem não tem família, um atentado à democracia que tanto custou aos brasileiros. Temos uma vida limpa, valores, princípios. E o governo deixa as portas abertas para essa quadrilha banalizando tudo. Todos têm que se sentir ameaçados. Já sofremos com duas ditaduras. [No Chile], vi meu filho, de nove meses, com um cano de arma na cabeça. É isso que fazem as ditaduras. Ameaçam os filhos. O que estão fazendo com a Veronica é para atingir o Zé, me atingir. Peço que deixem minha família em paz.
Segundo o governo, há uma procuração.
Ela desconhece. Vão dizer qualquer coisa. Provem. Isso é um crime. Não vou me conformar em dizer que é uma simples funcionária, coitada. Quem é o mandante?
E o argumento de que há um balcão de compra?
Desculpas estapafúrdias. Você acha que o povo é ingênuo? Estão tratando todo mundo como bobo.
Como havia notícias, nunca suspeitaram de violação?
Quando tem campanha, fazem esse tipo de coisa. Nunca tinha chegado tão longe. Havia ameaças, ouvir dizer. Mas eu não tinha visto.
Sente-se ameaçada?
Eu e o Brasil. As instituições não estão funcionando e querem culpar uma funcionária. Não levam em conta que está acontecendo só com pessoas ligadas ao PSDB. Querem que a gente acredite e dê atestado de quê? Quero respeito com minha família. Não admito uma coisa dessas. Já que as instituições não estão funcionando, vamos admitir que estamos numa ditadura disfarçada.
Acha que a Dilma sabe?
Você espera que se diga "eu não sabia de nada" mais uma vez? Tem que respeitar um pouco os neurônios que as pessoas têm.
Veronica está chateada?
Ela acha isso um absurdo. É vítima de um crime cometido pelo Estado. O Estado tem a posse dos dados dos cidadãos para mantê-los sob sigilo. Não vamos aceitar que banalizem a questão botando a culpa em duas ou três pessoas. Quero ir até o fim. Quero saber quem é o mandante. Isso é o que importa.
Santos pede que Brasil classifique Farc como terroristas
Santos pede que Brasil classifique Farc como terroristas
Presidente da Colômbia encontra Lula e Dilma na sua primeira viagem após a posse e descarta negociar com guerrilha na Unasul
ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
Na primeira viagem internacional após a posse, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu ontem que o Brasil classifique as Farc como "grupo terrorista" e disse que dispensa o apoio do governo Lula para intermediar a reaproximação diplomática com a Venezuela. "Eu estou lidando diretamente com o presidente Chávez", disse Santos à Folha, pouco antes de receber a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Abaixo, os principais trechos da entrevista.
Folha - A expectativa era que sua primeira viagem fosse aos EUA, maior parceiro da Colômbia. Por que o Brasil?
Juan Manuel Santos - O presidente Lula foi o primeiro a me convidar. Aceitei diante da importância geopolítica do Brasil e do nosso interesse em fortalecer a integração regional. Esta década é da América Latina.
Uribe tinha resistências à Unasul. Isso vai mudar?
A Colômbia fica ao norte da América do Sul e não é incompatível fortalecer nosso entendimento com a Unasul e, ao mesmo tempo, fortalecer as relações com o Norte e com a OEA.
Como o Brasil pode colaborar na reaproximação da Colômbia com a Venezuela?
Lula tem tido muita boa vontade, mas a relação com a Venezuela, estou lidando diretamente com o presidente Chávez. Quanto mais boa vontade melhor, mas vamos por um bom caminho e espero que pouco a pouco possa haver confiança mútua.
Como o Brasil pode colaborar na solução para as Farc?
Esse também é um problema interno da Colômbia. O Brasil pode colaborar colocando as Farc no seu devido lugar, ou seja, como grupo terrorista. A única forma de podermos abrir algum diálogo com eles é se abdicarem de ações terroristas, de maneira que, se não apenas o Brasil, mas o mundo inteiro entender isso, eles ficarão cada vez mais isolados.
Um dos seus objetivos na viagem é pedir a Lula que as Farc não tenham acolhida para expor suas posições na Unasul?
Sim. Não creio que a Unasul seja um fórum adequado para ouvir grupos terroristas.
Como estão as relações entre o sr. e Chávez?
Cordiais. Ele e eu pensamos de forma muito diferente sobre muitas coisas, mas, se respeitamos nossas diferenças, e já falamos sobre isso, podemos ter relações cordiais. A Venezuela é um sócio comercial muito importante.
Como jornalista e homem da imprensa, como o sr. vê a investida da Venezuela e da Argentina contra a mídia?
Sou grande defensor da liberdade de imprensa em qualquer lugar do mundo e sempre estarei a favor da liberdade de todas as pessoas e sobretudo dos jornalistas.
O sr. concorda que há essa investida dos dois países?
Se há, eu a condeno.
Um acordo é difícil
Um acordo é difícil
Por Alon Feuerwerker
alonfeuerwerker.df@dabr.com.br
Ao registrar o fim das operações de combate no Iraque, o presidente Barack Obama fez questão de dar um telefonema ao antecessor, George W. Bush, responsável pelo reforço de guerra empreendido desde 2007, ação que permitiu aos Estados Unidos alcançarem uma relativa estabilidade na segurança interna do país mesopotâmico. Foi civilizado. Um dia talvez algo assim aconteça aqui entre adversários políticos.
Obama elegeu-se com duras críticas à guerra iraquiana, mas também com a promessa de fazer o necessário para vencer o conflito afegão. Quando assumiu, a primeira metade da laranja já estava bem descascada, com o Iraque suprimido como vetor militar e político regional relevante, ou autônomo. Restou a Obama orientar a arrumação do caminhão de mudança. Já no Afeganistão o buraco parece localizar-se um pouco mais abaixo.
Cumprida a promessa de retirar do Iraque as tropas de combate, e tendo garantido ali um governo aliado e dependente, o desafio de curto prazo da diplomacia da Casa Branca é impedir que o renovado diálogo entre Israel e Autoridade Palestina (AP) dê com os burros n`água. Já que, para usar uma expressão do nosso presidente, tem muita gente colocando olho gordo. Um acordo de paz interessa a Israel, à própria AP e aos aliados americanos no Oriente Médio. Não interessa ao Irã, ao Hezbollah, ao Hamas e aos amigos planetários dessa frente rejeicionista.
No meio de campo, pendulando conforme a necessidade, coloca-se a Síria. Convém aos sírios escapar da armadilha do isolamento, mas não podem fazê-lo abrindo mão das reivindicações nacionais, especialmente no tema libanês. Os Assad, antes o pai e agora o filho, percorrem uma trajetória mais inteligente do que Saddam Hussein: arreganham os dentes, evitando porém ter que desembainhar a faca.
O pivô do jogo regional é o Irã. Apesar dos esforços recentes para romper o isolamento, continua encalacrado na sua estratégia de ameaçar com o confronto. O último movimento dos aliados de Mahmoud Ahmadinejad para retirá-lo do cercadinho não foi suficiente: Brasil e Turquia bem que tentaram, mas um consenso inusual no Conselho de Segurança frustrou parcialmente o plano iraniano de ganhar tempo na corrida para conseguir a bomba nuclear.
Ano que vem o ataque às torres gêmeas completa uma década, e a invasão do Kuait pelo Iraque, quase o dobro. Na contabilidade fria, a posição norte-americana naquele pedaço do mundo está mais consolidada agora que antes. Apesar do Irã, que tomou o lugar antes ocupado por Hussein e projeta uma hegemonia bélico-política. Teerã tem hoje mais força do que Bagdá 20 anos atrás, mas caminha para um isolamento semelhante, se é que já não se enroscou irremediavelmente nele.
E o Brasil? Sentou-se nessa mesa de pôquer, empolgou-se no começo, mas parece estar sentindo que ali o cacife talvez custe caro demais. A diplomacia brasileira apostou num movimento ousado, tentando trazer para o carteado uma turma que os demais veem com desconfiança.
Como aliás o próprio Mahmoud Abbas havia feito ao ver Luiz Inácio Lula da Silva, quando pediu que o presidente brasileiro rogasse ao colega iraniano não se meter nos assuntos internos da Palestina. Ou seja: parar de apoiar e armar o Hamas.
Um acordo entre Israel e Palestina é difícil, porque os palestinos precisariam aceitar o direito de Israel existir na concepção atual, e falta-lhes unidade política para dar o passo. Yasser Arafat não se sentiu em condições de aceitar algo assim 10 anos atrás em Camp David, e foi para o túmulo sem ter criado seu Estado.
É preciso ver o quanto a relação de forças intrapalestina evoluiu desde então. Em outras palavras, talvez ainda cultivem a esperança de uma solução militar, impulsionada pelo projeto da potência regional iraniana. É uma aposta e tanto. É altamente improvável que o mundo árabe avalize o Irã em oposição aos Estados Unidos e Israel, pois uma Pérsia nuclear é mais ameaçadora para os vizinhos de Israel do que para o Estado judeu. E, ao contrário de Gaza, a vida na Cisjordânia exibe progressos sensíveis nos últimos anos.
Receita admite fraude contra filha de Serra
Receita admite fraude contra filha de Serra
Procuração falsificada foi usada para violar sigilo de dados fiscais
Roberto Maltchik, Vivian Oswald e Gerson Camarotti – O Globo
Menos de 24 horas depois de afirmar que foi correto o acesso às declarações de Imposto de Renda de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, a Receita Federal se viu forçada a recuar. O secretário Otacílio Cartaxo admitiu ontem que, com base numa procuração falsa, os dados fiscais de Verônica foram violados na Delegacia da Receita em Santo André (SP), em 30 de setembro de 2009.
A Receita também foi levada a admitir que, além de falsificar a assinatura da filha de Serra, os criminosos também forjaram o carimbo do 16º Tabelionato de Notas de São Paulo, na capital, onde supostamente a assinatura de Verônica teria sido reconhecida por semelhança, em 29 de setembro. Verônica sequer tem firma reconhecida no cartório, que apontou provas grosseiras da falsificação..
Segundo a Receita, a partir da procuração foram vazadas as declarações de IR de 2007, 2008 e 2009. De acordo com Cartaxo, que fez um pronunciamento e não respondeu a perguntas, a Corregedoria da Receita agora está delegando a apuração da fraude ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, que também investigam o suposto uso das informações sigilosas para a montagem de um dossiê por integrantes da campanha da petista Dilma Rousseff contra tucanos. Pelo menos outras quatro pessoas ligadas a Serra também tiveram o sigilo quebrado ilegalmente, e os dados teriam ido parar no suposto dossiê do PT, que nega envolvimento. Em 1º de junho, O GLOBO revelou que o sigilo de Verônica teria sido devassado.
-- Aconteceu a falsificação de documento público federal. Cabe à Polícia Federal a apuração dos fatos, a perícia grafotécnica e os demais aspectos da matéria - disse Cartaxo. Para justificar o atendimento ao pedido de acesso às declarações de Verônica, o secretário da Receita argumentou que não havia sinais de fraude ou adulteração. Isso, de acordo com Cartaxo, obriga os servidores públicos a aceitar a solicitação. A recusa, disse o secretário, implica em infração ao Estatuto do Funcionalismo Federal.
Balcão de compra e venda de dados
Na semana passada, a Receita já havia admitido a existência de um "balcão de compra e venda de sigilos" no órgão. Ontem, Cartaxo confirmou que, em 30 de setembro de 2009, o setor de atendimento da Delegacia da Receita em Santo André recebeu o pedido de cópia das declarações de Verônica Serra. À ocasião, foi apresentado por Antonio Carlos Atella Ferreira um requerimento padrão de cópia de documentos. Atella Ferreira confirmou ao GLOBO a autenticidade de sua assinatura, mas não disse quem o contratou.
- Reconheço a minha (assinatura). Agora, quanto à dela, ela deu para algum advogado, alguma pessoa, menos a mim. Eu não a conheço e nem sabia que era filha de alguém. Eram 15, 20 encomendas por dia - afirmou Atella, que se apresenta como contador.
Ele afirma que é proprietário da Atella Assessoria, empresa que prestaria serviços de despachante em São Paulo. Curiosamente, o domínio do site na internet da empresa (www.atellaassessoria.com.br) esteve válido até o dia 29 de setembro de 2009, um dia antes da operação fraudulenta em Santo André. Após esta data, o site saiu do ar.
Esquentando os tamborins
Esquentando os tamborins
Cariocas vão conviver, nos próximos seis anos, com eventos esportivos internacionais de alto nível
RIO - É hora de respirar fundo. Até 2016, quando o Rio vai sediar, pela primeira vez na história da América do Sul, as Olimpíadas, de 5 a 21 de agosto, e as Paraolimpíadas, de 7 a 18 de setembro, a cidade e o país vão acordar, trabalhar, comer, beber e sonhar com esporte. Já a partir de 2011, os cariocas vão se acostumar mais e mais a assistir a megaeventos, e a cidade vai ganhar em visibilidade e dinheiro. Os palcos esportivos cariocas serão sede dos Jogos Mundiais Militares, da Copa das Confederações, da Copa do Mundo, de eventos-testes das Olimpíadas e dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.
Ainda em 2010, o Rio vai receber, de 27 de novembro a 5 de dezembro, o 45 Mundial Militar de Tiro, em Deodoro. De 16 a 24 de julho de 2011, a cidade sediará a quinta edição dos Jogos Mundiais Militares, do Conselho Internacional do Esporte Militar (CISM). Chamados informalmente de Olimpíadas Militares, os Jogos reunirão seis mil atletas de 110 países, em 20 esportes, sendo 15 olímpicos: atletismo, boxe, basquete, esgrima, futebol, hipismo, iatismo, judô, natação, pentatlo moderno, taekwondo, tiro esportivo, triatlo, vôlei e vôlei de praia. Cinco modalidades militares integram o programa: orientação, paraquedismo, pentatlo naval, pentatlo militar e pentatlo aeronáutico. Do pentatlo moderno constam hipismo, esgrima, natação, tiro e corrida. Já o pentatlo militar reúne tiro, pista com obstáculos, natação utilitária, lançamento de granada e cross-country. Do aeronáutico fazem parte tiro, esgrima, natação com obstáculos, basquete (arremessos individuais), pista com obstáculo e orientação. E no pentatlo naval, além de corrida com obstáculos, contam natação de salvamento, natação utilitária, habilidade naval e cross-country anfíbio.
Os Jogos Militares têm um caráter poliesportivo, como os Pan-Americano de 2007 e as Olimpíadas. Por isso, serão um teste para 2016, na organização, estrutura, transporte e qualidade das instalações. A infraestrutura inclui Engenhão, São Januário, Escola Naval, Cefan, Maria Lenk, Maracanãzinho, Arena Multiuso, Praia de Copacabana e instalações militares como as de Resende, que vão sediar o paraquedismo. As novidades serão um estande no Centro Nacional de Tiro, e as Vilas Verde, Azul e Branca, que vão hospedar as delegações em Deodoro. Após o evento, passarão a ser de uso militar.
O CO Rio 2011 já negocia com a prefeitura um esquema especial de trânsito para que o deslocamento de atletas e outros membros de delegações seja feito por faixas exclusivas em vias como as linhas Amarela e Vermelha e a Avenida Brasil, como aconteceu no Pan. A principal preocupação é encontrar uma solução para circulação das delegações no trecho mais próximo de Deodoro, onde não há seletiva.
- Os preparativos para a 2011 seguem um planejamento típico de megaeventos esportivos. Não tem como ser diferente. Os Jogos de 2011 vão trazer para o Rio cerca de seis mil atletas de 110 países para $20 esportes em 37 modalidades. Após o Pan 2007, a experiência adquirida em preparar o evento nos foi repassada. E o mesmo faremos para os organizadores da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 - diz o coronel Jamil Megid Júnior, coordenador-geral da Rio 2011.
No aspecto técnico, o adjetivo "militar" não indica que só haverá desportistas saídos dos quartéis. Pelo contrário. Na delegação brasileira, que deverá ter 300 atletas, um bom número deles é de atletas olímpicos de alto rendimento, que ingressaram nas Forças Armadas mediante edital de convocação. No ano passado, 72 atletas foram incorporados ao Exército como sargentos temporários, entre eles medalhistas olímpicos como Tiago Camilo, Flávio Canto e Leandro Guilheiro (judô), Vicente Lenílson (atletismo) e Natália Falavigna (taekwondo). Boa parte da equipe de natação que esteve em Pequim também recebeu a patente temporária: A seleção feminina de futebol é formada por atletas da Marinha, que mantém convênio com o Vasco. Já no vôlei, vários atletas entraram para o Exército em abril, depois da Superliga, passando por toda a instrução militar.
- O nível é bastante elevado. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, 44% dos atletas russos, 54% dos italianos e 30% dos franceses que conquistaram medalhas eram das Forças Armadas - explicou o coordenador de Comunicação e Marketing da Rio 2011, coronel Roberto Itamar Cardoso Plum.
A delegação brasileira é organizada pela Comissão Desportiva Militar, órgão semelhante ao COB. A Comissão Desportiva Militar tem reiterado que, depois de 2011, os atletas de alto rendimento não serão dispensados. Além disso, as Forças Armadas já vêm tocando programas de inserção social por meio do esporte. Com 133 países membros e mais de um milhão de atletas militares, o CISM quer promover no país um evento de padrão olímpico. Estatísticas dão conta de que um quarto dos atletas de Olimpíadas e de Mundiais são militares. Nos Jogos de Pequim 2008, dentre os 819 medalhistas, 139 eram militares. É possível, por exemplo, que a saltadora russa Yelena Isinbayeva, que é oficial, venha ao Rio para competir.
A organização do evento tem um custo estimado em R$ 1,2 bilhão, incluindo a construção de vilas de hospedagem, já em fase final. Editais para a escolha das empresas responsáveis pelo transporte das delegações e pelo fornecimento de refeições devem ser lançados até outubro.
Assim como os Jogos Olímpicos, o evento já tem uma logomarca e a mascote será conhecida este mês, como parte das comemorações do 7 de setembro. Uma consulta popular vai escolher o nome. Ainda este ano, haverá o programa de voluntários pelo site www.rio2011.mil.br. Ao todo, seis mil pessoas serão recrutadas principalmente entre alunos de escolas militares, professores $educação física e universitários participantes do projeto Rondon.
Já em 2013, o Rio vai ser uma das sedes da Copa das Confederações, promovida pela Fifa nos anos anteriores aos da Copa do Mundo em alguns dos estádios do Mundial, como evento-teste. O Brasil foi campeão de 2009, na África do Sul. O evento reúne, além do país sede, o campeão mundial (Espanha) e os campeões de América do Norte e Central, América do Sul, Europa, Ásia, África e Oceania. A competição deverá ser realizada entre quatro e seis cidades da Copa do Mundo, incluindo o Rio, provável lugar na final, no Maracanã.
Em 2014, entre os dias 13 de junho e 13 de julho, o país vai parar para torcer pela seleção no Mundial de futebol da Fifa, evento que mais apaixona o público brasileiro. Doze cidades vão sediar o campeonato, que reúne 32 equipes. O Maracanã, no Rio, vai ser a sede da decisão. Dois anos depois, em 2016, o mesmo estádio vai servir de palco da abertura e do encerramento das Olimpíadas, para atletas de mais de 200 países. No mesmo ano, cerca de três semanas depois, a cidade vai sediar as Paraolimpíadas. Haja fôlego!
Fonte: O Globo
Pastor, quem foi que Deus disse que devemos votar?
Pastor, quem foi que Deus disse que devemos votar?
Por Renato Vargens – 02/09/2010
Em tempo de eleição essa é uma das dúvidas mais comuns em nossas igrejas. Isto porque, irmãos em Cristo que temem ao Senhor e que desejam fazer o melhor para o seu país, acreditam que os seus pastores receberam de Deus orientações claras quanto àqueles que deverão governar a nação. Nesta perspectiva, buscam em seus líderes orientações em quem votar. No entanto, o que talvez muitos não saibam, é que do ponto de vista ético e cristão, o pastor não possui o direito de manipular o voto de ninguém. Todavia, em virtude de desejos escusos, alguns pastores inescrupulosos, imbuídos de messianismo politico fajuto, enganam o povo, determinando ao rebanho o nome daqueles que deverão ser votados.
Caro leitor, como disse anteiormente Não creio na manipulação religiosa em nome de Deus, não acredito num messianismo onde a utopia de um mundo perfeito se constrói a partir do momento em que crentes são eleitos, nem tampouco comercializo o rebanho de Cristo, vendendo-o por interesses escusos a políticos inescrupulosos.
Diante do exposto gostaria de reproduzir aqui o décalogo do voto ético que foi defendido na década de 90 pela Associação Evangélica Brasileira:
I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município;
II. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção;
III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;
IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos;
V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade;
VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja.
VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz.
VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo, e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de "boatos" do tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.
IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão, em questão, ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que o apoiem.
X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.
Soli Deo Gloria,
Renato Vargens
Aloprados 2 - O retorno
Aloprados 2 - O retorno
Ricardo Noblat O GLOBO
O contador Antônio Carlos Atella Ferreira admitiu ao GLOBO que foi ele quem retirou cópias das declarações de IR de Verônica Serra na agência da Receita Federal em Santo André, município do ABC paulista. Disse que fez isso por encomenda de uma pessoa. Que ele não lembra o nome. Mas que "queria prejudicar Serra".
É claro que o contador mente. Ele sabe, sim, quem lhe encomendou o trabalho. Só não quer dizer quem foi.
Cerca de 140 pessoas tiveram seu sigilo fiscal violado em agências da Receita Federal no ABC paulista. Entre as 140, cinco são ligadas a Serra. Uma delas, Verônica, é filha dele. Se isso tudo não configura um escândalo de bom tamanho, nada mais configura.
O "Caso dos Aloprados" é bobagem perto do "Aloprados 2 - O Retorno".
O primeiro aconteceu em meados de 2006.
Empregados do comitê da campanha de Lula à reeleição montaram um falso dossiê para comprometer as candidaturas de Serra (ao governo de São Paulo) e de Geraldo Alckmin (à Presidência da República).
Os alvos, ali, eram dois. Os documentos que engordaram o falso dossiê estavam em mãos de particulares - bandidos envolvidos com a chamada Máfia do Sangue.
Agora, não.
O crime teve como alvos dezenas de pessoas. E um órgão do governo - não um órgão qualquer, mas a Receita Federal - está metida no crime até o talo.
Dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, foram parar num calhamaço de papéis reunidos por pessoas que trabalhavam na campanha de Dilma Rousseff.
Duas delas, pelo menos, almoçaram com um ex-delegado da Polícia Federal interessadas em que ele espionasse Serra.
Elas negam que seu propósito tivesse sido esse. O ex-delegado confirmou que era, sim, em depoimento prestado no Congresso.
O Aloprados 1 foi investigado pela Polícia Federal. Não deu em nada. Ninguém foi punido.
O governo anunciou que a Polícia Federal investigará o que ele, governo, se recusa a chamar de Aloprados 2. Sua única preocupação é afastar a sombra do crime das proximidades da campanha de Dilma.
'Com certeza não daria a audiência que foi dada a Ahmadinejad', diz Marina Silva
Estadao.com. br Atualizado: 2/9/2010 1:36
'Com certeza não daria a audiência que foi dada a Ahmadinejad', diz Marina Silva
"Canditada Marina Silva foi a última entrevistada na série promovida pelo Jornal da Globo"
SÃO PAULO - Nesta quarta-feira, 1º, a candidata à Presidência, Marina Silva (PV), foi entrevistada no Jornal da Globo, na sede da TV Globo, em São Paulo. Ela criticou a atuação do Brasil na política externa do governo Lula em relação ao Irã, fez críticas ao tucano José Serra por ter feito uso de uma favela virtual na propaganda eleitoral e defendeu regras para o agronegócio. Ao mesmo tempo, sustentou que o etanol já deveria ter se tornado uma commodity internacional. Política externa Para Marina, o Brasil tem que dar continuidade à 'cultura de paz' e que o País não pode fazer nenhum movimento contra a relação pacífica entre os povos. Ao mesmo tempo, a candidata verde criticou a forma como foi feito o diálogo com o Irã, que segundo ela, está contra os princípios da defesa da democracia e dos direitos humanos. 'Com certeza não daria a audiência que foi dada a Ahmadinejad, que causou um estranhamento nas democracias ocidentais', ponderou Marina, referindo-se à atual política de aproximação do Brasil em relação ao Irã de Ahmadinejad. 'Não se pode fazer em nome do diálogo um movimento político que acaba favorecendo um ditador, que não respeita direitos humanos, que não respeita as liberdades políticas, que tem presos políticos e que tem como objetivo construir e fazer a bomba atômica', alfinetou a candidata do PV. Desenvolvimento e favela virtual Perguntada sobre a questão do desenvolvimento no Acre, Estado onde é senadora, a candidata do PV disse que muita coisa foi feita. Porém, quando novamente questionada sobre saneamento básico, Marina admitiu que o Estado vivia uma situação de 'degradação social', mas que agora muita coisa melhorou. Ela aproveitou para criticar o adversário tucano José Serra, por usar uma favela virtual na campanha. 'O Acre era território, ele passou a ser um Estado, depende de repasses da União. Agora, obviamente que é grave o que acontece ainda no Acre, mas muita coisa mudou e mudou para melhor. Difícil é imaginar que o estado mais rico da Federação - que é o Estado de São Paulo - tenha uma situação como eu vi lá na favela da Mata Virgem', disse Marina. Segundo ela, no Estado não deveria haver favelas com esgoto a céu aberto e localizadas em áreas de mananciais. 'Por isso que eu estranhei que no programa do governador Serra ele tenha apresentado uma favela virtual. Porque tem uma favela real.' Também sobrou críticas para a educação no Rio de Janeiro. 'E o estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que é o segundo mais rico da Federação? Está em antepenúltimo lugar em educação. Um dos piores índices de educação', conclui. Agronegócio Em relação ao agronegócio, Marina Silva defendeu regras para a exploração dos recursos naturais e mais investimento em tecnologia. Ela cita como exemplo as tecnologias aplicada na agricultura e na pecuária no Estado do São Paulo. 'Aqui em São Paulo a produção agrícola e a produção de carne têm altíssima tecnologia. Por que não pensar em fazer o mesmo na Amazônia? Por que quando é o cerrado, a Amazônia, o Pantanal, a caatinga, as pessoas acham que podem fazer de qualquer jeito?', indagou. No final da entrevista, a candidata do PV disse que o Brasil tem que mostrar ao mundo que respeita as regras. Curiosamente, ela fez a defesa do etanol como uma commodity e, mais uma vez, fez críticas ao governo Lula. 'As vezes a gente fala do agronegócio, da agricultura, como se fosse uma coisa só. Tem gente que está na vanguarda e estes precisam ocupar a cena, liderar o processo', defendeu a candidata do PV. 'Nós precisamos, por exemplo, transformar o álcool em uma commodity. Por que ainda não aconteceu isso?', fustigou. 'Porque o Brasil perdeu oito anos. Em lugar de fazer a certificação, só fazia propaganda', finaliza Marina Silva.
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