Robson Martins, especial para a Gazeta do Povo – PR - 01/06/2010
terça-feira, junho 01, 2010
A bola "patricinha"
A bola "patricinha"
Robson Martins, especial para a Gazeta do Povo – PR - 01/06/2010
Robson Martins, especial para a Gazeta do Povo – PR - 01/06/2010
Felipe Melo faz polêmica analogia para opinar sobre a qualidade da Jabulani. Campeão em passes na seleção, ele diz que produto da Adidas não é “mulher de malandro” Na seleção de Dunga, ele tem autoridade para falar mal da polêmica bola. O volante é quem mais passes distribuiu na equipe atual. Segundo o Datafolha, são 46 por jogo. Conforme dados da Fifa, na Copa das Confederações do ano passado, executou em média 60 toques por duelo. O jogador da Juventus conseguiu ontem fazer uma declaração inusitada. Ao dizer que a Jabulani é como uma Patricinha, “não gosta de ser chutada” e as bolas anteriores são co mo mulheres de malandro, “gostam de ser chutadas”, o titular de Dunga desferiu o mais forte ataque ao produto da Adidas.
Repercussão
Ontem o volante Felipe Melo fez um discurso politicamente incorreto, algo incomum no grupo comandado por Dunga, ao falar sobre a Jabulani, a nova bola que será utilizada na Copa do Mundo. “Digamos que a bola normal é como mulher de malandro: você chuta e ela está ali, legal. Essa bola da Copa é estilo patricinha: não quer ser chutada”, disparou o atleta da seleção.
A brincadeira do jogador brasileiro não foi muito bem aceita por algumas pessoas. Uma delas é a delegada Sâmia Cristina Coser, da delegacia da mulher de Curitiba. “Infelizmente, alguns tratam este assunto fazendo piada. Enquanto isso, tem mulheres morrendo por causa da violência doméstica”, criticou.
A delegada repudiou que tal pensamento tenha sido expressado por um representante brasileiro na Copa do Mundo. “Ele devia ser um exemplo e não fazer esse tipo de declaração infeliz”, lamentou Sâmia, lembrando que inclusive as “patricinhas” têm procurado a delegacia para reclamar de maus tratos dos companheiros. “Ao fazer brincadeira com uma coisa séria, ele está desrespeitando o assunto e fomentando esse conceito.”
Justamente o estereótipo preocupa Bia Barbosa, integrante da Articulação mulher e Mídia, uma rede de ONGs que discutem a imagem da mulher nos meios de comunicação. “É complicado legitimar esse tipo de preconceito, que já existe, de que algumas mulheres gostam de ser chutadas. Isso se torna um obstáculo para chegarmos a uma igualdade de gênero na sociedade”, afirmou, lembrando que a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil.
Antes, o goleiro Júlio César e o atacante Luís Fabiano já ha viam reclamado do produto – o último a chamou de “sobrenatural”, o goleiro foi direto: “Horrível”.
O porta-voz da Adidas, Thomas van Schaik deu ontem a versão da empresa. “Começamos a usá-la [a Jabulani] em dezembro em uma ampla variedade de ligas e todas as respostas que tivemos foram positivas. Além disso, distribuímos modelos para todas as seleções para que possam se acostumar e, pelo que parece, não aproveitaram a oportunidade.”
As palavras de Felipe Melo foram justamente as mais duras, assim como boa parte de sua entrevista. O jogador estava visivelmente irritado com notícias de uma suposta discussão entre ele e Kaká no treino de sábado.
Jornais italianos chegaram a afirmar que o astro do Real Madrid poderia ficar fora da Copa por conta de uma entrada de Melo. Após uma falta cometida por Robinho, Kaká reagiu tirando a mão do camisa 5, que estava ao lado e levemente tocou na sua cabeça.
“Estou focado na Copa, mas caberia até um processo. Passaram uma imagem de mau-caratismo meu. Com o Kaká voltando de lesão, jamais faria isso de ariscar machucá-lo”, de fendeu-se.
Segundo Melo, a imprensa italiana adora “sacanear as pessoas”, mas o fato de a notícia ter saído do treino do Brasil, deixou o atleta ainda mais irritado com o prejuízo da sua imagem.
“Isso saiu do Brasil, não me lembro de onde, mas foi daqui. Até meus familiares me questionaram, ‘O que você fez com o Kaká?’. E eu não fiz nada. Foi sacanagem”, afirmou, nitidamente irritado. Na entrevista furiosa de um dos queridinhos de Dunga, sobrou até para a seleção argentina. Após uma pergunta de um jornalista do país de Maradona sobre a visão da equipe de Messi entre os jogadores do selecionado canarinho, o volante provocou. “Respeitamos a Argentina tanto agora quanto respeitávamos nas Eliminatórias quando ganhamos por 3 a 0 [na verdade 3 a 1]. Eles farão uma grande Copa do Mundo, mas certamente ficarão atrás do Brasil”, cravou.
O Mau Uso das Redes Sociais nas Eleições 2010 - Social Media Fail
O Mau Uso das Redes Sociais nas Eleições 2010 - Social Media Fail
Dificilmente o governo israelense sairá ileso de episódio
Dificilmente o governo israelense sairá ileso de episódio
Ian Black - O Estado de S. Paulo - 01/06/2010
A sangrenta interceptação da flotilha humanitária para Gaza rapidamente provocou apelos pela suspensão do bloqueio ao território palestino e deve aumentar a pressão para que se chegue a um acordo com o Hamas, considerado um grupo terrorista por Israel, EUA, Grã-Bretanha e União Europeia.
O Hamas e o Fatah, como era previsível, imediatamente condenaram Israel, acusando-o de cometer crimes de guerra e de usar força desproporcional - as mesmas acusações feitas contra o país depois da ofensiva em Gaza, que terminou no início do ano passado. Mas muito mais surpreendente foi a onda de declarações críticas vinda de países que em geral são amigos, como as do chanceler da Grã-Bretanha, William Hague, exigindo o fim do bloqueio a Gaza. França, Suécia, Dinamarca e Grécia convocaram os embaixadores de Israel, exigindo explicações.
Esse drama grotesco e a repercussão global levarão a uma reanálise da situação mais fundamental? Como as imagens que documentaram o assassinato da autoridade do Hamas Mahmoud al-Mabhouin, em Dubai, em janeiro, as imagens gráficas deste espetáculo no Mar Mediterrâneo mostram Israel usando sua superioridade militar esmagadora a serviço do que parece cada vez mais uma meta política insustentável.
Desta vez foram os comandantes da Marinha, e não agentes do Mossad, que se mobilizaram. Mas o "inimigo" era um grupo fortemente motivado de pessoas comprometidas com a justiça para os palestinos, impacientes com a ineficaz "pressão diplomática" e o quase moribundo processo de paz, confiantes de que esta seria mais uma luta assimétrica que conseguiriam vencer sem esforço - embora poucos imaginassem que haveria provavelmente um custo humano.
A posição de Israel provavelmente não vai mudar. O Hamas recusa-se formalmente a renunciar à violência, reconhecer o Estado judeu ou aceitar algum acordo firmado pela Organização de Libertação da Palestina (OLP). Israel, apoiado pelo Egito, utilizou o cerco de Gaza deliberadamente, mas sem sucesso, para corroer o Hamas, que venceu as eleições palestinas em 2007 e desfruta do apoio do Irã e da Síria.
O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, insistiu novamente que não existe fome nem crise humana em Gaza, reiterando que Israel permite a entrada de uma quantidade limitada de ajuda. É óbvio que a polêmica em torno dessa frota atrairá muita atenção internacional e criará uma condenação veemente de Israel. Mesmo defensores irredutíveis de Israel admitem que será difícil para o país sair ileso dessa história. Mas a questão que de fato importa é se, politicamente, alguma coisa vai mudar realmente depois do que ocorreu.
Ferreira Gullar recebe maior prêmio da literatura portuguesa
Ferreira Gullar recebe maior prêmio da literatura portuguesa
Jair Rattner - De Lisboa para a BBC Brasil
O poeta maranhense Ferreira Gullar venceu a edição deste ano do Prêmio Camões, o mais importante prêmio para a literatura de língua portuguesa.
Numa reunião realizada esta segunda-feira em Lisboa, o júri do prêmio – composto pelos portugueses Helena Buescu e José Carlos Seabra Pereira, pelo moçambicano Luís Carlos Patraquim, por Inocência Mata, de São Tomé e Príncipe, e pelos brasileiros Antônio Carlos Secchim e Edla Van Steen decidiu atribuir o prêmio ao autor de Poema Sujo.
Junto com o prêmio, Ferreira Gullar – nome artístico de José Ribamar Ferreira – vai receber 100 mil euros.
O prêmio é atribuído conjuntamente por Portugal e pelo Brasil.
Conjunto
"Ele tem um estilo moderno, muito ágil, é um poeta de um grande vigor, com originalidade", justifica Edla, falando à BBC Brasil.
Para Sechin, o prêmio a Ferreira Gullar vem dar maior peso ao prêmio Camões.
"De um lado Ferreira Gullar é honrado com o prêmio e, de outro, ele o honra devido a sua estatura de poeta consensualmente considerado um dos mais importantes, senão o mais importante poeta vivo, pela multiplicidade de aspectos da sua obra e pela sua postura ética e política."
"É um caso raro de um poeta que agrada simultaneamente ao grande público e à crítica mais exigente. É um poeta sempre insatisfeito com os rumos de sua própria poesia, e que a todo momento está se reinventando", disse à BBC Brasil.
Segundo Edla Van Steen, a idade do poeta pesou na decisão.
"Foram colocados na mesa vários nomes e, no momento da escolha final, falamos da imensa obra do Ferreira Gullar, que está com 80 anos e que esse prêmio é o coroamento do trabalho do escritor. E todos os outros candidatos ainda têm mais tempo para aumentar a obra e o Ferreira já fechou. Ele continua produzindo, mas já é o candidato ideal para o prêmio".
Ferreira Gullar é o segundo poeta brasileiro a receber o Prêmio Camões, nas suas 22 edições. Antes dele, só João Cabral de Mello Neto recebeu, em 1990.
Outros nomes que receberam o prêmio incluem José Saramago, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Antonio Candido, Lygia Fagundes Telles, o português António Lobo Antunes, o moçambicano José Craveirinha e o angolano Luandino Vieira. No ano passado, o prêmio foi atribuído ao cabo-verdiano Armênio Vieira.
Para a ministra da Cultura portuguesa, Gabriela Canavilhas, o prêmio vai ajudar tornar Ferreira Gullar mais conhecido em Portugal.
"É o mais prestigiado prêmio para a literatura lusófona. Queremos que sejam os cidadãos a reconhecer nos premiados o mérito para ter este prêmio. Será uma excelente oportunidade para conhecermos melhor o escritor", afirmou.
'A lei é a confirmação de que tenho de ir embora' diz brasileira que vive no Arizona
'A lei é a confirmação de que tenho de ir embora' diz brasileira que vive no Arizona
Alessandra Corrêa - Enviada especial da BBC Brasil a Phoenix
Depois de quatro anos nos Estados Unidos, a brasileira Camila Novaes Silva embarca na próxima segunda-feira de volta a São Paulo, assustada com a nova lei de imigração do Arizona, onde vive.
Em situação ilegal no país, a estudante brasileira começou a pensar na mudança no fim do ano passado, ao perceber que, quando terminasse o ensino médio, não teria como pagar o valor de um curso universitário, pelo menos três vezes mais alto do que o cobrado de alunos com os documentos em dia. A decisão, porém, foi reforçada após o anúncio da lei que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e dá à polícia autorização para parar, interrogar e exigir documentos de qualquer pessoa considerada suspeita de estar ilegalmente no país. A lei só entra em vigor em 29 de julho, mas desde seu anúncio vem provocando temor entre os imigrantes ilegais do Arizona. "Tinha esperança de ficar aqui", diz Camila, que mora na capital do Arizona, Phoenix. "Mas a lei foi a confirmação de que realmente tenho que ir embora."
Sonho A viagem vai ocorrer depois de uma semana que, para ela, deveria ser de festa. Nesta segunda-feira, Camila completou 18 anos. Na quarta, comemora a formatura na high school, o ensino médio americano. O clima na família, porém, é de tristeza. Camila vai deixar nos Estados Unidos a mãe, Rosilane Novaes, com quem chegou ao país aos 14 anos. O pai, o administrador de empresas Olívio Pedro da Silva, veio do Brasil para buscar a filha. "O sonho dela foi sendo amassado. A lei piorou tudo", diz Silva. A estudante diz que sempre teve médias altas na escola e recebeu convites para ingressar em universidades americanas. Seu objetivo era cursar Ciências Políticas. Chegou a pensar em Harvard. "Comecei a pesquisar e teria de pagar pelo menos US$ 30 mil (cerca de R$ 55 mil) por ano em universidades no Arizona. Em Harvard, mais de US$ 70 mil (R$ 127 mil)", diz. A estudante calcula que, se estivesse em situação legal no país, teria de desembolsar apenas cerca de US$ 7 mil (R$ 13 mil) por ano para pagar por um curso universitário no Arizona. Mesmo que conseguisse pagar o curso, Camila não poderia exercer a profissão depois de formada, por ser imigrante ilegal. Foi o medo da nova lei que selou a decisão da família. "Ela não tem carteira de motorista (documento comumente usado como identificação nos Estados Unidos). Seria complicado se deslocar até a universidade. Eu corria o risco de receber um telefonema dizendo ''sua filha está presa'", diz a mãe, Rosilane.
Separação Rosilane, 51 anos, chegou aos Estados Unidos em 1986, como estudante. Permaneceu no país alguns meses e voltou ao Brasil. Dez anos mais tarde, já separada, retornou aos Estados Unidos com as duas filhas, Camila e Juliana, que hoje tem 14 anos e mora em São Paulo com o pai. "Eu pensava em dar uma educação melhor para as minhas filhas. E era também a época do boom imobiliário, planejava comprar uma casa", diz. Hoje ela trabalha com serviços de limpeza em residências e diz que seu salário é bem maior do que ganhava no Brasil. Rosilane afirma que a nova lei fez com que se tornasse ainda mais precavida. "Tomo muito cuidado ao dirigir, para não cometer alguma infração e ser parada pela polícia. Para não levantar suspeitas", diz. Apesar da distância das filhas, ela afirma que não pretende deixar os Estados Unidos, pelo menos por enquanto. "Estou morrendo porque minha filha vai embora. Ela não quer ir. Está chorando", diz. "Mas não pretendo deixar o país por enquanto. Minha vida é boa aqui. Aos 51 anos, não conseguiria emprego no Brasil." Ela diz ainda ter esperança de que possa, de alguma maneira, regularizar sua situação e trazer as filhas de volta.
Brasileiros Camila diz que seu caso não é isolado e que outros amigos de origem latina, também ilegais, estão deixando o país por medo da nova lei. "Na sexta-feira, um amigo vai voltar ao México", diz. Ela afirma que já teve medo de ser denunciada ao conversar com amigos em português em locais públicos. "As pessoas em redor percebiam que estavamos falando uma língua diferente, ficavam observando", diz. O cônsul honorário do Brasil no Arizona, Brad Brados, disse à BBC Brasil que nas últimas semanas houve maior procura por informações sobre a lei e sobre um possível retorno ao país. Segundo o cônsul, porém, a comunidade brasileira no Arizona não é tão representativa quanto em outras regiões americanas e aqueles em situação irregular representam uma parcela pequena dos cerca de 450 mil imigrantes ilegais que vivem no Estado, conforme estimativas do governo. Brados calcula que entre 6 mil e 7 mil brasileiros vivam no Arizona, dos quais apenas cerca de 25%, ou entre 1,5 mil e 2 mil, estariam em situação ilegal. "A maioria dos brasileiros que entram pelo México estão de passagem para outro lugar, geralmente a região nordeste do país, Boston, Nova York, New Jersey", diz. De volta ao Brasil, Camila vai cursar Direito em uma universidade adventista no interior de São Paulo, a partir de agosto. Não pretende, porém, abandonar o sonho de voltar aos Estados Unidos legalmente. "Quero voltar. Quero fazer mestrado em Harvard", diz.
Luzes e sombras da Justiça brasileira
Luzes e sombras da Justiça brasileira
Siro Darlan, Jornal do Brasil
RIO - A justiça é um conjunto de luzes e sombras, felizmente mais luzes do que sombras ao longo de nossa história. Diariamente são pautados assuntos de interesse coletivos cuja decisão será dada por algum tribunal do país, com projeção maior para nossa Corte Maior, o Supremo Tribunal Federal que decida questões da mais alta relevância para o conjunto da cidadania, sobretudo no campo dos direitos fundamentais.
Recentemente foi colocada uma pá de cal no debate sobre a lei de anistia prevalecendo o entendimento que com a reconciliação nacional alcançada com o fim da ditadura todos os crimes de ambos os lados devem ser esquecidos. Não é uma decisão de fácil aceitação, sobretudo quando no cenário internacional, passados mais de 50 anos do fim da última grande guerra mundial, ainda são caçados prováveis autores de crimes praticados contra a humanidade.
Os juízes de Hitler eram os mesmos da República de Weimar. Hitler não os substituiu. Assim como os juízes que serviram a ditadura militar, com raríssimas exceções dentre aqueles que foram cassados, eram os mesmos dos tempos democráticos que a antecederam.
Conta-se inclusive que era comum a Justiça alemã retirar a guarda dos filhos dos seguidores de testemunhas de Jeová, porque esse segmento religioso repudiara o nazismo.
Desse modo os atos ditatoriais foram homologados pela Justiça brasileira, e o regime de exceção foi confirmado pelo Judiciário, onde muitos crimes foram praticados em nome de princípios como o da segurança nacional e do combate ao regime comunista, dentre outras motivações, sem que houvesse uma resposta ética e legal respeitosa com os direitos humanos.
Hoje vivemos outra época de liberdade e garantias constitucionais plenas, mas ainda encontramos nas decisões judiciais vícios das quase três décadas que vivemos sob o regime totalitário. No Judiciário ainda há normas e princípios que representam a ausência dos valores desejados numa democracia participativa como, por exemplo, no critério de escolha dos administradores onde apenas os cinco mais antigos desembargadores podem ser eleitos para a presidência dos tribunais.
Também é resquício de uma lei editada no período ditatorial o critério de seleção da administração apenas pelos desembargadores, quando o coletivo de magistrados a ser representado costuma ser dez vezes maior que o colégio de desembargadores. Esse critério nada democrático transforma o que deveria ser uma eleição em mera homologação de uma comunidade governada pelos critérios gerontológicos.
A consequência direta da ausência de critérios democráticos é a falta de transparência administrativa, que é uma das maiores preocupações do Conselho Nacional de Justiça, que a rodo momento intervém nos tribunais ditando normas de procedimento e anulando atos fraudulentos. Outra consequência é o descrédito do aparelho judiciário em virtude da prática de atos que afrontam a moralidade pública por uma instituição que sempre foi para o cidadão o baluarte da defesa da legalidade e da ética.
Portanto, a verdadeira reforma do Judiciário deve começar pela democratização dos critérios de escolha de seus dirigentes, pela total transparência de seus atos todos públicos, e nenhum secreto como manda a Constituição. Total transparência de seus gastos, cujo orçamento deve ser elaborado com a participação de magistrados de todas as instâncias e cidadãos especialistas em finanças públicas.
Desse modo o poder que nos foi outorgado pelo povo será verdadeiramente um poder a serviço do povo.
Siro Darlan, além de desembargador, é membro da Associação Juízes para a Democracia e do Instituto dos Advogados do Brasil.
23:36 - 31/05/2010
Depois de 148 dias... ...chega o 1º dia livre de impostos
Impostos
Depois de 148 dias... ...chega o 1º dia livre de impostos
Livro demonstra que os brasileiros não toleram mais pagar tributos europeus e receber serviços públicos africanos. Falta um candidato que expresse o desejo do eleitor
Giuliano Guandalini
De cada 1 000 reais que um brasileiro recebe de salário, 400 são consumidos pelos impostos. Esse valor não diz respeito apenas aos tributos cobrados diretamente e subtraídos mensalmente do contracheque. Os impostos estão presentes em todo e qualquer produto consumido. Existem 83 tributos, taxas e contribuições no país, que consomem em média 40% da remuneração que obtemos com o nosso esforço. De 1º de janeiro de 2010 até a sexta-feira passada, 28 de maio, cada brasileiro trabalhou para sustentar o governo em suas três esferas, municipal, estadual e federal. Foram 148 dias de suor recolhidos aos cofres do estado. Em troca de que mesmo? Deveria ser em troca de educação, saúde e segurança. Não é, pois a mesma família que só se livrou das garras do Leão na última sexta-feira vai ter agora de recomeçar a trabalhar para pagar por... educação, saúde e segurança. Uma família de classe média gasta no Brasil um terço de sua renda para pagar escola particular, plano de saúde privado e outros serviços que deveriam ser sustentados pelos impostos. No total, 75% do salário do brasileiro é empenhado em impostos e serviços que os impostos deveriam cobrir.
O economista Antonio Delfim Netto produziu a imagem definitiva para exprimir a tortura a que a população foi condenada, ao chamar o Brasil de "Ingana": uma nação com carga tributária da Inglaterra e serviços públicos dignos de Gana. Uma conclusão similar emerge da leitura de O Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo (Record; 196 páginas; 32,90 reais), do cientista político Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise. O livro resultou da pesquisa sobre a opinião dos brasileiros a respeito dos impostos e da avaliação que fazem do governo no uso dos recursos, realizada a partir de entrevistas com 1 000 pessoas de todo o país. Almeida, autor também de A Cabeça do Brasileiro e A Cabeça do Eleitor, toca em uma ferida exposta e da qual os políticos não querem nem ouvir falar. Os brasileiros, independentemente de classe social e nível de renda, sabem que pagam impostos demais e gostariam que os governantes fizessem melhor uso dos recursos existentes. Poucos estão dispostos a ser tributados ainda mais sob a promessa de ampliação de benefícios sociais, como o Bolsa Família ou o Vale-Cultura. Acima de tudo, a maioria absoluta dos entrevistados está convicta de que, se tivesse a chance, preferiria pagar menos tributos para ter mais dinheiro no bolso e gastar com escola particular ou saúde privada.
Como resolver o problema da saúde pública, criando mais impostos ou utilizando melhor os recursos já existentes? Oito em cada dez brasileiros ficaram com a segunda opção. O que é melhor, expandir o Bolsa Família ou diminuir a tributação dos alimentos, para que eles fiquem mais baratos? Mais de 80% dos entrevistados optaram pela segunda alternativa. Mesmo os beneficiados pelo Bolsa Família preferem pagar menos impostos a ampliar o programa assistencial. Quando questionados se consideram que seja necessário elevar o salário mínimo, 93% dos brasileiros afirmam que sim. Mas e se esse aumento for condicionado ao pagamento de impostos? O apoio cai para 56%. Os entrevistados não titubeiam: preferem pagar 100 reais por mês pela mensalidade de um plano de saúde a despender a mesma quantia em contribuições que custeiem o sistema público. Para estimular o emprego, qual a alternativa mais eficaz: diminuir os encargos trabalhistas ou reduzir a taxa de juros? A grande maioria dos entrevistados (68%) indica a primeira opção. Nisso, a propósito, a população concorda com os empresários. Uma pesquisa feita pelo Ibope sob encomenda da Fiesp, a federação das indústrias de São Paulo, mostrou que 65% das empresas citam o sistema tributário como a maior trava ao aumento dos investimentos.
A cada resposta que dão à pesquisa do Instituto Análise, os brasileiros, inconscientemente, ecoam uma das principais máximas do economista liberal americano Milton Friedman (1912-2006), para quem "as pessoas sabem gastar o seu dinheiro melhor que qualquer governo". Essa frase, essência do pensamento de Friedman, resume a opinião demonstrada pelos brasileiros no livro de Almeida. A população quer ter liberdade para escolher. Os eleitores, no entanto, não dispõem hoje da possibilidade de escolher um candidato que os defenda nesse assunto. Nenhum dos principais partidos do país tem a redução dos impostos como uma de suas plataformas eleitorais. É bem diferente do que se vê nos países desenvolvidos, sobretudo nos Estados Unidos, onde os tributos são um tema que não pode ficar de fora em qualquer campanha eleitoral. Os políticos brasileiros fogem do assunto e, quando instados a comentá-lo, refugiam-se em respostas vagas.
Isso ficou evidente na terça-feira passada, em sabatina com os três principais pré-candidatos à Presidência, promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. Apesar de todos terem concordado que a carga tributária brasileira ultrapassa os limites toleráveis, nenhum deles exibiu planos para aliviar significativamente esse peso. O único que ofereceu uma proposta concreta, mas bem restrita, foi o tucano José Serra, que se comprometeu, caso eleito, a reduzir os impostos do setor de saneamento básico. Dilma Rousseff, sem dar detalhes, defendeu uma carga menor para os investimentos. Marina Silva se comprometeu em buscar a reforma tributária, mas ressalvando que seria difícil tirar esse projeto do papel. Os projetos para estimular o desenvolvimento, de maneira geral, concentram-se em políticas estatais, que implicam invariavelmente uma ampliação dos gastos públicos – e, portanto, mais impostos.
Para Almeida, que trabalha como consultor político, é difícil compreender como os candidatos passam por cima do quase clamor dos eleitores por menos impostos. Por que nenhum candidato tira proveito de uma causa tão popular, que poderia render milhares de votos? O autor arrisca algumas explicações. Em primeiro lugar, os principais partidos pendem para a esquerda, e a redução de impostos é uma bandeira tradicionalmente de direita. Para os esquerdistas, o estado, por meio dos tributos, deve ser o promotor do desenvolvimento e da justiça social. Além disso, os políticos brasileiros, não obstante sua corrente ideológica, "encontram-se na fila do caixa do Tesouro". "Todos querem controlar mais recursos públicos", explica Almeida. Finalmente, os políticos fogem da cruz quando o tema é diminuir a tributação porque, se acenarem com essa proposta, precisarão reduzir gastos e rever privilégios. Afirma Almeida: "Todos mandam a conta final para a sociedade. Não precisam de fato ser eficientes. Para cada gasto adicional, aumente-se uma tarifa ali ou uma alíquota acolá e está tudo resolvido".
Aí está a verdade inconveniente que político nenhum gostaria de ver exposta à luz do sol. É o real dedo na ferida. Como demonstra o livro de Almeida, no entanto, a redução dos impostos é uma plataforma eleitoral pronta, que cedo ou tarde será capitalizada politicamente por algum candidato. "Existe o script, mas falta o ator", diz o cientista político. Ainda há tempo para que isso ocorra na próxima eleição. A vontade dos eleitores, de se verem livres de ao menos parte dos 148 dias no ano de servidão ao governo, já foi expressa.
Direto do Arizona - EUA
Direto do Arizona - EUA
Alessandra Correa | BBC Brasil 01:57, segunda-feira, 31 maio 2010
Cheguei a Phoenix na última sexta-feira, com a missão de acompanhar as manifestações contra e a favor da nova lei de imigração do Arizona e tentar entender como essa medida, que ainda nem entrou em vigor, está afetando a vida no Estado. No voo de cinco horas que me levou de Washington até a capital do Arizona estava também o senador republicano John McCain, candidato à Presidência derrotado por Barack Obama. Ele vinha sentado a poucas poltronas de distância, na classe econômica, e desde antes do embarque foi bastante assediado pelos outros passageiros, posou para várias fotos e distribuiu apertos de mão a possíveis eleitores.
No sábado, McCain passou o dia na cidade de Tucson, longe dos protestos na capital, mas o republicano não vai conseguir fugir da polêmica em torno do tema da imigração em seu Estado, especialmente no momento em que tenta manter sua vaga no Senado, disputando as primárias do partido com John David Hayworth, que se apresenta como um "verdadeiro conservador".
No sábado, McCain passou o dia na cidade de Tucson, longe dos protestos na capital, mas o republicano não vai conseguir fugir da polêmica em torno do tema da imigração em seu Estado, especialmente no momento em que tenta manter sua vaga no Senado, disputando as primárias do partido com John David Hayworth, que se apresenta como um "verdadeiro conservador".
O tema da imigração tem dominado o Arizona desde o final de abril, quando a governadora Jan Brewer assinou a lei que torna crime estadual a presença de imigrantes ilegais e permite que a polícia pare, interrogue e exija documentos de pessoas consideradas "suspeitas". A lei só entra em vigor em 29 de julho, mas já provocou diversos protestos e boicotes contra o Arizona e costuma despertar reações apaixonadas tanto de críticos quanto de defensores. O impacto também parece se fazer sentir bem além da comunidade hispânica que, segundo os críticos que consideram a lei discriminatória, seria a mais afetada.
O taxista que me levou do aeroporto ao hotel nasceu na Etiópia e vive legalmente nos Estados Unidos há mais de 20 anos. Pensei que ele não teria motivos para se preocupar com a lei, mas ele me disse que sua vida mudou no último mês por causa da medida. Como trabalha com o transporte de hóspedes dos hotéis da cidade, viu seu salário cair drasticamente com a redução do número de turistas e empresários em Phoenix, por conta dos boicotes que pelo menos dez cidades americanas já lançaram contra o Arizona desde o anúncio da nova lei. Ele calcula que pelo menos 45 eventos nos quais trabalharia como motorista foram cancelados desde o fim de abril.
À noite, fui a um jantar que reuniu um grupo de brasileiros. Todos vivem no Arizona há décadas, legalmente, e não se enquadram no grupo de imigrantes que poderiam temer a nova lei. O assunto, porém, girou em torno da medida. "É um tema delicado", me disse uma brasileira que mora há mais de 25 anos no Arizona. "Estou aqui legalmente, mas também sou imigrante, por isso me identifico e me solidarizo com eles (os ilegais)." Seu marido, americano, discordou. "Não temos nada contra os imigrantes, desde que cumpram a lei. Somos contra os que estão violando a lei para ficar aqui", disse, ecoando um argumento que ouvi de muitos defensores da nova legislação.
Esta e outras várias conversas que tive com imigrantes legais e ilegais, com americanos e hispânicos, com defensores e críticos da lei, me deixaram a certeza de que este é um tema complexo demais para ser esgotado em uma visita de alguns dias ao Estado e que a polêmica em torno do assunto só tende a aumentar.
Amantes de padres católicos pedem o fim do celibato
Amantes de padres católicos pedem o fim do celibato
Portal Terra
Papa reafirmou recentemente que celibato é 'sagrado'
ROMA - Representantes de um grupo de mulheres que dizem ter relações sentimentais com sacerdotes católicos divulgaram uma carta aberta que enviaram ao Vaticano para pedir o fim do celibato para os padres.
O grupo é formado por cerca de 40 mulheres de várias cidades da Itália, que tiveram ou ainda têm um relacionamento com padres católicos. Elas se conheceram e se comunicam através da internet.
Recentemente, 10 mulheres deste grupo escreveram uma carta aberta ao papa, pedindo que o celibato seja eliminado ou se torne opcional.
"Estamos acostumadas a viver de forma anônima os poucos momentos que os padres nos concedem e vivemos diariamente o medo e as inseguranças dos nossos homens, suprindo suas carências afetivas e sofrendo as consequências da obrigação do celibato", diz o texto da carta, que foi enviada a 150 órgãos de imprensa italianos.
A carta foi assinada apenas por três mulheres: Antonella Carisio, Maria Grazia Filipucci e Stefania Salomone. As outras preferiram permanecer no anonimato.
“Todos têm medo porque estamos perto do Vaticano. As mulheres, os padres e as pessoas que sabem dos casos preferem não falar. Por causa disso é difícil que na Itália exista uma verdadeira associação, como existe na França, na Suíça ou na Espanha”, disse Stefania Salomone a BBC Brasil
Embora exista desde 2007, o grupo só ficou conhecido recentemente, devido ao escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres católicos.
O celibato foi apontado como uma das possíveis causas dos abusos e a ala progressista da Igreja Católica defende sua abolição. O papa Bento 16, no entanto, reafirmou que o celibato é obrigatório e que seu valor é “sagrado”.
“Quando ouvimos mais uma vez o papa declarar que o celibato é sagrado, decidimos escrever pedindo que ele seja eliminado ou que se torne opcional”, disse Stefania, 42 anos, de Roma.
Ela disse que teve um relacionamento de 5 anos com um sacerdote.
Casos como o seu são comuns, segundo ela, embora não sejam divulgados.
“A coisa fundamental é que não se saiba. O superior do religioso não tem interesse de impedir que o padre se encontre com uma mulher ou mesmo com um homem. O problema surge quando isto se torna público, ou quando desta relação nasce um filho. No grupo temos mulheres com filhos de padres.”
Transferência
Quando os casos são descobertos, segundo ela, os clérigos são transferidos para outras dioceses, como ocorreu com um padre brasileiro que teria se envolvido com outra mulher do grupo.
Antonella Carisio, de 42 anos, divorciada, com um filho de 15 anos, diz que teve uma relação de quase dois anos com o sacerdote brasileiro.
O religioso foi transferido para o Brasil, depois que o caso foi descoberto.
“Tenho certeza que ele quis voltar ao Brasil para colocar um fim no nosso relacionamento, que foi muito intenso.”, declarou Antonella à BBC Brasil.
“Todos na minha família o conheciam, até minha avó, e eram cordiais com ele. Chegamos a sair diversas vezes com meu filho, que eu não teria envolvido se não fosse um relacionamento sério”, afirmou Antonella.
A família do sacerdote no Brasil contudo, não sabia de nada. “Seria um choque para sua mãe, familiares e amigos” , diz a italiana.
“Eu estava disposta a ficar a seu lado do mesmo jeito, nunca impus que deixasse o sacerdócio. Seria difícil para ele, que entrou no seminário aos 12 anos de idade e viveu 30 anos nesta condição. Eu teria aceito ficar na sombra”.
Na avaliação de Antonella, os sacerdotes não têm o apoio necessário para enfrentar os problemas ligados à sexualidade e aos sentimentos.
“Nos seminários ensinam apenas a excluir os sentimentos da própria vida e a criar uma parede entre si e os outros. Como podem entender certas situações que nunca viveram?”
De acordo com Stefania Salomone, dificilmente um padre envolvido com uma mulher deixa o sacerdócio.
“A maior parte não abandona o sacerdócio por uma mulher. Preferem ter as duas coisas pois não suportam deixar de ser ministros sagrados para entrar na rotina de um casamento”.
O grupo tem o apoio de outros movimentos católicos que defendem o fim do celibato, como a associação de padres casados e o movimento internacional “Nós somos Igreja” .
Um estudo publicado pela revista Civiltà Cattolica, da Ordem dos Jesuitas, aponta que em 40 anos, de 1964 a 2004, 69 mil padres deixaram o sacerdócio no mundo. A maior parte dos pedidos de dispensa, segundo o estudo, deve-se a situações de instabilidade afetiva.
11:29 - 01/06/2010
Ataque Israelense - Protestos
Manifestantes de origem palestina protestam em Sidney, Austrália, contra o ataque israelense.
Japoneses protestam, em Tóquio, contra o ataque ao comboio humanitário por tropas israelenses e pedem o fim do bloqueio a Gaza
Brasileira diz que tropas israelenses já chegaram atirando
Brasileira diz que tropas israelenses já chegaram atirando
JB Online
RIO - Em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo - http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/, a ativista e cineasta brasileira Iara Lee, que estava em um dos barcos de ajuda humanitária atacados por tropas israelenses, revelou que os soldados já chegaram atirando. Ela disse que os ativistas esperavam alguma confrontação com as tropas de Israel que queriam impedir a chegada da ajuda humanitária a Gaza, mas não quando ainda estavam em águas internacionais.
- Foi uma coisa surpreendente porque foi no meio da noite, na escuridão, em águas internacionais, porque a gente sabia que ia haver uma confrontação, mas não nas águas internacionais - explicou.
- A primeira tática deles foi cortar todas as nossas comunicações por satélite, aí eles atacaram - contou.
Iara afirmou ainda que os soldados israelenses disseram que os ativistas eram terroristas. Iara está presa na cadeia da cidade de Beersheva, no sul de Israel, a 80 km de Jerusalém. Ela não foi ferida e recebe ajuda da Embaixada do Brasil. A cineasta não quis deixar o país voluntariamente e aguarda para ser deportada.
09:48 - 01/06/2010
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