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sábado, agosto 14, 2010
Estado de calamidade postal
Estado de calamidade postal
Nelson Motta O Globo - 13/08/2010
Não sou exceção, sou mais uma das incontáveis vitimas do apagão postal e do desastre administrativo dos Correios. Mas tenho uma coluna de jornal.
Casos como o meu se multiplicam todos os dias, com incalculáveis prejuízos para quem confia nos Correios. Recebi no dia 10/8, em Ipanema, um boleto bancário postado no dia 3/8, no Centro da cidade.
O envelope levou uma semana, entre dois bairros do Rio de Janeiro.
Se viesse a pé teria chegado em duas horas. Os Correios dizem que faltam aviões.
Mas a questão é: quem vai me reembolsar os 10% de multa que fui obrigado a pagar por culpa dos Correios? E a vergonha que passei? Quem paga os prejuizos econômicos e morais dos pagadores pontuais que passam por inadimplentes? Quem se responsabiliza pelo tempo que se perde e o dinheiro que se gasta com atrasos e documentos extraviados? À enxurrada de reclamações nos jornais, respondem sempre que os Correios têm não sei quantos anos de serviços prestados, padrão internacional de atendimento, estamos nos esforçando para... Mas nada mudou. Só trocaram o presidente, para engabelar a opinião pública em ano eleitoral. Mas vocês viram a cara do novo chefão dos Correios? Ninguém confiaria uma carta para aquele homem entregar. O apagão postal faz milhares de pessoas honestas e pontuais perderem prazos, pagarem juros injustos e multas indevidas.
Se os Correios não são mais confiáveis, não temos opção. O ex-ministro Hélio Costa logo diz que é lobby pela privatização. Mas é o responsável pelas nomeações que fizeram dos Correios o que hoje são.
Aparelhar órgãos públicos e estatais, fazer politicagem com cargos, tem um alto custo para os funcionários e os usuários tanto em corrupção como no apodrecimento administrativo. As provas vivas são os atuais Correios e as históricas imagens de Maurício Marinho pegando dinheiro, que levaram à CPI do mensalão.
Assim como carimbam a data da postagem no envelope, os Correios deveriam ser obrigados pelo Procon a carimbar a data da entrega. E assumir as responsabilidades legais pelos prejuízos.
quinta-feira, maio 13, 2010
CORREIOS EM CRISE
CORREIOS EM CRISE
EDITORIAL - JORNAL DO COMMERCIO (PE) - 13/5/2010
Serviço digno do respeito de gerações de brasileiros, os Correios têm experimentado seguidos golpes na credibilidade junto à população. O processo de deterioração da imagem da instituição teve um de seus marcos no escândalo de distribuição de propina que culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no Congresso. O desdobramento da CPI revelou o esquema do mensalão do PT, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson em maio de 2005. De lá para cá, outras suspeitas de corrupção e seguidas paralisações, devido a movimentos grevistas, contribuíram para solapar o patrimônio de confiança acumulado pelos Correios desde a sua fundação, em 1852.
O atraso de documentos e boletos de pagamento é o principal alvo das reclamações. O reflexo da crise prolongada nos Correios pode ser visto com clareza em municípios como Caruaru, onde 35 carteiros realizam a entrega da correspondência para um contingente de 300 mil habitantes. O resultado é que há um atraso de até dez dias para que as pessoas recebam suas cartas, provocando revolta nos caruaruenses, pelo pagamento de juros e multas devido ao não pagamento de contas que chegam fora do prazo. Não por acaso, entre 2008 e 2009, as indenizações por extravios de documentos e encomendas cresceram 21% no País. Na entrega diferenciada - e mais cara - do Sedex, o prazo prometido de 24 horas entre capitais, não raro, tem se estendido por quase duas semanas.
Confirmando o alcance nacional da situação, a direção regional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) reconhece as dificuldades, não somente em Pernambuco, mas em todo o Brasil. Os problemas seriam decorrência da indisponibilidade de aviões para o transporte aéreo noturno, que estaria ocasionando uma situação extraordinária responsável por casos como o de Caruaru. O presidente da ECT, Carlos Henrique Custódio, já revelou a intenção de montar uma empresa aérea, em parceria com agentes privados. No entanto, como explicar a insuficiência de mão de obra? A categoria dos carteiros, que muitas vezes sofre na pele o transtorno de ser apontada como vilã, diz que são necessários pelo menos 60 profissionais para dar conta do trabalho em uma cidade do porte de Caruaru.
A crise de imagem parece ser apenas a ponta do iceberg de um problema de maior amplitude, que afeta a qualidade dos serviços prestados por uma instituição que responde por uma atividade essencial para qualquer nação. Em documento de circulação interna com trechos divulgados pela imprensa, em abril, o diretor de Operações dos Correios, Marco Antonio de Oliveira, escreveu que se atravessa um período de mal generalizado, com a frota sucateada, sistemas de processamento desatualizados e problemas de indisciplina. Em sintonia com esse dado, a quantidade de correspondências sofreu uma queda de 1 bilhão nos últimos cinco anos, o que equivale a R$ 700 milhões anuais a menos na receita.
A pontualidade, a responsabilidade e o zelo pelas correspondências podem ter sido vítimas do aparelhamento da máquina pública, fenômeno já tratado neste espaço e pela maioria dos órgãos de comunicação. O loteamento de cargos que valeu denúncias de corrupção, configura nos Correios exemplar indício contra a prática do aparelhamento. A questão agora é saber até quando a falta de profissionalismo vai imperar na instituição, em nome de acomodações partidárias, afundando ainda mais a estatal.
O monopólio da movimentação postal para cartas e boletos bancários, garantido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado, não dá aos Correios o direito de manter um serviço de má qualidade, que continua melancolicamente em declínio. Pelo contrário, é dever da instituição, como empresa pública, investir na constante melhoria dos serviços prestados ao cidadão. O preço pago pela sociedade é duplamente alto, desta forma, em virtude de entregas que não disponham de alternativas para distribuição. Ficamos reféns da ingerência política e administrativa que penaliza uma das organizações mais tradicionais do serviço público brasileiro.
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