terça-feira, agosto 10, 2010

Alecrim

A bajulação corrompe

A bajulação corrompe

Rodrigo Constantino - O Globo - 10/08/2010
A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose; os admiradores corrompem. (Nelson Rodrigues)
Os principais observadores da natureza humana sempre tiveram receio do estrago que a vaidade excessiva pode causar. Gostamos de elogios, enquanto criamos mecanismos de defesa contra as críticas. O autoengano pode ser uma estratégia útil para a sobrevivência, como diz Eduardo Giannetti em seu livro sobre o tema: O enganador autoenganado, convencido sinceramente do seu próprio engano, é uma máquina de enganar mais habilidosa e competente em sua arte do que o enganador frio e calculista. O enganador embarca em suas próprias mentiras, e passa a acreditar nelas com veemência. Fica mais fácil convencer os demais assim.
Justamente por isso a adulação popular ajuda a criar monstros perigosos.
As piores tiranias foram aquelas com amplo apoio do povo, como Hitler e Mussolini atestam. Aqueles que passam a se cercar somente de bajuladores, enquanto concentram poder e conquistam as massas, acabam blindados contra todo tipo de crítica. Os conselheiros mais sábios ficam impotentes diante da reverência das massas e fazem alertas em vão. De tanto escutar que é uma espécie de messias salvador, o demagogo pode acabar acreditando. Aí reside o maior risco para a sociedade.
Em Teoria dos sentimentos morais, Adam Smith alertou que nas cortes de príncipes, onde sucesso e privilégios dependem não da estima de inteligentes e bem informados, mas do favor de superiores presunçosos e arrogantes, a adulação e a falsidade prevalecem sobre mérito e habilidades. Em tais círculos sociais, conclui ele, as habilidades em agradar são mais consideradas do que as habilidades em servir.
Quando o mais importante é agradar o poderoso governante, a primeira coisa a ser sacrificada será a sinceridade.

Infelizmente, esta é a realidade brasileira. A popularidade do presidente Lula está nas alturas. Boa parte da imprensa com honrosas exceções parece filtrar todas as notícias através de uma lente benigna em prol dele, os intelectuais o tratam com incrível condescendência, e até mesmo um filme foi feito para o filho do Brasil. Há uma espécie de salvo-conduto que lhe permite abusar das contradições e arroubos demagógicos.
O presidente adquiriu uma imunidade que nenhum cidadão teria em seu lugar. Qualquer outro seria julgado de forma severa por aquilo que o presidente Lula diz sorrindo. Um efeito Teflon protege o presidente, já que nenhuma sujeira gruda em sua pessoa.
O problema é que essa bajulação ajuda a despertar a megalomania do presidente, alimentando sua vaidade de forma incrível. O poder corrompe, e o excesso de poder concentrado em alguém vaidoso e sem escrúpulos corrompe ainda mais. Nunca antes na história deste país um presidente contou com tanta indulgência dos críticos.

Lula está perdoado por qualquer pecado antes mesmo de ele ocorrer.
Ele pode se aliar aos mais antigos caciques da política nacional, beijar a mão deles, e tudo é perdoado pelo povo. Ele pode aderir às piores práticas políticas, passar a mão na cabeça dos réus de formação de quadrilha do seu partido, que poucos terão coragem de subir o tom das críticas. Ele pode abraçar os piores ditadores, chamá-los de camaradas, que poucos ousarão atacá-lo com firmeza. Quando se trata do presidente Lula, então tudo faz parte do jogo democrático. Até Jesus Cristo teria que se aliar a Judas para governar o Brasil, não é mesmo? O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica, disse Norman Vincent. Quando um povo perde sua capacidade de indignação, o caminho da servidão está aberto. A postura mais crítica é fundamental para se evitar abusos do poder.
Quando as pessoas se deixam levar pelas emoções ou pelo bolso, a decadência moral da sociedade está iminente.

Se os brasileiros desejam construir uma nação mais próspera, justa e livre, então se faz necessário respeitar princípios éticos básicos. O país precisa de um governo de leis isonômicas, incompatível com a carta branca concedida aos governantes carismáticos. A má conduta deve ser punida, independentemente de seu autor. Ninguém está acima da lei, e os fins não justificam os meios. O cinismo não é uma virtude. A ética não pode ser jogada no lixo, em troca de migalhas.
Precisamos resgatar certos valores que parecem cada vez mais abandonados, antes que seja tarde demais. Devemos enaltecer o espírito crítico. Quem tem boca vai a Roma e Brasília também.

Bessinha

Você sabe como funciona o governo?

Você sabe como funciona o governo?

Fernando Abrucio – Revista Época
O que mais se ouve de políticos em eleições são promessas, enquanto eleitores e mídia alimentam o jogo com demandas por mais e melhores políticas públicas. Esse processo saudável faz parte da lógica democrática, mas pode produzir desencontros entre os cidadãos e seus representantes caso não fiquem claras quais são as reais possibilidades de os governos realizarem suas ações. Por isso, as eleições seriam mais efetivas se todos conhecessem bem o funcionamento da administração.
Mas não é tão fácil conhecer os meandros dos governos. Primeiro, porque a maioria não tem tempo para se informar e adquirir conhecimento sobre todas as partes que compõem a administração pública. Segundo, pela dificuldade óbvia de explicar assunto tão complexo para grupos menos escolarizados. E terceiro, pela profusão de especialidades que se transforma em obstáculo para quem quer ter uma visão mais sistêmica do Estado. São economistas, cientistas políticos e administradores que muitas vezes apresentam diagnósticos díspares sobre os problemas e dialogam pouco entre si.
Diante disso, veio em boa hora o livro Administração pública (Elsevier Editora), escrito por Cláudia Costin, atual secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro. A autora tem larga experiência nas três esferas de governo, além de boa formação acadêmica. Acima de tudo, ela consegue ter uma visão sistêmica sobre o governo, algo raro. O objetivo de Cláudia era produzir uma obra introdutória para universitários. Sem dúvida, esse intento foi alcançado. Porém, creio que o livro pode ser útil a um número bem maior de pessoas, especialmente num momento de eleições.
O senso comum diz que o maior problema da política brasileira está na corrupção. É uma visão equivocada. Muito mais do que a roubalheira, o que mais aflige nosso sistema político é o amadorismo e o despreparo de boa parte dos eleitos. O resultado é a ineficiência, que também favorece os corruptos e espertalhões, muitos deles localizados no “outro lado do balcão”: nas empresas, nos sindicatos e nas associações civis.
Não é fácil conhecer os meandros da administração. Mas o voto melhora quanto mais informado for o eleitor
O pouco conhecimento dos políticos acerca de administração é tanto maior no Poder Legislativo e nos níveis subnacionais, particularmente nos lugares menos desenvolvidos. Uma forma de combater esse mal seria os partidos darem cursos a todos os seus candidatos e filiados sobre políticas públicas. O livro de Cláudia seria um ótimo manual.
Tão importante quanto o aperfeiçoamento dos políticos é a pedagogia eleitoral dos cidadãos. Parto da premissa que a realização de eleições regulares, livres e competitivas, como tem ocorrido no Brasil, já é uma forma de instrução cidadã. Daí concluo que os eleitores hoje são melhores do que no passado. Contudo, o voto será sempre mais efetivo quanto mais informado for o eleitor. E o que mais falta ser conhecido pela sociedade é o funcionamento efetivo da administração, inclusive para abandonar a postura meramente demandante em prol da pressão qualificada por mudanças nas políticas públicas. O livro de Cláudia pode ser um bom começo para os eleitores conhecerem melhor os limites e as possibilidades dos governos.
Depois da leitura, eleitores poderiam juntar os colegas de trabalho, do clube, do lazer de fim de semana ou da igreja para discutir como transformar suas demandas e seus anseios em formas efetivas de atuação. Não que o livro tenha todas as soluções ou que seja livre de controvérsias. Tanto melhor: suas insuficiências e polêmicas podem incentivar o debate, que é sempre a melhor forma de amadurecer politicamente.
Talvez seja ainda difícil para os eleitores com menos escolaridade entenderem alguns pontos da publicação. Eis aí um desafio para a autora continuar contribuindo para a cidadania brasileira: fazer com que a administração pública se torne compreensível para todos os brasileiros. Espero que outros se juntem a ela nessa empreitada. Ela parece especialmente urgente quando assistimos ao baixo nível do debate da atual eleição.
FERNANDO ABRUCIO é doutor em Ciência Política pela USP, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP) e escreve quinzenalmente em ÉPOCA

Eder, para o Comércio Araraquara

Onde está a direita?

Onde está a direita?
MARCO ANTONIO VILLA

O panorama da eleição presidencial chama a atenção.
Não há nenhum candidato identificado com a direita, da mais conservadora até a liberal. E não é de hoje. Desde a eleição de 1994, a direita abandonou o campo de jogo. Uma das explicações pode ter sido o trauma representado pelo governo Collor. Em vez de apostar em um aventureiro, optou, desde então, por apoiar o candidato que tivesse mais chances de vencer. Puro utilitarismo eleitoral. Mas que acaba prejudicando o processo democrático, pois obriga os partidos mais fortes nas eleições presidenciais (PSDB e PT) a darem uma guinada à direita.
E por uma razão óbvia: há um eleitorado conservador, que pode decidir uma eleição.
Uma candidatura no campo da direita teria de buscar apoio político.
Mas onde? O capital financeiro está muito satisfeito com o governo Lula.
A nefasta combinação de altas taxas de juros com um câmbio supervalorizado transformou o capital financeiro em uma espécie de quarto poder da República. Compõe com qualquer governo, desde que mantenha seus privilégios, assim como a burguesia lulista, aquela do capital alheio, que cresce graças aos generosos créditos do BNDES. Apoiando Lula obtiveram a tão almejada paz social.
Nunca na história deste país, desde o restabelecimento da democracia, houve um período presidencial com tão poucas greves. O custo foi baixo. E pago pelo Tesouro Nacional.
Então, para que fazer política ideológica, discutir princípios? Este utilitarismo macunaímico, também é extensivo à política. Paulo Maluf é um bom exemplo. “Filhote da ditadura”, de acordo com Leonel Brizola, foi candidato na eleição de 1989 — ainda com base no prestígio adquirido no início da década e que o levou a disputar a Presidência contra Tancredo Neves no colégio eleitoral, em janeiro de 1985. Desde então ficou restrito à política paulista. Após o fracasso de Celso Pitta, seu afilhado político, abdicou de voos mais altos, inclusive na política regional, e transformou-se em caudatário do PT, apoiando, inicialmente, Marta Suplicy, para a prefeitura, os candidatos petistas quando do segundo turno das eleições para o governo estadual, e Lula para a Presidência. Em cerimônias oficiais chegou a ser citado elogiosamente pelo presidente da República.
O mesmo quadro se repete em diversas regiões. No Nordeste, a velha oligarquia que usufruiu das benesses do regime militar, que aderiu à Nova República e depois de 1990 foi se adaptando aos novos tempos, virou lulista de carteirinha. Eventualmente, manteve suas divergências com o petismo nos seus estados, mas no plano federal — que é o que importa para os oligarcas, pois é a fonte dos recursos que permitem manter seus privilégios locais — formou uma verdadeira tropa de choque no Congresso Nacional em defesa do governo.
José Sarney foi o precursor. Já em 2002 apoiou Lula. Pressentiu para que direção estava soprando o vento.
Se aboletou no governo, manteve o controle de áreas sensíveis aos seus interesses familiares, como o Ministério das Minas e Energia, e o governo local — e, quando perdeu, em 2006, a eleição no Maranhão, recebeu apoio discreto, mas eficaz, de Lula para retomá-lo em um golpe judicial.
O mais novo adepto — e não é acidental que também venha de um estado pobre — desta “corrente” é Fernando Collor. Defendeu enfaticamente o governo. Virou lulista.
A direita prefere ser sócia, mesmo que minoritária, do governo, do que disputar a Presidência. Seus interesses se resumem a extrair benefícios nada republicanos. Em uma linguagem mais direta: querem participar do saque organizado do Estado, controlando ministérios e secretarias como uma espécie de extensão da antiga casa-grande. Não há nenhuma ideologia. Quando muito, como fez Renan Calheiros, cita Ruy Barbosa para justificar notas frias emitidas por um açougue — o Stop Carnes — no interior miserável de Alagoas.
Contudo, no Congresso, a direita está muito bem representada, numericamente falando, claro. Raros são os parlamentares ideológicos, que professam sinceramente sua ideologia, defendem seus princípios. São vistos como ingênuos. A direita propriamente dita sabe que, sem apoio parlamentar, nenhum presidente governa.
A opção por escolher o campo parlamentar em vez de lutar pelo Executivo tem se mostrado muito eficiente.
Evita o desgaste da derrota, valoriza o apoio eleitoral e aumenta o cacife no momento da divisão do bolo do poder. E mais: não se identifica como direita. Direita virou palavrão. Eles são de centro.

J. Bosco para O Liberal

A espionagem político-sindical

A espionagem político-sindical
Editorial O Globo
Sucessão de casos sem consequências cria estado de letargia moral
Grupos do PT, desde quando eram oposição, sempre demonstraram traquejo na busca de informações sigilosas sobre adversários, para utilizá-las como munição na luta pelo poder.
Provavelmente devido à cultura forjada em duros embates travados no mundo sindical origem dessas frações , turbinada pela visão dos fins que justificam os meios, própria de certa militância esquerdista, essas falanges se especializaram em arapongagens e montagem de dossiês a serem vazados na imprensa, no Congresso, onde interessar.
Conquistado o poder nas eleições de 2002, a primeira ação de maior repercussão desses aloprados, termo cunhado por Lula, foi a desastrada operação de compra de um dossiê fajuto, no final da campanha de 2006, para alvejar o tucano José Serra, então candidato ao governo de São Paulo. Pilhado pela PF nesta manobra estava o responsável pela campanha do adversário de Serra, senador petista Aloizio Mercadante, que não se cansa de jurar inocência e apresentar como prova de sinceridade o fato de não ter sido acusado na Justiça.
No segundo mandato de Lula, aloprados petistas patrocinaram outras histórias de atuação subterrânea, ilegal.
Em sua última edição, Veja traz importante entrevista de um ex-diretor da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, Gerardo Xavier Santiago, com passagem pela função de assessor direto de Sérgio Rosa, petista que presidiu o maior fundo previdenciário do país. Dizendo-se arrependido e decepcionado com o PT, Gerardo denuncia a Previ de Sérgio Rosa como ativa usina de produção de dossiês difamatórios.
Do esquema também participa, diz ele, Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT, ex-ministro, também de longa carreira sindical no setor bancário, com origem no BB. Ele afirma, ainda, ter participado da produção de alguns desses petardos, sob encomenda do chefe Rosa. O cenário traçado pelo ex-diretor da Previ ajuda a se dimensionar o enorme perigo que garantias constitucionais e o próprio regime democrático correm, depois de todo esse tempo em que esquemas sindicais petistas atuam em áreas vitais do Estado, como a Receita Federal e no braço financeiro público (Banco do Brasil e Caixa Econômica, por exemplo), com acesso a arquivos de dados sigilosos da população protegidos por lei.
Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, é a mais recente vítima deste aparato de vigilância incrustado no Estado por meio do aparelhamento ideológico da máquina pública patrocinado na Era Lula. O sigilo fiscal de Eduardo Jorge foi ilegalmente quebrado, e, segundo ele, o de uma conta no Banco do Brasil também. Não por acaso.
O vazamento de informações do imposto de renda do tucano num bunker da campanha de Dilma Rousseff e uma carta anônima contra o ministro Guido Mantega redigida num subaparelho sindical montado no BB são elementos sólidos que apontam para a existência de um esquema paralelo de espionagem montado no governo e em estatais. Uma de suas missões primordiais: invadir a privacidade de qualquer um, como se estivéssemos num estado soviético.
(Ou estamos, neste aspecto?) Uma daninha decorrência de todos esses casos que se sucedem no governo Lula é a cristalização de uma letargia moral no país: os casos escandalizam cada vez menos, os mecanismos públicos de correção de desmandos se tornam lerdos, enquanto paira a distorcida e deplorável percepção de que um governo com alta popularidade tudo pode.

Joaquim Barbosa: "Me submeto a qualquer perícia de junta médica"

Joaquim Barbosa: "Me submeto a qualquer perícia de junta médica"
O ministro do STF diz que não pode ficar mais do que 20 minutos sentado ou em pé e afirma que está "indignado" com a repercussão na imprensa de sua licença médica
Kátia Mello – Época Online
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa encontra-se em meio a um fogaréu por conta de sua licença médica. Em abril deste ano, o ministro tirou 60 dias de licença e há um mês a prorrogou pelo mesmo período. O jornal O Estado de S.Paulo publicou reportagem em que o ministro estaria frequentando festas e bares durante seu afastamento (a repórter responsável pela reportagem foi procurada e não foi encontrada para comentar sobre a acusação). Barbosa sofre dores crônicas na região lombar desde 2008 e, em novembro do ano passado, renunciou ao cargo de ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta de sua condição física.
Em entrevista exclusiva a ÉPOCA, o ministro fala de suas dores crônicas e de sua indignação com o que está saindo na imprensa. "Tenho dores crônicas na região lombar e no quadril. Não consigo passar mais do que vinte minutos diretos sentado ou em pé", disse. ÉPOCA também entrevistou a médica do ministro, Lin Yeng, do Centro de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo, que confirmou as fortes dores de seu paciente e explicou o tratamento.
ÉPOCAComo o senhor está vendo a repercussão da sua licença médica na imprensa? Joaquim Barbosa – Indignado. É esta a palavra.

ÉPOCA – O jornal O Estado de S.Paulo publicou no sábado (7) uma reportagem em que diz que o senhor está frequentando bares em sua licença. Barbosa – A repórter Mariângela Galucci do jornal O Estado de S. Paulo invadiu ilegalmente a minha privacidade, me fotografou clandestinamente em ambiente residencial privado, me espionou no fim de semana, quando eu me encontrava com amigos e, ainda por cima, colocou dúvidas sobre o estado de minha saúde. Isso é inaceitável. Todos os repórteres que cobrem o tribunal têm o meu celular. Outros repórteres que não cobrem, com quem eu falo com frequência, também têm o meu celular. Ela fingiu que ligou para o outro lado. Ela ligou para o meu gabinete, sabendo que eu estava há três meses em tratamento em São Paulo, quando ela poderia ter falado diretamente comigo.

ÉPOCA – O senhor está ingerindo bebidas alcoólicas? Barbosa – Há dois meses não coloco uma gota de álcool na boca.

ÉPOCA – Qual é exatamente o motivo de sua licença médica? Barbosa – Eu tenho dores crônicas na região lombar e do quadril. Quando eu fico de mais de 20 minutos diretos em pé, sentado, ou caminhando, eu sinto muitas dores. O problema na lombar é mais antigo, estou há mais de três anos cuidando. Há três meses faço um novo tratamento e essa dor já melhorou cerca de 50%.

ÉPOCA – Por que o senhor renunciou do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em novembro do ano passado? Barbosa – Por causas das dores intensas. É bom lembrar que no período decorrido entre maio de 2008 e novembro de 2009, eu acumulei dois cargos: de ministro do Supremo Tribunal Federal e de ministro do TSE, o que acarretava jornadas de trabalho às vezes superiores a 14 horas, principalmente no período das eleições municipais de 2008. As dores se intensificaram a partir do primeiro semestre de 2007, antes do mensalão. Eu fiz todo o mensalão em pé. Hoje faço tratamento em uma clínica especializada em dor, dirigida pelos maiores especialistas nesta área no Brasil, a doutora Lin e o doutor Manuel Jacobsen.
ÉPOCA – Como é o tratamento? Barbosa – Por semana, faço duas sessões de agulhamento seco, que não é a mesma coisa que acupuntura. Faço também cerca de quatro tipos de fisioterapia diferentes. Eu tenho acompanhamento médico quase que diário, com especialistas médicos, como fisiatras, reumatologistas, ortopedistas e clínico geral. Além de tomar muitos medicamentos.

ÉPOCA – O presidente do STF, ministro Cezar Peluso, indicou que o senhor talvez tenha que passar por uma perícia médica, caso queria prolongar seu afastamento. Está disposto a fazer isso? Barbosa – Estou disposto a me submeter a qualquer junta médica. Aliás, o meu caso está fartamente documentado no serviço médico do STF, composto de vários médicos que têm acesso a meu dossiê.

Entrevista com a médica do ministro, Lin Yeng, do Centro de Dor do Hospital das Clínicas, em São Paulo
ÉPOCA – Qual o diagnóstico do ministro Joaquim Barbosa? Lin Yeng – Ele tem uma lombalgia e uma pequena artrite, que está sendo tratada com um tratamento multidisciplinar, com uso de remédios, inclusive para dor, e fisioterapia. Ele faz terapia na piscina, agulhamento em pontos dolorosos e um trabalho para melhorar a qualidade do músculo.

ÉPOCA – O ministro disse que tem dores crônicas, que o impedem de ficar mais de 20 minutos sentado. Por quê? Lin – Por causa da dor crônica, ele tem um desequilíbrio músculo ligamentar e uma artrite que está sendo tratada. É por isso que ele não está bem ainda. Ele está fazendo o tratamento e não é de um dia para o outro que vai conseguir condicionar seu corpo. Como ele ainda está no meio do tratamento, não tem condição de ficar por muito tempo em pé ou sentado.

ÉPOCA – Existe previsão de quanto tempo esse tratamento vai durar? Lin – Nenhum médico pode falar exatamente o tempo de tratamento, mas ele já melhorou muito. Ele foi avaliado pelo neurocirurgião Manuel Jacobsen Teixeira, do Centro de Dor do Hospital das Clínicas. E foi visto por ortopedistas, reumatologistas para fazermos um diagnóstico da dor dele. Baseado nisso, estamos fazendo um tratamento mais especializado. Ele está tomando analgésicos e levando agulhadas onde está inflamado. Não adianta liberar agora para ele voltar ao trabalho. O que estamos fazendo é um condicionamento físico para poder otimizar o corpo dele e fazer com que ele volte ao trabalho.

ÉPOCA – O ministro está consumindo bebida alcóolica? Lin – Ele até pode beber, mas não está.

Assalto aos fundos de pensão

Assalto aos fundos de pensão
Paulo Renato Souza
Os antigos revolucionários sonhavam com a “assalto ao Palácio de Inverno”, como caminho para implantar o poder proletário. O lulo-petismo, mais pragmático, focou no assalto aos fundos de pensão, cujos recursos se contam na casa de centenas de bilhões de reais. Com seus tentáculos por quase toda a economia, os fundos são a joia da coroa. Não apenas por seu poderio econômico, mas por ter permitido aos petistas montar uma máquina clandestina por dentro do Estado, subordinada inteiramente aos seus interesses. Conhecia-se pouco deste submundo, mas a revista Veja, através da entrevista de um ex-diretor da Previ, levantou o véu. O que veio a público é de estarrecer.
Segundo Gerardo Santiago, (ex-diretor e ex-assessor de Sérgio Rosa, presidente por sete anos do fundo de pensão do Banco do Brasil), “quando o PT chegou à Presidência da República, os dirigentes botaram a Previ para defender o governo, o partido, o sindicato, a CUT. Hoje, a Previ é um braço partidário, é um bunker de um grupo do PT, uma fábrica de dossiês. A Previ está a serviço de um determinado grupo muito poderoso, comandado por Ricardo Berzoini, Sérgio Rosa, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto.” De fato, são pessoas poderosíssimas, petistas históricos e de origem sindical.
Estamos falando do maior fundo de pensão do Brasil. A Previ administra um capital de 140 bilhões de reais, participa do controle de noventa das maiores empresas do país e tem um volume de ações em seu poder que representa mais de 5% de tudo o que é negociado na Bolsa de Valores de São Paulo. Dá para entender porque sindicalistas e bancários petistas querem, a todo custo, manter o controle da Previ. E fica óbvio porque até mesmo o ministro Mantega virou alvo da “fábrica de dossiês”.
O controle dos fundos de pensão por sindicalistas petistas faz parte de uma estratégia global, como deixou claro Gerardo Santiago: “O grupo do Sérgio Rosa e do Berzoini é muito forte em todos os bancos públicos e fundos de pensão. Na Previ, dos seis dirigentes, quatro são petistas e ex-dirigentes de sindicatos de bancários. No Banco do Brasil, a maioria dos diretores e vice-presidentes é da mesma linha política. A presidente da Caixa, Maria Fernanda, é da Articulação Sindical Bancária. Os presidentes do Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa) e da Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobras] também foram indicados por Berzoini e Sérgio Rosa.”
E contra quem se dedicou a “fábrica de dossiês”, instalada na Previ desde 2003? Segundo o denunciante, contra parlamentares e políticos da oposição: José Serra, deputado ACM Neto, senador Heráclito Fortes, ex-senador Jorge Bornhausen, entre outros. Sintomaticamente, a “fábrica” funcionou a pleno vapor na CPMI dos Correios quando o governo estava sendo acuado em função das denúncias sobre o “mensalão”. Chegaram ao ponto de formar uma “força-tarefa” com membros da Previ, da Petros e da Funcef para a elaboração de um relatório alternativo ao da CPMI e para colher dados contra parlamentares da oposição.
Dá para imaginar do que será capaz a “máquina clandestina” na busca de recursos financeiros para as campanhas do lulo-petismo. Se dirigentes de fundos de pensão são capazes de produzir dossiês ilegais contra a oposição e até mesmo contra membros do seu próprio governo, o que não farão com o empresário que se recusar a contribuir para campanhas eleitorais do PT? Como resistir a este enorme poder de chantagem? E qual a garantia dada ao país de que os fundos estão agindo de forma republicana ao se associarem a grupos privados que fazem parte do restrito círculo de “amigos do Rei”? Se na política fazem o que fazem, imaginem na economia...
Não se pode deixar de reconhecer um “mérito” no lulo-petismo: ele inovou na produção de dossiês contra adversários políticos. Nos regimes totalitários, esta é uma tarefa tocada por polícias políticas ou “serviços de inteligência”. Assim agiam a KGB do regime stalinista, a Stassi da Alemanha Oriental, a Gestapo de Hitler ou a polícia de Filinto Muller, durante o Estado Novo, a polícia política portuguesa da ditadura de Salazar e o SNI do regime militar.
No Brasil de hoje, o lulo-petismo é forçado a criar outros mecanismos, pois as instituições do setor de inteligência não estão totalmente sob seu controle e ainda preservam seu caráter republicano. Se é assim, só resta delegar para os sindicalistas incrustados na máquina estatal a tarefa de fazer o jogo sórdido contra os adversários do governo. E eles a cumprem com muito gosto, até para preservar os privilégios alcançados, que incluem os polpudos salários que recebem.
No caso da utilização dos Fundos de Pensão, a transgressão assume contornos ainda mais graves. Os Fundos são um patrimônio de seus associados e devem render dividendos para garantir as aposentadorias atuais e futuras. O uso dos recursos dos Fundos para finalidades políticas tem um nome apenas: é ROUBO, puro e simples dos recursos que pertencem a seus afiliados.
Fonte: http://www.paulorenatosouza.blogspot.com/

Marina Silva no Jornal Nacional - 10/08/10

Bastidores do STF, "um ninho de vaidades"

10/08/2010
Bastidores do STF, "um ninho de vaidades"
Sob o título "Data Venia, o Supremo", a revista "Piauí" do mês de agosto publica a primeira parte de reportagem do jornalista Luiz Maklouf Carvalho revelando bastidores e curiosidades do Supremo Tribunal Federal. "Picuinhas se imiscuem em decisões importantes, assessores fazem o serviço de magistrados, ministros são condenados em instâncias inferiores, um juiz furta o sapato do outro --como funciona e o que acontece no STF", anuncia a publicação.
Eis alguns casos relatados na reportagem:
1 - As idas e vindas no controvertido julgamento de ação contra os deputados federais Alceni Guerra e Fernando Giacobo, denunciados por fraude em licitação: houve mudança de voto e a Corte, que esperou o voto de Eros Grau, absolveu ambos quando já estavam beneficiados pela prescrição.
2 - A redução do poder do presidente para indicar o segundo escalão, depois que Marco Aurélio decidiu demitir todos os aposentados lotados nos gabinetes dos ministros, e a resistência dos pares para afastar um médico, considerado "imexível", pois era o "homem que examinava a próstata dos ministros".
3 - A polêmica sobre a superxposição do tribunal com a transmissão das sessões pela TV Justiça, que, segundo um professor da FGV, não torna a Corte mais transparente e "cria um palanque para que ministros se tornem celebridades, em prejuízo do debate franco entre eles". As câmeras não registraram quando Eros Grau puxou com a bengala e escondeu um dos sapatos do então presidente Gilmar Mendes.
4 - A atividade dos "capinhas", auxiliares da Corte que ocupam cargo de confiança, assim chamados porque durante as sessões usam uma capa curta; entre outras funções, cuidam e colocam as togas nos ministros e "servem para tudo", incluindo "puxar a poltrona quando as excelências vão levantar ou sentar".
5 - A troca da chefia da segurança da Corte pelo novo presidente, ministro Cezar Peluso, que mandou restingir a circulação em algumas áreas, depois que "um maluco subiu na tribuna dos advogados para ameaçar os ministros".
6 - A revelação de que o ex-ministro Antonio Palocci pagou honorários de R$ 500 mil, em cinco vezes, ao advogado José Roberto Batochio, tendo sido absolvido da acusação de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
7 - O fato de que os ministros Marco Aurélio e Celso de Mello, contrários à requisição de juízes auxiliares, nunca indicaram os seus; e que a ministra Ellen Gracie reivindicou essa "sobra", pois "queria ficar com três só para ela", pretensão recusada em sessão administrativa.
8 - O registro de que trabalham no STF 1.135 servidores concursados, 1.250 terceirizados e 176 estagiários; de que a frota da Corte tem 70 veículos, que gastam R$ 35 mil com combustível e rodam cerca de 13 mil quilômetros por mês, sendo 19 Ômegas de luxo para os onze ministros, dois veículos sempre à disposição do presidente; e de que todos os juízes dispõem de segurança, inclusive na residência, por 24 horas.
9 - A constatação de que o ministro Dias Toffoli recorre de sentença [condenado no Amapá a devolver R$ 420 mil aos cofres públicos por suposto contrato ilegal entre seu escritório e o governo daquele estado] e que o ministro aposentado Eros Grau esteve cinco anos "sub judice" como ministro do Supremo, até a reforma de sentença que considerava ilegal parte dos contratos de seu escritório de advocacia com o Metrô paulista.
10 - A afirmação do ministro aposentado Eros Grau (chamado de "Eurograu" por alguns colegas, pela frequência com que vai à França, onde é professor visitante de direito de universidades), que define o Supremo como "um ninho de vaidades e de pouca lealdade".
Fonte: UOL – Blog do Frederico Vasconcelos

Paixão, em Gazeta do Povo

Especialista critica política de Unidades de Polícia Pacificadora do Rio

Especialista critica política de Unidades de Polícia Pacificadora do Rio
 Uol Notícias
A Polícia Militar iniciou hoje (10) a ocupação de mais uma comunidade do Rio de Janeiro para a implantação do projeto de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A comunidade escolhida é o morro do Turano, a quinta comunidade da Tijuca. Alguns especialistas, no entanto, veem o projeto das UPP com ressalvas.
É o caso do coordenador do Núcleo de Estudos em Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal Fluminense (UFRJ), Michel Misse - na foto, que lembra que a maioria das unidades de polícia pacificadora está concentrada em áreas mais nobres, como a zona sul da cidade do Rio de Janeiro.
 Ele questiona se as UPP têm o objetivo de proteger os moradores das favelas ou os do “asfalto”. Ele diz, por exemplo, que as comunidades carentes deveriam receber, além da atenção dos órgãos de segurança pública, iniciativas nas áreas de educação, saúde e saneamento básico e, segundo Misse, isso não ocorre na maioria das favelas com UPP.
 O sociólogo também diz que a UPP não conseguiu nem conseguirá acabar com a venda de drogas, já que, segundo ele, enquanto houver demanda por drogas, haverá pessoas vendendo a substância ilegal. “Tem gente vendendo drogas no Santa Marta [primeira comunidade a receber a UPP, no final de 2008], só não tem mais aquele controle de território, ostensivo, armado”, afirma.
 Michel Misse também acredita que a implantação do projeto em comunidades como o Complexo do Alemão, o Complexo da Maré e o Jacarezinho, na zona norte da cidade, será muito mais complicada do que as instalações de UPP feitas até hoje.
O planejamento estratégico da Secretaria de Segurança prevê que o projeto da UPP poderá chegar a até 40 áreas nos próximos quatro anos, o que incluirá 165 comunidades (nos cálculos da secretaria), das mais de mil que hoje estão sob controle de quadrilhas armadas no Estado do Rio de Janeiro.

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