terça-feira, outubro 19, 2010

Esquinas

Saída independente

Saída independente
JANIO DE FREITAS – Folha de São Paulo
A confusão entre o que foi do PV e o que foi de Marina Silva, no desempenho do 1º turno, requer ponderações
SOB A "INDEPENDÊNCIA" decidida pelo Partido Verde no segundo turno, ficou um truque para superar a situação embaraçosa que sugeria descambar para a divisão. A independência não se perderia apenas pelo apoio a um ou outro candidato. A depender de como isso se fizesse, poderia até afirmá-la. Mas entre as eminências verdes há uma corrente seduzida pelo oportunismo, no pior sentido, e as negadas conversas com José Serra ocorreram, de fato.
Neutralidade, que afinal é a posição de equidistância adotada, era pouco como bandeira para os contrários a negociações. Sempre caberia opor-lhe argumentos de pragmatismo político, o mesmo que levara a participações no governo de Lula e em outros, até no pefelista-demista de Cesar Maia. Diante disso, a palavra e o conceito de neutralidade foram sufocados. Em seu lugar foi posta a "independência" como primeira grande atração para o "projeto Marina presidente em 2014". Ficar contra "independência" e, ainda por cima, contra o projeto, era demais para os oportunistas: melhor serem oportunistas ali mesmo.
Em habilidades e ardis, os verdes parecem prontos para o salto. Mas a confusão entre o que foi seu e o que foi de Marina Silva, em pessoa, no bom desempenho de primeiro turno, precisa passar por ponderações. Para não manter a ilusão de que circunstâncias especiais de ontem são garantias de um futuro certo e fácil.
VIDAS
Ficaram amigos quando estudantes. Ao chegar à maioridade, tomaram rumos diferentes na escolha política, um como liberal de senso humanitário, outro encaminhando-se para esquerda, e logo para o PCB em período bastante radical. Mas o fizeram, coisa incomum então e por décadas adiante, sem macular a amizade e sem perder o convívio. Assim foi desde os primeiros anos 30 do século passado. Em muitas ocasiões, sob os riscos de desafiar a repressão ditatorial, fosse a de Getúlio ou a dos militares.
Já como o caçado Toledo do comando da ALN, que fundara com Marighela, Joaquim Câmara Ferreira soube que o filho atendera a todas as exigências para ver-se admitido em cargo técnico da Cesp, a energética paulista, mas tivera o acesso barrado por ser filho de quem era. Câmara telefonou para o presidente da empresa e narrou-lhe, por certo com o jeito sereno de sempre, o ocorrido ao filho.
A sequência não tardou. Lucas Nogueira Garcez telefonou para o general Médici, no auge furioso da ditadura. Não lhe tomou o tempo: "Presidente, quero avisá-lo de que estou nomeando o filho de Joaquim Câmara Ferreira. Se houver reação, eu me demito".
O episódio, que dispensa saberem-se as providências do ditador, diante da ousadia, para evitar a demissão, foi narrado por familiares de Joaquim Câmara Ferreira à margem da cerimônia com que a Câmara Municipal de São Paulo o homenageou.
Discreto e pacato, Lucas Nogueira Garcez merece ser lembrado por mais do que os altos méritos do seu governo em São Paulo. Foi, tanto quanto amigo, um homem de caráter. Ou aquilo porque isto.
A OBRA
Se era tentativa de contribuir com algum humor para a campanha tão entediosa de que é parte, o coordenador de infraestrutura de José Serra, Sergio Kobayashi, foi um fracasso. Essa de dizer que é só coincidência ser sua irmã, Arlety Kobayashi, dona da gráfica que imprime milhões de boletins contra Dilma Rousseff, e por ela e o PT considerados insultuosos, não avançou do cinismo ordinário nem para o grau de humor de esquina.
Menos mal fizeram os padres comprometidos com a sordidez: deixaram a face à mostra.

Os dois engodos do segundo turno

Os dois engodos do segundo turno
Fernando Abrucio – Revista época
E dois significados encontrados nos dicionários. O primeiro deles diz respeito a uma isca para pescar peixes – daí a palavra engodo ser usada como uma forma enganosa de atrair alguém. Esse termo também tem outro sentido: propugnar coisas que nem quem propõe acredita. Nessas duas acepções, a palavra engodo ganhou um enorme espaço no debate do segundo turno, prejudicando a qualidade da discussão política.
Cada candidato tem seu engodo preferido. O de José Serra relaciona-se com a questão do aborto. Na verdade, o que seu grupo político fez, do final do primeiro turno para cá, foi tentar mostrar que a concorrente não comungava de uma visão, digamos, cristã sobre questões mais profundas. O aborto seria o grande exemplo disso.
É bom ressaltar: a campanha de José Serra não quer discutir seriamente a questão do aborto. Só ingênuos ou seus partidários menos críticos acreditariam nisso. Trata-se de mero oportunismo eleitoral – afinal, a última pesquisa do Ibope revelou que a questão religiosa foi essencial para a realização do segundo turno. A posição de Serra não é a ultraconservadora da TFP. Basta analisar sua gestão no Ministério da Saúde. Ela foi extremamente correta, tanto ao cumprir a legislação como ao evitar um debate estéril – e histérico – sobre um assunto complexo que não pode ser tratado de forma gratuita e leviana.
A candidatura tucana, com o grande entusiasmo e mobilização de seu vice, está usando o tema do aborto apenas como um engodo. Primeiro, alastrando uma visão com a qual Serra não comunga, mas que lhe é útil na eleição. Adiciona-se a esse fato a facilidade com que a candidata Dilma Rousseff agarrou essa isca – o outro sentido do termo. Obviamente que ela foi envolvida por boatos e uma campanha sórdida contra sua imagem. Mas também é verdade que Dilma não soube definir uma posição clara sobre o assunto. Uma campanha presidencial, em particular num segundo turno, exige uma preparação para todos os assuntos polêmicos. Neste caso, Dilma não fez a lição de casa.
Aborto e privatização entraram no debate por oportunismo eleitoral. Não estão na agenda real do Brasil
A maneira como este debate apareceu favorece as acepções mais obscurantistas desta questão, como dizer que Dilma vai “matar as criancinhas”. Talvez os tucanos não tenham percebido a caixa de Pandora que abriram. Este oportunismo eleitoral pode favorecer a ascensão de uma agenda como a dos republicanos mais conservadores dos Estados Unidos. Essa não é a cara do candidato José Serra. Sua agenda ficaria mais consistente com sua história se fosse movida pelo seguinte lema: menos moralismo e mais reformas.
E, por falar em reformas, chegamos ao segundo engodo da eleição. Desta vez, o tema em questão é o “perigo das privatizações”. Voltamos à farsa do segundo turno de 2006, e que agora pode se repetir como tragédia eleitoral. Qualquer avaliação mais objetiva dos oito anos do lulismo não encontrará nenhuma reestatização do que fora privatizado por FHC. A proposta de reestatizar a Vale, outrora defendida pelo petismo, é um grande embuste para enganar uma parte da esquerda que se move por mitos. E Dilma, como ministra, comandou um processo de concessão de estradas que aumentou a competição entre as empresas privadas e até reduziu o preço do pedágio.
Quem tem um pouco de informação sobre o período Lula não acredita na propaganda antiprivatização. Honestamente, duvido que Dilma creia nisso. Trata-se apenas de um engodo, baseado na construção de uma caricatura de inimigo que seja bem assustadora. Sim, houve gente no governo Fernando Henrique que era privatista ao extremo, como também houve pessoas na atual gestão que não acreditavam por completo na “democracia burguesa”. Mas, felizmente para o país, tais grupos foram minoritários.

Os dois candidatos contribuiriam mais para o debate público se deixassem de lado tais engodos e discutissem a agenda real que terão de enfrentar. O Brasil avançou muito nos últimos 16 anos, mas há vários temas que precisarão passar por reformas difíceis no próximo governo. E aborto e privatização não estão nessa lista.
FERNANDO ABRUCIO é doutor em Ciência Política pela USP, professor da Fundação Getúlio Vargas (SP) e escreve quinzenalmente em ÉPOCA

Principais Jornais de hoje


Breves reflexões: contra e a favor

Breves reflexões: contra e a favor
Wilson Figueiredo - JORNAL DO BRASIL (online)
Em jogo de palavras tanto se ganha quanto se perde, como ocorre em qualquer modalidade (que se preze) de apostar no acaso. O exemplo, registrado eletronicamente nesta eleição, já pode ser considerado clássico e assim passar aos anais das campanhas eleitorais e do marketing político, onde Freud se fez presente pela mão da candidata oficial Dilma Rousseff, quando quis passar de defensora a desafeta do aborto.
Com a preferência das pesquisas de opinião no primeiro turno, dona Dilma Rousseff proclamou já no segundo, escandindo as sílabas como de hábito: “eu nunca disse que sou contra o aborto, até porque sou a favor”. E, mal pronunciara a ultima palavra, se deu conta da barbeiragem e do rombo previsível no seu estoque de votos. Tratou de voltar atrás para salvar uma parte da colheita de intenções de votos: “eu nunca disse que sou a favor, até porque sou contra o aborto”. Como não há saída de emergência nesses casos, nada a explicar.
Qualquer retificação mal alcança uns dez por cento de credibilidade, contra 90 de certeza. Quanto mais se explica um engano, mais desfavorável será o efeito. Já era assim e piorou desde que Sigmund Freud se serviu dessa parte oculta do ser humano, que se chama inconsciente, e não deixa ninguém mentir com proveito. Falar a verdade a contragosto talvez seja a última oportunidade para o ser humano recorrer, mesmo por descuido, à verdade que não lhe convenha, ainda que seja a única.
O segundo turno desta sucessão presidencial, tão cheia de curvas, pode gerar uma versão científica e decifrar o que se passou com dona Dilma, suspeita de pecar ostensivamente contra Freud, ao faltar à verdade em proveito alheio. O mal que a questão do aborto fez à candidata oficial, quando ainda aproveitava sua estreia como avó, mostra que o marketing eleitoral, mesmo em português, não pode fazer pouco de Freud sem macular a sucessão. Dona Dilma corre o risco de ser apontada, quando as consequências se apresentarem no próximo ato, como emissária do espírito enganador que orienta os candidatos ao se dirigirem ao eleitor. E que o eleitor é mais do que alguém chamado, de quatro em quatro anos, para escolher o menos credenciado dentre nomes que se consideram superiores aos eleitores, a ponto de querer enganá-los o tempo todo.
Fica evidente que o conceito de melhor saiu de circulação desde que o presidente Lula fechou a História do Brasil para ficar sozinho em cena.
O presidente JK encaminhou ao eleitorado, desde o começo da campanha presidencial de 1955, o compromisso de entregar 50 anos de progresso num mandato de cinco anos, com uma relação de duas centenas de obras – grandes, médias e pequenas – começadas e concluídas no período. Sem sofismar e sem tergiversar, num único mandato, como insistiam os fundadores da República, que não deram ouvidos aos apologistas da reeleição.
Eleição presidencial não é mais tão simples como no tempo em que se entendiam, como meios de comunicação, apenas os jornais que saíam à rua pela manhã, ao meio dia e ao cair da noite. Só na década de 50 o rádio se adiantou à mobilização política, estimulou o processo eleitoral e passou a ter peso político. E, na confusão, elegia de cambulhada locutores, cantores e humoristas.
A televisão chegou mais tarde e demorou a encontrar espaço criativo próprio. Cerceada por limitações legais, em nome de uma igualdade apenas restritiva, continua confinada à responsabilidade asfixiante de informar com equidade candidatos desiguais. Só a internet iria compensar a exploração da difícil e inquietante liberdade de manter informado o público ávido de romper as fronteiras da conveniência.
Os debates ao vivo perderam em substância o que compensam com agressividade pessoal, pela qual candidatos não respondem. Não há acesso a providências legais para cobrar respeito, na falta de razões que a razão não desconhece (inclusive as clássicas figuras da difamação, da injúria e da calúnia, das quais se isentam) .Ninguém se lembrou de dizer à candidata oficial que é menos suspeito assumir a verdade do que retificar o engano cometido numa circunstância eleitoral. Pelo menos, até a eleição.
***
PS: domingo à noite, em debate com José Serra, Dilma nem se deu conta do engano, ao perder o rumo e proclamar pelo avesso que “o Brasil foi o primeiro a entrar na última crise internacional e o último a sair”, quando foi exatamente o oposto, pois entrou por último e saiu na frente.

Clériston, para a Folha de Pernambuco


Vale a pena...

Vale a pena...
Renata Lo Prete - Folha de S. Paulo - 19/10/2010
Em privado, alguns expoentes do PT questionam a orientação da campanha de Dilma Rousseff de se concentrar no ataque ao governo de José Serra em São Paulo. Argumentam que isso tende a reverberar numa faixa do eleitorado restrita aos 35% obtidos por Aloizio Mercadante, que perdeu a disputa estadual no primeiro turno para o tucano Geraldo Alckmin.
Defendida pelo QG dilmista como instrumento para desconstruir o legado de Serra, a crítica sistemática a setores como educação e segurança embute o risco de afastar Dilma definitivamente da parcela do eleitorado local que optou pelos "verdes" e até por Alckmin.
...ver de novo? A cada rodada de críticas de Dilma às gestões tucanas no Estado, Serra insistirá na tecla de que a petista "não gosta de São Paulo". Trata-se de reedição da tática usada por Alckmin contra Mercadante.
Tro-lo-ló Serra, que no debate Folha/Rede TV! tentou mais uma vez se desviar do assunto Paulo Vieira de Souza discorrendo a respeito do suposto caráter "racista" do apelido do ex-diretor da Dersa, trazia, entre os papeis acomodados sobre seu púlpito, uma folha onde se lia, em letras grandes, "Paulo Preto", e abaixo uma série de curtos tópicos de texto.
Em família Filha de Paulo Preto, a jornalista Tatiana Cremonini, que se tornou funcionária do cerimonial do Palácio dos Bandeirantes no primeiro mês do governo Serra, estava antes na prefeitura paulistana. Em 2005, quando o tucano administrava a capital, ela foi contratada para a diretoria de eventos da SPTuris.
Como um ímã Frase de Aloysio Nunes, então secretário da Casa Civil, na solenidade de entrega do prêmio "Engenheiro do Ano" a Paulo Preto, em 2009: "Não é apenas o seu preparo técnico, mas a paixão que dedica ao seu trabalho que consegue magnetizar aqueles que colaboram com você".
Oremos 1 Distribuído no final de semana passado para instrução da liturgia das missas em igrejas católicas de todo o país, o folheto "O Domingo" traz um texto que atribui a agentes do governo federal atuando na Amazônia práticas como suborno e enriquecimento ilícito.
Oremos 2 O artigo, assinado pelo teólogo João Batista Libânio, primo de Frei Betto, registra que o Brasil vive uma "fase crítica", de tomada de "decisões importantes", e que "ainda há tempo de revertê-las". A editora responsável não informa a tiragem da publicação e alega que o tema foi selecionado em razão da Campanha da Fraternidade de 2011, sobre a conservação do planeta.
Às falas "Vocês proibiram a Dilma de falar no Lula?", perguntou, em tom reprovador, o presidente de honra do PSB, Roberto Amaral, a José Eduardo Cardozo no último intervalo do debate de domingo. "Não! De jeito nenhum!", reagiu o petista.

Sem tela Até hoje fora da propaganda de televisão de Dilma, o candidato a vice, Michel Temer, encontrou João Santana no estúdio do debate Folha/Rede TV!. "E aí"?, perguntou o peemedebista, que gravou seu depoimento há mais de uma semana. "É terça, é terça", explicou o marqueteiro.
Pra quê? Entre os tucanos, há quem veja com temor a decisão de fazer Aécio Neves circular pelo país em prol da candidatura Serra. Essa ala argumenta que, se Minas pode decidir a eleição e Aécio comanda boa parte do eleitorado local, não faz sentido retirá-lo do Estado.
Tiroteio
"É um sinal dos tempos. O Nelson Rodrigues falava em 'padres de passeata'. Agora assistimos aos "bispos da panfletagem".
DO DEPUTADO FERNANDO FERRO (PT-PE), sobre os panfletos, apreendidos pela Polícia Federal em São Paulo, que pregam voto contra o PT devido à posição favorável à descriminalização do aborto assumida pelo partido.
Contraponto
Minuto de reflexão
Em recente evento de campanha, o deputado estadual Campos Machado, presidente do PTB-SP, exortou o correligionário Frank Aguiar a rezar um Pai Nosso pela recuperação da saúde do senador Romeu Tuma.
Surpreso e meio sem jeito, o cantor e vice-prefeito de São Bernardo do Campo declinou do pedido. Argumentou que preferia não se arriscar, pois conhece pelo menos "três versões" da oração.
Campos Machado não se deu por vencido:
-Então vamos fazer uma oração silenciosa...

Coração em foco

Coração em foco
MÔNICA BERGAMO - FOLHA DE SÃO PAULO - 19/10/10
Um estudo inédito do InCor com centros de pesquisa de nove países revelou que é temerário para os médicos confiarem apenas no exame que mede o nível de concentração de cálcio nas artérias do coração, conhecido como "escore de cálcio", como único indicador para afastar a hipótese de infarto quando o paciente apresentar dor torácica no pronto-socorro. A pesquisa conduzida pelo cardiologista Carlos Rochitte mostra que, em 20% dos casos de emergência, a baixa quantidade de cálcio apresentada no exame não significa que não haja obstrução nas coronárias.
CORAÇÃO EM FOCO 2 "Os dados do trabalho surpreenderam a comunidade médica pelo número apontado de pessoas com alto risco para evento cardíaco quando apresentam dor torácica, mesmo com escore de cálcio nulo ou baixo", diz Rochitte.
Nesses casos, segundo o cardiologista, o melhor é o médico decidir sua conduta baseado na avaliação clínica ou em exames mais específicos como angiotomografia de coronárias ou cateterismo.
SÓ SE FOR AGORA O prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) se reuniu na sexta-feira com o deputado Walter Feldman (PSDB-SP) e pediu que ele reassuma a Secretaria Municipal de Esportes antes do final do segundo turno. Avaliou que, como o parlamentar já terminou sua campanha - ele não conseguiu se reeleger-, nada o impede de voltar já ao cargo.
OITO BRAÇOS E a bancada de seis deputados federais eleitos com o apoio de Kassab deve aumentar. Como alguns dos futuros parlamentares tucanos são cotados para serem secretários no governo de Geraldo Alckmin (PSDB-SP) em SP, mais dois kassabistas podem herdar cadeiras no Congresso: o segundo suplente, Eleuses Paiva, e o sexto, Walter Ihoshi, ambos do DEM.
CANTADA Na Assembleia Legislativa de SP, a mesma dinâmica pode garantir uma cadeira de deputado estadual ao cantor Leandro, do KLB, primeiro suplente do DEM.
TERCEIRA IDADE O russo Mikhail Baryshnikov teve uma grata surpresa ao visitar o Masp: adorou saber que não pagaria ingresso por ter mais de 60 anos.
CÃO BIÔNICO A Secretaria Estadual da Saúde de SP vai implantar microchips em 20 mil cães para identificar aqueles infectados com leishmaniose visceral. Os animais são de dez municípios da região de Marília, onde, em 2008 e 2009, houve 96 casos e oito mortes de seres humanos pela doença. Eles serão monitorados por dois anos, com informações sobre os exames que farão no período.
PASSA FORA! Em Adamantina, um dos municípios participantes, 4.000 cães receberão também uma coleira com repelente contra os flebotomínios, insetos transmissores da leishmaniose. O acessório liberará um inseticida se o animal for picado.
NUCA À VISTA Por conta de sua personagem na microssérie inspirada em músicas de Chico Buarque, Carolina Ferraz adotou um corte de cabelo chanel na altura do queixo.
O cabeleireiro Evandro Angelo, do salão CKamura, viajou na sexta-feira para o Guarujá, no litoral paulista, onde ela grava a atração que irá ao ar em janeiro na Globo, para mudar o visual da atriz.
APRENDIZ DE CANTOR O apresentador Roberto Justus soltou a voz em show de jazz, na sexta-feira à noite, no Club A. Sua banda interpretou músicas como "My Way" e "Epitáfio". O ex-Dominó Afonso Nigro, hoje da banda V5, ficou na guitarra. Pedidos da plateia seguraram o cantor por mais de uma hora no palco.
MINEIRICES NO PALCO Os atores Débora Falabella, Rodolfo Vaz Maurício de Barros e Priscila Jorge estrearam, no sábado, no TUCA, peça adaptada de três contos de Murilo Rubião. "O Amor e Outros Estranhos Eumores", dirigida por Yara de Novaes, reúne histórias do realismo fantástico do escritor mineiro. A adaptação ao teatro dos contos "O Contabilista Pedro Inácio", "(Três Nomes Para) Godofredo" e "Bárbara" foi feita por Silvia Gomez.
CURTO-CIRCUITO
Silvio de Abreu, autor da novela "Passione", receberá do governador Alberto Goldman a Ordem do Ipiranga, na próxima segunda-feira. Será homenageado por ambientar suas tramas na cidade de SP.
O site do escritor Milton Hatoum já está no ar (www.miltonhatoum.com.br).
O designer de joias Ara Vartanian inaugura loja com peças da turmalina Paraíba, hoje, das 17h às 22h, na rua Campo Verde, nº 61.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Tiago Recchia, para Gazeta do Povo


Um jogo sem bala perdida

Um jogo sem bala perdida
Raymundo Costa - VALOR ECONÔMICO
PT teme fatos novos sobre ex-ministra às vésperas da eleição
Erenice Guerra é o fantasma que assombra o PT na reta final das eleições presidenciais. Em condições normais de pressão e temperatura, a campanha de Dilma Rousseff avalia que a candidata pode ainda perder alguns votos, o candidato do PSDB, José Serra, ganhar outros tantos, mas ela vence a eleição do dia 31 por uma diferença considerável, inquestionável. A menos que ocorra um fato novo. Este fato, imagina-se no arraial petista, tem tudo para ser de novo Erenice.
Se a diferença entre os dois candidatos cair para algo entre três ou quatro pontos, entre os dois candidatos, a expectativa do comitê de Dilma é que o PSDB lance mãos de todas as cartas de que dispuser para ganhar a eleição. Até por entender que esta é a última disputa presidencial de José Serra, muito mais pelas questões internas do PSDB que pela idade do tucano, que está com 68 anos, boa forma física e terá 72 anos em 2014. Serra, no entendimento petista, estaria jogando sua última cartada para conquistar um objetivo fixado desde a infância, segundo reza a lenda.
O PT já sabe que, se o PSDB for atrás, acha mais informações sobre a prática de tráfico de influência por Erenice e seus parentes e amigos. Seria só uma questão de tempo. O partido e o próprio governo fizeram um rastreamento. Descobriram o dedo da sucessora de Dilma na Casa Civil e de seu aldeamento familiar em mais de uma área. Especialmente no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e na Petrobras. O levantamento mais detalhado ocorreu depois das especulações segundo as quais a queda no preço das ações da Petrobras ocorreu em função de supostas novas denúncias que seriam publicadas contra Erenice.
Mas o PT sabe também que o PSDB está realmente atrás de Erenice - ou de qualquer coisa que vincule a candidata a irregularidades. Mas o alvo é mesmo Erenice e os seus. Os tucanos teriam deixado impressões digitais. Uma delas, numa investigação sobre o pagamento das despesas da festa de casamento da filha de Dilma, celebrado em abril de 2008, a qual compareceram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nove ministros de Estado e nove governadores, em Porto Alegre (RS). A investigação se destinava a apurar se empresas ou empresários com negócios com o governo federal pagaram alguma conta da festa. Nada digno de registro teria sido encontrado.
Em conversas reservadas, petistas com acesso a esse tipo de informação de campanha reconhecem que Erenice é uma "bomba ambulante", problema capaz de causar ansiedade à candidata, ao governo e ao partido como um todo até o dia 31 de outubro. Mas eles também se dizem convencidos de que nada sobre as atividades de Erenice e seu núcleo familiar surgiu do acaso. Tudo teria sido planejado com o fim de obter um resultado nas eleições. Outra digital que o PT assegura ter recolhido foram reuniões que o empresário Rubnei Quícoli teria feito com tucanos antes de acusar assessores da Casa Civil de cobrar propina pela aprovação de um projeto (a construção de uma central de energia solar no Nordeste) no BNDES.
Dilma e Erenice conheceram-se no final de 2002, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde funcionou o governo de transição do presidente Lula, após as eleições daquele ano. Erenice era assessora da bancada do PT na Câmara. No governo de transição foi ela quem "secretariou" a área de Minas e Energia Minas e Energia. Dilma era a encarregada da área. Erenice recebia as demandas, as propostas para o programa de governo e os currículos. Dilma não ficava a semana inteira em Brasília. Ia na segunda e geralmente voltava na quarta-feira para Porto Alegre. Quem ficava tocando as coisas era Erenice.
Quando virou ministra das Minas e Energia de Lula, a candidata do PT levou Erenice para cuidar do departamento jurídico do MME. Entre agosto e setembro de 2003, Dilma recebeu uma denúncia anônima contra Erenice. Dizia que ela estava arrumando emprego para o ex-marido e os filhos. Conta-se hoje, no PT, que Dilma pensou em demitir Erenice. A ex-assessora da bancada na Câmara procurou os deputados petistas, em busca de apoio para permanecer no cargo. Até presidentes de comissões falaram com Dilma.
A então ministra das Minas e Energia teria se dobrado a um argumento comum aos apoiadores da permanência de Erenice: tratava-se de uma carta anônima. Se ela começasse a demitir pessoal por conta de acusações feitas anonimamente, logo haveria uma central de cartas com denúncias sem assinatura . Um dos interlocutores desta mediação conta: "Ela (Dilma) sossegou, acabou se recompondo com a Erenice e a levou depois para a Casa Civil".
Erenice já estava na Casa Civil - e na mira da oposição por causa do dossiê sobre gastos com cartões de crédito do governo Fernando Henrique Cardoso - quando começou a chegar à bancada do PT na Câmara o "zunzunzum" de que ela fora vista, por mais de uma vez, em "más companhias". Deputados do PT viram Erenice num almoço com empresários de péssima reputação, no restaurante do Clube de Golfe de Brasília, localizado a algumas centenas de metros do CCBB, local onde funcionou o governo de transição, em 2002, e para o qual Lula transferira a sede do governo, durante as obras de reforma do Palácio do Planalto
Na reunião de avaliação do primeiro turno realizada entre Lula e os integrantes da campanha de Dilma, o presidente reclamou do "salto alto" dos integrantes do comitê da campanha de Dilma. Disse que ele percebera o risco Erenice e decidiu demitir a ministra da Casa Civil. Se fosse pela campanha, ela teria permanecido no governo. Dilma deixou Erenice ferida na estrada.
O governo agora operou para Erenice não depor antes das eleições. A Polícia Federal, como se sabe, pediu prorrogação das investigações. Definitivamente, não há como descolar Dilma de Erenice Guerra. O PT sabe disto e se pinta para a guerra. Não diz, mas não há dúvida de que também procura uma bala de prata para liquidar de vez a fatura no dia 31de outubro. Neste jogo, não há bala perdida. Já dizia um tucano - denúncia é como pênalti no futebol: errou, perdeu.
Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

Grato pelo convite

Grato pelo convite
Ancelmo Góis - O Globo - 19/10/2010
Convidados para o ato a favor de Dilma, ontem, no Teatro Casa Grande, no Rio, políticos do PSOL que defendem “apoio crítico” à petista, entre eles Chico Alencar, acharam melhor não ir.
Foi uma maneira de respeitar a opinião de outros integrantes do partido — inclusive, o ex-candidato Plínio de Arruda Sampaio — que defendem o voto nulo.
Coisa do passado Bete Mendes, a atriz e ex-deputada expulsa pelo PT em 1985, quando desobedeceu o partido e votou em Tancredo Neves para presidente no Colégio Eleitoral, não gostou de ver imagens do episódio de 25 anos atrás no programa de Serra na TV. Beth vai votar em Dilma.
No meu governo Veja como Serra e Dilma, antes mesmo da eleição, já estão criando empregos. Nesta reta final da campanha, a diária de um cabo eleitoral do PT e do PSDB em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, está variando de R$ 30 a R$ 60.
Primeira fornada Parte hoje do Rio para Hamburgo, de navio, a primeira carga de aço exportado pela CSA, a nova usina da alemã Thyssen, em Santa Cruz, no Rio. São 40 mil toneladas de aço.
No mais Se, como foi noticiado, o preço do apoio de Jader Barbalho à candidata do PT ao governo do Pará, Ana Júlia, é a nomeação para a última vaga de ministro do STF de alguém que seja contra a Lei da Ficha Limpa, não há outra saída. É melhor fechar o Brasil.
Põe na CPU canal a cabo infantil Cartoon Network exibiu a seguinte cena, sábado à tarde, no “Planet Sketch”, programa que a garotada miúda adora. Na nave, o astronauta ordena ao computador, que tem voz de mulher, para ligar o aquecimento. “Ela” diz: “É meu aniversário, só ligo se ganhar presente.”
Segue... Um outro piloto da nave, então, reage, safadinho: “Certo, já vou pôr uma chave de fenda na sua CPU.” Aí, a “computadora” ri e responde, assanhada: “Ok, aquecimento ligado.” Lá em Frei Paulo, chave de fenda na CPU é... deixa pra lá.
Bacalhau graúdo Veja como empresas brasileiras prosperam lá fora. A Zagope, braço da Andrade Gutierrez na Europa, já é a sexta maior exportadora de Portugal. Apesar da crise por lá, suas exportações cresceram 21%.
Grana alta A Batavo enviou uma carta ao Flamengo, informando que não pretende renovar o patrocínio com o clube, assinado em 2010 com validade de um ano. São R$ 25 milhões a menos no cofre do clube rubro-negro.
Caso médico Thiago de Mello, 83 anos, o grande poeta brasileiro, submeteu-se a uma cirurgia de próstata no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Passa bem e já vai para casa.
Quatro rodas O Tribunal de Justiça do Rio recebeu ontem a primeira remessa de 30 carros modelo Passat. Semana que vem, chegam mais 30. E por aí vai.
‘Vestibulinho’ Acredite. Já há 2.000 crianças inscritas para as 156 vagas de primeiro ano do ensino fundamental do Colégio Santo Agostinho da Barra, no Rio, em 2011. São 12,8 candidatos por vaga. No último “vestibulinho” na escola, foram 650 inscritos. Serão dois dias de provas, 20 e 21 de novembro.
Calma, gente Domingo, por volta de 14h30m, três madames caminhavam pela orla do Leblon, na altura do Jardim Alah, quando uma distinta senhora, que vinha no sentido oposto, agarrou uma delas pelo braço e — pááá! — lhe deu uma sonora bofetada no rosto: — Isso é para você aprender a não mexer com o marido das outras! Há testemunhas.

Newton Silva, para O Jangadeiro Online


Murro em ponta de faca

Murro em ponta de faca
Eliane Cantanhêde - FOLHA DE S. PAULO
"Se dependesse do Palocci, era porrada pura. Com essa cara de bonzinho, ele faz e a gente leva a fama".
A frase, publicada como nota na Folha de ontem, é do marqueteiro de Dilma Rousseff, João Santana. E diz muita coisa.
Primeiro, confirma a velha impressão de que, por trás do médico bonachão, Palocci esconde um ser indecifrável. Depois, mostra que a estratégia da pancadaria não foi dos experts na área, mas de políticos aflitos com as tendências das pesquisas. É aí que viceja o vale-tudo, no qual a campanha de José Serra se jogou voluptuosamente.
No debate Folha/Rede TV! de domingo à noite, Dilma esteve incisiva, não agressiva. Ou mais Santana, menos Palocci. Mas, de qualquer forma, ela optou por dois temas que não deram certo. Vai ter de rever no próximo encontro.
Um foi a privatização, que parece ter esgotado seu poder de fogo ao abater Alckmin em 2006. Além disso, Dilma se concentrou na tal Gás Brasiliana, enrolou-se, confundiu o telespectador e não chegou a nada. Um colega cochichou: "Ih! Lá se foi metade da audiência...".
O outro tema foi São Paulo, onde, simplesmente, o PSDB ganhou todas as últimas eleições. Ou seja: Dilma tentar bater na gestão paulista é como Serra tentar bater em Lula. Nos dois casos, é como "dar murro em ponta de faca".
Serra recebeu bem as cortadas e devolveu a bola, mas só o suficiente para as pesquisas darem que ele foi melhor no debate. Isso não significa, porém, que tenha sido grande desempenho, grande vitória.
Se os dois deixaram o aborto pra lá e optaram por propagandear promessas para combater as drogas, investir em treinamento de pessoal e cuidar da saúde e da educação de todos (principalmente de todas), faltou combinar o resto com o "adversário": a imprensa. Foi aí que Paulo Preto e Erenice Guerra entraram em campo, animando a partida. E a audiência bombou.

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