quarta-feira, agosto 11, 2010

Sérgio Paulo, para o Jornal Monte Roraima

O dia em que o PT vetou Ulysses Guimarães

O dia em que o PT vetou Ulysses Guimarães

JORGE BASTOS MORENO – O Globo
Antes mesmo do primeiro turno da primeira eleição direta no país, pós-ditadura, o então coordenador da campanha de Lula, Plínio de Arruda Sampaio, já conversava com os partidos de esquerda e centro-esquerda.
Elegante, extremamente elegante, Plínio começou, com a autorização de Lula, a conversar com o então presidente do PMDB, Jarbas Vasconcelos, sobre o apoio do partido e do candidato Ulysses Guimarães.
O PMDB era o maior partido, e Jarbas, portanto, era o dirigente mais assediado. Lula, além de concentrado em vencer Collor, tinha um motivo forte, mas altamente prosaico, para não querer conversar com Jarbas. Eu sabia, já tinha ouvido isso dele várias vezes, embora só quase três décadas depois é que me autorizou a publicar:
— Eu tenho vergonha até hoje do Jarbas Vasconcelos, por causa de um acidente ocorrido quando ele me visitou em casa. Eu me lembro disso como se fosse hoje. Tinha um sofazinho velho rasgado lá na minha casa. Tinha vergonha de que as pessoas fossem lá por causa do meu sofá. Botava um cobertor em cima para esconder a parte rasgada. Um dia chega lá em casa o Carlos Villares, dono da Fábrica Villares, para conversar comigo, e o sofá lá todo rasgado. Tratei logo de meter um cobertor em cima... Jarbas Vasconcelos, eu me lembro, estava sentado no sofá. Eu morava numa casinha três por três. Cada quarto tinha três por três. Eu estava lá conversando com o Jarbas, e, de repente, uma baratona deste tamanho vai passando, e o Jarbas a esmaga com o pé! (Lula conta o episódio escondendo o rosto feito menino envergonhado).
A barata era o empecilho!
Extremamente fiel e discreto, Jarbas contou apenas a Ulysses que estava sendo procurado pelo coordenador de Lula. E, assim mesmo, quase às vésperas do encerramento do horário eleitoral, por uma questão de respeito ao velho comandante. Ulysses gostou da conversa porque gostava muito de Lula. E, como último candidato a usar o último programa eleitoral, fez um discurso carregado de emoção e desabafo contra o regime militar que ajudara a derrubar, como fizera na promulgação da Constituinte, quando exibiu todo o seu "ódio à ditadura; ódio e nojo" e proclamou que "a sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram". No encerramento da campanha, Ulysses falou de Vladimir Herzog, Santos Dias da Silva e de todos os assassinados pela ditadura, mas centrou sua homenagem num estudante da Universidade de Brasília —- com voz embargada, gritou por uma geração inteira o nome de Honestino Guimarães. E, nas últimas palavras, deu a senha para o eleitor do segundo turno:
-- Não vote no arrebatado, no irresponsável.
Plínio e Jarbas comemoraram. Mas, na semana seguinte à eleição, o deputado José Genoino recusou o apoio do PMDB, dizendo que Ulysses Guimarães e seu partido representavam o que havia de pior na política brasileira.

Lula cedeu ao veto de Genoino, e Plínio pediu desculpas a Jarbas e a Ulysses.
Na campanha que finalmente o elegeu, perguntei a Lula qual era o seu maior arrependimento político:
Teria feito tudo outra vez. Só não teria cometido o erro de não ter ido conversar com Ulysses Guimarães no segundo turno de 89. Esse é um erro que assumo. Não gosto de ficar dividindo responsabilidades nos erros. É mais fácil conseguir dividir responsabilidades nas glórias do que nos erros. Se tivesse acreditado na aliança com o PMDB, teria bancado. Achava que não ajudaria. Por coincidência, perdi do Collor com a diferença de votos que teve o Ulysses Guimarães.
Genoino chorou na morte de Ulysses, mas não pôde pedir perdão diante do caixão do velho porque Ulysses desapareceu no mar.

Tiago Recchia, para Gazeta do Povo

Barreira provoca mal-estar entre brasileiros e paraguaios na fronteira

Barreira provoca mal-estar entre brasileiros e paraguaios na fronteira
Blocos de concreto foram levantados entre as cidades de Ponta Porã e Juan Pedro Caballero

A instalação de blocos de concreto em um trecho da fronteira que corta as cidades de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, e Juan Pedro Caballero, no Paraguai, gerou mal-estar entre os dois lados, com troca de acusações que envolvem desrespeito à fronteira e uma suposta concorrência desleal. As autoridades paraguaias investigam denúncias de que comerciantes brasileiros teriam levantado "barreiras" em diversos pontos da fronteira, durante a madrugada desta terça-feira.
O Itamaraty confirma ter sido comunicado do episódio pelo governo paraguaio e que enviou um representante da comissão de fronteiras para avaliar de perto a situação. De acordo com jornais locais, os brasileiros estariam "descontentes" com o número crescente de moradores de Ponta Porã que cruzam a fronteira com Juan Pedro Caballero em busca de produtos com preços mais em conta.
Os paraguaios, por sua vez, acusam o lado brasileiro de impedir o trânsito de pessoas entre os dois países, "interferindo" de forma ilegal na linha de fronteira. Até o momento, nem o governo paraguaio nem o brasileiro conseguiram identificar os responsáveis pela instalação dos blocos de concreto. "Nenhuma das duas prefeituras sabe quem pode ter levantado essa barreira, por isso estamos um pouco confusos", disse à BBC o cônsul paraguaio em Ponta Porã, Luis Sosa.
Sosa, que participou das reuniões realizadas pela delegação da chancelaria paraguaia, garantiu que "houve um acordo para destruir todas as barreiras". "Não há ruptura das relações, não há ressentimentos e está tudo bem encaminhado", acrescentou.
Concorrência
O presidente da Associação Comercial de Ponta Porã, Evaldo Pavão, disse que a situação no limite entre as duas cidades está "tensa", mas negou que a decisão de bloquear parte da fronteira tenha partido da entidade, como chegou a afirmar a imprensa paraguaia. "Existe, sim, uma insatisfação dos comerciantes brasileiros com o desrespeito à fronteira, que prejudica o comércio aqui em Ponta Porã", disse.
O motivo, segundo ele, é a valorização do real, que deixa os produtos brasileiros mais caros frente aos concorrentes paraguaios. Além disso, diz ele, os paraguaios "pagam bem menos impostos". "Você imagina atravessar a rua e encontrar uma carga tributária de 10%, enquanto aqui pagamos 40%", diz. "É uma concorrência desleal", completa.
Segundo a imprensa paraguaia, os comerciantes brasileiros estariam especialmente preocupados com a construção de um grande centro comercial do lado paraguaio, cujo investimento chega a US$ 3,5 milhões.
O episódio das barreiras fez reacender o debate sobre a fiscalização da fronteira entre Brasil e Paraguai, que cobre uma extensão de aproximadamente 1.300 quilômetros. Em muitos trechos, como na região de Ponta Porã com Juan Pedro Caballero, o limite entre os dois países se torna confuso, com ruas que atravessam os dois países sem demarcação clara.
História antiga
A construção de barreiras por parte do Brasil na fronteira com o Paraguai não é uma história nova. Em abril de 2007, a Receita Federal em Foz do Iguaçu, na fronteira com Ciudad del Este, a cerca de 360 quilômetros de Assunção, anunciou a construção de um muro para frear o contrabando e a imigração ilegal.
O projeto estabelecia que a barreira de separação passaria por debaixo da Ponte da Amizade, que liga os dois países sobre o Rio Paraná. O anúncio causou uma onda de indignação no Paraguai. O projeto, batizado pela imprensa paraguaia de "muro da vergonha", acabou não se concretizando. * Colaborou Eduardo Arce, da BBC Mundo no Paraguai

Missões de paz mobilizam brasileiros

Missões de paz mobilizam brasileiros
Desde 1956, voluntários do Brasil participam de ações fora do país. Veteranos e novatos são movidos pelo mesmo sentimento: a vontade de ajudar o próximo

Isidoro Baçon, Luciano Moreira, Lugans Maia, Daniel Silva e Rinaldo Feijó poderiam ser chamados de segunda geração dos voluntários da pátria. Em 1956, quase um século depois de voluntários participarem da Guerra do Para guai, brasileiros começaram a integrar as tropas das missões de paz das Nações Unidas. Baçon fez parte do grupo que participou da primeira operação com soldados nacionais. Com apenas 20 anos, foi para o Egito, no Batalhão Suez. De lá para cá se passaram cinco décadas, mas o sentimento dos “novatos” é o mesmo do veterano: participar de uma missão é algo que fica marcado para sempre.
Baçon não seguiu carreira no Exército depois que voltou da missão. Ele conta que, em 1956, cumpria o serviço obrigatório no Rio de Janeiro, quando topou a proposta de ir para a “viagem fantástica”. “Ninguém sabia muito bem o que faríamos lá. Tudo era mistério”. O evento foi tão marcante na vida dele que ele fundou a primeira associação no Brasil para reunir ex-combatentes do Batalhão Suez. Ele também é fundador de um museu que lembra a história das participações do país em missões de paz.

De malas prontas
Nesta segunda-feira os paranaenses Lugans Maia, 24 anos, e Daniel Silva, 22 (Foto acima), embarcarão para uma missão no país mais pobre das Américas. No Haiti ajudarão as Nações Unidas a manter a esta bi lidade na região. Apesar da pouca idade, os dois garantem que esta é a realização de um sonho. A expec tativa é grande e a aflição das mães também. Mas com uma boa conversa, elas estão orgulhosas por terem “heróis na família”. Silva está de casamento marcado para quando voltar, daqui a seis meses. Os dois se alistaram logo que a oportunidade surgiu. Passaram por uma seleção e treinamento, que inclui o aprendizado do idioma crioulo haitiano, falado pela maioria da população. (PC)

Século 21
Dos mais de 50 anos que separam a primeira missão do Brasil na Organização das Nações Uni das (ONU) até o reconhecido trabalho no Haiti, o país mudou muito. Nesta última década o governo tem se esforçado para ampliar seu papel nas Nações Unidas e conquistar o tão requisitado as-sento permanente no Conselho de Segurança do órgão. E o panorama é o mesmo em to do o mundo. Cada vez mais na ções têm participado. Em toda a história da ONU esse é o momento em que a instituição mais participa de missões de paz: 15, com 100 mil pessoas envolvidas.
O capitão do Exército Luciano Moreira fez parte, em 2006, da Missão da ONU para a Estabilização no Haiti. Durante seis meses participou de uma rotina pesada que incluía 28 dias de trabalho e dois de descanso. Ele comandou um pelotão de 30 homens da infantaria, linha de frente das ações. Na partida do Brasil, o grupo tinha um misto de expectativa e ansiedade, porque o Haiti ainda era um território desconhecido, com histórico re-cente de golpes militares e com conflito civil armado em curso.
O que mais chamou a atenção do capitão foi a miséria. Não há Estado no Haiti, não há luz, água e esgoto. “O fato que mais me marcou foi quando dei doces para uma família e as crianças comemoraram como se fosse a melhor coisa do mundo. Este foi o único dia em que voltei para a base e chorei”, conta Moreira.
Sudão
O coronel Rinaldo Feijó acabou de retornar do Sudão, país africano vizinho do Egito. Por um ano ele ajudou a mediar conflitos entre o exército do país e rebeldes do sul que desejam a separação. Após este período em um dos locais mais pobres do mundo, onde milhões de pessoas já morreram vítimas da guerra civil, Feijó voltou com o sentimento de viver em uma nação abençoada. “As diferenças culturais são enormes. A parte norte do Sudão vive sob a influência do islamismo e a sul é formada por diversas tribos.”
Tanto o coronel Feijó quanto o capitão Moreira afirmam que o Brasil é bem visto nas missões de que participa. No caso do Haiti, por exemplo, os brasileiros são coordenadores da Minustah e em algumas favelas somente os militares daqui conseguiram realizar uma ocupação pacífica. No Sudão, os brasileiros ocupam cargos de comando e assessoria. A percepção dos dois é confirmada pela ONU. “Os brasileiros demonstram alto grau de profissionalismo e ganharam a admiração dos atores envolvidos”, diz Giancarlo Summa, diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil.

Sabatina com José Serra - Jornal Nacional - 11/08/2010

Newton Silva, para O Jangadeiro Online

No Dia do Advogado, um pouco de história desta nobre profissão

No Dia do Advogado, um pouco de história desta nobre profissão

Para alguns que se dedicam ao estudo da história do Direito, foi Péricles, em Atenas, o primeiro profissional da advocacia que se tem conhecimento. Já, para outros, tal feito é atribuído a Antifonte, na Grécia, em 479 a.C. De qualquer forma, é sabido que na Roma antiga já existia a representação judicial por meio dos “advocati”, os representantes judiciais da época. No Brasil, a história do “Direito” existe desde a sua Independência, pois naquela época já se realizavam debates na Assembleia Constituinte, e depois na Assembleia Legislativa, em prol da criação dos cursos jurídicos. Em 1824 foi redigida, no Brasil, a primeira Constituição. Porém, não bastava a existência de leis sem que alguém as interpretassem. Assim, em 11 de agosto de 1827, o Imperador cri ou os dois primeiros cursos de Direito no País, um em Olinda, no Mosteiro de São Bento, e outro em São Paulo, no Largo São Francisco. Nasceu, então, o Dia do Advogado, sendo que Duarte Peres foi o primeiro advogado brasileiro. A criação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) só veio em 1930, em uma época em que advogados e juristas já participavam ativamente da movimentação em torno da renovação e das mudanças na política do País. Atualmente, a Constituição Federal de 1988 alçou a advocacia ao patamar de “preceito constitucional”, preservando a sua atividade estritamente privada, como prestadora de serviços de interesse coletivo. O art. 133 da Carta Magna disciplina que “o advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”. Em 4 de abril de 1994, entrou em vigor o “Estatuto do Advogado”, garantindo prerrogativas que conferem ao advogado a necessária independência. Sem essa independência, não haveria advocacia e nem o devido processo legal.
A arte de advogar

A arte de advogar exige, antes de tudo, paixão. O advogado deve, em sua arte, assumir a dimensão social de sua profissão. Os advogados representam, perante o Poder Judiciário, os anseios e as aspirações da sociedade. E, nessa tarefa, devem procurar a fiel interpretação da lei e, sobretudo, a correta aplicação da Justiça, contribuindo, assim, para o aprimoramento da vida em sociedade. A arte de advogar exige, também, dedicação, comprometimento e, principalmente, uma incansável busca pela Justiça. Advogar exige estudo, pesquisa, coragem e, ainda, muita estratégia. Sim, o bom advogado é, na verdade, um grande estudioso, um empenhado pesquisador e também um arrojado estrategista. O advogado é peça essencial para a administração da Justiça e instrumento básico para assegurar a defesa dos interesses das partes. Parabéns a você, Advogado, por fazer parte de uma classe que não abre mão da Justiça.
Fonte
Comentário IOB - Dia do Advogado

Cícero, para O Jornal de Brasília

Políticos no tempo dos militares

Políticos no tempo dos militares

Aristóteles Drummond *, Jornal do Brasil
RIO - Quando as coisas andam mal no Brasil contemporâneo, tornou-se comum – e desonesto em função da idade média da população – atribuir ao período militar (1964-1985) a culpa de tudo. A mais recente é que a qualidade de nossos políticos é ruim por causa dos militares, aproveitando-se do desconhecimento da maioria. E não divulgam os nomes daqueles que apoiaram os militares, em algum momento, entre os melhores no seu tempo.
Para começar, é impressionante a relação dos presidentes das duas casas do Congresso Nacional e dos ministérios mais importantes. Uma seleção de grandes brasileiros, respeitados, admirados e reconhecidos. Pode-se lançar um desafio de qualquer tipo de acusação ética, moral ou de competência a eles. Nada os atingirá. Só temos motivos para admirá-los e não esquecê-los.
No Senado Federal, por exemplo, a lista de presidentes ilustres é imensa. São exemplos: Gilberto Marinho, eleito duas vezes pelo Rio antes de 64; João Cleofas, anteriormente governador de Pernambuco; Petrônio Portela, antes governador do Piauí; Luiz Vianna Filho, baiano, membro da Academia Brasileira de Letras; Magalhães Pinto, antes governador de Minas e chanceler de Costa e Silva; Jarbas Passarinho, governador do Pará; Nilo Coelho, governador de Pernambuco. E exerceram mandato no período militar, mesmo que na oposição, vultos do porte e da respeitabilidade de Antonio Carlos Konder Reis, Daniel Krieger, Dinarte Mariz, Amaral Peixoto (este pela oposição e depois presidindo o PDS), Benedito Valadares, Gustavo Capanema, Itamar Franco (eleito pela oposição em 74 e, mais tarde, governador e presidente da República), Murilo Badaró, Tancredo Neves e Paulo Brossard entre outros. Além de José Sarney, senador na Arena e presidente do PDS, que também foi presidente da República e presidiu o Senado duas vezes.
Ora, na Câmara dos Deputados, a relação de ilustres que a presidiram no período militar não é inferior. Bilac Pinto, Célio Borja, Ernesto Pereira Lopes, empresário paulista e homem de muito prestígio, José Bonifácio, Geraldo Freire. Quando que o nível caiu? Foi durante ou depois do período militar? Pode responder qualquer um dos veteranos da reportagem política nacional na ativa. Estes conhecem os políticos desde os anos 50, na intimidade.
No que toca a vices, existe equilíbrio de qualidade entre os dois períodos. Quase todos foram buscar nomes acima de qualquer suspeita em Minas Gerais. José Maria Alckmin, mais de seis mandatos de deputado, ministro de JK e vice de Castello; Pedro Aleixo, da UDN, com Costa e Silva; e Aureliano Chaves, ex-governador e deputado da UDN, com João Figueiredo. Depois, Tancredo escolheu José Sarney e FHC, Marco Maciel e os mineiros Itamar Franco e José Alencar, que foram as opções de Collor e de Lula, respectivamente. Todos de excelente nível.
Mesmo não querendo ficar na monotonia de nomes, e muito menos deprimir os leitores mais velhos ou mais informados do quem é quem na República, na comparação inevitável, lembro a seleção dos ministros não políticos com mandato, pelo menos até então, que deram musculatura aos governos militares para a formidável e inegável obra: Mario Henrique Simonsen, Delfim Netto, Roberto Campos, Gouvêa de Bulhões, Mário Andreazza, Cesar Cals, Ernane Galveas, Milton Campos, Helio Beltrão, Nascimento e Silva, Dias Leite, Ibrahim Abi - Ackel (grande parlamentar também), Mario Gibson, Juraci Magalhães , Marcos Pratini e tantos e tantos nomes inatacáveis e admiráveis.
Nos 25 anos após 85, temos tido figuras notáveis nos ministérios, mas não nesta quantidade e mérito. Por isso, a culpa da baixa qualidade de nossos políticos vem da falta de interesse numa reforma eleitoral séria, democrática, contemplando valores outros que não os financeiros, na definição constitucional de que o regime é presidencialista ou parlamentarista, pela sua dubiedade legal e pragmatismo real que vivemos e que provoca tantos conflitos.
Vamos para o Ficha Limpa, sem o casuísmo de retroagir para prejudicar. Vamos manter o eleitor informado e deixar de culpar um período que já é da história – mas de muita honra e dignidade no exercício da função pública. Por estas e outras é que, embora falem aqui e mintam ali, o povo, na sua sabedoria, continua a dedicar amor, respeito e confiança a seus militares.
E antes que venham com este negócio, que, aliás, virou negócio mesmo, de violência, vamos também lembrar que mortos existiram de ambos os lados, atos indignos na violência e covardia também. Mas, aí, a culpa é do ser humano, que, tomado pelo ódio, é capaz de tudo. A paz, o perdão, entretanto, também teve origem no lado militar, no presidente João Figueiredo, aprovado pelo Congresso Nacional, já sem o AI-5.
* Jornalista

AROEIRA

Brasileiros conseguem cinco medalhas de bronze em olimpíada de física

Brasileiros conseguem cinco medalhas de bronze em olimpíada de física

UOL - Da Redação - Em São Paulo
A equipe brasileira que participou da 41ª Olimpíada Internacional de Física (International Physics Olympiad - IPhO), realizada entre 17 e 25 de julho em Zagreb, na Croácia, voltou para casa com cinco medalhas de bronze. É a primeira vez que toda a equipe brasileira, formada por cinco estudantes do ensino médio, recebe medalhas.
A competição acontece anualmente e o Brasil participa desde 2000, por iniciativa da Sociedade Brasileira de Física. No ano passado, o país ganhou quatro medalhas: duas de prata e duas de bronze. O Brasil é o país da América Latina com maior número de medalhas conquistadas na IPhO.
A equipe foi formada pelos estudantes Rodrigo Alencar (CE), Filipe Rodrigues de Almeida Lira (PE), Cássio dos Santos Sousa, Gustavo Haddad Braga e Rodrigo Silva, os três últimos do Estado de São Paulo. Todos são alunos de colégios particulares, quatro estão no terceiro colegial e um no segundo – Gustavo, o primeiro estudante brasileiro do segundo ano a participar da olimpíada.
Os brasileiros concorreram com 380 estudantes de 80 países. De acordo com o regulamento da competição, as medalhas são atribuídas proporcionalmente: 8% dos participantes recebem a de ouro, até 25% de ouro ou prata e até 50% de ouro, prata ou bronze. As provas aconteceram em dois dias da programação, uma com três problemas teóricos e outra com dois práticos, cada um valendo dez pontos (50 no total). Gustavo, o mais bem-colocado entre os brasileiros, fez 27,5 pontos e ficou na 150ª posição.
Rotina de provas
O professor Euclydes Marega Júnior, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo, foi responsável por coordenar a equipe. Ele conta que os alunos começam a preparação para a competição cerca de dois anos antes, com uma série de provas a partir da primeira etapa da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), que na última edição foi feita por cerca de 250 mil alunos da nona série e primeiro ano do ensino médio, de 4,8 mil escolas de todo o Brasil. Os alunos que foram para Zagreb fizeram essa etapa em 2008.
De acordo com Marega, essa primeira fase já exclui praticamente 80% dos alunos, pois a maioria não atinge a nota mínima para passar para a segunda. Á terceira fase, chegam entre 1000 e 1500 alunos, dos quais são selecionados 60.
Os 60 selecionados passam por uma outra prova em que sobrevivem apenas 12. Esses fazem uma prova que é aplicada no campus de São Carlos da Universidade de São Paulo (USP). Só então são definidos os cinco que vão para a IPhO. Os sete restantes fazem outra prova que seleciona quatro para a Olimpíada Ibero-Americana de Física (OIbF).
O projeto recebe apoio do governo federal através d O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) .
Gênero
Marega conta que, nesse ano, dos 12 que fizeram a última prova, apenas duas eram meninas. “É uma coisa meio histórica, nas carreiras de exataS sempre temos mais homens, em física, matemática. Internacionalmente também é assim, de vez em quando aparece uma garota por equipe, chuto que seja (ou seja M?) uns 10% do total (de participantes das olimpíadas).”

Tristemunho, por Rubinho

Bactéria mutante resistente a todos os antibióticos disponíveis deixa o mundo em alerta

Bactéria mutante resistente a todos os antibióticos disponíveis deixa o mundo em alerta

Uma nova linhagem de bactéria que vem se espalhando rapidamente e tem se mostrado resistente à maioria dos antibióticos está deixando a comunidade médica do mundo inteira em alerta, anunciaram os cientistas num artido publicado na revista "Lancet" nesta quarta-feira. A bactéria mutante, que seria uma forma mais resistente da E.coli, pode levar à morte por pneumonias e infecções urinárias e seria contraída pela água. Os primeiros casos surgiram na Índia e no Paquistão e chegaram ao Reino Unido através de ingleses que foram à Índia para se submeterem a cirurgias estéticas e tratamentos médicos. O temor é que agora ela se espalhe pelo mundo.
A bactéria mutante tem uma enzima chamada de NDM-1, produzida por um novo gene que confere altíssimo nível de resistência aos antibióticos. Em três anos, explicou o professor Tim Walsh, da Universidade de Cardiff - na foto, o descobridor do gene, a prevalência da bactéria era de apenas de 1% a 3 % dos pacientes com infecções enterobacterianas na Índia.
"É incrível como a expansão da bactéria foi rápida, graças à globalização e ao turismo médico", explica Walsh. O gene agora pode chegar a qualquer lugar rapidamente.
Walsh disse que é não é possível prever a prevalência da bactéria no Reino Unido, mas a Agência de Proteção à Saúde do país lançou um alerta aos médicos. O grande temor é a falta de medicamentos que possam combatê-la. Segundo os cientistas, mesmo que se comece a investir agora em novos antiobióticos, eles não estarão disponíveis rapidamente.
"Temos um prazo de 10 anos para desenvolver um medicamento capaz de tratar esse tipo de infecção. É a primeira vez que chegamos a um estágio tão ameaçador com este tipo de bactéria".

Alecrim

É preciso manter a indignação

É preciso manter a indignação

Editorial, Jornal do Brasil
RIO - O mundo civilizado acompanha, incrédulo, a saga da iraniana Sakineh Ashtiani, que está prestes a ser morta pelo governo de seu país. Não bastasse o episódio, este JB noticiou na edição de ontem a execução da grávida Bibi Sanubar por um grupo talibã do Afeganistão. Ambas tornaram-se vítimas por supostos atos de adultério. Os dois casos – que infelizmente não são exceções nesses países e só chegaram ao conhecimento do Ocidente por causa da globalização da informação via internet – são riquíssimos nas possibilidades de análise e desgraçadamente pobres em alternativas para mudar o contexto local. Mas não se pode desistir.
Sofrimento das vítimas à parte, seria um oportuno momento de reflexão para, por exemplo, os países que ainda preveem em suas leis a pena de morte, como os Estados Unidos. No sentido da humanidade, que diferença há entre apedrejamento ou forca e injeção letal ou cadeira elétrica? Algum preciosista poderá alegar que uma é mais rápida ou menos dolorosa do que a outra. Bobagem, o fim da história é o mesmo. Quem se choca com a pena imposta no Irã não tem por que aceitar a mesma pena decidida pelos americanos.
Outro ponto que deve ser tratado com muito cuidado é a demonização da cultura islâmica, que vários setores ocidentais estão promovendo, aproveitando-se do choque que o apedrejamento causa para tentar impor a nossa cultura à dos povos do Oriente Médio. É evidente que o impacto de uma barbárie, como é a pena de morte, aplicada por um Estado é grande, mas quem somos nós para nos acharmos melhores que os islâmicos se alguns de nossos países invadem outros e matam civis, e, em outros, jornalistas e devedores do tráfico são queimados no alto dos morros em microondas de pneus? E a criança arrastada num carro por vários bairros?
O que não se pode é perder a capacidade de indignação com o ato bárbaro de tirar a vida de alguém voluntariamente. Seja com traficantes, com exércitos inábeis e imperialistas ou com talibãs fanáticos. O século 21 e a globalização chegaram para todos. Não é aceitável que uma parte do mundo, independentemente de suas respeitáveis crenças religiosas, insista em, voluntariamente, cobrir os olhos e viver nas trevas que marcavam tempos remotos.
As lideranças humanistas do planeta, oficiais ou não, precisam erguer a voz contra esse apedrejamento – que pode ser “substituído” por enforcamento – com a mesma força com que, por exemplo, guardadas as devidas escalas, se combateu o Holocausto – em que diferem pedras ou cordas no pescoço de câmaras de gás? Se uma sociedade inteira chega à conclusão de que uma pessoa não deve mais a ela pertencer, que aceite então as ofertas de países irmãos e a mande para eles, que lhe poupe o mais sagrados dos direitos, à vida.
Não se trata de discutirmos culturas ou religiões. É questão de sabermos se ainda somos seres humanos.
21:34 - 10/08/2010

J. Bosco para O Liberal

Informação e piadas proibidas

Informação e piadas proibidas
José Aparecido Miguel – Jornal do Brasil
Em tempo de eleição presidencial, as fontes de informação do eleitor brasileiro são limitadas por lei. O humor também é censurado, criando-se um “Horário eleitoral sem graça”, como escreve Hélio de La Peña, humorista do "Casseta & Planeta", exibido pela TV Globo
A rádio Jovem Pan, sediada em São Paulo, mas presente em todo o país, tem dado destaque diário ao tema em editorial, apresentado pela voz de Joseval Peixoto.
“Como vamos escolher nossos representantes? O rádio não poderá se manifestar. É vedado às emissoras de rádio e televisão, em sua programação normal e noticiário, transmitir, ainda que sob forma de entrevista, imagens de realização de pesquisa ou qualquer outro tipo de consulta popular de natureza eleitoral. Ninguém poderá debater. Ninguém poderá ser entrevistado”. 
A emissora coloca no ar um apelo: “A escolha dependerá só de você. É muito importante votar. A eleição é o grande momento da democracia, é você quem vai falar, é você quem vai decidir, é você quem vai eleger (...). Debata, pesquise, colha informação, questione e, afinal, vote bem. Vote consciente”.

PIADA PROIBIDA

Hélio de La Peña comenta, em artigo na Folha de S. Paulo, domingo:
"E se a gente fizesse um jingle dizendo que agora o Lula está apoiando o Collor, e que o Collor apoia a Dilma?". Essa ideia poderia ter surgido numa reunião do "Casseta", do "Pânico" ou do "CQC". Mas não, o jingle existe e faz parte da campanha eleitoral de 2010. Segundo as novas regras do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os humoristas estão proibidos de fazer piadas sobre os candidatos”.
O humorista acrescenta, em outro trecho, que deixar o humor de fora do processo eleitoral não eleva o nível das campanhas, não esclarece a população e não torna nossos políticos mais respeitáveis. “Pelo contrário, enfraquece o debate, tira a corrida presidencial das conversas nas esquinas e nos cafés das empresas. Impede o candidato de rir de si mesmo e, quem sabe, corrigir o rumo de sua campanha. Não estamos lutando pelo direito de difamar ou ferir a honra de ninguém, mas amordaçar nossos candidatos Dilmandona, José Careca e Magrina da Silva é um gol contra a democracia”.
La Peña completa: “O público conhece os programas humorísticos e sabe quais são suas propostas. Cabe aos políticos apresentar as suas com seriedade, de forma que o povo não as confunda com as dos humoristas”.
Editorial Jovem Pan:

IQUE - No Jornal do Brasil

Brasil não tem bolha imobiliária, diz estudo de entidade habitacional

Brasil não tem bolha imobiliária, diz estudo de entidade habitacional
'Estouro' especulativo nos EUA causou crise financeira global em 2008.
José Roberto Mendonça de Barros diz que alta local reflete demanda.

O aumento dos preços no mercado de imóveis brasileiros não é uma bolha imobiliária, segundo estudo realizado pela consultoria MB associados a pedido da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e divulgado nesta quarta-feira (11).
Embora não haja garantias sobre se a valorização dos imóveis deva continuar por muito tempo, uma eventual redução nos preços não teria impacto macroeconômico como o que foi registrado nos EUA e que culminou na maior crise financeira nos Estados Unidos desde 1929, aponta a consultoria.
O estudo foi feito a pedido da entidade para responder a questionamento recorrente no mercado brasileiro: há a possibilidade de a valorização imobiliária nacional ser algo parecido com a bolha especulativa dos EUA?
"Não temos dúvida alguma em afirmar que não há bolha imobiliária no Brasil. Existe um aumento de preço nos valores de imóveis porque há aumento da demanda, mas não uma bolha. Não temos os elementos que caracterizam uma bolha”, afirmou o economista José Roberto Mendonça de Barros - na foto, da MB Associados, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
A MB estima que a demanda imobiliária média anual deva continuar crescendo nos próximos anos, principalmente na classe C: o ritmo previsto para essa faixa de renda é de demanda média de quase 15 milhão de imóveis por ano entre 2010 e 2016.

Bolha nos EUA
De acordo com o estudo, o mercado de imóveis do Brasil tem elementos bem diferentes da bolha imobiliária norte-americana: não há exagero no volume de empréstimos imobiliários  tomados pelas pessoas físicas ou doados pelos bancos. A valorização, diz a MB, reflete um aumento da demanda causado pelo crescimento da economia, da renda, e da disponibilidade de crédito no país.
Além disso, há uma diferença fundamental entre o quadro brasileiro e o americanos pré-bolha, segundo Barros: as regras bancárias brasileiras são rígidas, diferentemente do que acontecia nos EUA antes do "estouro" da bolha.
"A regulamentação bancária no Brasil é muito estrita e as garantias e os procedimentos para fazer os financiamentos são bastante controlados", afirmou Mendonça de Barros.
O "afrouxamento" das regras para concessão de crédito para imóveis nos EUA é apontado como um dos principais pontos que propiciaram o problema no setor: permitiu a concessão de crédito para pessoas que não tinham condições de pagar a dívida.
"No caso americano, algumas coisas foram feitas no final da década de 70 para desregular o mercado de crédito e permitir que houvesse uma expansão do crédito imobiliário sem muita regulação", afirmou Sérgio Vale, economista-chefe da MB associados durante a apresentação do estudo na sede da Abecip, em São Paulo.
"Como qualquer coisa, o preço de imóveis não é diferente do preço de automóveis, do preço de alimentação. O aumento da demanda veio por causa de crescimento, por causa de financiamento mais disponível, pela formação de novas famílias, de repente a demanda cresceu substancialmente e aí pressiona as produção que ainda é pequena. Está crescendo, mas não é bolha, portanto não implica em riscos para o crescimento da economia".
Outro argumento da MB é que os níveis de inadimplência nos financiamentos imobiliários tem caído fortemente ao longo dos anos: o percentual de empréstimos com atraso superior a três meses caiu  de 12% em 2000 para 2,52% em 2010.

Alta continua?
Conforme os economistas, o estudo não sinaliza, porém não descarta a possibillidade de o Brasil vir a ter uma bolha imobiliária no futuro. "Provavelmente não (haverá). A razão principal para acreditarmos nisso é que não há expectativa de desregulamentação financeira no Brasil. Então mesmo que os preços dos imóveis caiam, isso não causaria desequilíbrio econômico", afirmou Barros.

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BBC Brasil Atualidades

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