sexta-feira, novembro 05, 2010

Hora de amor

Hora de amor
Vem.
Adormece encostada a este braço
Mais débil do que o teu.
Entrega te despida
Nas mãos dum homem solitário
Que a maldição não deixa
Que possa nem sequer lutar por ti.
Vem,
Sem que eu te chame, ou te prometa a vida.
E sente que ninguém,
No descampado deste mundo, tem
A alma mais guardada e protegida.

Miguel Torga
(1907-1995)

Solda, para O Estado do Paraná


Primeiros Erros - Kiko Zambianchi

Alvorada Como apreciar 'Crepúsculo' nas telas

Alvorada
Como apreciar 'Crepúsculo' nas telas
Arthur Dapieve – O Globo – Segundo Caderno
Salvo hecatombe — ou mera mudança de agenda — amanhecerão hoje no Rio os atores americanos Kristen Stewart e Robert Pattinson, astros da série cinematográfica “Crepúsculo”. É tamanha a sua popularidade nas peles da humana Bella e do vampiro Edward que o Copacabana Palace reforçou a segurança, ainda mais que outros três ídolos dos adolescentes, os Jonas Brothers, estarão hospedados no hotel.
Kristen e Robert são esperados para fazer o reconhecimento das locações onde começarão a gravar, já no fim do mês, parte do quarto e derradeiro episódio da série, “Amanhecer”.
Notícias dão conta de que também virá o lobisomem Jacob, isto é, Taylor Lautner, que completa o triângulo amoroso da saga. No ano passado, ele e a moça estiveram no Brasil para lançar “Lua nova”, o segundo capítulo.
Ali, o Rio dava o ar da graça como paisagem cenográfica na janela do modesto cômodo no qual Edward tentava falar com a amada Bella ao telefone. E era embarreirado por Jacob.
Como eu sei? Nunca li os romances de Stephenie Meyer nos quais se baseiam os filmes, porque tenho outras prioridades de leitura.
Nem nunca fui ao cinema ver algum episódio.
No entanto, assisti com prazer aos que já estrearam nos canais por assinatura Telecine, “Crepúsculo” e “Lua nova”. Este, no sábado passado, quando uma gripe me deixou no estaleiro.
Gostei mais do primeiro, redondinho, mas isso não vem ao caso.
O que vem ao caso é o seguinte. Comentaristas culturais não deveriam passar ao largo de fenômenos como esse, descartando-os como “lixo” ou, eufemismo pedante, “mero entretenimento”.
A academia brasileira tolamente passou décadas desprezando a telenovela, por exemplo, numa postura neoadorniana.
Se a saga “Crepúsculo” faz tanto sucesso é porque atinge alguma área vital do que chamamos Humanidade. Não nos termos mais elaborados, o.k., mas atinge. Inclusive em quem já passou da adolescência.
Sem comparar os méritos dos livros que lhes deram origem, até porque não li nenhum deles, a série de cinema “Crepúsculo” atua mais ou menos na mesma faixa que outras duas: “O Senhor dos Anéis” (baseada em J.R.R. Tolkien) e “Harry Potter” (em J.K.
Rowling). As três conseguem o que muito escritor “sério” daria a mão direita para conseguir: criar um universo próprio, com lógica peculiar e personagens arquetípicos. Além disso, funcionam bem nas telas, como obras autônomas, sem necessidade de bula.
A diferença é que enquanto as fantasias de “O Senhor dos Anéis” têm tintas épicas e homoeróticas e as de “Harry Potter” remetem ao tradicional gótico inglês, as de “Crepúsculo” vêm embaladas no senso prático dos americanos médios. Nela, as metáforas mal pretendem disfarçar o verdadeiro assunto: o terror que é adolescer, ou seja, experimentar todas aquelas constrangedoras mudanças hormonais, corporais e comportamentais.
No cinema, são ressaltados três aspectos dessa fase da vida.
O primeiro a considerar é que, como todo adolescente, a principal protagonista da saga, Bella, tem um segredo que deve ser mantido a salvo de seus pais. Ele, chefe de polícia, está ocupado caçando o que imagina serem ursos nos cenários tempestuosos do estado de Washington. A mãe, então, é referência ainda mais distante: mora no Arizona. Bella não consegue, e nem parece lá muito interessada em comunicar-lhes os acontecimentos extraordinários pelos quais está passando. Eles não entenderiam.
Bella, aliás, não é uma adolescente idealizada, o que potencializa o processo de empatia com uma personagem que, de resto, teria tudo para ser antipática. Nem bonita nem feia, malvestida como a americaninha padrão, ela pouco sorri e parece estar sempre com enxaqueca. Uma “irmã” do vampiro Edward, a graciosa Alice (Ashley Greene), chega a lhe dizer, em “Lua nova”, que nunca conheceu uma pessoa tão propensa a “fazer coisas estúpidas e irracionais”. A perfeita definição do adolescente.
O segundo aspecto é, sobretudo para quem se sente tão só, o da importância das turmas, que asseguram inserção, entendimento e proteção.
Assim, Bella oscila entre a “família” do vampiro pelo qual é apaixonada e a galera do lobisomem que é apaixonado por ela. Cada clã destaca uma benção que também é uma maldição: o tormento da vida eterna ou a força incontrolável da natureza. Por qual nós optaríamos? Não dá para ficar bem com tudo mundo. Nem na fantasia as coisas são perfeitas.
Mas tudo é muito sexy.
E eis, afinal, o mais óbvio subtexto da saga “Crepúsculo”: a alvorada do desejo sexual.
Bella quer, Edward quer. Porém, ele reluta em, ao passar da intenção ao ato, condená-la ao vampirismo. As cenas dos dois são febris, um ai-jesus, não sei se posso, suspiro, arf arf. Tesão novo tem sempre algo de adolescente, de desajeitado. Nesse ponto, a série se estende ao público adulto, eternamente nostálgico do primeiro amor.
Ficamos esperando que todo romance de formação seja como “Retrato do artista quando jovem”, de James Joyce, ou “O apanhador no campo de centeio”, de J.D. Salinger. Não sacamos que hoje a educação sentimental — ou seja, a possibilidade de nos enxergarmos nos escritos alheios — pode passar por Stephenie Meyer. Ou, desde os tempos de nossos pais, pelo escurinho do cinema.
E-mail: dapieve@oglobo.com.br

Borboletas monarca, no México

Fotografia de Joel Sartore, da National Geographic

Cláudio Humberto

Cláudio Humberto
“Nenhum ministro e nenhum partido tem vaga garantida”
PRESIDENTE LULA LAVANDO AS MÃOS QUANTO À COMPOSIÇÃO DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF
SARNEY BARRA PROJETO QUE LIMITA PAPEL DO VICE O presidente do Senado, José Sarney, tranquilizou o vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB): não vai à votação no plenário, e, se for, nem sequer teria chance de aprovação, a proposta de Emenda Constitucional que reduz o vice a substituto temporário do presidente, excluindo a possibilidade de assumir em definitivo. A PEC foi aprovada esta semana na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
SEM CHANCES O projeto precisa passar duas vezes pelo plenário do Senado, antes de ser enviado à Câmara. Juntos, PT e PMDB dominam ambas as Casas.
“É PESSOAL” Michel Temer se sentiu pessoalmente atingido pela iniciativa do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), limitando o papel do vice.
INDELICADEZA O vice-presidente eleito achou que Demóstenes foi indelicado com ele e com Dilma Rousseff, que recentemente enfrentou grave enfermidade.
TEMPORÁRIO Pela proposta, o vice seria substituto temporário. Em caso de morte, doença grave ou impeachment, novas eleições seriam convocadas.
AMIGO DE DILMA, BUSTANI PODE SER O CHANCELER O embaixador em Paris, José Maurício Bustani, amigo da presidenta Dilma, é cotado para o Ministério das Relações Exteriores. É um herói vivo do Brasil: em abril de 2002, por ordem do americano George W. Bush, foi defenestrado do cargo de diretor-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) por sua atuação independente. FHC o colocou na “geladeira”, mas ele foi “reabilitado” no governo Lula.
TORCIDA É GRANDE A escolha de Bustani para chanceler deixaria feliz sua imensa legião de admiradores até fora da carreira, como o pianista Arthur Moreira Lima.
TRIBUNA VIRTUAL O senador Tasso Jereissati (PSDB), que não se reelegeu, já definiu como ocupará o tempo: vai criar o portal de notícias Tribuna do Ceará.
SEM AZIA Tomara que Dilma goste de ler, como diz: a biblioteca da Presidência da República gastou R$ 77 mil em novos livros.
VERGONHA BRASILEIRA Uma ausência será sentida no jantar pelos 25 anos da turma de engenheiros de 1975, do prestigiado Instituto Mauá de Tecnologia, de São Paulo: Bruno José Daniel Filho, irmão do prefeito assassinado de Santo André (SP), Celso Daniel. É refugiado político em Paris.
EUNÍCIO PRESIDENTE O senador eleito Eunício Oliveira (CE) é forte opção para presidir o Senado. Amigo e ex-ministro de Lula, Eunício é articulado e tem tanta liderança no seu PMDB que também é citado para presidir o partido.
“CAÇA-BOQUINHAS” Quem circula em Brasília se impressiona: aumentou o número de veículos com adesivos de campanha de Dilma Rousseff presidenta e Agnelo Queiroz governador do DF, após a vitória deles no dia 31.
BALÃO DE ENSAIO O governador do Ceará, Cid Gomes, propôs o apoio do PSB à eventual candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência do Senado. Não colou, mas serviu para ilustrar a aproximação, em curso, de Aécio com Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do partido.
A POSTOS Ex-assessor internacional do Ministério de Minas e Energia por várias gestões, o novo embaixador do Brasil na Austrália, Rubem Correa Barbosa apresentou as credenciais e já assumiu o posto em Canberra.
VAIDADE TEM NOME Catálogo dos Correios oferece a coleção de selos Legado Brasileiro a R$ 395. O catálogo chique, com uma foto emoldurada do presidente da estatal, David José de Mattos, certamente é mais caro que a coleção.
PF DIVIDIDA O presidente da Federação dos Policiais Federais, Marcos Vinício Wink, diz que nem de longe o diretor Luiz Fernando Correa pacificou a PF. “Ao contrário: dividiu novos e antigos, peritos e papiloscopistas, terceirizou setores importantes e virou a cara para os administrativos”.
PIADA NÃO CONTADA O lobby gay na mídia criticou o premiê italiano Silvio Berlusconi por dizer preferir mulheres a ser bicha, mas não contou que era gozação com o maior opositor, Nichi Vendola – que finalmente saiu do armário.
PENSANDO BEM......teremos uma vovó na Presidência e um vuvuzela balançando o “berço”.
PODER SEM PUDOR
CACIQUE RECIFENSE
Fundador do PMDB, Liberato Costa Júnior cumpria seu sexto mandato na Câmara Municipal do Recife quando foi chamado ao Palácio do Campo da Princesas pelo amigo e governador Miguel Arraes que decidira lançar-se candidato a deputado federal e tinha a perspectiva de eleger (como elegeu) seis candidatos com a sobra dos seus votos. Liberato, você pode ser o representante de nosso grupo na Região Metropolitana, propôs. Liberato não se emocionou.
– Arraes, Brasília é muito longe. Lá, ninguém me conhece. Além disso eu gosto de almoçar em casa todos os dias.
No ultimo domingo, aos 86 anos, o “Velho Liba” se elegeu vereador para o 10º mandato no Recife.

Em clima de anos 70, Califórnia elege um veterano ao governo

Em clima de anos 70, Califórnia elege um veterano ao governo
Aos 72 anos, Jerry Brown, que vive "no mundo da lua", já governou Estado antes
FERNANDA EZABELLA DE LOS ANGELES
O democrata Jerry Brown faz o discurso da vitória na Califórnia - Foto: Reuters
Enquanto os americanos deram uma virada à direita nas eleições desta semana, a Califórnia resolveu voltar aos anos 70 e reeleger um político com mais de 40 anos de experiência.
O democrata Jerry Brown, atual procurador-geral do Estado, foi duas vezes governador da Califórnia (1975-83).
Ele venceu a executiva bilionária Meg Whitman com 55% dos votos e uma campanha que gastou US$ 30 milhões, contra os US$ 142 milhões (cerca de R$ 240 milhões) da adversária.
Brown foi o mais jovem governador eleito em 1975 desde os anos 1850. Agora, aos 72 anos, é o mais velho entre os líderes já eleitos no Estado, o mais populoso do país.
Na época do seu primeiro mandato, Brown ganhou o apelido de "moonbeam", algo como "no mundo da lua", não só por sua paixão pelo espaço e a proposta de lançar um satélite estatal de comunicações, mas também pelas atitudes pouco comuns de continuar morando num quarto e sala e dirigir seu próprio carro, deixando de lado a mordomia da mansão e da limusine que tinha direito.
Ele também costumava sair com a elite de Hollywood e chegou a ser capa da revista Newsweek ao lado da namorada e cantora Linda Ronstadt. Em 2005, ele se casou com uma ex-executiva da loja de roupas Gap.
Entre suas plataformas estavam "mais honestidade" no processo orçamentário, fim do aumento de impostos (a não ser que aprovado por eleitores) e dar a cidades e Condados mais poder.
Ele pretende criar 500 mil novos empregos investindo em tecnologia sustentável.
Brown estudou para ser padre, mas resolveu seguir os passos do pai e virou advogado. Também foi prefeito de Oakland de 1998 a 2006 e tentou três vezes disputar a Presidência e uma vez o Senado, sem sucesso.
Para Joe Mathews, autor do livro "Califórnia Crackup" ("desmoronamento da Califórnia", em tradução livre), que analisa os problemas do Estado, Brown será uma "continuação" do atual governador, Arnold Schwarzenegger, pois as propostas fiscais prometidas em campanha foram tentadas por ele.

SPONHOLZ


Quelqu'un M'a Dit (tradução) - Carla Bruni

Os gnus, Zâmbia

Fotografia por Chris Johns, a National Geographic

As viúvas da CPMF

As viúvas da CPMF
Celso Ming - O Estado de S. Paulo - 05/11/2010
O próximo governo nem obteve ainda os diplomas da Justiça Eleitoral e não faz a menor questão de disfarçar sua propensão à voracidade tributária. Como admitido pela recém-eleita presidente da República, Dilma Rousseff, está sendo examinado o lançamento de um projeto de lei destinado a exumar o cadáver da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF.
Quando foi extinto, em dezembro de 2007, por meio da rejeição da Emenda 29, o ministro Guido Mantega ainda tentou manter o imposto com uma alíquota simbólica, de 0,08% (e não mais de 0,38%), apenas para dar à Receita Federal um instrumento adicional para seguir rastros de sonegação. Agora, um alentado grupo de governadores alinhados com o governo federal pressiona a futura administração para arrancar mais dinheiro do contribuinte por meio da volta da CPMF.
A justificativa é velha de guerra: é a de que é preciso mais recursos para a saúde. Era o que o então ministro Adib Jatene já dizia em 1993. Logo se viu que o total arrecadado pela CPMF foi para o caixa geral e o orçamento para a saúde ficou onde estava.
A CPMF é um imposto sabidamente de má qualidade, que está voltando à pauta num momento em que a necessidade da economia é justamente reduzir a carga tributária para dar mais competitividade ao produto nacional.
É um imposto ruim porque é cumulativo (incide em cascata), ao longo de toda a cadeia produtiva. Quando estava em vigor, o preço de qualquer produto se transformava em árvore de Natal carregada de CPMF. O pijama do garoto vendido na loja, por exemplo, era bem mais do que um arranjo de fios, tecidos e aviamentos. Nele vinha CPMF aos cachos. O imposto era recolhido quando o agricultor comprava a semente de algodão, quando punha combustível no tanque do trator para arar a terra, quando pulverizava a plantação e quando pagava pela colheita. Continuava recolhendo CPMF quando o algodão era descaroçado, quando era conduzido para a fiação, quando se transformava em mercadoria acabada na malharia, quando era vendido ao varejista e, finalmente, quando chegava ao consumidor. Era imposto sobre imposto, que tirava competitividade ao produto brasileiro, porque lá fora não existem deformações tributárias desse tipo.
Os argumentos do governo de que a CPMF é imprescindível para garantir o financiamento do Estado foram prontamente desmentidos. Sem a CPMF, a arrecadação está crescendo 13% em 2010.
A conjuntura global está pedindo movimento em direção contrária ao que vai sendo pleiteado por esses políticos e, aparentemente, encontrou certa acolhida na futura presidente. Já não dá para compensar com "mais câmbio" a falta de competitividade do produto industrial brasileiro. Por isso, para derrubar o custo Brasil, além de cortar os juros, é preciso derrubar a carga tributária, e não o contrário.
A proposta, veiculada tão rapidamente como foi, mostra que os políticos pendurados no governo não olham para o interesse público. São viúvas da CPMF, só pensam em gastar e estavam até agora à espera do momento mais propenso para ressuscitá-la.

Essa gente adora moleza tributária - e, de fato, não há imposto mais fácil de arrecadar: cai automaticamente na conta do Tesouro a cada movimentação bancária.
Doeu
O gráfico dá uma ideia do impacto global provocado pelo afrouxamento monetário quantitativo (despejo de US$ 600 bilhões em oito meses nos mercados) anunciado ontem pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
A conta da crise
A primeira operação desse tipo, em 2008, foi entendida como medida destinada a apagar o incêndio da crise. A que foi anunciada ontem foi imediatamente tomada como tentativa de empurrar a conta da crise para o resto do mundo.

Brasileiro administra empreendimento no Qatar

Brasileiro administra empreendimento no Qatar
Maria Cristina Frias - Folha de S.Paulo - 05/11/2010
Nem só investimentos no exterior, como a aquisição de 5% do Banco Santander Brasil, ou da loja londrina Harrods, ocupam o xeque Hamad bin Khalifa Al -Thani, do Qatar. O emir, que, com frequência tem ido às compras com seu fundo soberano de cerca de US$ 140 bilhões, quer também promover a cultura árabe e de "outras partes do mundo".
O xeque, de ares reformistas, investiu US$ 1 bilhão para fazer a Vila Cultural, cuja primeira fase começou a funcionar na semana passada.
À frente da administração do complexo cultural está o brasileiro Márcio Barbosa, ex-presidente do Inpe (Pesquisas Especiais), ex-vice da Unesco e que já foi candidato à direção-geral da entidade com apoio de vários países.
O governo brasileiro, em sua tentativa de aproximação do mundo árabe, porém, preferiu o egípcio Farouk Hosny. Nem um nem outro ficou com o cargo, que foi para a búlgara Irina Bokova, mas Barbosa acabou se tornando assessor do xeque.
As instalações da Vila, que se chamará Katara - Vale das Culturas, antigo nome da região, têm estilo de uma cidade antiga árabe. Estão prontos: um anfiteatro para 5.000 pessoas, dois teatros ( e cinema), sala de exposições, lojas, restaurantes (egípcio, turco, indiano, italiano, entre outros) e a primeira praia pública de Doha.
Ainda serão construídos um grande shopping center e 400 casas de luxo.
"De forma equilibrada, a Vila deve oferecer eventos de qualidade, representativos das culturas do mundo", diz Barbosa. "Não existe nada nessa magnitude no Golfo Pérsico." O lado comercial das operações, como restaurantes, foi pensado para captar recursos para atividades.
São Paulo é a terceira cidade na preferência de empresários europeus
A cidade de São Paulo é o terceiro destino de preferência de empresários europeus para a abertura de escritórios nos próximos cinco anos, segundo levantamento realizado pela consultoria americana Cushman & Wakefield.
A metrópole brasileira fica atrás de outros destinos dos Brics, Xangai e Nova Déli. Mas aparece à frente de Nova York e Tóquio.
"São Paulo é o maior mercado de edifícios comerciais da América Latina. Tem prédios de qualidade, modernos e inteligentes pra oferecer a essas empresas. Isso pode explicar o interesse", diz Mariana Hanania, da Cushman.
A consultoria ouviu as 500 maiores empresas em nove países da Europa e questionou o interesse em expansão global fora do continente.
O Rio foi o sexto, impulsionado por Copa e Olimpíada.
Em setembro, a cidade registrou nível recorde em preço médio de locação de espaços para escritórios classe A, ultrapassando os R$ 140 por metro quadrado por mês. A valorização foi de 60% ante o terceiro trimestre de 2009.
HERANÇA DO ESTADO O governo do Estado de São Paulo terminará esta administração tendo investido algo em torno de R$ 63 bilhões. Apenas neste ano, o valor superará os R$ 20 bilhões, média de investimento que o Estado aplicava antes. O governador eleito, Geraldo Alckmin, herdará cerca de R$ 10 bilhões em operações de crédito já contratadas para realização de obras.
Cresce intenção de contratação no mundo, diz pesquisa
O mercado de trabalho apresenta melhora no mundo. A intenção atual de contratação de profissionais de nível médio subiu de 54% em junho para 57% neste mês, segundo pesquisa da Antal, empresa internacional de recrutamento.
No Brasil, as contratações aumentaram e devem continuar forte nos próximos meses. De acordo com o levantamento, 70% das empresas estão contratando no momento, ante 65% em junho.
Para os próximos três meses, a intenção de contratação no mercado brasileiro é de 71%, ante 66% na pesquisa anterior.
O levantamento foi realizado em 52 países com mais de 9.100 empresas.
Para o próximo trimestre, 58% das empresas no mundo pretendem aumentar o seu quadro de funcionários.
A região mais otimista é a Ásia, em que 76% dos entrevistados esperam aumento das contratações.
Já os países mais pessimistas para os próximos três meses são Hungria, Alemanha e Espanha, com 28%, 31% e 34%, respectivamente.
Construção... O setor de construção civil deve ser um dos alvos da sociedade para alcançar redução das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera, de acordo com o canadense Nils Larsson, diretor da Iniciativa Internacional para um Ambiente Construído Sustentável.
...climática A rápida redução de gases do efeito estufa no ambiente construído será o tema apresentado pelo especialista no 3 º Simpósio Brasileiro da Construção Sustentável, que acontece na próxima semana, na Amcham (Câmara Americana do Comércio), em São Paulo.
PEDRAS PRECIOSAS
O grupo espanhol Cosentino, que comercializa mármore, granito e silestone (produto de cristal de quartzo), investe R$ 83 milhões na operação brasileira neste ano.
Desse total, R$ 70 milhões foram aplicados em modernização e tecnologia e R$ 13 milhões na ampliação da fábrica brasileira, localizada em Vitória (ES), e na criação de centros de distribuição.
Até dezembro, será inaugurado um centro em Brasília e, no ano que vem, estão previstos um em São Paulo e outro em Santa Catarina.
A empresa também estuda se fixar no Nordeste.
"Nos próximos anos, investiremos mais R$ 30 milhões aproximadamente para ampliar nossa capacidade", diz Eduardo Cosentino, dono da empresa.
A expectativa é elevar a produção de cerca de 250 contêineres por mês -dos quais 140 são exportados- para 400 em 2011. Cada unidade comporta 350 m2 de chapas de 2 cm de espessura cada uma.
"Com a ampliação, poderemos exportar para o resto do mundo a partir do Brasil", diz o executivo.

AROEIRA


Filho de cubanos, novo senador vira sensação da direita

Filho de cubanos, novo senador vira sensação da direita
Marco Rubio, da Flórida, ganha projeção nos EUA e tem trajetória comparada com a do presidente Obama
Para estrategista do Partido Republicano, resultado reflete a ascensão de uma nova geração de líderes
DAMIEN CAVE - DO "NEW YORK TIMES"
Para muitos dos conservadores do movimento Tea Party, bem como para os hispânicos, a vitória de Marco Rubio na eleição da Flórida para o Senado oferece motivos extras de comemoração. A direita enfim tem um herói de ação: jovem, dinâmico, sério quanto às questões de governo e dotado de uma biografia que parece feita de encomenda para inspirar.
"Ele é o nosso Barack Obama cubano", disse Alex Lacayo, voluntário da campanha de Rubio, durante a festa de vitória na terça-feira à noite. "Ele nos dá esperança", disse o voluntário, que não conseguia conter o entusiasmo e estava abraçando até mesmo desconhecidos.
A comparação já foi feita anteriormente, mas ao sair em desvantagem e derrotar tanto o governador Charlie Crist quanto o deputado Kendrick Meek, Rubio, 39, cavou espaço no cenário nacional.
Com ajuda do Tea Party, o legislador estadual se transformou naquilo que a imprensa conservadora vem definindo como "a grande esperança da direita".
E no entanto seu percurso até o Senado não foi tão simples; e seus amigos e partidários afirmam que o mesmo se aplica ao futuro de sua carreira. Rubio não é libertário como Rand Paul, que acaba de se eleger senador pelo Kentucky, e sua experiência política foi adquirida sob a tutela do ex-governador Jeb Bush, e não de Sarah Palin.
Ele mudou de posição quanto a temas como a imigração e, depois de uma campanha travada com fervor ideológico e caracterizada por discursos contra Obama, agora parece estar ansioso a agir de modo pragmático. Mas quem é Marco Rubio?
Em entrevista coletiva na quarta, parecia ser um jovem senador eleito que mencionou o presidente só uma vez, e no contexto de encontrar maneiras de trabalhar com, e não contra o presidente.
Pessoas que conhecem Rubio há muito tempo se declararam surpresas com a rapidez na virada de sua sorte. Rebeca Sosa, antiga vereadora no condado de Miami-Dade e amiga de Rubio desde que ele começou na política, disse que os eleitores do bairro em que ele se criou não o reconheciam quando iniciou sua campanha ao Senado batendo de porta em porta.
Alex Castellanos, estrategista do Partido Republicano, diz que Rubio reflete a ascensão de uma geração de líderes partidários que serão capazes de "conquistar o centro por causa de princípios, e não apesar deles".
Filho de exilados cubanos, Rubio fez da história de seus pais a peça central de sua campanha, mas também reverteu a oposição que tinha anunciado inicialmente às medidas de repressão a imigrantes ilegais adotadas pelo Arizona, depois de sofrer pressão dos conservadores.
Castellanos afirma que Rubio precisa tomar cuidado com os novos amigos. "O maior desafio para ele é não se deixar capturar pelo Partido Republicano ou pelo Tea Party", disse. "E continuar sendo Rubio".
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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