| Homem passa ao lado de parede onde lê-se 'Independência e Socialismo. País Basco ETA', em Caracas, em 5 de outubro |
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quinta-feira, outubro 07, 2010
Espanha pede à Venezuela ações concretas a respeito de treinador do ETA
Espanha pede à Venezuela ações concretas a respeito de treinador do ETA
JORNAL DO BRASIL
O governo espanhol pediu nesta quarta-feira ao executivo venezuelano ações concretas e específicas a respeito de um suposto membro do ETA, Arturo Cubillas, que, segundo a justiça espanhola, teria treinado ativistas da organização armada basca na Venezuela.
Arturo Cubillas, segundo a justiça espanhola, teria treinado ativistas da ETA na Venezuela
Arturo Cubillas figura entre os 12 membros do ETA e da guerrilha colombiana das Farc cuja prisão foi pedida, em março passado, por Eloy Velasco, juiz da Audiência Nacional, principal instância penal espanhola, dentro da investigação da suposta colaboração entre esses dois grupos armados para realizar atentados contra personalidades colombianas na Espanha.
Esta semana, dois supostos membros de um comando do ETA, afirmaram, durante interrogatório, terem sido treinados na Venezuela em 2008, segundo a justiça espanhola.
O ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Angel Moratinos, falou nesta quarta com o embaixador venezuelano na Espanha, Isaías Rodríguez, para pedir "uma cooperação mais intensa e atuações mais concretas e específicas em relação a senhor Cubillas", afirmou a vice-presidente do governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega.
O opositor Partido Popular (PP, conservador) também pediu nesta quarta ao governo socialista que faça um protesto formal ante o executivo venezuelano pelas declarações de seu embaixador sobre a confissão de dois supostos integrantes do ETA sobre sua presença na Venezuela.
Segundo Isaías Rodríguez, Caracas tem sérias dúvidas de que a confissão de dois membros do ETA detidos na Espanha afirmando que teriam recebido treinamento na Venezuela em 2008 tenham sido voluntárias,
"A Venezuela tem sérias dúvidas de que estas declarações, falsas e maliciosas por parte dos indivíduos que as emitiram, tenham sido totalmente voluntárias", afirmou Rodríguez.
"A suposta confissão pode muito bem ter sido arrancada irregularmente e, se assim foi, não têm qualquer valor probatório", disse ainda, avisando que pode se tratar de "uma estratégia jurídica dos acusados para abrandar sua pena".
O governo espanhol deixou claro que o fato de dois supostos etarras terem feito essas afirmados não significa que as autoridades desse país estejam envolvidas.
"Não há dado algum, nenhuma afirmação de nenhum destes etarras que permita inferir, deduzir, ou sequer suspeitar que o governo venezuelano tenha algo a ver com isso. Quero que isto fique bem claro", declarou o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba.
Os dois etarras, Juan Carlos Besance Zugasti e Xavier Atristain Gorosabel, indicaram no interrogatório ante a Guarda Civil que fizeram "cursinhos de formação" em julho e agosto de 2008 na Venezuela, segundo o auto judicial divulgado nesta segunda-feira.
A publicação dos autos levou a Espanha a pedir mais informações à Venezuela "dentro da cooperação bilateral na luta antiterrorista" mantida por ambos os países, segundo fontes da chancelaria espanhola.
Besance e Atristain, membros do comando "Imanol", criado em 2005, estiveram primeiro, sob a direção do chefe do ETA, Mikel Karrera Sarobe, ou "Ata" (detido em maio de 2010 na França), em "cursinhos de formação" na França para aprender a manejar armas e codificar dados na localidade de Luz-Saint-Sauveur (sudoeste).
Mais tarde ambos receberam instruções de Ata para continuar sua formação na Venezuela e entraram em contato com "duas pessoas identificadas como Arturo Cubillas Fontán e José Lorenzo Ayestarán Legorburu", segundo o auto do Ismael Moreno, juiz da Audiência Nacional, principal instância judicial espanhola.
A justiça espanhola suspeita há meses que a Venezuela sirva de esconderijo de membros do ETA, o que levou a Associação de Vítimas do Terrorismo (AVT), uma das principais organizações de vítimas do terrorismo espanhol, a pedir que Madri rompa relações com a Venezuela "se este país não deixar de treinar etarras".
Presidente do Equador diz que tentativa de golpe ainda não acabou
Presidente do Equador diz que tentativa de golpe ainda não acabou
R 7 - Rafael Correa alerta para um possível novo atentado e denuncia corrupção policial
A tentativa de golpe de Estado de quinta-feira passada no Equador não terminou, afirmou nesta quarta-feira (6) o presidente Rafael Correa, que alertou para um possível atentado no futuro, inclusive por parte dos policiais.
- Para nós o golpe não acabou, continua, e é preciso ter cuidado. Um atentado pode acontecer.
Em um encontro com a imprensa estrangeira, Correa denunciou que os rebelados atiraram contra uma ambulância que levava militares feridos - que participam em seu resgate na quinta de um hospital - e que tentaram executar dois soldados que se salvaram, fingindo-se de mortos.
- Com gente assim solta é impossível dizer que, no futuro, não se poderá esperar algum incidente. Enquanto existir essa gente na polícia, vai ser muito difícil não haver um ato violento ou um excesso policial no futuro.
Ainda hoje a Procuradoria do Equador ordenou a prisão de 50 pessoas por suposta participação na rebelião, sendo que 46 são policiais, informou o ministro do Interior, Gustavo Jalkh.
A prisão para investigações se soma à detenção de Fidel Araujo, colaborador próximo ao ex-presidente equatoriano Lúcio Gutiérrez. Araujo aparece em imagens falando ao celular em um regimento de Quito durante as primeiras horas do protesto policial.
América Latina pode sofrer mais golpes, diz chefe OEA
A América Latina deve estar alerta após a tentativa de golpe de Estado no Equador, já que situações parecidas podem se repetir em outras partes da região, advertiu nesta quarta o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.
Insulza disse, durante uma sessão extraordinária da OEA, que as autoridades do continente acreditavam que o golpe de Honduras de junho de 2009, que derrubou o presidente Manuel Zelaya, tinha sido uma exceção em uma região que teve anos de estabilidade democrática.
- Tentou-se outra vez. É possível que, se não tivermos cuidado, possa ocorrer novamente.
Insulza reiterou que o ocorrido no Equador semana passada foi "uma tentativa de golpe de Estado".
terça-feira, outubro 05, 2010
Região à mercê de turbulências
Região à mercê de turbulências
O Globo
O golpe de junho de 2009 em Honduras e a crise que abalou o governo do Equador na semana passada são exemplos claros de que, apesar dos progressos, a América Latina ainda sofre de perigosa fragilidade institucional. A crise hondurenha se arrastou por meses e dividiu a região entre pragmáticos, que apoiaram a realização de novas eleições (à frente os EUA) e legalistas, que se prenderam a tecnicalidades para tentar reconduzir o presidente apeado do poder (à frente o Brasil).
Sem falar em Cuba — último parque temático do stalinismo, mas a caminho de alguma abertura por absoluta falta de opção —, desenvolveu-se na América do Sul uma vertente “bolivariana” a partir da experiência de Hugo Chávez, na Venezuela. Ela se baseia num populismo nacionalista desenfreado, com paulatina corrosão das instituições democráticas e adoção da chamada democracia direta, em que referendos pontuais substituem (ou convivem com) eleições convencionais. Como políticos de poucos escrúpulos podem chamar como quiserem suas invenções, essa ganhou o nome futurístico de “socialismo do século XXI”. Mas se trata mesmo do velho autoritarismo latino-americano.
Na época dos preços do petróleo nas alturas, Chávez fez de tudo para fazer amigos e obteve a firme adesão de Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia. O recurso ao nacionalismo e os instrumentos chavistas até possibilitaram a Correa interromper o ciclo de instabilidade política no Equador (oito presidentes nos últimos 13 anos). Mas na semana passada ele foi engolfado por um protesto de policiais que haviam perdido algumas vantagens e preferiu chamar a crise de tentativa de golpe. Já Evo Morales teve de tirar o pé do “acelerador bolivariano” depois de uma crise que ameaçou rachar a Bolívia em duas. Na Argentina, os governos K (primeiro Néstor, depois Cristina) têm demonstrado um viés autoritário preocupante, travando uma guerra aberta contra a imprensa independente em que se utilizam de todos os expedientes para sufocar a liberdade de expressão. Na esteira do ocorrido no Equador, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiu acelerar a inclusão de uma cláusula democrática no bloco, como no Mercosul — que isolaria países onde houver ruptura institucional. É uma medida acertada e desejável. Mas é preciso que seja levada a sério. Não pode ser como vem fazendo o principal país da região, o Brasil, em relação ao ingresso da Venezuela no bloco comercial.
Finge que há democracia por lá e apoia a entrada de Caracas no bloco. Assim não há cláusula democrática que dê jeito.
sexta-feira, outubro 01, 2010
Cercado, Correa decreta exceção
Cercado, Correa decreta exceção
Presidente denuncia tentativa de golpe após rebelião de policiais e ameaça dissolver Congresso
QUITO – O Globo
Queimando pneus e lançando bombas de gás lacrimogêneo, milhares de policiais e militares ocuparam quartéis e aeroportos em todo o país em repúdio à aprovação da lei por decreto presidencial, na véspera. Na confusão, uma pessoa morreu e pelo menos seis ficaram feridas, segundo fontes oficiais. Ruas foram fechadas em Quito. Houve relatos de saques e confrontos de estudantes em Guaiaquil e Cuenca. No interior, policiais de ao menos sete províncias aderiram aos protestos, e manifestantes tomaram a sede do governo provincial de Cotopaxi, afirmando que só voltariam ao trabalho quando lhes fossem devolvidos os direitos eliminados pela lei - parte de um pacote de austeridade do governo. Mais tarde, os rebeldes invadiram a TV estatal para tentar interromper o sinal da emissora, que veicula notícias críticas aos manifestantes.
Numa tentativa de pôr fim aos protestos, Rafael Correa se dirigiu ao principal quartel de Quito, onde fez um discurso acalorado, chamando os revoltosos de traidores.
- Não darei nenhum passo atrás, se querem tomar os quartéis, se querem trair sua missão de policiais, traiam. Se querem matar o presidente, aqui está, matem se têm vontade. Se querem destruir a pátria, aqui está - declarou Correa, que em seguida se referiu aos policiais como "bandidos ingratos".
Os manifestantes começaram, então, a ameaçar Correa, que buscou refúgio dentro do quartel. Usando máscara antigás, o presidente chegou a ser atingido por uma garrafa, e teve de ser hospitalizado ao apresentar problemas respiratórios causados por bombas de gás lacrimogêneo lançadas pelos policiais.
Enquanto isso, o chefe das Forças Armadas, Ernesto Gonzalez, anunciou que a instituição continuava leal ao presidente.
- Nós estamos dentro de um Estado de lei. Somos leais à autoridade máxima, que é o presidente - disse à imprensa.
Atendendo os chamados do chanceler equatoriano, Ricardo Patino, que pediu à população que "resgatasse o presidente" do hospital militar, partidários de Correa saíram às ruas para demonstrar apoio ao governo. Cerca de 800 deles se reuniram em frente ao palácio presidencial, enquanto outros tentavam entrar no hospital, de onde Correa não havia saído até a noite por pressão de policiais que circundavam o prédio. Houve confronto entre os dois grupos, e alguns partidários de Correa jogaram pedras em policiais que os impediam de entrar no edifício. Do lado de dentro, o presidente se reuniu com representantes dos policiais revoltados, mas afirmou que não negociaria com os dissidentes até que as manifestações fossem encerradas. Correa também rejeitou qualquer operação de resgate, dizendo querer evitar mais violência, e acusou a oposição de tentar depô-lo.
- É uma tentativa de golpe de Estado da oposição. São certos grupos alocados nas Forças Armadas e na polícia, basicamente da Sociedade Patriótica - disse à Rádio Pública, em referência ao partido do ex-presidente Lúcio Gutiérrez, que governou o país entre 2003 e 2005.
Gutiérrez negou à Agência EFE estar por trás da iniciativa dos dissidentes.
Diante dos acontecimentos no país, a Organização de Estados Americanos (OEA) realizou uma sessão extraordinária, onde aprovou uma resolução favorável a Correa. A União das Nações Sul-Americana (Unasul) também convocou reunião de emergência em Buenos Aires para discutir a crise.
A onda de caos no Equador ocorre num momento em que o presidente enfrenta um impasse com parlamentares do seu próprio partido. A Aliança País, partido de Correa, não tem maioria no Legislativo, e os próprios deputados governistas vêm barrando a aprovação de alguns dos principais projetos propostos pela Presidência. Por telefone, de dentro do hospital, Correa confirmou que estuda a dissolução do Congresso - possibilidade prevista na Constituição aprovada em 2008. Segundo a Carta, se o Legislativo esbarrar num impasse, o presidente pode aplicar a chamada "morte cruzada" e dissolver a Assembleia Nacional, convocando eleições gerais.
Sem segurança policial, as atividades do Congresso foram suspensas, e os rebeldes cercaram e invadiram a Casa, alegando intenção de defender a democracia.
Alarmados, líderes regionais saem em socorro de Correa
Chefes de Estado da Unasul se reúnem em caráter emergencial em Buenos Aires
Fernando Eichenberg
WASHINGTON. A ameaça contra o presidente do Equador, Rafael Correa, causou alvoroço na diplomacia latino-americana. Enquanto chefes de Estado corriam para Buenos Aires para uma reunião de emergência da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) nesta madrugada, em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovava uma resolução de solidariedade ao líder equatoriano. O secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, defendeu a atuação enérgica de governos e instituições multilaterais "para evitar que o golpe de Estado se consume":
- É muito importante que se vejam todos os países da América unidos contra isto.
Chávez convoca seus aliados por meio do Twitter
Com discursos incendiários, aliados do governo de Quito saíram em socorro do líder equatoriano. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que manteve constante contato ontem, por telefone, com Correa, declarou seu apoio. Pelo Twitter, o venezuelano alardeou: "Estão tentando derrubar o presidente Correa. Alerta aos povos da Aliança Bolivariana (para as Américas, Alba)! Alerta aos povos da Unasul! Viva Correa!".
- Seria grande ingenuidade pensar que tudo isso está relacionado à diminuição salarial - apontou Chávez, em entrevista à Telesur, certo de articulações políticas para depor seu amigo.
Outro velho aliado de Quito, o presidente boliviano, Evo Morales, pediu que os chefes de Estado da região viajassem à capital equatoriana para "salvar a vida de Rafael Correa".
O governo da Colômbia alertou para a necessidade de uma solução pacífica para restabelecer a ordem pública e institucional. Sem perder a chance de alfinetar os Estados Unidos ao se pronunciar contra o que viu como uma tentativa de golpe, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, lembrou a Washington que "a omissão a tornaria cúmplice" de um golpe. Fidel Castro também se pronunciou:
- O golpe, na minha opinião, já está perdido. Obama e Hillary não terão escolha a não ser condená-lo - disse, referindo-se ao presidente Barack Obama e à secretária de Estado Hillary Clinton.
O embaixador brasileiro na OEA, Ruy Casaes, leu em voz alta para o plenário da organização o comunicado oficial do Itamaraty, e acrescentou:
- Não podemos ficar de braços cruzados diante de fatos que ameaçam a democracia em um dos países-membros. Nossa resposta deve ser imediata, unânime e contundente.
Além dos países sul-americanos, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou preocupação com a integridade física de Correa e garantiu o reconhecimento da ONU a seu governo. França e Espanha também condenaram "a alteração da ordem constitucional equatoriana" e pediram calma.
Após rebelião e dia de caos, chefe de polícia do Equador se demite
Após rebelião e dia de caos, chefe de polícia do Equador se demite
G1
Protesto de tropas deixou presidente sitiado 10 horas em hospital em Quito.
Governo denunciou tentativa de golpe e decretou estado de exceção.
O chefe de polícia do Equador, Freddy Martinez, demitiu-se oficialmente na manhã desta sexta-feira (1º), depois de não ter conseguido conter a rebelião de policiais que manteve o presidente do país, Rafael Correa, praticamente como refém durante mais de 10 horas em um hospital da capital, Quito, na véspera.
Correa, que denunciou no episódio uma tentativa de golpe de setores da oposição, precisou ser retirado do local em uma operação de resgate feita pelas Forças Armadas.
Correa confirmou que um integrante de uma equipe policial de elite, leal ao governo, morreu na operação realizada para resgatá-lo.
O presidente enfrenta um forte protesto de policiais, pois ameaça retirar uma série de benefícios econômicos dos militares e da polícia, dentro de seu plano de austeridade e enxugamento do setor público. O governo decretou estado de exceção depois de denunciar que enfrenta uma tentativa de golpe de Estado.
Em entrevista após ser libertado, Correa disse que o militar morto era Froilán Jiménez, do Grupo de Operações Especiais (GOE) da polícia.
O presidente foi recebido na noite de quinta como um herói na Praça Maior de Quito. Do balcão do palácio, Correa pronunciou um emocionado discurso no qual confessou ser este "um dos dias mais tristes" de sua vida, e "sem dúvida o mais triste" de quase quatro anos de governo.
Rafael Correa falou em entrevista para a imprensa no palácio Carondolet, após ser resgatado (Foto: Guillermo Granja/Reuters)"Por um grupo de delinquentes, pela infâmia dos conspiradores de sempre, maltrataram, sequestraram o presidente, e para libertá-lo caíram irmãos equatorianos."
Correa disse que outras cinco pessoas se machucaram entre os efetivos leais ao governo.
"Hoje, um presidente não claudicou como fizeram outros covardes", disse Correa sobre seus predecessores derrubados na última década. "Lucio assassino", respondeu a multidão reunida na praça, em alusão ao ex-presidente Lucio Gutiérrez, um golpista depois eleito presidente e derrubado do poder em 2005.
quinta-feira, setembro 30, 2010
EUA mudam de tática contra o Irã
EUA mudam de tática contra o Irã
Em medida inédita, Washington aplica sanções a oficiais acusados de violar direitos humanos
O Globo - TEERÃ e WASHINGTON
Depois das sanções econômicas decretadas devido ao avanço do programa nuclear do Irã, os Estados Unidos decidiram punir a república islâmica por violações dos direitos humanos durante os violentos choques entre milícias pró-governo e oposicionistas que se seguiram à reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em junho de 2009, quando estima-se que pelo menos 150 pessoas tenham morrido e mais de 500 sido presas. A medida, até então inédita, atinge oito altos funcionários do governo iraniano — entre ministros e generais — que terão bloqueados quaisquer bens que tenham nos EUA, além de serem proibidos de fazer negócios com americanos e terem negados vistos de entrada no país.
As sanções foram autorizadas por um decreto executivo assinado na terçafeira pelo presidente americano, Barack Obama, e confirmado ontem pela secretária de Estado, Hillary Clinton, e pelo secretário do Tesouro, Timothy Geithner. Segundo a Casa Branca, a lista de nomes sujeitos a punições “vai continuar crescendo baseada nos eventos no Irã, e à medida que se tenha acesso a informações e evidências adicionais”.
Entre os oito punidos está Mohammad Ali Jafari, comandante das Guardas Revolucionárias do Irã, que teria liderado as forças que reprimiram os protestos da oposição. A relação inclui Qolam Hossein Mohseni-Ejei, atual Procurador-Geral do Irã e ministro de Inteligência na época, Said Mortazavi, ex-procurador-geral de Teerã, e Heydar Moslehi, ministro da Inteligência desde agosto de 2009.
Imprensa americana questiona atraso
À lista negra foi incorporado ainda o ministro da Segurança Social, Sadeq Mahsouli, então à frente da pasta do Interior — tendo autoridade sobre as forças de segurança. Outros marcados pelos EUA são Mostafa Mohammad Najjar, vice-comandante das Forças Armadas, Ahmad-Reza Radan, vicediretor da Polícia Nacional e Hossein Taeb, vice-comandante de Inteligência das Guardas Revolucionárias.
A secretária de Estado Hillary Clinton justificou as sanções, alegando que as medidas são uma declaração dos valores americanos.
— Falamos por aqueles que não conseguem falar por si por temer violência contra si e suas famílias. Sob o olhar desses funcionários ou sob seu comando, cidadãos iranianos foram arbitrariamente espancados, torturados, estuprados, chantageados e assassinados — afirmou a secretária.
Diante do clima de campanha e da crescente expectativa americana pelas eleições legislativas de novembro em Washington, a mudança de tática da Casa Branca — alçando a atraente temática dos direitos humanos como mola propulsora de novas sanções — fez repórteres questionarem o motivo da punição mais de um ano depois dos protestos que chacoalharam a capital iraniana. Hillary justificou a demora baseada na legislação.
— Sempre condenamos as violações dos direitos humanos. Hoje estamos avançando nas críticas ao governo, estamos marcando os responsáveis dentro desse governo, que podem ser rastreadas por abusos — afirmou, citando a legislação recémaprovada pelo Congresso, que permitiu sanções unilaterais ao Irã, como facilitadora das investigações financeiras dos oficiais punidos.
Antes de deixar Nova York, onde participou da Assembleia Geral da ONU, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, alfinetou o presidente Barack Obama, afirmando que “alguns políticos americanos aconselharam o presidente a demonstrar ações duras contra o Irã até as eleições parlamentares de novembro”.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também deixou os EUA em tom crítico, falando da “ guerra travada contra a imprensa”.
— Essas entrevistas foram verdadeiras batalhas, uma guerra, apesar de dizerem que existe liberdade de imprensa, na verdade eles trabalham em favor dos responsáveis americanos — afirmou ele, à Press TV.
Vírus atrapalha projeto nuclear
Apesar das hostilidades, a chanceler da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou ontem que Teerã voltará a negociar a questão nuclear com o chamado P5+1 “dentro de algumas semanas”.
Ahmadinejad, no entanto, — que insiste em minimizar os já aparentes efeitos das sanções na economia — sofreu um revés estratégico: foi forçado a adiar a inauguração da usina nuclear de Busherh, a primeira do país.
O atraso se deve a uma pane no sistema de computação geral iraniano, afetado por um vírus. O ministro de Telecomunicações iraniano, Reza Taghipour, negou que dados importantes tenham sido afetados, mas culpou EUA e Israel pela ofensiva virtual.
— Os EUA e outros inimigos que sofreram pelo discurso justo do presidente iraniano na ONU querem uma cyberguerra com o Irã — denunciou o ministro à estatal agência Irna.
terça-feira, setembro 14, 2010
Após reconhecimento da independência de Kosovo, Sérvia pode entrar para a UE
Após reconhecimento da independência de Kosovo, Sérvia pode entrar para a UE
Ricardo M. de Rituerto - Em Bruxelas (Bélgica) – El País
Albanesas kosovares comemoram a decisão da Corte Internacional de Justiça da ONU, que reconheceu a independência de Kosovo
A difícil decisão da Sérvia de sentar-se para negociar com Kosovo para consolidar "a paz, a segurança e a estabilidade na região" balcânica merece ser recompensada com a negociação para sua futura integração na UE (União Europeia), segundo a opinião informal dos ministros das Relações Exteriores da comunidade. O principal obstáculo agora é a Holanda, cujo Parlamento exige a prévia captura e entrega ao tribunal de Haia do general Ratko Mladic.
A flexibilização de Belgrado, apresentada como uma vitória a toda regra por Pristina, não representa o reconhecimento sérvio da independência de Kosovo, a qual "a Espanha não reconhece nem vai reconhecer", segundo o ministro das Relações Exteriores, Miguel Ángel Moratinos.
Os chefes das 27 diplomacias europeias, presididos por Catherine Ashton, coordenadora dos interesses de todos, estão reunidos durante dois dias em Bruxelas de maneira informal (sem a tomada de decisões compulsórias) para revisar o cenário internacional e discutir o papel que nele deve ter a união: desde repudiar a prometida queima de exemplares do Corão na Flórida até formas eficazes de ajudar o Paquistão a sair do marasmo, passando pelas relações estratégicas com a China ou o que fazer diante da Turquia.
A reunião começou na sexta-feira, pouco depois que a Assembleia Geral da ONU aprovou por aclamação uma resolução euro-sérvia sobre Kosovo que aceita a opinião do Tribunal Internacional de Justiça de Haia do mês de julho sobre a não ilegalidade da declaração de independência de Kosovo, e que propõe que a UE "facilite o processo de diálogo" entre Sérvia e Kosovo. "Esse diálogo deve promover a cooperação, avançar no caminho da UE e melhorar a vida dos cidadãos", segundo a resolução aprovada pela ONU.
"A batalha foi ganha", declarou em Pristina o ministro das Relações Exteriores de Kosovo, Skender Hyseni, com uma brutalidade alheia à diplomacia de veludo da união. "Creio que ambas as partes querem pensar no futuro e acreditamos que esse futuro está na Europa", declarou Ashton, com palavras de tom político que foi repetido pelos ministros. "É uma boa ocasião para enviar à comissão o pedido de ingresso do governo sérvio" na UE, indicou o alemão Guido Westerwelle. "Creio que isso ocorrerá antes do fim do ano", prognosticou o sueco Carl Bildt. Foi em dezembro do ano passado, durante a presidência sueca, que Belgrado apresentou sua solicitação formal de adesão.
Levar a demanda para que seja estudada pela comissão exige a unanimidade dos países membros, entre os quais a Holanda é o principal obstáculo. Capacetes azuis holandeses protegiam Srebrenica quando as tropas sérvias de Ratko Mladic cometeram a chacina de julho de 1995. O ministro holandês, mergulhado nas negociações para formar governo em seu país, não esteve na sexta-feira em Bruxelas. Mas o Parlamento de Haia deve lhe dar autorização e nesta quinta-feira insistiu para que se a Sérvia quer entrar no clube deve fazer esforços verossímeis para capturar e entregar Mladic.
"É absolutamente necessário acelerar a negociação para o ingresso da Sérvia, enfatizou Moratinos. "Não se pode adiar mais. Se alguns tivemos de fazer esforços suplementares para conseguir essa união, todo mundo deve fazer esse esforço." Com "esforços suplementares" Moratinos refere-se a que a Espanha aceitaria que a declaração de independência de Kosovo não foi ilegal, como indica a resolução apresentada na ONU. Mas o ministro deixa bem claro que acatar a sentença do tribunal de Haia não significa reconhecer a independência da província separatista: "A Sérvia não mudou de posição, nem a Espanha mudou de posição. A Espanha não reconhece a independência de Kosovo nem o fará".
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
quarta-feira, agosto 04, 2010
Líbano responderá a qualquer nova 'agressão' israelense (Exército)
Líbano responderá a qualquer nova 'agressão' israelense (Exército)
BEIRUTE, 4 Ago 2010 (AFP) - O Líbano responderá a qualquer nova "agressão" israelense, afirmou nesta quarta-feira à AFP um porta-voz do Exército, após informações sobre o envio de tropas de Israel à fronteira no dia seguinte aos confrontos entre militares de ambos os países.
"A resposta será a mesma em caso de qualquer agressão contra o Líbano na fronteira", afirmou o porta-voz em referência aos enfrentamentos de terça-feira que deixaram três libaneses mortos -dois soldados e um jornalista-, além de um militar israelense de alta patente.
"Qualquer agressão terá graves consequências", advertiu.
O Exército israelense mobilizou nesta quarta-feira reforços no setor da fronteira com o Líbano, onde eclodiram choques na véspera quando soldados israelenses se preparavam para arrancar uma árvore.
Um jornalista da AFP no local constatou que os soldados israelenses haviam arrancado nesta quarta-feira de manhã a árvore que foi objeto da disputa.
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