sexta-feira, junho 11, 2010

Homens associam câncer de próstata à perda da virilidade

Homens associam câncer de próstata à perda da virilidade

Pesquisa da USP com 52 pacientes mostra que doença é associada à disfunção erétil

10 de junho de 2010 | 16h 45 - Agência USP
SÃO PAULO - Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) mostra que homens maduros associam o câncer de próstata à perda da virilidade e da identidade masculina, o que gera grande sofrimento emocional e familiar. O trabalho aponta que as campanhas sobre saúde masculina, além de informarem o público e incentivarem o diagnóstico precoce, devem evidenciar as possibilidades de tratamento e cura. O estudo foi realizado pela psicóloga Ana Cristina Almeida Vieira, com orientação do professor Marcos Francisco Dall’Oglio, da FMUSP.
Participaram da pesquisa 52 pacientes com diagnóstico de adenocarcinoma (câncer) de próstata e encaminhados para tratamento cirúrgico (prostatectomia radical). "Os pacientes foram avaliados antes do evento cirúrgico e após no mínimo seis meses da realização de cirurgia. Foram submetidos à entrevista psicológica semidirigida e escala SF-36(Short-Form Health Survey, na sigla em inglês)", afirma a psicóloga. "As entrevistas buscaram verificar as representações e fantasias relacionadas à saúde e à doença, vida afetivo-relacional e vida sexual."
A média de idade dos homens pesquisados era de 66 anos. O mais novo tinha 43 anos e o mais velho 77. "Entre os pacientes, 94% declararam ter vida sexual ativa", ressalta Ana Vieira. Antes da cirurgia, o estudo verificou que há muita desinformação sobre o câncer de próstata, o que é agravado pelo fato de a doença ser assintomática quando em fase inicial. "O câncer é associado à disfunção erétil e a cirurgia é vista como um obstáculo para a vida sexual". O diagnóstico leva a um sofrimento emocional importante, com dificuldades para manter relacionamento afetivo e sexual, vida profissional e outras atividades cotidianas. "Há um grande temor entre os homens da perda de sua identidade masculina e da própria vida", ressalta a pesquisadora. "Poucos pacientes tem informações sobre os recursos para tratar o câncer de próstata e as sequelas decorrentes do próprio tratamento, como eventuais problemas na função erétil."
Emocional
A avaliação da qualidade de vida realizada por intermédio da escala SF-36 não detectou diferença significativa em relação à época do diagnóstico. "Porém, a entrevista psicológica sinalizou que a qualidade de vida se altera desde o momento do diagnóstico e que tais mudanças se relacionam às questões do gênero masculino", conta a psicóloga. Durante a pesquisa, verificou-se que 60% dos pacientes já apresentavam disfunção erétil antes do diagnóstico de câncer de próstata. "Mesmo assim, eles não apresentavam queixas significativas dos efeitos em sua vida sexual", afirma Ana Vieira.
De acordo com a psicóloga, os resultados da pesquisa comprovam o que já era observado no atendimento dos pacientes com câncer de próstata. "As conclusões do estudo reforçam a necessidade de um atendimento multidisciplinar que permita o diagnóstico e o tratamento precoce, o que aumenta as chances de cura", aponta.
"Além dos aspectos informativos, qualquer abordagem sobre saúde masculina e câncer de próstata deve considerar questões de gênero, ou seja, as representações do masculino constitutivas da identidade masculina", acrescenta Ana Vieira. A psicóloga lembra que o câncer de próstata é a quarta causa de morte de homens com mais de 50 anos no Brasil. "Isso se deve ao fato de muitas pessoas não buscarem diagnóstico, inclusive por receio de se submeter ao exame de toque."

Sobre a proibição de manifestações religiosas na Copa

Sobre a proibição de manifestações religiosas na Copa

Israel Belo de Azevedo 11.6.2010 - 0h30m – Jornal Extra – Blog Religião & Fé
Não sou dos que veem conspiração em tudo, mas, no caso específico da proibição de manifestações religiosas ou ideológicas no campo de futebol, noto a entronização de um ideal secularizante. Desde o iluminismo europeu, desenvolve-se uma ideia, hoje predominante, de que o homem não precisa de fé para viver, porque fé é vista como “atraso”, que não pode conviver com o “avanço”. Entremos num shopping center: nele não há qualquer materialização da simbologia religiosa, exceto o consumo, eleito como o culto supremo de todos.
Acontece que os jogadores que estão em campo, sejam eles muçulmanos ou cristãos (para ficarmos com duas vertentes), encontram na sua religião uma motivação para sua vida. Aquilo é um esporte, mas eles não vivem o esporte fora de sua fé. É por isto que os jogadores crentes agradecem a Deus pela defesa feita ou pelo gol marcado ou pelo título conquistado, porque para eles tudo que lhes acontece tem a mão de Deus, que lhes deu a vida, que lhes dá habilidade para jogar e que, sobretudo, lhes dá um sentido para viver. Crer faz parte do seu ser. Suprimir-lhe o direito de agradecer a Deus é tirar-lhe o direito de viver.
Como cristão, não me ofendo se um jogador muçulmano, por exemplo, estampa na camiseta interna uma frase de gratidão a Alá. Como cristão, eu me alegro que um atleta cristão, após um gol, levante o seu dedo para os céus para dizer a quem deve o seu tento. Não vejo que mal possa fazer o fato de alguns jogadores cristãos se reunirem ao final de uma partida importante e se darem as mãos para cantar e orar. Quem não quiser ver pode trocar de canal ou a própria rede de televisão pode mostrar outra imagem.
A liberdade de expressão tem que incluir o direito de todos se manifestarem no espaço em que atuam, desde que respeitem a credulidade ou a incredulidade dos outros. A minoria dos que não creem não pode se sobrepujar à maioria dos que creem. Religião e futebol têm muito em comum, porque ambos são o território por excelência da alegria, da alegria simples, da alegria interior que não precisa de droga (álcool, tabaco e alucinógeno) para existir e se irradiar como um facho de luz.

Chuva deixa 488 mortos no País em 8 meses; 7,5 milhões são afetados

Chuva deixa 488 mortos no País em 8 meses; 7,5 milhões são afetados

Rio de Janeiro é o Estado que mais registrou óbitos; somente em Niterói, 168 pessoas morreram

10 de junho de 2010 | 10h 57 - Fabiana Marchezi, do estadão.com.br
SÃO PAULO - Subiu para 488 o número de mortos pelas chuvas que atingiram dez Estados das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste do País, entre novembro de 2009 e junho deste ano.
De acordo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil, o número abrange as mortes ocorridas em Minas, Espírito Santo, Rio, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Acre, Alagoas e Bahia.
O Rio de Janeiro continua sendo o Estado que registrou mais óbitos decorrentes dos temporais, com 347 mortes. Somente em Niterói, o município mais atingido, foram registradas 168 mortes, grande parte em consequência dos desabamentos e deslizamentos de terra no Morro do Bumba, no início de abril.
Em seguida, vem o Estado de São Paulo, com 78 óbitos, e o Rio Grande do Sul, que registrou 18 mortes. Ainda segundo o órgão, apesar de não confirmarem nenhuma morte, outros nove Estados do Centro-Oeste, Norte e Nordeste registraram prejuízos causados pela chuvas: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Roraima, Amazonas, Rondônia, Sergipe, Maranhão e Pernambuco.
Ao todo, desde o início do período chuvoso, mais de 7,5 milhões de moradores de 1.221 municípios foram afetados de alguma forma pelas chuvas. Desses, 56.461 ficaram desabrigados - pessoas que perderam tudo e precisam dos abrigos públicos - e outros 211.357 ficaram desalojados - as que podem contar com ajuda de vizinhos e familiares. Ao menos 498 cidades brasileiras decretaram situação de emergência e cinco entraram em estado de calamidade pública.

Depois de show da Copa, Will.I.am do Black Eyed Peas declara amor ao Brasil no Twitter

Quinta-feira, 10 de junho de 2010, 19:45

Depois de show da Copa, Will.I.am do Black Eyed Peas declara amor ao Brasil

“I gotta feeling” e “Boom boom pow” foram alguns dos hits tocados na cerimônia
Luciano Borborema - Território Eldorado
Eu nasci americano e tenho orgulho disso. Mas, se eu tivesse de representar um país na Copa do Mundo, seria o Brasil”, escreveu o Will.I.am da banda Black Eyed Peas eu seu Twitter.


Detalhe do Twitter de Will.I.am. (Reprodução)
O Black Eyed Peas foi uma das bandas e músicos que se apresentaram na cerimônia de abertura da Copa da África do Sul nesta quinta-feira (10).  “I gotta feeling” e “Boom boom pow” foram alguns sucessos que o grupo apresentou no show. Shakira, Alicia Keys e Juanes, além de nomes importantes da música africana foram outros nomes que se apresentaram na festa.



Turquia diz que voto a favor do Irã era questão de honra

Turquia diz que voto a favor do Irã era questão de honra
10 de junho de 2010 | 19h 23
AE-AP, COM DOW JONES - Agência Estado

O voto turco contra a quarta rodada de sanções na Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã, por causa do programa nuclear de Teerã, era uma questão de honra para o país, após o acordo fechado entre Turquia, Irã e Brasil, afirmou hoje o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. O premiê insistiu que ainda há espaço para uma saída diplomática para a crise. Erdogan deu as declarações em uma cúpula de um dia em Istambul, entre a Turquia e 20 países árabes.
Erdogan fortaleceu no evento seu papel de líder no mundo islâmico, recebendo o aplauso de governantes e políticos árabes, enquanto criticava Israel e questionava o poder de Washington no cenário mundial, numa cúpula que ocorreu na cidade que foi no passado a sede do Império Otomano.
"Se nós não tivéssemos dito ''não'', seria contraditório...seria uma falta de respeito próprio", avaliou Erdogan. O Brasil também votou contra as sanções e o Líbano se absteve. As outras 12 nações do Conselho de Segurança da ONU, incluindo as cinco permanentes e com poder de veto, apoiaram a medida.
No mês passado, o Irã firmou um acordo com Turquia e Brasil se comprometendo a enviar 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido ao território turco. Em troca, receberia combustível para seu reator em Teerã. O acordo foi visto com ressalvas por Washington, que pressionava por uma resolução com sanções.
"Nós insistimos que todos os problemas devem ser resolvidos na mesa de negociações. Nada é alcançado com armas ou através de embargos e isolamento", disse Erdogan. "Junto com o Brasil, nós manteremos os nossos esforços por uma solução negociada."
Ontem, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse que o acordo Irã-Turquia-Brasil não estava "morto" e que seu país votou contra as sanções para manter aberto o canal de negociações. No mesmo dia, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, criticou as sanções e disse concordar com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sobre a falta de valor da punição. "Bem dito, homem. Não vale um centavo", disse Chávez. A Venezuela e o Irã têm estreitado laços nos últimos anos.
A sanção ao Irã inclui aspectos militares e financeiros. Ela expande um embargo de armas e impede o país de realizar atividades como a mineração de urânio. Potências lideradas pelos EUA temem que o Irã busque secretamente armas nucleares, mas Teerã garante ter apenas fins pacíficos. Ahmadinejad disse que "as resoluções não valem nada para a nação iraniana". 

Chávez improvisa canção sobre relação com Hillary Clinton

Chávez improvisa canção sobre relação com Hillary Clinton
BBC Brasil - 10/06/2010 17h59
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, improvisou uma canção sobre sua relação pouco amigável com Hillary Clinton, a Secretária de Estado americana. A improvisação aconteceu durante um discurso em que Chávez criticava a Secretária, que visitou vários países da América Latina nessa semana. Na música, Chávez canta: "Hillary Clinton não gosta de mim... e nem eu gosto dela."

“Atenda-se ao espírito da lei Ficha Limpa

Editorial do “O Globo” de hoje comenta o Projeto Ficha Limpa. Confira o texto na íntegra:

Atenda-se ao espírito da lei Ficha Limpa"

Com a aprovação final do projeto Ficha Limpa no Senado e a sanção da lei, sem vetos, pelo presidente Lula, antes do dia 9, portanto a tempo de ela vigorar nas eleições deste ano, o improvável aconteceu. Até porque a atual legislatura, com sua longa crônica de desvios éticos, demonstra ser uma das mais refratárias aos sentimentos do Brasil real, aquele fora do Plano Piloto. Mesmo assim, deu certo a grande mobilização deflagrada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), responsável por obter mais de 1,5 milhão de assinaturas para, conforme previsto na Carta, encaminhar ao Congresso, na forma de um projeto de lei de origem popular, normas visando a dificultar o acesso de fichas-sujas à vida pública. Antes da Ficha Limpa, o programa habitacional de finalidades sociais já havia sido criado por meio do mesmo mecanismo, acionado por sindicatos.
Como parte do jogo político em qualquer democracia representativa, o projeto original foi alterado em negociações no Congresso.
Uma das principais mudanças atenuou a proposta, de fato draconiana, de ser rejeitado o pedido de registro de candidatura de qualquer condenado em primeira instância. Na lei aprovada, vale apenas condenação por colegiado de magistrados — no recurso do primeiro veredicto —, e dá-se, ainda, à pessoa o direito de ir à Corte superior para a decisão final. Teve-se o cuidado de estabelecer urgência para esta última palavra. Em relação à efetiva inexistência de qualquer filtro eficiente para conter a invasão da vida política por delinquentes de todos os quadrantes do Código Penal — esperar o julgamento do último recurso do condenado era inócuo, dada a lentidão da Justiça —, chega a ser uma revolução. Mesmo porque foi incluída na lei a antiga reivindicação de se fechar a porta da renúncia ao parlamentar sob risco de cassação.
Agora, não existe mais este paraquedas: renunciou, perdeu os direitos políticos.
Mas será da Justiça o pronunciamento final para se poder comemorar toda esta mobilização, e talvez o primeiro grande exemplo de como a internet pode ser usada como arma do bem, no aperfeiçoamento das instituições.
Ao Tribunal Superior Eleitoral cabe responder se de fato a Lei Ficha Limpa vale para as próximas eleições.
Alterações já feitas no passado na legislação eleitoral demonstram que sim. Outro ponto a esclarecer é sobre o entendimento do termo “forem condenados”, colocado no artigo que define os que serão atingidos pela lei no lugar de “os que tenham sido condenados”.
Feita na lei pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ), a mudança foi entendida como favorável a pelo menos um notório ficha-suja, Paulo Maluf, procurado pela polícia em vários países, deputado do partido do senador.
Ora, já foi esclarecido que a forma do verbo também tem sentido do passado. E a própria Advocacia Geral da União (AGU), no parecer ao presidente, liberou-o para sancionar a lei, porque a alteração de texto não contrariou o seu espírito, que não é dar anistia. Daí o projeto não ter voltado do Senado à Câmara. O TSE tem, então, sólido embasamento para atender ao desejo dos eleitores. Não que o juiz deva se guiar pela voz das ruas. É que neste caso as ruas defendem uma causa irrefutável, e não apenas no aspecto ético.”

IQUE - No Jornal do Brasil


Entrevista Andrea Bobbio

Tacho


Ataque israelense na Mavi Marmara, 31 maio de 2010 / / 15 min. Por Iara Lee

Ataque israelense na Mavi Marmara, 31 maio de 2010 / / 15 min.

Israeli Attack on the Mavi Marmara, May 31st 2010 // 15 min. from Cultures of Resistance on Vimeo.

Na noite de domingo, 30 de maio, mostrando um desprezo assustador pela vida humana, as forças navais israelitas cercados e abordados os navios que navegam para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza bloqueada. Na maior navio, a Marmara Mavi, soldados israelenses abriram fogo contra os passageiros civis, matando pelo menos nove pessoas e ferindo outras dezenas. Outros ainda estão desaparecidas. O número final de mortos ainda não foi determinada. Culturas de Resistência diretor Iara Lee estava a bordo do navio cercado e já voltou para casa em segurança. Apesar dos esforços do governo israelense completa para confiscar todas as imagens colhidas durante o ataque, Iara Lee foi capaz de manter algumas de suas gravações. Acima está a 15 minutos de filmagens dos momentos que antecederam e durante o assalto o exército israelense sobre a Marmara Mavi.

Mãos com Henna, India - Fotografia por Warner Petra, My Shot

As mãos de uma mulher em Jaipur são cobertas com mehndi padrões pintados com henna. Moda nos últimos anos, os enfeites fazem parte das rendas a-year-old tradição 5000 anos de criar projetos para afastar o mal ou declarar a felicidade.

Votação na ONU isola o Brasil

Votação na ONU isola o Brasil
Resolução contra o Irã é aprovada por maioria e abre caminho para sanções unilaterais
Marília Martins Correspondente • NOVA YORK

O Brasil e a Turquia acabaram isolados ontem, ao apoiarem o Irã, durante a votação em que o Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções ao país. Foram somente esses os dois votos contrários, na sessão que aprovou por 12 votos a favor e com uma abstenção (o Líbano) a nova rodada de restrições ao programa nuclear iraniano.
A vitória da proposta americana — e a derrota da proposta do Brasil — pode representar também um duro golpe para a diplomacia brasileira, que lutara até o último momento para adiar a votação das sanções em busca de uma saída negociada, numa das maiores apostas do país no campo internacional dos últimos anos.
A votação durou apenas 15 minutos e foi seguida por uma hora e meia de discursos de justificação do voto. A nova resolução da ONU autoriza os países a inspecionarem a carga de navios do Irã; reforça o embargo ao proibir a transferência de mais tipos de armamento, como helicópteros de combate e mísseis; e aperta o cerco financeiro a empresas e bancos do país, incluindo “uma vigilância sobre o Banco Central”.
Mas dificilmente vai desestimular o Irã a prosseguir com o seu programa nuclear. Para garantir o apoio da China e da Rússia, cláusulas mais duras, que poderiam realmente atingir a economia do país, foram excluídas. Por outro lado, a medida abre caminho legal para que sanções unilaterais mais duras sejam adotadas por diversos países, sobretudo os Estados Unidos e membros da União Europeia. Em resposta, o Irã manteve a sua retórica desafiadora, afirmando que não deterá o enriquecimento de urânio.
— Essas resoluções não têm valor. São como um lenço usado que deve ser jogado na lixeira — disse o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que comparou as sanções a “moscas incômodas”.

Comércio brasileiro pode ser prejudicado
Antes da reunião, a embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Viotti, reuniu-se com a embaixadora americana, Susan Rice. Os americanos queriam saber como votaria o Brasil e este encontro durou cerca de meia hora.
Mais tarde, Rice saiu da votação cantando vitória e dizendo que o conselho havia “aprovado o mais duro regime de sanções atualmente em vigor na ONU para impedir que o governo iraniano persiga armas nucleares”.
Ela não evitou ironias contra o Irã: — Estamos cansados de ouvir muita retórica ridícula dos iranianos para obscurecer e encobrir a realidade de que estão violando suas obrigações diante da ONU — disse Rice.
Apesar de ter ficado em minoria ao lado da Turquia, Maria Luiza não reconheceu a derrota brasileira. Ela considerou as sanções ineficazes e disse que o Brasil agora vai continuar trabalhando para implementar o acordo de enriquecimento de urânio no exterior, fechado entre Irã, Brasil e Turquia no mês passado. Já o embaixador turco, Ertugrul Apakan, destacou que o acordo criara uma nova realidade e se mostrou preocupado que as sanções tenham um efeito negativo.
— Não foi uma derrota porque os esforços diplomáticos brasileiros foram unanimemente elogiados. As sanções podem atrasar a implementação, mas o acordo não foi descartado — disse Maria Luiza.
A embaixadora reconheceu, porém, que o Brasil vai ser prejudicado comercialmente. Segundo ela, as repercussões sobre o comércio bilateral ainda precisam ser avaliadas, uma vez que o Brasil cumprirá a resolução da ONU. Ela também espera que não haja consequências para as relações entre Brasil e EUA. Diplomatas americanos saíram do encontro criticando o voto brasileiro e dizendo que, “se o Brasil quer liderança no cenário internacional, deveria defender quem cumpre as regras e não quem as quebra”.
Mas Rice minimizou as diferenças: — O que nos separa do Brasil não é uma discordância de objetivo. Ambos os países acreditam que o objetivo é trazer o Irã para o cumprimento de suas obrigações diante da comunidade internacional. Nós discordamos quanto ao timing, ou seja, achamos que não era possível esperar mais para aprovar sanções — disse Rice.
O voto brasileiro quebrou uma longa tradição no Conselho de Segurança, onde habitualmente o Brasil acompanha a maioria ou se decide pela abstenção. Na justificativa do voto, Maria Luiza Viotti comparou o caso iraniano ao precedente do Iraque, em que “a espiral de sanções e ameaças resultou em consequências trágicas”.
O embaixador mexicano Claude Heller, atual presidente do conselho, esclareceu que as sanções agora adotadas poderiam ser revertidas imediatamente, “caso o Irã decida cumprir suas obrigações com a agência internacional de energia atômica”.
— As medidas adotadas são duras, mas não bloqueiam o caminho para negociações. Agora está mais difícil. Para que as sanções sejam revertidas, qualquer ação iraniana vai ser submetida a uma comissão de especialistas para avaliar seu houve avanço no cumprimento das obrigações legais do país junto à ONU — disse Heller.

Para a Rússia, medida exclui uso da força
Diplomatas americanos e europeus disseram que a aprovação de novas sanções dá agora respaldo legal para que cada país aprove sua própria rodada de sanções unilaterais. Nos EUA, o senador John McCain mobilizou a bancada republicana para apresentar projetos de lei que proíbam qualquer instituição financeira americana dar suporte econômico não apenas ao programa nuclear iraniano, como também para “o governo dos aiatolás”. E deputados democratas também pretendem incluir no projeto de sanções unilaterais uma lista de empresas que vêm sendo investigadas por terem relações comerciais com o Irã, entre elas a Petrobras.
Com os votos contrários de Brasil e Turquia, e a abstenção do Líbano, os EUA perderam a chance de ter sua proposta aprovada por unanimidade.
Mesmo assim, ganhou reforços de países próximos ao Irã, como a China, que pediu que o Teerã cumpra com as exigências estabelecidas na resolução, e a Rússia, que destacou que o texto “exclui a possibilidade do uso da força”. Mas somente os próximos passos mostrarão quão eficazes as medidas serão.
— É óbvio que vamos continuar o enriquecimento de urânio — desafiou o embaixador iraniano, Mohammad Khazaee, que discursou no final da votação do conselho, como convidado, e acusou os americanos de usarem armas químicas e biológicas contra seu país na Guerra do Iraque. — O Irã não se curva a ameaças e pressões. Essas sanções são inúteis.

Senado aprova Fundo Social com regime de partilha - (Caridade com o chapéu alheio!)

Senado aprova Fundo Social com regime de partilha
Projeto será criado para reunir os recursos que a União receberá pela venda do petróleo do pré-sal
Com Agência Brasil e AE

O Senado aprovou no início da madrugada desta quinta-feira o texto base do projeto que cria o Fundo Social do Brasil por 38 votos a 31 e 1 abstenção. O Fundo Social será criado para reunir os recursos que a União receberá pela venda do petróleo do pré-sal. Ele será usado para financiar sete áreas exclusivas (educação, Previdência Social, combate a pobreza, meio ambiente, saúde, cultura e ciência e tecnologia).
O projeto prevê que inicialmente o governo possa usar parte do capital que entrar no fundo para financiar os projetos nessas áreas, mas, depois, só o rendimento das aplicações desse capital poderá ser utilizado.

Divisão igual
Os senadores aprovaram também, por 41 votos a favor e 28 contra, a emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que trata da divisão de royalties do pré-sal. Segundo a proposta de Pedro Simon, o valor arrecadado com os royalties deve ser divido igualmente entre todos os estados e municípios, conforme critérios do Fundo de Participação dos Municípios e do Fundo de Participação dos Estados.
Para não prejudicar os estados produtores, que atualmente ganham mais para compensar os impactos da exploração, a União pagará aos estados, com sua parte nos royalties, a diferença recebida a menos com o novo modelo de divisão. A matéria volta para a apreciação da Câmara. A expectativa, agora, dos senadores dos estados produtores que fazem parte da base aliada é que o presidente Lula vete a emenda ou que o Supremo Tribunal Federal a considere inconstitucional.
"A expectativa é que o Lula vete, mas já vou pedir ao governador Paulo Hartung que estude uma ação de inconstitucionalidade. O Espírito Santo deve buscar [o seu direito] no Supremo, já que a Casa da Federação aprovou esse absurdo", afirmou o senador Renato Casagrande (PSB-ES).
O líder Romero Jucá chegou a propor que o projeto sobre royalties fosse votado no dia 9 de novembro, para afastar as discussões sobre o tema do clima eleitoral, mas com a emenda do senador Pedro Simon, as discussões sobre os royalties dominaram os debates durante a noite.

Waving Flag - K'naam = Música oficial da Copa do Mundo 2010 na África .flv

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