sábado, maio 29, 2010
Israel denuncia"a hipocrisia" do acordo sobre não proliferação nuclear
Israel denuncia"a hipocrisia" do acordo sobre não proliferação nuclear
Agência AFP
JERUSALÉM - Israel, considerada a única potência nuclear do Oriente Médio, denunciou neste sábdo a 'hipocrisia' do acordo da conferência de acompanhamento do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que assinalou explicitamente o Estado hebreu, mas não citou o Irã.
"Este acordo tem o selo da hipocrisia. Somente Israel é mencionado em um texto que não cita outros países como a Índia, Paquistão, Coreia do Norte, que têm armas nucleares, ou, mais grave ainda, o Irã, que quer dotar-se delas", afirmou à AFP um alto dirigente, que não quis ser identificado.
A conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) chegou na sexta-feira a um acordo - o primeiro em 10 anos - que inclui a criação de uma zona sem armas nucleares no Oriente Médio.
O Secretário-Geral da ONU "aprova particularmente o acordo sobre um processo que leve à implementação completa da resolução de 1995 que estabelece uma zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio", disse Ban Ki-moon em um comunicado.
A conferência adotou por consenso um documento final que prevê quatro planos de ação sobre cada um dos três pilares do TNP - desarmamento, controle dos programas nucleares nacionais para garantir que são pacíficos e utilização pacífica da energia atômica -, além de um Oriente Médio sem armas atômicas.
No que diz respeito a esse último ponto, o documento planeja a organização, em 2012, de uma conferência internacional "na qual supõe-se que todos os Estados da região participem, com o objetivo de chegar à instauração" dessa zona sem armas nucleares, e onde é requerida a presença de Israel e do Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou o acordo, que "fortalece o regime de não proliferação mundial".
"Este acordo inclui passos equilibrados e práticos que farão avançar a não proliferação, o desarmamento nuclear e o uso pacífico da energia nuclear, que são as bases para o regime mundial de não proliferação", destacou Obama.
O texto também afirma que "é importante que Israel se junte ao tratado e ponha todas as suas instalações nucleares sob as garantias globais da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)".
Entretanto, o texto não menciona especialmente o Irã, que os ocidentais querem ver sancionado por sua violação das resoluções da ONU, exigindo que Teerã suspenda suas polêmicas atividades nucleares e demonstre o caráter civil de seu programa nuclear.
Egito e Irã fizeram campanha para que Israel fosse especificamente convidado a juntar-se ao TNP, o que exigiria do Estado hebreu a renúncia ao seu arsenal nuclear.
O assessor de Obama para a não-proliferação, Gary Samore, expressou dúvidas quanto à conferência planejada para 2012: "Não sei se esta conferência ocorrerá", confessou em coletiva de imprensa.
Os Estados Unidos aceitaram co-promover a reunião e não querem que o evento seja um fracasso, prosseguiu Samore. Também disse que Washington co-organizaria a conferência apenas se "as condições estivessem reunidas".
É a primeira vez, em 10 anos, que a conferência quinquenal de acompanhamento do TNP chega a um acordo para revisar o tratado que, desde que entrou em vigor, em 1970, serviu como diretriz mundial para limitar a proliferação de armas nucleares.
09:33 - 29/05/2010
Americanos agora assopram
Americanos agora assopram
CLÓVIS ROSSI – Folha de São Paulo
Departamento de Estado explica melhor sua reação, em nítida tentativa de diminuir tensão com Brasil
O DEPARTAMENTO de Estado tratou ontem de explicar melhor a reação dos EUA ao pacto Brasil/Turquia/Irã, em conferência telefônica que me deixou a nítida sensação de uma tentativa de diminuir a tensão que se arma entre Brasil e EUA. Desde a assinatura do acordo, as declarações saídas de Washington causavam em Brasília a impressão de que o Brasil estava sendo criminalizado por um acordo que seguia, no essencial, as linhas traçadas pelo presidente Barack Obama em carta a Lula do dia 20 de abril.
Ontem, ao contrário, funcionários do Departamento de Estado fizeram elogios aos esforços desempenhados por Brasil e Turquia e ainda deixaram claro que os dois países mostraram-se "seriamente interessados" em resolver o contencioso nuclear iraniano. O Irã, ao contrário, negociou com o interesse principal de quebrar o momento para a adoção de sanções pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. (Os nomes dos funcionários foram anunciados, mas o acordo é só mencioná-los como "funcionários graduados", uma praxe no relacionamento mídia/governo nos EUA.)
Um deles lembrou o óbvio: Brasil e EUA têm "forte e positiva relação bilateral", e ela vai continuar assim.
Boa parte das perguntas girou em torno da carta de Obama a Lula que esta Folha divulgou com exclusividade anteontem.
Como há notável coincidência entre os termos da carta e os termos do acordo de Teerã, houve até quem perguntasse se os EUA não estavam mudando as traves de lugar no meio do jogo, ao criticarem o acordo.
A explicação do pessoal do Departamento de Estado: a carta de fato não continha todos os pontos que Washington considera fundamentais no dossiê nuclear iraniano pela simples e boa razão de que Brasil e Turquia não negociavam em nome dos EUA.
Boa parte das perguntas girou em torno da carta de Obama a Lula que esta Folha divulgou com exclusividade anteontem.
Como há notável coincidência entre os termos da carta e os termos do acordo de Teerã, houve até quem perguntasse se os EUA não estavam mudando as traves de lugar no meio do jogo, ao criticarem o acordo.
A explicação do pessoal do Departamento de Estado: a carta de fato não continha todos os pontos que Washington considera fundamentais no dossiê nuclear iraniano pela simples e boa razão de que Brasil e Turquia não negociavam em nome dos EUA.
Mas as autoridades brasileiras haviam sido informadas, previamente, de quais são esses pontos. O principal deles diz respeito ao enriquecimento de urânio: os EUA citam resoluções da ONU que obrigariam o Irã a suspender o enriquecimento até que estejam esclarecidas todas as dúvidas sobre a característica pacífica do seu programa nuclear.
Nem a carta de Obama nem o pacto de Teerã tratam disso. Aqui, Brasília, Ancara e Washington parecem ter percepção diferente dele.
O premiê Recep Tayyp Erdogan chegou a dizer em Madri, há 10 dias, que o acordo era só "o mapa do caminho". Nele, haveria várias paradas, durante as quais poderiam ser acrescentados os pontos necessários para desfazer as dúvidas.
Já para Washington, o documento de Teerã soou como fim do caminho. Inaceitável, portanto, por não eliminar dúvidas da comunidade internacional, de resto pertinentes.
A conversa de ontem serviu, portanto, para explicitar quais são as "discordâncias sérias" que a secretária Hillary Clinton disse haver entre EUA e Brasil. A sensação é de que não são sérias o suficiente para azedar a "relação forte e positiva".
No caso das sanções, por exemplo, os funcionários do Departamento de Estado reconheceram que o Brasil tem antiga objeção a elas, e não só no caso do Irã. Não haveria, portanto, motivo para criticar o país por recusar-se a endossar o pacote contra o Irã, como o vem fazendo.
Resta agora esperar para ver se o diálogo entre as duas partes volta a ser direto e é capaz de dissolver o desentendimento.
Amorim diz que se for preciso subserviência abre mão da ONU
Amorim diz que se for preciso subserviência abre mão da ONU
Luís Bulcão Pinheiro, Portal Terra
RIO - O chanceler Celso Amorim afirmou nesta sexta-feira que se for preciso o Brasil ser subserviente para entrar no Conselho de Segurança da ONU, "nós abrimos mão", ao comentar as críticas feitas pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, sobre o acordo nuclear firmado com o Irã.
Hillary lançou questionamentos em relação à assinatura do acordo dizendo que o país islâmico quer ganhar tempo e torna o mundo mais perigoso com seu programa atômico. "Pensamos que fazer o Irã ganhar tempo, permitir que o Irã ignore a unanimidade internacional existente sobre seu programa nuclear, torna o mundo mais perigoso, e não menos", disse.
Sobre as declarações da americana, Amorim descartou problemas diplomáticos. "Seria infantil pensar que as relações ente Brasil e EUA estão ameaçadas, mas se for preciso ser subserviente para estar no Conselho de Segurança da ONU, nós abrimos mão disso", disse Amorim.
Amorim citou ainda o lobby político dos EUA e Reino Unido na guerra do Iraque. "Quando diziam que a comunidade internacional estava nervosa, eram apenas dois países", afirmou ele, ao responder se o acordo teria deixado comunidade internacional nervosa.
"Eles tem o poder de veto (se referindo ao Conselho de Segurança), mas não podem violentar a nossa consciência", afirmou.
"Nós não estamos nervosos, porque temos a certeza de que fizemos a coisa certa. Havia uma proposta de acordo para criar confiança na relação entre um certo número de países e o Irã", disse.
EUA: Brasil sabia que acordo seria rejeitado
EUA: Brasil sabia que acordo seria rejeitado
Altos funcionários do governo alegam que carta de Obama não instruía Lula sobre negociação em Teerã
Fernando Eichenberg
WASHINGTON. Para o governo americano, Brasil e Turquia mediaram o acordo nuclear com o Irã já cientes de que o documento não seria aceito por Washington. Ontem, autoridades dos Estados Unidos garantiram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e os líderes turcos tinham consciência de que permitir ao Irã enriquecer urânio a 20% em seu território - como viabiliza o Acordo de Teerã - era um violação da resolução do Conselho de Segurança da ONU e algo inaceitável para o presidente Barack Obama e aliados.
- Desde fevereiro, a secretária Hillary Clinton vem mantendo discussões detalhadas com o ministro Amorim sobre essa questão - afirmou um funcionário do governo.
Por que, então, essa exigência crucial não foi mencionada na carta enviada por Obama ao presidente Lula, datada de 20 abril, duas semanas antes da assinatura do acordo em Teerã, em 17 de maio?
- Não havia necessidade de colocar essas questões na carta. Brasil e Turquia sabiam muito bem da importância disso. Não podíamos instruí-los sobre como negociar - procurou explicar outra fonte do governo americano.
Os funcionários se recusaram a comentar, no entanto, sobre a real finalidade da correspondência remetida por Obama ao Palácio do Planalto, não alinhada com as enérgicas declarações da secretária de Estado, Hillary Clinton, contra a viagem de Lula a Teerã.
Irã teria duplicado seu estoque de urânio
A Casa Branca afirmou que não solicitou que Brasil e Turquia negociassem em seu nome e que só soube dos resultados do Acordo de Teerã quando foram divulgados publicamente. Diplomaticamente, o governo americano repetiu reconhecer o esforço turco-brasileiro para se chegar a uma solução, mas, "infelizmente", não vê no acordo assinado em Teerã garantias e respostas às principais preocupações da comunidade internacional.
Para Washington, o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad usou o acordo costurado por Brasil e Turquia para evitar a aplicação de novas sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU.
Segundo a Casa Branca, os documentos que mostram as intenções bélicas nucleares do Irã foram encaminhados aos países envolvidos nas negociações.
- Brasil e Turquia receberam relatórios da inteligência americana e também da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) com dados suficientes para revelar as verdadeiras motivações do programa nuclear iraniano ? disse uma das fontes governamentais.
As autoridades alegam que, desde setembro último, o Irã praticamente duplicou seu estoque de urânio enriquecido, e se nada for feito para interromper esse processo, em curto prazo o país já terá condições de produzir uma bomba nuclear.
Os americanos sustentam que desde o início do governo Obama, negociações foram entabuladas com Teerã pela via diplomática, mas sem resultado.
- Nunca houve um volume tão grande de encontros e troca de cartas desde os últimos trinta anos, mas os iranianos sempre bloqueavam quando se chegava ao tema nuclear - justificou um funcionário.
Ontem, os EUA manifestaram sua determinação em prosseguir com a política de aplicação de novas sanções, a única chance, segundo as autoridades americanas, de fazer com que o Irã se sente à mesa "para negociar seriamente" com o grupo do P5+1 - os cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha.
Morosidade aumenta sensação de impunidade
Crime e castigo
Morosidade aumenta sensação de impunidade
Por Lilian Matsuura
Pela primeira vez na história do país, um governador em pleno exercício do poder foi preso. Em um só ano, governadores, senadores e deputados foram expulsos do cargo por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. O Congresso decidiu impedir quem tem condenação, mesmo com possibilidade de recorrer, de concorrer a um cargo público. Os investimentos em tecnologia a serviço da Polícia Federal nos últimos anos foram altos e, depois de reprimendas judiciais, os espetáculos das operações passaram a ser menos frequentes.
Diante desse quadro, que poderia ser considerado pela população como um avanço, a sensação de impunidade continua a permear a sociedade brasileira, em todas as classes, raças e credos. Intrigada com um possível descompasso entre as medidas definidas pelo Estado e o resultado alcançado, a ConJur foi procurar respostas.
Qual a principal razão da sensação de impunidade no Brasil? Perguntou a juízes, advogados, defensores públicos, promotores de Justiça. Recebeu visões múltiplas e até “provocações”, como a do criminalista Técio Lins e Silva. “Não há impunidade. Ao contrário, a Justiça Penal brasileira é insaciável e condena impiedosamente. Basta olhar para os cárceres e ver o imenso contingente de presos amontoados, sujos, maltrapilhos, onde não faltam sarnas e piolhos, para dizer o menos. Impunidade? Nunca se condenou tanto no Brasil”, diz.
Para ele, “a sensação, calejada no exercício da defesa dos perseguidos, não é de impunidade; é de injustiça”. O advogado reclama do que chama de sede de condenação, de aplausos a ações policiais “violentas e espalhafatosas”, do aumento das penas, da criação de novos tipos penais, do opressivo poder estatal, em detrimento dos direitos de cada um.
O também criminalista Daniel Bialski diz que é preciso saber um pouco mais sobre o processo penal para entender que a prisão não pode se tornar um castigo antecipado. “E nem se presta para acalmar eventual clamor público”, sublinha. Ele lembra “prisão é exceção” e diz que seria preocupante se meras suspeitas ou uma notícia na TV pudesse fundamentar um decreto de prisão.
Bialski se opõe à ideia de que apenas os pobres são condenados. Pela sua vivência na área criminal, já percebeu que é comum defensores públicos atuarem melhor que advogados contratados. E chama atenção para o trabalho de investigação feito pela polícia, que considera eficiente e dedicado. “Excetuando-se abusos ocorridos, raros, a polícia é merecedora de efusivos elogios.”
Não é como pensa o juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Paulo Henrique dos Santos Lucon, que considera a ineficácia da polícia a principal razão para a sensação de impunidade no país. “Quantos mandados de prisão não são cumpridos?”, pergunta e responde: milhares. A rapidez só acontece quando a imprensa se envolve no caso, afirma, despertando o interesse dos policiais. E chama atenção para as pessoas que cometem crimes porque sabem que “dificilmente serão presas; e se isso acontecer, cumprirão uma rápida pena”.
Quem defende a existência real da impunidade, e não só a sensação, concorda com a baixa qualidade do trabalho dos policiais e também do Ministério Público. Talvez, não por falta de qualificação dos profissionais, mas pelo excesso de trabalho ou por descaso. O que abre possibilidade para inúmeros recursos da defesa, levando o acusado à absolvição por falta de provas ou pela prescrição.
A advogada Luciana Lóssio entende que o “complexo rito processual” leva a essa excessiva demora na resposta do Judiciário ao jurisdicionado. Mas afirma que o descrédito da Justiça passa antes pela imprescindível atuação do Ministério Público e da Plícia, que devem evitar “operações espetaculosas e as denúncias irresponsáveis contra autoridades e empresários (que garantem exploração midiática do assunto)”.
Duração do processo
Há ainda quem diga que a imprensa tem a sua participação na criação ou, ao menos, na existência desse sentimento na população brasileira. “O descompasso entre o timing da imprensa e o da Justiça é o maior responsável pela sensação de impunidade”, segundo o advogado Alberto Toron. “A dita lentidão da Justiça é, muitas vezes, não mais que o tal descompasso. É isso que dá a sensação de impunidade”, decreta.
A sua opinião é compartilhada com muitos outros operadores do Direito. O desembargador federal Henrique Herkenhorff, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, entende que leis mais severas não vão ajudar a resolver a questão. O grande problema é a incerteza da população em relação à aplicação da lei. “É uma estupidez fazer leis aumentando as penas ou transformando qualquer pequena infração em crime, se continuar sendo incerta a sua apuração e, principalmente, se permanecer demorada a sua aplicação. É muito melhor uma pena branda aplicada prontamente do que uma severa que demore muito e talvez nunca venha”, declara.
O desembargador também faz uma crítica à atuação da imprensa e do Judiciário. Os crimes e infrações à lei são divulgados com rapidez, mas “o castigo”, às vezes, leva tanto tempo para chegar que “não permite que liguem uma coisa à outra. Na verdade, mesmo o criminoso fica com a sensação de estar sendo agredido sem motivo, não de estar sendo castigado pelos seus atos, porque até ele já esqueceu do crime, tantos anos depois”.
O ex-secretário de Justiça e de Segurança Pública de São Paulo, Eduardo Muylaert também acredita que o rigor da legislação penal não é a panacéia contra o crime: "O que desetimula a criminalidade não é o rigor das penas, mas a certezaa da punição", afirma. Ao analisar se o crime compensa, diz ele, o criminoso não avalia se a pena é maior ou menor, mas se a pena será aplicada ou não.
Marcos Fuchs, diretor executivo do Instituto Pro Bono, constata que as penas principalmente no âmbito penal estão cada vez mais duras, fazendo com que “os benefícios da lei aos poucos sejam extintos”. Mas o que o incomoda é o “desequilíbrio nas condenações e a possibilidade de uma defesa digna aos menos favorecidos. Existem hoje pessoas presas por furto de alimentos, roupas e viciadas em crack. Estes vão apodrecer sem defesa no sistema. Aos favorecidos o direito de ampla defesa e a possibilidade de liberdade rápida”, compara. O fortalecimento das defensorias, dos mutirões do Conselho Nacional de Justiça e iniciativas como do seu instituto e do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa) pode reverter essa situação.
O ex-secretário da Reforma do Judiciário e hoje advogado Pierpaolo Bottini não concorda com tese de que a Justiça só condena os pobres, apesar de acreditar que a falta de estrutura da defensoria acabe levando a mais acusações. Para ele, a morosidade processual é um dos fatores que mais contribui para a sensação de impunidade. “Por isso, me parece que a continuidade na reforma da legislação processual é o caminho mais adequado para a redução dessa sensação de impunidade”, opina.
O defensor público Renato Campos Pinto de Vitto é assertivo: “A seletividade do sistema de Justiça criminal é um entrave emblemático para a consolidação do princípio da igualdade no Brasil. Por outro lado, a despeito da progressão geométrica do contingente prisional, os resultados da reação estatal contra o delito não representam, de forma efetiva, um ganho para a sociedade e para as vítimas, colocando em xeque a credibilidade de todo o sistema”.
Para o advogado Daniel M. Boulos, o grande desafio será tornar o processo mais célere sem eliminar a segurança e a previsibilidade que ele precisa ter. “São essas características básicas e elementares do Estado de Direito”, afirma ao citar a elaboração do novo Código de Processo Civil e chamar atenção para a necessidade de melhora na estrutura do Judiciário.
A Copa salva Serra e Dilma
A Copa salva Serra e Dilma
Por Villas-Bôas Corrêa
Os candidatos José Serra e Dilma Rousseff , que se enfrentam na pré-campanha para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ficam devendo à Seleção Brasileira do técnico Dunga a salvação do ridículo em que se afundavam no bate-boca sobre coisa nenhuma. A candidata Marina Silva não aspira a mais do que a coerência de sua luta na defesa do meio ambiente. Já o candidato oposicionista, o ex-governador tucano de São Paulo, José Serra, e a candidata Dilma Rousseff, escolhida e lançada pelo presidente sem dar a mínima importância ao PT, jogam as ambições e os sonhos pela cadeira no Palácio do Planalto.
Até aqui, por falta de coisa melhor, Dilma bate na tecla de continuadora de Lula e dos programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida para a construção de milhões de residências populares ao preço de penca de bananas e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que escancara as portas do paraíso. Serra esperou o prazo final da desincompatibilização para confirmar a candidatura, carimbada pelo PSDB e tenta recuperar a liderança nas pesquisas, ora dividida com com Dilma. Francamente, munição discutível para uma pré-campanha de candidato à sucessão de Lula, com a popularidade passando da lua em disparada para o infinito.
Antes que a zombaria contaminasse candidatos e candidaturas, a Seleção Brasileira alçou voo, desfilou por Brasília em volta de cinco horas para ser recepcionada pelo presidente Lula e pela primeira-dama, Marisa Letícia, em meia hora de descontração simpática. Lula não precisa fingir que gosta de futebol, peladeiro desde a infância, torcedor do Corinthians e do Flamengo e que ainda dá os seus chutes nos rachas na Granja do Torto.
Com a Seleção ninguém pode. Até a estreia contra a Coreia do Norte (15 de junho), cada dia dos craques será acompanhado, sob o controle de Dunga, pela população de olhos grudados na telinha. Com os amistosos para garantir assunto para as conversas e discussões contra Zimbábue (dia 2) e Tanzânia (dia 7), adversários escolhidos com as cautelas para evitar qualquer contratempo Se a taça do hexacampeonato coroar o esforço, uma quinzena será pouco para as comemorações em Brasília e em todos os estados. Só depois, a murcha pré-campanha interrompida terá que dar o ar da sua graça. À dupla de favoritos faria bem uma recauchutagem. Serra está subindo o tom em cada discurso para marcar o seu lugar na oposição. Tática sem alternativa, mas de eficiência discutível. Lula não é candidato, mas o pajé da candidata Dilma.
Os candidatos à reeleição a mandatos parlamentares, para mais quatro anos de fruição de um dos melhores empregos do mundo, com pouco o que fazer e a penca de escandalosas mordomias – algumas com a mancha de uma punga no cofre da Viúva – estacam à porta de Brasília e dão meia-volta para não enfrentar a crise ética, moral que contamina a cidade construída para ser o Distrito Federal, a capital administrada por gerente de livre nomeação do presidente da República. E que desde a inauguração precipitada, antes de estar pronta, transformou-se na inacreditável baderna dos mais de 3 milhões de habitantes, dez vezes mais do que os 300 mil do previsto no plano de Lúcio Costa.
A crise é Brasília. Sem enfrentá-la com a reforma política, que todos prometem até serem eleitos e depois esquecem com o maior descaramento. O presidente Lula desfrutou da solução perfeita: tem casa e palácio em Brasília, e lá pouco para. E com os mais de 100 dias por ano em viagens pelo mundo, conquistou a popularidade nos cinco continentes. Se a Seleção de Dunga chegar à final, Lula dificilmente resistirá à justa tentação de correr o risco de assistir à decisão do hexacampeonato na tribuna de honra. E de voltar ao Brasil no mesmo avião dos seis vezes campeões do mundo. Nem precisará fazer campanha: Dilma será eleita. E aí começa outro capítulo da história de uma campanha presidencial, que será decidida pelo voto que não será conquistado apenas pelas promessas desacreditadas, mas pela Seleção que reuniu os craques brasileiros espalhados pelos grandes times do mundo.
Decisão do TRF impõe que Estado forneça medicamento de alto custo a portadora de câncer
Decisão do TRF impõe que Estado forneça medicamento de alto custo a portadora de câncer
A 6ª Turma do TRF da 1ª Região, ao analisar o Processo nº 2006.3300012009-8, julgou procedente, por unanimidade, apelo de portadora de câncer de mama para que o Estado da Bahia forneça o medicamento necessário ao tratamento. O Desembargador Relator ressaltou que, como já estabelecido em sentença, deve a União ficar obrigada a reembolsar ao Estado as quantias que este tiver de suportar no cumprimento da obrigação. Afirmou ser obrigação do Estado, no sentido geral, ou seja, União, estados, Distrito Federal e municípios, solidariamente, conforme legislação, assegurar às pessoas desprovidas de recursos financeiros o acesso à medicação necessária para a cura de suas enfermidades.
sexta-feira, maio 28, 2010
Direito da USP vai retirar nome de doadores das salas
Portaria revogada
Direito da USP vai retirar nome de doadores das salas
A Faculdade de Direito da USP decidiu, em reunião nesta quinta-feira (28/5), revogar a portaria publicada pelo ex-diretor da unidade e atual reitor da universidade, João Grandino Rodas, que deu nomes de doadores a duas salas de aula na unidade, de acordo com informações do Estadão.com.
Os doadores são o escritório de advocacia Pinheiro Neto e o banqueiro Pedro Conde. Os herdeiros de Conde teriam feito doações com a condição de que teriam grafados os nomes nas salas. Alunos e professores protestaram contra a decisão, que seria contrária à tradição da casa. Na faculdade, apenas ex-professores batizam salas.
Por conta da polêmica, o atual diretor da São Franscico, Antonio Magalhães Gomes, que conta com apoio de professores e alunos, chegou a anunciar sua renúncia ao cargo. Voltou atrás, convencido pelos professores, por quem foi aplaudido com entusiasmo.
Na sequência, segundo representantes discentes que acompanham a reunião, cogita-se também a abertura de processo de improbidade administrativa contra o ex-diretor da unidade, João Grandino Rodas (atual reitor da USP), por conta da portaria publicada no início do ano.
Consultado pela ConJur, Grandino afirma:"Enquanto diretor da Faculdade de Direito fiz a minha parte. Terminado meu mandato e tendo-me afastado em razão do cargo atual, não me cabe, quer interferir, quer julgar as decisões dos atuais poderes da Faculdade. Resta-me expressar meus melhores votos para o presente e o futuro da Velha Academia, que sempre teve e terá o meu apoio".
Em nota enviada à comunidade universitária de São Paulo, no dia 17 de maio, ele afirmava que é uma prática antiga na escola dar nomes às salas da faculdade, e as designações contestadas foram devidamente aprovadas pela Congregação de professores.
"Há salas na Faculdade de Direito com nome de não professor — a Sala Visconde de São Leopoldo. Por outro lado, em nível de Universidade de São Paulo, inexiste proibição de se colocar nome de aluno ou de terceiros: A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, tem o nome do doador do respectivo terreno; há na Escola Politécnica, um prédio nominado Olavo Setubal, ex-aluno ilustre e doador", escreveu o reitor.
O Pinheiro Neto divulgou nota de esclarecimento e afirmou que "doou recursos para a reforma de uma das salas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) sem condicioná-la a qualquer contrapartida". E afirmou, também, que "o intuito do escritório foi o de colaborar para a preservação e a modernização de um dos maiores patrimônios da formação social e jurídica do Brasil".
O escritório ressaltou que tem entre seus compromissos o de colaborar para o aperfeiçoamento da qualidade do ensino do Direito no país. "Por essa razão, considera importante apoiar instituições de inegável relevância como a Faculdade de Direito da USP. Apesar de extremamente lisonjeados pela deferência a seu fundador, José Martins Pinheiro Neto, os sócios do escritório não têm pretensão alguma de interferir em decisões que cabem única e exclusivamente ao corpo diretivo da entidade", finalizou.
Fernando Sabino Ser mineiro
que faz, nem o que vai fazer
é fingir que não sabe aquilo
que sabe, é falar pouco e
escutar muito, é passar por
bobo e ser inteligente, é
vender queijos e possuir
bancos.
Um bom mineiro não laça
boi com imbira, não dá
rasteira no vento, não pisa
no escuro, não anda no
molhado, não estica
conversa com estranhos, só
acredita na fumaça quando
vê fogo, só arrisca quando
tem certeza, não troca um
pássaro na mão por
dois voando.”
Fernando Sabino
Passos Pagoda, Nepal Fotografia por Bas Uterwijk
Um homem e sua neta fazem uma pausa nos degraus de um templo em estilo pagode na Durbar (Kings),
na Praça Bhakthapur, Kathmandu Valley, no Nepal.
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