segunda-feira, julho 12, 2010
Futebol, crime e política
Futebol, crime e política
Luiz Werneck Vianna - VALOR ECONÔMICO
O assassinato de Eliza Samudio em que está envolvido como suspeito o goleiro Bruno, ex-capitão do Flamengo, vencedor do último campeonato brasileiro de futebol, não deve ficar confinado às páginas do noticiário policial. O horror que ele suscita por seu enredo escabroso, a história dos personagens, a gratuidade do crime, a forma da execução - os restos mortais da vítima foram lançados a cães para serem devorados -, a presença do mal em estado bruto, tudo isso reclama que se olhe para além das patologias dos indivíduos já indiciados como culpados. Em primeiro lugar para o clube, agremiação mais que centenária, e para a estrutura do futebol, o esporte de massas que é uma paixão nacional. Em segundo, para o tipo de sociabilidade selvagem, à margem da vida civil, que se reproduz em escala crescente e que encontra na cultura do narcotráfico e do consumismo, alçado a valor supremo, os seus paradigmas.
Bruno, um dos mais altos salários do seu clube, era uma liderança, portando a braçadeira de capitão por indicação de seus dirigentes, em que pese várias manifestações arrogantes de sua parte, inclusive nas relações com o seu técnico, e já se envolvera, com alguns colegas, em escândalos públicos em festas promovidas em domínios territoriais do narcotráfico. Em uma dessas ocasiões, proferiu uma declaração em que, explicitamente, admitiu ser normal a violência física entre casais, e, embora sua agremiação desportiva fosse dirigida por uma mulher - uma ex-atleta olímpica -, manteve a honraria da braçadeira.
Registre-se, ainda, que dois companheiros de clube, como o noticiário esportivo com frequência denunciava, eram contumazes participantes de pagodes em redutos do crime organizado, um deles fotografado ao lado de marginais armados com metralhadoras, o outro levado à polícia para esclarecer relações mercantis com notórias lideranças do mundo do tráfico em favelas cariocas.
Em todos os casos, o clube optou pela contemporização, em nome certamente de uma política de resultados, uma vez que esses jogadores se notabilizavam por seus feitos nas competições. E o que importa aí é deslocar o foco para a estrutura do nosso futebol, com sua organização autocrática, dominada por um vértice que se eterniza no poder, apenas orientada para a produção de vitórias nas competições, inteiramente arredia às possibilidades de fazer do futebol, com sua penetração capilar na vida do povo, um instrumento de educação de massas.
Para ela, o futebol do país se resume a ser mais um ator no processo de globalização dessa atividade esportiva graças à qualidade dos seus praticantes, um celeiro de craques de exportação. Nesse sentido, a expressão esportiva e cultural que ele representa se encontra crescentemente contaminada pela ameaça de ser submetida inteiramente à lógica mercantil. E não à toa não se pode mais descrever a sua história atual sem incluir o papel dos empresários no recrutamento de jovens jogadores talentosos que passam a administrar suas carreiras, relegando o papel das agremiações esportivas a um lugar subordinado, quando não inteiramente ausente, na sua formação como homens e cidadãos.
Os frutos bem-sucedidos desse sistema se convertem em mercadorias do mercado globalizado do futebol, as transferências para os milionários clubes europeus, para onde migram cada vez mais jovens, significando a realização de suas carreiras. Nada mais natural que seus praticantes, desde cedo sem tempo para se dedicarem aos estudos, encapsulados na bolha do mundo do futebol, manifestem fortes opções religiosas, em geral pentecostais, aí encontrando escoras emocionais que lhes permitam suportar as pressões do mercado que condiciona suas vidas.
Sem essas escoras, seus profissionais, com uma educação formal em geral precária, muitos vindos de lares destroçados - o caso de Bruno -, se veem à mercê da cultura do consumismo, o tempo livre de jogos e treinamentos dissipados em meio a uma legião de fãs, sua presença prestigiosa disputada em pagodes e orgias em que são convidados de honra. Os clubes, indiferentes ao comportamento dos seus profissionais, cerram os olhos a seus desvios de conduta, por sua vez prisioneiros da lógica de resultados que comanda o futebol. Assim, os clubes e seus heróis do maior esporte de massas do país, que poderiam exercer um papel na difusão dos valores civis na formação da juventude, tornam-se uma vitrine a estimular o hedonismo e o comportamento narcísico.
Futebol é cultura - no nosso caso uma de suas mais vigorosas manifestações -, fazendo as vezes de uma escola moderna em que se ensina a competir sob a jurisdição de regras interpretadas por um árbitro e que são de prévio conhecimento dos seus praticantes e do seu público. Atividade generalizada na juventude do nosso país, presente no mais remoto dos rincões, a política e os partidos não podem ser estranhos a ela, esperando-se da sua intervenção a criação de regras que venham a atuar no processo de formação dos seus profissionais, que chegam a ela, em muitos casos, como pré-adolescentes. De outra parte, cabe à opinião pública, reclamar que os clubes adotem padrões de conduta que impeçam os seus atletas de manterem relações privilegiadas com o submundo da criminalidade.
Entre tantos fatos estarrecedores no caso de Bruno, está a revelação de que ele estava conscientemente envolvido com personagens e com os padrões vigentes nas redes do crime organizado. Só faltou o uso de micro-ondas na eliminação da pobre Eliza para tornar ainda mais evidente as impressões digitais da cultura do narcotráfico nesse caso.
Luiz Werneck Vianna é professor-visitante da UERJ e ex-presidente da Anpocs. Escreve às segundas-feiras.
Rússia: Irã está perto de ter meios para criar arma nuclear
Rússia: Irã está perto de ter meios para criar arma nuclear
O Irã está perto de obter os meios para fabricar uma arma nuclear, declarou nesta segunda-feira o presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmação de surpreendente firmeza por parte da Rússia sobre o controvertido programa nuclear iraniano.
"O Irã se aproxima da posse de algo potencial que, a princípio, pode ser utilizado para fabricar uma arma nuclear", afirmou Medvedev, citado pela agência Interfax, durante uma reunião com os embaixadores da Rússia.
Esta declaração é uma nova mostra do endurecimento da posição da Rússia em relação ao Irã e a seu programa nuclear, apesar dos países manterem tradicionalmente boas relações.
Segundo a Interfax, Medvedev lamentou que a posse de tal potencial não seja em si uma violação do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP): "É um dos problemas", estimou, considerando, além disso, que "a parte iraniana não se comporta da melhor maneira".
A Rússia votou em junho, junto com as outras grandes potências do Conselho de Segurança da ONU, um quarto pacote de sanções financeiras e militares contra o Irã por causa de seu programa nuclear.
"As sanções têm um sentido, são um sinal destinado a estimular o processo de negociações. Agora é necessário ter paciência e haver uma retomada rápida do diálogo com Teerã", afirmou o presidente russo.
"Se a diplomacia deixar passar esta oportunidade, será um fracasso coletivo", acrescentou.
"Nós pedimos sistematicamente a Teerã que dê mostras da abertura e cooperação necessárias para a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)", enfatizou Medvedev.
O Irã, que afirma que seu programa nuclear tem objetivos puramente pacíficos, indicou na semana passada que poderá retomar com certas condições o diálogo com o grupo 5+1 (EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha).
Insignificância não pode ser aplicada em caso de roubo envolvendo tapa na cara
Insignificância não pode ser aplicada em caso de roubo envolvendo tapa na cara
Se, ao abordar a pessoa com intenção criminosa, o indivíduo desferir tapa no rosto da vítima e seu comparsa a ameaçar, ordenando que fique quieta, o crime é de roubo e não de furto. Nos delitos de roubo, ainda que o valor do objeto furtado seja pequeno, não se aplica o princípio da insignificância, uma vez que, nesse caso, além da propriedade, a liberdade individual e a integridade física e moral de quem está sob ameaça são violados e esses são valores que não podem ser considerados insignificantes. Com essa orientação, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou habeas corpus a J.R.R. e M.B.J.
Afirmam os autos que os dois assaltantes foram condenados pela prática do crime de roubo circunstanciado (art. 157 do Código Penal). A pena foi estipulada em cinco anos e quatro meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A Defensoria Pública apelou da condenação ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), argumentando que o crime seria de furto e não de roubo, pois o bem foi restituído à vítima e não teria havido grave ameaça. Requereu também a aplicação do princípio da insignificância, tendo em vista o pequeno valor do objeto, um aparelho celular avaliado em R$ 65.
Entretanto o TJMG manteve a condenação: “Autoria e materialidade incontestes. Princípio da Insignificância, inaplicabilidade. Perseguição, delito consumado. Violência física e grave ameaça. Tapa no rosto. Palavra da vítima.” Em face da decisão desfavorável, o defensor público recorreu ao STJ para que fosse analisada a possibilidade de aplicação do crime de bagatela. No pedido, pretendia que a prisão em regime inicial semiaberto fosse substituída por pena restritiva de direitos ou fosse concedida a suspensão condicional do processo.
Mas o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, relator do processo, refutou os argumentos da defesa, ressaltando que o princípio da insignificância não pode ser empregado indistintamente, porque existe o risco de incentivar a prática de pequenos delitos e de gerar insegurança social. “Apesar do ínfimo valor do bem subtraído, o caso sub judice não merece a aplicação do princípio da insignificância, eis que o delito de roubo não ofende apenas o patrimônio furtado, mas também a integridade física da vítima, que jamais pode ser considerada como um irrelevante penal. A violência aplicada à vítima torna a conduta irremediavelmente relevante, restando afastada a alegação de atipicidade pela eventual bagatela da coisa roubada.”
Em seu voto, o ministro esclareceu que a consumação do roubo ocorre quando o agente consegue retirar o bem da esfera de disponibilidade da vítima, mesmo que, por breve momento, tornando desnecessário o fato de o criminoso ter ou não conseguido a posse tranquila do objeto subtraído, fora da vigilância da vítima. Com base nesse entendimento, que segue a jurisprudência do STJ, o relator negou habeas corpus, no que foi acompanhado pelos demais magistrados da Quinta Turma.
Coordenadoria de Editoria e Imprensa
A Venezuela está a caminho do desastre
A Venezuela está a caminho do desastre
JOSÉ ROBERTO MENDONÇA DE BARROS
A Venezuela é aquele país que, segundo nosso presidente, tem democracia demais. Apesar disso, os esforços para o aprimoramento democrático não param: o ex-ministro General Baduel (aquele que garantiu o poder a Chávez) foi condenado a oito anos de prisão, os esforços para fechar o único canal oposicionista de TV estão quase concluídos, com o pedido de prisão de seu diretor, enquanto outros críticos (como Oswaldo Alvarez Paz, ex-governador do Estado de Zulia) são presos. Ainda isso é pouco, pois a democracia tem de ser defendida de seus inimigos solertes; nessas condições, como mostrou o Estado em matéria publicada em 16 de junho passado, a ajuda de Cuba tem sido inestimável. Agentes da democracia vizinha participam cada vez mais do controle militar e da segurança interna, matéria na qual o aparato cubano é craque respeitado em todo o mundo.
Entretanto, o controle político do presidente Chávez vem sendo sistematicamente testado pela firme deterioração da economia venezuelana. Apenas para se ter uma ideia, dos dezoito países cobertos pelo Latin American Consensus Forecast (edição de junho), a Venezuela é o único no qual se projeta uma queda no PIB, para uma média do crescimento regional de 4,5%.
A desordem econômica é profunda e generalizada. Comecemos pelos números: o PIB venezuelano caiu 3,3% em 2009 (depois de crescer 4,8% em 2008) e é projetada uma contração de mais 4,1% em 2010 (dados do Consensus). A estimativa mais recente disponível é do Morgan Stanley, que projeta um mergulho de 6,2% para este ano e mais queda (1,2%) para 2011. Os investimentos caíram 3,3% em 2008 e 8,2% em 2009. Para 2010, projeta-se queda entre 12,5% (Consensus) e 28% (Morgan Stanley). Da mesma forma, o consumo caiu em 2008 (3,2%), cifra que deve se repetir neste ano. O que cresce mesmo é a inflação: os preços ao consumidor se elevaram 32% em 2008 e 27% no ano seguinte. Para 2010, a inflação deve atingir 40% e ficar por aí em 2011.
Deterioração. A recente situação econômica é fruto de uma longa deterioração em várias frentes, que as elevações dos preços de petróleo até 2008 mascararam, uma vez que as receitas externas facilitavam as importações e geravam recursos para os gastos do governo central. Vejamos as principais.
Petróleo: no final de 2000, a Venezuela produzia 3 milhões de barris de óleo por dia; entre fevereiro e maio deste ano, a extração média foi de 2,3 milhões de barris/dia, segundo a Opep, ou uma queda de quase 25%. Uma sistemática redução dos gastos de manutenção e de investimentos em novos campos, resultante do desvio do caixa da empresa para cobrir gastos correntes do governo, explica esse resultado. A situação é tão difícil que a PDVSA acumulou uma dívida de mais de US$ 21 bilhões com prestadores de serviços e fornecedores. O problema é estrutural e dificilmente será revertido a curto e médio prazo, mesmo após o acordo de exploração com a China. Como os preços do petróleo estão em queda, podendo chegar a US$ 60, a geração de caixa irá piorar ainda mais.
Setor externo: o petróleo é o único item relevante na pauta de exportações da Venezuela. A lenta redução na produção e a queda na cotação do produto após 2008 resultaram numa contração da oferta de divisas. Como a limitação da produção local exige grandes importações para atender o consumo doméstico, o mercado de câmbio ficou muito pressionado, especialmente depois da forte queda nas reservas de divisas. Essas caíram de US$ 32 bilhões, em 2008, para a faixa de US$ 17 bilhões nos dias de hoje, o que levou as autoridades a estabelecer controles diretos e racionamento das divisas (Cadiv). Nessas condições, as empresas passaram a buscar o mercado paralelo de dólares para pagar pelas importações. Estima-se que 30% das importações chegaram a ser liquidadas desta forma, naturalmente numa taxa de câmbio muito mais desvalorizada que a cotação oficial. Entretanto, o vezo autoritário do governo o levou a aprovar legislação que criou penas drásticas para coibir o mercado paralelo. A solução policial para um problema econômico, como é usual, só vai agravar a situação, pois se for bem-sucedida, a recessão e a inflação se elevam com o choque de oferta; se mal sucedida, a desordem e a inflação ficam mais agudas.
Infraestrutura: o grande crescimento dos gastos correntes do governo central, da mesma forma que o ocorrido na produção de petróleo, reduziu as despesas de manutenção e investimento nas áreas de estradas e energia elétrica. Há poucos anos, um grande trecho da estrada que liga Caracas ao principal porto do país simplesmente ruiu, por falta de manutenção. Como resultado, durante dois anos o transporte se fez por um caminho precário e mal adaptado para uso intensivo, com elevação apreciável de custo. Nestes dois últimos anos, por outro lado, a Venezuela conviveu com apagões na rede elétrica, que neste ano (por causa de uma forte seca) se transformou em racionamento explícito em boa parte do país. As restrições na oferta de energia elétrica explicam parte do mergulho recessivo do país.
Oferta de alimentos: a Venezuela sempre importou alimentos. Entretanto, a situação piorou muito tendo em vista as contínuas intervenções do governo, via tabelamentos, ameaças de expropriação e importações subsidiadas. Estabelece-se então um círculo vicioso: a oferta cai, o governo ameaça e intervém na comercialização, o que leva a reduções adicionais na produção; com a restrição de divisas, o abastecimento via produtos importados é incerto e insuficiente, o que eleva a inflação, reiniciando o circuito. No final, perdem produtores e consumidores.
Intervenção e ineficiência: não deve ser surpresa a constatação de que a economia venezuelana é cada vez mais ineficiente, desde a operação da PDVSA, passando pelos serviços de infraestrutura, por mais de 700 nacionalizações de empresas, pelo capitalismo de compadre (boliburgueses) e chegando à tentativa frustrada de estatizar o abastecimento, como é o caso da rede Mercal. Nada é mais simbólico da ineficiência da economia do que a descoberta de mais de trinta mil toneladas de alimentos importados que apodreceram em algum pátio. A insegurança jurídica é total, a segurança pública piora. Com a inflação elevada, mesmo as tentativas de redistribuição de renda se reduzem com o custo de vida mais alto. Só uma coisa é certa: o presidente Chávez se aproxima cada vez mais de uma ditadura explícita.
Implicações. A situação da economia de Venezuela sugere pelo menos duas implicações para o Brasil. Em primeiro lugar, o saldo comercial bilateral (que começou a se elevar a partir de 2004 e atingiu a faixa de US$ 5 bilhões em 2008) não é sustentável. A recessão e a escassez de divisas limitam as importações. Em 2009, o saldo se reduziu para US$ 3,6 bilhões, caindo mais de 15% nos primeiros cinco meses deste ano em relação a igual período do ano passado, sugerindo um número da ordem de US$ 2,5 bilhões. Além disso, são recorrentes os atrasos no pagamento das importações. Devemos continuar exportando para lá, mas sem grandes expectativas.
Finalmente, patrocinar a entrada da Venezuela no Mercosul é uma das maiores esquisitices da nossa diplomacia. Juntar o que não funciona (Mercosul) com um país em crise, que não soma muito em termos econômicos e com um líder sem limites, não pode dar certo. Seria risível, se não fosse trágico, imaginar que a soma dos Kirchners com Chávez possa produzir algo construtivo.
ECONOMISTA DA MB ASSOCIADOS
Começou a campanha eleitoral e a mídia está borrada
Começou a campanha eleitoral e a mídia está borrada
Ricardo Giuliani Neto - 12/07/2010 – ÚLTIMA INSTÂNCIA
Agora que a eleição teve a largada oficial, fiquem mais tranquilos, pois, não falaremos de política. Sim, os nossos gloriosos políticos e juízes eleitorais são assim, no ápice da política, pode-se tudo, menos falar em política. Vamos eleger deputados, senadores e presidente da República, mas, pode-se tudo, menos informar ao povo o que pensam os que pleiteiam os nossos votos. Pode!?
Dentre os direitos fundamentais cravados na Constituição estão os direitos à plena liberdade de informação e de expressão, lógico, na visão e na decisão dos luminares da Justiça Eleitoral e dos medíocres da política, desde que não falemos de política ou sobre candidatos.
Lá no capítulo da comunicação social, ali na Constituição Federal, está escrito que a liberdade de expressão e de informação são plenas; lá também está escrito que nenhuma – eu disse nenhuma – lei (ou ato judicial) poderá restringir o direito à informação e à liberdade de expressão. Nenhuma quer dizer nem duas, nem três, nem quatro, ou NEM mesmo UMA lei poderá fazer qualquer tipo de restrição à liberdade de informar e de livremente expressar opiniões por qualquer meio de mídia que seja, e isso porque tratamos de direitos fundamentais plenos, ou seja, pleno é o que se basta é o suficiente por si, portanto, NADA nem NINGUÉM (inclusive o judiciário), pode restringi-los (ver ADPF 130, Rel. Min. Ayres Brito).
A Justiça Eleitoral, dizem os juízes da Justiça eleitoral, pode censurar!!! É o preconceito elitista de que o Povo é composto por um bando de mentecaptos; gente que não têm condições de distinguir o bem e o mal. Então, vem o “paizão” e diz ao Povo o que é o bem e o que é o mal. Já vi esta história de “Estado-paizão”, um dos seus mentores terminou a vida pendurado pelos pés na velha Roma dos anos 40.
Acompanhem rádios, televisões e jornais e encontrem uma entrevista com algum candidato a deputado ou a senador. Não as encontrarão! Se encontrarem, logo atrás virá uma multa sobre o órgão de imprensa que ousou exercer o direito constitucional. Há um certo tipo de censura prévia e amordaçamento à imprensa. A Constituição proíbe a censura prévia! A Constituição proíbe o amordaçamento da opinião! A Justiça Eleitoral diz o que se pode dizer a propósito de política
Nas campanhas de rua o lixo é puro. Sim, o velho e surrado panfleto estará por aí sujando as avenidas. Sim, em plena era da internet, o panfleto será o meio de difusão de informações à cidadania. Pode? Informações sobre em quem votar? Encontrarão nos sítios de caça aos políticos. Nos portais de transparência, nas listas de inelegíveis. Claro, a divulgação é sempre a divulgação do negativo. Isso pode! Vocês não encontrarão listas de honestos, de probos, de bem-intencionados. Acessem aos sítios dos Tribunais de Contas, dos Tribunais Eleitorais e lá estarão os que, por julgamento de um burocrata qualquer, são os “ficha suja”.
Chegamos ao ridículo de um jornalista não poder opinar sobre os candidatos no rádio, mas, e ao mesmo tempo, o mesmo jornalista, pode desancar qualquer um no seu blog pessoal, vinculado a mesma rádio. Sim! Esdrúxulo! Isso pode!?
Dia desses concedi entrevista a uma rádio. O estúdio fica no segundo andar. A redação do Jornal, pertencente ao mesmo grupo de comunicação, fica no primeiro andar do mesmo prédio; no primeiro andar o mesmo jornalista, que trabalha tanto na rádio quanto no jornal, tem liberdades naquela e é censurado, neste. Quando está no segundo andar, na rádio, não pode opinar, quando escreve no jornal, no primeiro andar, pode. Pode? Esdrúxulo!
Espanta-me a inação das empresas de comunicação frente à justiça. Não se mexem para garantirem o exercício do direito à plena informação e à plena liberdade de expressão conforme a Constituição Federal lhes (nos) assegura. Na verdade, a plenitude destes direitos dialogam diretamente com a garantia fundamental de, na qualidade de cidadãos, obtermos informação, portanto, as liberdades a que me refiro não são da mídia, são nossas.
Reconheço, diante das multas pesadíssimas que a Justiça eleitoral já avisou e vem avisando que imputará aos órgãos de imprensa que ousarem exercer os direitos constitucionais de livremente informar e de livremente opinar, e, então, lá vai a mídia borrada de medo do Judiciário. Ou não?
Começou a eleição! No ápice do que deveria ser a maior expressão do nosso civismo pode-se tudo, menos ter liberdade de informação, liberdade de expressão e, claro, liberdade para livremente formamos um juízo sobre em quem deveremos civicamente votar. Quem são os candidatos? O que eles pensam? Sei lá! Só sei que esse negócio de judicialização da política não vai acabar bem.
Prova testemunhal mantém condenação de empresa por assédio sexual
Prova testemunhal mantém condenação de empresa por assédio sexual
Para o TRT da 3ª Região, o assédio sexual é de difícil comprovação, pois quem o pratica utiliza linguagem corporal, como olhares, gestos, posturas e comportamentos representativos de apelo sexual. E, para tanto, se vale da sua posição hierárquica superior e abusa dos poderes de mando que lhe foram conferidos pelo empregador. Esse foi o entendimento do eg. TRT ao julgar o recurso ordinário interposto pela reclamante pleiteando indenização por assédio sexual praticado por um de seus gerentes. Para manter a condenação da empresa, o relator se baseou na prova testemunhal trazida pela empregada. Para o relator, quando a empresa rescindiu o contrato do assediador, reconheceu o assédio sexual praticado, entendendo, assim, como prova indiciária, ou seja, todo e qualquer rastro ou vestígio relacionado a um fato comprovado que conduz, por meio de um raciocínio lógico, a outro fato, até então, desconhecido.
domingo, julho 11, 2010
O meio ambiente agradece
O meio ambiente agradece
O Brasil está pressionando os EUA para não renovarem o tributo adicional cobrado na importação de etanol, que vence em dezembro, mas há lobby das petroleiras no Congresso americano
Marta Nogueira – Jornal do Brasil
O vazamento de petróleo da BP no Golfo do México – considerado a pior catástrofe ambiental da história dos Estados Unidos – trouxe à tona a discussão sobre a necessidade de se reduzir a dependência global por óleo a partir do maior uso das fontes de energia renováveis.
O momento favorece o potencial brasileiro para a exportação de etanol.
A capacidade produtiva do Brasil é de 7 mil litros por hectare, 2.300 litros a mais que nos EUA, de 4.700 litros por hectare.
Além disso, o etanol brasileiro, à base de cana-de-açúcar, inibe a emissão de 61% de gases do efeito estufa em relação à gasolina, enquanto o álcool americano, feito de milho, emite só 21% menos de CO². Mas de todo o biocombustível produzido no mundo, apenas 10% é negociado no exterior, devido às barreiras tarifárias.
– Os EUA reconhecem que o petróleo é uma energia suja, mas por outro lado há um lobby das petroleiras – destaca Henrique Chaves, professor Universidade de Brasília (UnB).
O governo brasileiro está pressionando os EUA para não renovarem o tributo adicional cobrado na importação de etanol, que vence em dezembro.
Mas ainda há resistência no Congresso americano, porque a taxa de US$ 0,54 por galão (US$ 0,14 por litro) foi adotada desde 1980 para compensar a isenção fiscal concedida às empresas (nacionais e estrangeiras) que adicionam o biocombustível à gasolina. O governo americano gasta US$ 5 bilhões por ano para manter este incentivo.
– Os EUA deverão manter artificialmente a competitividade do seu álcool, que tem características inferiores ao etanol brasileiro – aponta o coordenador do Instituto de Energia da USP, Célio Bermann.
A tarifa extra forma de 30% a 40% o preço do etanol importado pelos Estados Unidos. Apesar da taxa ser classificada como temporária, já dura três décadas.
– Como a tarifa de importação é mais alta que os incentivos, fica muito difícil para o Brasil escoar sua produção nos EUA, que tem o maior consumo mundial de etanol – ressalta a representante da Divisão de Agricultura e Produtos de Base do Itamaraty, Paula Aguiar Barbosa.
– Estamos com várias ações para que esta barreira seja derrubada.
Nós tínhamos uma tarifa (de importação), derrubada no início do ano.
Paula lembra que, além da taxa extra, há a tarifa aduaneira para a importação de etanol nos EUA, que varia de 1,9% a 2,5%.
Dentre as iniciativas brasileiras para incentivar a compra do álcool pelos americanos está o patrocínio à Fórmula Indy, que usa o biocombustível produzido no Brasil.
Os EUA consomem cerca de 50 bilhões de litros de etanol por ano, quase o dobro do consumido em solo brasileiro (27 bilhões por ano) e esperam alcançar a marca de 136 bilhões até 2022, segundo o diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão. “Apenas 3 bilhões de litros de etanol vendidos nos EUA são importados.” – Deste montante, os EUA pretendem consumir cerca de 80 bilhões de litros (21 bilhões de galões) de combustível não celulósico avançado (como é classificado o etanol de cana-de-açúcar feito no Brasil) – declara Leão. – Por questões ambientais, eles não podem plantar cana com a nossa eficiência.
Caminho aéreo para Teerã
Caminho aéreo para Teerã
Tomado de medo de um Irã nuclear, Israel já teria condição de atacar país, mas nega intenção
Renata Malkes
Enquanto jornalistas, políticos e acadêmicos em todo o mundo aguardam o resultado prático das novas restrições econômicas impostas ao Irã, crescem as apostas israelenses em tecnologia para conter o programa nuclear da República Islâmica. O discurso oficial adotado pelo governo de Israel garante que uma ação militar em solo iraniano está descartada num futuro próximo, mas não esconde o fato de que o temor da nuclearização de Teerã é hoje um dos únicos — senão o único — consenso nacional no país: Israel está seguro de que um Irã nuclear ameaça sua existência e crê que sanções não são obstáculos no caminho rumo à bomba.
O premier Benjamin Netanyahu vem enfrentando crescentes pressões de seu governo conservador — sobretudo do ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, do partido ultranacionalista Israel Beitenu — por dar ao mundo a impressão de que Israel concorda em deixar a questão iraniana nas mãos de Washington, mas, internamente, a única certeza quanto ao destino das milhares de centrífugas iranianas é a de que todas as opções estão sobre a mesa.
Mísseis balísticos podem ser opção
Há três meses, entrou em operação o que Israel considera um dos atores principais de uma eventual ofensiva ao Irã: o novo avião não tripulado Eitan, com autonomia de voo de cerca de 20 horas sem reabastecimento e a capacidade de carregar dezenas de toneladas de bombas. A chegada da moderna aeronave — do tamanho de um Boeing 737 comercial e completamente controlada por computador — aumentou os rumores de que, mesmo sem apoio internacional, o país poderia ousar uma manobra para impedir que o governo de Mahmoud Ahmadinejad tenha capacidade de produzir sua primeira ogiva nuclear.
— O avião terá potencial de conduzir novas missões longínquas no tempo certo — limitou-se a dizer, enigmático, o comandante da Força Aérea de Israel, major-general Ido Nehushtan.
Não há sequer uma semana sem a divulgação de alguma perspectiva alarmante sobre um suposto ataque israelense às instalações nucleares, nos mesmos moldes do ocorrido em 1981, quando Israel bombardeou e destruiu a usina de Osirak, no Iraque.
Mas, apesar de uma Força Aérea com tecnologia militar de ponta, o analista militar Alon Ben-David, do Canal 10 da TV de Israel, observa que um dos maiores trunfos do país pode ser o fato de que — segundo ele — governo e Exército estejam despistando a opinião pública mundial. Ben-David diz acreditar que a opção militar deva mesmo ser usada somente num caso extremo, mas ressalta: muito se fala num bombardeio aéreo, mas poucos consideram a hipótese de um ataque feito “do quintal de casa”.
— A imprensa internacional dá pouca atenção à capacidade balística de Israel. Pode-se atacar sem sair de casa.
Desde a década de 90, o país tem mísseis Jericó II, que podem ser lançados daqui e atingir um raio de 1.500 quilômetros de distância, cobrindo todo o Oriente Médio. Especula-se que haja uma nova geração de mísseis, que poderiam levar 750 quilos de explosivos e fazer um estrago considerável — arrisca Ben-David.
Um ano treinando para atacar Iraque
Se na política os desafios de uma incursão ao Irã implicam o risco de uma possível reação do Hezbollah, no Líbano, e da Síria — que poderiam levar a região a um confronto de grandes proporções — no campo militar, a República Islâmica virou um quebra-cabeças para os estrategistas israelenses: bem guardado, o programa nuclear de Ahmadinejad está espalhado em vários distritos, muitas instalações são subterrâneas e há ainda a longa distância de cerca de 1.300 quilômetros de voo de qualquer ponto de Israel até a fronteira iraniana.
O coronel de reserva Zeev Raz, chefe da esquadrilha que bombardeou o reator de Osirak, tenta conter a euforia e adverte que, apesar da tecnologia de reabastecimento em voo para enfrentar o longo percurso, a empreitada exigiria participação humana.
— O avião Eitan é uma revolução.
Ele tem capacidade de atrapalhar as comunicações de rádio do inimigo e servir como espião, captando imagens em alta definição, mas ainda não podemos fazer uma guerra controlada por joysticks de computador. Acredito que o Eitan deve ser trabalhado, precisa de acertos tecnológicos. Seria necessário o acompanhamento de uma esquadrilha de dezenas de caças F-16 tripulados — afirmou Raz ao GLOBO.
O ex-piloto lembra ainda o desafio emocional de missões de grande porte.
Segundo ele, quando o governo Menachem Begin autorizou a ofensiva, todos sabiam que a missão poderia acontecer: foi um ano de treino exaustivo no Mar Mediterrâneo e em cápsulas de simulação. Somente Raz e Ilan Ramon — piloto que se tornou o primeiro astronauta do país e morreu em 2003, na explosão do ônibus espacial Columbia, foram avisados com antecedência — de semanas.
— Eu e Ilan, que fez os mapas, sabíamos, mas os outros pilotos foram avisados só alguns poucos dias antes da partida. O emocional também é um adversário — opina ele, descartando uma ação-supresa.
Evitando conflitos com seus aliados, semana passada foi a vez de o chefe do Estado-Maior do Exército, Gabi Ashkenazi, prometer ao senador republicano John McCain, que visitou o país, que Israel não tem intenções de ataque. Mas as veementes negativas do governo de Jerusalém — intercaladas por ocasionais eclosões retóricas contundentes — não convencem nem quem acha exageradas as preocupações com o regime dos aiatolás.
Um histórico de decisões impensadas — como a que levou Israel a invadir o Líbano em 1982, ou mesmo como a que fez o país anexar territórios após a vitória na Guerra dos Seis Dias — oficializa a sensação de guerra iminente.
Para o professor Hagai Ram, da Universidade Ben Gurion, autor de “Iranofobia, a lógica de uma obsessão israelense”, o país deve agir caso seja ameaçado, sem esperar por ajuda externa, mas ressalva: Israel dá demasiada importância ao Irã.
— Há um consenso irracional e até desproporcional no entendimento da ameaça iraniana. Para Israel, se o Irã tiver acesso a armas de destruição em massa, o objetivo será nos destruir.
Aqui, não é preciso ser um neoconservador para desejar o fim do Irã — admite o pesquisador.
Assinar:
Postagens (Atom)













