sexta-feira, outubro 22, 2010

Furto amigo' no PT

Furto amigo' no PT
Coordenador de campanha de Dilma é acusado por jornalista de ter furtado sigilo de tucanos
Roberto Maltchik – O Globo - BRASÍLIA
 Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 15 de outubro, o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que encomendou a quebra do sigilo fiscal de tucanos e de familiares do presidenciável José Serra (PSDB), afirmou que o coordenador de comunicação da campanha da petista Dilma Rousseff, o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), furtou as informações sigilosas de seu computador pessoal e permitiu que os dados fossem levados para dentro da campanha petista.
O dossiê, de acordo com o jornalista, seria utilizado por um grupo de inteligência que estava em gestação na pré-campanha de Dilma.
A equipe, liderada pelo jornalista Luiz Lanzetta, foi extinta após a revelação de sua existência, no começo de junho deste ano. Rui Falcão nega as acusações.
Segundo o depoimento de Amaury, o material foi copiado por Rui Falcão em um flat no hotel Meliá Brasília, um dos mais luxuosos da capital. Ainda de acordo com o jornalista, Rui Falcão tinha a chave do quarto, pois ele já teria utilizado o mesmo apartamento antes
Dono do imóvel trabalha no comitê
Amaury estava hospedado no quarto 1419, cujo proprietário é Jorge Luis Siqueira, funcionário da empresa Pepper, que presta serviços à campanha eleitoral de Dilma. A campanha da petista argumenta, porém, que Jorge não trabalha para a candidata, mas para “uma empresa que presta serviços ao comitê”.
Amaury afirma, no depoimento, “ter certeza de que tal material foi copiado por Rui Falcão, pois somente ele tinha a chave do citado apartamento, pois já havia residido no mesmo, tendo o declarante verificado que o nome de Rui Falcão constava da portaria do hotel como sendo o ocupante daquela unidade”.
Amaury também afirmou que “nunca entregou tal material a qualquer pessoa e acredita, com veemência, que o mesmo foi copiado de seu notebook, quando ocupava um apartamento do hotel, de propriedade de Jorge, cujo sobrenome não se recorda, mas esclarece ser o responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul e da campanha de Dilma Rousseff.”
Funcionário de jornal pagou passagens
Em agosto e setembro, Amaury negou, em dois depoimentos à PF, que tivesse violado os dados fiscais de quaisquer contribuintes.
No entanto, após ser confrontado com o depoimento do despachante Dirceu Garcia, intermediário de Amaury na Receita Federal em São Paulo, revelou os detalhes de sua versão para a ação ilegal. Ele afirmou que levantou informações do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de outros tucanos e familiares de Serra, entre eles a filha Verônica, como parte de uma investigação de “mais de dez anos”, que foi concluída antes de ele pedir demissão do jornal “Estado de Minas”, em 15 de outubro de 2009.
No período em que os dados sigilosos foram violados, Amaury gozava férias e teve suas passagens pagas, segundo o “Jornal Nacional”, da Rede Globo, por Marcelo Augusto Oliveira, funcionário do jornal mineiro. As passagens foram faturadas pela agência de viagens Primus, que presta serviços ao “Estado de Minas”.
Na época em que o grupo de arapongagem estava sendo montado na pré-campanha de Dilma, Rui Falcão e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) travavam uma batalha por poder no núcleo da campanha. Rui Falcão é sócio da Marka, empresa que presta serviços à campanha no estado de São Paulo.
Questionado sobre o conflito no QG de Dilma, Pimentel informou, via assessoria, que o assunto já surgiu em outro momento da campanha e negou rusgas com Rui Falcão. Ele acrescentou desconhecer o relacionamento de Amaury e Luiz Lanzetta com o deputado paulista.
No depoimento, Amaury relata ainda que ouviu de Luiz Lanzetta o relato sobre uma dura conversa com um representante da Marka.
Lanzetta desconfiava que informações sigilosas da campanha de Dilma estavam sendo levadas à imprensa, num típico caso de “fogo amigo”.
Amaury Ribeiro Jr. ainda relatou aos investigadores que ficou sabendo que as informações extraídas ilegalmente do Fisco a mando dele foram parar nas mãos dos petistas por meio de um repórter da revista “Veja”. Na conversa com o colega, o jornalista teria sido informado de que “um novo grupo de aloprados” estava sendo montado no PT e que Amaur y faria parte de tal grupo de inteligência.
A PF já decidiu indiciar Amaury pela violação do sigilo fiscal dos tucanos, além dos contadores e despachantes que participaram do esquema.
Nunca entregou tal material a qualquer pessoa e acredita, com veemência, que o mesmo foi copiado de seu notebook, quando ocupava um apartamento do hotel, de propriedade de Jorge, cujo sobrenome não se recorda, mas esclarece ser o responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul e da campanha de Dilma Rousseff Trecho do depoimento de Amaury Ribeiro Jr. à Polícia Federal.
Nego terminantemente — e cabe a quem acusa fazer prova — que tenha copiado dados ou arquivos do mencionado laptop do jornalista Deputado Rui Falcão (PT-SP)

Programa do PT exibe imagens do SBT

Programa do PT exibe imagens do SBT
Propaganda de Serra mostra agressão no Rio e a de Dilma ridiculariza o fato
Cristiane Jungblut
 BRASÍLIA. A propaganda eleitoral gratuita da candidata petista, Dilma Rousseff, exibida na noite de ontem, utilizou imagens de reportagem exibida pelo SBT para ridicularizar a agressão sofrida pelo tucano José Serra no Rio. Foram mostradas cenas em que Serra é atingido por uma bola de papel, e o locutor diz que ele mentiu: — Para simular uma agressão que não aconteceu. Ele foi atingido por uma bolinha de papel, nada mais — afirma o locutor, acrescentando que Serra recebeu um “misterioso telefonema” e só depois levou a mão à cabeça, mas do lado contrário ao que a bola de papel teria atingido.
A agressão foi exibida também pelo programa do PSDB.
Foram mostradas cenas da confusão e de Serra com as mãos na cabeça, depois de ser atingido por um outro objeto, que não a bola de papel. Na sequência, foram exibidas imagens do ex-governador de São Paulo Mário Covas (PSDB), que em 2000 foi agredido por manifestantes em Diadema (SP). O programa mostra um discurso do então deputado José Dirceu, naquele ano, instando professores contra Covas: — Porque eles têm que apanhar nas ruas e nas urnas — diz Dirceu, no vídeo.
Uma locutora afirma que o tucano foi agredido no Rio por militantes do PT e de Dilma: — A violência começou depois do aparecimento de manifestantes do PT e mais cabos eleitorais de Dilma. Os brasileiros lutaram muito para reconquistar a democracia. É inaceitável o que aconteceu nesta quartafeira, no Rio. O pior e mais grave é a repetição de um comportamento que não cabe na democracia.
É essa a democracia que você quer para o Brasil? Os tucanos exploraram ainda denúncias contra Valter Cardeal, dirigente da Eletrobras ligado à Dilma: “Zé Dirceu, Erenice Guerra, Valter Cardeal. Dilma: o Brasil não merece isso”.

Lula 'compra versão' e ataca Serra

Lula 'compra versão' e ataca Serra
Em evento oficial, presidente acusa o tucano de simular agressão, mas imagens desmentem o que Lula disse
João Guedes* - O Globo
 RIO GRANDE e PELOTAS (RS). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como uma farsa a reação do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, à agressão sofrida pelo tucano durante caminhada anteontem em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O presidente fez as acusações em entrevista coletiva na cidade gaúcha de Rio Grande, durante evento oficial.
O presidente teria se baseado, porém, apenas em imagens do SBT e da TV Record.
Estas imagens mostram Serra sendo atingido por uma bolinha de papel, mas não apresentam o momento, cerca de 15 minutos depois, o instante em que o tucano foi atingido por um outro objeto, maior, que o feriu.
Lula chegou a comparar a atitude de Serra à do goleiro chileno Rojas, que — nas Eliminatórias da Copa do Mundo, em 1989, no Maracanã — fingiu ter sido atingido por um foguete jogado por uma torcedora. E ainda acusou a “equipe de publicidade” do PSDB: — Primeiro bateu uma bola de papel na cabeça do candidato.
Ele nem deu toque para a bola, tanto que olhou para o chão e continuou andando. Vinte minutos depois, esse cidadão recebe um telefonema, que deve ser do diretor de produção dele, que orientou que ele tinha de criar um factoide. Ele bota a mão na cabeça e vai ser atendido por um médico que foi secretário da Saúde do prefeito Cesar Maia, e foi diretor do Inca quando Serra foi ministro da Saúde — disse Lula, após cerimônia de inauguração do polo naval local.
Lula afirmou que, ainda na quarta-feira, chegou a recomendar a colegas de partido que ligassem para Serra e se solidarizassem com ele: — Ontem (quarta-feira), venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido, e o que vocês assistiram foi uma mentira mais grave que a do goleiro Rojas.
‘É uma coisa vergonhosa’
O presidente citou suas três derrotas em eleições presidenciais, afirmando nunca ter feito “qualquer agressão” ou “mentido para a sociedade brasileira”.
— Vocês não me viram, em nenhum momento de campanha, fazer qualquer agressão ou mentir para a sociedade brasileira (...) O povo é muito sabido e muito preparado para ser enganado em época de eleição. A mentira que foi produzida ontem pela equipe de publicidade do candidato José Serra é uma coisa vergonhosa; aliás, ontem deveria ser denominado o dia da farsa, o dia da mentira, porque venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido, e se vocês não viram ainda, vocês peguem o que foi divulgado no Jornal da Record ou o que foi divulgado no SBT, e assistam para vocês verem uma mentira mais grave do que a mentira daquele goleiro Rojas, aquele goleiro do Chile — disse. — E eu espero que o candidato tenha um minuto de bom senso e peça desculpas ao povo brasileiro pela mentira descarada.
Foi a terceira visita de Lula ao município gaúcho, onde Dilma venceu no primeiro turno. Desta vez, a viagem serviu para a inauguração do polo naval na cidade e também para, à noite, fazer um comício para sua candidata.

A Copa que o rei sonhava

A Copa que o rei sonhava
João Máximo – O Globo
No primeiro Mundial que disputou do início ao fim, a participação decisiva na conquista do tri e a eleição como Arquivo/21-6-1970 como craque dos craques
Quarta-feira, 18 de março de 1970. Mais do que nunca Pelé sabe que a próxima Copa do Mundo, provavelmente a sua última, será também a mais importante. Mais até do que a de 1958, quando, menino, ajudou o Brasil a ganhar seu primeiro título mundial, consagrando-se ele próprio como a maior revelação do futebol do Mundo nas últimas décadas. Mais importante para ele, Pelé, que leva nos ombros o peso de não ter conseguido terminar as duas Copas anteriores, a de 1962, no Chile, por uma distensão muscular, e a de 1966, na Inglaterra, por entradas desleais do português Morais. Desse modo, o que pensará ele do que os jornais vêm noticiando nos últimos dias? O que pensará das manchetes de hoje, como esta, do GLOBO: “Não preocupa o olho de Tostão e sim o de Pelé”? São tempos complicados para o futebol brasileiro, estes meses que antecedem o embarque da seleção para o México. Tempos complicados também para Pelé, que está longe de atravessar sua melhor forma, física ou técnica. Há três dias, num jogo treino com o Bangu, em Moça Bonita, foi uma cópia piorada do melhor Pelé, o Pelé do Santos e de outras seleções brasileiras.
Sua atuação mereceu de anônimo cronista do mesmo GLOBO o seguinte comentário: “Pelé, apesar do esforço que demonstra, anda mesmo mal (...) e vez por outra consegue desfazer a impressão com uma jogada certa, mas, em linhas gerais, não consegue convencer.” Quando, em outros tempos, alguém ousaria dizer isso do maior jogador do mundo, hoje na plenitude de seus 29 anos? Há três dias, o técnico da seleção ainda era João Saldanha, que se baseou no jogo treino em Moça Bonita (1 a 1, o gol da seleção feito por um beque do Bangu, contra) para barrar Pelé no amistoso contra o Chile, na quinta-feira da próxima semana: “O crioulo está mal, precisa descansar”, justificou Saldanha.
De fato, os jogos pelo Santos e pela seleção, ao longo da desgastante temporada do ano passado, afetaram Pelé, cuja presença, nos amistosos do Santos no exterior, continua sendo exigência contratual dos promotores. Sem Pelé, o Santos e a própria seleção valem menos. Por isso, a barração surpreendente será citada como uma dos fatores que apressaram a queda de Saldanha, demitindo pelo presidente da CBD, João Havelange.
Saldanha caiu ontem, terça-feira, e os jornais de hoje já fazem referência à sua preocupação com a vista de Pelé. Maior do que a com a vista de Tostão? Saldanha diz que sim. Segundo ele, Pelé tem uma deficiência visual que teria escapado aos médicos da seleção. Para estes, apenas uma miopia leve, mais acentuada no olho direito, nada que o impeça de jogar normalmente.
No máximo, teria de usar óculos para ler. Definitivamente, não são boas as notícias que os jornais levam a Pelé nestes idos de março.
São mesmo tempos complicados o que o futebol brasileiro vive a três meses da Copa. Complicados, incertos, difíceis de entender. O olho esquerdo de Tostão é mesmo um problema, o descolamento de retina sofrido em fins do ano passado levandoo à cirurgias e outras idas a Houston, Texas, para se tratar com médico brasileiro. Não há garantia de que ele, artilheiro das eliminatórias do ano passado, possa ir ao México. E agora essa, Saldanha pondo em xeque a visão de Pelé.
Saldanha perdeu o comando da seleção da mesma forma com que vinha perdendo a serenidade que o levara a transformar um grupo desacreditado em “feras” para o tri. Nesta mesma quarta-feira, o presidente do Flamengo, André Richer, entra na Justiça com uma ação contra Saldanha, por ter este invadido, de revólver, a concentração de São Conrado atrás do treinador Yustrich. Um episódio que sucedeu à crise na comissão técnica, a maioria fazendo pressão para que Saldanha convocasse Dario, o favorito do general Medici, numa forma de agradar “o torcedor número um do Brasil”. Saldanha reagiu a seu modo: “O presidente escala o ministério dele e eu escalo o meu time.” Pelé e seus companheiros de equipe sabem de tudo isso pela imprensa. E é ainda com uma interrogação que recebem o novo técnico, Zagallo, que nada tem a ver com os rumos até políticos que as coisas tomam. Por exemplo, hoje mesmo Havelange vai a Brasília prestar contas ao ministro Jarbas Passarinho, já prometendo relatório com cópia para os generais do SNI e das Casas Civil e Militar, explicando a quantas anda o futebol brasileiro.
Mas a Copa do Mundo de 1970 é tão importante para Pelé que ele enfrenta tudo isso com calma de fazer inveja: — Nem que seja com lente de contato, vou jogar esta Copa.

SPONHOLZ


'Um ano mágico'

'Um ano mágico'
Há 13 anos longe das telas, Neville d'Almeida, recordista de bilheteria na década de 70, volta a dirigir uma ficção e tem um longa restaurado pelo MoMA
Rodrigo Fonseca – o Globo – Segundo Caderno
Até o dia 30, data na qual o Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, vai exibir uma cópia restaurada do longametragem “Manguebangue” (1971), seu realizador, Neville Duarte d’Almeida, terá de manter seus estilizados óculos escuros sempre no rosto. Isso se quiser disfarçar os surtos de choro cada vez mais frequentes. Foram três só durante este bate-papo com O GLOBO, no Oi Futuro do Flamengo, que virou o centro nervoso de seu trabalho com videoarte. Lágrimas têm embargado a voz do diretor mineiro de 69 anos com muita frequência desde o dia 14, quando ouviu seu nome ser mencionado entre os contemplados com a verba (no seu caso, de R$ 1 milhão) do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). O fomento encerra um jejum de 13 anos na vida do cineasta. Depois que lançou “Navalha na carne” (1997), ele nunca mais conseguiu verba para rodar longas-metragens de ficção. Pois agora chegou a vez de adaptar a peça “A frente fria que a chuva traz”, do dramaturgo paranaense Mário Bortolotto.
— Desde janeiro, eu não parei de trabalhar com vídeos, instalações e exposições, que foram quase 20, inclusive no exterior. Agora, com o resgate do “Mangue-bangue”, dado como perdido, e com a chance de filmar “A frente fria...”, com o dinheiro do fundo, este é um ano mágico para mim — avalia Neville. — Eu nem acreditei que ia ser contemplado.
É engraçado saber que, mesmo tendo sido censurado durante o regime militar, eu consegui fazer mais filmes na ditadura, nos anos 60 e 70, do que agora, com a Retomada. A censura muda de forma.
Os hipócritas e os fariseus são muito bem organizados.
6,5 milhões viram ‘A dama do lotação’
A ausência de Neville nos editais e programas de financiamento surpreende quando se avalia seu currículo, abrilhantado pelo recorde de bilheteria de “A dama do lotação” (1978): 6.509.134 ingressos vendidos, pelas estatísticas da Embrafilme (outras fontes falam em 7,5 milhões de pagantes).
— Hoje quem ganha dinheiro com cinema no Brasil é chamado de grande artista, mas na época de “A dama do lotação” quem lotava cinema era chamado de mercenário, como eu fui. Daniel Filho e José Padilha estão aí deitando e rolando nas bilheterias porque eu estava fora.
Agora, vou bater recordes de novo — promete Neville, que foi convidado pela produtora Caju Filmes para dirigir três segmentos de um longa em episódios, ainda sem título divulgado, baseado em “A vida como ela é”, de Nelson Rodrigues (19121980). — Se em “A dama do lotação” tirei Nelson do subúrbio, agora vou tirá-lo do Rio e filmar um dos episódios em Recife, onde ele nasceu.
Imponentes também são os 1.938.136 espectadores acumulados por Neville em “Os sete gatinhos” (1980). Assim como os 900 mil de seu “Rio Babilônia” (1982), que, segundo o diretor, é exibido toda semana, em algum canal de TV.
— Um dia, esbarrei com o (candidato a presidente pelo PSDB) José Serra e ele me disse: “Vi ‘Os sete gatinhos’.
Mas é muito forte, né?” Respondi: “É verdade, Serra. Só não é mais forte do que a realidade brasileira” — conta Neville, que votou em Marina Silva para presidente, no primeiro turno, mas está indeciso para o segundo, embora tenha simpatia por Dilma Rousseff. — Naquele dia do Fundo Setorial, não vibrei só por mim. Quando vi Hermano Penna (diretor de “Sargento Getúlio”) entre os ganhadores, meu peito se encheu de alegria por ver um grande cineasta, que tem poucas oportunidades, ser reconhecido. Hoje, ao ver o cinema mauricinho que está aí, penso o quanto o nosso audiovisual reproduz as distorções do quadro político, na distribuição de renda: muito dinheiro para poucos e quase nada para um montão de gente. É empobrecedor para o país não dar a diretores como Luiz Rosemberg Filho (de “A$$untina das Amérikas”) e Ana Carolina (“Mar de rosas”) condições de filmar e ser exibidos.
Envolvido com exposições no Brasil e no exterior da série “Cosmococas”, projeto multimídia que desenvolveu em parceria com Hélio Oiticica (1937-1980), Neville volta agora aos sets, com atores, discutindo a exclusão social. Pelo universo teatral de Bortolotto, ele narra a experiência de um grupo de jovens de classe média alta do Rio num barraco alugado numa favela.
— Em “A frente fria que a chuva traz”, Bortolotto ataca o problema crucial deste país: o encontro do asfalto com a favela. Retratei isso em “Rio Babilônia” antes de muita gente.
O.k., Nelson Pereira dos Santos já tinha feito isso em “Rio 40 graus” (1955), mas não com prostituição, tráfico e corrupção policial, coisa que o cinema de hoje está mostrando, vide “Tropa de elite”. Eu ainda não vi o “dois”, mas tenho certeza de que o Padilha é o cineasta brasileiro mais importante do século XXI, porque sua capacidade de comunicação é única. Se ele é a maior revelação desta década, o filme nacional mais importante dos últimos anos é “5xFavela, agora por nós mesmos”, que mostra o futuro: o cinema de periferia — diz Neville.
Sua volta aos EUA, ao MoMA, com “Mangue-bangue”, gera saudade do tempo em que viveu em Nova York, trabalhando como garçom.
— Fui garçom no restaurante Yellow Fingers. Um dia, Glauber Rocha apareceu lá, do nada, encostou no balcão e me disse: “Precisamos falar da revolução do cinema brasileiro.” Pensei: “É esse o meu barato.” Mas disse: “Glauber, são 22h e só saio à 1h.” E ele: “Tudo bem. Eu espero.” E ele ficou lá, sentado, esperando três horas para falar de cinema. Eu saí de BH, onde via Jean Renoir, Jean Vigo, De Sica e Rossellini no Centro de Estudos Cinematográficos, o CEC, e fui para o New York City College estudar com aposentados de Hollywood.
Um dia, virei para um professor e disse: “What about Eisenstein? What about Renoir?” Ele respondeu que não conhecia aquela gente: “Here, there’s only one cinema: American cinema” (Aqui, só tem um cinema: o cinema americano). Ali, eu me dei conta de que aprendi mais de cinema em BH do que nos EUA, e, de tanto brigar, acabei expulso.
Com projetos para mais três longas — “Bye bye, Amazônia”, “Poeta da igualdade” e “A dama do lotação 2”—, Neville ri quando perguntam se ele, criado na religião metodista, encaretou: — Caretice é um estado mental.
Droga, por exemplo, é uma avenida que já atravessei, embora defenda a liberação de todas. Tem gente que toma Melhoral e fica doidão. Vai de cada um. Eu vivi de tudo, mas sempre acreditei em Deus. Um Deus da vida. Ele me fez experimentar o fracasso, a censura... Mas também me deu o sucesso. Agora leva “Manguebangue” ao MoMA e me deixa filmar de novo. Sem encaretar.

Atrás de Sir Richard Burton

Atrás de Sir Richard Burton
Cora Rónai – O Globo – Segundo Caderno
Logo no primeiro capítulo de “O colecionador de mundos”, livro de Ilija Trojanow de que falei semana passada, uma grande fogueira é armada no jardim de uma vila em Trieste, na Itália. Nela, imediatamente após a morte do marido, uma viúva manda queimar um bonito livro encadernado em couro. Na vida real, Isabel Burton estava cometendo, há exatos 120 anos, um dos grandes crimes literários do seu tempo. Para “proteger a reputação” do marido, o capitão Richard Francis Burton, queimou todos os seus diários íntimos, observações e anotações feitas ao longo de uma das vidas mais interessantes do século XIX. O fogo também levou uma nova tradução de “O jardim perfumado”, de Muhammad al-Nafzawi, obra de literatura erótica árabe do século XV que Burton comparava aos escritos de Aretino e Rabelais.
Essa barbaridade pouco adiantou; apenas aumentou os rumores acerca das reais inclinações sexuais de Burton, e criou enorme antipatia por Isabel. Quanto ao capitão, continua cheio de admiradores. Muitos me mandaram e-mails, entusiasmados pela possibilidade de reencontrá-lo, agora numa obra de ficção.
Não será a primeira vez que isso acontece: do “Aleph” de Borges ao supracitado “Colecionador de mundos”, passando pelo “Mundo perdido”, de Conan Doyle, a Wikipedia cita mais de uma dúzia de obras de ficcionistas que não resistiram ao homem que, se não tivesse existido, teria que ter sido inventado.
E não faltou uma boa recomendação do pool de leitores: “Há um excelente livro policial que gira em torno de Richard Burton — escreveu David Soledade. mdash; O título é “A promessa do livreiro”, o autor é John Dunning e a editora é a Companhia das Letras.” Já Henrique Moraes dá o mapa da mina para os angloparlantes interessados nas memórias da famosa viagem à Meca: “O multitalentoso Richard Burton é um dos grandes personagens vitorianos da História.
No site abebooks.co.uk podem ser encontrados exemplares do autobiográfico “A secret pilgrimage to Mecca and Medina”, onde ele conta com detalhes preciosos essa extraordinária aventura.”
“A respeito de Sir Richard Francis Burton, esse Indiana Jones do século XIX, gostaria de acrescentar que ele andou por aqui também", escreveu José Mário B. F. Lima. “Viveu no Rio durante dois anos, no reinado de D. Pedro II, do qual se gabava ser amigo pessoal, escreveu dois livros sobre a vida e a geografia do império brasileiro (não recordo os títulos, infelizmente!) e visitou os campos de batalha da Guerra do Paraguai como observador (espião?) do império inglês, escrevendo o livro ‘Cartas dos campos de batalha do Paraguai’, publicado aqui pela Bibliex Editora, uma espécie de diário, cartas para um amigo inglês sob pseudônimo, nas quais descreve aspectos sociais, geográficos/geológicos (era um geólogo compulsivo!) e bélicos do conflito e dos povos e cidades nele envolvidos, a saber, brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios.
Suas descrições das cidades do Rio da Prata são minuciosas e críticas, e nos transportam para o clima vigente na América Latina do seu tempo. Ao longo do volume, ele várias vezes se refere às suas aventuras na África e no Oriente Médio, inclusive sua peregrinação a Meca, disfarçado de árabe! Se o personagem de fato a empolgou, recomendo a leitura do livro mencionado acima.” Eu não disse que um livro fora de série puxa um monte de outros? Agora já são mais dois que preciso procurar, “A promessa do livreiro” e essas “Cartas...”! Mesmo sem ter lido o email do José Mário, porém, Marcelo França faz uma correção ao texto: “Ele foi cônsul britânico em Santos. E é personagem do lindo filme ‘Montanhas da Lua’. E eu tinha uma biografia dele muito boa, mas o nome dela, esqueci...” Não seja por isso. Há quem lembre, como Assede Paiva: “Por oportuno, informo que há outro livro sobre o mesmo aventureiro, escrito por Edward Rice, intitulado ‘Sir Richard Francis Burton’, Companhia das Letras. É ótimo.“ Fui ao site da editora e vi que o livro ainda pode ser encontrado, numa edição de bolso lançada em 2008 com um subtítulo que dá uma boa ideia do biografado: “O agente secreto que fez a peregrinação a Meca, descobriu o Kama Sutra e trouxe ‘As mil e uma noites’ para o Ocidente”.
E Arthur Mario Vianna lembra os títulos que José Mário B. F. Lima esqueceu: “Burton esteve no Brasil no século XIX e escreveu dois livros muito interessantes: ‘Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho’ e ‘Viagem de canoa de Sabará ao Oceano Atlântico’ (Editora Itatiaia ). Neste último, esteve em 1867 com Carlos Mariani, de tradicional família baiana, em Barra do Rio Grande, às margens do Velho Chico.” Mas tem mais. Vejam o que diz a Heloisa Barbosa: “Richard F. Burton é personagem muito estudada por nós, pesquisadores em tradução.
Foi cônsul britânico em Santos, onde, com a esposa, fez amizade com o casal José de Alencar.
Esta tornou-se a primeira tradutora de Iracema para o inglês: ‘Iraçéma the Honey Lips: A Legend of Brazil’ (Bickers & Son, 1886). Na verdade, há dúvidas se o tradutor não foi ele mesmo, tendo ela apenas incentivado a publicação do livro, após a morte dele.
Em 1982, descobriu-se uma tradução dele da obra de José Basílio da Gama: ‘The Uruguay: a historical romance of South America’ (University of California Press, 1982).” E agora vocês me desculpem, mas tenho que dar uma chegadinha rápida numas livrarias online. Volto logo.
Blog: cora.blogspot.com. E-mail: cora@oglobo.com.br

Solda, para O Estado do Paraná


Vícios do casal K

Vícios do casal K
MARIANO GRONDONA
Quando alguém tem uma paixão irrefreável, dizemos que sofre de uma dependência.
Os Kirchner, então, são dependentes? Não, por certo, de drogas ou álcool. Suas dependências são mais complicadas.
Uma das figuras mais notáveis da mitologia grega é Narciso, jovem de extraordinária beleza cujo prazer era desdenhar das mulheres que o assediavam.
Então a deusa Nêmesis decidiu castigá-lo. Permitiu que Narciso fosse o primeiro ser humano a ver refletida sua imagem num lago. Ele acabou enamorando-se dela e afogou-se.
O jornalista Andrés Oppenheimer, ao se referir ao caudilho venezuelano Hugo Chávez, chamou-o de “narcisistaleninista”. Fala tantas vezes diante de um público invariavelmente exultante que se pode dizer que o que mais o atrai é ouvir a si mesmo. Quando chama a atenção o fato de Cristina Kirchner falar quase diariamente ante um público igualmente cativo, cabe perguntar se sua motivação íntima não é também, como a de Chávez, converter-se em protagonista.
Esta inclinação se tornou evidente desde 2008, quando, em plena crise com o setor rural, a presidente começou a multiplicar a frequência de suas mensagens. O que se tornou claro, então, foi que a presidente, apesar do efeito contraproducente de seus discursos, sobretudo na classe média, insistia em reproduzi-los continuamente, evidenciando que o que mais lhe importava não era convencer, aprender ou dialogar, mas aumentar sua própria autoestima.
Tal qual Narciso, talvez, na inquieta espera da inexorável Nêmesis.
Essa hipótese sobre o narcisismo de Cristina valeria também para explicar os últimos acontecimentos? O fato é que, ao desempatar outra vez contra o governo para apoiar o aumento dos aposentados, o vice-presidente Cobos repetiu a cena, terrível para a memória dos Kirchner, de seu voto de desempate contra o governo, em 2008, derrotando o aumento do imposto sobre exportações agrícolas.
Mas o mais grave para os Kirchner no voto de Cobos não era tanto a nova derrota do oficialismo no Senado, mas algo inadmissível a partir de uma visão narcisista da política: Cobos se convertera novamente em protagonista, algo inaceitável para a presidente. Que fez então? Ao vetar a lei de aposentadoria, recuperou o protagonismo em menos de 24 horas.
Se há algo inaceitável para um narcisista é que alguém pretenda deslocálo do centro da cena.
Ao aproveitar sua volta ao protagonismo, Cristina Kirchner agrediu de passagem o vice Cobos chamando-o de “okupa” (uma espécie de invasor de propriedade). Foi nesse instante que seu discurso veio a coincidir com a dependência particular de Néstor Kirchner. Para este, somente importa vencer, tanto que seu grupo político foi chamada de Frente para a Vitória.
Mas, se tudo o que importa é vencer, também existe a necessidade de vencer alguém. A presença do inimigo confere a toda batalha seu elemento indispensável. Essa obsessão com o inimigo, própria das ideias autoritárias de Carl Schmitt, foi recuperada a serviço dos Kirchner por Ernesto Laclau e sua associada e mulher, Chantal Mouffe, mas tivera sua expressão mais eloquente na advertência que um destacado politólogo russo, Georgie Arbatov, fez aos vencedores americanos na queda da URSS, em 1989.
“Fizemos a vocês um dano incomparavelmente maior que nossa ameaça nuclear, deixando-os sem inimigo.” O pior que poderia ocorrer ao belicoso Néstor Kirchner, devido à sua dependência de uma vitória que deveria se repetir sempre, é ficar sem inimigo. Ao desempatar novamente a votação do Senado contra o casal K, o vice Cobos passou a cobrir, de imediato, essa necessidade. Ante a ambiguidade de uma oposição desmilinguida, o pior que poderia acontecer a Kirchner é ficar sem inimigo.
Foi quando Cristina, no discurso em que anunciou o veto à lei do Congresso em favor dos aposentados, acudiu em ajuda do marido, insultando Cobos. Que alívio frente à sombria advertência de Arbatov! Apesar dela, os Kirchner haviam ressuscitado sua concepção da vida política, que não é outra senão inverter a famosa advertência de Carl von Clausewitz, segundo a qual “a guerra é a continuação da política por outros meios”. Para os Kirchner, “a política é a continuação da guerra por outros meios”.
MARIANO GRONDONA é jornalista.

Potências vão dominar ciberguerra, afirma general

Potências vão dominar ciberguerra, afirma general
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Fundado em 20 de fevereiro de 2009, o CCOMGEX (Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército Brasileiro) é o orgão que zela pelo Brasil na ciberguerra. Ele é chefiado pelo general Antonino dos Santos Guerra Neto, que falou com a Folha sobre o assunto e sobre o contrato que o Exército fez com a empresa de segurança Panda, que vendeu 37,5 mil licenças à instituição. (BR)
 Folha - É verdade que algumas redes do Exército já operaram sem antivírus?
 Santos Guerra Neto - São centenas as organizações militares do Exército espalhadas pelo Brasil. Eventualmente alguma instalação militar pode ficar temporariamente sem solução de segurança de antivírus, devido ao fluxo do orçamento para as aquisições legais de proteção. Essas instalações ou redes não trabalham com dados que afetem minimamente a segurança do Exército.
 Quais os cuidados que o Exército toma com pen drives e laptops pessoais?
Para cada tipo de rede, conforme o nível de segurança necessário, há o remédio adequado. Há redes em que o usuário não tem nenhuma possibilidade de inserir ou retirar dados, apenas um único administrador da rede o faz. Há redes em que a monitoração é por programas de gerenciamento, que registram os acessos e a extração de dados por qualquer mídia.
 Que tipo de nação mais se beneficia de uma ciberguerra?
Acredito que, nesse estágio inicial, pequenos países, entidades e até mesmo indivíduos podem causar um bom estrago. Em médio prazo, a preponderância, tanto no poder ofensivo quanto na questão da proteção dos sistemas, deve ser das grandes potências.
 Por que o Exército optou por soluções de proteção de uma empresa privada?
Não existe uma solução nacional pronta. O desenvolvimento disso não é uma prerrogativa do Exército. Somos clientes do mercado como qualquer outra entidade. A questão da guerra cibernética está dando uma nova dimensão a essa necessidade e possivelmente levará a soluções inovadoras e de maior independência desses produtos de prateleira.
Vírus é apontado como causa de acidente aéreo
Tragédia na Espanha levanta a questão sobre ação de pragas virtuais
Computadores de manutenção em terra correm os maiores riscos, mas chances de desastres são pequenas
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
 É possível um vírus de computador ou um ataque por hackers derrubar um avião? Quando se fala em guerra cibernética, é impossível não tocar na questão - dada a atração que terroristas têm por aeronaves.
No dia 20 de agosto de 2008, o voo 5022 da Spanair tinha como destino final as ilhas de Gran Canaria. Mas, ao decolar no aeroporto de Barajas, em Madri, ele teve problemas. Resultado: 154 mortos, entre eles um brasileiro, e 18 feridos.
Dois anos depois, o jornal "El País" levantou a hipótese de que a causa do acidente tenha sido um vírus em um computador de manutenção -mesmo com o relatório final ainda não concluído.
Nem se discute se houve ataque terrorista. O que chama atenção nisso é a possibilidade da ação de um malware contra um avião.
Segundo especialistas em aviação e empresas de segurança ouvidos pela Folha, em teoria isso pode acontecer. Porém os rigorosos processos aos quais os softwares usados na aviação são submetidos tornam quase impossíveis as chances de um desastre por pragas virtuais.
Joacy Freitas, especialista em segurança de software de aviões, diz que não vê como os computadores a bordo poderiam ser contaminados, especialmente em voo.
Ele explica que aviões não recebem dados externos quando estão no ar (apenas enviam), não usam sistemas operacionais convencionais e não possuem portas de conexão (como entradas USB).
Documento e hacker apontam fragilidades no controle aéreo
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
 Se dificilmente um avião pode ser atacado por malwares e hackers, a história é outra no tráfego aéreo.
Em 2009, uma auditoria feita pelo departamento de transportes dos EUA revelou vulnerabilidades em sistemas que suportam as operações de tráfego aéreo do país.
Segundo o documento, os aplicativos de rede usados nesses processos não são seguros para prevenir ataques e acessos sem autorização. Ele também diz que a FAA, a agência responsável pela aviação civil dos EUA, não estabeleceu meios para monitorar invasões e detectar potenciais incidentes de natureza cibernética nas instalações de controle aéreo.
Testes feitos durante a auditoria revelaram 3.857 vulnerabilidades. Dessas, 763 foram consideradas de "alto risco" e poderiam dar a hackers acesso a sistemas administrativos, que, consequentemente, poderiam abrir a porta para sistemas de operações de controle aéreo.
Ao "Wall Street Journal", Laura Brown, representante da FAA, disse, na época, não ser possível ter acesso ao controle de tráfego por meio de redes administrativas, pois elas não seriam "diretamente conectadas".
HACKER
O documento parece ter inspirado hackers. Righter Kunkel, especialista em segurança e piloto nas horas vagas, fez participações na Defcon, maior conferência mundial de hackers, falando sobre os problemas do tráfego aéreo nos EUA.
Em uma delas, ele mostrou ser possível congestionar e derrubar os servidores que recebem os planos de voo dos pilotos, e assim, paralisar decolagens. (BR)
 Além disso, os softwares usados em uma aeronave são divididos em cinco grupos com diferentes níveis de importância que não se comunicam entre si. É impossível, por exemplo, uma rede Wi-Fi para passageiros abrir o avião para pragas.
Freitas diz que se alguém em terra pudesse tentar infectar o avião, o software a bordo detectaria as alterações e ele nem decolaria.
MANUTENÇÃO
Entre os computadores que tratam de aviões, os que correm maior risco são os de manutenção, dizem os especialistas.
Mas, por si só, dificilmente um deles derrubaria um avião, que tem seus dados analisados por dois sistemas diferentes e independentes.
"Para acontecer alguma coisa, teria que ter pane em dois sistemas", diz o comandante Ronaldo Jenkins de Lemos, coordenador da comissão de segurança de voo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias. (BR)

Skoob

BBC Brasil Atualidades

Visitantes

free counters