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sexta-feira, outubro 15, 2010

Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas

Mudanças do Clima, Mudanças de Vidas

O Brasil de olho nas chuvas

O Brasil de olho nas chuvas
País integra constelação de satélites que vai melhorar previsão climática
Cesar Baima – O Globo – Ciência
O Brasil se prepara para integrar uma constelação de satélites que vai monitorar as chuvas na Terra. O Programa Internacional de Medidas de Precipitação (Global Precipitation Measurement, GPM) vai aprimorar programas em curso, produzindo estimativas de chuva a cada 3 horas. Para tanto, já está em negociação com a Nasa, a agência espacial dos EUA, e a CNES, a agência espacial francesa, a inclusão de instrumentos das duas instituições em um satélite nacional, batizado GPM-Brasil, que deverá ser lançado até 2015, conta Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
— Há um problema sério na previsão do tempo, principalmente em relação a chuvas intensas, que em zonas urbanas podem provocar desastres — diz Câmara.
— Com as mudanças climáticas, aumentarão as chuvas de maior intensidade e o Brasil é um país que poderá sofrer muito. Então, para nós é importante ter formas de medir isso, o que poderá levar a uma redução no número de mortes decorrentes de tempestades.
Será um projeto de uso direto da sociedade, e não só científico.
Segundo o diretor do Inpe, o GPMBrasil deverá usar a mesma plataforma do Amazônia 1, satélite de monitoramento de recursos terrestres que deve ser lançado em 2013. Seu desenvolvimento, previsto no Plano Nacional de Atividades Espaciais, tem recursos do Orçamento da União.
— O ponto de vista do espaço é único, permite uma cobertura com alta precisão — reforça Michael Freilich, diretor de Ciências da Terra da Nasa.
Mas, antes mesmo do Amazônia 1, em novembro do ano que vem o Brasil deverá lançar o CBERS-3, sigla em inglês para Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres. No início deste ano, o CBERS-2B, lançado em 2007, apresentou problemas e suas operações foram encerradas antes do previsto.
Mas, graças à cooperação internacional, o país não enfrenta prejuízos nos principais dados que eram monitorados por ele — queimadas, desmatamento e mudanças no uso da terra.
— A perda do CBERS-2B não era algo que se esperava, mas aconteceu.
Satélites são sensíveis e podem apresentar problemas — explica Câmara.
— Suprimos as informações que o CBERS-2B produzia com outros satélites, como os Landsat e o indiano ResourceSat1. Mas a ideia é que, ao longo do tempo, aumente o número de satélites para monitoramento do território brasileiro — conclui.
O MAPA DA ÁGUA: Trabalho inédito revela distribuição do vapor em toda a Terra
O mapa acima, divulgado esta semana, mostra a distribuição do vapor d’água na atmosfera do planeta em agosto de 2010. Criado a partir de dados coletados por satélites da Nasa, o mapa é um instrumento importante em estudos climáticos. Quanto mais azul uma região, maior a concentração de vapor. Embora só um milésimo de 1% do 1,39 bilhão de quilômetros cúbicos de água que existem na Terra esteja na forma de vapor, ele exerce influência essencial — e desproporcional à sua concentração — sobre o planeta. É um poderoso gás do efeito estufa e um dos principais agentes da regulação do tempo e do clima.
O vapor d’água influencia de forma decisiva a distribuição global de chuvas e a reflexão de calor da superfície para o espaço. Mesmo assim, há tão pouco vapor que as camadas mais úmidas poderiam formar uma camada de água de apenas 60 milímetros de espessura se uma coluna de ar fosse condensada do topo da atmosfera até a superfície.
A evaporação da água de oceanos, rios, lagoas e outros corpos d’água representa 90% da umidade na atmosfera. A maior parte dos 10% restantes é gerada pela transpiração das plantas. Erupções vulcânicas entram com um pequeno percentual do vapor d’água.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Os passos miúdos da dança global

Os passos miúdos da dança global
Washington Novaes - O Estado de S. Paulo - 01/10/2010
Durante a Rio 92 - que levou à aprovação das Convenções do Clima e da Diversidade Biológica - o secretário-geral do encontro, Maurice Strong, foi dramático: disse que era a última oportunidade de os governos encaminharem soluções para os gravíssimos problemas naquelas duas áreas e para a questão da miséria no mundo. Por isso, além de criarem as duas convenções, os chefes de Estado aprovaram a Agenda 21 Global. E ela fornecia um roteiro para enfrentar os dramas do subdesenvolvimento e da pobreza. Incluía a decisão de os países industrializados aumentarem de 0,36% para 0,70% de seu produto interno bruto (PIB) a contribuição anual para os países mais pobres. Com isso, doariam US$ 120 bilhões anuais, a que se somariam US$ 480 bilhões em recursos dos países receptores. E com US$ 600 bilhões anuais seria possível avançar em todas as áreas.
Só a Suécia cumpriu a sua parte. Os demais países industrializados reduziram porcentualmente sua contribuição média para uns 0,3% do PIB anual. E passadas duas décadas, ao fazer a avaliação dos Objetivos do Milênio, diz a ONU que, embora tenha havido progresso, é "um escândalo" que 952 milhões de pessoas no mundo continuem a enfrentar a miséria e que morra uma criança a cada oito segundos por problemas relacionados com a desnutrição. Um quadro ainda tão grave que levou o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a ressuscitar outra proposta da década de 90, do economista James Tobin, que sugeria criar uma taxa mundial sobre transações financeiras e destinar o resultado ao combate à pobreza. Porque esta ainda atinge 19% da população mundial, segundo a ONU; 1 bilhão de pessoas vive com menos de US$ 1,25 (pouco mais de R$ 2,10) por dia.
Mesmo nos Estados Unidos, onde a crise econômica eliminou 5 milhões de empregos (a taxa de desemprego está em 14,3%), há 43,6 milhões de pobres, considerado o padrão de lá, que classifica como pobre quem tenha renda anual bruta de até US$ 10.830 (uns R$ 18,5 mil, pouco mais de R$ 1.500 mensais, mais do que a renda média de quem trabalha no Brasil, quase três salários mínimos nossos). Por aqui, a renda média do trabalho chegou a R$ 1.472. Ainda temos 28,8% dos que trabalham recebendo até meio salário mínimo mensal - sem considerar as graves condições de moradia e saneamento dos lugares que habitam.
Sobre a situação da biodiversidade no mundo e no País duas décadas depois, este espaço já foi ocupado na semana passada com números estarrecedores. E quanto ao clima, avança-se para a reunião da convenção, daqui a poucas semanas, no México, sem vislumbrar acordo algum. Numa reunião preliminar de 17 países, em Nova York, o delegado norte-americano, Todd Stern, foi claro: sem a adesão da China, da Índia e de outros países "em desenvolvimento" (o Brasil incluído), não haverá, nem em Cancún nem depois, nenhum acordo "vinculante", que obrigue as nações a reduzir suas emissões de poluentes. Já o delegado russo deixou claro que, se Estados Unidos e China não aderirem a uma nova etapa do Protocolo de Kyoto, este expirará.
Nos mesmos dias, numa reunião da Clinton Global Initiative - que tenta romper impasses nessa área -, a nova secretária da Convenção do Clima, a costa-riquenha Christiana Figueres, foi surpreendentemente direta. As negociações não avançam por dois motivos, disse ela: 1) Tensões e desacordos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento; e 2) "business" (UN Dispatch, 22/9). O "business" porque fica à espera de que os governos criem marcos regulatórios. E os governos, "enquanto olham nervosos para os próprios pés, dizem que o business não os está pressionando. É uma espécie de dança, em que cada um diz: "Você primeiro! Você primeiro!"" Na opinião dela, as áreas de negócios deveriam assumir a iniciativa e a liderança, porque têm muito a perder.
Não é muito diferente em qualquer lugar, inclusive no Brasil. Em meio ao fogo que tomou conta de metade do País, em meio à estiagem que secou rios na Amazônia, em meio à perda de parte das colheitas, continua-se a olhar passivamente o panorama. No lançamento de um programa de emergência para o fogo no Cerrado, na presença do presidente da República e da ministra do Meio Ambiente, por três vezes faltou energia no recinto, com os incêndios no Cerrado do Distrito Federal interferindo nas linhas de transmissão. Enquanto isso, dizia o boletim do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) (23/9) que desmatamentos e queimadas causam 75% das emissões de carbono no País. Que os problemas nessa área poderão levar a perdas consideráveis no produto bruto nacional. E que o aquecimento global "poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste até 8 graus, em consequência do desmatamento da floresta amazônica".
Há quem esteja perdendo a esperança. Um deles é o famoso cientista James Lovelock, autor da "Teoria de Gaia". Há algum tempo, afirmou ele que não haveria tempo para esperar que acordos entre países levassem a uma redução de emissões, dada a gravidade da situação. Por isso, ele, que durante décadas se opusera à utilização da energia nuclear, passou a defendê-la, por não emitir poluentes que se concentram na atmosfera e por entender que o problema de resíduos por ela gerados é menor. Os resíduos de uma usina cabem num pequeno veículo, passou a dizer.
Agora, Lovelock vai, perigosamente, ainda mais fundo. Como cita o ex-secretário do Meio Ambiente do Espírito Santo Luiz Prado (Portal do Meio Ambiente, 18/9), Lovelock agora diz: "Eu tenho a sensação de que mudanças climáticas são um evento tão grave quanto uma guerra; talvez seja necessário suspender a democracia por algum tempo."
Certamente não é o caso de concordar. Mas é preciso ter urgência, antes que a tese ganhe muitos defensores. Nunca faltam partidários da força.

terça-feira, setembro 07, 2010

Falta de chuva isola municípios na Floresta Amazônica e castiga Pantanal

Falta de chuva isola municípios na Floresta Amazônica e castiga Pantanal
Ambiente. Seca de rios amazônicos deixa 4 cidades isoladas e sob risco de desabastecimento; cerca de 70 comunidades rurais estão sem água potável. Em Mato Grosso, a 3ª maior baía do País em volume de água está com o nível mais baixo dos últimos 40 anos
Liège Albuquerque CORRESPONDENTE / MANAUS,Fátima Lessa ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ
 Duas regiões que abrigam importantes biomas do País - a Floresta Amazônica e o Pantanal - sofrem com a estiagem. A seca do Rio Solimões e seus afluentes Purus e Juruá deixou quatro municípios do Amazonas isolados por via fluvial. Em Mato Grosso, a ação do homem aliada à seca prolongada afetam a Baía de Chacororé, a 130 km de Cuiabá.
No Amazonas, quatro municípios - Envira, Benjamim Constant, Itamarati e Canutama, na região oeste do Estado - têm estoque de alimentos, água e gasolina para só mais 15 dias. Mas pelo menos 70 comunidades rurais desses municípios se encontram sem água potável - e sem chuvas - desde o mês passado.
Esses municípios decretaram estado de emergência. A Defesa Civil estadual, contudo, emitiu um estado de alerta para a seca que atinge severamente, além desses 4, outros 25 municípios. O governo deve iniciar nesta semana o envio de alimentos e água para as cidades atingidas.
"Nós temos 36 comunidades rurais já completamente isoladas; a água e a comida estão sendo levadas pela prefeitura a pé, pela mata", explicou a coordenadora da Defesa Civil de Benjamim Constant (a 1.118 quilômetros de Manaus), Gleissimar Castelo Branco.
De acordo com o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Oliveira, ainda é cedo para dizer se essa pode ser uma estiagem igual à de 2005. "A vazante dos rios é expressiva, mas ainda está a pelo menos 6 metros acima do mesmo nível atingido pelos rios no início de setembro daquele ano", disse.
O prefeito de Itamarati (a 987 quilômetros de Manaus), João Campelo, afirmou que as embarcações de baixo calado não estão parando no porto. "Também sofremos muito com as queimadas", completou.
Pantanal. Em Mato Grosso, além da seca, a ação do homem ameaça provocar um desastre ecológico na Baía de Chacororé. O volume de água nunca esteve tão baixo. A medição que vem sendo realizada desde 1969 mostra que na pior seca, registrada em novembro de 1973, o nível chegou a 1,33 metro na régua linimétrica. Desde agosto, o volume está em torno de 85 centímetros.
Para Rubem Mauro Palma de Moura, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a situação estava prevista desde 1997, quando foi feita a primeira denúncia. "Naquela época, houve um aprofundamento do canal que liga Chacororé à Baia de Siá Mariana, provocando a seca", disse. Em 2000, foi construída uma barragem.
A Baia de Chacororé - a terceira em volume de água do País - espalha-se, na seca, por 11 mil hectares. Na cheia, junta-se à baía vizinha de Siá Mariana e atinge 45 mil hectares, superando em tamanho a Baía de Guanabara, no Rio.
A situação crítica sensibilizou a Promotoria de Justiça da Comarca de Santo Antonio do Leverger, que entrou com uma ação civil de responsabilidade por danos ambientais contra a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e a prefeitura de Barão do Melgaço, com pedido de liminar para que fossem adotadas medidas urgentes para evitar danos irreparáveis.
Segundo o professor Palma de Moura, os problemas se agravaram nos últimos anos, quando foram erguidas barreiras às margens do Rio Cuiabá. Além disso, houve o entupimento de cinco corixos - canais naturais que ligam o rio à baía.
O especialista afirma que os corixos têm importância fundamental na regulação dos períodos de cheia e de seca da planície pantaneira. "Impedir essa inundação natural é matar o Pantanal, pois todo o bioma pantaneiro é vinculado a esse ciclo."
Várias medidas equivocadas das autoridades ajudaram a complicar a situação. Uma delas foi a construção de uma estrada para conter a inundação. Em vez do uso de manilhas ou pontes, foi adotado o aterramento, que acabou por entupir os corixos.
Na ação proposta pelo Ministério Público Estadual, a promotora Julieta do Nascimento requer a desobstrução dos corixos tampados pela construção da estrada que liga Barão de Melgaço à comunidade de Estirão Comprido e Porto Brandão; reconstrução da barragem do Corixo do Mato e remoção do material usado como aterro na obstrução do Rio Chacororé e dois corixos.
Ela pleiteia ainda a realização de limpeza dentro das baías e elaboração de estudo técnico para subsidiar a abertura das bocas dos corixos da Uva e Caiçara, no Rio Cuiabá.
Na quarta-feira, num acordo entre a promotoria e o governo do Estado, ficou decidido que a Secretaria do Meio Ambiente recuperaria a barragem e desentupiria os corixos.

terça-feira, agosto 17, 2010

Mundo pode ter "buraco" na proteção ao clima

Mundo pode ter "buraco" na proteção ao clima
Cancún não deve gerar desenho de novo tratado contra o aquecimento

Ricos e pobres brigam sobre cumprimento de metas; novo tratado dificilmente poderá entrar em vigor em 2013
CLAUDIO ANGELO DE BRASÍLIA - Folha de São Paulo
É cada vez maior entre negociadores internacionais o sentimento de que o mundo ficará sem um acordo de proteção ao clima por algum tempo após 2012, quando expira a primeira fase do Protocolo de Kyoto.
Brasileiros ligados à discussão ouvidos pela Folha afirmam que seria ambicioso demais até mesmo ter o desenho do novo acordo pronto na conferência de Cancún, em novembro. No máximo, alguns pontos pendentes desde a malfadada conferência do clima de Copenhague seriam resolvidos neste ano.
ADIAMENTO
O debate mais importante -quanto os países se dispõem a cortar em suas emissões de gases de efeito estufa- só começaria no ano que vem, na reunião da África do Sul. E nada garante que ele seja resolvido lá.
Como leva um tempo entre a adoção de um acordo internacional e sua ratificação pelos parlamentos dos países (Kyoto, por exemplo, levou oito anos para ser ratificado), dificilmente um tratado entraria em vigor em 2013.
É o que os especialistas chamam de "buraco de implementação".
"Isso teria impactos na luta contra o aquecimento global, sobre o mercado de carbono e sobre o próprio mercado", diz Luiz Alberto Figueiredo Machado, na foto, negociador-chefe do Brasil. Segundo ele, o buraco de implementação poderia sinalizar para a economia que tecnologias limpas não são uma prioridade de investimento, retardando sua entrada no mercado. Foi o que aconteceu com o setor de energia limpa nos EUA em 2001, depois que o presidente George W. Bush rejeitou Kyoto. "Quero que em Cancún sejam dados passos na direção certa, independentemente de chegarmos ao resultado ou não", afirma Figueiredo.
O problema é que "ninguém consegue entrar em acordo sobre qual é o caminho", diz o cientista político David Victor, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA.
A CURTOS PASSOS
"O buraco é muito mais do que de implementação. Há um vácuo internacional de governança", afirma Victor. Nesse vácuo, diz, será difícil levantar dinheiro para projetos como para redução de emissões por desmatamento.
Cancún pode ter avanços: é possível que seja anunciada a criação de centros regionais de tecnologias limpas, que usariam a verba de US$ 30 bilhões até 2012 combinada em Copenhague.
Mas o principal avanço, paradoxalmente, deve ser a morte oficial do Acordo de Copenhague.

sábado, agosto 07, 2010

Mudanças climáticas agravam seca no Nordeste e criam quatro desertos na região

Mudanças climáticas agravam seca no Nordeste e criam quatro desertos na região

Carlos Madeiro - Especial para o UOL Notícias  - Em Maceió

Marcado nos últimos meses por temporais, enchentes e tremores de terra, o Nordeste sofre com um mal silencioso que pode causar prejuízos ainda mais sérios à população que mora no semiárido: a desertificação. O processo atinge oito dos nove Estados da região, além do norte de Minas Gerais.
Mapa mostra áreas de desertificação na região Nordeste em 1982 (primeira imagem) e em 2010. As áreas roxas são as mais afetadas pelo processo. 
Quatro já são chamadas de "núcleos de desertificação": nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE), além da região de Seridó (RN)


Segundo estudos, o clima no semiárido está cada vez mais seco, a temperatura máxima da região tem apresentado aumento significativo e as áreas sofrem com chuvas mais intensas, mas com intervalos maiores que a média histórica. Com as mudanças climáticas, quatro áreas desertificadas já foram identificadas por análises recentes.
Segundo relatório do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, realizado por um instituto ligado a OEA (Organização dos Estados Americanos), a área afetada de forma “muito grave” no Brasil chega a atingir 98.595 km², ou 10% do semiárido brasileiro. Desse total, quatro são os chamados "núcleos de desertificação", que estão nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE), além da região de Seridó (RN), totalizando uma área de 18.743,5 km² (equivalente a 2.082 campos de futebol).
“Essa áreas já podem ser consideradas desertos e pior: estão se expandindo. Isso choca, mas é real”, afirmou o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, localizado na Universidade Federal de Alagoas.
De acordo com o PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, ligado Ministério do Meio Ambiente), 1.482 municípios estão em área suscetível à desertificação em nove Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais). Essa área responde por 15,7% do território brasileiro, onde moram 31,6 milhões de pessoas.
Para o PAN, entre as principais causas do avanço da desertificação no país estão o extrativismo, o desmatamento desordenado, as queimadas e uso intensivo do solo na agricultura.
“Para diminuir o avanço da desertificação são necessários medidas como conservação do solo, da água e das florestas, ações para evitar desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos, e sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais”, afirmou Humberto Barbosa.
Segundo ele, há métodos para reduzir o avanço da desertificação no semiárido. “O caminho a percorrer é longo. A lógica é defender a prevenção, e aspectos como democratização da informação, formação voltada a uma melhor compreensão sobre as terras secas, participação qualificada, além de fortalecimento institucional e das instâncias de participação”, analisou o meteorologista.

Aumento de temperatura
Se as imagens de satélite apontam para um intenso processo de desertificação, outros estudos em solo também mostram que as mudanças climáticas no semiárido brasileiro estão em curso. Um estudo realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco, aponta que as temperaturas médias das cidades fora do litoral estão aumentando de forma rápida. 
Em 40 anos, por exemplo, cidades como Vitória de Santo Antão, na zona da mata pernambucana, registrou um aumento de 3,5°C (31,5ºC para 35ºC) na temperatura máxima diária. Enquanto isso, o estudo aponta que aumento médio da temperatura mundial, no mesmo período, foi de 0,4°C.
“Os dados mostram que a tendência de aumento das temperaturas máximas está presente nas séries históricas de todos os postos estudados. Amparados por outros aspectos relativos ao solo e vegetação, não estudados, tais constatações poderiam indicar que a região estivesse sofrendo um processo de desertificação. Mas esta afirmativa no momento ainda seria precipitada com base somente nos dados e métodos utilizados”, afirmou pesquisador do Inpe Paulo Nobre.
Além do aumento da temperatura, Nobre explica que as pesquisas apontam que as chuvas na região estão ficando mais intensas, porém, com períodos de estiagens mais longos, e o ar está cada vez mais seco.

quinta-feira, julho 29, 2010

Antártica? Ali ao lado.

Antártica? Ali ao lado.

Mudanças no ambiente antártico influenciam o Brasil muito mais do que imaginamos. Estudos recentes mostram que fenômenos que ocorrem no continente gelado afetam processos de desertificação e formação de ciclones na América do Sul.
Por: Isabela Fraga - Publicado em 29/07/2010 – Ciência Hoje
Região da península antártica, onde mais tem se registrado aumento de temperatura nos últimos anos (foto: flickr.com/mschutt - CC BY-NC-SA 2.0)
Sim, o Brasil é um país tropical e bonito por natureza. Mas não é só porque temos um longo verão na maior parte de nosso território que devemos esquecer o frio que vem lá de baixo.
Os processos ambientais na Antártica têm grande influência no clima e na biodiversidade dos oceanos brasileiros, lembram um glaciólogo, uma oceanógrafa e um geofísico em simpósio da reunião anual da SBPC, que acontece esta semana em Natal. O objetivo das apresentações era desmistificar a ideia de que a Antártica está longe e não tem relações diretas com o Brasil.
Algumas cidades do Sul ficam mais perto da Antártica do que da Amazônia
Não por acaso: parte do Sul do país fica mais perto do continente gelado do que da própria Amazônia. “A distância da estação brasileira na Antártica até Chuíé de 3.172 km”, explica Jefferson Simões, o primeiro glaciólogo brasileiro, à CH On-line. “De Chuí a Porto Velho, em Roraima, são 4.177 km!”
Simões relata ainda outro fato curioso para comprovar como a Antártica é nossa vizinha. Cerca de três vezes ao ano, uma massa de ar frio vinda desse continente adentra o território brasileiro e causa uma queda brusca de temperatura no Acre, a mais de seis mil quilômetros de distância do seu ponto de origem.
Mudanças lá, reflexos aqui

O geofísico Heitor Evangelista, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apresentou resultados de estudos que comprovam a influência das variabilidades climáticas e glaciais da Antártica na América do Sul.
Um desses estudos analisou a concentração de metais nos últimos séculos da península antártica.
Descobriu-se que a concentração de alumínio nessa região mais que dobrou durante o século 20. Esse dado coincide, segundo os cientistas, com o aumento de um grau na temperatura média do hemisfério sul: um padrão que tem paralelo com a desertificação na Patagônia e no norte da Argentina.
NO MAPA: Embora não pareça, o município de Chuí (em lilás) fica mais perto da base brasileira na Antártica (em vermelho) do que de Porto Velho, em Roraima (reprodução/Google Maps).
Já outro estudo aponta que a quantidade de gelo na Antártica está ligada à formação de ciclones na América do Sul. No verão, quando há menos gelo, a formação de ciclones no continente americano é menor, e vice-versa.
Os motivos por trás dessas ligações, no entanto, ainda são desconhecidos. “De que forma acontecem essas correlações ainda é uma questão em aberto”, explica Evangelista.
Já oceanógrafa Lúcia de Siqueira Campos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Comitê Nacional de Pesquisas Antárticas, apresentou o intercâmbio entre a incrível biodiversidade dos oceanos antárticos e o ecossistema marinho da América do Sul.
Essas trocas, segundo ela, podem estar ameaçadas por causa do aquecimento acelerado da península antártica. Cabe aos cientistas investigar de que forma essa mudança de temperatura no continente pode transformar os mares dali – e, quiçá, também os brasileiros. Isabela Fraga - Ciência Hoje / RJ

sexta-feira, julho 02, 2010

Previsão é de chuva no litoral nordestino no fim de semana

Previsão é de chuva no litoral nordestino no fim de semana
Em Alagoas e Pernambuco, tempo estará instável com pancadas de chuva.
Áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste terão baixa umidade relativa do ar.

Nos próximos dias, a condição de chuva deve permanecer no litoral do Nordeste e no norte da Região Norte. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), em Alagoas e Pernambuco, estados bastante afetados pelas chuvas nos últimos dias, o tempo estará instável, com possibilidade de chuvas e pequenas aberturas de sol.
"O interior do Brasil ainda terá a atuação de uma massa de ar seco, incluindo a Região Sul, entre Paraná e Santa Catarina, no fim de semana", diz ao G1 a meteorologista Mônica Lima, do Cptec/Inpe.
Áreas de instabilidade devem aumentar a chance de chuva no centro de Minas Gerais, o que melhora a condição de umidade relativa do ar em áreas do Sudeste e Centro-Oeste.

Sul
Nesta sexta-feira (2), no leste de Santa Catarina e do Paraná e no centro-sudoeste do Rio Grande do Sul, o sol aparece entre nebulosidade variável. Nas demais áreas da região, há previsão de predomínio de sol, com baixa umidade relativa do ar em alguns pontos.
No sul do Rio Grande do Sul, o sábado (3), o sol aparece entre nebulosidade variável. Nas demais áreas da região, a previsão é de predomínio de sol, com baixa umidade relativa do ar em alguns pontos.
No domingo (4), em todas as áreas da região, o sol deve predominar.

Sudeste
No centro-norte e leste do Espírito Santo e no centro-norte e nordeste de Minas Gerais, a sexta-feira terá tempo nublado, com chuva isolada. No Triângulo Mineiro e na maior parte de São Paulo, a previsão é de predomínio de sol e baixa umidade relativa do ar. Nas demais áreas da região, o sol aparece entre nebulosidade variável.
No sábado, em grande parte da região, o sol aparece entre poucas nuvens, com possibilidade de pancadas de chuva isolada. Em áreas de Minas Gerais e do Espírito Santo, o dia estará nublado com chuva isolada. No Triângulo Mineiro, em São Paulo, e no centro-sul do Rio de Janeiro, a previsão é de predomínio de sol, com baixa umidade relativa do ar.
No domingo, no leste do Espírito Santo, o sol aparece com variação de nuvens. No oeste e noroeste do Espírito Santo e no centro-norte de Minas Gerais, o dia estará nublado. Nas demais áreas da região, a previsão é de predomínio de sol.

Centro-Oeste
Em grande parte da região, a sexta-feira terá baixa umidade relativa do ar. No leste de Goiás, o sol aparece com variação de nuvens. Nas demais áreas do Centro-Oeste, a previsão é de predomínio de sol.
Neste sábado, em Goiás, no nordeste de Mato Grosso do Sul e no leste de Mato Grosso, o sol aparece entre nebulosidade variável. Nas demais áreas da região, a previsão é de predomínio de sol. A umidade relativa do ar estará baixa no oeste de Mato Grosso e no centro-sudoeste de Mato Grosso do Sul.
No domingo, em todas as áreas da região, a previsão é de predomínio de sol.

Norte
No centro-norte do Amazonas e do Pará, em Roraima e no Amapá, a sexta-feira será de sol entre nebulosidade variável, com pancadas de chuva. Nas demais áreas da região, o sol aparece entre pouca nebulosidade. A umidade relativa do ar estará baixa no sul de Rondônia.
No fim de semana, na faixa norte da região, o sol aparece entre nebulosidade variável e há possibilidade de pancadas de chuva. No Acre, em Rondônia e no sul do Amazonas, a previsão é de predomínio de sol. Nas demais áreas da região, o sol aparece entre poucas nuvens. A umidade relativa do ar estará baixa no sul de Rondônia.

Nordeste
Nesta sexta, no leste da região, o tempo estará instável, com poucas aberturas de sol e chuva a qualquer hora. Na Bahia, no Maranhão, no Piauí, no Ceará, no Rio Grande do Norte e na Paraíba, o tempo deve estar nublado, com chuva a qualquer hora. Nas demais áreas da Região: sol e variação de nuvens.
No fim de semana, o tempo permanece instável com poucas aberturas de sol e chuva isolada no leste da região. No Recôncavo Baiano, a previsão é de dias nublados, com chuva a qualquer hora. Nas demais áreas da região, o sol aparece entre nebulosidade variável, com possibilidade de pancadas de chuva isoladas.

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