sexta-feira, maio 28, 2010

A resposta desse grande artista merece uma reflexão atenta! E ainda há quem queira essas mazelas para o nosso País!

O jornal O Globo publicou no Segundo Caderno do dia 05 de março de 2010 uma ótima entrevista com o barítono brasileiro PAULO SZOT que venceu o Prêmio Tony, em 2009, na categoria melhor ator em musical, em Nova York (EUA). Ele foi indicado ao prêmio por sua atuação no musical "South Pacific", que ganhou sete prêmios no Oscar do teatro dos EUA. Pois agora, ele será o segundo brasileiro a estrelar uma ópera no Metropolitan Opera House (a primeira foi Bidu Sayão). Ele interpretará a personagem Kovalyov, protagonista da ópera "O nariz", de Shostakovich. A entrevista foi feita por Eduardo Frdkin e me chamou a atenção a resposta que o barítono deu a uma das perguntas. Nessa resposta há uma bela análise conjuntural de uma época e lugar. E é interessante que nós, brasileiros, assimilemos bem a essência do que foi relatado.

PERGUNTA: Shostakovich foi perseguido a vida toda pelas autoridades soviéticas e foi acusado de ¨formalismo" (que, na teoria, é a valorização da forma no lugar do conteúdo, mas na prática, era qualquer coisa que Stalin e seus supervisores da vida cultural não tivessem a capacidade de entender ou julgassem de caráter antipopular). Você tem uma forte ligação com a Polônia, que também sofreu muito com a opressão soviética. Isso faz com que você tenha algum sentimento especial em relação à Shostakovich ou a atuar em "O nariz"?

RESPOSTA DE SZOT: Eu vivi na Polônia durante oito anos e guardo memórias de grandes incentivos culturais apesar das enormes carências fundamentais naquele momento, naquela sociedade. Marcou-me, por exemplo, a dificuldade dos poloneses de viajar além dos países da Cortina de Ferro, portanto a falta de liberdade. Além disso, havia o racionamento de vários produtos de alimentação e higiene. Obviamente, minha experiência como estudante estrangeiro não se comparava à complexidade da realidade de Shostakovich e de várias outras pessoas que viviam dentro daquele regime. Gogol (autor da história "O nariz", que inspirou a ópera) retrata nesse conto vários absurdos vividos por Kovalyov (personagem principal do enredo) e a dificuldade de ser compreendido por uma sociedade extremamente burocrática. Muitos dos relatos de Gogol remetem a situações que vivi na Polônia e que realmente existiam naquele período. Lembro-me das filas em todas as lojas, da burocracia nas repartições públicas e da má vontade de alguns funcionários. Porém, o mais interessante é que, mesmo com a censura e as dificuldades daquele momento, a arte sublime de Shostakovich – assim como de vários outros artistas que viveram situações parecidas – sobrevive, provando que a genialidade está acima de qualquer imposição.

Gratidão por minha alma feminina

Gratidão por minha alma feminina
Ricardo Gondim
Deus, atrevo-me a chamar-te ao mesmo tempo de Pai e de Mãe. Antes, confesso: minha relação contigo continua inadequada. Sou inepto em lidar com o sagrado. Sei tão pouco sobre o mundo espiritual. Não alcanço como o universo cabe na concha de tua mão. Não sei explicar que antes da explosão primordial que moveu o relógio cósmico, tu já eras. Não compreendo o significado de desde sempre.
Não posso tratar-te como um fundamento, isso te coisificaria; recuso tentar encapsular-te em definições, isso te reduziria a um ídolo. Pretender definir-te é arrogância. Equivale à ousadia de fazer-te menor que a racionalidade humana. Contemplo-te com a mesma admiração do astrônomo que vasculha o espaço sideral em busca de nebulosas e de buracos negros. Meu coração se enche de “por quês?” infantis. Assombrado, reconheço: não passo de um cisco, uma fuligem que o vento espalha.

Kiss - I Still Love you [Legendado PT-BR]


O BARRIL DE PÓLVORA COREANO

O BARRIL DE PÓLVORA COREANO

EDITORIAL - O ESTADO DE S. PAULO - 28/5/2010

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, deverá se reunir hoje em Seul com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, para tratar da crise na Península Coreana desencadeada pelo torpedeamento da corveta sul-coreana Cheonan em 26 de março, que matou 46 marinheiros. Um relatório oficial de 400 páginas sobre o ocorrido é inequívoco ao acusar a Coreia do Norte pelo ataque em águas próximas à fronteira marítima entre os dois países. Demarcada pela ONU depois da guerra de 1950 a 1953, a linha é contestada pelo regime de Pyongyang ? que, evidentemente, também nega a acusação do Sul.
A ida de Jiabao a Seul parece ser a única concessão de Pequim aos EUA, no caso. Em visita à capital chinesa, no começo da semana, sintomaticamente em companhia do comandante da frota americana no Pacífico, almirante Robert Willard, a secretária de Estado Hillary Clinton insistiu com o presidente Hu Jintao que o ultraje deveria ser punido com a aplicação de sanções contra a Coreia do Norte pelo Conselho de Segurança. A China? Que sustenta a ditadura feudal de Kim Jong-il? Não disse não, muito menos sim. Os porta-vozes chineses limitaram-se a informar que o país fará a "sua própria avaliação" do incidente e pediram "contenção" às partes.
A conduta de Pequim será crucial para o desenrolar do confronto entre as Coreias ? E não apenas por terem os chineses poder de veto sobre as decisões do Conselho de Segurança. Peça-chave na região, a China mantém laços históricos e ideológicos com Pyongyang, mas também desenvolveu fortes relações econômicas e comerciais com Seul. No ano passado, apoiou a adoção de sanções à Coreia do Norte por seu programa nuclear. Fontes diplomáticas americanas afirmam ter indícios de dissensões na hierarquia chinesa em relação ao tratamento a dar ao incômodo, inescrutável aliado.
Embora a cúpula militar tenda a se alinhar com os seus camaradas norte-coreanos ? o que remonta à Guerra da Coreia, quando tropas de ambos os países enfrentaram os EUA e seus aliados ?, os líderes civis estariam perplexos e exasperados com as atitudes do vizinho que só servem para complicar a estratégia chinesa na Ásia e as suas aspirações ao reconhecimento internacional como uma potência promotora da estabilidade no sistema global. Quando a Coreia do Sul responsabilizou a do Norte pelo ataque à sua corveta, atribuiu-se a uma alta autoridade chinesa a declaração de que a investida tinha sido "muito infeliz" ? mas é de duvidar que Pequim faça um juízo desses em público.
"China e Coreia do Norte são tão próximas quanto lábios e dentes", diz o professor Liu Jingyong, do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Tsinghua, ouvido pela correspondente do Estado em Pequim, Cláudia Trevisan. Ecoando, talvez, a visão mais ortodoxa dos círculos dirigentes chineses, ele critica a comunidade internacional por seguir uma política de "dois pesos e duas medidas" em relação às Coreias. Em novembro do ano passado, quando um navio norte-coreano foi atingido em águas disputadas pelos dois países, lembra o acadêmico, Seul não se desculpou, mas nem por isso se falou em sanções diplomáticas contra o governo do presidente Lee Myung-bak.
O problema imediato não é bem esse, de toda forma. Trata-se da escalada da crise na Península. As Coreias nunca deixaram de estar tecnicamente em guerra desde 1953. O que existe entre os dois países é apenas um armistício ? e os Estados Unidos mantêm no Sul 29 mil soldados. A rotina das tensões na área não impediu nos anos recentes uma aproximação econômica mutuamente proveitosa. Pyongyang depende vitalmente da moeda forte que recebe por suas vendas ao vizinho e este tem 120 empresas no complexo industrial de Kaesong, na Coreia do Norte, onde emprega 45 mil trabalhadores locais.
Por mais que a eclosão de uma guerra seja improvável? A não ser que o irascível Kim Jong-il enlouqueça de vez? O perigo de choques militares na fronteira comum não pode ser descartado. Aplica-se à crispação de parte a parte a proverbial analogia da faísca e do barril de pólvora.

Visto dos EUA para brasileiros passa para 10 anos

Visto dos EUA para brasileiros passa para 10 anos

Ampliação do prazo, para viagens de turismo e negócios, estende-se também para americanos no Brasil

BRASÍLIA. Os governos do Brasil e dos Estados Unidos anunciaram ontem a ampliação de cinco para dez anos do prazo de validade do visto para os dois países. A medida entra em vigência hoje e vale para viagens de turismo e também de negócios. A ampliação do prazo faz parte do esforço para intensificar a viagem de turistas aos Estados Unidos. Há pelo menos dois anos o governo americano manifestou o desejo de dobrar o tempo de validade dos vistos, mas somente agora o acordo foi fechado, após aprovação do Senado, em fevereiro.

Empresas dos EUA defendem fim do visto para brasileiros
A duração de dez anos não chega a ser uma novidade. Na década de 1990, esse era o prazo dos vistos concedidos pelos EUA a brasileiros. O incremento da viagem de brasileiros aos Estados Unidos levou empresas americanas ligadas ao ramo do turismo a defender até o fim da exigência do visto de entrada no país.
Em 2009, o governo dos Estados Unidos emitiu cerca de 500 mil vistos de entrada para brasileiros. O Brasil ganhou papel de destaque como um emissor de turistas para os Estados Unidos, o que fez aumentar o número de voos tendo como destino aquele país.
Os dois países decidiram ainda acabar com as taxas cobradas para a concessão de vistos de viagens de negócios, de estudantes e de professores que participam de intercâmbios. É uma taxa cujo valor varia de acordo com a categoria do visto.
Mas a embaixada continuará cobrando de todos os interessados em viajar aos Estados Unidos a taxa de pedido de visto, utilizada para pagamentos de procedimentos burocráticos.
Essa taxa de solicitação de visto de não-emigrante para os EUA terá aumento a partir de 4 de junho. Para as categorias de turismo e negócios, a taxa sobe de US$131 para US$140. No caso de visto para trainees e trabalhos temporários, transferências de uma mesma empresa, atletas, artistas, outros profissionais do entretenimento e profissionais religiosos, a taxa será de U$150. Já para categoria de noivo(a) de cidadãos americanos, a taxa passa para US$350.

Mulher e mídia - Belíssimo artigo!

Mulher e mídia
por Leandro Uchoas

Já estou careca de saber que é incrível quando elas passam. Não precisa ninguém vir me dizer. O coração fica pequenininho, as pernas bambeiam. Quando elas passam pela gente com aquele jeitinho de anjo, aquele rebolado sutil, aquela maneira doce de falar, fica parecendo que a gente vai ter um troço. As mulheres são mesmo incríveis, isso já não é mais segredo pra ninguém.
Mas, de uma vez por todas, uma coisa precisa ficar clara. Se você leu isso e imaginou aquela modelo da propaganda de sabonete, a bela atriz da novela das oito, ou mesmo uma popozuda qualquer do funk comercial, fique atento: essa não é uma mulher normal.
Essa é a mulher da mídia, aquela que tem o corpo perfeito, o bronzeado em dia, a sensualidade na voz, e a futilidade do sorriso constante. A mídia, fanfarrona como ela só, forja essa imagem como o ideal perfeito de mulher, fazendo milhões de homens desejarem o que nunca terão, e milhões de mulheres lamentarem o que nunca serão. Por que fazem isso? Pelo mesmo motivo de sempre: porque vende.
Isso nada mais é do que uma reciclagem da escravização da mulher. Um jeitinho novo e criativo de humilhá-las. A participante do BBB, por exemplo, só precisa andar seminua, e fazer uma intriga ou outra de vez em quando. A apresentadora de telejornal quase nunca é editora-chefe. Sempre bela, funciona como um jarro de flor a enfeitar a participação do apresentador, esse sim o editor. Precisa ainda lembrar as atrizes de novela, em geral brancas, de cabelo liso e rosto fino, a interpretar donas-de-casa submissas?
Não, meus queridos. Não são essas mocinhas que me fazem gaguejar diante delas. As mulheres realmente notáveis, eu garanto, são as que não escondem a celulite. São as que não abrem mão de um livro ou um filme por uma bicicleta ergométrica. São aquelas que não têm aquele sorriso bobo e constante no rosto, mas que quando sorriem iluminam o mundo inteiro. Essas são as indispensáveis.

É verdade que a musa, aquela que mostra o corpo perfeito pra vender cerveja, ou a que adota o nome de uma fruta qualquer para rebolar melodias pornográficas, até sensibilizam nossa libido. Mas sua futilidade sufoca, agride qualquer homem que pretenda viver a vida de um jeitinho mais bailarino.
Ah, a musa, tão bonitinha, essa aí eu acho que não quero pra mim não. Quero a moça dengosa, às vezes sem jeito, às vezes fora de forma, mas capaz de dar um brilho distinto e belo às nossas tardes, e transformar nossas noites em momentos notáveis. Capazes de falar coisas lindas, de ter planos únicos e sonhos incríveis. As que não aparecem na mídia, essas são as imprescindíveis. Eu quero uma sem-mídia pra mim.
*Leandro Uchoas é jornalista

Brasil deverá ter até oito centrais de energia nuclear em 2030

Brasil deverá ter até oito centrais de energia nuclear em 2030
Por Redação, com ABr - de Brasília

Brasil deverá ter até 2030 entre quatro e oito centrais de energia nuclear, de acordo com o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Três regiões brasileiras estão sendo estudadas para a implantação de plantas nucleares.
– Começamos a fazer estudos pelo Nordeste, para verificar onde há sítios para instalar as plantas nucleares. Depois vamos fazer no Sudeste e no Sul –, disse o ministro em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro.
Segundo Zimmermann, para isso é necessário criar políticas específicas e determinar a tecnologia que será usada.
– O estudo, que se iniciará este ano, vai definir a viabilidade técnica e econômica e apurar qual local deve ter essa planta.
O ministro informou que as obras de construção da usina nuclear Angra 3 já foram retomadas.
– Levou mais de dez anos para se tomar uma decisão. A usina foi retomada, está em construção e entrará em operação em 2015.

O amor não discute, vai embora

O amor não discute, vai embora

Felipe Pena, Jornal do Brasil
RIO - Ela o manipulava utilizando a própria indignação como estratégia. E não precisava se colocar no papel de vítima. Bastava fazê-lo perceber os julgamentos injustos, a paranoia, a insegurança. Mostrava-se plena, absoluta. Uma confiança quase religiosa perpassava seu sorriso meio de lado enquanto falava. Mas não era tão confiante assim.
Só pareceu ter a situação sob controle até reparar nas estantes vazias da sala e nos caixotes com livros perto do bar, onde, no lugar das garrafas, jaziam pedaços de jornal velho. Havia candelabros cobertos com plástico e quadros embrulhados com papelão. Duas malas cheias estavam empilhadas ao lado da porta, junto com alguns objetos que ainda não haviam sido embalados.
Sentiu o golpe, mas fez-se de desentendida. Aquele idiota recalcado estava fugindo! Fugindo de verdade! Fisicamente. Geograficamente. Covarde filho da puta! Por que ficar de conversinha se já estava decidido a partir? Teve vontade de ser mais violenta do que ele, e não apenas de forma verbal. Precisava mordê-lo, arranhá-lo, bater naquela cara bonita. Como ele era bonito! Agora ainda mais, como um soneto incompleto, uma escultura neoclássica sem os membros, algo inacabado e, por ser inacabado, muito mais bonito.
Não tinha um rosto geométrico. Era masculamente desproporcional: os olhos grandes, as maçãs salientes, o queixo pontiagudo e rachado, a barba meio grisalha com falhas visíveis em ambos os lados. E os sulcos laterais denunciando a idade, o detalhe preferido dela. Um rosto perfeito de um homem perfeito. Tão perfeito que não o veria mais.
- Vou voltar pra casa. Não posso mais ficar aqui. Meu voo está marcado pra depois de amanhã.
Então era o fim. Antes mesmo do começo. O fim. O que poderia fazer? Segurá-lo pelo pescoço? Encenar um escândalo? Suplicar para que ficasse? Dizer: eu te amo, não me abandone! Isso seria pior do que perdê-lo. Porque perderia a fleuma, a postura altiva, a verve crítica que o conquistara. E, nesse caso, o perderia de qualquer jeito.
- Não há encantamento na hora da partida. - ele disse. E ela ficou em silêncio.
O jogo de aforismos de repente perdera o sentido. Não conseguia elaborar uma resposta à altura, uma frase de efeito, algo genial que a trouxesse de volta ao controle. Pela primeira vez, não sentia qualquer prazer na superioridade intelectual. Naquele instante, gostaria de ser uma dona de casa siciliana, com as ancas largas, a lasanha no forno e as crianças na barra da saia.
Queria não ter pensado na carreira, no mundo, na sociedade capitalista. Queria não ter se filiado a um partido de esquerda. Queria não ter brigado com a família. Queria não ter lido Nietzsche, Foucault, Marx, Freud, Deleuze, Lacan. Queria não ter ombros largos. Queria não ter opinião.
Mas tinha. E era estranho pensar como tudo que representava tanto valor poucos minutos antes agora não passava de névoa, espuma de chuveiro, pó.
Deslizou o corpo pelo sofá, segurando no braço, para não cair. Olhou reto, certeira, nos olhos dele. Uma lágrima insistia em romper o bloqueio emocional, mas ela a segurou, refez o dique. Enxugou o canto, discretamente, dilatando a pupila para disfarçar. Ele se aproximou, curvou o corpo, tentou beijá-la na testa, mas ela o afastou.
Beijo na testa era pior do que separação.
Felipe Pena, além de jornalista e escritor, é psicólogo, professor da Universidade Federal Fluminense, doutor em literatura pela PUC, pós-doutor pela Sorbonne e autor de 10 livros, entre eles o romance 'O marido perfeito mora ao lado'.
00:30 - 28/05/2010

IQUE - No Jornal do Brasil


Na minha vida de Leonard Cohen segredo

Estratégia de segurança de Obama cita Brasil como um dos ‘centros-chave’ mundiais

Estratégia de segurança de Obama cita Brasil como um dos ‘centros-chave’ mundiais

Jornal O Dia

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apresentou ontem a Estratégia de Segurança Nacional de seu governo. No documento de 52 páginas o Brasil é citado como uma das nações com crescente influência no mundo, o que faz do País um dos ‘centros-chave’, além de China, Índia e Rússia.
O documento assinado pelo ex-presidente Gerge W. Bush em 2002 afirmava que os EUA não permitiriam o crescimento de uma superpotência rival. O principal autor do atual documento, Ben Rhodes, assessor de Segurança Nacional, disse que a tentativa de Obama de substituir o G8 por uma formação mais ampla, o G20, incluindo China, Índia e Brasil, é o exemplo dos novos tempos. O texto chega a dizer que o governo dos EUA “recebe com prazer a liderança do Brasil”.
A nova estratégia aponta a Al-Qaeda como principal inimigo dos EUA, mas abandona a expressão “guerra ao terror”, que era usada por Bush, insistindo que o uso da força por si só não pode garantir a segurança dos EUA. “Nós estamos em guerra contra uma rede específica e os terroristas que apoiam seus esforços de atacar os EUA e nossos aliados”. Por isso, diz o texto, “o governo investirá em espionagem”.
HILLARY CRITICA BRASIL Em entrevista após a apresentação do documento, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que a política externa americana tem divergências “muito sérias” com a brasileira no que diz respeito ao programa nuclear iraniano. Ela acredita que o acordo proposto por Brasil e Turquia serve apenas para que o Irã “ganhe tempo”, e tornou o “mundo mais perigoso”, referindo-se ao risco de desenvolvimento de uma bomba atômica. O Irã insiste que suas pesquisas com enriquecimento de urânio têm fins pacíficos.

Agra, Índia Fotografia de Martin Bauer

Os turistas vão até Agra para ver o famoso Taj Mahal, apenas para perceber que a área é o lar de muitos outros edifícios surpreendentes, entre eles o do século 16 Red Fort, que antes rodeava a cidade imperial Mogul.

LYA LUFT


GUARDEI-ME PARA TI

Guardei-me para ti como um segredo
Que eu mesma não desvendei:
Há notas nesta guitarra que não toquei,
Há praias na minha ilha que nem andei.
É preciso que me tomes, além do riso e do olhar,
Naquilo que não conheço e adivinhei;
É preciso que me ensines a canção do que serei
E me cries com teu gesto
Que nem sonhei.

LYA LUFT

Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.

Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.
Umberto Eco em O Nome da Rosa

Humberto, para o Jornal do Commercio


Teatro Municipal volta a brilhar

Teatro Municipal volta a brilhar

José Luiz de Pinho, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Um dos monumentos mais suntuosos e emblemáticos do Brasil, o centenário Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi oficialmente reaberto nesta quinta-feira, após um ano e meio em reforma. Várias personalidades prestigiaram o evento, entre elas o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. Autoridades e convidados assistiram a apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, que executou L'Arlésienne, de Georges Bizet, com regência do maestro Roberto Minczuk.
O coral e o corpo de baile do Municipal também participaram da cerimônia, que contou com personalidades do exterior convidadas por Lula, como a bela Mozah Al Missned, mulher do xeque do Catar, e José Luis Zapatero, primeiro-ministro espanhol.
A primeira obra a abrir temporada após a reforma será a ópera Il Trovatore, de Giuseppe Verdi, na semana que vem. Segundo o Ministério da Cultura, foram gastos R$ 70 milhões no teatro, que passou por um trabalho de descupinização e recuperação do telhado, instalações elétricas e hidráulicas, dos foyers (salões de espera), dos camarins e da sala de espetáculos.
O Municipal também teve restaurados seus elementos artísticos, e foram trocados elevadores, poltronas e ar-condicionado. A nova iluminação da fachada deu um tom ainda mais suntuoso ao centenário teatro.
A presidente da Fundação Theatro Municipal, Carla Camurati, falou da reforma, que resgata a cultura do Rio. Para evitar que peças históricas fossem quebradas ou até furtadas, os ateliês de restauração foram armados dentro do próprio teatro.
– Jamais tiraria uma fiapo do projeto inicial. As pessoas julgaram que a louça nos banheiros era a original, mas estavam enganadas. Era da reforma de 1970, estava modificada. O que fizemos foi criar mais banheiros para atender a demanda de público. Uma reforma dessa proporção não poderia ser feita às pressas – explicou.
A reinauguração do teatro devolve ao Rio uma parte da vida cultural da cidade, adormecida por 19 meses, tempo que durou a reforma. O projeto recuperou as características originais do prédio, inaugurado em 1909, e devolve, aos poucos, o charme das imediações da Cinelândia.
Exterior também muda
Junto com a retomada das atividades da casa, será aberto o Boulevard 13 de Maio, um espaço ao ar livre, com café, anexo ao restaurante Assyrius, que funciona dentro do teatro. As obras no entorno do Municipal prosseguirão. As avenidas 13 de Maio e Rio Branco terão suas calçadas reformadas, com a recolocação das pedras portuguesas e pontos de luz. A prefeitura também prepara a limpeza de monumentos naquela região do Centro do Rio.

Definir maioridade penal é desafio do Direito moderno

INFÂNCIA EM JULGAMENTO

 Definir maioridade penal é desafio do Direito moderno





POR ALINE PINHEIRO

A condenação de duas crianças nesta semana pela tentativa de estupro de outra na Inglaterra reacendeu a discussão sobre a maioridade penal no país. Definir a partir de qual idade uma criança pode ser responsabilizada judicialmente pelos seus atos é um dos pontos nevrálgicos do Direito moderno em todo o mundo. Na União Europeia, não há uma regra única e cada país estabelece a sua maioridade penal.
A Inglaterra é um dos que pune mais cedo. A partir dos 10 anos, a criança já pode ser levada aos tribunais. Na Escócia, o limite é mais baixo ainda: oito anos. Antes de 1995, era sete. A legislação escocesa, no entanto, está em processo de mudança e a maioridade penal deve subir para os 12 anos. Na Itália e na Alemanha, a criança pode ser levada à corte a partir dos 14 anos.
A Corte Europeia dos Direitos Humanos já foi chamada pelo menos uma vez para se pronunciar sobre a questão. Quando a Justiça inglesa condenou dois meninos de 10 anos pela morte de outro de dois anos, a corte europeia foi provocada e não se opôs à decisão. Os juízes europeus observaram que ainda não existe nenhum acordo entre os países da comunidade sobe o assunto, mas ressaltaram que a criança acusada deve ser tratada nos tribunais de uma forma adequada à sua maturidade emocional e intelectual e o julgamento deve ocorrer de uma forma que ela possa compreender.
Na ocasião, alguns juízes da corte da União Europeia entenderam que levar uma criança de 10 anos para uma corte de adultos viola as garantias dos menores estabelecidas na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
Em 2004, a ONG internacional Right to Education Project publicou um estudo em que analisa a maioridade penal juntamente com a idade em que a criança é obrigada a estar na escola e a partir de quantos anos pode casar, além de outros limites de responsabilidade civil, como matrimônio. O estudo, baseado em relatórios que os países enviam para a Organização das Nações Unidas, concluiu que, em pelo menos 125, crianças entre sete e 15 anos podem sentar no banco dos réus.
A ONU, por sua vez, também não tem uma idade como marco da responsabilidade penal. Pede apenas que cada país use o seu bom senso. A Convenção sobre os Direitos das Crianças diz apenas que cada país fixe uma idade mínima. Protege também as crianças da pena capital e de ser condenada a prisão perpétua.
De acordo com regras adotadas pela ONU em 1985, em Pequim, na China, os países foram convidados a, ao fixar o início da maioridade penal, considerar a maturidade emocional, mental e intelectual das crianças e observar para não levar aos tribunais crianças muito novas. Como a maturidade da criança depende da cultura do país onde mora, cada Estado foi convidado a fixar a sua maioridade.
Em 1995, a ONU chegou a recomendar à Inglaterra que aumentasse a idade penal. De acordo com a organização, a princípio, os 10 anos fixados pelos ingleses pareciam incompatíveis com a Convenção sobre os Direitos das Crianças. Sempre que é aberta a discussão sobre aumentar a maioridade penal, o governo britânico dá sinais claros que não pretende alterar as suas regras. A justificativa é de que, assim, protegem os interesses dos cidadãos. De acordo com o governo, a prisão de menores de 18 anos é sempre a última opção, reservada para crimes graves. Apenas 3% dos menores condenados acabam na cadeia, diz o governo.

Lugar de criança

O julgamento concluído em uma das cortes criminais inglesas esta semana reabriu também uma antiga discussão: como a Justiça deve lidar com as crianças, estejam elas na posição de acusadas, vítimas ou testemunhas. Na ocasião, um menino de 10 anos e outro de 11 foram condenados por tentar estuprar uma menina de oito anos. A sentença deve sair em oito semanas. Enquanto isso, as crianças permanecem em liberdade condicional. Embora condenados como adultos, a identidade dos dois é preservada de acordo com normas legais da Inglaterra.
As duas semanas em que os meninos ficaram sentados nos bancos dos réus foram permeadas de alguns cuidados especiais. Para que eles pudessem compreender o que acontecia dentro das paredes da corte, os procedimentos ao longo do dia foram divididos em períodos curtos e bem marcados. Formalidades, como toga e peruca, foram dispensadas. A linguagem também foi simplificada o máximo possível. Nem por isso, no entanto, o promotor deixou de dizer para um júri de seis homens e seis mulheres que estavam de frente ao crime mais grave cometido no último ano na cidade de Hayes.
Os meninos assistiram ao julgamento sentados ao lado das mães. A menina vítima não depôs ao vivo. Foi mostrado um vídeo em que ele conta ao policial, enquanto brinca com seu urso de pelúcia, como foi abusada pelos garotos.
Em março deste ano, a Suprema Corte do Reino Unido apreciou se uma criança podia ser levada para depor como testemunha em um julgamento sobre crime doméstico. A discussão foi travada no processo sobre a guarda de cinco crianças, que viviam com os pais. A mais velha delas, de 14 anos, não era filha biológica do pai de família e contou em junho do ano passado que foi sexualmente abusada pelo padrasto. O padrasto foi condenado e todos os filhos, colocados em custódia. Ao analisar o recurso do padrasto, a Suprema Corte definiu que uma criança pode sim ser convocada como testemunha. Cabe ao juiz que cuida do processo analisar a necessidade do depoimento da criança e cuidar para garantir o seu bem-estar.

Lei e Jurisprudência

O caso julgado pela Justiça britânica nesta semana expôs a fragilidade do sistema penal ao tentar equilibrar a aplicação da Justiça com a proteção da criança. Na Inglaterra, estupro de menores de 13 anos pode ser punido com prisão perpétua. Sexo com menores, que não seja forçado, tem penas mais brandas. Quando o acusado tem menos de 18 anos, a pena máxima é de cinco anos.
Em abril de 2009, a chamada Casa dos Lordes, que funcionava como última instância da Justiça de todo Reino Unido e pouco depois foi substituída pela Suprema Corte do Reino Unido, se debruçou sobre a maioridade penal. Foi levado à corte o apelo de um menino de 12 anos acusado de participar, junto com outros, do estupro de crianças menores de 13 anos. A estratégia da defesa era provar que o garoto, ao cometer o crime, não sabia que o que fazia era errado. O pedido dos advogados era pra que ele fosse considerado doli incapax, ou seja, incapaz de praticar ato criminoso.
O menino, que já havia sido condenado em todas as outras instâncias, viu morrer sua última chance. Por unanimidade, os juízes da corte decidiram que ele era juridicamente responsável e, por isso, devia ser criminalmente punido. (Cliqueaqui para ler a decisão em inglês) 
A fixação da idade penal na Inglaterra é recente. Até meados de 1900, era a jurisprudência que definia a partir de qual idade a pessoa podia ser levada para uma corte criminal. Os juízes, então, consideravam que apenas crianças menores de sete anos não responderiam pelos seus atos em hipótese alguma. Dos sete aos 14 anos, a criança era presumidamente incapaz de responder criminalmente, mas essa presunção podia ser derrubada se ficasse provado que a criança sabia que o que estava fazendo era errado.
Na década de 1930, o Parlamento britânico resolveu interferir. A primeira regra escrita publicada dizia que nenhuma criança com menos de oito anos podia ser criminalmente julgada. Anos depois, essa idade subiu para 10 anos e, até os 14, o que prevalecia ainda era a jurisprudência que presumia a incapacidade de a criança responder pelos seus atos.
A discussão que foi parar na Casa dos Lordes é se uma regra escrita de 1998 aboliu apenas essa presunção para crianças entre 10 e 14 anos ou se tornou menores nessa faixa etária capazes de responder pelos seus atos. A conclusão unânime dos juízes foi a de que a norma escrita reduziu, de uma vez por todas, a maioridade penal para os 10 anos. A partir dessa idade, nenhuma criança pode alegar a sua inimputabilidade para não responder por um crime que cometeu.

Skoob

BBC Brasil Atualidades

Visitantes

free counters